quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SÓ SE PODE FILOSOFAR DE BARRIGA CHEIA

Ao meditar, sobre a economia versus educação, parti deste princípio:
“Só se pode filosofar de barriga cheia”.
Para se alocarem recursos para a educação é fundamental que exista crescimento económico. Não se pode estar a falar de educação e de transferir meios, para esta, se a economia não os gerar. Há quem, de modo bem-intencionado, enfatize a influência positiva - a meu ver, bastante discutível - da educação sobre o crescimento económico. Poder-se-á perguntar, que apoio, a educação pode dar, para que se retome o desenvolvimento? A esta questão, direi que devemos perguntar ao contrário: "Qual é o papel que o crescimento económico pode dar no apoio à educação?"
Para que se possa realizar um projecto educacional, são necessários meios, logo, é necessário que a economia cresça e tenha desenvolvimento, de modo a criar riqueza. A economia é um meio, para se alcançar um fim, entre estes, a educação. Para que se possa filosofar ou seja, dedicar mais tempo da nossa vida, na procura de cultura, de conhecimento, criando interacção humana, de ter prazer estético e transcendência, é fundamental, que a economia prospere.
A valorização dos espaços educacionais tornou-se imprescindível para a própria sobrevivência da nossa espécie, o que nos remete a questões mais fundamentais. Não exagerando, ao longo da história, ficou demonstrado que somos uma espécie tão frágil, que nem voamos, que não somos especialmente ágeis e velozes, que não conseguimos viver em buracos, que não temos a capacidade de ver no escuro, que não somos tão fortes como pensamos. Temos necessidade de nos protegermos dos variados perigos, como seja o frio, o calor, os predadores, a necessidade de encontrar alimentos, etc. Para o fazermos, desenvolvemos a nossa racionalidade técnica. Qualquer ser humano que seja colocado na frente de um urso ou de um leão, fica impotente, diante dos mesmos e, de imediato, conclui, que não valemos nada. Se nos munirmos da técnica adequada, já os conseguimos derrotar sem grande dificuldade. Só há uma espécie que nos ameaça…nós próprios. Os humanos!
Hoje, desenvolvida a técnica, nos mais variados domínios, temos de aperfeiçoar outros valores, como sejam o diálogo, a educação, lato sensu, os acordos, os contratos, a amizade, a fraternidade, a solidariedade, a liberdade e o conhecimento. Aqui, entra o que é insubstituível… a educação e os educadores. As interacções humanas!
A educação é um direito subjectivo que deve ser promovido, não para adequar as pessoas às necessidades de um mercado, mas para alargar os horizontes de cada um.
Mas, porque somos frágeis, necessitamos de ter condições para nos protegermos e sentirmo-nos confortáveis. Mas, de igual modo, porque se entende que a educação é um direito subjectivo que tem e deve ser promovido, para alargar os horizontes de cada um de nós, é que no concelho de Oeiras, se tem apoiado, e desenvolvido, o apoio escolar, nas suas mais variadas vertentes, culminando, no momento, com a construção de mais e melhores escolas. Mas, não descurando as dificuldades económicas que o país atravessa, o concelho, continua a reforçar a sua aposta, no crescimento económico, realizando parcerias, várias, mantendo a captação de novos investidores, nas mais variadas áreas, mas, fundamentalmente, nas áreas das novas tecnologias, de modo que a economia, do concelho, possa continuar a ter um papel fundamental, de ser o meio para um fim, a educação.
“Si non est panis scold nemo enim recta” - Quando não há pão, todos ralham, ninguém tem razão

4 comentários:

Armando Soares disse...

Muito bem. Temos porta-voz

Armando Soares disse...

Muito bem! Temos porta-voz!

O Aprendiz da Vida disse...

Meu caro amigo, MUITO BOM!!!

PROFESSOR disse...

Meu caro Armando. Quem diz o que pensa e retrata a sua verdade, penso eu que tem sempre espaço. Um abraço.