sábado, 2 de julho de 2011

SUPLICIO DE TÂNTALO

Não sei quem é que acreditou que a política, a que estamos habituados, iria mudar. Não faltam os que, na oposição ou em campanha, falem da necessidade de uma política da verdade. Da necessidade de uma política de transparência.
Afinal, todos nós temos a consciência que tudo isto são verdades da treta e que não passam disso mesmo. Fazem-se programas de governo com toda uma série de medidas programáticas que não são mais do que isso. Em simultâneo vão-se lançando umas dicas para a comunicação social que não passam do mais saloio populismo.
A primeira começou com a redução do número de ministros. Conversa para tolos, como se fossem dois ou três ordenados que levassem o país à falência ou gerassem alguma poupança.
Não contentes, com esta saloiice, vem a história de mudar bilhetes de avião de 1.ªclasse para 2.ª classe, quando estes nem são pagos e as viagens dos ministeriáveis são suportadas pela TAP.
No dia 1 de Abril, dia das mentiras, veio o Pedro dizer que não havia cortes nos subsídios. Agora, não querendo falar do passado, porque esse foi avaliado nas eleições, vem a grande medida do corte de 50% do subsídio de natal, porque a derrapagem na execução orçamental, do primeiro trimestre, foi notória. Foi no dia 1 de Abril, por mero acaso, porque era mentira, mesmo que não fosse o primeiro de Abril.
Tomo a liberdade de recordar que para muitos responsáveis de empresas públicas, deputados, etc., já em Junho de 2010, tinha havido um corte de 5%, para beneficiar os orçamentos. Pergunto eu, quais orçamentos? Mesmo aquelas que apresentam resultados operacionais positivos? Essa foi mais uma medida popular, esta socialista, que não deu resultado nenhum visível, porque não haverá, de certeza, hoje, ninguém que a saiba quantificar.
Mas, não se ficou por aqui. Em Janeiro de 2011, entrou em funcionamento, mais um corte salarial, até 10%, para vencimentos da administração pública directa, indirecta do Estado e empresas públicas, de vencimentos superiores a 1.500 euros/mensais. Sobre estas últimas, pergunto eu, se existe, também, alguma avaliação dos seus efeitos práticos? Existe? Todos estes cortes, nos salários, não ficam dentro das empresas? Claro que ficam. Uma vez mais, foi o populismo a funcionar. Poderia ter alguma lógica, se estes cortes salariais fossem prevenir transferências do orçamento de Estado, para as empresas…e há transferências do orçamento de Estado para as empresas que apresentam resultados operacionais positivos? Claro que não. Foi mais uma lei cega e populista!
Finalmente, vem uma medida que vai entrar em funcionamento e que vai afundar mais os bolsos, de quem, já era alvo das medidas anteriores, com um corte de 50% no subsídio de Natal. O tal que não seria mexido, no passado dia 1 de Abril.
Tudo o que se tem vindo a passar, já eu tinha escrito no meu espaço de revolta e reflexão, o meu blogue…A Torto e a Direito.
Tenho pena de não saber trabalhar com o Tarot…não me faltaria clientes. Mas, não é por causa do Tarot que os prognósticos bateram certo…basta não se ser estúpido.
Quem é que acredita em toda a conversa de treta do programa do XIX governo constitucional sobre o desenvolvimento da economia e a criação de emprego? Não me parece que algum português acredite nisso.
Vamos ter nos próximos quatro anos, mais desemprego, mais recessão. O desemprego, em face deste panorama, vai chegar bem perto de um milhão. Sim um milhão. Estamos a falar de 20% da população activa. Nessa altura não deixará de haver iluminados que venham dizer que mesmo assim é mais baixo que Espanha. Tenham dó…
Estamos numa fase do capitalismo “tântalo”. Para quem não conhece a história, Tântalo foi um dos poucos mortais convidados a participar nos banquetes dos deuses. Aborrecidos com este por toda uma série de indiscrições e por ter servido o filho como aperitivo antes do jantar, os deuses do Olimpo castigaram-no através do mais terrível dos suplícios: permanecer eternamente com água pelo pescoço, sendo que de cada vez que tentasse beber, a água recuava. Sempre que tivesse fome, os ramos carregados de fruta, afastar-se-iam. O suplício de Tântalo não era o de passar fome ou sede, mas sim o de sentir desejo de comer e beber e não poder fazê-lo.
Esta crise veio revelar um dos mecanismos que, ainda que não estivesse completamente oculto, permanecia de algum modo encoberto: a necessidade de exercer um acto de consumo involuntário. Este foi o consumismo irresponsável pelo qual atravessámos desde 1995 e que teve o seu apogeu no governo de Guterres. Só que hoje, perante esta calamidade, pode ser um acto de solidariedade, consumir. De nada servirá, mas pelo menos as águas poder-se-ão mover. Só que nem isso vamos poder fazer, porque o programa de solidariedade do governo actual é só para quem tem rendimentos de trabalho inferiores a 485 euros. Como para estes o dinheiro não chega para consumir, os que ganham mais do que isso, com os cortes salariais, mais o aumento dos impostos, da água, da electricidade, da restauração com o IVA a 23% (se este ficar por aqui, o que não me parece), IMI/IMT, etc., não irá haver consumo e a celebre frase de José Montilla, presidente do Governo da Catalunha, “Aqueles que trabalham devem consumir no imediato para que o vizinho ou o filho possam conservar o seu trabalho”, não vai ser possível. A economia deste país é um suplício de Tântalo!
Nos próximos 4 anos, o povo português, não vai ter mais nada, senão o aumento dos impostos sobre os rendimentos de trabalho e do consumo, a recessão vai-se instalar, com a consequência de termos, bem perto de um milhão de portugueses desempregados, com a miséria a bater à porta da esmagadora maioria dos portugueses.
Nem estes tipos, que estão agora no governo, são capazes de dizer esta verdade. Todas as medidas programáticas só, daqui a 4 ou 5 anos, começam a fazer efeito. Até lá, estão comprometidas todas as gerações de portugueses, sem discriminação etária, porque todos vão amargar a incompetência de todos os governos que tem governado Portugal desde 1974.
E este não vai ser excepção, pelo produto exposto na montra. Dá para imaginar o que está dentro do armazém. Desde a primeira Assembleia da República que não se constatava um nível tão medíocre nos deputados do PSD. Se os líderes são estes, imagine-se os deputados de segunda e terceira linha.
De tudo o que aqui ficou escrito, perguntem ao Álvaro se não é verdade!

“Miserum est aliena vivere quadra.” [Rezende 3545] É triste viver do pão alheio.

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