terça-feira, 18 de dezembro de 2012

MIGUEL RELVAS APOIA MOITA FLORES?


 
Miguel Relvas, o ministro que tem em mãos a reforma administrativa, promete apoiar Fernando Seara, ‘candidato’ do PSD à Câmara de Lisboa. Seara, presidente da Câmara de Sintra, ainda não anunciou a candidatura ao município da capital, mas Relvas prepara António Costa para um combate difícil.
Ao contrário do que é comum, o provável candidato já recebe apoio de membros do Governo antes de anunciar a candidatura. Miguel Relvas garantiu que será um acérrimo e devoto apoiante de Fernando Seara nas eleições à Câmara Municipal de Lisboa, onde o Partido Socialista apresenta António Costa como trunfo.

Já em Oeiras é uma pena que o Ministro Miguel Relvas não tenha expressado, ainda, apoio público à candidatura de Francisco Moita Flores, à Câmara Municipal de Oeiras pois, como é de conhecimento público, internamente, dentro do PSD, foi o Ministro Miguel Relvas que impôs e apoiou a candidatura de Moita Flores, para uma nova ambição.
Ficaria bem, um gesto fraterno e de solidariedade, do Ministro Miguel Relvas ao seu candidato a Oeiras, Moita Flores. A não ser que Miguel Relvas o tenha proposto, como candidato, sabendo que conquistar Oeiras não passa de um sonho ambicioso.

Esperemos, pelo menos, que durante a campanha, possamos ver Miguel Relvas a ajudar Moita Flores, de manhã à noite, nas ruas de Oeiras. Não gostaríamos que Oeiras fosse discriminada pela falta de apoio de Miguel Relvas, à candidatura de Moita Flores.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

UM ACTO DE CONSCIÊNCIA E DE LIBERDADE INTERIOR


Imaginem vocês, que um dia, alguém entrava na vossa casa e vos dizia: “A vossa família já atingiu um nível que vos é permitido, agora, que alguém de fora governe a casa por vocês.”

De certeza que ficariam chateados e diriam: “ Ponha-se daqui para fora”.

Mas, eu candidato-me para em nome de uma nova ambição, governar a vossa casa. Tenho a minha própria equipa e não se têm de preocupar com nada. Alguns deles já frequentaram a vossa mesa e eventualmente já dormiram com alguns de vós. Mais uma razão para estarem descansados.

Por esta e outras razões a vossa casa terá a melhor equipa que vocês alguma vez tiveram ambição de ter. Tirando eu que já estou um pouco adiantado na idade, toda a minha equipa é jovem. E o futuro está na mão dos jovens.

Eu sei que fazem muitas asneiras. A maioria deles, até, quer o poder pelo poder. Procuram protagonismo para voos mais altos. Mas têm ambição! E vocês sabem bem que basta ter ambição para que, mesmo que se façam asneiras, a projecção e o protagonismo, de cada um, sobressaia.

A vossa casa ficará em boas mãos!

Na eventualidade de vocês não terem convidados suficientes para ocupar todos os lugares que passarão a ser disponibilizados à mesa da casa, eu próprio me ocuparei de convidar todos aqueles que possam ousar fazer concorrência.

Não será por deixar de falar nas coisas que elas não acontecem, na eventualidade, da minha singela proposta encarecer o vosso orçamento. Não vos preocupeis, pois trata-se de um caso muito simples de resolver. De acordo com as minhas directrizes, o que têm a fazer é muito simples: aumentem o vosso rendimento. Esta é uma lei matemática das mais básicas. Não é preciso ir para a universidade para aprender senso comum. Já aquelas coisas da educação, habitação social, idosos é coisa que não nos preocupa, pois, já todos temos casa, já todos tirámos um curso e além disso, somos todos uns putos chavalos. Portanto, não nos preocupa a velhice.

Quanto aos meus honorários, estes não são o mais importante. Eu candidato-me voluntariamente e num espirito missionário para defender as causas da vossa família, claro está.

A nossa ambição é tão grande que é como dizem os ingleses “ The World is not enough”. Neste caso, Oeiras!

Desde que às minhas equipas não falte nada, desde lugares a distribuir nas listas, nas associações, nas empresas e em todo o lugar sob a influência da família. Pois, se assim for, a vossa casa não será jamais a mesma, pois passará a ter os meus préstimos.

Sendo assim, não será por falta de recursos que vocês se privarão da minha gerência dos vossos bens.  Sei que farão tudo o que esteja ao vosso alcance para que eu vos possa servir, num espirito de entendimento entre homens livres e de bons costumes.

Certo da vossa confiança,

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O CARROCEL


Silêncio. Fim de tarde. Não é que o pensamento não esteja sempre a rodar, como numa qualquer feira, em que o carrocel vai levando os “putos,” a mais uma nova corrida. “Nova corrida, nova viagem”.

Quantas vezes, ouvimos este “slogan” para o qual não dávamos importância? Mas sempre que, o “homem” gritava, queria dizer que era mais uma oportunidade de viajarmos. Nem sempre foi possível. Os recursos eram escassos. Eram escassos os escudos que existiam nos bolsos, como era escasso o tempo que tínhamos. Não é que houvesse propriamente compromissos. Mas havia orientações precisas de não se chegar tarde.

Algumas vezes nos perdemos no entusiasmo da festa, como acontece na vida e, chegámos tarde. Outras vezes, as vicissitudes da vida não nos permitiram estar.

Nestas contradições entre o querer e poder, a vida vai correndo como se de um “carrocel” se tratasse. A alguns, já deve ter acontecido, mesmo com o carrocel em movimento, saltaram. Mas voltaram sempre, porque é grande o prazer da folia e de sentir as emoções do carrocel. E foi possível voltar a entrar na corrida.

Todos nós chegámos ao momento, em que o carrocel partia e a tristeza apoderava-se de nós

Destas alegrias e tristezas todos nós recordamos e, tantas, e tantas vezes, não sonhamos, que gostaríamos de voltar a andar de carrocel? Só que o carrocel dos dias de hoje, já não é igual…os tempos são mais tecnológicos. Talvez… Ou por quaisquer outras razões. Que importa. Aquele carrocel que tanto gostávamos já não estará disponível. Teremos que nos divertir de outro modo. Talvez nos carrinhos elétricos? Que acham?

Eu por mim tenho saudades do carrocel, mas digo-vos com toda a sinceridade que vou-me divertindo como posso, de outra maneira.

Claro têm razão! Já não temos aqueles grupos grandes que nos acompanhavam à feira e ao carrocel. Mas continuamos a ter quem nos ame e é com esses que nós temos que nos divertir, até porque aquele carrocel, que gostávamos já não vem à nossa feira. Se calhar, este também foi vítima de uma qualquer directiva ou norma da ASAE.
Portanto, recomendo que deem as mãos e abracem as últimas corridas e as novas viagens e se divirtam. Porque chegará o dia em que saltamos do carrocel da vida. Nesse dia, mesmo que liguem o gerador da corrente eléctrica, este não terá forças para pôr o carrocel em movimento

E, hoje apeteceu-me escrever.


Ontem foi um dia, atarefado. Ao fim de várias reuniões, diversos telefonemas, despachos e outras coisas mais, mais um telefonema e nada. Fica para segunda-feira.

Regresso, a casa, ao fim do dia…e acabo por ter, por companhia, a Maria Callas e a sua belíssima voz… Hoje, apetece-me escrever. Foram algumas horas de reflexão e pensamentos, a ouvir a Maria Callas. Como não podia deixar de ser, passei pelos “Vangelis” e a sua extraordinária música. E o sono tardava em vir…é mau, porque ficamos com tempo a mais para pensar.

Hoje…apetece-me…escrever.
Ontem, ouvi a música, que me dizia algo. Aquela que tinha necessidade de ouvir. Se tivesse os amigos por volta, se calhar eles quereriam ouvir outro tipo de música. Mas, também, não tenho que arrastar os outros a ouvir a música que eu quero.

E hoje apetece-me escrever. E os dias como o de ontem nem sempre dão para ouvir a música que ouvi, mas dão para muitas outras coisas. Calhou assim. Hoje, apetece-me escrever, mesmo sem ter nada relevante para escrever… Dá para sentir que dormimos, o quanto basta, mas que não temos o pensamento arrumado. Se calhar porque há muita coisa para dizer…que nos embarga a voz. Ainda assim, estamos vivos, saudáveis, quanto basta, a tentar envelhecer como quando crescíamos. Não pensem que é tarefa fácil. Acabou a música… tenho de mudar o DVD, mas no silêncio, veio-me à lembrança aquela música de menino…”lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar”… Infelizmente, não são pombas, são Jagudis. Ainda me lembro, na Guiné, de ver empoleirado nos caixotes de lixo, os “Jagudis”. Estão sempre à espera de encontrar algum despojo para comer.

Porque…procurava encontrar respostas para todo um conjunto de perguntas, já batidas. Os dias correm com grande velocidade e a maioria das vezes calamos demais. De jovens a adolescentes, que já tivemos tudo, chega-se a um ponto em que achamos que não temos nada. E perguntamos, ingénuos, ao registo musical que nos inunda os sentidos, porque razão, somos tão tolos e incompletos? Por que motivo estamos já mais disponíveis para deslizar em vez de correr? Por que motivo nos colocamos mais atrás nas fotografias, porque razões, obscuras ou não, nos deixamos ficar quietos, e quase nem argumentamos, quando aquele fulano assume a dianteira? Até na padaria, sempre aparece a dona de casa, licenciada, em sociologia,  antropologia, psicologia do desporto ou licenciada em “tuba”, ou qualquer outra coisa do género, que pensa que observou o suficiente para tentar passar a fila existente para a caixa de saída. Como eu odeio esta esperteza saloia, metida em meias de vidro. Mas, o nosso dia-a-dia está impregnado destas espertezas. E se fosse só na padaria, mas é em tudo na vida, porque alguém os convenceu que chegam lá, mais depressa, como se a decisão fosse nossa, e não das vicissitudes que a vida nos vai colocando. Idiotas!

Queremos o nosso lugar, aqui na terra. Podemos, talvez, ainda achar que somos imortais (só os tolos que ainda não viram pombinhas a voar), mas o que se tenta fazer é adoçar o sentido da vida com menos ousadia. Julgaremos nós, que os mais novos tomaram os nossos lugares, nos cafés, nas ruas, nos pontos – de –encontro? Será que pensamos que já somos um livro quase completo, mas não sabemos bem, em que página nos estamos a ler? Talvez… algumas vezes, precisaremos de um marcador de páginas da nossa vida, porque, às tantas, andamos demasiados dias a ler os mesmos capítulos, repetidamente, desconcentrados, e a música sabe-nos sempre diferente, tinge-nos a expressão, calca-nos os cabelos cãs.
E, hoje apeteceu-me escrever.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

ENTRE A I REPÚBLICA E OS DIAS DE HOJE



Durante a Primeira República, Portugal conheceu um crescimento económico bastante incipiente, mesmo quando comparado com países como a Espanha, a Irlanda ou a Itália, apresentando igualmente graves problemas em termos de sustentabilidade das finanças públicas, uma realidade não muito distante da actualmente vivida na economia portuguesa.
No que concerne às finanças públicas, pode dizer-se que Portugal se encontrava num nível insustentável  de endividamento, tendo mesmo em 1891 abandonado o sistema de padrão-ouro e declarado uma moratória em relação à dívida externa. Um ano mais tarde, em 1892, seria declarada a Bancarrota (ainda que parcial) do Estado português
A participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial levou a um aumento bastante significativo nos gastos do Estado, que mais do que quadruplicaram desde o início do conflito armado até 1920. Estes gastos do Estado foram financiados através do recurso ao aumento da dívida junto do Banco de Portugal, fazendo crescer, por conseguinte, a dívida pública do Estado português, que só entre 1916 e 1920 cresceu cerca de 76%. As receitas também subiram, mas não o suficiente de forma a evitar os sucessivos e crescentes défices orçamentais que foram também eles financiados através da dívida pública, que em 1920 ultrapassava já os 70% do PIB.
Esta forma de financiar a guerra provocou naturalmente a subida dos níveis de inflação. Ao contrário do que seria de esperar, entrando na década de 1920 numa situação verdadeiramente catastrófica, Portugal começa desde logo a dar sinais de alguma vitalidade no início desta década.
Na maioria do tempo em que a Primeira República vigorou, as finanças públicas portuguesas nunca foram sustentáveis, ou seja, existiram simultaneamente elevados défices orçamentais e uma elevada dívida pública. Já no que diz respeito ao período da Ditadura Militar, compreendido entre 1926 e 1933, as finanças públicas mantiveram-se equilibradas. Durante esse período, Portugal conseguiu manter um saldo orçamental equilibrado, bem  como proceder de forma sustentada a uma diminuição da dívida pública nacional.
Depois do 25 de Abril de 1974, se é certo que a economia portuguesa se democratizou e fez grandes progressos nos últimos anos no contexto do seu processo de integração europeia, permitindo-lhe actualmente fazer parte do grupo restrito de países que formam a zona euro, a verdade é que Portugal enfrenta hoje também grandes desafios no que diz respeito à sustentabilidade das suas finanças públicas, debatendo-se igualmente com graves problemas de crescimento, com consequências ainda imprevisíveis em termos do mercado de trabalho, uma situação não muito diferente da vivida durante a Primeira República portuguesa.
Portugal, teve a sua maior transformação histórica na economia, entre 1945 a 1974, onde o crescimento do PIB foi, em média, de cerca de 6%.
Este crescimento foi ocupado por mudanças estruturais muito importantes. Na agricultura, que ocupava cerca de 40% da população activa em 1945, passa a ocupar 16%. O inverso deu-se na indústria, construção e obras publicas que, de 23%, passam  a quase 40%.
O Comércio exterior passou a representar 40% do PIB, contra 24% em 1945.
Nos finais do regime o desemprego abrange entre 1,8% e 2,4% da população activa. Para se compreender melhor estes números, tem que se ter em conta que o crescimento populacional foi muito grande, tendo passado de 6,7 milhões em 1930, para 10 milhões em 1970.
Deixo-vos, aqui, o apontamento de algumas obras feitas pelo Estado Novo que ainda servem as gerações actuais.

Bairro Social do Arco do Cego,Instituto Superior Técnico,Instituto Nacional de Estatística
Exposição do Mundo Português
Escolas do Plano dos Centenários
Aeroporto de Lisboa
Pousadas de Portugal
Autoestrada da Costa do Estoril
Estádio Nacional
Estádio 28 de Maio
Parque Florestal de Monsanto
Plano Rodoviário Nacional
Grandes aproveitamentos hidroeléctricos
Hospital de Santa Maria
Hospital de São João
Laboratório Nacional de Engenharia Civil
Cidade Universitária de Coimbra
Cidade Universitária de Lisboa
Metropolitano de Lisboa
Ponte Marechal Carmona
Ponte da Arrábida
Ponte Salazar
Monumento aos Descobrimentos

Creio que vale a pena perder alguns minutos e meditar sobre este assunto. Talvez se façam algumas luzes.
Salazar esteve 40 anos no poder, mas faleceu sem ter herdades, casas em condomínios fechados, nem contas em offshores.

domingo, 2 de dezembro de 2012

O SINISTRO DESTES POLÍTICOS



Quem disse que é bom ter um português como presidente da Comissão Europeia, que neste caso importante se manteve em silêncio como cúmplice desta sinistra intenção ? Se hoje em França não fosse Hollande, o presidente, continuaríamos na total ignorância por falta de divulgação na imprensa desta tramoia, que continuaria escondida numa gaveta dos governos ultraliberais da Europa ao serviço dos Bilderberg's Group. Esta directiva existe desde Dezembro de 2011, já depois de o governo de Passos Coelho estar em funções. Alguém ouviu ou leu algo a seu respeito na imprensa portuguesa ? Pois...
A proposta de Directiva da União Europeia relativa aos contratos públicos, em apreciação no Parlamento Europeu, é um novo exemplo do processo em curso de destruição do chamado “modelo social europeu” e de regressão social e democrática do espaço europeu. Convertendo a União Europeia num espaço económico e político inteiramente comandado pelos mercados financeiros e por um ultraliberalismo suicidário. É também uma boa ilustração de como o diabo  está nos detalhes.
A intenção de liberalizar e privatizar a segurança social pública é remetida para um anexo (o Anexo XVI) dessa proposta de directiva, mencionado singelamente como dizendo respeito aos serviços “referidos no artigo 74º”, sendo aí listados os serviços públicos que passariam a ser sujeitos às regras da concorrência e dos mercados:
-Serviços de saúde e serviços sociais
-Serviços administrativos nas áreas da educação, da saúde e da cultura
- Serviços relacionados com a segurança social obrigatória
-Serviços relacionados com as prestações sociais.
Entre estes, avulta a intenção expressa de privatizar a segurança social pública, a par dos serviços de saúde e outros serviços sociais assegurados pelo Estado. Um alvo apetecido do capital financeiro em Portugal e no espaço europeu, que há muito sonha com a possibilidade de deitar a mão aos fundos da segurança social e às contribuições dos trabalhadores, sujeitando-os inteiramente às regras da economia de casino.
E como o fazem? À socapa, para ver se escapa à atenção e vigilância públicas. Um mero anexo, que remete para um mero artigo, nesta proposta de directiva em discussão.
Só que o artigo em causa (o 74º) diz que “os contratos para serviços sociais e outros serviços específicos enumerados no anexo XVI são adjudicados em conformidade com o presente capítulo”. Neste, relativo aos regimes específicos de contratação pública para serviços sociais, estabelece (artigo 75º) a regra do concurso para a celebração de um contrato público relativo à prestação destes serviços. E logo de seguida, enumerando os princípios de adjudicação destes contratos (artigo 76º), é estabelecida a regra de que os Estados-membros “devem instituir procedimentos adequados para a adjudicação dos contratos abrangidos pelo presente capítulo, assegurando o pleno respeito dos princípios da transparência e da igualdade de tratamento dos operadores económicos…”
Uma perfeição. De um golpe, escondido num anexo e numa directiva que daqui a uns tempos chegaria a Portugal, ficaria escancarada a porta para a privatização da segurança social pública e para a tornar inteiramente refém dos mercados financeiros. Que são gente de toda a confiança e acima de qualquer suspeita. Como esta crise tem comprovado. Ou não andamos nós há muito a apertar o cinto (e a caminho de ficar sem cintura) para merecermos o respeito e a confiança dos mercados financeiros, nas doutas palavras de Coelho & Gaspar, acolitados pelos representantes no Governo português dos interesses da Goldman Sachs, António Borges e Carlos Moedas? E, como também nos têm explicado, o que é bom para a Goldman Sachs e os mercados financeiros, é bom para Portugal e os portugueses.

Este golpe surge, como não podia deixar de ser, sob o alto patrocínio desse supremo exemplo de carreirismo e cobardia política chamado Durão Barroso que, além de se ter pisgado do governo português com a casa a arder, tem no seu glorioso currículo o papel de mordomo das Lajes na guerra do Iraque e, agora em Bruxelas a fazer de notário dos poderosos, faz jus ao seu nome sendo durão ultraliberal com os fracos e sempre servente dos mais fortes. Como é bom ter um português em Bruxelas!
Claro que isto anda tudo ligado. Esta proposta de directiva tem relação com os golpes sucessivos infligidos à segurança social pública em Portugal, com a operação para já frustrada em torno da TSU, com os insistentes cortes de direitos sociais, com os recorrentes argumentos do plafonamento e da entrega de uma parte das pensões ao sistema financeiro. Afinal, a lógica ultraliberal de que o melhor dos mundos será quando, da água à saúde, da educação à segurança social, tudo e toda a nossa vida estiver controlada pela lógica dos mercados e do lucro. Ou seja, pela lei do mais forte. Que é também coveira da democracia. E o Estado contemporâneo abdicar, como tarefa central, da sua função redistributiva e de redução da desigualdade social e regressar à vocação residualmente assistencialista do Estado liberal do século XIX.
Como refere o deputado socialista belga no PE, Marc Tarabella, “privatizar a segurança social é destruir os mecanismos de solidariedade colectiva nos nossos países. É também deixar campo livre às lógicas de capitalização em vez da solidariedade entre gerações, entre cidadãos sãos e cidadãos doentes…”, lembrando os antecedentes da sinistra proposta designada com o nome do seu autor por directiva Bolkestein (Bilderberg's member), e exigindo a eliminação da segurança social desta proposta de directiva.
É preciso defender a Segurança Social (e a Saúde e a Educação públicas) como uma prerrogativa do Estado e um sector não sujeito às regras dos Tratados relativas ao mercado interno e da concorrência. Para não termos um dia destes os nossos governantes e os seus comentadores de serviço, com a falsa candura de quem nos toma por parvos, a explicarem que vão entregar a segurança social pública aos bancos e companhias de seguros porque se limitam a cumprir uma decisão incontornável da União Europeia, como já estão a fazer na saúde e na educação. Decisão pela qual, evidentemente, diriam não ser responsáveis. Como é próprio dos caniches dos credores. E acrescentando sempre, dogma da sua fé neoliberal, que nada melhor do que a concorrência e a privatização para baixar os custos e proteger os “consumidores”, aquilo em que querem converter os cidadãos. Como se vê nos combustíveis, nas comunicações ou na electricidade. Tudo boa gente.
É preciso levantar a voz e a resistência social e política à escala europeia contra este projecto, antes que seja tarde demais. Em defesa da Segurança Social pública e do Estado Social. Garante de democracia e de menos desigualdade social.
TVP

sábado, 1 de dezembro de 2012

O QUE É O BCE?



O QUE É O BCE? - O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.


E DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE? - O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.


E É MUITO, ESSE DINHEIRO? - O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.


ENTÃO, SE O BCE É O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL, OU NÃO? COMO QUALQUER BANCO PODE EMPRESTAR DINHEIRO A UM OU OUTRO DOS SEUS ACCIONISTAS ? - Não, não pode.

PORQUÊ?! - Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.

ENTÃO, A QUEM PODE O BCE EMPRESTAR DINHEIRO? - A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.

AH PERCEBO, ENTÂO PORTUGAL, OU A ALEMANHA, QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE, VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE. - Pois.

MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NÂO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRECTAMENTE AO BCE? - Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!

AGORA NÃO PERCEBI!!.. - Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.


MAS ISSO ASSIM É UM "NEGÓCIO DA CHINA"! SÓ PARA IREM A BRUXELAS BUSCAR O DINHEIRO! - Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.

ISSO É UM VERDADEIRO ROUBO... COM ESSE DINHEIRO ESCUSAVA-SE ATÉ DE CORTAR NAS PENSÕES, NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO OU DE NOS TIRAREM PARTE DO 13º MÊS. As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.


MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE E PERMITE UM ESCÂNDALO DESTES? - Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.


ENTÃO, OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1%, PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE? - Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6, a 7% ou mais.

ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO!... - Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.


MAS, E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS? - Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.


MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS? - Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século, para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.


E ONDE O FORAM BUSCAR? - Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...

MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA? - Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS? Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

PORQUÊ PAULO VISTAS?



Nunca a minha vida foi orientada pela “ambição”. Citando Maquiavel, "Os homens quando não são forçados a lutar por necessidade, lutam por ambição."

Como sempre prezei a amizade e a gratidão e como tenho a convicção de que estas em nada podem contra a ambição, a minha vida foi orientada por estes dois objectivos: a amizade e a gratidão, quer para satisfação das necessidades pessoais, quer por todos os que integram a sociedade, onde me insiro, e, em particular, os que me estão mais perto.

Por estas razões, aceitei o convite do Dr. Isaltino Morais, em 2005, para mandatário da sua candidatura a Presidente da Câmara Municipal de Oeiras. Convite que foi renovado em 2009.

Em 2005, contra todos os ventos e marés, o Dr. Isaltino Morais foi o escolhido, novamente, pelos Oeirenses, para liderar os destinos da Câmara Municipal de Oeiras.

Reiniciou-se, nessa altura, a continuidade de um projecto para Oeiras que tinha sido interrompido em 2002, com a chamada do Dr. Isaltino Morais ao Governo.

Em 2005, o Dr. Paulo Vistas, reconhecendo a liderança do Dr. Isaltino Morais e porque sempre acreditou no seu projecto, tal como eu, abraçou a sua candidatura.

Prevaleceu a amizade e gratidão. Ambas tiveram a inércia e a força de vontade, que foi demonstrada por todos os que participaram, activamente e, com o seu voto, na continuidade de um projecto para Oeiras, que já vinha a ser trabalhado desde 1986.

Com a “Vitória Impossível” trilhou-se um novo caminho, desta vez, não à sombra de um aparelho político, mas por um conjunto de cidadãos…”Isaltino Oeiras Mais À Frente”.

Posso dizer-vos que foi fantástico. O entusiasmo, a dedicação e o trabalho que foi dada a esta candidatura vencedora. Vencedora contra tudo e contra todos que, unicamente, se movimentam por ambição e inveja.

Eu tive a honra de ter sido o mandatário desta candidatura que foi um marco na história democrática autárquica. Um Grupo de Cidadãos que é eleito para governar os destinos de uma Câmara, mas também, o destino de sete das dez freguesias do Concelho e, de ter, uma representação maioritária na Assembleia Municipal.

Os Oeirenses, contrariamente ao barulho ensurcedor dos adversários desta candidatura e dos meios de comunicação social que lhes eram favoráveis, decidiram, com amizade e gratidão, que este Grupo de Cidadãos, liderado por Isaltino Morais, fosse o eleito. Nunca na história de Portugal, no que a eleições autárquicas diz respeito, se tinha observado tão esmagadora vitória.

Ao princípio era uma “vitória impossível”. Mas foi possível graças à confiança, à amizade e gratidão depositadas pelos Oeirenses neste Grupo de Cidadãos e no Dr. Isaltino Morais.

Os Oeirenses voltaram, em 2009, com a sua gratidão e amizade, renovando, desta vez, com uma maioria ainda mais expressiva, a vitória deste Grupo de Cidadãos.

Em ambas as eleições tive a honra e a satisfação de ter sido o mandatário do Dr. Isaltino Morais.

Também, o Dr. Paulo Vistas mereceu e honrou, com o seu carácter e trabalho, a posição de Vice-Presidente da Câmara, nestes dois mandatos.

Por estas e outras razões, o Dr. Paulo Vistas é o candidato a Presidente da Câmara Municipal de Oeiras, em 2013.

E porque o projecto é de continuidade, e porque não me animam, na vida, ambições, mas sim a amizade e a gratidão, recebi um convite do Dr. Paulo Vistas para que o represente na sua candidatura, como representei o nosso Presidente Isaltino Morais.

Fá-lo-ei com a mesma convicção e com a mesma dedicação que tive e tenho para quem já tanto esforço, trabalho e dedicação deu a Oeiras e aos seus Munícipes, nestes últimos oito anos. E porque acredito que o projecto do Dr. Isaltino Morais ainda não está concluído e que só terá continuidade com a liderança do Dr. Paulo Vistas.

O Dr. Paulo Vistas é um cidadão de corpo inteiro. Nestes oito anos muito deu de si em prol dos Oeirenses. Sendo um homem que ama a sua família, mulher e filhas, em particular, já muito lhes roubou de tempo e afectos, dedicando-se a servir os Oeirenses.

O Dr. Paulo Vistas é um homem que vive preocupado com o bem-estar dos seus concidadãos e, na qualidade de Vice-Presidente, tem abraçado projectos como a habitação jovem, a habitação nos Bairros Municipais, o desporto, os idosos e todos aqueles que o procuram. O futuro é feito de homens deste calibre. Um homem com objectivos de bem servir os outros porque sabe que a amizade e gratidão são duas qualidades fundamentais na vida, quando a nossa consciência e o nosso modo de estar é a felicidade dos outros. Por isso, o Dr. Paulo Vistas é a continuidade porque não é, também, movido por ambições.

Não posso deixar de manifestar ao Dr. Isaltino Morais a minha amizade e gratidão, pelos mais de vinte e cinco anos que dedicou, com grande prejuízo da sua vida pessoal, ao Concelho de Oeiras.

Quanto ao Dr. Paulo Vistas, dir-lhe-ei que tem uma responsabilidade muito grande ao dar continuidade a um Presidente que foi um marco na história de Oeiras.

Em nome dos quarenta e dois por cento de Oeirenses que confiaram ao Dr. Isaltino este seu último mandato, obrigado, porque já demonstraram a vossa amizade e gratidão. Agora, de novo juntos, voltaremos a vencer em prol de Oeiras.



Um abraço amigo,

Luís Roldão

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

25 Novembro de 1975



Quem tem a minha idade, viveu, de modo particular, o 25 de Abril de 1974 e os anos subsequentes. Atravessámos o chamado período do PREC (Processo Revolucionário em Curso).
Foi um período em que se tentou implementar a “Reforma Agrária”, com o slogan de “A terra a quem a trabalha”. Este slogan serviu para confiscar aos legítimos proprietários, as propriedades, que o Partido Comunista achava por bem chamar a si.
Organizaram-se Cooperativas, de “trabalhadores”, em que os líderes eram funcionários ou homens de confiança do Partido. Ocuparam-se fábricas, colocando-as em auto-gestão, expropriando, deste modo, também, os seus legítimos proprietários. Muitas delas acabaram “nacionalizadas”.
Mas, se já existia controlo na agricultura e pecuária, bem como na indústria, faltava o sector financeiro. E em 11 de Março de 1975 nacionalizaram-se os Bancos e Companhias Seguradoras.
Fez, agora, anos que se deu o movimento do 25 de Novembro de 1975. Foi o culminar de um período de PREC. Em 1976, foram as primeiras eleições, já com a Constituição da República, aprovada. Constituição que logo no seu preâmbulo diz que Portugal ia a caminho do Socialismo.
Este processo de expropriações, sem indemnizações, só aproveitou, não ao Estado Socialista que se desenhava, mas, a um Estado Autocrático que durante mais de 30 anos, se serviu destas mesmas nacionalizações, para tapar buracos orçamentais, ano após ano.
Ainda faltam alguns anéis que este governo já se prometeu a vender.
Todos criticaram o falecido Vasco Gonçalves. Mas, este socialismo autocrático muito deve a este homem que lhes permitiu andar num regabofe, a vender património que depois, serviu para enriquecer alguns. Todos aqueles que eram figuras de proa dos partidos do poder…PSD/CDS e PS.
Claro que tudo isto, a coberto de uma sociedade liberal, de iniciativa privada. A mesma iniciativa privada, que em Portugal, unicamente, se preocupou, foi com as mais valias dos negócios especulativos que se conseguiram gerar.
Um dos últimos grandes negócios foi a EDP que encaixou, posteriormente, toda uma série de rapaziada como o Senhor Catroga, que possuem grandes responsabilidades da situação a que chegou o país.
E, agora, a coberto da crise, e em plena discussão do Orçamento de Estado, para 2013, atira-se, para a discussão pública, a “refundação”.
Eu não sei se o país precisa de ser refundado e penso, até, que será uma ofensa ao fundador, D. Afonso Henriques. Mas, talvez precise.
O certo é que com refundação, pretende-se ir a um lugar que por várias vezes foi abordado, mas com outra dialéctica, que é a privatização do ensino, na sua generalidade e a privatização da saúde. Este último é um negócio altamente apetecível.
Os grandes grupos privados portugueses e estrangeiros estão com reacções de “Pavlov”, à espera do tão almejado objectivo. Esta é mesmo, uma ambição deste governo e de todos os sequazes que à volta dele, proliferam.

Para completar, as reformas, dos portugueses, é outro grande negócio que se encontra na mira deste grupo de hienas. Não foi em vão que se tentou, transferir parte dos encargos das empresas, para o trabalhador. Qual competitividade, qual carapuça. O futuro é o prémio de seguro que cada português terá de pagar, às instituições que entrarão nesse mercado.
Como disse, Adam Smith, “A ambição universal dos homens é viver colhendo o que nunca plantaram.”
Esta é a realidade de um governo constituído por jovens, que hoje são homens e mulheres, que nunca tiveram responsabilidade de pôr a comida no prato, porque cresceram e vão vivendo na ambição, de viver à custa dos outros e com o que é dos outros.
Estamos a viver um período igual ao do PREC. Hoje, não são os Comunistas a ocuparem as terras e as casas, mas é um governo autocrático que as confisca, com a cobertura de uma crise que tudo justifica, como se justificou o roubo das propriedades em 25 de Abril de 1974.
A única coisa que ainda não se fez foi sequestrar os empregados do governo, os deputados, na Assembleia da República. Mas, desta vez, para lhes dar um pontapé no cú e mandá-los trabalhar, para contribuírem para a crise que criaram, ao aprovarem durante anos e anos, orçamentos de estado, deficitários, e ao aprovarem, agora, o orçamento que levará à cova, este país.
Quem diz que o que se passa é fruto da crise, eu direi que não é só o fruto da crise. Tem a ambição de uma ideologia política, sem princípios.  Onde tudo vale. Mesmo que seja arrastar os portugueses para a miséria e hipotecar o futuro deste país.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Ai, se não tivesse sido o 25 de Abril



Ai se não tivesse sido o 25 de Abril… Não tínhamos o primeiro de Maio. Nem o dia de S. Valentim, que era proibido no tempo de Salazar.
Ainda, hoje, seria proibida a Coca-Cola…a água suja do imperialismo. Mas, como é que poderia ser a vida, nos dias de hoje, sem estas coisas?
Conquistámos, além, da comemoração do dia dos namorados a possibilidade de ter o dia do “Halloween”. De pôr as nossas crianças a fazer mascaras, para comemorar um dia tão tradicional, na cultura portuguesa. É uma alegria, ver as escolas cheias de crianças, que são o futuro do país, a serem engalanadas para comemorarem o “Halloween”. Se não tivesse sido o 25 de Abril, não tínhamos o “Dia Internacional da Mulher”, o “Dia Pai”, o “Dia do Idoso, o “Dia dos Avós”, o “Dia da Criança” e eu sei lá que mais. Foi mesmo bom!
Aliás, nós temos esta liberdade e tantas outras liberdades…podemos comemorar, todos estes dias e sentirmos as verdadeiras conquistas do 25 de Abril.
Entretanto, assistimos à violência doméstica, sobre mulheres, sobre homens, sobre as crianças e sobre os nossos velhinhos. Violência que é na maioria dos casos, exercida pela própria família. Dentro de quatro paredes, mas sob a atenta vigilância dos organismos do Estado que possuem os técnicos de Assistência Social mais credenciados do país, muitos deles já licenciados nos novos politécnicos, deste país rico, que viu a luz do dia, em 25 de Abril de 1974. O 25 de Abril foi exactamente feito, para nos dar liberdade e melhorarmos a nossa qualidade de vida. Vivermos melhor…
Comemoramos o dia do idoso e deixamos milhares deles sem dinheiro para os seus remédios. Como somos atenciosos com os velhinhos em Portugal…todos têm dentes, para comerem as côdeas duras, do pão que resta nas suas casas. E isto só foi possível, graças à grande solidariedade que se criou, em Portugal, logo a seguir ao 25 de Abril. Aliás, hoje, é tão fácil e barato ir a um dentista. Faz parte, mesmo, do Serviço Nacional de Saúde. Grande 25 de Abril que abriu as portas à solidariedade, à fraternidade. A um povo solidário, onde os políticos, abdicando dos seus legítimos interesses, dedicam a sua vida aos mais pobres. Deixamos os mesmos sem cuidados continuados, quando existem mais de vinte unidades novas no país, à espera da intervenção do Estado. Isto só aconteceu, pelo facto dos Estádios de Futebol, terem tido prioridade para a projecção da imagem de Portugal, no mundo. O benefício económico que Portugal teve com estes estádios de futebol, não pode ser comparado com a necessidade que existe em Portugal, de apoio na terceira idade. Se eles passaram uma vida a trabalhar e a pagar impostos, para o que existe hoje? Isso já lá vai…o que temos agora é de dar um futuro melhor às nossas crianças. Prepará-las nas escolas, a aprender línguas para que possam emigrar, logo que possam. Esta política foi sempre o nosso desígnio…Portugal no Mundo…graças à pobreza.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

REORGANIZAÇÃO ADMNISTRATIVA TERRITORIAL AUTÁRQUICA



Muito se tem falado sobre democracia. Uma das mais frequentes críticas à democracia representativa, além do generalizado desencanto com os políticos profissionais, é que a opinião do Povo só é consultada uma vez a cada quatro anos. E após serem eleitos, os políticos tradicionais podem agir praticamente como bem entenderem, até a próxima eleição. Bom! Isso dá para ver a que levou Portugal. Mas, existem mais variantes de democracia e uma delas é o regime da democracia participativa ou democracia deliberativa que é um regime onde se pretende que existam efectivos mecanismos de controlo da sociedade civil sob a administração pública, não se reduzindo o papel democrático apenas ao voto, mas também estendendo a democracia para a esfera social.
Porque no regime actual, em que temos dirigentes e dirigidos, ou representantes e representados, acaba-se por afastar da política e das suas práticas quotidianas, a democracia directa: a política e a vida social.
Na actualidade, a representação política tende a “educar”- isto é, a deseducar- as pessoas na convicção de que elas não poderiam gerir os problemas da sociedade, e que existe uma categoria especial de homens, dotados da capacidade específica de “governar”. Esta tem sido a realidade do nosso sistema político. Com a realidade de que os partidos actuais são meras organizações burocráticas que se fundamentam na ideologia da representação política, e não no acesso do povo às decisões políticas, e possuem como único objectivo conquistar o poder, além de serem expressões políticas de classes sociais.
Hoje, a República Portuguesa já não é um Estado de Direito, porque não existe justiça ou a que existe está de tal modo interlaçada no poder político que não consegue manter a equidistância necessária ao exercício dessa mesma justiça. E um dos retratos desta situação passa pelo Tribunal Constitucional e pelas últimas declarações da Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz. (nomeação da PGR)
Quando da publicação da Lei 22/2012, que aborda a Reorganização Administrativa Territorial Autárquica, o mesmo Tribunal e pedida a inconstitucionalidade da Lei, nada disse. E há situações, na Lei que, salvo melhor opinião, é um verdadeiro atentado à democracia. Na sua alínea b) do n.º1, do artigo 14.º diz: “Apresentar à Assembleia da República propostas concretas de reorganização administrativa do território das freguesias, em caso de ausência de pronúncia das assembleias municipais;”
Esta norma diz em concreto o seguinte: caso o órgão executivo não cumpra a lei, apresentando uma solução e que esta seja ratificada pela Assembleia Municipal, nós temos uma Comissão Administrativa que irá fazer “custe o que custar”, o que estes órgãos eleitos e que representam o povo de um Concelho e os habitantes de cada freguesia, não façam. Mas, que raio de democracia é esta? Então, as populações são chamadas a pronunciarem-se, representados pelos seus autarcas locais e a decisão deles é caso seja contrária à que o governo quer impor, decidida por uma Comissão? Isto é de um despudor, só visto, em Burkina Faso, como, aliás, tem sido toda a actuação deste governo.
Mas, pergunto eu: estes órgãos eleitos, concretamente, as Câmaras Municipais contribuíram para a Lei? Ou o governo ao realizar esta proposta, colocando esta ressalva já sabia que a mesma seria rejeitada, do modo como foi feita? É o quero, posso e mando. Tanto que esta Lei não verificou a complexidade das repercussões de uma organização territorial feita sem critérios de realidade que não fossem “chutar” para Troika a responsabilidade da mesma. Esta Lei não salvaguarda o âmbito da nova geometria autárquica, a alteração e domínio dos novos sistemas informáticos, a notificação das novas condições aos cidadãos eleitores, a elaboração das listas concorrentes, os seus reflexos sobre o recenseamento eleitoral, a organização dos cadernos eleitorais, a nova logística própria dos actos eleitorais e a orgânica de todo o processo administrativo.
Mas, independentemente dos critérios que foram sendo alterados, desde que se começou a falar da Lei, ao caso concreto de cada Município, não verificaram das suas verdadeiras necessidades. E o partido, no poder, limita-se a tentar dizer-nos que é uma racionalização de custos, com a redução de presidentes de Juntas, de pessoal, de instalações, mas acaba por criar a figura de dois vice- Presidentes. Mas, onde é que estão os números em concreto? No caso concreto do Concelho de Oeiras, o PSD tem quantificado os custos? Quantificou a eficiência e a eficácia de qualquer alteração? Apresentou à Assembleia Municipal soluções? Não! Limita-se a fazer jogo político e a “chutar”, para cima da oposição, o ónus da sua incapacidade. Não me admira que assim seja, pois os dirigentes políticos do PSD de Oeiras estão na senda da incompetência dos seus “companheiros”, da Bueno Aires, que tem chutado, também, para a Troika e para o PS a sua incompetência e servilismo.
Tudo o que é mal feito ou não se faz, é culpa dos outros! Assim, também eu!

sábado, 6 de outubro de 2012

Assalto a mão desarmada...


Governo toma o lugar dos revólveres.  

Um governo eleito numa democracia viciada, como a nossa, tem o poder de drenar as suas poupança em apenas alguns segundos de televisão. Só passados uns tempos é que você começa a acordar para o que foi dito. A partir do momento que o informatizaram, estão preparados para o sugar dos seus rendimentos de trabalho. Ameaçam-no com a instabilidade. Dizem-lhe que se não for assim, é uma completa desgraça. A partir da aí, você aceita, com naturalidade e na esperança que alguém faça por si aquilo de que você não é capaz, por ser um acomodado e medroso. Bem-vindo à era da falcatrua dos governos ditos democraticamente eleitos: uma época em que os golpistas usam óculos, roupas “Armani” e entendem mais de vigarizes do que de armas. Foram instruídos na jota dos partidos e preparados nos longos cursos das universidades de verão.
"Os roubos modernos são tecnicamente muito sofisticados. Exigem um tipo capacitado de golpista: um ministro das finanças e uns tantos colaboradores do Goldman Sachs.
A partir de dois mil euros de salário, no próximo ano, vai comodamente deixar que lhe fiquem com 2/3 do salário. Faça as suas contas. Quanto paga de casa, o que precisa para a educação dos filhos, para comer, para vestir, não Armani, mas na Feira Internacional de Carcavelos. E ainda por cima, sacam-lhe o dinheiro e não lhe garantem nada para o futuro. Porque no futuro, você, comodamente instalado, vai procurar desenrascar-se…e o país que se lixe. Como se você fosse isento à javardice deste sistema político, onde os “porcos” chafurdam, na riqueza produzida por si e, por todos os portugueses que trabalham.
Só ouvimos falar em calamidades, se este governo cair…mesmo que assim seja…Às vezes é necessário deitar tudo a baixo, para se reconstruir de novo. Porque este regime político está podre.
No momento estamos a assistir a um “Assalto à mão desarmada”.