sábado, 10 de setembro de 2011

IDEIAS POLÍTICAS…

Se fosse Ministro, pediria, a Deus, que não me desse ideias, nem ao calor da lareira, nem sentado na cagadeira. Porque ideias postas em prática, retiradas destes momentos de relaxe, normalmente, ou são madeira e terra queimada, ou borrada de certeza.
“Grandes alterações nas autarquias. Grandes poupanças!”
Vasculhando o jornal, que levamos para a retrete, ficamos surpreendidos…
Uma das grandes medidas é reduzir o número de Vereadores, nas Câmaras Municipais. Bom, na maioria das Câmaras, perto de 50% dos Vereadores não têm pelouros. O que significa que se limitam a ganhar a senha de presença nas reuniões do executivo camarário, que no máximo, se limitam a duas sessões por mês. Uma fortuna, como se pode calcular. Estão a ver o alcance desta medida em termos de poupança?
Logo a seguir, redução drástica dos “altos” cargos de chefia nas autarquias! Bom, então aqui, se nos descuidados, furamos o papel e borramos os dedos. A maioria das chefias, tem como vencimento, o que aufere como técnico superior… ou seja, o vencimento, que auferem, é igual, sendo chefe ou não, pois a maioria das chefias, Directores Municipais, Directores de Departamento e Chefes de Divisão, são técnicos, já, no topo de carreira (assessores, assessores principais). A não ser que se pense que estes lugares, serão ocupados, com acrescidas, responsabilidades civis e criminais, ao fim de cinco anos de serviço. A maioria deles tem 20, 25 ou 30 anos de serviço. O que significa, estarem, desde logo, no topo da carreira técnica superior, onde o vencimento, nalguns casos, é superior ao vencimento atribuída à função de chefia. (A maioria são chefes, por favor).
O que vai resultar nesta redução de chefias é a duplicação da recessão já existente. Se hoje um processo leva 100 dias a estar concluído, passará a levar 300 dias para se concluir. O entupimento de processos nas câmaras municipais vai ser pior que o entupimento de processos nos tribunais.
Depois, lendo um pouco mais as notícias, ainda ficamos espantados, quando o critério para a determinação do número de chefias é pelo número de habitantes. Deve ter sido o critério adoptado para encontrar o número de Ministros, para o Governo…
No pouco tempo que este governo tem, o número de decisões de “poupança,” para quem sabia tão bem, onde cortar as gorduras do Estado, é de pasmar. São borradas atrás de borradas. Se há quem diga…”volta Salazar, que estás perdoado”, agora, também se pode dizer…”volta Sócrates, que estás perdoado”. Para fazer estas borradas, podíamos ter ficado com o Sócrates. Por um lado, já estávamos habituados a ter um Primeiro-Ministro que aumentava impostos e que também mentia, a dizer que não, só que não estávamos, era habituados, a que existem ministros que fizessem tantas borradas, em simultâneo, demonstrando uma incompetência, total. É uma verdadeira diarreia de ideias…que demonstra o completo desconhecimento das realidades.
O mesmo se tem passado, em relação às empresas municipais. O senhor Presidente de Câmara, de Vila Nova de Gaia, tem sido o orientador espiritual destas ideias. Engraçado, é que foi ele, o useiro e vezeiro na criação de empresas, porque, as mesmas, tinham como objectivo, distribuir, pelos senhores vereadores, as administrações, nas mesmas, para que pudessem auferir um melhor salário, do que tinham como Vereadores, aparecendo, agora, como o campeão das fusões de empresas e na defesa do encerramento, das mesmas. Os critérios, até agora, conhecidos, são os critérios de uma mera propaganda jornalística, mas cujos resultados, são imprevisíveis, para deitar fumo sobre a escalada de assaltos, aos bolsos dos portugueses, com um aumento brutal da carga fiscal e da redução de salários.
O critério para a existência de empresas municipais, ou não, deve estar assente, unicamente, numa análise, em que se possa saber se o serviço prestado pelas mesmas, obedece a melhores índices de eficiência, eficácia e economia ou não, comparativamente, com o mesmo serviço, prestado, directamente, pelas autarquias.
Este governo está pejado de académicos e de “funcionários” do partido que nunca tiveram experiência, nem empresarial, nem autárquica. A experiência detida, ou é a de dar umas “lições”, na universidade, ou a fazer “baixa política”, dentro dos partidos, à procura de um lugar ao sol. (Quantos não terão telefonado aos papás, a dizer…” Paizinho, já sou Ministro”.)
Mas, meus amigos, não há solução. Este caos de governação, ora PS, ora PSD, é o resultado do regime político, que temos, resguardado por um guarda- chuva, que é a actual Constituição da República. A geração, actualmente no poder, e não é só em Portugal, como em outros países da Europa, é o resultado de uma juventude que nunca fez nada na vida, a não ser jogadas partidárias, para subirem na hierarquia dos partidos. Antes das “novas oportunidades”, este meio de vida já era uma oportunidade, para quem sempre quis andar de costas direitas. Só se dobram para fazer borradas…

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A MENINA DANÇA?

O Governo aprovou uma proposta de alteração ao regime jurídico do sector empresarial local.
A proposta de lei visa não só o regime de criação de empresas municipais, intermunicipais e metropolitanas, mas também o reforço dos poderes de monitorização da administração central sobre o sector público empresarial local.
Este modo de governar é, de facto, um folclore. Dia 25 de Agosto de 2011, o Conselho de Ministros, aprovou uma proposta de alteração ao regime jurídico do sector empresarial local.
Para o público, em geral, que vai vendo estas danças, pensará que o governo está a trabalhar bem, eventualmente, a cumprir o calendário político, imposto pela troika, de duas medidas por dia.
Mas, o prazo para resposta, pelas Câmaras Municipais, de um inquérito sobre as empresas do sector empresarial local, tinha, como prazo limite, o dia 30 de Agosto. Como é que se aprovou, uma alteração ao regime jurídico do sector empresarial local, se ninguém, no governo e arredores, sabe dançar esta música?
Logo, os “blogs” da maledicência, começam a vomitar, opiniões e considerações, sobre o assunto, tal como outros, iluminados, vão falando de economia ou de finanças, como se, nos dias de hoje, toda a gente fosse entendida na matéria.

Fala-se, que estão identificadas 288 empresas municipais. As empresas existem, ou não existem? Porque, se não estão constituídas e, os seus estatutos, não estão publicados, em Diário da República, é porque são “Sociedades Aparentes”. E não creio, que pelos modestos salários brutos que são pagos, a estes gestores, (que são inferiores à pensão de reforma de muitos educadores de infância e professores primários do antigo regime em vigor, no curso do Magistério Primário - antigo 5.º ano do Liceu e dois anos de didáctica A e B), alguém se arriscasse, a ser administrador de uma sociedade aparente. Se já não é fácil, com os vencimentos auferidos, que são sempre inferiores ao salário do Presidente de Câmara, que por sua vez, tem um salário inferior, a determinados funcionários do quadro das referidas Câmaras, em funções de chefia, que ainda são onerados com responsabilidades criminais e civis, como é que alguém se sujeitaria a gerir empresas aparentes? As responsabilidades criminais, são passíveis de serem pagas ou com o corpo ou com o dinheiro do seu salário, e as civis, com o seu salário e, eventualmente, na douta opinião do “julgador”, indo ao seu património pessoal e/ou de família. Ou, ambas as coisas! Pagas com o corpo e com o património.
Se for consultado o “sítio” do IPCA” – Centro de Investigação em Contabilidade e Fiscalidade - http://www.cicf.ipca.pt/pagesmith/26, desde 2008, que esta Instituição, com prestígio académico, tem vindo a classificar, em termos “Contabilísticos”, os Municípios, bem como as empresas municipais. E, os últimos dados, que são referentes ao ano económico de 2009, existem nesta Instituição, verificadas e analisadas, 281 empresas, municipais e intermunicipais.
Como é de deduzir, esta instituição, IPCA, não obtém dados de todas as empresas, pois solicita, os mesmos, às empresas ou realiza a consulta por internet (“sítio das empresas"), onde, devem estar divulgadas as contas das empresas, bem como os Orçamentos e Planos, das mesmas.
Agora, o Governo, se não consultou o Tribunal de Contas, que tem por lei, o dever de receber o Relatório de Contas e Actividades das empresas, aprovado e apreciado, pela Câmara e Assembleia Municipal, até 31 de Março, de cada ano, então, o problema, coloca-se entre os dois bailarinos. Por um lado as empresas que tem a obrigação de enviar ao Tribunal de Contas os seus relatórios, por outro, as próprias instituições fiscalizadoras. Mas, pessoalmente, já nada me surpreende, neste país.
Se o Ministro Miguel Relvas disse que é o “início de revolução tranquila”, eu diria de outro modo: “ é o início de uma confusão tranquila”, e já está demonstrado, pela oportunidade das consultas feitas aos Municípios, com prazos posteriores (30/8/2011), à data em que foram aprovadas alterações ao regime jurídico das empresas locais (25/8/2011).
Depois, aparecem notícias, que dizem: “Fonte oficial disse ao JN que, actualmente, estão identificadas 288 empresas municipais, intermunicipais e metropolitanas que integram o SEL, mas, para além deste número pecar por defeito, existem dados financeiros relativos a apenas 142 empresas”. Acabei de mencionar que o número de empresas analisadas pelo IPCA, Instituição independente, de investigação em Contabilidade e Fiscalidade, analisou 281 empresas do sector local. Ou seja, o dobro, das 142, que “fonte oficial disse”. Nem o governo está a trabalhar com serenidade, nem os jornais fazem notícias com seriedade.
“O diploma aperta o cerco às empresas municipais, cujo universo está ainda longe de ser conhecido”.
O cerco, ou melhor o circo, já está montado, vai para muito tempo. O governo nasceu coxo. E no meu tempo, quando se ia convidar uma senhora para dançar, e esta não estava interessada no convite, dizia: “desculpe, mas eu não danço”. A resposta de quem convidava, irritado com a recusa, era: “Desculpe, não sabia que a menina é coxa”.
Qualquer que seja o governo, tem de pensar primeiro e decidir depois! E não pode ser só, fazer “bonitos” financeiros, esquecendo-se de fazer política e economia.
Porque, se calhar, não será uma “revolução tranquila” e, muito menos “uma confusão tranquila”. Será, talvez, uma “confusão agitada”.

“Argumentum ad verecundiam.” [Rezende 410] Um apelo ao pudor, à consciência.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O Governo a jogar o SIMCITY

Isto está a ficar engraçado. O Governo diz que está a concretizar uma medida, por dia, do acordo com a troika. Ainda aparece, algum gajo inteligente, e diz que se tem que tomar uma medida por noite. Se as medidas por dia já saem caras, imaginem as medidas por noite.
A Troika, o défice, o não termos dinheiro para isto e para aquilo, não se resolve, salvo melhor opinião, com o aumento desenfreado da receita. Só é passível de resolver, cortando despesa.
E esta foi a promessa do actual primeiro-ministro. Até à data, não vislumbrei nenhuma medida que resultasse para uma poupança significativa. Onde é que estão essas medidas, que eram tão fáceis de implementar, quando o PSD estava na oposição?
Já não pergunto, onde é que estão as medidas para o país produzir mais riqueza, porque, a esta pergunta, nenhum académico, transformado em político, me vai responder.
Eu no intróito disse que o Governo iria implementar medidas de noite, porque, segundo os “media”, este tem de aplicar 75 novas medidas, em Setembro. Como Setembro só tem trinta dias, mesmo produzindo medidas de noite, não consegue atingir o objectivo.
Desde que o Governo tomou posse, que os “Faits divers” têm sido vários.
Os últimos foram, já depois do anunciado aumento do IVA, na energia eléctrica e gás natural, para 23%, que darão cerca de mais 100 milhões de receitas, o imposto sobre heranças e doações. Eu estou-me nas tintas. Não tenho nada para herdar e quando morrer, quem cá ficar, que pague os impostos. Mas, isto tudo, para arrecadar mais 100 milhões por ano?
Entretanto, vem a “grande” discussão de taxar as fortunas. Mas, quais fortunas? O pessoal que tem muito património em imóveis? Mas, esses já pagam impostos, pois o IMI é para todos. Ou não? É o pessoal detentor de bens móveis? Bom…os grandes grupos económicos tem essa brincadeira, em fundos, nos “offshores”. A máquina fiscal portuguesa consegue cobrar alguma coisa disto? Não me façam rir. São “faits divers”, para distrair o pessoal, para as medidas de mercearia, que este governo já anda a discutir, em termos de receitas, que não resolvem o problema de um milhão de desempregados que o país vai ter dentro em breve.
Portugal, dentro em pouco, e se fosse possível a todos os portugueses, passava a ser o jogo do “SIMCITY”. O Governo iria simulando as taxas e impostos, experimentando, até, que a população residente agarraria na sua sacola e mudava de cidade. Neste caso não é cidade, mas de país. Infelizmente, não é possível, e eles sabem-no bem, mas também pensam que podem andar a esticar a corda para além do limite, pensando que mesma não se parte. Porque quem não trabalha e não vive do seu ordenado, não lhe faz muita diferença, enquanto não lhes acabar a mama.
E então, vamos ter, encapotado na redução da despesa, mais medidas na saúde, em que os utentes vão passar a pagar mais taxas moderadoras e os contribuintes vão recuperar menos dinheiro através do IRS. Neste caso, as taxas moderadoras tem de deixar de ser moderadoras e devem passar a ter outro nome, talvez, taxa de serviços médicos e hospitalares. Como se isto não fosse ou que devesse ser pago, dos impostos, que já pagamos. As isenções fiscais, nesta área, depois, do contribuinte pagar impostos, pagar taxas, ainda vai pagar mais IRS. Para fazer isto não valia a pena ter havido eleições. Só valeu a pena as eleições, para mandar para Paris, o “Hugo Chavez da Covilhã” que estava completamente narcisado.
Vai daí, como o Estado não deve nada aos bombeiros do transporte de doentes, vai pôr a malta a pagar as ambulâncias.
A nível fiscal, os benefícios e incentivos fiscais vão ser todos congelados - alguns podem mesmo desaparecer. Vou ficar à espera de ver quais serão os benefícios fiscais de motivação ao investimento.
O IVA vai ter as suas taxas revistas. Só? A taxa mais elevada de 23% não vai passar para 25%? Então, como é que vão fazer, nesta altura do campeonato, para a redução da TSU? Deve ser a história da multiplicação dos pães, só que, desta vez, passam a ser laranjas.
Está, também, prevista a revisão do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI). Que é uma coisa, diga-se de passagem, que já é barata. Nem vai influenciar o precário mercado de arrendamento. Eu não sei, é se está previsto mais fundos comunitários, para a construção futura de novos bairros municipais, depois de se destruírem as barracas que vão começar a proliferar, novamente. Esperem lá por isso.
Os transportes públicos já foram aumentados e voltarão a ser em Janeiro. Como a medida ensaiada, na comunicação social, de taxar a entrada de automóveis nas cidades, não foi acolhida, junto do pessoal, e é uma área demasiado sensível, resolve-se com o aumento significativo do imposto sobre veículos. O fumar, também, vai sair mais caro. Ah, não se estejam a rir os que já andam a fumar cigarros de enrolar, porque as barbas de milho também vão ser taxadas. Era o que faltava…este governo no que à receita diz respeito, colheu nas melhores universidades, malta muito bem preparada e eventiva. Este Governo é o outro lado da moeda. E, não me parece que seja cara, mas sim, coroa! Não foi de lá que partiu o mote?
No imobiliário, o Executivo quer alterar a lei do arrendamento com a liberalização gradual das rendas antigas. Eu não disse? Este Governo é muito esperto. Agora, sobe as rendas e altera a lei, depois, o pessoal vai para as barracas…Isto tudo, para depois pedir, à UE, mais dinheiro para a construção de bairros sociais. Só que desta vez vai haver contenção, porque já está uma empresa Chinesa, em Angola, a fazer casas por trinta e cinco mil euros. Portanto, se vocês já estavam a esfregar as mãozitas, esqueçam, que essa massa vai ser mais um negócio trilateral – Portugal, Angola, China. É a globalização. Portanto, aguentem-se à bronca.
Na justiça, o objectivo é reduzir os processos pendentes nos tribunais, preparar a reforma da gestão dos tribunais e rever as custas judiciais. Ou seja…em primeiro lugar, reduz-se o prazo de prescrição e mandam-se processos para o caixote do lixo. Depois, porque a taxa de justiça, já é acessível ao comum dos portugueses, isto é, 102 euros (Unidade de Conta), para quem procura “justiça”, esta passará a ser mais cara. Não é nada, que um tipo que ganhe um pouco mais que o ordenado mínimo, não possa pagar. Ah, se não pode comer? Vai ao Banco Alimentar ou à Caritas. Se não paga a renda ou a prestação da casa? Rouba umas madeiras e constrói uma barraca debaixo de um dos viadutos de auto-estrada, e é coisa que não falta. Estão a ver que não se deve andar a dizer mal?
Os políticos quando governam estão sempre a pensar no povo. São do povo, representam o povo, vivem a pensar no povo e trabalham para o polvo.

"Mittere digitum in vulnere". ■Meter o dedo na ferida.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

HOSPITAL SOVIÉTICO GARCIA DA HORTA- ALMADA (PARTE II)

Da noite para o dia. Com pulseira verde, o idoso que ontem esperou, mais dois utentes, no Hospital Garcia da Horta, em Almada, chegou ao Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, às 16 horas.
Cinco minutos depois, a triagem verificou se o mesmo era diabético. Procurou identificar se tinha febre. Foi verificada a pressão arterial.
Cinco minutos decorridos, e estava a ser chamado ao Balcão onde lhe foi efectuado um ECG. Foi também auscultado. Todo este desempenho, realizado por uma médica, já com os seus cinquenta anos. Não por estagiários.
Foi colhido sangue para análises. Aguarda neste momento, 17 horas, que seja chamado para realizar um RX às pernas. Última hora…são 17 horas e 15 m e o RX já foi realizado. Aguarda neste momento os resultados.
Parabéns ao Hospital S. Francisco Xavier, pela organização do seu serviço.
Tudo isto, nada tem a ver com pulseiras verdes ou amarelas. Tem a ver com capacidade de gestão, onde se procura a eficiência e a eficácia, além do mais, porque se trata de um idoso com 83 anos de idade.
É esta a diferença de um bom serviço público, contrapondo com o Hospital Garcia Horta que presta um mau serviço público. Afinal não é tudo mau…pois não. É uma questão de atitude!
Ainda bem que o meu Hospital é o S. Francisco Xavier. Mas tenho pena dos cidadãos da outra banda que têm de gramar com um Hospital, como o Garcia da Horta. E eu não percebo nada de gestão na área da saúde! Mas, não é preciso para ver a diferença.
Bem-haja, aos gestores e colaboradores do Hospital S. Francisco Xavier.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

HOSPITAL SOVIÉTICO GARCIA DA HORTA -ALMADA

Não sei se é por acaso, se é por incompetência dos gestores, se é a capacidade de gestão, marxista-leninista, do Hospital Garcia da Horta, em Almada, que é um perfeito inferno para os utentes.
Ainda hoje, entrou um utente, com 83 anos de idade, com Alzheimer e sem capacidade de locomoção. Esta falta de capacidade de locomoção, sugeriu, ontem. O idoso vai acompanhado de um familiar. Este teve de pagar do seu bolso a ambulância que permitiu o idoso chegar ao Hospital.
É um inicio de história que dá para adormecer para quem espera e desespera, para saber o que se passa com a saúde do idoso.
Chega a ambulância às 13 horas. Como existiam duas macas, já em espera, só decorridos 45 minutos é que o idoso foi apresentado para triagem. Bom, parece que a mesma é feita por um enfermeiro. Que foi anotando o que o acompanhante relatava. Nada mais. Bom, neste caso, poderia ser um padeiro, porque era igual ao litro.
Foi atribuída a pulseira verde. Mas, qual é o enfermeiro estagiário que diagnostica o estado de saúde de um idoso, que não diz coisa com coisa? Se for acompanhado por alguém que consiga sintetizar a situação, talvez. Imaginemos que é alguém, menos esclarecido e com mais falta de conhecimentos, como é que essa síntese seria realizada? Como seria avaliada pelo “padeiro” vestido de branco, a situação? Bom… é de gritar aos céus …decorridas cinco horas, nem sinais de atendimento. Parece, dizem as más-línguas, que o Hospital Garcia da Horta, para captar mais umas massas, tem as portas abertas a estagiários e não recruta profissionais qualificados em número suficiente, logo, o seu número é limitado. Por outro lado, por influências maoistas, gosta de investir em medicinas alternativas. Quem espetasse umas agulhas, no cú desta malta, era pouco.
Ficam duas pessoas, o idoso e o acompanhante, à espera, já vai para cinco horas. Parece, dizem, porque informações também não há, que decorridas 7 horas, será visto por um “médico”, eventualmente estagiário. Ou então, a consulta será feita, nesta altura, por um enfermeiro, já que a triagem foi feita por um padeiro.
Desde as 13 horas e decorridas cinco horas, nem o idoso come nem bebe, nem o acompanhante.
Bom… um idoso é recepcionado num Hospital como se tivesse uma constipação. Só existem, na recepção, duas máquinas de “vending”, uma para café e outra para sandes. São necessárias moedas. Bom… a da sandes está vazia e a da água, Coca-Cola, são necessárias moedas para se obter uma garrafa de água. O acompanhante, para não deixar sozinho o idoso, procurou, junto do “Guiché das Taxas”, que lhe trocassem cinco euros, para comprar a garrafa de água. Resposta da funcionária, também marxista ou no mínimo “casca grossa”, disse que se a pessoa quisesse trocar os cincos euros que fosse ao café/loja que fica a cerca de mil metros do local da recepção. Bom, o acompanhante, em face, da recusa, propôs que a funcionária tomasse conta do idoso, enquanto iria trocar os cinco euros. Claro que a funcionária, zelosa do seu dever, e que já beneficiou de formação, dada nas novas “oportunidades”, virou as costas ao interlocutor. Esta matéria não foi dada no curso…educação, humildade e consideração perante quem se encontra fragilizado. Só lhe ensinaram que lidar com a malta da ferrugem era à bruta e com maus modos.
Se é necessário sete horas, na recepção de um Hospital, para ser atendido, pensa-se que será por um médico, quantas horas mais serão necessárias, depois, para concluir exames médicos e saber do prognóstico? Uma pouca-vergonha. Os liberais querem sacar a massa ao pessoal, porque nos dizem que privatizando a saúde está tudo resolvido. Os de esquerda querem este tipo de medicina, em que o atendimento, no seu geral, é péssimo e a triagem de doentes é feita por padeiros, como se o doente que se apresenta num Hospital fosse massa para pão. País de merda…E ninguém dá um chuto nesta malta.
Depois, admiramo-nos dos imensos relatos de famílias que deixam os idosos à porta do Hospital ou quando são internados, já ninguém os “levanta”. Digo, levanta, porque este é o termo que se coaduna com um atendimento, sem um mínimo de eficiência e eficácia, de doentes idosos, no Hospital Garcia da Horta.
Com toda a certeza irei concluir este relato…que não prestigia nem Garcia da Horta, nem os bons profissionais abnegados, que existirão, também, nesta Instituição.
Última hora…decorridas seis horas de espera e existindo só dois utentes com pulseira verde, ainda nenhum deles foi chamado, porque não estão a chamar utentes com pulseira verde…não há um padeiro que possa dar uso a esta massa? Quem faz triagem, deve ter competências, também, para dar andamento a um doente que foi catalogado de verde e se encontra em espera vai para seis horas. Eu se morasse daquele lado, já tinha feito alguma coisa…obrigava os administradores do Hospital a fazer um leasing novo! No mínimo...

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Fala-se muito. Faz-se pouco!

De tal modo se fala, que eu já me chateio de falar. Ultimamente, remeto-me, na maior parte das vezes, ao silêncio. Não é por falta de razões e motivos para não falar mas, tenho preferido utilizar a força das mandíbulas para mastigar e ruminar, o que penso e não digo.
Mas, hoje, apeteceu-me, novamente falar. Falar desta merda de país, onde este povo faz de conta que nada acontece. Até parece que tem um futuro próspero, onde continuará a abundar as facilidades que nos tentaram incutir nestes últimos anos de democracia.
Facilidades na escola, que se traduz numa passagem de analfabetismo para uma outra categoria, a iliteracia. A aprendizagem é feita de conversa de café, das notícias dos jornais e televisão. Facilitismo, conjugado com ausência de autoridade. E se mesmo assim, não se consegue concluir o ensino secundário, aposta-se nas novas “oportunidades” e mascaramos a situação. Uma bandalheira!
Facilidades para se passarem férias no Brasil ou nas Caraíbas, recorrendo ao crédito, ao consumo. Facilidades em obter créditos para trocar de mobília ou para trocar de automóvel.
Esta foi a animação da política, dos últimos quinze anos, deste país. A paixão pela “educação” e a revitalização de uma economia, baseada no consumo desenfreado. Estas foram as grandes orientações, destes últimos governos. Com tantos ilustres professores, doutores e engenheiros, nenhum ainda apresentou, a este país, a solução de criar riqueza para se redistribuir, de modo que possamos viver, de acordo com as nossas posses.
Vimos assistindo, a um “ilustre” professor, de economia, ao soltar de frases, mais que gastas, sobre as apostas a fazer neste país. A última foi o “turismo de qualidade”. Não sei o que isto é. Se calhar são novos empreendimentos em Boliqueime e arredores. É que não faço a mínima ideia. Ou, à necessidade de revitalizar a agricultura. Será o aproveitamento dos espaços verdes, junto das auto - estradas, para semear as couves portuguesas? De facto, não sei o que será… O que sei é que temos andado a viver de banalidades políticas que só se têm traduzido numa confusão de palavreado. Grandes “caixas altas” nos jornais, com notícias que não valem rigorosamente, nada.
Agora, aquilo que sei é que os impostos vão aumentando, que a inflação vai consumindo o que resta, do rendimento líquido de cada português, e que mais nada se vislumbra no horizonte, deste país.
Existe algum plano estratégico, sobre as diversas matérias, importantes, para o desenvolvimento e bem -estar dos portugueses, nos próximos vinte anos? É claro que não. Vamos deixar o andamento deste país à iniciativa privada. Eles resolvem tudo!
Eles vão resolver o caos a que chegou o ensino, eles vão resolver o caos em que está a justiça. Ah! Eles vão resolver o problema em que está a segurança social.
É fácil…vende-se o Hospital de Santa Maria, à iniciativa privada, por 40 milhões. Vende-se a cidade universitária de Lisboa, incluindo a reitoria, à iniciativa privada, por mais 40 milhões.
Na justiça, podem-se fazer lotes de tribunais e vende-se cada lote por 40 milhões. O pessoal a mais? Também não é problema…o Estado português assume os encargos de mandar essa rapaziada para a “agricultura” ou fazer “turismo”. Não há compradores? Enganam-se! O Kwanza pode não valer nada, mas eles tem dólares, não se preocupem.
E como é que vai ser depois? Fácil…nunca ouviram, aquela, do “utilizador, pagador”? Ah, se vamos ter de continuar a pagar impostos? Claro, temos que manter os políticos a governarem-se nas privatizações. Ora essa!
Ao tempo que andava a ruminar, que tive que falar. Por mim, vou continuar a pensar nas baboseiras que se vão dizendo por aí, nos jornais, na televisão e noutros meios de propaganda, de um Estado desestabilizador, que é o nosso, no presente momento, para poder justificar a merda da “troika” e duma governação assente em roubar os seus cidadãos. Mas, esta é a consequência de um povo que não quer trabalhar e entrega os seus destinos, a um Estado constituído por “jotas”, que finalmente, assumiram o poder.
Fala-se muito. Faz-se pouco!

“Modicum fermentum totam massam corrumpit”. [Vulgata, 1Coríntios 5.6; Gálatas 5.9] Um pouco de fermento corrompe toda a massa.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

DA GERAÇÃO À RASCA, À GERAÇÃO DO DESENRASCA

Da geração à rasca, estamos a andar, estonteadamente, a caminho da geração do desenrasca.
Começa logo, pelo Governo da República que se tem de desenrascar, para resolver o problema financeiro grave com que nos debatemos. E então, vêm as soluções do desenrasca. Aumentam-se os transportes públicos, não deixando de ficar escondido gato com o rabo de fora, na preparação de possíveis privatizações. Só que estas privatizações que se têm vindo a fazer, não sendo eu, contra as mesmas, têm sido feitas à custa do cidadão português, em benefício de meia dúzia de marmanjos. Por mero acaso, os mesmos de sempre. Se alguém tiver opinião diferente que mencione um único caso de privatização que tenha trazido benefícios ao mercado.
Este meu pensamento vem ao encontro de duas notícias, vindas a público, recentemente. A primeira, a privatização possível, da única linha de transporte ferroviário de passageiros…a linha de Cascais.
A outra notícia é que o Álvaro estaria a estudar a possibilidade de taxar a entrada de automóveis, nas grandes cidades. Não sei o que é que o Álvaro considera de grandes cidades. Quando me ponho a olhar para a região metropolitana de Lisboa, fico um pouco confuso. É óbvio, que se os transportes públicos aumentaram, entre quinze, a vinte e cinco por cento, só se consegue que esta medida seja sustentável, taxando a rapaziada que se deslocar em automóvel, para as tais grandes cidades. Senão, teríamos o pessoal a mandar os transportes públicos, que depois serão para privatizar, às urtigas. A isto, eu chamo a geração do desenrasca! Esperteza saloia, encapotada de ciência académica.
Todas estas ideias geniais têm por base algum plano? Qual a verdadeira estratégia? Ela existe? Creio que uma vez mais, o povo português é confrontado com soluções de desenrasca e não com soluções que possam contribuir, por um lado, à resolução do problema financeiro, mas que possa estar subjacente uma estratégia que leve o país ao crescimento económico. Até agora, o que tenho visto de medidas anunciadas é o estrangulamento da economia.
Está estudada qual a poupança em combustíveis fósseis que iremos obter com estas medidas? Qual a redução na importação de petróleo bruto e os benefícios que aportará em termos económicos e da balança de pagamentos? Qual a redução de CO2 que está previsto? Já estou a ver Portugal a vender quota disponível de CO2 à China.
Para quando a revisão dos contratos das parcerias público – privadas? Será que um dia que tenhamos de construir uma terceira via, sobre o Tejo, em Lisboa, vamos continuar a pagar ao consórcio Lusoponte?
Para quando a criação de mais Tribunais do Comércio, por exemplo, que possam responder em tempo útil aos problemas das sociedades comerciais? Com a situação existente, quem é que vem investir em Portugal? Não haverá falta de Tribunais especializados, por todo o país?
Para quando a imposição de que as grandes companhias sejam impedidas de encher os tribunais com acções para cobrar aos devedores de contas de telemóveis, valores de cem euros ou de duzentos euros? Porque é que, os portugueses, na sua totalidade, terão de estar a subsidiar a actividade económica, das grandes empresas que dão crédito, de modo descontrolado, a toda a gente, permitindo, que num país como Portugal, com dez milhões de habitantes, dois milhões que não têm dinheiro para comer, existam quinze milhões de telemóveis?
Será que resolvendo o problema da justiça em Portugal, o PIB, não cresceria perto de dez por cento? Quais taxas e mais taxas…por favor, deixem de andar no desenrasca e planifiquem um pouco o que será o nosso país, daqui a 20 anos! Se, não tiverem ministros para isso, façam um “outsourcing”, porque existem muitos privados que são capazes de fazer esse plano. Só que têm de ter cuidado, a fazer o contrato, e não ponham os gajos, a cobrar, comissões, durante vinte anos ou trinta. Senão, ficamos outra vez enrascados!
Compreendo que este governo está na mesma situação de quem tem uma gastroenterite…está com as calças na mão…mas, por favor, não continuem a fazer de nós, otários!

“Malitia, ut peior veniat, se simulat bonam.” [Publílio Siro] A maldade, para se tornar pior, se mascara de bondade.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A CONSTITUIÇÃO SÓ PRECISA QUE LHE PUXEM O LUSTRE - APERFEIÇOAMENTOS

Para quê, insistir, em manter uma Constituição da República, que ao longo dos anos, tem sido tábua rasa, dos políticos?
Logo, no seu número 5 do art.º 51 (associações e partidos políticos), diz a Constituição:
-“ Os partidos políticos devem reger-se pelos princípios da transparência, da organização e da gestão democráticas e da participação de todos os seus membros”.
Transparência, nos partidos políticos, não sei o que é. Não sei se é o seu modo de operar, no que diz respeito aos sindicatos de voto, em que lideres são colocados perante os seus militantes, para que estes, em plebiscito, confirmem o que já alguém decidiu. Se inclusive, é o caciquismo utilizado para a angariação de votos. Se não são as promessas constantes, para que, determinados grupos étnicos, votem quando há eleições dentro dos partidos. Os tais plebiscitos.
Não sei se são os escândalos, constantes, de financiamento ilegal de que todos são useiros e vezeiros. Basta dar uma leitura atenta, às declarações do Dr. Jorge Sampaio, enquanto deputado, em 1991, na Assembleia da República. Uma perfeita trafulhice, em que os interesses partidários se sobrepõem aos interesses da democracia.
Numa das incumbências prioritárias do Estado, na alínea d) do art.º 81.º, diz a Constituição:
- “ Orientar o desenvolvimento económico e social no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões e eliminar progressivamente as diferenças económicas e sociais entre a cidade e o campo”.
Bom, então, esta é de um homem se mandar para o chão a rir. O que foi promovido, ao longo destes anos, foi a igualdade, trazendo os portugueses que viviam no interior, para a zona litoral. Mera demagogia. Claro que estes artigos, entre outros só necessitam de um aperfeiçoamento. Esta norma poderia ser, por exemplo:
“orientar o desenvolvimento económico e social no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões “urbanas” e eliminar progressivamente as diferenças económicas e sociais entre os que vivem no centro das cidades e nos subúrbios”.
Tão ridículos são estes normativos, carregados de uma ideologia política, completamente ultrapassada, que, logo a seguir, diz o art.º90 (objectivos dos planos)
- “Os planos de desenvolvimento económico e social têm por objectivo promover o crescimento económico, o desenvolvimento harmonioso e integrado de sectores e regiões, a justa repartição individual e regional do produto nacional, educativa e cultural, a defesa do mundo rural, a preservação do equilíbrio ecológico, a defesa do ambiente e a qualidade de vida do povo português”.
A defesa do mundo rural? Quem conheceu este país e quem o vê, sabe, perfeitamente, que para beneficiarmos das dávidas da União Europeia, cedemos em trocar, a agricultura pelas auto-estradas. Destruímos o nosso sector primário. Até fruta, Portugal, importa! Não estou a falar de “mangas” e “papaias”. Estou a falar de maçãs, peras…
Lendo estas pequenas partes da Constituição, ficamos com uma ideia, da continuidade de chorrilho de asneiras que se seguem, do art.º 93.º e seguintes, da CRP.
Deixando a agricultura, se dermos uma leitura pelo artigo que nos fala dos círculos eleitorais, temos:
-“ OS Deputados são eleitos por círculos eleitorais geograficamente definidos na lei, a qual pode determinar a existência de círculos plurinominais e uninominais (…)”. Onde é que estão os círculos uninominais? Tem sido letra morta…porque não interessará aos partidos? Porque, colocar-se-á a questão de um qualquer cidadão se auto - candidatar? Ou teria que obrigatoriamente estar adstrito a um partido? Será que a questão se coloca entre as regiões povoadas de Portugal e as regiões desertas? Agora, fez-me lembrar aquela do “Alcochete Jamais”. Quem é que conhece os senhores deputados que ajudou a eleger? Quem conhece, os que vem no final de uma lista partidária e que sobem à Assembleia, depois de todos aqueles que vão para o governo, direcções gerais, administrações dos bancos, Institutos Públicos, etc? Pois, é nesta rapaziada, neste sistema que temos vindo a ser cúmplices, ao alimentar esta, doente, democracia e aceitarmos, de mão beijada, as promessas que os políticos vão debitando nas eleições e antes delas, naquilo que eventualmente, o nosso egoísmo, almeja, para mais tarde, ficarmos surpreendidos, porque nada disso eles podem dar.
Não podem dar mais empregos, não podem dar menos impostos, não podem dar mais saúde, não podem dar melhor qualidade de vida, não podem dar mais e melhor educação, não podem dar melhores reformas, não podem dar, porra nenhuma, porque levaram este país para uma situação de banca rota. Mas, mais grave do que isso, sem planos. Sem uma economia onde Portugal possa crescer.
Indo um pouco mais além, se nos debruçarmos pelas reservas legislativas, absoluta e relativas, da Assembleia da República, verificamos que ao inicio de todos os mandatos, os governos apresentam autorizações legislativas, sobre as matérias de competência relativa da Assembleia, legislando a seu belo prazer. Quando legislam… Quando não chegam ao fim do mandato com uma série de autorizações legislativas que vão depois para o caixote do lixo. Bom, se assim é, porque é que estas competências, não são, de todo, logo dadas aos governos? Penso que deverá ser para justificar a supremacia aparente da Assembleia, no jogo aparente de democracia, cuja maioria apoia sempre o governo, logo, vivemos uma farsa de um sistema político onde o povo é representado pelo governo em vez de ser representado pela Assembleia. E quem é que monitoriza estas situações? Ninguém! A Assembleia da República é um forrobodó completo, onde os senhores deputados vão fazendo pela sua vida e pela do partido.
Deixando aqui esta pequena resenha sobre a Constituição da República, não há dúvida, que chegamos, todos, à conclusão que esta só precisa de um aperfeiçoamento.

“Consilium malum consultori pessimum.” Uma decisão errada é péssima para quem a tomou. ■Quem mal lavra, pouco ceifa.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

DEPOIS DESTA DEMOCRACIA, VAMOS TER UM REGIME FEUDAL





Ainda agora começou, e já estou a ficar cansado, das medidas de folclore que este governo tem vindo a debitar, diariamente.
Começou com a fantochada de dar o exemplo da mudança de bilhetes de avião, para Bruxelas. A última foi o não usar gravata no Ministério da Agricultura, para poupar no ar condicionado.
Mas, antes de tudo isto, foi a poupança em dois ou três ministros, na formação do governo. Mas depois, nomearam-se uma carrada de cavalheiros para vigiar os ministros, como se fossem miúdos na escola, onde o contínuo, perdão, o “técnico auxiliar de acção educativa”, está a controlar as asneiras dos putos.
Só se tem falado de emagrecer o estado. Isto, mais parece um médico nutricionista que diz o que se deve comer, e que faz bem, e o que não se deve comer, porque faz mal.
Até que é dada uma decisão, daquelas que não perdoam…temos de emagrecer? Então,” vamos fechar a boca”. Foi o que aconteceu com o 13.º mês, vulgo subsídio de Natal. Sinceramente, para tomar medidas destas, um tipo não precisa de ninguém especializado em nutrição. Como não tem dinheiro, não come. Está resolvido!
Ainda não percebi, é quando é que são alterados os contratos das parcerias, público -Privadas, em que o estado assumiu todo o risco nos negócios? Essas começaram com a “grande” negociação da “Lusopontes”, no tempo de Cavaco Silva e passaram, todos os governos, até ao momento.
É que a figura da “alteração das circunstâncias” parece que só funciona para o Zé pagode. Quantos milhares de milhões, o estado não emagrecia, revendo rapidamente estes contratos?
É que me chateia, solenemente, andar sem comer, obrigado a emagrecer o estado e continuar a ver as grandes gorduras, alojadas nas barrigas do sistema.
Depois, ainda não satisfeitos com esta brincadeira, ainda se estão a preparar para vender o “lombo” das empresas detidas pelo estado, só para se encaixar dinheiro. Resolve-se o problema de imediato, mas continua o problema para o futuro. Vejam-se, as centenas de empresas vendidas, ao longo destes anos…qual foi o resultado? Mais dinheiro para gastar de forma descontrolada. Mas, agora vai ser diferente, com as poupanças no ar condicionado, nos bilhetes de avião e nas palermices que este governo continua a debitar todos os dias, pela boca fora, que ainda fazem eco, nalguns jornalistas, de independência duvidosa, a “mudança do país” vai permitir que este continue à deriva.
Qualquer dia, de tanto se “privatizar”, para resolver os problemas do país, para se continuar a engrossar as vantagens que a Alemanha e outros fiadores dos empréstimos, têm, ainda voltaremos ao sistema feudal. As estradas e caminhos de Portugal serão privatizados e sempre que alguém quiser, atravessar o território terá de pagar
“portagem”.
Porque vassalagem já nós prestamos! Até agora, as únicas medidas que vi tomar, não foram para emagrecer o estado. Foram para pagar, a sua
“gula”.
Quem vai emagrecer é o povo português e todos os outros “Pigs” da Europa. Para estes só lhes vai restar, no futuro, comer farelo.
Já estou, como disse uma advogado, grego, quando foi entrevistado, num programa de televisão:
-“Tanto se me faz estar no Euro ou fora dele. Não vejo vantagem em estar no Euro.”
Uma vez mais, tiro o chapéu aos ingleses. São europeus, receberam subsídios, porque são europeus, mas mandaram o euro dar uma volta pela Europa.
Nós andámos a trocar a nossa economia produtiva, por dinheiro fácil.
É o que dá não trabalhar! E o resultado está à vista.

“Luat in corpore qui non habet in aere.” [Maloux 401] Pague com o corpo quem não tem em dinheiro.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

AIR COOL


Este governo tem, neste pequeno período de governação, surpreendido os portugueses. Desde as poupanças dos bilhetes de avião de 1.ª classe para 2.ª classe, à última medida, tomada no Ministério da Agricultura, de dispensar os funcionários de irem trabalhar de gravata, no período do verão, para poupar energia no ar condicionado. É uma medida muito original…aliás, não percebo, é porque os funcionários do Ministério da Agricultura, têm necessidade de gravata, para andarem pelos campos. Ou não andam? Se andam, a próxima medida deste ministério, para poupar o consumo de gasolina e gasóleo, vai ser equipar a frota automóvel com carros descapotáveis, de modo a reduzir o consumo de combustível, deixando os carros de ter o ar condicionado a funcionar.
O problema maior, vai ser para as senhoras engenheiras e doutoras, que vão querer um subsídio para o cabeleireiro, pois não podem chegar aos agricultores, todas despenteadas. Até lá, e porque estamos no verão e é necessário fazer dieta, a alimentação dos funcionários do Ministério da Agricultura, será na base de hortaliças e saladas, pois o metabolismo basal será menor, reduzindo, deste modo, a produção de calor. E a Ministra tem experiência nesta área, pois, já fez várias dietas de saladas, portanto, bastante conhecedora deste sector.
E quando acabar o verão? Já estou a ver a solução do Ministério…todos os trabalhadores terão de ir trabalhar de casaco comprido ou de sobretudo. Na eventualidade de o frio apertar muito, serão, também, obrigados a trabalhar de luvas de pele de carneiro, forradas a lã, de modo que as mãos não gelem, quando os mesmos estiverem nos seus gabinetes, a teclar no facebook ou noutra rede social.
Já os engenheiros silvicultores serão obrigados a recolher a caruma e as pinhas, para queimar nas fogueiras, a fazer nos gabinetes.
Portanto, além da poupança, vamos passar a ter os pinhais e matas limpas. Logo, no ano seguinte, o número de fogos irá diminuir, drasticamente.
Por último, a economia chinesa vai ter um revés, pois vão deixar de se vender tantas gravatas, no Tie Rack.
Com esta política de poupança, nem a Moody`s se vai atrever a duvidar das medidas que este governo está a tomar, para reduzir a despesa pública.

“Fac ne lingua tibi mentem praecurrat.” [Quílon / Rezende 1893] Cuida que tua língua não preceda teu pensamento. ■Falar sem pensar é atirar sem apontar. ■Em boca fechada não entra mosca.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

SOMOS DIFERENTES POR NATUREZA


Não é fácil, elas admitirem estas situações.



Elas detestam a sogra, o sogro, os amigos deles, mas impingem-nos os delas. Acham que nunca arrumamos a casa e mal pegamos na vassoura, mandam-nos embora porque acham que nós não sabemos fazer as coisas.
Se perguntamos onde querem ir jantar ou passear, ficam chateadas porque gostariam de ser surpreendidas. Mas, se tomamos a iniciativa de as surpreender, é fundamental que acertemos na escolha, porque, caso contrário vamos ser acusados de só pensarmos em nós ou de termos algum “propósito” escondido pelo facto de termos escolhido aquele lugar. Poderia enumerar uma lista de múltiplas razões, para que elas justifiquem que nós somos difíceis. Só que elas não conseguem ver o quanto são chatinhas, não se dando conta do que nos massacram. Nós e elas somos diferentes por natureza.
Nas situações difíceis temos capacidade de racionalizar mais rapidamente do que elas, logo tomamos decisões de modo menos emotivo. Elas, pelo contrário, choram primeiro e racionalizam, depois. Talvez por esta razão é vulgo dizer-se que elas são o sexo fraco e que nós, homens, somos insensíveis. Mas nem se trata de fraqueza, nem tão pouco de insensibilidade. (porque os homens também choram ou não?). São, sim, maneiras diferentes de processar a informação.
Homens e mulheres são diferentes na sua natureza. Elas preferem resolver os seus problemas a falar, enquanto nós, preferimos o isolamento, para pensar e resolver as nossas crises existenciais, sozinhos.
Normalmente, nestas alturas, sucedem-se as rupturas. Elas querem falar e nós só queremos estar sós, nem que sejam umas horas. Elas pensam que nos isolamos, porque já não gostamos delas. Por outro lado, nós pensamos que elas não nos compreendem e que só pensam nelas, quando no fundo, ambos, queremos a mesma coisa…resolver os problemas que nos apoquentam. Que nos deixem pensar, arejar a cabeça, porque, normalmente, quando voltamos até falamos com elas e até lhes pedimos conselhos.
Entretanto, elas, podem aproveitar para falar com a mana, com a mamã, com uma amiga do peito…em suma,deixem-nos ser homens e aprendam a ser mulheres.

"Mulierem ornat silentium." [Sófocles / Erasmo, Adagia 4.1.97] O silêncio é o ornamento da mulher.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

TUDO É LOUCURA…

A vida vai-nos surpreendendo, a cada dia que passa.

São várias as emoções que vamos tendo, ao longo da vida. Saboreamos a felicidade, quando temos oportunidade de sabermos que estamos perante a mesma. Mas, tantas e tantas vezes, estamos felizes e não valorizamos esses momentos, porque de modo egoísta, pensamos que é um direito próprio e, portanto, uma fonte inesgotável, a felicidade. Mas, ao longo da vida, as preocupações também são uma realidade, que julgamos não merecer, até porque pensamos, indevidamente, que nada contribuímos para as mesmas. De facto, não é assim. A nossa conduta, na maioria das situações, leva-nos a saborear a parte amarga da vida, das contrariedades com que nos defrontamos, porque não somos racionalmente analistas e, a maioria das vezes, somos lentos nas decisões, que de um modo mais determinado, deveríamos tomar, atempadamente.
Já bastam, na vida de cada um de nós, as vicissitudes que a mesma tem, na sua génese. A dor física, a angústia, o sofrimento dentro da família, a dor dos amigos que partem, antes de nós, a dor que sofrem os amigos, a maioria delas, sem que possamos remediar as situações, por, as mesmas, estarem fora do nosso alcance.
Mas, do mesmo modo que gostamos de apreciar o afecto que nos podem dedicar, não só quando estamos enfraquecidos, mas sempre que estamos receptivos, é bom não esquecer os outros que estão na nossa vida. Não devemos ser egoístas. Muito menos, egocêntricos!
De tal modo egocêntricos que somos capazes de adaptar o nosso modo de vida, procurando o nosso bem, no mal dos outros. Há sempre um dia, que quem pensa assim, fica surpreendido… porque, há sempre um dia, em que, quem é alvo das atitudes egocêntricas, diz não.
E quem é egocêntrico, não pode justificar as suas atitudes perante a vida e os outros, invocando argumentos de doença. Porque, se assim fosse, em função das nossas atitudes, ao longo da vida, todos nós ou éramos doentes ou tínhamos períodos repetidos de crises.
Encontrávamos, sempre, uma razão de doença, para justificar os nossos actos, classificando-nos como inimputáveis, perante as maiores atitudes irracionais ou racionais, mas carregadas de indiferença, de ódio, de egocentrismo, perante o nosso semelhante.
Quem tem estas atitudes, começa por não se sentir bem, dentro do próprio fato com que veio, vestido, ao mundo.
Quem passa a vida, a viver à custa dos outros, seja sentimentalmente, seja materialmente, há um dia que acaba por se auto destruir.
Não acredito que estejamos a viver um período, na evolução da sociedade, em que todos sejamos doentes, logo inimputáveis, para termos atitudes egocêntricas, egoístas, de indiferença, de ódio, com que pautamos a nossa vida, pela exploração dos sentimentos, dos que estão à nossa volta.
Porque se assim for, então, cada um de nós, terá de se afastar deste tipo de pessoas, porque não nos dão nada em troca. Afinal, acabamos por ser, nós próprios, a contribuir para a nossa infelicidade.
Ninguém se deve culpabilizar pelas atitudes dos outros, mas é fundamental, racionalizar e, atempadamente, decidir, para que possamos ter momentos de felicidade. E ela não é inesgotável. Aproveitem-na!


“Multa eveniunt homini quae vult quae nevult”. [Plauto, Trinummus 323] Ao homem acontecem muitas coisas que ele quer e que ele não quer.

sábado, 2 de julho de 2011

SUPLICIO DE TÂNTALO

Não sei quem é que acreditou que a política, a que estamos habituados, iria mudar. Não faltam os que, na oposição ou em campanha, falem da necessidade de uma política da verdade. Da necessidade de uma política de transparência.
Afinal, todos nós temos a consciência que tudo isto são verdades da treta e que não passam disso mesmo. Fazem-se programas de governo com toda uma série de medidas programáticas que não são mais do que isso. Em simultâneo vão-se lançando umas dicas para a comunicação social que não passam do mais saloio populismo.
A primeira começou com a redução do número de ministros. Conversa para tolos, como se fossem dois ou três ordenados que levassem o país à falência ou gerassem alguma poupança.
Não contentes, com esta saloiice, vem a história de mudar bilhetes de avião de 1.ªclasse para 2.ª classe, quando estes nem são pagos e as viagens dos ministeriáveis são suportadas pela TAP.
No dia 1 de Abril, dia das mentiras, veio o Pedro dizer que não havia cortes nos subsídios. Agora, não querendo falar do passado, porque esse foi avaliado nas eleições, vem a grande medida do corte de 50% do subsídio de natal, porque a derrapagem na execução orçamental, do primeiro trimestre, foi notória. Foi no dia 1 de Abril, por mero acaso, porque era mentira, mesmo que não fosse o primeiro de Abril.
Tomo a liberdade de recordar que para muitos responsáveis de empresas públicas, deputados, etc., já em Junho de 2010, tinha havido um corte de 5%, para beneficiar os orçamentos. Pergunto eu, quais orçamentos? Mesmo aquelas que apresentam resultados operacionais positivos? Essa foi mais uma medida popular, esta socialista, que não deu resultado nenhum visível, porque não haverá, de certeza, hoje, ninguém que a saiba quantificar.
Mas, não se ficou por aqui. Em Janeiro de 2011, entrou em funcionamento, mais um corte salarial, até 10%, para vencimentos da administração pública directa, indirecta do Estado e empresas públicas, de vencimentos superiores a 1.500 euros/mensais. Sobre estas últimas, pergunto eu, se existe, também, alguma avaliação dos seus efeitos práticos? Existe? Todos estes cortes, nos salários, não ficam dentro das empresas? Claro que ficam. Uma vez mais, foi o populismo a funcionar. Poderia ter alguma lógica, se estes cortes salariais fossem prevenir transferências do orçamento de Estado, para as empresas…e há transferências do orçamento de Estado para as empresas que apresentam resultados operacionais positivos? Claro que não. Foi mais uma lei cega e populista!
Finalmente, vem uma medida que vai entrar em funcionamento e que vai afundar mais os bolsos, de quem, já era alvo das medidas anteriores, com um corte de 50% no subsídio de Natal. O tal que não seria mexido, no passado dia 1 de Abril.
Tudo o que se tem vindo a passar, já eu tinha escrito no meu espaço de revolta e reflexão, o meu blogue…A Torto e a Direito.
Tenho pena de não saber trabalhar com o Tarot…não me faltaria clientes. Mas, não é por causa do Tarot que os prognósticos bateram certo…basta não se ser estúpido.
Quem é que acredita em toda a conversa de treta do programa do XIX governo constitucional sobre o desenvolvimento da economia e a criação de emprego? Não me parece que algum português acredite nisso.
Vamos ter nos próximos quatro anos, mais desemprego, mais recessão. O desemprego, em face deste panorama, vai chegar bem perto de um milhão. Sim um milhão. Estamos a falar de 20% da população activa. Nessa altura não deixará de haver iluminados que venham dizer que mesmo assim é mais baixo que Espanha. Tenham dó…
Estamos numa fase do capitalismo “tântalo”. Para quem não conhece a história, Tântalo foi um dos poucos mortais convidados a participar nos banquetes dos deuses. Aborrecidos com este por toda uma série de indiscrições e por ter servido o filho como aperitivo antes do jantar, os deuses do Olimpo castigaram-no através do mais terrível dos suplícios: permanecer eternamente com água pelo pescoço, sendo que de cada vez que tentasse beber, a água recuava. Sempre que tivesse fome, os ramos carregados de fruta, afastar-se-iam. O suplício de Tântalo não era o de passar fome ou sede, mas sim o de sentir desejo de comer e beber e não poder fazê-lo.
Esta crise veio revelar um dos mecanismos que, ainda que não estivesse completamente oculto, permanecia de algum modo encoberto: a necessidade de exercer um acto de consumo involuntário. Este foi o consumismo irresponsável pelo qual atravessámos desde 1995 e que teve o seu apogeu no governo de Guterres. Só que hoje, perante esta calamidade, pode ser um acto de solidariedade, consumir. De nada servirá, mas pelo menos as águas poder-se-ão mover. Só que nem isso vamos poder fazer, porque o programa de solidariedade do governo actual é só para quem tem rendimentos de trabalho inferiores a 485 euros. Como para estes o dinheiro não chega para consumir, os que ganham mais do que isso, com os cortes salariais, mais o aumento dos impostos, da água, da electricidade, da restauração com o IVA a 23% (se este ficar por aqui, o que não me parece), IMI/IMT, etc., não irá haver consumo e a celebre frase de José Montilla, presidente do Governo da Catalunha, “Aqueles que trabalham devem consumir no imediato para que o vizinho ou o filho possam conservar o seu trabalho”, não vai ser possível. A economia deste país é um suplício de Tântalo!
Nos próximos 4 anos, o povo português, não vai ter mais nada, senão o aumento dos impostos sobre os rendimentos de trabalho e do consumo, a recessão vai-se instalar, com a consequência de termos, bem perto de um milhão de portugueses desempregados, com a miséria a bater à porta da esmagadora maioria dos portugueses.
Nem estes tipos, que estão agora no governo, são capazes de dizer esta verdade. Todas as medidas programáticas só, daqui a 4 ou 5 anos, começam a fazer efeito. Até lá, estão comprometidas todas as gerações de portugueses, sem discriminação etária, porque todos vão amargar a incompetência de todos os governos que tem governado Portugal desde 1974.
E este não vai ser excepção, pelo produto exposto na montra. Dá para imaginar o que está dentro do armazém. Desde a primeira Assembleia da República que não se constatava um nível tão medíocre nos deputados do PSD. Se os líderes são estes, imagine-se os deputados de segunda e terceira linha.
De tudo o que aqui ficou escrito, perguntem ao Álvaro se não é verdade!

“Miserum est aliena vivere quadra.” [Rezende 3545] É triste viver do pão alheio.

domingo, 26 de junho de 2011

Ò PATEGO OLHA O BALÃO

Estamos a acabar a época dos santos populares, mas mesmo assim continuamos no esplendor da folia e da festa, em que o sonho acompanhado da música e dos balões, deu a apresentação de um grupo em Oeiras –“ MovOeiras”.
Um grupo liderado por um chover de mini – autocarros da freguesia de Cruz Quebrada. Deve ser e de acordo com o nome, a criação de um novo serviço de transporte, em que 16 figuras deram, com a sua presença, o voto a um novo transporte para o mundo da fantasia e da música, com campeonatos de futsal pelo meio.
Já nada me espanta, nem mesmo ver, de novo, o jornal Sol a dar corpo a uma notícia que, por si só, não venderia, rigorosamente, nada, mas que tem como mote, o nome do actual Presidente de Câmara, Isaltino Morais.
Nem sei como é que a notícia, por ser tão importante, em vez de aparecer com uma “caixa”, na primeira página e depois, meia página no seu interior, não esteve em pleno, logo na primeira página, com “caixa alta”.
Na minha modesta forma de pensar, sou levado a crer que tudo isto continua a ser o contágio das festas dos santos populares, em que o “populismo” de uns e o péssimo jornalismo, de outros, dão cobertura, a saltimbancos.
Até lá…ao dia em que o rei fará anos, ò Patego olha o Balão!

“Mater artium est necessitas.” [DAPR 476] A necessidade é a mãe das artes.

sábado, 25 de junho de 2011

A INDULGÊNCIA NACIONAL

Depois de anos e anos a gastar o que não tínhamos, num “forrobodó” que levou a escândalos, como o do BPN, entre outros, andamos numa febre de ética e de boas maneiras. Até trocamos bilhetes de avião de 1.ª classe, para 2.ª classe, quando não se pagam, nem uns, nem os outros. Tenham dó…o povo português não se manifesta, porque é indulgente, mesmo para consigo próprio.
Não bastando isso, serve de conversa, a nomeação de um filho de um presidente de Câmara, como Adjunto do pai, numa terra do Alentejo. Este lugar é político, mas mais do que isso é de confiança pessoal. Não está sujeito a concurso…é de nomeação e da exclusiva competência dos autarcas. Mas, como estamos, numa de pudicos, serve para mais um chorrilho de comentários, por aqui e por ali.
Parece que ninguém se preocupou tanto com os verdadeiros escândalos nacionais que foram e são as “novas oportunidades”. Ninguém se preocupou, com o escândalo de parcerias -público privadas, negociadas por ministros que são hoje, presidentes dessas mesmas empresas com que negociaram as parcerias.
Ninguém se preocupou tanto com as “burlas” do BPP e do BPN. Ninguém se preocupou muito, que empregados de balcão de bancos fossem administradores. Que projectos de licenciamento, antes proibidos, fossem, depois, licenciados para grandes projectos de “Mega Stores”.
Quando essas coisas eram faladas, aqui del –rei! Eram as grandes linhas mestras de uma política, que ao fim e ao cabo, nos premiou, pela indulgência e obsessão partidária que muitos possuem.
Resultados? Redução nos vencimentos, redução nas pensões de reforma, menos deduções em sede de IRS, aumento dos transportes que vêm por ai, etc. Em suma…mais desemprego. Mais famílias a passarem mal. Algumas em desespero. E os “media” ocupam-se da troca de bilhetes de avião que até não são pagos (são suportados pela empresa pública –TAP) ou pela nomeação de um filho para o lugar de Adjunto do Presidente da Câmara.
Até lá, vamos andando nas fofoquices, gozando a praia, vivendo de “habilidades” e cansados de trabalharmos muito, a fazer “pontes”. Tenham paciência! Chega de tanta indulgência, para justificar uma passividade que tem resultado num país sem futuro que compromete todas as gerações e as que hão-de vir.

“Ignoscas aliis multa, nihil tibi.” [Ausônio, Sapientum Sententiae, Cleobulus 3.4] Aos outros desculparás muitas coisas, a ti, nada.

terça-feira, 21 de junho de 2011

MENTIDEROS NACIONAIS

Por várias razões de ordem pessoal, tenho estado ausente dos “mentideros” nacionais.
Ouvi dizer que o Nobre não foi cooptado, entre os seus pares, para ser o “maestro”, na Assembleia da República. Que chatice, dirão uns. Bem feito, dirão outros. O que é curioso, e começa-me a saber bem, é que nada disto afectou a minha vida pessoal. Continuo a ter as coisas boas e más da vida.
Portanto, quanto ao Nobre, adiante. Tanto se me faz que seja o Nobre ou qualquer outro “nobre”, que pulula na Assembleia da República.
Quanto aos membros do governo, se fosse o Prof. Marcelo, diria que todos eles teriam nota dez e teriam que se sujeitar à prova oral. Mas, como estamos, em termos modernos, em que a educação evoluiu para a excelência, no que a rapidez diz respeito, em vez de os estar a sujeitar a uma prova oral, mete-os, nas novas oportunidades.
E quanto às oportunidades, não vão ter muitas…isto está no limite. Não dá para dar música aos portugueses, com variações em dó menor. É que menor que isto, só na Somália.
Portanto, vamos ficar expectáveis e tentar observar, qual vai ser a capacidade de execução dos ministros “técnicos” e dos “ministros”, melhor dizendo, “ministras assertivas”, na capacidade de diálogo, com os “lobbies” intervenientes, em cada um dos sectores da sociedade.
Dentro da agonia vivida numa casa onde não há pão, vamos ficar expectáveis, para ver o que será feito, para no futuro colocar o país no seu devido lugar, e por consequência, proporcionar aos cidadãos um futuro promissor, onde a insegurança de vida não seja o apanágio.
Porque, a experiência nos ditou que depois da última coligação, onde esteve o “prestigiado” estadista, Paulo Portas, como ministro da defesa e foram adquiridos dois submarinos, se não vamos ter, desta vez, dois torpedeiros. Se assim acontecer, talvez deste modo, possamos jogar à batalha naval, no futuro mais próximo, porque é o que vai restar a todos nós.

“ Perditis rebus omnibus tamen ipsa virtus se sustentare posse videatur. “ [Cícero, Ad Familiares 6.1.4] No meio da ruína total, só a virtude parece capaz de se sustentar.

sábado, 18 de junho de 2011

Vamos vivendo e esquecemo-nos que temos de morrer.

Vamos vivendo e esquecemo-nos que temos de morrer.
Fui, penso eu, um grande amigo dele. Uma vida cheia de peripécias, entre as quais a contradição entre a profissão que tinha e a sua própria vida.
Foram catorze anos de sofrimento. Os primeiros anos foram levados com a esperança, que um dia, seria possível, se houvesse um transplante, viver melhor. Esse dia nunca chegou, pelo contrário. Tocou o telefone…era o filho que trazia, em primeira mão, o desfecho que nunca se quis interiorizar.
Tantas vezes, parado no trânsito medonho, da segunda circular, logo pela manhã, via aquele edifício alto e pensava nele e pedia, de modo egoísta, que nunca tal me acontecesse.
Nos últimos e escassos anos do resto da sua vida, realizou um sonho…comprar um barco. Fê-lo com grande prazer e satisfação. Entregava-se ao prazer da “sua embarcação”. Mas, tantas vezes sozinho e entregue à sua vida, sentia necessidade de me convidar para estar com ele ou realizar um passeio no barco, até Cascais e voltar à marina de Oeiras.
Entre o sofrimento, mesmo assim, vamos vivendo e esquecemo-nos que temos de morrer.
Até um dia…em que tudo se vai tornando cada vez mais evidente…Nasce-se e morre-se, sozinho. Até lá, vamos procurando esquecer, com barcos ou sem barcos, com isto ou com aquilo que nos dá prazer, que temos de morrer.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

OS BANDOLEIROS DA POLITICA



As jogadas políticas de determinados “malandrecos”, faz-me lembrar aqueles meninos que pareciam bem comportados, mas que passavam os exames a copiar. E quando o professor descobria, ainda se faziam de virgens violadas no seu pudor e castidade.
Os partidos estão repletos destes “malandrecos” que à custa de habilidades, parecem bons alunos, bem comportados, mas que na realidade não passam de uns cábulas habilidosos.
Aproveitam-se da falta de experiência e da ambição desmedida de jovens, alguns deles que se encontram na comunicação social, para na sua ambição descontrolada, serem utilizados e manipulados, na realização de pseudo-noticias ou mesmo na criação de notícias.
Primeiro, dão-lhes lugares de “mandatários para a juventude” e depois pedem-lhes os favores.
No caso concreto estou a escrever sobre os “audazes bandoleiros", que circulam, desde o inicio, `a volta do novo líder do PSD, fazendo, os que eles acham de política de meninos malandrecos, mas que não passam de cábulas refinados. Alguns deles, já com largos anos de PSD. Mudam os líderes e eles continuam a frequentar, nesta altura do campeonato, a universidade sénior de verão, do partido.
E é com estas habilidades que se vão queimando, pouco a pouco, os líderes…estes tipos, são como a nova bactéria de E. Coli…não se sabe se vêm dos pepinos ou dos tomates.
Mas, pelo seu “modus operandi”, sou levado a acreditar, que dos tomates não é, porque não os têm…resta-lhes os pepinos que vão comendo por aí.
Fazem-se assim políticos e desfazem-se assim, políticos. É este entendimento que existe entre alguns políticos e alguns jornalistas, que permitem a esses primeiros, manterem-se na proa dos partidos, fazendo e desfazendo políticos, desde que eles, utilizando as cábulas, vão fazendo as “cadeiras” que precisam, para se realizarem na vida.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O novo governo não vai ter tarefa fácil

O novo governo não vai ter tarefa fácil. A chamada esquerda foi-se mantendo mais ao menos quieta, nas suas movimentações sindicais. O país só começou a assistir a algumas greves, e nos sectores dos transportes, que são aqueles que mais impacto, têm, junto da opinião pública, nos últimos meses do governo socialista. Mas, estas, não foram greves para pressionar o partido do governo na altura, mas sim para preparar o clima propício, às greves que se irão fomentar, com o novo governo, que vai ter a espinhosa missão de pôr o país dentro dos números exigidos pelas corporações financeiras internacionais.
É evidente que o caos a que chegámos, não tem como único responsável, estes últimos governos, liderados por José Sócrates. A responsabilidade é de todos os governos, que foram passando, principalmente, nestes últimos vinte anos. E aí, temos o partido socialista com a grande responsabilidade de ter quase quinze anos de governo sob a sua responsabilidade.
A crise actual, independentemente das questões estruturais que são inerentes à ineficiência e às políticas protectoras, dos grandes países da União Europeia, para manterem o seu nível de rendimento, independentemente, dos restantes países que fazem parte da União, tem a ver com uma crise de regime.
Portugal terá de assumir mudanças radicais, e o mais rápido possível, para modificar o regime existente. É necessária uma nova Constituição da República. Sem esta não será possível dar os grandes passos que o país necessita.
É fundamental, redesenhar o papel dos partidos políticos na “representação” do povo. É fundamental que os governos não estejam dependentes da votação em partidos políticos, mas sim direccionadas para um Presidente da República que tenha como missão, formar o seu governo. Mesmo que para tal, tenha de nomear um Presidente do Conselho de Ministros. Este poderá ser apoiado por partidos políticos, aliás como foram todos os Presidentes da República, até à data, mas resultará deste método que qualquer candidato que se proponha a tal missão, o possa fazer, independentemente, de partidos políticos.
Tem de passar a haver um responsável que responda perante o país pela sua conduta, versus o seu programa eleitoral. Que a culpa não morra solteira, como tem morrido até aqui, permanecendo a alternância dos mesmos partidos no governo.
Hoje temos os partidos que governam alternadamente e temos os outros, que nunca governam, mas que são o elo fundamental das pressões políticas, como as greves, para tentarem perpetuar aquilo, que chamais será exequível, no futuro… a manutenção de um Estado Social distributivo, em vez de um Estado Social redistributivo, em que todos ou quase todos pagam, o que só alguns recebem.
É esta realidade que todos temos de assumir, para o futuro, se pretendermos que aqueles que hoje contribuem possam um dia, serem beneficiários do que vão contribuindo.

“Molestus interpellator venter.” [Erasmo, Adagia 3.10.9] O ventre é um cobrador incômodo. ■Não há prazer onde não há comer.

domingo, 5 de junho de 2011

Mãezinha… estou de volta





Mãezinha… finalmente vamos ter tempo para conversarmos, frente a frente. Vou passar mais tempo contigo. Eles que se amanhem com as dividas que eu deixei. Uma coisa é verdade…o povo português, ainda vai ter saudades do meu tempo, como primeiro-ministro. Vão deixar de andar a contrair empréstimos para fazer férias nas Caraibas, comprar casas novas, etc.
Do que eu tenho pena é dos “camaradas” que vão deixar de passar recibos verdes. Vai ser para eles um tempo difícil.
Ainda não sei bem o que irei fazer, pois como engenheiro estou tramado, porque a Ordem não aceita a minha inscrição. Como tenho férias para tirar, é o que vou fazer agora.
Mas, deixa-me dizer-te…este povo é muito ingrato. Depois de tudo o que fiz por eles. Até tentei, com todas as minhas forças, que não viesse o FMI e eles não foram capazes de ver que o culpado era o PSD.
Deixa para lá, mãezinha. Cá se fazem, cá se pagam!

“Pallentes procul hinc abite curae!” [Marcial, Epigrammata 11.6.6] Fora daqui, sombrias preocupações!