segunda-feira, 31 de outubro de 2011

O QUE DEVO HOJE, JÁ PAGUEI ONTEM

Temos estado dependentes na gestão dos nossos destinos de pessoas que só conhecem o mundo através dos livros e da academia. O que resultou numa completa ingenuidade no que seria a evolução da China e os resultados que se colocariam em termos económicos.
A maioria dos ignorantes que têm dirigido os destinos desta Europa, bem como os Estados Unidos, esqueceram-se que em economia como em outras coisas da vida, os processos de melhoria global têm grandes transferências entre partes, que perdem muito para outras ganharem. Faz-me lembrar, aquela canção, de “Os Deolinda”, em que o refrão é: “O teu bem é o meu mal”.
Todos descuraram que, ninguém poderia impedir, os chineses de trabalharem como trabalham e que num mundo aberto e concorrencial isso seria desastroso para nós. Mas, se fossem só os chineses, não chegaria a um terço da população mundial…mas, temos a acrescentar os Indianos e os Indonésios. Procuraram-se lucros imediatos… tudo, isto, se vem passando, desde 1992. Decorridos vinte anos, com a Europa e os Estados Unidos, completamente virados do avesso… o que devo hoje, já paguei ontem.
Destruiu-se a economia de produção e alimentou-se e incentivou-se o consumo. O que resta no futuro imediato? Repressão financeira que irá gerar pobreza. Ao longo destes anos, Portugal, andou a alimentar o défice com a venda de activos. Muito deles, vendidos ao desbarato…já pouco resta.
A nossa economia nestes trinta anos, esteve assente no betão. Para o realizarmos, andámos a obter financiamentos, com dinheiro externo. Andámos, calmamente, a arruinarmo-nos perante o exterior. Completamente inconscientes. Mas, no que diz respeito a emprestar dinheiro, tanto é inconsciente quem andou a pedir, como quem emprestou, sabendo que dificilmente voltaria a ver o dinheiro.
Temos, forçosamente, de importar menos e exportar mais. Mas, como será possível, sem livre iniciativa? Quando todos vivem dependentes do Estado? E o poder político gosta disso, pois traduz-se num “poder da economia do Estado”, que criou, até agora, os “empresários dependentes”. Sempre que é necessário animar a economia o Estado deve investir…acabou-se! O que andámos a pagar ontem é o que devemos hoje. E já não há mais dinheiro do Estado para animar a economia e pôr todos, nós, a trabalhar para o mesmo.
Esta situação é bem mais grave do que os cem mil funcionários públicos que alguns dizem existir a mais.
Portugal tem sido um país de empreiteiros, mestres-de-obras e de promotores imobiliários. Nem o Turismo tem qualidade que possa ser uma mais valia…
Recordo, entre os diversos sítios por onde andei, na década de oitenta, no continente Asiático, tal como hoje, que o único produto fabricado, em Portugal, que se encontrava e encontra é o “vinho”, “Mateus Rosé”. Ou seja, decorridos vinte e cinco anos…estamos pior do que estávamos, pois nessa altura, ainda produzíamos a batata que comíamos. Hoje, nem isso!
Só o “estado de necessidade” é que poderá operar o milagre de nos adaptarmos e passarmos a viver sem o Estado. Nessa altura, este terá, por outro lado, falta de moral para nos exigir os impostos que exige…porque, como diz o velho ditado…”quem dá e tira para o inferno gira”. Assim seja…que este e os outros governos de Portugal vão para o inferno, mais as suas políticas concentradoras da economia, em que tudo gira à volta do Estado. Ainda se queixam os homens e mulheres de esquerda que isto é capitalismo… Isto mais não é do que uma República Socialista em que a economia é centralizada no Estado e que vai enriquecendo todos os que vão habitando no “Politburo”, dos partidos do poder.
Andámos a pagar impostos, para um Estado que, depois, distribuía esse dinheiro por alguns, em vez de o redistribuir, em benefícios para todos. Por isso, o que devo hoje, já paguei
ontem!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

EU BEM TE DIZIA…EU BEM TE AVISAVA…

Já em 2009, escrevi, que a situação, que se está a passar, era um dia mais cedo, ou mais tarde, inevitável, porque, nunca acreditei, que qualquer governo tivesse a coragem, de cortar gorduras noutro lado, qualquer, que não fosse à classe média.

Quando falo de classe média, refiro-me à maioria dos funcionários públicos e dos seus pensionistas.
Basta ver o que acontece com o roubo do décimo terceiro mês e subsídio de férias, em que só esta classe social é afectada. Ou seja, este governo ou qualquer outro, não está cortar as gorduras, está a cortar é os ossos e a chupar o tutano.
Eu bem te dizia…eu bem te avisava…que esta merda não durava!
Que era urgente a mudança de regime político. Que a Constituição da República está ultrapassada e que não passa de um entrave ao desenvolvimento e à saúde económica e financeira, de Portugal. O sistema político não funciona…porque, os partidos estão agarrados,
como lapas, ao poder. Sabem que a alternância lhes permite, esta dança de poleiros, em que não é no governo que se ganha o dinheiro, mas, onde se obtém os compromissos políticos, para que depois da saída, do mesmo, se possam ocupar lugares destacados em grandes empresas e instituições, conseguindo vantagem brutais, que não estão, de modo nenhum, acessíveis a qualquer cidadão. Basta ver os pensionistas da CGD, do Banco de Portugal e outras mais instituições.
Ou que permitiu a criação de Bancos que resultaram num rombo às finanças públicas, brutal.
E tudo começa, dentro dos partidos, na lei do financiamento dos mesmos, que já tanta tinta fez correr. Longos debates na Assembleia da República, já em 1991…que tiveram a iniciativa de um “reformado”, que ocupou a cadeira de Belém…
As gorduras, essas vão ficar intactas. As gorduras que representam as seiscentas e trinta e seis
Fundações, subsidiadas pelo Estado ou do Estado. As grandes negociatas que foram a totalidade das parcerias público – privadas que começaram no ilustre reinado de dez anos do “Monarca do Bolo -Rei”.As centenas de Politécnicos que proliferam no país…que custam ao erário público, fortunas, todos os anos. Um Estado que se multiplicou por direcções regionais, por esse país fora, mantendo-se o poder de decisão, no Terreiro do Paço…
Uma classe empresarial que tem vivido estes trinta anos à custa dos nossos impostos…que não produz quase nada que se possa vender ao exterior.
A manutenção de ordenados do terceiro mundo que permitiram, falsamente, manter só por alguns anos, alguma da indústria que se instalou, em Portugal, no tempo da adesão à EFTA.

E agora?
Agora, impostos e impostos, sobre essa “maldita” classe média, que hão-de levar o país a uma
recessão, nunca vista…com a miséria a bater à porta de muitos deles…fala-se com leviandade de despedimentos…principalmente, por todos aqueles que andaram pelo Banco de Portugal e que estão comodamente, instalados na vida, com pensões de reforma, superiores a cinco mil euros.
Por outro lado, a Europa, conduzida por ex- MRPP´S, aliados a frustradas e Play boy`s de meia tigela, que tem complexos de serem pequeninos e que só usam sapatos de tacão alto…ainda não
viram que este modelo, que se desenvolveu do carvão e do aço, não pode ser apenas uma mera União monetária…
Eu bem te dizia…Eu bem te avisava…que vender centrais nucleares e aviões air bus, para a China, não chegava.

E nós portugueses, iludidos com o progresso do alcatrão, só agora, estamos, indignados!
"Entre um governo que faz o mal e o povo que o consente, há uma certa cumplicidade vergonhosa." (Victor Hugo)

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

O “GANG” DO MULTIBANCO CONTINUA ACTIVO


Se é da geração dos anos cinquenta e inicio dos anos sessenta, e teve o azar de nascer, em Portugal, teve uma vida complicada e não sabe como vai acabar a mesma. Se é macho, viveu a sua adolescência com o terror de ter, eventualmente, de ir para África, para uma guerra colonial, que todos sabíamos, que acabaria mal. E acabou, com uma descolonização que é a vergonha das vergonhas e que resultou em milhares de portugueses a regressar, a um país, que ainda, hoje, sofre as consequências, dessa descolonização. Milhares de pessoas que nunca contribuíram para o sistema da segurança social, no “puto”, que, ainda hoje, beneficiam da solidariedade de todos os portugueses, menos, dos vinte e cinco por cento de portugueses que vivem da economia subterrânea.
Mas, antes disso, se teve a oportunidade de ir estudar, sabia que tinha um exame da quarta classe, onde tinha de saber os rios de Portugal e das Províncias Ultramarinas e seus afluentes, as serras, os caminhos-de-ferro e aprendia a fazer a prova dos noves e uma regra três simples.
Nos dias de hoje, não se sabe, porra nenhuma, e quando se pede para fazer uma regra três simples, sempre se pode dizer, que essa matéria não foi dada na universidade.
Os que fizeram o Liceu foram traumatizados… com o exame do segundo ano e, depois, com o exame do quinto ano. No quinto ano, sempre poderia tentar fazê-lo em dois anos…primeiro a secção de letras e depois as ciências. Sim, porque não era para todos fazê-lo de uma vez só…a não ser que tivesse havido a possibilidade de um dinheirito extra para pagar aos explicadores.
E de todos aqueles que começaram a trabalhar, logo a seguir à quarta classe, com onze ou doze anos de idade, tiveram que dar ao pedal, para hoje, ou ainda estarem a trabalhar, porque não atingiram a idade da reforma, embora tenham 40 anos de desconto para a segurança social, ou então, estão na reforma com as penalizações da actualidade.
Ah, mas os que tiveram a oportunidade de estudar até ao quinto ano dos liceus, e se eram meninos, foram para o serviço militar e foram bater com os costados na guerra colonial. As
meninas, essas tinham o privilégio de começar a trabalhar mais cedo ou de casar mais cedo, e hoje, estão também, na corda bamba. Porque tem mais de trinta anos de trabalho e descontos, para um sistema de segurança social, que estes gajos, que estiveram nos governos, estes trinta
e sete anos, destruíram, com aquela coisa de ser tudo universal e tendencialmente gratuito.
Mas houve, os que tiveram a oportunidade de continuar a estudar, completar o curso dos Liceus,
eventualmente, realizar o exame de aptidão e depois, andar cinco anos, se não fosse mais, numa Universidade, com a possibilidade de ir para o Porto, Coimbra ou Lisboa. Sim, porque essa coisa de Politécnicos em Torres Novas ou na Baixa da Banheira, era impensável, porque o Estado, tinha a consciência que não tinha dinheiro para esses luxos, universais e tendencialmente gratuitos. Muitos desses jovens, de então, já realizaram os seus cursos, a trabalhar. E não iam
de carro para a Universidade…iam a pé!
Claro que começaram a trabalhar mais tarde, mas não significa que não tenham, hoje, mais de trinta anos de descontos para a Segurança Social e não estejam a ver o seu “contrato”, a ser alvo da alteração das circunstancias, a cada ano que passa. Começou com o Santo Cavaco, de 36 anos de descontos, para 40 anos, e actualmente, para os quase 67 anos de idade. Tudo bem…ainda poderia ser…se houvesse trabalho para oferecer a toda essa gente. Em contrapartida, estes governantes da treta, que tem andado a engordar as suas contas pessoais, e que hoje, alguns deles, têm três reformas, outros, estão em Cabo Verde a apanhar banhos de sol ou são presidentes de conselhos de administração de empresas, que beneficiaram, enquanto ministros
e secretários de estado, nunca foram chamados para responder pelos seus actos.
Uma completa vilanagem, que hoje, culminou com o roubo de salários, a quem espera esse dinheiro para fazer face à sua vida.
Significa que são roubados no seu salário e que ainda são penalizados, porque esse dinheiro não é contabilizado para a sua reforma. E, ainda, é esta geração, que sustenta a geração à rasca. A geração que teve a oportunidade de andar em Politécnicos e Universidades, e que hoje, continua a ter uma vida, tendencialmente gratuita, à custa desta fantochada, que é o ensino, em Portugal, onde só, em engenharia, existem mais de 132 cursos.
Um país, com dez milhões de infelizes, com uma economia destruída no seu tecido produtivo, porque, se trocou a agricultura, pescas e industria, por kilometros de alcatrão. Os mesmos
gajos que nos andaram a vender o alcatrão, são os que nos emprestam, agora, o dinheiro e nos cobram juros, para pagar esse alcatrão que nos venderam.
Temos vivido rodeado de incompetentes, chulos e vigaristas, que nos andaram a governar, estes trinta e sete anos, que vão colocar, milhares de portugueses, sem reforma e sem emprego, depois, de andarem a pagar e a trabalhar, uma vida inteira. Se esta situaçãonão merece um tiro de canhão, não sei o que será preciso…
Ainda, há um primeiro -ministro, que com ar de intelectual, de meia tigela, vem dizer na televisão, que um orçamento não é um mero exercicio de contabilidade…com tantos ilustres iluminados, ao longo destes anos, nos governos, e colocaram o país na miséria? Parece-me, que
não chegaram a aprender, a fazer uma regra três simples.
Muito menos compreendem que zero sobre zero dá o melhor resultado para uma boa gestão…é que deixa de haver alguma coisa para gerir. Para lá, caminha Portugal!
Mudam os figurantes, mas o“gang” do multibanco continua activo.

sábado, 1 de outubro de 2011

O POVO PORTUGUÊS NÃO TEM CULPA

O mesmo povo que aparecia nas manifestações de apoio, a António Salazar, e mais tarde a Marcelo Caetano, foi o mesmo que apoiou o movimento sindical dos “capitães de Abril”.
O mesmo povo que, de modo reiterado, tem vindo a votar na “democracia” é o mesmo povo, do antes do 25 de Abril de 1974. O mesmo que tem vindo a votar, contra mais de 40% do outro povo, que se abstém de votar, nesta charada chamada de democracia.
Dizem que a vontade do povo é “soberana”. Não posso acreditar que um povo, por mais estúpido que fosse, fizesse gosto em ser masoquista. Povo que sabe que a única alternativa que lhe resta é a alternância entre dois partidos que levaram Portugal, à falência. Que insiste em manter o regime político actual, porque sabe que de outro modo teria dificuldade em ser poder. Em distribuir benesses à “malta” que fervorosamente apoia o partido.
Antes do 25 de Abril, como nem todos cabiam na União Nacional, os que pretendiam beneficiar do sistema, inscreviam-se como informadores da PIDE. Com a democracia, as bases alargaram-se, com múltiplas ofertas, desde as Juntas de Freguesia, aos Clubes Recreativos, subsidiados pelo dinheiro do Estado.
E como não tivemos pejo em trocar o nosso tecido produtivo por dinheiro fácil, da União Europeia, para grandes obras do regime, não hesitámos em fazê-lo, até porque, também isso seria vantajoso ao enriquecimento fácil e rápido. Uma das melhorias da democracia. Foram obras e obras, que culminaram com as parcerias público privadas, completamente pervertidas que permitiram aos nossos “camaradas” e “companheiros” a compra desenfreada de acções em Bancos privados, constituídos pelos “companheiros”, que rapidamente se valorizaram, permitindo mais-valias para eles, que uns anos depois, tem de ser, uma vez mais, o povo português a pagar. A democracia permitiu um rápido desenvolvimento de regiões que, hoje, se reduzem a uma pequena coisinha de mais de seis mil milhões de euros de divida, a somar à divida escabrosa que o “Continente” já tinha, e que representa mais de 8,3% de défice, só no primeiro semestre de 2011.
Hoje, sensibiliza-se o povo, sacaneado, a fazer um esforço para pagar esta brutalidade de dívidas, que permitiu, a uma catrefada de “Companheiros” e “camaradas”, a compra da segunda e terceira habitação, depósitos a prazo de milhares de euros e pasme-se, tudo isto, com pensões de reforma de 800 euros.
Com tudo isto, o povo é isento de culpas, porque não tinha alternativa e esqueceu-se que podia, e pode, exigir a mudança radical deste regime político corrupto, falido, dirigido por interesseiros ou incompetentes, que procuraram todas as oportunidades, que este regime lhes facilitou, para um enriquecimento rápido, muitas das vezes legitimo, porque bastariam cinco anos a trabalhar no Banco de Portugal ou de ano e meio na CGD para se terem pensões de reforma milionárias. Já não falo dos nossos sacrificados, deputados ou Juízes do Tribunal Constitucional, que aos 42 anos de idade se reformaram por cansaço e que com grande sacrifício se mantém a “trabalhar” em prol da democracia.
E as Instituições que fazem parte, deste regime político, funcionam todas bem. As que têm como missão fiscalizar, fiscalizam o trabalhador por conta de outrem, aquele a quem é pedido, agora, para ajudar a pagar as casas compradas na Expo e no Algarve, a permitir que o actual sistema, remunere, as contas a prazo, a seis por cento, ao ano, das forçadas poupanças que esta malta fez, ao longo da democracia. De tal modo que permitiram que as “hortenses” pudessem florescer, na Madeira, de tal modo que os “cubanos” só têm, mais seis mil milhões, a somar à divida que os “camaradas”, deixaram, nestes últimos quinze anos, dos trinta e sete, do regime político, vigente. E no dia nove de Outubro, como o povo é “soberano”, e sabe o que quer, vai às urnas, exercer a sua “vontade”, mais uma vez. Viva a democracia! Viva o regime político instituído no dia 25 de Abril…que além das “hortenses”, é um regime repleto de “cravos”. Melhor dito, de cravas deste povo apático, mas “soberano” e representado na Assembleia da República, lugar “sagrado” do regime, onde se “exercesse” a democracia.
E quando o povo se sentir injustiçado, pelas arbitrariedades do “Estado”, no qual delegou a administração da “rés” pública, pode sempre recorrer aos Tribunais, que aplicam a “justiça”, depois de uma investigação “isenta”, onde as escutas indiscriminadas se fazem a toda a gente, nem que se tenham de utilizar as “secretas”. Sistema de justiça que procura “troféus” de caça jurídica, para justificar a sua ineficácia. Para nos dizer que é eficaz…mesmo que os processos levem anos e anos, nos tribunais, que se atirem estigmas para cima, seja de quem for, mas que não consegue levar à barra dos tribunais, os responsáveis pelo assalto à mão desarmada de Bancos, donde se desviaram milhões e milhões de euros, que o povo português tem, agora, que pagar.
O país está falido…mas não é só em termos económicos e financeiros. Está falido no seu todo…não há, com honrosas excepções, instituições que não estejam, no mínimo, falidas em ética moral, política e competência.
E,O POVO, PORTUGUÊS, NÃO TEM CULPA!

sábado, 24 de setembro de 2011

E, HOJE,APETECEU-ME ESCREVER



Ontem foi um dia, atarefado. Ao fim de várias reuniões, diversos telefonemas, despachos e outras coisas mais, mais um telefonema e nada. Fica para segunda-feira.
Regresso, a casa, ao fim do dia…e acabo por ter, por companhia, a Maria Callas e a sua belíssima voz… Hoje, apetece-me escrever. Foram algumas horas de reflexão e pensamentos, a ouvir a Maria Callas. Como não podia deixar de ser, passei pelos “Vangelis” e a sua extraordinária música. E o sono tardava em vir…é mau, porque ficamos com tempo a mais para pensar.
Hoje,apetece-me…escrever.
Ontem, ouvi a música, que me dizia algo. Aquela que tinha necessidade de ouvir. Se tivesse os amigos por volta, se calhar eles quereriam ouvir outro tipo de música. Mas, também, não tenho que arrastar os outros a ouvir a música que eu quero.
E hoje apetece-me escrever. E os dias, como o de ontem nem sempre dão para ouvir a música que ouvi, mas dão para muitas outras coisas. Calhou assim. Hoje, apetece-me escrever, mesmo sem ter nada relevante para escrever… Dá para sentir que dormimos, o quanto basta, mas que não temos o pensamento arrumado. Se calhar porque há muita coisa para dizer…que nos embarga a voz. Ainda assim, estamos vivos, saudáveis, quanto basta, a tentar envelhecer como quando crescíamos. Não pensem que é tarefa fácil. Acabou a música… tenho de mudar o DVD, mas no silêncio, veio-me à lembrança aquela música de menino…”lá vai uma, lá vão duas, três pombinhas a voar… Infelizmente, não são pombas, são Jagudis. Ainda me lembro, na Guiné, de ver empoleirado nos caixotes de lixo, os “Jagudis”. Estão sempre à espera de encontrar algum despojo para comer.
Porque…procurava encontrar respostas para todo um conjunto de perguntas, já batidas. Os dias correm com grande velocidade e a maioria das vezes calamos demais. De jovens a adolescentes, que já tivemos tudo, chega-se a um ponto em que achamos que não temos nada. E perguntamos, ingénuos, ao registo musical que nos inunda os sentidos, porque razão, somos tão tolos e incompletos? Por que motivo estamos já mais disponíveis para deslizar em vez de correr? Por que motivo nos colocamos mais atrás nas fotografias, porque razões, obscuras ou não, nos deixamos ficar quietos, e quase nem argumentamos, quando aquele fulano assume a dianteira? Até na padaria, sempre aparece a dona de casa, licenciada, em sociologia, antropologia, psicologia do desporto ou licenciada em “tuba”, ou qualquer outra coisa do género, que pensa que observou o suficiente para tentar passar a fila existente para a caixa de saída. Como eu odeio esta esperteza saloia, metida em meias de vidro. Mas, o nosso dia-a-dia está impregnado destas espertezas. E se fosse só na padaria, mas é em tudo na vida, porque alguém os convenceu que chegam lá, mais depressa, como se a decisão fosse nossa, e não das vicissitudes que a vida nos vai colocando. Idiotas!
Queremos o nosso lugar, aqui na terra. Podemos, talvez, ainda achar que somos imortais (só os tolos que ainda não viram pombinhas a voar), mas o que se tenta fazer é adoçar o sentido da vida com menos ousadia. Julgaremos nós, que os mais novos tomaram os nossos lugares, nos cafés, nas ruas, nos pontos – de –encontro? Será que pensamos que já somos um livro quase completo, mas não sabemos bem, em que página nos estamos a ler? Talvez… algumas vezes, precisaremos de um marcador de páginas da nossa vida, porque, às tantas, andamos demasiados dias a ler os mesmos capítulos, repetidamente, desconcentrados, e a música sabe-nos sempre diferente, tinge-nos a expressão, calca-nos os cabelos cãs.
E, hoje, apeteceu-me escrever.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O POVO É SERENO

Ao longo destes anos fomos assistindo, impávidos e serenos, à maior vilanagem, alguma vez possível, em democracia.
Fomos assistindo à perversão do que deveriam ser as parcerias público – privadas, que encheram os bolsos de uns quantos e, que nos hipotecaram o presente e o futuro, impávidos e serenos. Fomos assistindo aos desvios colossais do preço de obras públicas, algumas delas, que acabaram por custar, quatro vezes mais do que estava estimado, como seja o exemplo do Centro Cultural de Belém, que dos dez milhões de contos, iniciais, acabou em mais de quarenta milhões de contos ou seja duzentos milhões de euros.
Nos últimos tempos, assistimos ao roubo generalizado no BPN, que está a custar milhões ao erário público, para, logo de seguida, termos mais um buraco no BPP. E o povo sereno assiste a este filme.
O défice em Portugal a aumentar todos os dias e a dívida externa que não parava de crescer. Agora, depois de impávidos e serenos, assistirmos ao aumento brutal de impostos, à redução de serviços a prestar pelo Estado, que pagamos com os nossos impostos, ainda nos deparamos com a desfaçatez de um Presidente de um Governo Regional, invocar “estados de necessidade” ou de “legítima defesa”, para dívidas colossais, com desvios de documentos, numa ilha com duzentos mil habitantes. Contas subtraídas às entidades fiscalizadoras.
O povo, impávido e sereno, tem vindo a assistir, também, ao genérico mau desempenho das entidades fiscalizadoras. Começou pelo Banco de Portugal, cujo líder, levou uma ponta pé para cima, e acaba nas restantes entidades fiscalizadores. Ninguém viu!
E os governos foram governando…claro, se a única responsabilidade é entregar, no modelo actual, o escrutínio, a pouco mais de 50% dos portugueses para ir dando alternância ao poder, que no caso da Madeira, e para lá caminham os Açores, os que lá vivem, dependem dos Governos Regionais, cá estamos nós, para impávidos e serenos irmos pagando estas andanças que levaram um país à falência.
Os portugueses não passam de um conjunto de condóminos que entregam a sua propriedade, a uma qualquer administração e depois nem às Assembleias de condóminos vão.
Resultado…o prédio está em ruínas e a administração gastou o dinheiro das quotizações dos condóminos, menos a dos vinte e cinco por cento, dos que não pagam quotas, mas vão beneficiando de todas as regalias de condóminos.
Depois, quando ouvimos dizer que o caso está entregue, na Procuradoria da República ficamos descansados…porque nada vai acontecer.
Tudo isto só é possível, porque o povo é sereno…e, além do mais, põe-se a jeito.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O CONGRESSO DO PS VISTO PELO ZÉ

Mãezinha!
Que saudades que tenho de te escrever estas cartas. Não penses que pelo facto de estar a “estudar”, que não vou encontrar tempo para te escrever.
Estes primeiros tempos de habituação, aqui, na Universidade, não me deram muita folga para estar a escrever-te. Embora, esteja a escrever as memórias de seis anos de governação.
O quê? Estás a pensar que eu vou falar das borradas que andei a fazer? Não, mãezinha. Vou só falar das coisas boas e dizer mal da oposição. Então, não quiseram o PEC IV e, agora, ainda estão a fazer pior que eu? Não, mãezinha, isto não vai ficar assim. Aliás, estive este fim -de -semana a ver na Sic Internacional, o Congresso do meu partido e não há dúvida nenhuma, que o Seguro, não tem o mesmo jeito de inflamar a plateia que eu tenho. Quando ele chegou ao final e tentou imitar-me, fazendo uma série de perguntas, para que a assistência fizesse um coro de aprovação, só eu é que consegui essas aclamações. É preciso muitos anos a virar frangos, para pôr uma assembleia ao rubro. E aí, não há pai para mim. Por outro lado, o Seguro não poderia esperar que a “malta” que lá esteve, que me apoiou no último Congresso, antes das eleições, fosse, agora, fazer o mesmo com ele. Que batam umas palmas, tudo bem. Mas, nunca aquele Congresso poderia ser o mesmo de um líder “espiritual”, como eu.
Não sou um líder espiritual? Oh, mãezinha…ai sou, sou. Tu ouviste por acaso alguém dizer mal dos seis anos em que fui primeiro-ministro? Da carrada de erros que cometemos? Da arrogância que eu tinha? Da atitude narcisista que eu sempre cultivei? Claro que não. E para que isso aconteça, só por força do meu espírito, que ficou profundamente marcado, nos meus camaradas. Agora, e depois de termos assinado o documento da Troika, e como o Pedro está a fazer mais do que isso, é fácil ao meu querido partido opor-se e tentar fazer com que esta corrida de fundo, seja mais curta.
Depois de terminar o curso, e já consegui que me dessem algumas equivalências, aqui na Sorbonne, voltarei como um filosofo, a meter-me na política. Se me deram equivalências? Claro, mãezinha. Tive, foi de fazer um teste de francês técnico. Fui lá entregá-lo, a semana passada. Desta vez, ninguém me vai apanhar com testes a serem enviados por fax.
Sobre o Congresso, até achei piada, aquela de virar à esquerda. A mãozinha a substituir a rosa, o que mostra mais dureza na política, e a cor rosa a passar a vermelho. Quase o vermelho “Ferrari” que pode transmitir aquela ideia de agressividade que é necessária na esquerda. Sim, também não é preciso falar como o Louçã. Assim com falinhas mansas, ao estilo do Tó Zé, está melhor. Por um lado, dizemos aos papalvos que vamos para a esquerda, por outro, até somos uns gajos porreiros e afáveis. Aquela de andar a ver os bastidores das televisões, foi óptimo. Porque deu-lhe um tempo de antena, fora de série.
Mãezinha…isto promete. O Pedro, agora, leva isto até ao fundo e depois, de já não haver défice e o país estar em termos económicos, moribundo, nós voltaremos ao poder e, espero lá estar, já com o curso concluído.
Esses tipos do Pedro e do Paulo, andaram a dizer que faziam e aconteciam, que não queriam resolver os problemas pela via dos impostos, agora, tramaram o povinho, com aumentos brutais de impostos e ainda falta a Madeira.
Ainda bem, que eu, agora, só estou virado para a filosofia. Ao fim e ao cabo, nestes últimos anos foi o que mais fiz. Andar a filosofar, pensando na dicotomia do que era real e a utopia. E não há dúvida, mãezinha…como dizia o nosso querido Gedeão, no seu célebre poema:
“Sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança”. Já viste, mãezinha o que isto tem avançado? Se não fosse assim, a sonhar, Portugal, nunca teria chegado onde chegou.
Beijinhos, e logo, que eu possa, voltarei para junto de ti.

PS: Vai abrindo as janelas do apartamento, para que não fique a cheirar a mofo.

sábado, 10 de setembro de 2011

IDEIAS POLÍTICAS…

Se fosse Ministro, pediria, a Deus, que não me desse ideias, nem ao calor da lareira, nem sentado na cagadeira. Porque ideias postas em prática, retiradas destes momentos de relaxe, normalmente, ou são madeira e terra queimada, ou borrada de certeza.
“Grandes alterações nas autarquias. Grandes poupanças!”
Vasculhando o jornal, que levamos para a retrete, ficamos surpreendidos…
Uma das grandes medidas é reduzir o número de Vereadores, nas Câmaras Municipais. Bom, na maioria das Câmaras, perto de 50% dos Vereadores não têm pelouros. O que significa que se limitam a ganhar a senha de presença nas reuniões do executivo camarário, que no máximo, se limitam a duas sessões por mês. Uma fortuna, como se pode calcular. Estão a ver o alcance desta medida em termos de poupança?
Logo a seguir, redução drástica dos “altos” cargos de chefia nas autarquias! Bom, então aqui, se nos descuidados, furamos o papel e borramos os dedos. A maioria das chefias, tem como vencimento, o que aufere como técnico superior… ou seja, o vencimento, que auferem, é igual, sendo chefe ou não, pois a maioria das chefias, Directores Municipais, Directores de Departamento e Chefes de Divisão, são técnicos, já, no topo de carreira (assessores, assessores principais). A não ser que se pense que estes lugares, serão ocupados, com acrescidas, responsabilidades civis e criminais, ao fim de cinco anos de serviço. A maioria deles tem 20, 25 ou 30 anos de serviço. O que significa, estarem, desde logo, no topo da carreira técnica superior, onde o vencimento, nalguns casos, é superior ao vencimento atribuída à função de chefia. (A maioria são chefes, por favor).
O que vai resultar nesta redução de chefias é a duplicação da recessão já existente. Se hoje um processo leva 100 dias a estar concluído, passará a levar 300 dias para se concluir. O entupimento de processos nas câmaras municipais vai ser pior que o entupimento de processos nos tribunais.
Depois, lendo um pouco mais as notícias, ainda ficamos espantados, quando o critério para a determinação do número de chefias é pelo número de habitantes. Deve ter sido o critério adoptado para encontrar o número de Ministros, para o Governo…
No pouco tempo que este governo tem, o número de decisões de “poupança,” para quem sabia tão bem, onde cortar as gorduras do Estado, é de pasmar. São borradas atrás de borradas. Se há quem diga…”volta Salazar, que estás perdoado”, agora, também se pode dizer…”volta Sócrates, que estás perdoado”. Para fazer estas borradas, podíamos ter ficado com o Sócrates. Por um lado, já estávamos habituados a ter um Primeiro-Ministro que aumentava impostos e que também mentia, a dizer que não, só que não estávamos, era habituados, a que existem ministros que fizessem tantas borradas, em simultâneo, demonstrando uma incompetência, total. É uma verdadeira diarreia de ideias…que demonstra o completo desconhecimento das realidades.
O mesmo se tem passado, em relação às empresas municipais. O senhor Presidente de Câmara, de Vila Nova de Gaia, tem sido o orientador espiritual destas ideias. Engraçado, é que foi ele, o useiro e vezeiro na criação de empresas, porque, as mesmas, tinham como objectivo, distribuir, pelos senhores vereadores, as administrações, nas mesmas, para que pudessem auferir um melhor salário, do que tinham como Vereadores, aparecendo, agora, como o campeão das fusões de empresas e na defesa do encerramento, das mesmas. Os critérios, até agora, conhecidos, são os critérios de uma mera propaganda jornalística, mas cujos resultados, são imprevisíveis, para deitar fumo sobre a escalada de assaltos, aos bolsos dos portugueses, com um aumento brutal da carga fiscal e da redução de salários.
O critério para a existência de empresas municipais, ou não, deve estar assente, unicamente, numa análise, em que se possa saber se o serviço prestado pelas mesmas, obedece a melhores índices de eficiência, eficácia e economia ou não, comparativamente, com o mesmo serviço, prestado, directamente, pelas autarquias.
Este governo está pejado de académicos e de “funcionários” do partido que nunca tiveram experiência, nem empresarial, nem autárquica. A experiência detida, ou é a de dar umas “lições”, na universidade, ou a fazer “baixa política”, dentro dos partidos, à procura de um lugar ao sol. (Quantos não terão telefonado aos papás, a dizer…” Paizinho, já sou Ministro”.)
Mas, meus amigos, não há solução. Este caos de governação, ora PS, ora PSD, é o resultado do regime político, que temos, resguardado por um guarda- chuva, que é a actual Constituição da República. A geração, actualmente no poder, e não é só em Portugal, como em outros países da Europa, é o resultado de uma juventude que nunca fez nada na vida, a não ser jogadas partidárias, para subirem na hierarquia dos partidos. Antes das “novas oportunidades”, este meio de vida já era uma oportunidade, para quem sempre quis andar de costas direitas. Só se dobram para fazer borradas…

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A MENINA DANÇA?

O Governo aprovou uma proposta de alteração ao regime jurídico do sector empresarial local.
A proposta de lei visa não só o regime de criação de empresas municipais, intermunicipais e metropolitanas, mas também o reforço dos poderes de monitorização da administração central sobre o sector público empresarial local.
Este modo de governar é, de facto, um folclore. Dia 25 de Agosto de 2011, o Conselho de Ministros, aprovou uma proposta de alteração ao regime jurídico do sector empresarial local.
Para o público, em geral, que vai vendo estas danças, pensará que o governo está a trabalhar bem, eventualmente, a cumprir o calendário político, imposto pela troika, de duas medidas por dia.
Mas, o prazo para resposta, pelas Câmaras Municipais, de um inquérito sobre as empresas do sector empresarial local, tinha, como prazo limite, o dia 30 de Agosto. Como é que se aprovou, uma alteração ao regime jurídico do sector empresarial local, se ninguém, no governo e arredores, sabe dançar esta música?
Logo, os “blogs” da maledicência, começam a vomitar, opiniões e considerações, sobre o assunto, tal como outros, iluminados, vão falando de economia ou de finanças, como se, nos dias de hoje, toda a gente fosse entendida na matéria.

Fala-se, que estão identificadas 288 empresas municipais. As empresas existem, ou não existem? Porque, se não estão constituídas e, os seus estatutos, não estão publicados, em Diário da República, é porque são “Sociedades Aparentes”. E não creio, que pelos modestos salários brutos que são pagos, a estes gestores, (que são inferiores à pensão de reforma de muitos educadores de infância e professores primários do antigo regime em vigor, no curso do Magistério Primário - antigo 5.º ano do Liceu e dois anos de didáctica A e B), alguém se arriscasse, a ser administrador de uma sociedade aparente. Se já não é fácil, com os vencimentos auferidos, que são sempre inferiores ao salário do Presidente de Câmara, que por sua vez, tem um salário inferior, a determinados funcionários do quadro das referidas Câmaras, em funções de chefia, que ainda são onerados com responsabilidades criminais e civis, como é que alguém se sujeitaria a gerir empresas aparentes? As responsabilidades criminais, são passíveis de serem pagas ou com o corpo ou com o dinheiro do seu salário, e as civis, com o seu salário e, eventualmente, na douta opinião do “julgador”, indo ao seu património pessoal e/ou de família. Ou, ambas as coisas! Pagas com o corpo e com o património.
Se for consultado o “sítio” do IPCA” – Centro de Investigação em Contabilidade e Fiscalidade - http://www.cicf.ipca.pt/pagesmith/26, desde 2008, que esta Instituição, com prestígio académico, tem vindo a classificar, em termos “Contabilísticos”, os Municípios, bem como as empresas municipais. E, os últimos dados, que são referentes ao ano económico de 2009, existem nesta Instituição, verificadas e analisadas, 281 empresas, municipais e intermunicipais.
Como é de deduzir, esta instituição, IPCA, não obtém dados de todas as empresas, pois solicita, os mesmos, às empresas ou realiza a consulta por internet (“sítio das empresas"), onde, devem estar divulgadas as contas das empresas, bem como os Orçamentos e Planos, das mesmas.
Agora, o Governo, se não consultou o Tribunal de Contas, que tem por lei, o dever de receber o Relatório de Contas e Actividades das empresas, aprovado e apreciado, pela Câmara e Assembleia Municipal, até 31 de Março, de cada ano, então, o problema, coloca-se entre os dois bailarinos. Por um lado as empresas que tem a obrigação de enviar ao Tribunal de Contas os seus relatórios, por outro, as próprias instituições fiscalizadoras. Mas, pessoalmente, já nada me surpreende, neste país.
Se o Ministro Miguel Relvas disse que é o “início de revolução tranquila”, eu diria de outro modo: “ é o início de uma confusão tranquila”, e já está demonstrado, pela oportunidade das consultas feitas aos Municípios, com prazos posteriores (30/8/2011), à data em que foram aprovadas alterações ao regime jurídico das empresas locais (25/8/2011).
Depois, aparecem notícias, que dizem: “Fonte oficial disse ao JN que, actualmente, estão identificadas 288 empresas municipais, intermunicipais e metropolitanas que integram o SEL, mas, para além deste número pecar por defeito, existem dados financeiros relativos a apenas 142 empresas”. Acabei de mencionar que o número de empresas analisadas pelo IPCA, Instituição independente, de investigação em Contabilidade e Fiscalidade, analisou 281 empresas do sector local. Ou seja, o dobro, das 142, que “fonte oficial disse”. Nem o governo está a trabalhar com serenidade, nem os jornais fazem notícias com seriedade.
“O diploma aperta o cerco às empresas municipais, cujo universo está ainda longe de ser conhecido”.
O cerco, ou melhor o circo, já está montado, vai para muito tempo. O governo nasceu coxo. E no meu tempo, quando se ia convidar uma senhora para dançar, e esta não estava interessada no convite, dizia: “desculpe, mas eu não danço”. A resposta de quem convidava, irritado com a recusa, era: “Desculpe, não sabia que a menina é coxa”.
Qualquer que seja o governo, tem de pensar primeiro e decidir depois! E não pode ser só, fazer “bonitos” financeiros, esquecendo-se de fazer política e economia.
Porque, se calhar, não será uma “revolução tranquila” e, muito menos “uma confusão tranquila”. Será, talvez, uma “confusão agitada”.

“Argumentum ad verecundiam.” [Rezende 410] Um apelo ao pudor, à consciência.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Governo a jogar o SIMCITY

Isto está a ficar engraçado. O Governo diz que está a concretizar uma medida, por dia, do acordo com a troika. Ainda aparece, algum gajo inteligente, e diz que se tem que tomar uma medida por noite. Se as medidas por dia já saem caras, imaginem as medidas por noite.
A Troika, o défice, o não termos dinheiro para isto e para aquilo, não se resolve, salvo melhor opinião, com o aumento desenfreado da receita. Só é passível de resolver, cortando despesa.
E esta foi a promessa do actual primeiro-ministro. Até à data, não vislumbrei nenhuma medida que resultasse para uma poupança significativa. Onde é que estão essas medidas, que eram tão fáceis de implementar, quando o PSD estava na oposição?
Já não pergunto, onde é que estão as medidas para o país produzir mais riqueza, porque, a esta pergunta, nenhum académico, transformado em político, me vai responder.
Eu no intróito disse que o Governo iria implementar medidas de noite, porque, segundo os “media”, este tem de aplicar 75 novas medidas, em Setembro. Como Setembro só tem trinta dias, mesmo produzindo medidas de noite, não consegue atingir o objectivo.
Desde que o Governo tomou posse, que os “Faits divers” têm sido vários.
Os últimos foram, já depois do anunciado aumento do IVA, na energia eléctrica e gás natural, para 23%, que darão cerca de mais 100 milhões de receitas, o imposto sobre heranças e doações. Eu estou-me nas tintas. Não tenho nada para herdar e quando morrer, quem cá ficar, que pague os impostos. Mas, isto tudo, para arrecadar mais 100 milhões por ano?
Entretanto, vem a “grande” discussão de taxar as fortunas. Mas, quais fortunas? O pessoal que tem muito património em imóveis? Mas, esses já pagam impostos, pois o IMI é para todos. Ou não? É o pessoal detentor de bens móveis? Bom…os grandes grupos económicos tem essa brincadeira, em fundos, nos “offshores”. A máquina fiscal portuguesa consegue cobrar alguma coisa disto? Não me façam rir. São “faits divers”, para distrair o pessoal, para as medidas de mercearia, que este governo já anda a discutir, em termos de receitas, que não resolvem o problema de um milhão de desempregados que o país vai ter dentro em breve.
Portugal, dentro em pouco, e se fosse possível a todos os portugueses, passava a ser o jogo do “SIMCITY”. O Governo iria simulando as taxas e impostos, experimentando, até, que a população residente agarraria na sua sacola e mudava de cidade. Neste caso não é cidade, mas de país. Infelizmente, não é possível, e eles sabem-no bem, mas também pensam que podem andar a esticar a corda para além do limite, pensando que mesma não se parte. Porque quem não trabalha e não vive do seu ordenado, não lhe faz muita diferença, enquanto não lhes acabar a mama.
E então, vamos ter, encapotado na redução da despesa, mais medidas na saúde, em que os utentes vão passar a pagar mais taxas moderadoras e os contribuintes vão recuperar menos dinheiro através do IRS. Neste caso, as taxas moderadoras tem de deixar de ser moderadoras e devem passar a ter outro nome, talvez, taxa de serviços médicos e hospitalares. Como se isto não fosse ou que devesse ser pago, dos impostos, que já pagamos. As isenções fiscais, nesta área, depois, do contribuinte pagar impostos, pagar taxas, ainda vai pagar mais IRS. Para fazer isto não valia a pena ter havido eleições. Só valeu a pena as eleições, para mandar para Paris, o “Hugo Chavez da Covilhã” que estava completamente narcisado.
Vai daí, como o Estado não deve nada aos bombeiros do transporte de doentes, vai pôr a malta a pagar as ambulâncias.
A nível fiscal, os benefícios e incentivos fiscais vão ser todos congelados - alguns podem mesmo desaparecer. Vou ficar à espera de ver quais serão os benefícios fiscais de motivação ao investimento.
O IVA vai ter as suas taxas revistas. Só? A taxa mais elevada de 23% não vai passar para 25%? Então, como é que vão fazer, nesta altura do campeonato, para a redução da TSU? Deve ser a história da multiplicação dos pães, só que, desta vez, passam a ser laranjas.
Está, também, prevista a revisão do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). Que é uma coisa, diga-se de passagem, que já é barata. Nem vai influenciar o precário mercado de arrendamento. Eu não sei, é se está previsto mais fundos comunitários, para a construção futura de novos bairros municipais, depois de se destruírem as barracas que vão começar a proliferar, novamente. Esperem lá por isso.
Os transportes públicos já foram aumentados e voltarão a ser em Janeiro. Como a medida ensaiada, na comunicação social, de taxar a entrada de automóveis nas cidades, não foi acolhida, junto do pessoal, e é uma área demasiado sensível, resolve-se com o aumento significativo do imposto sobre veículos. O fumar, também, vai sair mais caro. Ah, não se estejam a rir os que já andam a fumar cigarros de enrolar, porque as barbas de milho também vão ser taxadas. Era o que faltava…este governo no que à receita diz respeito, colheu nas melhores universidades, malta muito bem preparada e eventiva. Este Governo é o outro lado da moeda. E, não me parece que seja cara, mas sim, coroa! Não foi de lá que partiu o mote?
No imobiliário, o Executivo quer alterar a lei do arrendamento com a liberalização gradual das rendas antigas. Eu não disse? Este Governo é muito esperto. Agora, sobe as rendas e altera a lei, depois, o pessoal vai para as barracas…Isto tudo, para depois pedir, à UE, mais dinheiro para a construção de bairros sociais. Só que desta vez vai haver contenção, porque já está uma empresa Chinesa, em Angola, a fazer casas por trinta e cinco mil euros. Portanto, se vocês já estavam a esfregar as mãozitas, esqueçam, que essa massa vai ser mais um negócio trilateral – Portugal, Angola, China. É a globalização. Portanto, aguentem-se à bronca.
Na justiça, o objectivo é reduzir os processos pendentes nos tribunais, preparar a reforma da gestão dos tribunais e rever as custas judiciais. Ou seja…em primeiro lugar, reduz-se o prazo de prescrição e mandam-se processos para o caixote do lixo. Depois, porque a taxa de justiça, já é acessível ao comum dos portugueses, isto é, 102 euros (Unidade de Conta), para quem procura “justiça”, esta passará a ser mais cara. Não é nada, que um tipo que ganhe um pouco mais que o ordenado mínimo, não possa pagar. Ah, se não pode comer? Vai ao Banco Alimentar ou à Caritas. Se não paga a renda ou a prestação da casa? Rouba umas madeiras e constrói uma barraca debaixo de um dos viadutos de auto-estrada, e é coisa que não falta. Estão a ver que não se deve andar a dizer mal?
Os políticos quando governam estão sempre a pensar no povo. São do povo, representam o povo, vivem a pensar no povo e trabalham para o polvo.

"Mittere digitum in vulnere". ■Meter o dedo na ferida.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

HOSPITAL SOVIÉTICO GARCIA DA HORTA- ALMADA (PARTE II)

Da noite para o dia. Com pulseira verde, o idoso que ontem esperou, mais dois utentes, no Hospital Garcia da Horta, em Almada, chegou ao Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, às 16 horas.
Cinco minutos depois, a triagem verificou se o mesmo era diabético. Procurou identificar se tinha febre. Foi verificada a pressão arterial.
Cinco minutos decorridos, e estava a ser chamado ao Balcão onde lhe foi efectuado um ECG. Foi também auscultado. Todo este desempenho, realizado por uma médica, já com os seus cinquenta anos. Não por estagiários.
Foi colhido sangue para análises. Aguarda neste momento, 17 horas, que seja chamado para realizar um RX às pernas. Última hora…são 17 horas e 15 m e o RX já foi realizado. Aguarda neste momento os resultados.
Parabéns ao Hospital S. Francisco Xavier, pela organização do seu serviço.
Tudo isto, nada tem a ver com pulseiras verdes ou amarelas. Tem a ver com capacidade de gestão, onde se procura a eficiência e a eficácia, além do mais, porque se trata de um idoso com 83 anos de idade.
É esta a diferença de um bom serviço público, contrapondo com o Hospital Garcia Horta que presta um mau serviço público. Afinal não é tudo mau…pois não. É uma questão de atitude!
Ainda bem que o meu Hospital é o S. Francisco Xavier. Mas tenho pena dos cidadãos da outra banda que têm de gramar com um Hospital, como o Garcia da Horta. E eu não percebo nada de gestão na área da saúde! Mas, não é preciso para ver a diferença.
Bem-haja, aos gestores e colaboradores do Hospital S. Francisco Xavier.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

HOSPITAL SOVIÉTICO GARCIA DA HORTA -ALMADA

Não sei se é por acaso, se é por incompetência dos gestores, se é a capacidade de gestão, marxista-leninista, do Hospital Garcia da Horta, em Almada, que é um perfeito inferno para os utentes.
Ainda hoje, entrou um utente, com 83 anos de idade, com Alzheimer e sem capacidade de locomoção. Esta falta de capacidade de locomoção, sugeriu, ontem. O idoso vai acompanhado de um familiar. Este teve de pagar do seu bolso a ambulância que permitiu o idoso chegar ao Hospital.
É um inicio de história que dá para adormecer para quem espera e desespera, para saber o que se passa com a saúde do idoso.
Chega a ambulância às 13 horas. Como existiam duas macas, já em espera, só decorridos 45 minutos é que o idoso foi apresentado para triagem. Bom, parece que a mesma é feita por um enfermeiro. Que foi anotando o que o acompanhante relatava. Nada mais. Bom, neste caso, poderia ser um padeiro, porque era igual ao litro.
Foi atribuída a pulseira verde. Mas, qual é o enfermeiro estagiário que diagnostica o estado de saúde de um idoso, que não diz coisa com coisa? Se for acompanhado por alguém que consiga sintetizar a situação, talvez. Imaginemos que é alguém, menos esclarecido e com mais falta de conhecimentos, como é que essa síntese seria realizada? Como seria avaliada pelo “padeiro” vestido de branco, a situação? Bom… é de gritar aos céus …decorridas cinco horas, nem sinais de atendimento. Parece, dizem as más-línguas, que o Hospital Garcia da Horta, para captar mais umas massas, tem as portas abertas a estagiários e não recruta profissionais qualificados em número suficiente, logo, o seu número é limitado. Por outro lado, por influências maoistas, gosta de investir em medicinas alternativas. Quem espetasse umas agulhas, no cú desta malta, era pouco.
Ficam duas pessoas, o idoso e o acompanhante, à espera, já vai para cinco horas. Parece, dizem, porque informações também não há, que decorridas 7 horas, será visto por um “médico”, eventualmente estagiário. Ou então, a consulta será feita, nesta altura, por um enfermeiro, já que a triagem foi feita por um padeiro.
Desde as 13 horas e decorridas cinco horas, nem o idoso come nem bebe, nem o acompanhante.
Bom… um idoso é recepcionado num Hospital como se tivesse uma constipação. Só existem, na recepção, duas máquinas de “vending”, uma para café e outra para sandes. São necessárias moedas. Bom… a da sandes está vazia e a da água, Coca-Cola, são necessárias moedas para se obter uma garrafa de água. O acompanhante, para não deixar sozinho o idoso, procurou, junto do “Guiché das Taxas”, que lhe trocassem cinco euros, para comprar a garrafa de água. Resposta da funcionária, também marxista ou no mínimo “casca grossa”, disse que se a pessoa quisesse trocar os cincos euros que fosse ao café/loja que fica a cerca de mil metros do local da recepção. Bom, o acompanhante, em face, da recusa, propôs que a funcionária tomasse conta do idoso, enquanto iria trocar os cinco euros. Claro que a funcionária, zelosa do seu dever, e que já beneficiou de formação, dada nas novas “oportunidades”, virou as costas ao interlocutor. Esta matéria não foi dada no curso…educação, humildade e consideração perante quem se encontra fragilizado. Só lhe ensinaram que lidar com a malta da ferrugem era à bruta e com maus modos.
Se é necessário sete horas, na recepção de um Hospital, para ser atendido, pensa-se que será por um médico, quantas horas mais serão necessárias, depois, para concluir exames médicos e saber do prognóstico? Uma pouca-vergonha. Os liberais querem sacar a massa ao pessoal, porque nos dizem que privatizando a saúde está tudo resolvido. Os de esquerda querem este tipo de medicina, em que o atendimento, no seu geral, é péssimo e a triagem de doentes é feita por padeiros, como se o doente que se apresenta num Hospital fosse massa para pão. País de merda…E ninguém dá um chuto nesta malta.
Depois, admiramo-nos dos imensos relatos de famílias que deixam os idosos à porta do Hospital ou quando são internados, já ninguém os “levanta”. Digo, levanta, porque este é o termo que se coaduna com um atendimento, sem um mínimo de eficiência e eficácia, de doentes idosos, no Hospital Garcia da Horta.
Com toda a certeza irei concluir este relato…que não prestigia nem Garcia da Horta, nem os bons profissionais abnegados, que existirão, também, nesta Instituição.
Última hora…decorridas seis horas de espera e existindo só dois utentes com pulseira verde, ainda nenhum deles foi chamado, porque não estão a chamar utentes com pulseira verde…não há um padeiro que possa dar uso a esta massa? Quem faz triagem, deve ter competências, também, para dar andamento a um doente que foi catalogado de verde e se encontra em espera vai para seis horas. Eu se morasse daquele lado, já tinha feito alguma coisa…obrigava os administradores do Hospital a fazer um leasing novo! No mínimo...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fala-se muito. Faz-se pouco!

De tal modo se fala, que eu já me chateio de falar. Ultimamente, remeto-me, na maior parte das vezes, ao silêncio. Não é por falta de razões e motivos para não falar mas, tenho preferido utilizar a força das mandíbulas para mastigar e ruminar, o que penso e não digo.
Mas, hoje, apeteceu-me, novamente falar. Falar desta merda de país, onde este povo faz de conta que nada acontece. Até parece que tem um futuro próspero, onde continuará a abundar as facilidades que nos tentaram incutir nestes últimos anos de democracia.
Facilidades na escola, que se traduz numa passagem de analfabetismo para uma outra categoria, a iliteracia. A aprendizagem é feita de conversa de café, das notícias dos jornais e televisão. Facilitismo, conjugado com ausência de autoridade. E se mesmo assim, não se consegue concluir o ensino secundário, aposta-se nas novas “oportunidades” e mascaramos a situação. Uma bandalheira!
Facilidades para se passarem férias no Brasil ou nas Caraíbas, recorrendo ao crédito, ao consumo. Facilidades em obter créditos para trocar de mobília ou para trocar de automóvel.
Esta foi a animação da política, dos últimos quinze anos, deste país. A paixão pela “educação” e a revitalização de uma economia, baseada no consumo desenfreado. Estas foram as grandes orientações, destes últimos governos. Com tantos ilustres professores, doutores e engenheiros, nenhum ainda apresentou, a este país, a solução de criar riqueza para se redistribuir, de modo que possamos viver, de acordo com as nossas posses.
Vimos assistindo, a um “ilustre” professor, de economia, ao soltar de frases, mais que gastas, sobre as apostas a fazer neste país. A última foi o “turismo de qualidade”. Não sei o que isto é. Se calhar são novos empreendimentos em Boliqueime e arredores. É que não faço a mínima ideia. Ou, à necessidade de revitalizar a agricultura. Será o aproveitamento dos espaços verdes, junto das auto - estradas, para semear as couves portuguesas? De facto, não sei o que será… O que sei é que temos andado a viver de banalidades políticas que só se têm traduzido numa confusão de palavreado. Grandes “caixas altas” nos jornais, com notícias que não valem rigorosamente, nada.
Agora, aquilo que sei é que os impostos vão aumentando, que a inflação vai consumindo o que resta, do rendimento líquido de cada português, e que mais nada se vislumbra no horizonte, deste país.
Existe algum plano estratégico, sobre as diversas matérias, importantes, para o desenvolvimento e bem -estar dos portugueses, nos próximos vinte anos? É claro que não. Vamos deixar o andamento deste país à iniciativa privada. Eles resolvem tudo!
Eles vão resolver o caos a que chegou o ensino, eles vão resolver o caos em que está a justiça. Ah! Eles vão resolver o problema em que está a segurança social.
É fácil…vende-se o Hospital de Santa Maria, à iniciativa privada, por 40 milhões. Vende-se a cidade universitária de Lisboa, incluindo a reitoria, à iniciativa privada, por mais 40 milhões.
Na justiça, podem-se fazer lotes de tribunais e vende-se cada lote por 40 milhões. O pessoal a mais? Também não é problema…o Estado português assume os encargos de mandar essa rapaziada para a “agricultura” ou fazer “turismo”. Não há compradores? Enganam-se! O Kwanza pode não valer nada, mas eles tem dólares, não se preocupem.
E como é que vai ser depois? Fácil…nunca ouviram, aquela, do “utilizador, pagador”? Ah, se vamos ter de continuar a pagar impostos? Claro, temos que manter os políticos a governarem-se nas privatizações. Ora essa!
Ao tempo que andava a ruminar, que tive que falar. Por mim, vou continuar a pensar nas baboseiras que se vão dizendo por aí, nos jornais, na televisão e noutros meios de propaganda, de um Estado desestabilizador, que é o nosso, no presente momento, para poder justificar a merda da “troika” e duma governação assente em roubar os seus cidadãos. Mas, esta é a consequência de um povo que não quer trabalhar e entrega os seus destinos, a um Estado constituído por “jotas”, que finalmente, assumiram o poder.
Fala-se muito. Faz-se pouco!

“Modicum fermentum totam massam corrumpit”. [Vulgata, 1Coríntios 5.6; Gálatas 5.9] Um pouco de fermento corrompe toda a massa.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

DA GERAÇÃO À RASCA, À GERAÇÃO DO DESENRASCA

Da geração à rasca, estamos a andar, estonteadamente, a caminho da geração do desenrasca.
Começa logo, pelo Governo da República que se tem de desenrascar, para resolver o problema financeiro grave com que nos debatemos. E então, vêm as soluções do desenrasca. Aumentam-se os transportes públicos, não deixando de ficar escondido gato com o rabo de fora, na preparação de possíveis privatizações. Só que estas privatizações que se têm vindo a fazer, não sendo eu, contra as mesmas, têm sido feitas à custa do cidadão português, em benefício de meia dúzia de marmanjos. Por mero acaso, os mesmos de sempre. Se alguém tiver opinião diferente que mencione um único caso de privatização que tenha trazido benefícios ao mercado.
Este meu pensamento vem ao encontro de duas notícias, vindas a público, recentemente. A primeira, a privatização possível, da única linha de transporte ferroviário de passageiros…a linha de Cascais.
A outra notícia é que o Álvaro estaria a estudar a possibilidade de taxar a entrada de automóveis, nas grandes cidades. Não sei o que é que o Álvaro considera de grandes cidades. Quando me ponho a olhar para a região metropolitana de Lisboa, fico um pouco confuso. É óbvio, que se os transportes públicos aumentaram, entre quinze, a vinte e cinco por cento, só se consegue que esta medida seja sustentável, taxando a rapaziada que se deslocar em automóvel, para as tais grandes cidades. Senão, teríamos o pessoal a mandar os transportes públicos, que depois serão para privatizar, às urtigas. A isto, eu chamo a geração do desenrasca! Esperteza saloia, encapotada de ciência académica.
Todas estas ideias geniais têm por base algum plano? Qual a verdadeira estratégia? Ela existe? Creio que uma vez mais, o povo português é confrontado com soluções de desenrasca e não com soluções que possam contribuir, por um lado, à resolução do problema financeiro, mas que possa estar subjacente uma estratégia que leve o país ao crescimento económico. Até agora, o que tenho visto de medidas anunciadas é o estrangulamento da economia.
Está estudada qual a poupança em combustíveis fósseis que iremos obter com estas medidas? Qual a redução na importação de petróleo bruto e os benefícios que aportará em termos económicos e da balança de pagamentos? Qual a redução de CO2 que está previsto? Já estou a ver Portugal a vender quota disponível de CO2 à China.
Para quando a revisão dos contratos das parcerias público – privadas? Será que um dia que tenhamos de construir uma terceira via, sobre o Tejo, em Lisboa, vamos continuar a pagar ao consórcio Lusoponte?
Para quando a criação de mais Tribunais do Comércio, por exemplo, que possam responder em tempo útil aos problemas das sociedades comerciais? Com a situação existente, quem é que vem investir em Portugal? Não haverá falta de Tribunais especializados, por todo o país?
Para quando a imposição de que as grandes companhias sejam impedidas de encher os tribunais com acções para cobrar aos devedores de contas de telemóveis, valores de cem euros ou de duzentos euros? Porque é que, os portugueses, na sua totalidade, terão de estar a subsidiar a actividade económica, das grandes empresas que dão crédito, de modo descontrolado, a toda a gente, permitindo, que num país como Portugal, com dez milhões de habitantes, dois milhões que não têm dinheiro para comer, existam quinze milhões de telemóveis?
Será que resolvendo o problema da justiça em Portugal, o PIB, não cresceria perto de dez por cento? Quais taxas e mais taxas…por favor, deixem de andar no desenrasca e planifiquem um pouco o que será o nosso país, daqui a 20 anos! Se, não tiverem ministros para isso, façam um “outsourcing”, porque existem muitos privados que são capazes de fazer esse plano. Só que têm de ter cuidado, a fazer o contrato, e não ponham os gajos, a cobrar, comissões, durante vinte anos ou trinta. Senão, ficamos outra vez enrascados!
Compreendo que este governo está na mesma situação de quem tem uma gastroenterite…está com as calças na mão…mas, por favor, não continuem a fazer de nós, otários!

“Malitia, ut peior veniat, se simulat bonam.” [Publílio Siro] A maldade, para se tornar pior, se mascara de bondade.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A CONSTITUIÇÃO SÓ PRECISA QUE LHE PUXEM O LUSTRE - APERFEIÇOAMENTOS

Para quê, insistir, em manter uma Constituição da República, que ao longo dos anos, tem sido tábua rasa, dos políticos?
Logo, no seu número 5 do art.º 51 (associações e partidos políticos), diz a Constituição:
-“ Os partidos políticos devem reger-se pelos princípios da transparência, da organização e da gestão democráticas e da participação de todos os seus membros”.
Transparência, nos partidos políticos, não sei o que é. Não sei se é o seu modo de operar, no que diz respeito aos sindicatos de voto, em que lideres são colocados perante os seus militantes, para que estes, em plebiscito, confirmem o que já alguém decidiu. Se inclusive, é o caciquismo utilizado para a angariação de votos. Se não são as promessas constantes, para que, determinados grupos étnicos, votem quando há eleições dentro dos partidos. Os tais plebiscitos.
Não sei se são os escândalos, constantes, de financiamento ilegal de que todos são useiros e vezeiros. Basta dar uma leitura atenta, às declarações do Dr. Jorge Sampaio, enquanto deputado, em 1991, na Assembleia da República. Uma perfeita trafulhice, em que os interesses partidários se sobrepõem aos interesses da democracia.
Numa das incumbências prioritárias do Estado, na alínea d) do art.º 81.º, diz a Constituição:
- “ Orientar o desenvolvimento económico e social no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões e eliminar progressivamente as diferenças económicas e sociais entre a cidade e o campo”.
Bom, então, esta é de um homem se mandar para o chão a rir. O que foi promovido, ao longo destes anos, foi a igualdade, trazendo os portugueses que viviam no interior, para a zona litoral. Mera demagogia. Claro que estes artigos, entre outros só necessitam de um aperfeiçoamento. Esta norma poderia ser, por exemplo:
“orientar o desenvolvimento económico e social no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões “urbanas” e eliminar progressivamente as diferenças económicas e sociais entre os que vivem no centro das cidades e nos subúrbios”.
Tão ridículos são estes normativos, carregados de uma ideologia política, completamente ultrapassada, que, logo a seguir, diz o art.º90 (objectivos dos planos)
- “Os planos de desenvolvimento económico e social têm por objectivo promover o crescimento económico, o desenvolvimento harmonioso e integrado de sectores e regiões, a justa repartição individual e regional do produto nacional, educativa e cultural, a defesa do mundo rural, a preservação do equilíbrio ecológico, a defesa do ambiente e a qualidade de vida do povo português”.
A defesa do mundo rural? Quem conheceu este país e quem o vê, sabe, perfeitamente, que para beneficiarmos das dávidas da União Europeia, cedemos em trocar, a agricultura pelas auto-estradas. Destruímos o nosso sector primário. Até fruta, Portugal, importa! Não estou a falar de “mangas” e “papaias”. Estou a falar de maçãs, peras…
Lendo estas pequenas partes da Constituição, ficamos com uma ideia, da continuidade de chorrilho de asneiras que se seguem, do art.º 93.º e seguintes, da CRP.
Deixando a agricultura, se dermos uma leitura pelo artigo que nos fala dos círculos eleitorais, temos:
-“ OS Deputados são eleitos por círculos eleitorais geograficamente definidos na lei, a qual pode determinar a existência de círculos plurinominais e uninominais (…)”. Onde é que estão os círculos uninominais? Tem sido letra morta…porque não interessará aos partidos? Porque, colocar-se-á a questão de um qualquer cidadão se auto - candidatar? Ou teria que obrigatoriamente estar adstrito a um partido? Será que a questão se coloca entre as regiões povoadas de Portugal e as regiões desertas? Agora, fez-me lembrar aquela do “Alcochete Jamais”. Quem é que conhece os senhores deputados que ajudou a eleger? Quem conhece, os que vem no final de uma lista partidária e que sobem à Assembleia, depois de todos aqueles que vão para o governo, direcções gerais, administrações dos bancos, Institutos Públicos, etc? Pois, é nesta rapaziada, neste sistema que temos vindo a ser cúmplices, ao alimentar esta, doente, democracia e aceitarmos, de mão beijada, as promessas que os políticos vão debitando nas eleições e antes delas, naquilo que eventualmente, o nosso egoísmo, almeja, para mais tarde, ficarmos surpreendidos, porque nada disso eles podem dar.
Não podem dar mais empregos, não podem dar menos impostos, não podem dar mais saúde, não podem dar melhor qualidade de vida, não podem dar mais e melhor educação, não podem dar melhores reformas, não podem dar, porra nenhuma, porque levaram este país para uma situação de banca rota. Mas, mais grave do que isso, sem planos. Sem uma economia onde Portugal possa crescer.
Indo um pouco mais além, se nos debruçarmos pelas reservas legislativas, absoluta e relativas, da Assembleia da República, verificamos que ao inicio de todos os mandatos, os governos apresentam autorizações legislativas, sobre as matérias de competência relativa da Assembleia, legislando a seu belo prazer. Quando legislam… Quando não chegam ao fim do mandato com uma série de autorizações legislativas que vão depois para o caixote do lixo. Bom, se assim é, porque é que estas competências, não são, de todo, logo dadas aos governos? Penso que deverá ser para justificar a supremacia aparente da Assembleia, no jogo aparente de democracia, cuja maioria apoia sempre o governo, logo, vivemos uma farsa de um sistema político onde o povo é representado pelo governo em vez de ser representado pela Assembleia. E quem é que monitoriza estas situações? Ninguém! A Assembleia da República é um forrobodó completo, onde os senhores deputados vão fazendo pela sua vida e pela do partido.
Deixando aqui esta pequena resenha sobre a Constituição da República, não há dúvida, que chegamos, todos, à conclusão que esta só precisa de um aperfeiçoamento.

“Consilium malum consultori pessimum.” Uma decisão errada é péssima para quem a tomou. ■Quem mal lavra, pouco ceifa.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

DEPOIS DESTA DEMOCRACIA, VAMOS TER UM REGIME FEUDAL





Ainda agora começou, e já estou a ficar cansado, das medidas de folclore que este governo tem vindo a debitar, diariamente.
Começou com a fantochada de dar o exemplo da mudança de bilhetes de avião, para Bruxelas. A última foi o não usar gravata no Ministério da Agricultura, para poupar no ar condicionado.
Mas, antes de tudo isto, foi a poupança em dois ou três ministros, na formação do governo. Mas depois, nomearam-se uma carrada de cavalheiros para vigiar os ministros, como se fossem miúdos na escola, onde o contínuo, perdão, o “técnico auxiliar de acção educativa”, está a controlar as asneiras dos putos.
Só se tem falado de emagrecer o estado. Isto, mais parece um médico nutricionista que diz o que se deve comer, e que faz bem, e o que não se deve comer, porque faz mal.
Até que é dada uma decisão, daquelas que não perdoam…temos de emagrecer? Então,” vamos fechar a boca”. Foi o que aconteceu com o 13.º mês, vulgo subsídio de Natal. Sinceramente, para tomar medidas destas, um tipo não precisa de ninguém especializado em nutrição. Como não tem dinheiro, não come. Está resolvido!
Ainda não percebi, é quando é que são alterados os contratos das parcerias, público -Privadas, em que o estado assumiu todo o risco nos negócios? Essas começaram com a “grande” negociação da “Lusopontes”, no tempo de Cavaco Silva e passaram, todos os governos, até ao momento.
É que a figura da “alteração das circunstâncias” parece que só funciona para o Zé pagode. Quantos milhares de milhões, o estado não emagrecia, revendo rapidamente estes contratos?
É que me chateia, solenemente, andar sem comer, obrigado a emagrecer o estado e continuar a ver as grandes gorduras, alojadas nas barrigas do sistema.
Depois, ainda não satisfeitos com esta brincadeira, ainda se estão a preparar para vender o “lombo” das empresas detidas pelo estado, só para se encaixar dinheiro. Resolve-se o problema de imediato, mas continua o problema para o futuro. Vejam-se, as centenas de empresas vendidas, ao longo destes anos…qual foi o resultado? Mais dinheiro para gastar de forma descontrolada. Mas, agora vai ser diferente, com as poupanças no ar condicionado, nos bilhetes de avião e nas palermices que este governo continua a debitar todos os dias, pela boca fora, que ainda fazem eco, nalguns jornalistas, de independência duvidosa, a “mudança do país” vai permitir que este continue à deriva.
Qualquer dia, de tanto se “privatizar”, para resolver os problemas do país, para se continuar a engrossar as vantagens que a Alemanha e outros fiadores dos empréstimos, têm, ainda voltaremos ao sistema feudal. As estradas e caminhos de Portugal serão privatizados e sempre que alguém quiser, atravessar o território terá de pagar
“portagem”.
Porque vassalagem já nós prestamos! Até agora, as únicas medidas que vi tomar, não foram para emagrecer o estado. Foram para pagar, a sua
“gula”.
Quem vai emagrecer é o povo português e todos os outros “Pigs” da Europa. Para estes só lhes vai restar, no futuro, comer farelo.
Já estou, como disse uma advogado, grego, quando foi entrevistado, num programa de televisão:
-“Tanto se me faz estar no Euro ou fora dele. Não vejo vantagem em estar no Euro.”
Uma vez mais, tiro o chapéu aos ingleses. São europeus, receberam subsídios, porque são europeus, mas mandaram o euro dar uma volta pela Europa.
Nós andámos a trocar a nossa economia produtiva, por dinheiro fácil.
É o que dá não trabalhar! E o resultado está à vista.

“Luat in corpore qui non habet in aere.” [Maloux 401] Pague com o corpo quem não tem em dinheiro.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

AIR COOL


Este governo tem, neste pequeno período de governação, surpreendido os portugueses. Desde as poupanças dos bilhetes de avião de 1.ª classe para 2.ª classe, à última medida, tomada no Ministério da Agricultura, de dispensar os funcionários de irem trabalhar de gravata, no período do verão, para poupar energia no ar condicionado. É uma medida muito original…aliás, não percebo, é porque os funcionários do Ministério da Agricultura, têm necessidade de gravata, para andarem pelos campos. Ou não andam? Se andam, a próxima medida deste ministério, para poupar o consumo de gasolina e gasóleo, vai ser equipar a frota automóvel com carros descapotáveis, de modo a reduzir o consumo de combustível, deixando os carros de ter o ar condicionado a funcionar.
O problema maior, vai ser para as senhoras engenheiras e doutoras, que vão querer um subsídio para o cabeleireiro, pois não podem chegar aos agricultores, todas despenteadas. Até lá, e porque estamos no verão e é necessário fazer dieta, a alimentação dos funcionários do Ministério da Agricultura, será na base de hortaliças e saladas, pois o metabolismo basal será menor, reduzindo, deste modo, a produção de calor. E a Ministra tem experiência nesta área, pois, já fez várias dietas de saladas, portanto, bastante conhecedora deste sector.
E quando acabar o verão? Já estou a ver a solução do Ministério…todos os trabalhadores terão de ir trabalhar de casaco comprido ou de sobretudo. Na eventualidade de o frio apertar muito, serão, também, obrigados a trabalhar de luvas de pele de carneiro, forradas a lã, de modo que as mãos não gelem, quando os mesmos estiverem nos seus gabinetes, a teclar no facebook ou noutra rede social.
Já os engenheiros silvicultores serão obrigados a recolher a caruma e as pinhas, para queimar nas fogueiras, a fazer nos gabinetes.
Portanto, além da poupança, vamos passar a ter os pinhais e matas limpas. Logo, no ano seguinte, o número de fogos irá diminuir, drasticamente.
Por último, a economia chinesa vai ter um revés, pois vão deixar de se vender tantas gravatas, no Tie Rack.
Com esta política de poupança, nem a Moody`s se vai atrever a duvidar das medidas que este governo está a tomar, para reduzir a despesa pública.

“Fac ne lingua tibi mentem praecurrat.” [Quílon / Rezende 1893] Cuida que tua língua não preceda teu pensamento. ■Falar sem pensar é atirar sem apontar. ■Em boca fechada não entra mosca.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

SOMOS DIFERENTES POR NATUREZA


Não é fácil, elas admitirem estas situações.



Elas detestam a sogra, o sogro, os amigos deles, mas impingem-nos os delas. Acham que nunca arrumamos a casa e mal pegamos na vassoura, mandam-nos embora porque acham que nós não sabemos fazer as coisas.
Se perguntamos onde querem ir jantar ou passear, ficam chateadas porque gostariam de ser surpreendidas. Mas, se tomamos a iniciativa de as surpreender, é fundamental que acertemos na escolha, porque, caso contrário vamos ser acusados de só pensarmos em nós ou de termos algum “propósito” escondido pelo facto de termos escolhido aquele lugar. Poderia enumerar uma lista de múltiplas razões, para que elas justifiquem que nós somos difíceis. Só que elas não conseguem ver o quanto são chatinhas, não se dando conta do que nos massacram. Nós e elas somos diferentes por natureza.
Nas situações difíceis temos capacidade de racionalizar mais rapidamente do que elas, logo tomamos decisões de modo menos emotivo. Elas, pelo contrário, choram primeiro e racionalizam, depois. Talvez por esta razão é vulgo dizer-se que elas são o sexo fraco e que nós, homens, somos insensíveis. Mas nem se trata de fraqueza, nem tão pouco de insensibilidade. (porque os homens também choram ou não?). São, sim, maneiras diferentes de processar a informação.
Homens e mulheres são diferentes na sua natureza. Elas preferem resolver os seus problemas a falar, enquanto nós, preferimos o isolamento, para pensar e resolver as nossas crises existenciais, sozinhos.
Normalmente, nestas alturas, sucedem-se as rupturas. Elas querem falar e nós só queremos estar sós, nem que sejam umas horas. Elas pensam que nos isolamos, porque já não gostamos delas. Por outro lado, nós pensamos que elas não nos compreendem e que só pensam nelas, quando no fundo, ambos, queremos a mesma coisa…resolver os problemas que nos apoquentam. Que nos deixem pensar, arejar a cabeça, porque, normalmente, quando voltamos até falamos com elas e até lhes pedimos conselhos.
Entretanto, elas, podem aproveitar para falar com a mana, com a mamã, com uma amiga do peito…em suma,deixem-nos ser homens e aprendam a ser mulheres.

"Mulierem ornat silentium." [Sófocles / Erasmo, Adagia 4.1.97] O silêncio é o ornamento da mulher.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

TUDO É LOUCURA…

A vida vai-nos surpreendendo, a cada dia que passa.

São várias as emoções que vamos tendo, ao longo da vida. Saboreamos a felicidade, quando temos oportunidade de sabermos que estamos perante a mesma. Mas, tantas e tantas vezes, estamos felizes e não valorizamos esses momentos, porque de modo egoísta, pensamos que é um direito próprio e, portanto, uma fonte inesgotável, a felicidade. Mas, ao longo da vida, as preocupações também são uma realidade, que julgamos não merecer, até porque pensamos, indevidamente, que nada contribuímos para as mesmas. De facto, não é assim. A nossa conduta, na maioria das situações, leva-nos a saborear a parte amarga da vida, das contrariedades com que nos defrontamos, porque não somos racionalmente analistas e, a maioria das vezes, somos lentos nas decisões, que de um modo mais determinado, deveríamos tomar, atempadamente.
Já bastam, na vida de cada um de nós, as vicissitudes que a mesma tem, na sua génese. A dor física, a angústia, o sofrimento dentro da família, a dor dos amigos que partem, antes de nós, a dor que sofrem os amigos, a maioria delas, sem que possamos remediar as situações, por, as mesmas, estarem fora do nosso alcance.
Mas, do mesmo modo que gostamos de apreciar o afecto que nos podem dedicar, não só quando estamos enfraquecidos, mas sempre que estamos receptivos, é bom não esquecer os outros que estão na nossa vida. Não devemos ser egoístas. Muito menos, egocêntricos!
De tal modo egocêntricos que somos capazes de adaptar o nosso modo de vida, procurando o nosso bem, no mal dos outros. Há sempre um dia, que quem pensa assim, fica surpreendido… porque, há sempre um dia, em que, quem é alvo das atitudes egocêntricas, diz não.
E quem é egocêntrico, não pode justificar as suas atitudes perante a vida e os outros, invocando argumentos de doença. Porque, se assim fosse, em função das nossas atitudes, ao longo da vida, todos nós ou éramos doentes ou tínhamos períodos repetidos de crises.
Encontrávamos, sempre, uma razão de doença, para justificar os nossos actos, classificando-nos como inimputáveis, perante as maiores atitudes irracionais ou racionais, mas carregadas de indiferença, de ódio, de egocentrismo, perante o nosso semelhante.
Quem tem estas atitudes, começa por não se sentir bem, dentro do próprio fato com que veio, vestido, ao mundo.
Quem passa a vida, a viver à custa dos outros, seja sentimentalmente, seja materialmente, há um dia que acaba por se auto destruir.
Não acredito que estejamos a viver um período, na evolução da sociedade, em que todos sejamos doentes, logo inimputáveis, para termos atitudes egocêntricas, egoístas, de indiferença, de ódio, com que pautamos a nossa vida, pela exploração dos sentimentos, dos que estão à nossa volta.
Porque se assim for, então, cada um de nós, terá de se afastar deste tipo de pessoas, porque não nos dão nada em troca. Afinal, acabamos por ser, nós próprios, a contribuir para a nossa infelicidade.
Ninguém se deve culpabilizar pelas atitudes dos outros, mas é fundamental, racionalizar e, atempadamente, decidir, para que possamos ter momentos de felicidade. E ela não é inesgotável. Aproveitem-na!


“Multa eveniunt homini quae vult quae nevult”. [Plauto, Trinummus 323] Ao homem acontecem muitas coisas que ele quer e que ele não quer.

sábado, 2 de julho de 2011

SUPLICIO DE TÂNTALO

Não sei quem é que acreditou que a política, a que estamos habituados, iria mudar. Não faltam os que, na oposição ou em campanha, falem da necessidade de uma política da verdade. Da necessidade de uma política de transparência.
Afinal, todos nós temos a consciência que tudo isto são verdades da treta e que não passam disso mesmo. Fazem-se programas de governo com toda uma série de medidas programáticas que não são mais do que isso. Em simultâneo vão-se lançando umas dicas para a comunicação social que não passam do mais saloio populismo.
A primeira começou com a redução do número de ministros. Conversa para tolos, como se fossem dois ou três ordenados que levassem o país à falência ou gerassem alguma poupança.
Não contentes, com esta saloiice, vem a história de mudar bilhetes de avião de 1.ªclasse para 2.ª classe, quando estes nem são pagos e as viagens dos ministeriáveis são suportadas pela TAP.
No dia 1 de Abril, dia das mentiras, veio o Pedro dizer que não havia cortes nos subsídios. Agora, não querendo falar do passado, porque esse foi avaliado nas eleições, vem a grande medida do corte de 50% do subsídio de natal, porque a derrapagem na execução orçamental, do primeiro trimestre, foi notória. Foi no dia 1 de Abril, por mero acaso, porque era mentira, mesmo que não fosse o primeiro de Abril.
Tomo a liberdade de recordar que para muitos responsáveis de empresas públicas, deputados, etc., já em Junho de 2010, tinha havido um corte de 5%, para beneficiar os orçamentos. Pergunto eu, quais orçamentos? Mesmo aquelas que apresentam resultados operacionais positivos? Essa foi mais uma medida popular, esta socialista, que não deu resultado nenhum visível, porque não haverá, de certeza, hoje, ninguém que a saiba quantificar.
Mas, não se ficou por aqui. Em Janeiro de 2011, entrou em funcionamento, mais um corte salarial, até 10%, para vencimentos da administração pública directa, indirecta do Estado e empresas públicas, de vencimentos superiores a 1.500 euros/mensais. Sobre estas últimas, pergunto eu, se existe, também, alguma avaliação dos seus efeitos práticos? Existe? Todos estes cortes, nos salários, não ficam dentro das empresas? Claro que ficam. Uma vez mais, foi o populismo a funcionar. Poderia ter alguma lógica, se estes cortes salariais fossem prevenir transferências do orçamento de Estado, para as empresas…e há transferências do orçamento de Estado para as empresas que apresentam resultados operacionais positivos? Claro que não. Foi mais uma lei cega e populista!
Finalmente, vem uma medida que vai entrar em funcionamento e que vai afundar mais os bolsos, de quem, já era alvo das medidas anteriores, com um corte de 50% no subsídio de Natal. O tal que não seria mexido, no passado dia 1 de Abril.
Tudo o que se tem vindo a passar, já eu tinha escrito no meu espaço de revolta e reflexão, o meu blogue…A Torto e a Direito.
Tenho pena de não saber trabalhar com o Tarot…não me faltaria clientes. Mas, não é por causa do Tarot que os prognósticos bateram certo…basta não se ser estúpido.
Quem é que acredita em toda a conversa de treta do programa do XIX governo constitucional sobre o desenvolvimento da economia e a criação de emprego? Não me parece que algum português acredite nisso.
Vamos ter nos próximos quatro anos, mais desemprego, mais recessão. O desemprego, em face deste panorama, vai chegar bem perto de um milhão. Sim um milhão. Estamos a falar de 20% da população activa. Nessa altura não deixará de haver iluminados que venham dizer que mesmo assim é mais baixo que Espanha. Tenham dó…
Estamos numa fase do capitalismo “tântalo”. Para quem não conhece a história, Tântalo foi um dos poucos mortais convidados a participar nos banquetes dos deuses. Aborrecidos com este por toda uma série de indiscrições e por ter servido o filho como aperitivo antes do jantar, os deuses do Olimpo castigaram-no através do mais terrível dos suplícios: permanecer eternamente com água pelo pescoço, sendo que de cada vez que tentasse beber, a água recuava. Sempre que tivesse fome, os ramos carregados de fruta, afastar-se-iam. O suplício de Tântalo não era o de passar fome ou sede, mas sim o de sentir desejo de comer e beber e não poder fazê-lo.
Esta crise veio revelar um dos mecanismos que, ainda que não estivesse completamente oculto, permanecia de algum modo encoberto: a necessidade de exercer um acto de consumo involuntário. Este foi o consumismo irresponsável pelo qual atravessámos desde 1995 e que teve o seu apogeu no governo de Guterres. Só que hoje, perante esta calamidade, pode ser um acto de solidariedade, consumir. De nada servirá, mas pelo menos as águas poder-se-ão mover. Só que nem isso vamos poder fazer, porque o programa de solidariedade do governo actual é só para quem tem rendimentos de trabalho inferiores a 485 euros. Como para estes o dinheiro não chega para consumir, os que ganham mais do que isso, com os cortes salariais, mais o aumento dos impostos, da água, da electricidade, da restauração com o IVA a 23% (se este ficar por aqui, o que não me parece), IMI/IMT, etc., não irá haver consumo e a celebre frase de José Montilla, presidente do Governo da Catalunha, “Aqueles que trabalham devem consumir no imediato para que o vizinho ou o filho possam conservar o seu trabalho”, não vai ser possível. A economia deste país é um suplício de Tântalo!
Nos próximos 4 anos, o povo português, não vai ter mais nada, senão o aumento dos impostos sobre os rendimentos de trabalho e do consumo, a recessão vai-se instalar, com a consequência de termos, bem perto de um milhão de portugueses desempregados, com a miséria a bater à porta da esmagadora maioria dos portugueses.
Nem estes tipos, que estão agora no governo, são capazes de dizer esta verdade. Todas as medidas programáticas só, daqui a 4 ou 5 anos, começam a fazer efeito. Até lá, estão comprometidas todas as gerações de portugueses, sem discriminação etária, porque todos vão amargar a incompetência de todos os governos que tem governado Portugal desde 1974.
E este não vai ser excepção, pelo produto exposto na montra. Dá para imaginar o que está dentro do armazém. Desde a primeira Assembleia da República que não se constatava um nível tão medíocre nos deputados do PSD. Se os líderes são estes, imagine-se os deputados de segunda e terceira linha.
De tudo o que aqui ficou escrito, perguntem ao Álvaro se não é verdade!

“Miserum est aliena vivere quadra.” [Rezende 3545] É triste viver do pão alheio.