quinta-feira, 15 de outubro de 2009

DEPOIS DAS ELEIÇÕES

Quando não existem ideias, projectos e coerência, quando se perde, tenta-se encontrar o “bode expiatório”, nos outros. Há sempre culpados, quando somos demasiados “narcisistas” e não queremos olhar para nós e para dentro do sistema onde nos encontramos integrados e reflectir sobre o que está mal, em nós.
O PSD, em Oeiras, não é nem mais nem menos do que o retrato do PSD nacional. Um partido que não possui qualquer bandeira pela qual possa unir militantes e simpatizantes e se entrega sistematicamente à luta do poder interno.
Um partido não ganha eleições, nem congrega os seus simpatizantes, pensando unicamente no culto de um líder e praticando o caciquismo. Tem de ter projectos onde o eleitorado se reveja.
O PSD passou as eleições legislativas a falar do TGV e acabou na asfixia. Ainda não se conseguiu libertar dos cavaquistas que proliferam no partido, coisa que o PS conseguiu fazer, em relação aos soaristas, entrando na cena política, uma nova geração que mal ou bem, imprimiu outra dinâmica. Sabemos que o PS está carregado de gente déspota esclarecida, mas em face de um PSD que não inspira confiança, o eleitorado não arrisca a mudança.
Portanto, mais do que encontrar um líder para o PSD é necessário que esse líder possa aportar as “bandeiras” que vão ao encontro das expectativas do eleitorado, em geral.
Não me parece que carregando o “fardo” da credibilidade, da ética e da transparência se consiga alimentar o eleitorado e as suas grandes expectativas. A ética e transparência não se apregoam, praticam-se! E esse não tem sido o forte de nenhum partido, ao longo destes 35 anos de democracia.
É necessário criar objectivos e depois encontrar o líder. E a primeira qualidade do líder é saber gerir uma equipa, motivando-a e incentivando-a na prossecução dos objectivos. E para isso é necessário existir diálogo com as bases do partido, para que estes não se limitem a ser interventivos, na hora de votar e depois esquecidos pela elite, entretanto formada ao redor do líder.
Porque para votar, sabemos que é fácil…basta pôr em movimento os “gangs do multibanco” e inscrever a rapaziada dos bairros municipais, para estes votarem ou manter o sistema do rendimento de inserção social para ter as tropas disponíveis.
É bom que os partidos comecem dentro de si próprios a praticar a credibilidade, a transparência e a ética e que se deixem de retórica, antes que matem a democracia.
"Navis vetusta inepta deinceps est mari." [Apostólio 13.57] Barco velho acaba impróprio para o mar.

2 comentários:

Maria João disse...

Dr. Roldão, nada a comentar.
Apenas posso elogiar o seu artigo "DEPOIS DAS ELEIÇÔES" EXCELENTE!

Bem-Haja

Maria João Adão

PROFESSOR disse...

Cara Maria João
Obrigado pela sua amabilidade. É um prazer tê-la como leitora destes desabafos políticos.