sexta-feira, 8 de julho de 2011

SOMOS DIFERENTES POR NATUREZA


Não é fácil, elas admitirem estas situações.



Elas detestam a sogra, o sogro, os amigos deles, mas impingem-nos os delas. Acham que nunca arrumamos a casa e mal pegamos na vassoura, mandam-nos embora porque acham que nós não sabemos fazer as coisas.
Se perguntamos onde querem ir jantar ou passear, ficam chateadas porque gostariam de ser surpreendidas. Mas, se tomamos a iniciativa de as surpreender, é fundamental que acertemos na escolha, porque, caso contrário vamos ser acusados de só pensarmos em nós ou de termos algum “propósito” escondido pelo facto de termos escolhido aquele lugar. Poderia enumerar uma lista de múltiplas razões, para que elas justifiquem que nós somos difíceis. Só que elas não conseguem ver o quanto são chatinhas, não se dando conta do que nos massacram. Nós e elas somos diferentes por natureza.
Nas situações difíceis temos capacidade de racionalizar mais rapidamente do que elas, logo tomamos decisões de modo menos emotivo. Elas, pelo contrário, choram primeiro e racionalizam, depois. Talvez por esta razão é vulgo dizer-se que elas são o sexo fraco e que nós, homens, somos insensíveis. Mas nem se trata de fraqueza, nem tão pouco de insensibilidade. (porque os homens também choram ou não?). São, sim, maneiras diferentes de processar a informação.
Homens e mulheres são diferentes na sua natureza. Elas preferem resolver os seus problemas a falar, enquanto nós, preferimos o isolamento, para pensar e resolver as nossas crises existenciais, sozinhos.
Normalmente, nestas alturas, sucedem-se as rupturas. Elas querem falar e nós só queremos estar sós, nem que sejam umas horas. Elas pensam que nos isolamos, porque já não gostamos delas. Por outro lado, nós pensamos que elas não nos compreendem e que só pensam nelas, quando no fundo, ambos, queremos a mesma coisa…resolver os problemas que nos apoquentam. Que nos deixem pensar, arejar a cabeça, porque, normalmente, quando voltamos até falamos com elas e até lhes pedimos conselhos.
Entretanto, elas, podem aproveitar para falar com a mana, com a mamã, com uma amiga do peito…em suma,deixem-nos ser homens e aprendam a ser mulheres.

"Mulierem ornat silentium." [Sófocles / Erasmo, Adagia 4.1.97] O silêncio é o ornamento da mulher.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

TUDO É LOUCURA…

A vida vai-nos surpreendendo, a cada dia que passa.

São várias as emoções que vamos tendo, ao longo da vida. Saboreamos a felicidade, quando temos oportunidade de sabermos que estamos perante a mesma. Mas, tantas e tantas vezes, estamos felizes e não valorizamos esses momentos, porque de modo egoísta, pensamos que é um direito próprio e, portanto, uma fonte inesgotável, a felicidade. Mas, ao longo da vida, as preocupações também são uma realidade, que julgamos não merecer, até porque pensamos, indevidamente, que nada contribuímos para as mesmas. De facto, não é assim. A nossa conduta, na maioria das situações, leva-nos a saborear a parte amarga da vida, das contrariedades com que nos defrontamos, porque não somos racionalmente analistas e, a maioria das vezes, somos lentos nas decisões, que de um modo mais determinado, deveríamos tomar, atempadamente.
Já bastam, na vida de cada um de nós, as vicissitudes que a mesma tem, na sua génese. A dor física, a angústia, o sofrimento dentro da família, a dor dos amigos que partem, antes de nós, a dor que sofrem os amigos, a maioria delas, sem que possamos remediar as situações, por, as mesmas, estarem fora do nosso alcance.
Mas, do mesmo modo que gostamos de apreciar o afecto que nos podem dedicar, não só quando estamos enfraquecidos, mas sempre que estamos receptivos, é bom não esquecer os outros que estão na nossa vida. Não devemos ser egoístas. Muito menos, egocêntricos!
De tal modo egocêntricos que somos capazes de adaptar o nosso modo de vida, procurando o nosso bem, no mal dos outros. Há sempre um dia, que quem pensa assim, fica surpreendido… porque, há sempre um dia, em que, quem é alvo das atitudes egocêntricas, diz não.
E quem é egocêntrico, não pode justificar as suas atitudes perante a vida e os outros, invocando argumentos de doença. Porque, se assim fosse, em função das nossas atitudes, ao longo da vida, todos nós ou éramos doentes ou tínhamos períodos repetidos de crises.
Encontrávamos, sempre, uma razão de doença, para justificar os nossos actos, classificando-nos como inimputáveis, perante as maiores atitudes irracionais ou racionais, mas carregadas de indiferença, de ódio, de egocentrismo, perante o nosso semelhante.
Quem tem estas atitudes, começa por não se sentir bem, dentro do próprio fato com que veio, vestido, ao mundo.
Quem passa a vida, a viver à custa dos outros, seja sentimentalmente, seja materialmente, há um dia que acaba por se auto destruir.
Não acredito que estejamos a viver um período, na evolução da sociedade, em que todos sejamos doentes, logo inimputáveis, para termos atitudes egocêntricas, egoístas, de indiferença, de ódio, com que pautamos a nossa vida, pela exploração dos sentimentos, dos que estão à nossa volta.
Porque se assim for, então, cada um de nós, terá de se afastar deste tipo de pessoas, porque não nos dão nada em troca. Afinal, acabamos por ser, nós próprios, a contribuir para a nossa infelicidade.
Ninguém se deve culpabilizar pelas atitudes dos outros, mas é fundamental, racionalizar e, atempadamente, decidir, para que possamos ter momentos de felicidade. E ela não é inesgotável. Aproveitem-na!


“Multa eveniunt homini quae vult quae nevult”. [Plauto, Trinummus 323] Ao homem acontecem muitas coisas que ele quer e que ele não quer.

sábado, 2 de julho de 2011

SUPLICIO DE TÂNTALO

Não sei quem é que acreditou que a política, a que estamos habituados, iria mudar. Não faltam os que, na oposição ou em campanha, falem da necessidade de uma política da verdade. Da necessidade de uma política de transparência.
Afinal, todos nós temos a consciência que tudo isto são verdades da treta e que não passam disso mesmo. Fazem-se programas de governo com toda uma série de medidas programáticas que não são mais do que isso. Em simultâneo vão-se lançando umas dicas para a comunicação social que não passam do mais saloio populismo.
A primeira começou com a redução do número de ministros. Conversa para tolos, como se fossem dois ou três ordenados que levassem o país à falência ou gerassem alguma poupança.
Não contentes, com esta saloiice, vem a história de mudar bilhetes de avião de 1.ªclasse para 2.ª classe, quando estes nem são pagos e as viagens dos ministeriáveis são suportadas pela TAP.
No dia 1 de Abril, dia das mentiras, veio o Pedro dizer que não havia cortes nos subsídios. Agora, não querendo falar do passado, porque esse foi avaliado nas eleições, vem a grande medida do corte de 50% do subsídio de natal, porque a derrapagem na execução orçamental, do primeiro trimestre, foi notória. Foi no dia 1 de Abril, por mero acaso, porque era mentira, mesmo que não fosse o primeiro de Abril.
Tomo a liberdade de recordar que para muitos responsáveis de empresas públicas, deputados, etc., já em Junho de 2010, tinha havido um corte de 5%, para beneficiar os orçamentos. Pergunto eu, quais orçamentos? Mesmo aquelas que apresentam resultados operacionais positivos? Essa foi mais uma medida popular, esta socialista, que não deu resultado nenhum visível, porque não haverá, de certeza, hoje, ninguém que a saiba quantificar.
Mas, não se ficou por aqui. Em Janeiro de 2011, entrou em funcionamento, mais um corte salarial, até 10%, para vencimentos da administração pública directa, indirecta do Estado e empresas públicas, de vencimentos superiores a 1.500 euros/mensais. Sobre estas últimas, pergunto eu, se existe, também, alguma avaliação dos seus efeitos práticos? Existe? Todos estes cortes, nos salários, não ficam dentro das empresas? Claro que ficam. Uma vez mais, foi o populismo a funcionar. Poderia ter alguma lógica, se estes cortes salariais fossem prevenir transferências do orçamento de Estado, para as empresas…e há transferências do orçamento de Estado para as empresas que apresentam resultados operacionais positivos? Claro que não. Foi mais uma lei cega e populista!
Finalmente, vem uma medida que vai entrar em funcionamento e que vai afundar mais os bolsos, de quem, já era alvo das medidas anteriores, com um corte de 50% no subsídio de Natal. O tal que não seria mexido, no passado dia 1 de Abril.
Tudo o que se tem vindo a passar, já eu tinha escrito no meu espaço de revolta e reflexão, o meu blogue…A Torto e a Direito.
Tenho pena de não saber trabalhar com o Tarot…não me faltaria clientes. Mas, não é por causa do Tarot que os prognósticos bateram certo…basta não se ser estúpido.
Quem é que acredita em toda a conversa de treta do programa do XIX governo constitucional sobre o desenvolvimento da economia e a criação de emprego? Não me parece que algum português acredite nisso.
Vamos ter nos próximos quatro anos, mais desemprego, mais recessão. O desemprego, em face deste panorama, vai chegar bem perto de um milhão. Sim um milhão. Estamos a falar de 20% da população activa. Nessa altura não deixará de haver iluminados que venham dizer que mesmo assim é mais baixo que Espanha. Tenham dó…
Estamos numa fase do capitalismo “tântalo”. Para quem não conhece a história, Tântalo foi um dos poucos mortais convidados a participar nos banquetes dos deuses. Aborrecidos com este por toda uma série de indiscrições e por ter servido o filho como aperitivo antes do jantar, os deuses do Olimpo castigaram-no através do mais terrível dos suplícios: permanecer eternamente com água pelo pescoço, sendo que de cada vez que tentasse beber, a água recuava. Sempre que tivesse fome, os ramos carregados de fruta, afastar-se-iam. O suplício de Tântalo não era o de passar fome ou sede, mas sim o de sentir desejo de comer e beber e não poder fazê-lo.
Esta crise veio revelar um dos mecanismos que, ainda que não estivesse completamente oculto, permanecia de algum modo encoberto: a necessidade de exercer um acto de consumo involuntário. Este foi o consumismo irresponsável pelo qual atravessámos desde 1995 e que teve o seu apogeu no governo de Guterres. Só que hoje, perante esta calamidade, pode ser um acto de solidariedade, consumir. De nada servirá, mas pelo menos as águas poder-se-ão mover. Só que nem isso vamos poder fazer, porque o programa de solidariedade do governo actual é só para quem tem rendimentos de trabalho inferiores a 485 euros. Como para estes o dinheiro não chega para consumir, os que ganham mais do que isso, com os cortes salariais, mais o aumento dos impostos, da água, da electricidade, da restauração com o IVA a 23% (se este ficar por aqui, o que não me parece), IMI/IMT, etc., não irá haver consumo e a celebre frase de José Montilla, presidente do Governo da Catalunha, “Aqueles que trabalham devem consumir no imediato para que o vizinho ou o filho possam conservar o seu trabalho”, não vai ser possível. A economia deste país é um suplício de Tântalo!
Nos próximos 4 anos, o povo português, não vai ter mais nada, senão o aumento dos impostos sobre os rendimentos de trabalho e do consumo, a recessão vai-se instalar, com a consequência de termos, bem perto de um milhão de portugueses desempregados, com a miséria a bater à porta da esmagadora maioria dos portugueses.
Nem estes tipos, que estão agora no governo, são capazes de dizer esta verdade. Todas as medidas programáticas só, daqui a 4 ou 5 anos, começam a fazer efeito. Até lá, estão comprometidas todas as gerações de portugueses, sem discriminação etária, porque todos vão amargar a incompetência de todos os governos que tem governado Portugal desde 1974.
E este não vai ser excepção, pelo produto exposto na montra. Dá para imaginar o que está dentro do armazém. Desde a primeira Assembleia da República que não se constatava um nível tão medíocre nos deputados do PSD. Se os líderes são estes, imagine-se os deputados de segunda e terceira linha.
De tudo o que aqui ficou escrito, perguntem ao Álvaro se não é verdade!

“Miserum est aliena vivere quadra.” [Rezende 3545] É triste viver do pão alheio.

domingo, 26 de junho de 2011

Ò PATEGO OLHA O BALÃO

Estamos a acabar a época dos santos populares, mas mesmo assim continuamos no esplendor da folia e da festa, em que o sonho acompanhado da música e dos balões, deu a apresentação de um grupo em Oeiras –“ MovOeiras”.
Um grupo liderado por um chover de mini – autocarros da freguesia de Cruz Quebrada. Deve ser e de acordo com o nome, a criação de um novo serviço de transporte, em que 16 figuras deram, com a sua presença, o voto a um novo transporte para o mundo da fantasia e da música, com campeonatos de futsal pelo meio.
Já nada me espanta, nem mesmo ver, de novo, o jornal Sol a dar corpo a uma notícia que, por si só, não venderia, rigorosamente, nada, mas que tem como mote, o nome do actual Presidente de Câmara, Isaltino Morais.
Nem sei como é que a notícia, por ser tão importante, em vez de aparecer com uma “caixa”, na primeira página e depois, meia página no seu interior, não esteve em pleno, logo na primeira página, com “caixa alta”.
Na minha modesta forma de pensar, sou levado a crer que tudo isto continua a ser o contágio das festas dos santos populares, em que o “populismo” de uns e o péssimo jornalismo, de outros, dão cobertura, a saltimbancos.
Até lá…ao dia em que o rei fará anos, ò Patego olha o Balão!

“Mater artium est necessitas.” [DAPR 476] A necessidade é a mãe das artes.

sábado, 25 de junho de 2011

A INDULGÊNCIA NACIONAL

Depois de anos e anos a gastar o que não tínhamos, num “forrobodó” que levou a escândalos, como o do BPN, entre outros, andamos numa febre de ética e de boas maneiras. Até trocamos bilhetes de avião de 1.ª classe, para 2.ª classe, quando não se pagam, nem uns, nem os outros. Tenham dó…o povo português não se manifesta, porque é indulgente, mesmo para consigo próprio.
Não bastando isso, serve de conversa, a nomeação de um filho de um presidente de Câmara, como Adjunto do pai, numa terra do Alentejo. Este lugar é político, mas mais do que isso é de confiança pessoal. Não está sujeito a concurso…é de nomeação e da exclusiva competência dos autarcas. Mas, como estamos, numa de pudicos, serve para mais um chorrilho de comentários, por aqui e por ali.
Parece que ninguém se preocupou tanto com os verdadeiros escândalos nacionais que foram e são as “novas oportunidades”. Ninguém se preocupou, com o escândalo de parcerias -público privadas, negociadas por ministros que são hoje, presidentes dessas mesmas empresas com que negociaram as parcerias.
Ninguém se preocupou tanto com as “burlas” do BPP e do BPN. Ninguém se preocupou muito, que empregados de balcão de bancos fossem administradores. Que projectos de licenciamento, antes proibidos, fossem, depois, licenciados para grandes projectos de “Mega Stores”.
Quando essas coisas eram faladas, aqui del –rei! Eram as grandes linhas mestras de uma política, que ao fim e ao cabo, nos premiou, pela indulgência e obsessão partidária que muitos possuem.
Resultados? Redução nos vencimentos, redução nas pensões de reforma, menos deduções em sede de IRS, aumento dos transportes que vêm por ai, etc. Em suma…mais desemprego. Mais famílias a passarem mal. Algumas em desespero. E os “media” ocupam-se da troca de bilhetes de avião que até não são pagos (são suportados pela empresa pública –TAP) ou pela nomeação de um filho para o lugar de Adjunto do Presidente da Câmara.
Até lá, vamos andando nas fofoquices, gozando a praia, vivendo de “habilidades” e cansados de trabalharmos muito, a fazer “pontes”. Tenham paciência! Chega de tanta indulgência, para justificar uma passividade que tem resultado num país sem futuro que compromete todas as gerações e as que hão-de vir.

“Ignoscas aliis multa, nihil tibi.” [Ausônio, Sapientum Sententiae, Cleobulus 3.4] Aos outros desculparás muitas coisas, a ti, nada.

terça-feira, 21 de junho de 2011

MENTIDEROS NACIONAIS

Por várias razões de ordem pessoal, tenho estado ausente dos “mentideros” nacionais.
Ouvi dizer que o Nobre não foi cooptado, entre os seus pares, para ser o “maestro”, na Assembleia da República. Que chatice, dirão uns. Bem feito, dirão outros. O que é curioso, e começa-me a saber bem, é que nada disto afectou a minha vida pessoal. Continuo a ter as coisas boas e más da vida.
Portanto, quanto ao Nobre, adiante. Tanto se me faz que seja o Nobre ou qualquer outro “nobre”, que pulula na Assembleia da República.
Quanto aos membros do governo, se fosse o Prof. Marcelo, diria que todos eles teriam nota dez e teriam que se sujeitar à prova oral. Mas, como estamos, em termos modernos, em que a educação evoluiu para a excelência, no que a rapidez diz respeito, em vez de os estar a sujeitar a uma prova oral, mete-os, nas novas oportunidades.
E quanto às oportunidades, não vão ter muitas…isto está no limite. Não dá para dar música aos portugueses, com variações em dó menor. É que menor que isto, só na Somália.
Portanto, vamos ficar expectáveis e tentar observar, qual vai ser a capacidade de execução dos ministros “técnicos” e dos “ministros”, melhor dizendo, “ministras assertivas”, na capacidade de diálogo, com os “lobbies” intervenientes, em cada um dos sectores da sociedade.
Dentro da agonia vivida numa casa onde não há pão, vamos ficar expectáveis, para ver o que será feito, para no futuro colocar o país no seu devido lugar, e por consequência, proporcionar aos cidadãos um futuro promissor, onde a insegurança de vida não seja o apanágio.
Porque, a experiência nos ditou que depois da última coligação, onde esteve o “prestigiado” estadista, Paulo Portas, como ministro da defesa e foram adquiridos dois submarinos, se não vamos ter, desta vez, dois torpedeiros. Se assim acontecer, talvez deste modo, possamos jogar à batalha naval, no futuro mais próximo, porque é o que vai restar a todos nós.

“ Perditis rebus omnibus tamen ipsa virtus se sustentare posse videatur. “ [Cícero, Ad Familiares 6.1.4] No meio da ruína total, só a virtude parece capaz de se sustentar.

sábado, 18 de junho de 2011

Vamos vivendo e esquecemo-nos que temos de morrer.

Vamos vivendo e esquecemo-nos que temos de morrer.
Fui, penso eu, um grande amigo dele. Uma vida cheia de peripécias, entre as quais a contradição entre a profissão que tinha e a sua própria vida.
Foram catorze anos de sofrimento. Os primeiros anos foram levados com a esperança, que um dia, seria possível, se houvesse um transplante, viver melhor. Esse dia nunca chegou, pelo contrário. Tocou o telefone…era o filho que trazia, em primeira mão, o desfecho que nunca se quis interiorizar.
Tantas vezes, parado no trânsito medonho, da segunda circular, logo pela manhã, via aquele edifício alto e pensava nele e pedia, de modo egoísta, que nunca tal me acontecesse.
Nos últimos e escassos anos do resto da sua vida, realizou um sonho…comprar um barco. Fê-lo com grande prazer e satisfação. Entregava-se ao prazer da “sua embarcação”. Mas, tantas vezes sozinho e entregue à sua vida, sentia necessidade de me convidar para estar com ele ou realizar um passeio no barco, até Cascais e voltar à marina de Oeiras.
Entre o sofrimento, mesmo assim, vamos vivendo e esquecemo-nos que temos de morrer.
Até um dia…em que tudo se vai tornando cada vez mais evidente…Nasce-se e morre-se, sozinho. Até lá, vamos procurando esquecer, com barcos ou sem barcos, com isto ou com aquilo que nos dá prazer, que temos de morrer.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

OS BANDOLEIROS DA POLITICA



As jogadas políticas de determinados “malandrecos”, faz-me lembrar aqueles meninos que pareciam bem comportados, mas que passavam os exames a copiar. E quando o professor descobria, ainda se faziam de virgens violadas no seu pudor e castidade.
Os partidos estão repletos destes “malandrecos” que à custa de habilidades, parecem bons alunos, bem comportados, mas que na realidade não passam de uns cábulas habilidosos.
Aproveitam-se da falta de experiência e da ambição desmedida de jovens, alguns deles que se encontram na comunicação social, para na sua ambição descontrolada, serem utilizados e manipulados, na realização de pseudo-noticias ou mesmo na criação de notícias.
Primeiro, dão-lhes lugares de “mandatários para a juventude” e depois pedem-lhes os favores.
No caso concreto estou a escrever sobre os “audazes bandoleiros", que circulam, desde o inicio, `a volta do novo líder do PSD, fazendo, os que eles acham de política de meninos malandrecos, mas que não passam de cábulas refinados. Alguns deles, já com largos anos de PSD. Mudam os líderes e eles continuam a frequentar, nesta altura do campeonato, a universidade sénior de verão, do partido.
E é com estas habilidades que se vão queimando, pouco a pouco, os líderes…estes tipos, são como a nova bactéria de E. Coli…não se sabe se vêm dos pepinos ou dos tomates.
Mas, pelo seu “modus operandi”, sou levado a acreditar, que dos tomates não é, porque não os têm…resta-lhes os pepinos que vão comendo por aí.
Fazem-se assim políticos e desfazem-se assim, políticos. É este entendimento que existe entre alguns políticos e alguns jornalistas, que permitem a esses primeiros, manterem-se na proa dos partidos, fazendo e desfazendo políticos, desde que eles, utilizando as cábulas, vão fazendo as “cadeiras” que precisam, para se realizarem na vida.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O novo governo não vai ter tarefa fácil

O novo governo não vai ter tarefa fácil. A chamada esquerda foi-se mantendo mais ao menos quieta, nas suas movimentações sindicais. O país só começou a assistir a algumas greves, e nos sectores dos transportes, que são aqueles que mais impacto, têm, junto da opinião pública, nos últimos meses do governo socialista. Mas, estas, não foram greves para pressionar o partido do governo na altura, mas sim para preparar o clima propício, às greves que se irão fomentar, com o novo governo, que vai ter a espinhosa missão de pôr o país dentro dos números exigidos pelas corporações financeiras internacionais.
É evidente que o caos a que chegámos, não tem como único responsável, estes últimos governos, liderados por José Sócrates. A responsabilidade é de todos os governos, que foram passando, principalmente, nestes últimos vinte anos. E aí, temos o partido socialista com a grande responsabilidade de ter quase quinze anos de governo sob a sua responsabilidade.
A crise actual, independentemente das questões estruturais que são inerentes à ineficiência e às políticas protectoras, dos grandes países da União Europeia, para manterem o seu nível de rendimento, independentemente, dos restantes países que fazem parte da União, tem a ver com uma crise de regime.
Portugal terá de assumir mudanças radicais, e o mais rápido possível, para modificar o regime existente. É necessária uma nova Constituição da República. Sem esta não será possível dar os grandes passos que o país necessita.
É fundamental, redesenhar o papel dos partidos políticos na “representação” do povo. É fundamental que os governos não estejam dependentes da votação em partidos políticos, mas sim direccionadas para um Presidente da República que tenha como missão, formar o seu governo. Mesmo que para tal, tenha de nomear um Presidente do Conselho de Ministros. Este poderá ser apoiado por partidos políticos, aliás como foram todos os Presidentes da República, até à data, mas resultará deste método que qualquer candidato que se proponha a tal missão, o possa fazer, independentemente, de partidos políticos.
Tem de passar a haver um responsável que responda perante o país pela sua conduta, versus o seu programa eleitoral. Que a culpa não morra solteira, como tem morrido até aqui, permanecendo a alternância dos mesmos partidos no governo.
Hoje temos os partidos que governam alternadamente e temos os outros, que nunca governam, mas que são o elo fundamental das pressões políticas, como as greves, para tentarem perpetuar aquilo, que chamais será exequível, no futuro… a manutenção de um Estado Social distributivo, em vez de um Estado Social redistributivo, em que todos ou quase todos pagam, o que só alguns recebem.
É esta realidade que todos temos de assumir, para o futuro, se pretendermos que aqueles que hoje contribuem possam um dia, serem beneficiários do que vão contribuindo.

“Molestus interpellator venter.” [Erasmo, Adagia 3.10.9] O ventre é um cobrador incômodo. ■Não há prazer onde não há comer.

domingo, 5 de junho de 2011

Mãezinha… estou de volta





Mãezinha… finalmente vamos ter tempo para conversarmos, frente a frente. Vou passar mais tempo contigo. Eles que se amanhem com as dividas que eu deixei. Uma coisa é verdade…o povo português, ainda vai ter saudades do meu tempo, como primeiro-ministro. Vão deixar de andar a contrair empréstimos para fazer férias nas Caraibas, comprar casas novas, etc.
Do que eu tenho pena é dos “camaradas” que vão deixar de passar recibos verdes. Vai ser para eles um tempo difícil.
Ainda não sei bem o que irei fazer, pois como engenheiro estou tramado, porque a Ordem não aceita a minha inscrição. Como tenho férias para tirar, é o que vou fazer agora.
Mas, deixa-me dizer-te…este povo é muito ingrato. Depois de tudo o que fiz por eles. Até tentei, com todas as minhas forças, que não viesse o FMI e eles não foram capazes de ver que o culpado era o PSD.
Deixa para lá, mãezinha. Cá se fazem, cá se pagam!

“Pallentes procul hinc abite curae!” [Marcial, Epigrammata 11.6.6] Fora daqui, sombrias preocupações!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

DEFENDER PORTUGAL





Portugal tem que se defender dos incompetentes que nos governaram nos últimos anos. Desde 1995 que temos vindo a aguentar esta incompetência, tendo sido, os últimos seis anos, de um culto narcisista, que roça o foro psiquiátrico.
Lendo as linhas programáticas do Partido Socialista, tenho o direito de perguntar o que andaram a fazer, nestes últimos seis anos?
Diz o programa, nas questões de justiça e competitividade que “finalmente, o PS continuará a apostar nos meios de resolução alternativa de litígios.”

Dá vontade de rir…até dá, a sensação que vão privatizar a justiça. Com serviços de mediação familiar, laboral e penal, e do alargamento faseado da rede dos julgados de paz.
Só como exemplo, da situação caótica em que estamos, temos o Tribunal de Comércio de Lisboa, que abarca as comarcas de Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira, onde uma providência cautelar pode chegar a levar dois anos, para a primeira decisão do Juiz.
Como é que é possível uma situação desta natureza? Qual é a economia que funciona deste modo? É com a resolução alternativa de litígios? Qual é a empresa que vem investir para um país, em que existe um Tribunal de Comércio, para uma região que representa perto de 50% da economia nacional? Nem na Indonésia…
Mas, se formos ver a competência territorial do Tribunal de Família e Menores de Cascais, também, ficamos espantados. Pois, abrange Cascais e Oeiras. Cascais com cerca de 200 mil habitantes e Oeiras com cerca de 170 mil habitantes. Claro, que um divórcio, mesmo com a nova modalidade do “Simplex”, leva um ano…sim um ano, a ser encerrado o processo. Porque se for uma regulação de poder paternal, talvez uns dois anos, sendo, este, um processo urgente. Dá vontade de rir que é para não chorar.

Com situações desta natureza, continua-se com a mesma ladainha do programa de 2009? Depois de verificar a insistência destas soluções, só me resta acreditar que estes incompetentes, liderados pelo quase engenheiro Sócrates se vão embora. Mas, a política está como o futebol…mesmo que o clube não vença campeonato nenhum, continuamos a insistir em pertencer ao mesmo clube. Masoquismo!

“De flavis vetula in canos vulpecula pilos mutat, illius at mores vertere nemo videt”. [Grynaeus 389] A raposa velha muda os pêlos de amarelos para brancos, mas ninguém a vê mudar de costumes.

sábado, 28 de maio de 2011

O MITO DO ZÉ E DO PS






Há que acabar com os mitos. Só se ouve dizer mal da política dos socialistas, nestes últimos anos e do carácter do Zé.
Desde 2004, que o Zé fez com que a economia portuguesa crescesse e se criassem mais de 150.000 novos empregos. É verdade… em 2004, existiam cerca de 461 mil inscritos nos Centros de Emprego. Em 2010 só existiam 555 mil inscritos. E agora? Já se fala em cerca de 700 mil…? Portanto, foi sempre a crescer. Penso que isto deve ser um dos orgulhos do Zé e dos socialistas. E tanto quanto sei, a crise internacional já estava aí, em 2004 e veio a crescer, a crescer. Portanto, o mérito não é só do Zé e das suas políticas. É da conjuntura internacional.
Em 2004, a dívida directa do Estado, “per capita”, era de 8.640,2 euros. Por causa da crise internacional, a mesma foi crescendo, passando em 2005, para 9.645,8 euros, em 2006, para 10.256,4 euros, sendo, já, em 2009, de 12.485,1 euros. Agora percebo, em face deste crescimento económico, a razão dos resultados das eleições de 2009… o “povo”, reconhecido, voltou a colocar, o Zé, no poder. Merecia…foi um, evidente, esforço, feito pelo mesmo, na captação externa de dinheiros para manter o nosso estilo de vida. Obrigado, Zé pelo teu excelente trabalho. Se não tivesse sido assim, os portugueses tinham deixado de ir aos centros comerciais, ao Domingo, com a família, almoçar ao McDonald, transportando os meninos em plenas correrias e berreiros.

O Zé, sempre preocupado, com o “povo”, fez sempre uma política fiscal, de modo a beneficiar os contribuintes. Em 2004, a receita, em impostos directos e indirectos, “per capita”, era de 6.733,1 euros. O Estado foi emagrecendo a sua estrutura e o resultado foi de se chegar a 2010, com uma receita “per capita” de 11.546 euros. Isto não teria sido possível sem o Zé e o partido socialista. Uma vez mais, os dados económicos demonstram, claramente, que esta malta da oposição passa o tempo a levantar calúnias. Acabe-se com o mito do Zé!
Conduzindo sempre o país para um sucesso estrondoso, a dívida directa do estado, em percentagem do PIB, também, graças ao esforço das políticas do Zé, foi crescendo, passando de 61% em 2004, para um número, que nos pode orgulhar a todos nós, de 88% em 2010.

A preocupação do Zé, com o Estado Social, fez com que, de 2004 a 2009, o número de camas nos estabelecimentos de saúde, por 100 mil habitantes, fosse sendo cada vez menos.
SNS: camas nos estabelecimentos de saúde por 100 mil habitantes
2004 - 223,8
2005 - 225,7
2006 - 221,3
2007 - 220,1
2008 - 203,3
2009 - 201,7

Tudo, graças às parcerias público -privadas que permitiram a construção de novos hospitais. E como vai ser preciso pagá-los, nos próximos 25 anos, o Zé, sempre esperto, reduziu o número de camas, que é para a malta não ficar acomodado e ir trabalhar. É assim mesmo!
Mas, pelas múltiplas exigências, da (s) “sociedade (s)”, o Zé, não se ficou por aí, e toca de nos aproximar, cada vez mais, uns dos outros, realizando novas obras, que a todos nós nos orgulha e que vai permitir, acabar com as novas tecnologias de informação, incluindo as redes sociais, pois será cada vez mais fácil, irmos a casa uns dos outros, com as novas auto-estradas, das quais deixo alguns exemplos… Algarve Litoral, Litoral Oeste, Baixo Alentejo, Alto Alentejo, AE Transmontana, Douro Interior, Pinhal Interior, etc.
Não se preocupem que alguém há-de pagar…



Neste pequeno “post”, creio que deixei uma mensagem clara. Acabem com o mito do Zé e dos socialistas. Eles contribuíram, de modo humilde, para o sucesso em que se encontra Portugal. Se não fosse a crise internacional, nós não precisávamos de ir pedir, uma vez mais, dinheiro emprestado.




“Fabulam surdo narras.” [Pereira 107] Contas uma história a um surdo.

sábado, 21 de maio de 2011

OS PAQUISTANESES EM ÉVORA

Os Paquistaneses ficaram muito contentes com a notícia, de que tinha sido o Sócrates a construir a barragem do Alqueva. Ainda eles viviam no Paquistão e já sabiam que o Sócrates ia construir a barragem do Alqueva. Foi por causa disso que eles vieram para Portugal. Quando o Sócrates os convidou a fazer uma viagem, até Évora, com direito a um farnel, eles não hesitaram e foram até à Praça do Geraldo. E contentes que eles estavam. Só que não os deixaram estar todos na mesma bancada, porque dava muito nas vistas. E lá se encontravam, sentados, juntos com outros convidados entre emigrantes de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné. Só não vi, convidados de Macau, nem da China de Mao Tsé-Tung.
Os de Macau, penso que se estão borrifando para esta porcaria, pois têm um nível de vida que não necessitam de emigrar. Mas, onde é que estavam os Chineses de Mao Tsé-Tung? Não foram ao comício do Zé, por várias razões…uma delas é que o farnel oferecido pelo partido Socialista, não tinha “porco doce”, nem “arroz Chau-Chau”. Por outro lado, todos eles tinham de trabalhar, nos “Hipers Chinas”, para importar as bandeiras, as t-shirts e os bonés do Partido Socialista.
Esta situação retrata bem o desespero que o Sócrates e os seus camaradas estão a passar.
E o Zé explicou as vantagens do Alqueva. “Agora, já podem ter couve repolho, couve-galega, pois, já podem regar as couvinhas. Têm é que ir buscar a água, à barragem, em baldes de plástico, comprados nas lojas dos chineses, pois a barragem só serve para ir fazer piqueniques e fazer viagens de barquinho. Para os paquistaneses mais abastados, podem tirar umas férias, e dar uns passeios de barco na barragem.”
Eu prometo e está no nosso programa de governo que haverá “baldes de plástico” para todos.
Quanto a ter levado o país, quase à bancarrota, nada disse. O argumento do Estado Social já não pega. Quem é que desconhece quem foi o grande destruidor do Estado Social em Portugal, depois do 25 de Abril? A resposta é José Sócrates…é só esperar a declaração de IRS de 2011, para se fazer as contas.
José Sócrates tanto insistiu que é hoje, um primeiro-ministro moribundo e deixa um país moribundo, que nem daqui a trinta anos vai conseguir levantar a cabeça.

“Mole sua ruit.” [Horácio, Carmina 3.4.65] Desmorona pelo seu próprio peso.

domingo, 15 de maio de 2011

Mãezinha, que saudades!

Como sabes, ando em campanha eleitoral. Meterem-se com o PS, agora, “levam”. Tal e qual. Eu bem os fui avisando, aliás, já o Jorge tinha dito…”quem se meter com o PS apanha”. E estão a apanhar com os autocarros fretados para as “grandes” manifestações, como foi esta de Vizela. Até o Chiquinho me enviou uma mensagem, pelo Correio da Manhã. E que giro que estava. Há uma coisa que o Chiquinho tem razão…”MAIS TRAVALHO FAS FALTA EM PORTUGAL". Coitado do Chiquinho…ainda não teve oportunidade de estar nas “grandes oportunidades”. Mas, do modo como se exprime, se ele tentar, ainda pode tirar um curso numa Universidade… daquelas, privadas, que dantes, formavam secretárias e dactilógrafas. Segundo me disseram, eles lá, fabricam professores, educadores e até ensinam a malta mais desequilibrada, com aqueles cursos de psicologia e depois, são psicólogos.
O quê, mãezinha? Sai de casa e não levei farnel? É pá, acabei por ir, com seis apoiantes, a um restaurante modesto. Mas comemos bem…foram cem euros por cabeça!
Eles pensavam que atacavam o Estado Social? Enganam-se! Eu vou defender essa coisa, até às últimas consequências. O quê, eu tenho os filhos numa escola privada? Mas, ó mãezinha… eu não sou contra a iniciativa privada. Eu fiz um curso com quatro cadeiras numa Universidade privada? É o que eu te digo, mãezinha. O privado deve servir para colmatar as deficiências que se encontram no público.
Se o FMI colocou problemas nas pensões dos reformados e até quer tirar o subsídio de férias aos mesmos? Eu sei mãezinha, que existem essas dificuldades todas do FMI. Mas nós, temos que continuar a dizer que somos os “paladinos” do Estado Social. E isso é fácil e depois, com gajos como o Chiquinho, ganhar as eleições é “canja”.
Daqui a três anos, e depois de pagarmos 30 mil milhões de juros e uma parte da divida…sim, mãezinha, porque não vamos conseguir pagar a divida toda, mandamos o FMI embora e eu faço mais uns PECS. O que é preciso é dizer ao povo que vamos manter o “Estado Social” e que nós socialistas é que somos o “Sancho Pança”, cá do sitio. Sim, porque o D. Quixote, sou eu!
Agora, o TGV Lisboa/Madrid é que ninguém me tira. Olha, se vires o Chiquinho, diz-lhe que esta do TGV vai ser mais uma oportunidade. Ele que se inscreva!

“Labor imperantis militum securitas.” [Publílio Siro] A dedicação do comandante é a segurança dos soldados.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sócrates: "Ganhei este debate e vou ganhar as eleições"

O secretário-geral do PS, José Sócrates, considerou ter ganho o debate televisivo com o líder do CDS, enquanto Portas voltou a acusar o primeiro-ministro."Ganhei este debate e vou ganhar as eleições", disse José Sócrates, em declarações aos jornalistas no final do debate transmitido pela TVI.
Isto parece uma corrida de automóveis ou um jogo de futebol. Mas, estamos a falar de um país, de um povo, que continua em apostar, num Zé, que leva isto, como se fosse um jogo de futebol. Em qualquer empresa, este Zé já estava despedido, com justa causa. Claro, que depois, o Zé interpunha uma acção no Tribunal de Trabalho e era reintegrado na empresa. E se calhar é o que pode acontecer. Mais de 30% do eleitorado, comporta-se como se fosse um magistrado, de um Tribunal de Trabalho, que depois de o funcionário levar a empresa à falência, ainda o quer readmitir. Ou então, na realidade é aquilo que diz o Zé…” Ganhei este debate e vou ganhar as eleições”, como se isto fosse um “dérbi”, de futebol, entre mouros e morcões.
O líder do CDS, Paulo Portas, recusou implicitamente integrar um Governo de coligação com o PS ao afirmar que "é coerente" e que não deve entregar-se a gestão do empréstimo financeiro a José Sócrates. Esta postura é interessante, antes das eleições, para pressionar o eleitorado a votar no CDS. Muito bem. Mas a imagem que passa, também não é positiva quando o país está “à rasca”, porque o Zé se fartou de gastar a fartazana. Foram quase sete anos de regabofe.
Evidente, que se estivéssemos a falar de dois gajos, da “sociedade civil”, eu concordaria com o Paulo Portas. O gajo, se ganhar que desgoverne o resto desta merda, gerindo mais um empréstimo. Tal como já disse, daqui a três anos, o Zé acaba com o FMI e vai fazer mais um PEC. Ai vai, vai. Portanto, desenrasquem-se.
Ainda gostava de saber, se um empresário que leva uma empresa à falência e que, depois de andar a gastar o dinheiro, que o Banco lhe tinha emprestado, se o mesmo voltaria a emprestar dinheiro, outra vez?

"Sou coerente quando disse uma palavra [a José Sócrates, no Parlamento], saia. Eu não entendo que se devam colocar 78 mil milhões que são a última oportunidade que nós temos para pôr o Estado e as contas em dia e para permitir o crescimento económico (...) que se deva colocar a gerir esse dinheiro quem apenas soube gastar mais, desperdiçar mais, endividar mais, ou seja, José Sócrates", afirmou Paulo Portas, após questionado se fará Governo com o PS caso PSD e CDS não reúnam maioria nas eleições de 5 de Junho.
Questionado sobre que entendimento admite, no debate na TVI, o secretário-geral socialista, José Sócrates respondeu que a atitude do PS "é de abertura e diálogo". Isto no mínimo é surrealista. Então, um gajo depois de dizer que… já ganhei o debate, diz: “atitude do PS é de abertura e diálogo"? Com um gajo destes?
E assim vai o país!

Para que não existam dúvidas, os próximos anos vão obrigar as famílias a refinar a sua ginástica acrobática orçamental.

As medidas acordadas com a ‘troika' para que Portugal obtenha os 78 mil milhões de euros, de que precisa para sair do actual estrangulamento financeiro, arriscam-se a deixar muitos contribuintes com falta de ar. Os gastos com a habitação vão subir, o acesso à saúde ficará mais caro, os desempregados terão um apoio mais reduzido. Estas são apenas algumas das medidas mais duras. Conheça o resto.

1. As deduções totais que as famílias podem fazer no IRS vão ser limitadas consoante o seu escalão de rendimentos. As deduções dos gastos com a saúde vão ter um limite específico;
2. A habitação vai ficar mais cara: as deduções de amortizações de empréstimos à habitação vão terminar e as de juros vão ser progressivamente cortadas. O IMI vai ficar mais caro, tanto pelo aumento do seu valor, como pela perda de isenção para muitos proprietários. Quem arrenda, também verá as deduções destes gastos progressivamente cortadas;
3. A electricidade e o gás vão ficar mais caros: vão deixar de ter direito à taxa reduzida de 6%, passando ou para a de 13%, ou para a máxima de 23%;
4. O valor do subsídio de desemprego vai ficar mais baixo (não vai superar os 1.048 euros) e as indemnizações por despedimento também vai encolher;
5. Quem recebe apoios sociais - como por exemplo subsídio de desemprego, abono de família ou subsídio de parentalidade - vai ter de declará-los no IRS, para englobamento. Em alguns casos, a taxa de IRS da família pode subir, agravando o imposto a pagar;
6. Todas as pensões acima de 1.500 euros mensais serão cortadas, tanto para os reformados do sector público, como do privado. A redução será em linha com o corte já efectuado nos salários dos funcionários públicos (entre 3,5% e 10%);
7. As taxas moderadoras para aceder ao Serviço Nacional de Saúde vão ficar mais caras e abranger mais utentes, uma vez que os critérios para isenção serão revistos. Urgências e consultas externas serão mais penalizadas; (ESTADO SOCIAL)
8. O valor pago pelas horas extraordinárias vai ser mais baixo: não pode superar 50% do valor da hora de trabalho regular. Até agora, esta era a remuneração mínima paga pelas horas extra. Os bancos de horas também serão negociados ao nível empresarial, substituindo o pagamento do trabalho extra por descanso;
9. Os preços dos transportes públicos vão subir em breve. As empresas terão de apresentar uma proposta para a revisão das tarifas até ao final deste mês;
10. Os benefícios dos subsistemas de saúde públicos (da ADSE, dos militares e dos polícias) vão ser cortados, obrigando a que os seus utentes paguem mais pelos mesmos serviços médicos
Ora, aqui estão dez razões para votarem José Sócrates e no Partido Socialista.

"Mulge praesentem." [Schottus, Adagia 601] Ordenha o presente. ■Aproveita enquanto é tempo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Paulinho comprou, Zezinho pagou…




Hoje tivemos mais um debate entre o Zé e o Paulinho. Só que o Paulinho, em vez de uma entrevistadora/moderadora, teve dois entrevistadores/moderadores, pois, o Zezinho, além de responder à entrevistadora, fazia as perguntas ao Paulinho.
E depois, o Zé põe aquele arzinho de menina virgem violada e, ainda por cima, em frente do Paulinho. Conclusão… o Paulinho viu-se aflito, para se defender das agressões verbais da virgem violada. Até lhe disse…”pois, o Senhor Deputado comprou os submarinos, mas quem os pagou fui eu”. Estou a começar a ficar fulo com isto! Então, vêm agora mais uma série de medidas que me vão tramar os meus rendimentos do trabalho, porque não há dinheiro e o Zé veio dizer que ele é que pagou os submarinos? Mau, mau…que eu saiba os submarinos não estão pagos, tal como não estão pagos o Hospital de Cascais, o Hospital de Loures, nem tão pouco as Scuts.
Já não bastava ter ficado de dar duzentos aéreos aos bebes, para eles levantarem daqui a dezoito anos e iniciarem o seu próprio negócio, ainda foi pagar os submarinos comprados pelo Paulinho? Quanto aos cheques bebes, tenho falado com uma série de putos que estão tramados com o Zé. Dizem que afinal não há cheques nenhuns e que quando tiverem idade para votar, não votam no Zé, embora saibam que ele daqui a dezoito anos ainda é Secretário-geral do Partido.
Os putos mais velhos, esses, andaram a receber computadores Magalhães, comprados sem concurso público e que andaram a ser distribuídos, “à la garder”, por tudo o que era sitio. A grande propaganda foi que aquilo era resistente às cambalhotas e às quedas, mas, a realidade, é que os putos já deram cabo dos computadores e agora, dizem, que ou o Zé dá outro computador, ou daqui a dez anos, não votam nele. E que ainda por cima, tiveram que obrigar os pais a comprar outro software, porque aquele, que vinha com o computador, estava cheio de erros e que nem o dicionário do Word, conseguia corrigir. Claro que os pais ficaram chateados com isto…mas disseram…mal o menos…antes, gastar dinheiro no software, do que comprar ténis novos e equipamento para os putos andarem no ginásio. Depois, ainda pediam para ir ao “Spa”, e não há dinheiro que aguente…Chiça…prestação do carro, prestação da casa, prestação do cartão de crédito, prestação da mobília, da última viagem a Cuba, e ainda, o ginásio e o Spa, do puto?
E isto tudo, por causa dos submarinos que o Paulinho comprou e o Zé pagou. Agora, já sei porque estamos “à rasca”, e porque é que não havia dinheiro, para dentro de um mês, pagar os salários na função pública e forças militares e militarizadas. Tudo por causa dos submarinos. Finalmente, a verdade veio à tona de água.

sábado, 7 de maio de 2011

COMUNICAÇÃO DO ZÉ AO PAÍS





O Zé fez uma comunicação ao país, depois da “troika”, nos ter dado a “perestroika” e a “glasnost”, sobre a economia nacional, isto é, que estávamos tesos que nem um carapau e que já não havia dinheiro para nada, dentro de um mês…
E disse:
1.º Os ordenados vão continuar a beneficiar dos 2,9% de aumento que dei em 2009.
2.º Os ordenados não baixam. Só baixarão se comprarem coisas novas, por causa da inflação.
3.º Vamos dinamizar o mercado de arrendamento; com o aumento do IMI e do número de gajos caloteiros que não vão poder pagar as prestações ao banco;
4.º Os tribunais vão acelerar os processos pendentes; vamos reduzir o tempo para que possam prescrever;
5.º A Coca-Cola e a Pepsi não sofrem aumentos. Já quanto ao tabaco e às bejecas, tivessem feito como eu…deixassem de fumar e de beber um copo. Só fumo e bebo quando estou em serviço.
6.º Há uma série de produtos que vão deixar de pagar 13% de IVA. Vamos facilitar o trabalho às empresas e às finanças. Harmonizamos o IVA em 23%. É mais fácil.
7.º Outra boa notícia é que o Golfe mantém o IVA de 6%;
8.º Os bilhetes dos transportes públicos não vão ser aumentados. Só os passes sociais.
9.º Aqueles que pensavam que já não havia TGV, enganaram-se…os rapazes da Troika nada disseram sobre o TGV Lisboa/Madrid;
10.º Não haverá despedimentos. Só haverá, dispensados. Quem quiser emigrar, nós garantimos, desde já, um subsídio para o bilhete de avião e para a renda do primeiro mês, no país estrangeiro à vossa escolha.
11.º No caso de serem dispensados, garantimos até 18 meses de subsídio.
12.º Por último, a melhor notícia de todas…Comigo como primeiro-ministro, garanto que as coisas só irão melhorar. Dentro de três anos de governo, já vamos poder negociar outro PEC e acabar com o FMI.

O DINHEIRO INTANGIVEL

Ao longo destes últimos anos, milhares e milhares de pessoas, consumiram dinheiro electrónico, que tem a vantagem de não destruir árvores, e por outro lado não sujar as mãos, e correu tudo bem.
Estamos a falar de dinheiro que ao ser intangível, era também sustentável. A única coisa que não se conseguiu manter foi a sua credibilidade, e não a sua capacidade de reprodução.
O neo-liberalismo tentou convencer-nos da nossa individualidade e capacidade de decisão, acreditando-se que o desejo ilimitado teria a capacidade de sustentar o consumo. Mas, a partir de agora, a obrigatoriedade do consumo vê-se confrontado com o imaginário da sustentabilidade. Consumir tem vindo a ser o acto de consumo e não, o de efectivamente, o de utilizar recursos e produtos físicos. Estamos metidos num paradoxo, em que temos de consumir para os que trabalham, para ajudar cada um de nós a manter-se no trabalho e eventualmente, ajudar o vizinho a trabalhar. Os que não trabalham continuam a permitir o desenvolvimento do papel de sempre…permitir que os salários permaneçam baixos. Deste modo, para manter esta situação, haverá que continuar a consumir, pois a ideia de poupança é contrária, aos interesses gerais e particulares, de quem não produzindo nada, vai consumindo os juros, de quem vai pedindo dinheiro, para manter o consumo que lhe dizem necessário. Não foi em vão que as poupanças durante estes últimos anos foram penalizadas, inclusive os famosos PPRS, mas por outro lado, fomos assistindo aos crescentes malabarismos, para que o crédito fosse mais fácil, como vimos. E entre estes dois grupos, dos que trabalham e dos que vão sustentando os que não trabalham, para permitir manter a mão-de-obra barata, temos o grupo de ideólogos, banqueiros e traficantes. E este grupo tem a árdua tarefa de tentar manter, esse seu conjunto de actividades, numa óptica global, de modo que possam devolver à economia, a ideia de continuarem a consumir e de acreditarem que todos esses milhões e milhões de dinheiro intangível continua a ter credibilidade. Nessa altura, por mais uns tempos, tudo voltará ao normal, até que se venham a desenvolver outros problemas que não tardam por ai.

"Moderata laudamus, excessus vituperamus." [Grynaeus 513] Louvamos o que é moderado; o excesso, criticamos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O MANUAL DE CIÊNCIA POLÍTICA

O actual governo tem seguido à risca o manual de instruções que vem circulando, nos meios políticos.
Em primeiro lugar, há que fazer amigos nas grandes empresas, dos vários sectores -chave. Trazê-las para o núcleo da governação. A política deve estar virada para os grandes negócios e para a alta finança. Creio que temos vários exemplos, muito recentes, em Portugal. Desde a CGD a emprestar dinheiro para se comprarem acções de outros bancos, como foi o caso do BCP, ou a transferência da administração da mesma, para o BCP.
Deve-se defender que a política e os negócios são inseparáveis. A política deve estar perto dos negócios, tal como estes, perto da política. Deste modo, deve-se ir falando da necessidade da iniciativa privada, da redução de impostos para as empresas e a desregulação dos sectores. Os cidadãos devem ter o direito de serem eles mesmo, para que possam enriquecer e consumir sem restrições. Na desregulação, se o leque legislativo estiver muito apertado, por imposições de organismos internacionais, sempre há a possibilidade de colocar, nas instituições reguladoras, na sua gestão, amigos que possam ser passivos e por vezes até fazer alguns jeitos. Se eles se portarem bem, e depois de se tornarem inconvenientes, promovem-se, e colocam-se, os mesmos, nessas mesmas organizações internacionais, em lugares de topo.
Para que o círculo se vá fechando, deve-se procurar a maneira de infiltrar nos sindicatos e associações profissionais, que tentem pensar pela sua própria cabeça, alguns correligionários.
Já quanto aos tribunais e à polícia de investigação, se os mesmos começarem a investigar situações que possam ameaçar o governo, devidamente eleito, há que começar a acusar juízes, magistrados, de conduta desonrosa e de ingerência na actividade de um governo, legitimamente eleito. Era o que faltava. Então, sirvam-se de todos os meios, ao alcance, para pôr em conflito, se possível, as diversas hierarquias de tribunais.
E a luta deixa de estar do lado do governo e passa para a magistratura que vai ficando cada vez mais refém dos políticos. Isso é bom, para dar estabilidade governativa. Haverá que não esquecer da necessidade de se exercerem pressões sobre todos os focos extraparlamentares de oposição. OS críticos do governo devem ser postos de joelhos, de preferência em silêncio. Especial atenção às instituições que monitorizem o poder. Se existirem O.N.G.S. que estejam a causar embaraços, haverá que realizar interrogatórios ameaçadores e questionar, de preferência, as suas fontes de financiamento e mesmo a constituição das suas administrações. Desde logo, insinuam-se dúvidas sobre o seu estatuto e o carácter desinteressado. O mais importante é desenvolver uma cultura permanente de suspeita sobre estas. Não se deixa sem punição as diferenças de opinião.
Se existirem elementos intelectuais que vão desacreditando os factos de governação, procura-se ter peritos alternativos, que venham contrariar e que tentem provar o contrário, principalmente, nos programas das mesas redondas, nas televisões.
Não se pode ficar quieto. Dê-se início a processos criminais, contra quem anda a fazer denuncias e alertas, ou então, há que empata-los, o mais que se puder, em batalhas de tribunal, prolongadas e de preferência, que os levem à ruína.
É fundamental manter um controlo executivo sobre o que seja comunicação de tipo político. Chegando-se ao governo, há que reunir, logo, uma equipa de especialistas em relações públicas que sejam obstinados e mestres na arte do dar a volta às coisas. Mas, a todas as coisas que se possam virar contra os políticos. Desde uma universidade inconveniente até ao cigarrito que se fuma dentro de um avião.
A imagem que se tem de ser construída por esses mestres é a de um primeiro-ministro trabalhador, um homem dedicado, um homem que se fez a si mesmo, um líder no qual as pessoas consigam encontrar, sempre, alguma coisa com que se possam identificar e mais, alguma coisa que gostassem de ser.
Já no que diz respeito, à comunicação social, esta deve ser conhecedora dos planos do governo, em troca de uma cobertura privilegiada, mas favorável.
Os “boys” de alta confiança devem ser esclarecidos, que devem informar o governo, em particular, o gabinete do primeiro-ministro, do contacto com qualquer jornalista. Deve-se pôr travões à fuga de informação. Cuidado com os “boys” já reformados…são mais atreitos a libertar a língua. Se existirem jornalistas inconvenientes, daqueles que se recusam a dilatar as suas fontes, há que colocar processos crimes contra os mesmos, e se tal não chegar, pode-se, sempre, tentar a compra, por outros grupos de interesses, desses meios de comunicação social.
Mesmo que seja em tempos de crise, há que fazer orelhas moucas a todo o pedido de informação, que seja dirigido ao governo. Cuidado com o que se diz. E há sempre como alternativa, por exemplo, se um valor de défice estiver diferente, dizer-se que mudaram as regras contabilísticas e mais isto e mais aquilo, e portanto, é uma mera questão técnica.
Ao fim e ao cabo, há que dizer aos eleitores que se no final do mandato, o governo não tiver cumprido as suas promessas, como é devido, então não merece ser reeleito. Mas há que fazer planos, sempre, para vitórias consecutivas, mudando a noção de que a governação é algo de curto prazo. Há que transmitir a ideia de que há várias eleições a serem ganhas, para que se mudem as regras de jogo e para que a atmosfera de vida pública se vá alterando. Há que tirar da manga, todas as cartas e truques políticos que se podem conhecer, para fazer o que ninguém conseguiu fazer: vencer três mandatos, quatro mandatos e por aí fora.
Assim, se consegue governar…o país? A democracia? Essa caminha, a passos largos, para o abismo. Até lá…vão estando atentos, ao manual de instruções.

“Lacrimis ianua surda tuis”. [Marcial, Epigrammata 10.14.8] A porta está surda às tuas lágrimas.

domingo, 1 de maio de 2011

Até sempre, Mãe!

Todos nós temos ou tivemos Mãe. A maioria de nós sabe ou soube o que era ter Mãe. Sim, porque para alguns, e infelizmente não são tão poucos como isso, nunca beneficiaram, do facto, de ter uma Mãe, mesmo quando elas existem, fisicamente.
Mas, mesmo para aqueles que já não têm Mãe, sentem-na dentro de si. Nas saudades que deixaram, nas suas recordações, mas mais do que isso, no muito que somos hoje. Mulheres e homens do presente.
Eu recordo a minha, com saudade. Os afectos, os castigos, mas mais do que tudo, a preocupação, permanente, que ela tinha em que eu estivesse bem. Abdicou, privou-se de muito, para me proporcionar, o que no entendimento dela, seria o melhor para mim. Naquelas alturas, nem tudo é entendido por nós. Só mais tarde, como em tudo na vida, começamos a ter a percepção da realidade da vida. Por isso, tal como há alguns anos atrás, hoje de modo diferente, quando nos fazem mal, dizemos…” vou dizer à minha Mãe”. Mas quando sabemos que estamos a fazer traquinices, também dizemos…”não digas nada à minha Mãe”. Por um lado temos a noção de que temos sempre alguém para nos proteger, por outro lado, também, sabemos que temos sempre alguém, para nos repreender, quando somos traquinas.
Ainda hoje, sinto que estou a ser vigiado nas minhas traquinices. Mas, quando, eventualmente, não me porto bem, sofro directamente as consequências. E nesse aspecto, a minha Mãe, educou-me a ter o sentido de responsabilidade, dos meus actos, desde pequenino. Talvez, hoje, seja um pouco diferente…porque, alguns de nós, não entendemos, o que de salutar tinha este modo, de “protecção”. É que aprendemos, mais cedo a ser mulheres e homens responsáveis. A defendermo-nos das adversidades da vida. E isso é bom para a nossa vida. Acaba por dar-nos auto-defesas, fundamentais.
Portanto, muito cedo, aprendi que não me poderia abrigar nas costas da minha Mãe, e que tinha de enfrentar, por mim, as adversidades da vida. Quando algo de mau me acontece, mesmo que ela fisicamente estivesse aqui, eu não” iria dizer à minha Mãe”. Aquilo que eu não disse, à minha Mãe, as vezes que deveria ter dito, é que…” amo-te, Mãe” e não me esqueço, nunca, de ti. Porque me ensinaste e procuras-te, toda a vida, que eu fosse um homem bom.
E pela tua combatividade e amor, vou continuar, também, a procurar ser, não um homem bom, mas um homem melhor.
Até sempre, Mãe!