sábado, 22 de maio de 2010

MATEM-ME AS SAUDADES!

Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular, "saudade", só conhecida em galego -português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.
A palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar".
Diz a lenda que foi cunhada na época dos Descobrimentos e, no Brasil colónia, esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos. Define, pois, a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou acções. Provém do latim "solitáte", solidão.
Uma visão mais específica aponta que o termo saudade advém de “solitude” e “”saudar,” onde quem sofre é o que fica à esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia. A génese do vocábulo está directamente ligada à tradição marítima lusitana.
O termo saudade acabou por gerar derivados como a qualidade "saudosismo" e seu adjectivo "saudosista", apegado às ideias, usos, costumes passados, ou até mesmo aos princípios de um regime decaído, e o termo adjectivo de forte carga semântica emocional "saudoso", que é aquele que produz saudades, podendo ser utilizado para entes falecidos ou até mesmo substantivos abstractos como em "os saudosos tempos da mocidade", ou ainda, não referente ao produtor, mas aquele que as sente, que dá mostras de saudades.

Em botânica, "saudade" é o nome vulgar de várias plantas da família das Dipsacáceas e das Compostas, como as saudades -brancas, que aparecem nos campos e nas vinhas do Sul de Portugal, e é também conhecida por suspiros – brancos – do -monte, as saudades -perpétuas, cultivadas no Sul de Portugal e as saudades -roxas (plantas da família das Dipsacáceas, que aparecem nos terrenos secos e pedregosos, também conhecidas por suspiros -roxos).

E eu tenho saudades dos que partiram, e pelos quais o meu amor perdura, e perdurará, como se acreditasse que um dia regressarão. Mas, quando caio em mim, a única certeza, é de que um dia estarei, junto deles. Serei eu a fazer a viajem ao encontro dos que amei nesta vida.
Tenho saudades, do que vivi e que me deu felicidade.

Mas no momento, a minha mágoa é sobre o país em que vivo, que faz de mim um saudosista, pois, vejo perder os usos e costumes e, princípios nos quais sempre me revi.
Princípios de ética na vida do dia a dia, da ética nas relações pessoais, da ética na família, da ética na economia, da ética no direito, da ética na politica.
Sou um saudosista do país em que acreditei, em quanto jovem.
Se me quiserem “matar a saudade” dêem-me o país em que acreditei. Um país mais fraterno, com mais igualdade e que nem a liberdade fosse cortada com assaltos encapotados aos órgãos de comunicação social e nas mentiras reiteradas, e que já possuem convicção de obrigatoriedade, de quem nos tem governado, nestes 36 anos de orgia gastronómica, onde se vão revezando à mesa, os hóspedes do poder.
Ao menos vou sentindo saudades, mas saudades, neste caso, do que nunca tive e do que desejei para os meus.
E, sentir saudades, é sentir tristeza de deixar menos do que encontrei quando nasci.
Um país que aprendi a amar e que hoje, não vislumbro futuro!
Matem-me as saudades!

« Sola virtus homines honestat; haec est perennis unda nobilitatis, honoris, gloriae. » [Luigi Angeli, Memorie Storiche 127] Só a virtude dignifica os homens; ela é um perene mar de nobreza, de honra, de glória.

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