sexta-feira, 10 de junho de 2011

OS BANDOLEIROS DA POLITICA



As jogadas políticas de determinados “malandrecos”, faz-me lembrar aqueles meninos que pareciam bem comportados, mas que passavam os exames a copiar. E quando o professor descobria, ainda se faziam de virgens violadas no seu pudor e castidade.
Os partidos estão repletos destes “malandrecos” que à custa de habilidades, parecem bons alunos, bem comportados, mas que na realidade não passam de uns cábulas habilidosos.
Aproveitam-se da falta de experiência e da ambição desmedida de jovens, alguns deles que se encontram na comunicação social, para na sua ambição descontrolada, serem utilizados e manipulados, na realização de pseudo-noticias ou mesmo na criação de notícias.
Primeiro, dão-lhes lugares de “mandatários para a juventude” e depois pedem-lhes os favores.
No caso concreto estou a escrever sobre os “audazes bandoleiros", que circulam, desde o inicio, `a volta do novo líder do PSD, fazendo, os que eles acham de política de meninos malandrecos, mas que não passam de cábulas refinados. Alguns deles, já com largos anos de PSD. Mudam os líderes e eles continuam a frequentar, nesta altura do campeonato, a universidade sénior de verão, do partido.
E é com estas habilidades que se vão queimando, pouco a pouco, os líderes…estes tipos, são como a nova bactéria de E. Coli…não se sabe se vêm dos pepinos ou dos tomates.
Mas, pelo seu “modus operandi”, sou levado a acreditar, que dos tomates não é, porque não os têm…resta-lhes os pepinos que vão comendo por aí.
Fazem-se assim políticos e desfazem-se assim, políticos. É este entendimento que existe entre alguns políticos e alguns jornalistas, que permitem a esses primeiros, manterem-se na proa dos partidos, fazendo e desfazendo políticos, desde que eles, utilizando as cábulas, vão fazendo as “cadeiras” que precisam, para se realizarem na vida.

terça-feira, 7 de junho de 2011

O novo governo não vai ter tarefa fácil

O novo governo não vai ter tarefa fácil. A chamada esquerda foi-se mantendo mais ao menos quieta, nas suas movimentações sindicais. O país só começou a assistir a algumas greves, e nos sectores dos transportes, que são aqueles que mais impacto, têm, junto da opinião pública, nos últimos meses do governo socialista. Mas, estas, não foram greves para pressionar o partido do governo na altura, mas sim para preparar o clima propício, às greves que se irão fomentar, com o novo governo, que vai ter a espinhosa missão de pôr o país dentro dos números exigidos pelas corporações financeiras internacionais.
É evidente que o caos a que chegámos, não tem como único responsável, estes últimos governos, liderados por José Sócrates. A responsabilidade é de todos os governos, que foram passando, principalmente, nestes últimos vinte anos. E aí, temos o partido socialista com a grande responsabilidade de ter quase quinze anos de governo sob a sua responsabilidade.
A crise actual, independentemente das questões estruturais que são inerentes à ineficiência e às políticas protectoras, dos grandes países da União Europeia, para manterem o seu nível de rendimento, independentemente, dos restantes países que fazem parte da União, tem a ver com uma crise de regime.
Portugal terá de assumir mudanças radicais, e o mais rápido possível, para modificar o regime existente. É necessária uma nova Constituição da República. Sem esta não será possível dar os grandes passos que o país necessita.
É fundamental, redesenhar o papel dos partidos políticos na “representação” do povo. É fundamental que os governos não estejam dependentes da votação em partidos políticos, mas sim direccionadas para um Presidente da República que tenha como missão, formar o seu governo. Mesmo que para tal, tenha de nomear um Presidente do Conselho de Ministros. Este poderá ser apoiado por partidos políticos, aliás como foram todos os Presidentes da República, até à data, mas resultará deste método que qualquer candidato que se proponha a tal missão, o possa fazer, independentemente, de partidos políticos.
Tem de passar a haver um responsável que responda perante o país pela sua conduta, versus o seu programa eleitoral. Que a culpa não morra solteira, como tem morrido até aqui, permanecendo a alternância dos mesmos partidos no governo.
Hoje temos os partidos que governam alternadamente e temos os outros, que nunca governam, mas que são o elo fundamental das pressões políticas, como as greves, para tentarem perpetuar aquilo, que chamais será exequível, no futuro… a manutenção de um Estado Social distributivo, em vez de um Estado Social redistributivo, em que todos ou quase todos pagam, o que só alguns recebem.
É esta realidade que todos temos de assumir, para o futuro, se pretendermos que aqueles que hoje contribuem possam um dia, serem beneficiários do que vão contribuindo.

“Molestus interpellator venter.” [Erasmo, Adagia 3.10.9] O ventre é um cobrador incômodo. ■Não há prazer onde não há comer.

domingo, 5 de junho de 2011

Mãezinha… estou de volta





Mãezinha… finalmente vamos ter tempo para conversarmos, frente a frente. Vou passar mais tempo contigo. Eles que se amanhem com as dividas que eu deixei. Uma coisa é verdade…o povo português, ainda vai ter saudades do meu tempo, como primeiro-ministro. Vão deixar de andar a contrair empréstimos para fazer férias nas Caraibas, comprar casas novas, etc.
Do que eu tenho pena é dos “camaradas” que vão deixar de passar recibos verdes. Vai ser para eles um tempo difícil.
Ainda não sei bem o que irei fazer, pois como engenheiro estou tramado, porque a Ordem não aceita a minha inscrição. Como tenho férias para tirar, é o que vou fazer agora.
Mas, deixa-me dizer-te…este povo é muito ingrato. Depois de tudo o que fiz por eles. Até tentei, com todas as minhas forças, que não viesse o FMI e eles não foram capazes de ver que o culpado era o PSD.
Deixa para lá, mãezinha. Cá se fazem, cá se pagam!

“Pallentes procul hinc abite curae!” [Marcial, Epigrammata 11.6.6] Fora daqui, sombrias preocupações!

segunda-feira, 30 de maio de 2011

DEFENDER PORTUGAL





Portugal tem que se defender dos incompetentes que nos governaram nos últimos anos. Desde 1995 que temos vindo a aguentar esta incompetência, tendo sido, os últimos seis anos, de um culto narcisista, que roça o foro psiquiátrico.
Lendo as linhas programáticas do Partido Socialista, tenho o direito de perguntar o que andaram a fazer, nestes últimos seis anos?
Diz o programa, nas questões de justiça e competitividade que “finalmente, o PS continuará a apostar nos meios de resolução alternativa de litígios.”

Dá vontade de rir…até dá, a sensação que vão privatizar a justiça. Com serviços de mediação familiar, laboral e penal, e do alargamento faseado da rede dos julgados de paz.
Só como exemplo, da situação caótica em que estamos, temos o Tribunal de Comércio de Lisboa, que abarca as comarcas de Almada, Amadora, Barreiro, Cascais, Lisboa, Loures, Mafra, Moita, Montijo, Oeiras, Palmela, Seixal, Sesimbra, Setúbal, Sintra e Vila Franca de Xira, onde uma providência cautelar pode chegar a levar dois anos, para a primeira decisão do Juiz.
Como é que é possível uma situação desta natureza? Qual é a economia que funciona deste modo? É com a resolução alternativa de litígios? Qual é a empresa que vem investir para um país, em que existe um Tribunal de Comércio, para uma região que representa perto de 50% da economia nacional? Nem na Indonésia…
Mas, se formos ver a competência territorial do Tribunal de Família e Menores de Cascais, também, ficamos espantados. Pois, abrange Cascais e Oeiras. Cascais com cerca de 200 mil habitantes e Oeiras com cerca de 170 mil habitantes. Claro, que um divórcio, mesmo com a nova modalidade do “Simplex”, leva um ano…sim um ano, a ser encerrado o processo. Porque se for uma regulação de poder paternal, talvez uns dois anos, sendo, este, um processo urgente. Dá vontade de rir que é para não chorar.

Com situações desta natureza, continua-se com a mesma ladainha do programa de 2009? Depois de verificar a insistência destas soluções, só me resta acreditar que estes incompetentes, liderados pelo quase engenheiro Sócrates se vão embora. Mas, a política está como o futebol…mesmo que o clube não vença campeonato nenhum, continuamos a insistir em pertencer ao mesmo clube. Masoquismo!

“De flavis vetula in canos vulpecula pilos mutat, illius at mores vertere nemo videt”. [Grynaeus 389] A raposa velha muda os pêlos de amarelos para brancos, mas ninguém a vê mudar de costumes.

sábado, 28 de maio de 2011

O MITO DO ZÉ E DO PS






Há que acabar com os mitos. Só se ouve dizer mal da política dos socialistas, nestes últimos anos e do carácter do Zé.
Desde 2004, que o Zé fez com que a economia portuguesa crescesse e se criassem mais de 150.000 novos empregos. É verdade… em 2004, existiam cerca de 461 mil inscritos nos Centros de Emprego. Em 2010 só existiam 555 mil inscritos. E agora? Já se fala em cerca de 700 mil…? Portanto, foi sempre a crescer. Penso que isto deve ser um dos orgulhos do Zé e dos socialistas. E tanto quanto sei, a crise internacional já estava aí, em 2004 e veio a crescer, a crescer. Portanto, o mérito não é só do Zé e das suas políticas. É da conjuntura internacional.
Em 2004, a dívida directa do Estado, “per capita”, era de 8.640,2 euros. Por causa da crise internacional, a mesma foi crescendo, passando em 2005, para 9.645,8 euros, em 2006, para 10.256,4 euros, sendo, já, em 2009, de 12.485,1 euros. Agora percebo, em face deste crescimento económico, a razão dos resultados das eleições de 2009… o “povo”, reconhecido, voltou a colocar, o Zé, no poder. Merecia…foi um, evidente, esforço, feito pelo mesmo, na captação externa de dinheiros para manter o nosso estilo de vida. Obrigado, Zé pelo teu excelente trabalho. Se não tivesse sido assim, os portugueses tinham deixado de ir aos centros comerciais, ao Domingo, com a família, almoçar ao McDonald, transportando os meninos em plenas correrias e berreiros.

O Zé, sempre preocupado, com o “povo”, fez sempre uma política fiscal, de modo a beneficiar os contribuintes. Em 2004, a receita, em impostos directos e indirectos, “per capita”, era de 6.733,1 euros. O Estado foi emagrecendo a sua estrutura e o resultado foi de se chegar a 2010, com uma receita “per capita” de 11.546 euros. Isto não teria sido possível sem o Zé e o partido socialista. Uma vez mais, os dados económicos demonstram, claramente, que esta malta da oposição passa o tempo a levantar calúnias. Acabe-se com o mito do Zé!
Conduzindo sempre o país para um sucesso estrondoso, a dívida directa do estado, em percentagem do PIB, também, graças ao esforço das políticas do Zé, foi crescendo, passando de 61% em 2004, para um número, que nos pode orgulhar a todos nós, de 88% em 2010.

A preocupação do Zé, com o Estado Social, fez com que, de 2004 a 2009, o número de camas nos estabelecimentos de saúde, por 100 mil habitantes, fosse sendo cada vez menos.
SNS: camas nos estabelecimentos de saúde por 100 mil habitantes
2004 - 223,8
2005 - 225,7
2006 - 221,3
2007 - 220,1
2008 - 203,3
2009 - 201,7

Tudo, graças às parcerias público -privadas que permitiram a construção de novos hospitais. E como vai ser preciso pagá-los, nos próximos 25 anos, o Zé, sempre esperto, reduziu o número de camas, que é para a malta não ficar acomodado e ir trabalhar. É assim mesmo!
Mas, pelas múltiplas exigências, da (s) “sociedade (s)”, o Zé, não se ficou por aí, e toca de nos aproximar, cada vez mais, uns dos outros, realizando novas obras, que a todos nós nos orgulha e que vai permitir, acabar com as novas tecnologias de informação, incluindo as redes sociais, pois será cada vez mais fácil, irmos a casa uns dos outros, com as novas auto-estradas, das quais deixo alguns exemplos… Algarve Litoral, Litoral Oeste, Baixo Alentejo, Alto Alentejo, AE Transmontana, Douro Interior, Pinhal Interior, etc.
Não se preocupem que alguém há-de pagar…



Neste pequeno “post”, creio que deixei uma mensagem clara. Acabem com o mito do Zé e dos socialistas. Eles contribuíram, de modo humilde, para o sucesso em que se encontra Portugal. Se não fosse a crise internacional, nós não precisávamos de ir pedir, uma vez mais, dinheiro emprestado.




“Fabulam surdo narras.” [Pereira 107] Contas uma história a um surdo.

sábado, 21 de maio de 2011

OS PAQUISTANESES EM ÉVORA

Os Paquistaneses ficaram muito contentes com a notícia, de que tinha sido o Sócrates a construir a barragem do Alqueva. Ainda eles viviam no Paquistão e já sabiam que o Sócrates ia construir a barragem do Alqueva. Foi por causa disso que eles vieram para Portugal. Quando o Sócrates os convidou a fazer uma viagem, até Évora, com direito a um farnel, eles não hesitaram e foram até à Praça do Geraldo. E contentes que eles estavam. Só que não os deixaram estar todos na mesma bancada, porque dava muito nas vistas. E lá se encontravam, sentados, juntos com outros convidados entre emigrantes de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné. Só não vi, convidados de Macau, nem da China de Mao Tsé-Tung.
Os de Macau, penso que se estão borrifando para esta porcaria, pois têm um nível de vida que não necessitam de emigrar. Mas, onde é que estavam os Chineses de Mao Tsé-Tung? Não foram ao comício do Zé, por várias razões…uma delas é que o farnel oferecido pelo partido Socialista, não tinha “porco doce”, nem “arroz Chau-Chau”. Por outro lado, todos eles tinham de trabalhar, nos “Hipers Chinas”, para importar as bandeiras, as t-shirts e os bonés do Partido Socialista.
Esta situação retrata bem o desespero que o Sócrates e os seus camaradas estão a passar.
E o Zé explicou as vantagens do Alqueva. “Agora, já podem ter couve repolho, couve-galega, pois, já podem regar as couvinhas. Têm é que ir buscar a água, à barragem, em baldes de plástico, comprados nas lojas dos chineses, pois a barragem só serve para ir fazer piqueniques e fazer viagens de barquinho. Para os paquistaneses mais abastados, podem tirar umas férias, e dar uns passeios de barco na barragem.”
Eu prometo e está no nosso programa de governo que haverá “baldes de plástico” para todos.
Quanto a ter levado o país, quase à bancarrota, nada disse. O argumento do Estado Social já não pega. Quem é que desconhece quem foi o grande destruidor do Estado Social em Portugal, depois do 25 de Abril? A resposta é José Sócrates…é só esperar a declaração de IRS de 2011, para se fazer as contas.
José Sócrates tanto insistiu que é hoje, um primeiro-ministro moribundo e deixa um país moribundo, que nem daqui a trinta anos vai conseguir levantar a cabeça.

“Mole sua ruit.” [Horácio, Carmina 3.4.65] Desmorona pelo seu próprio peso.

domingo, 15 de maio de 2011

Mãezinha, que saudades!

Como sabes, ando em campanha eleitoral. Meterem-se com o PS, agora, “levam”. Tal e qual. Eu bem os fui avisando, aliás, já o Jorge tinha dito…”quem se meter com o PS apanha”. E estão a apanhar com os autocarros fretados para as “grandes” manifestações, como foi esta de Vizela. Até o Chiquinho me enviou uma mensagem, pelo Correio da Manhã. E que giro que estava. Há uma coisa que o Chiquinho tem razão…”MAIS TRAVALHO FAS FALTA EM PORTUGAL". Coitado do Chiquinho…ainda não teve oportunidade de estar nas “grandes oportunidades”. Mas, do modo como se exprime, se ele tentar, ainda pode tirar um curso numa Universidade… daquelas, privadas, que dantes, formavam secretárias e dactilógrafas. Segundo me disseram, eles lá, fabricam professores, educadores e até ensinam a malta mais desequilibrada, com aqueles cursos de psicologia e depois, são psicólogos.
O quê, mãezinha? Sai de casa e não levei farnel? É pá, acabei por ir, com seis apoiantes, a um restaurante modesto. Mas comemos bem…foram cem euros por cabeça!
Eles pensavam que atacavam o Estado Social? Enganam-se! Eu vou defender essa coisa, até às últimas consequências. O quê, eu tenho os filhos numa escola privada? Mas, ó mãezinha… eu não sou contra a iniciativa privada. Eu fiz um curso com quatro cadeiras numa Universidade privada? É o que eu te digo, mãezinha. O privado deve servir para colmatar as deficiências que se encontram no público.
Se o FMI colocou problemas nas pensões dos reformados e até quer tirar o subsídio de férias aos mesmos? Eu sei mãezinha, que existem essas dificuldades todas do FMI. Mas nós, temos que continuar a dizer que somos os “paladinos” do Estado Social. E isso é fácil e depois, com gajos como o Chiquinho, ganhar as eleições é “canja”.
Daqui a três anos, e depois de pagarmos 30 mil milhões de juros e uma parte da divida…sim, mãezinha, porque não vamos conseguir pagar a divida toda, mandamos o FMI embora e eu faço mais uns PECS. O que é preciso é dizer ao povo que vamos manter o “Estado Social” e que nós socialistas é que somos o “Sancho Pança”, cá do sitio. Sim, porque o D. Quixote, sou eu!
Agora, o TGV Lisboa/Madrid é que ninguém me tira. Olha, se vires o Chiquinho, diz-lhe que esta do TGV vai ser mais uma oportunidade. Ele que se inscreva!

“Labor imperantis militum securitas.” [Publílio Siro] A dedicação do comandante é a segurança dos soldados.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Sócrates: "Ganhei este debate e vou ganhar as eleições"

O secretário-geral do PS, José Sócrates, considerou ter ganho o debate televisivo com o líder do CDS, enquanto Portas voltou a acusar o primeiro-ministro."Ganhei este debate e vou ganhar as eleições", disse José Sócrates, em declarações aos jornalistas no final do debate transmitido pela TVI.
Isto parece uma corrida de automóveis ou um jogo de futebol. Mas, estamos a falar de um país, de um povo, que continua em apostar, num Zé, que leva isto, como se fosse um jogo de futebol. Em qualquer empresa, este Zé já estava despedido, com justa causa. Claro, que depois, o Zé interpunha uma acção no Tribunal de Trabalho e era reintegrado na empresa. E se calhar é o que pode acontecer. Mais de 30% do eleitorado, comporta-se como se fosse um magistrado, de um Tribunal de Trabalho, que depois de o funcionário levar a empresa à falência, ainda o quer readmitir. Ou então, na realidade é aquilo que diz o Zé…” Ganhei este debate e vou ganhar as eleições”, como se isto fosse um “dérbi”, de futebol, entre mouros e morcões.
O líder do CDS, Paulo Portas, recusou implicitamente integrar um Governo de coligação com o PS ao afirmar que "é coerente" e que não deve entregar-se a gestão do empréstimo financeiro a José Sócrates. Esta postura é interessante, antes das eleições, para pressionar o eleitorado a votar no CDS. Muito bem. Mas a imagem que passa, também não é positiva quando o país está “à rasca”, porque o Zé se fartou de gastar a fartazana. Foram quase sete anos de regabofe.
Evidente, que se estivéssemos a falar de dois gajos, da “sociedade civil”, eu concordaria com o Paulo Portas. O gajo, se ganhar que desgoverne o resto desta merda, gerindo mais um empréstimo. Tal como já disse, daqui a três anos, o Zé acaba com o FMI e vai fazer mais um PEC. Ai vai, vai. Portanto, desenrasquem-se.
Ainda gostava de saber, se um empresário que leva uma empresa à falência e que, depois de andar a gastar o dinheiro, que o Banco lhe tinha emprestado, se o mesmo voltaria a emprestar dinheiro, outra vez?

"Sou coerente quando disse uma palavra [a José Sócrates, no Parlamento], saia. Eu não entendo que se devam colocar 78 mil milhões que são a última oportunidade que nós temos para pôr o Estado e as contas em dia e para permitir o crescimento económico (...) que se deva colocar a gerir esse dinheiro quem apenas soube gastar mais, desperdiçar mais, endividar mais, ou seja, José Sócrates", afirmou Paulo Portas, após questionado se fará Governo com o PS caso PSD e CDS não reúnam maioria nas eleições de 5 de Junho.
Questionado sobre que entendimento admite, no debate na TVI, o secretário-geral socialista, José Sócrates respondeu que a atitude do PS "é de abertura e diálogo". Isto no mínimo é surrealista. Então, um gajo depois de dizer que… já ganhei o debate, diz: “atitude do PS é de abertura e diálogo"? Com um gajo destes?
E assim vai o país!

Para que não existam dúvidas, os próximos anos vão obrigar as famílias a refinar a sua ginástica acrobática orçamental.

As medidas acordadas com a ‘troika' para que Portugal obtenha os 78 mil milhões de euros, de que precisa para sair do actual estrangulamento financeiro, arriscam-se a deixar muitos contribuintes com falta de ar. Os gastos com a habitação vão subir, o acesso à saúde ficará mais caro, os desempregados terão um apoio mais reduzido. Estas são apenas algumas das medidas mais duras. Conheça o resto.

1. As deduções totais que as famílias podem fazer no IRS vão ser limitadas consoante o seu escalão de rendimentos. As deduções dos gastos com a saúde vão ter um limite específico;
2. A habitação vai ficar mais cara: as deduções de amortizações de empréstimos à habitação vão terminar e as de juros vão ser progressivamente cortadas. O IMI vai ficar mais caro, tanto pelo aumento do seu valor, como pela perda de isenção para muitos proprietários. Quem arrenda, também verá as deduções destes gastos progressivamente cortadas;
3. A electricidade e o gás vão ficar mais caros: vão deixar de ter direito à taxa reduzida de 6%, passando ou para a de 13%, ou para a máxima de 23%;
4. O valor do subsídio de desemprego vai ficar mais baixo (não vai superar os 1.048 euros) e as indemnizações por despedimento também vai encolher;
5. Quem recebe apoios sociais - como por exemplo subsídio de desemprego, abono de família ou subsídio de parentalidade - vai ter de declará-los no IRS, para englobamento. Em alguns casos, a taxa de IRS da família pode subir, agravando o imposto a pagar;
6. Todas as pensões acima de 1.500 euros mensais serão cortadas, tanto para os reformados do sector público, como do privado. A redução será em linha com o corte já efectuado nos salários dos funcionários públicos (entre 3,5% e 10%);
7. As taxas moderadoras para aceder ao Serviço Nacional de Saúde vão ficar mais caras e abranger mais utentes, uma vez que os critérios para isenção serão revistos. Urgências e consultas externas serão mais penalizadas; (ESTADO SOCIAL)
8. O valor pago pelas horas extraordinárias vai ser mais baixo: não pode superar 50% do valor da hora de trabalho regular. Até agora, esta era a remuneração mínima paga pelas horas extra. Os bancos de horas também serão negociados ao nível empresarial, substituindo o pagamento do trabalho extra por descanso;
9. Os preços dos transportes públicos vão subir em breve. As empresas terão de apresentar uma proposta para a revisão das tarifas até ao final deste mês;
10. Os benefícios dos subsistemas de saúde públicos (da ADSE, dos militares e dos polícias) vão ser cortados, obrigando a que os seus utentes paguem mais pelos mesmos serviços médicos
Ora, aqui estão dez razões para votarem José Sócrates e no Partido Socialista.

"Mulge praesentem." [Schottus, Adagia 601] Ordenha o presente. ■Aproveita enquanto é tempo.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Paulinho comprou, Zezinho pagou…




Hoje tivemos mais um debate entre o Zé e o Paulinho. Só que o Paulinho, em vez de uma entrevistadora/moderadora, teve dois entrevistadores/moderadores, pois, o Zezinho, além de responder à entrevistadora, fazia as perguntas ao Paulinho.
E depois, o Zé põe aquele arzinho de menina virgem violada e, ainda por cima, em frente do Paulinho. Conclusão… o Paulinho viu-se aflito, para se defender das agressões verbais da virgem violada. Até lhe disse…”pois, o Senhor Deputado comprou os submarinos, mas quem os pagou fui eu”. Estou a começar a ficar fulo com isto! Então, vêm agora mais uma série de medidas que me vão tramar os meus rendimentos do trabalho, porque não há dinheiro e o Zé veio dizer que ele é que pagou os submarinos? Mau, mau…que eu saiba os submarinos não estão pagos, tal como não estão pagos o Hospital de Cascais, o Hospital de Loures, nem tão pouco as Scuts.
Já não bastava ter ficado de dar duzentos aéreos aos bebes, para eles levantarem daqui a dezoito anos e iniciarem o seu próprio negócio, ainda foi pagar os submarinos comprados pelo Paulinho? Quanto aos cheques bebes, tenho falado com uma série de putos que estão tramados com o Zé. Dizem que afinal não há cheques nenhuns e que quando tiverem idade para votar, não votam no Zé, embora saibam que ele daqui a dezoito anos ainda é Secretário-geral do Partido.
Os putos mais velhos, esses, andaram a receber computadores Magalhães, comprados sem concurso público e que andaram a ser distribuídos, “à la garder”, por tudo o que era sitio. A grande propaganda foi que aquilo era resistente às cambalhotas e às quedas, mas, a realidade, é que os putos já deram cabo dos computadores e agora, dizem, que ou o Zé dá outro computador, ou daqui a dez anos, não votam nele. E que ainda por cima, tiveram que obrigar os pais a comprar outro software, porque aquele, que vinha com o computador, estava cheio de erros e que nem o dicionário do Word, conseguia corrigir. Claro que os pais ficaram chateados com isto…mas disseram…mal o menos…antes, gastar dinheiro no software, do que comprar ténis novos e equipamento para os putos andarem no ginásio. Depois, ainda pediam para ir ao “Spa”, e não há dinheiro que aguente…Chiça…prestação do carro, prestação da casa, prestação do cartão de crédito, prestação da mobília, da última viagem a Cuba, e ainda, o ginásio e o Spa, do puto?
E isto tudo, por causa dos submarinos que o Paulinho comprou e o Zé pagou. Agora, já sei porque estamos “à rasca”, e porque é que não havia dinheiro, para dentro de um mês, pagar os salários na função pública e forças militares e militarizadas. Tudo por causa dos submarinos. Finalmente, a verdade veio à tona de água.

sábado, 7 de maio de 2011

COMUNICAÇÃO DO ZÉ AO PAÍS





O Zé fez uma comunicação ao país, depois da “troika”, nos ter dado a “perestroika” e a “glasnost”, sobre a economia nacional, isto é, que estávamos tesos que nem um carapau e que já não havia dinheiro para nada, dentro de um mês…
E disse:
1.º Os ordenados vão continuar a beneficiar dos 2,9% de aumento que dei em 2009.
2.º Os ordenados não baixam. Só baixarão se comprarem coisas novas, por causa da inflação.
3.º Vamos dinamizar o mercado de arrendamento; com o aumento do IMI e do número de gajos caloteiros que não vão poder pagar as prestações ao banco;
4.º Os tribunais vão acelerar os processos pendentes; vamos reduzir o tempo para que possam prescrever;
5.º A Coca-Cola e a Pepsi não sofrem aumentos. Já quanto ao tabaco e às bejecas, tivessem feito como eu…deixassem de fumar e de beber um copo. Só fumo e bebo quando estou em serviço.
6.º Há uma série de produtos que vão deixar de pagar 13% de IVA. Vamos facilitar o trabalho às empresas e às finanças. Harmonizamos o IVA em 23%. É mais fácil.
7.º Outra boa notícia é que o Golfe mantém o IVA de 6%;
8.º Os bilhetes dos transportes públicos não vão ser aumentados. Só os passes sociais.
9.º Aqueles que pensavam que já não havia TGV, enganaram-se…os rapazes da Troika nada disseram sobre o TGV Lisboa/Madrid;
10.º Não haverá despedimentos. Só haverá, dispensados. Quem quiser emigrar, nós garantimos, desde já, um subsídio para o bilhete de avião e para a renda do primeiro mês, no país estrangeiro à vossa escolha.
11.º No caso de serem dispensados, garantimos até 18 meses de subsídio.
12.º Por último, a melhor notícia de todas…Comigo como primeiro-ministro, garanto que as coisas só irão melhorar. Dentro de três anos de governo, já vamos poder negociar outro PEC e acabar com o FMI.

O DINHEIRO INTANGIVEL

Ao longo destes últimos anos, milhares e milhares de pessoas, consumiram dinheiro electrónico, que tem a vantagem de não destruir árvores, e por outro lado não sujar as mãos, e correu tudo bem.
Estamos a falar de dinheiro que ao ser intangível, era também sustentável. A única coisa que não se conseguiu manter foi a sua credibilidade, e não a sua capacidade de reprodução.
O neo-liberalismo tentou convencer-nos da nossa individualidade e capacidade de decisão, acreditando-se que o desejo ilimitado teria a capacidade de sustentar o consumo. Mas, a partir de agora, a obrigatoriedade do consumo vê-se confrontado com o imaginário da sustentabilidade. Consumir tem vindo a ser o acto de consumo e não, o de efectivamente, o de utilizar recursos e produtos físicos. Estamos metidos num paradoxo, em que temos de consumir para os que trabalham, para ajudar cada um de nós a manter-se no trabalho e eventualmente, ajudar o vizinho a trabalhar. Os que não trabalham continuam a permitir o desenvolvimento do papel de sempre…permitir que os salários permaneçam baixos. Deste modo, para manter esta situação, haverá que continuar a consumir, pois a ideia de poupança é contrária, aos interesses gerais e particulares, de quem não produzindo nada, vai consumindo os juros, de quem vai pedindo dinheiro, para manter o consumo que lhe dizem necessário. Não foi em vão que as poupanças durante estes últimos anos foram penalizadas, inclusive os famosos PPRS, mas por outro lado, fomos assistindo aos crescentes malabarismos, para que o crédito fosse mais fácil, como vimos. E entre estes dois grupos, dos que trabalham e dos que vão sustentando os que não trabalham, para permitir manter a mão-de-obra barata, temos o grupo de ideólogos, banqueiros e traficantes. E este grupo tem a árdua tarefa de tentar manter, esse seu conjunto de actividades, numa óptica global, de modo que possam devolver à economia, a ideia de continuarem a consumir e de acreditarem que todos esses milhões e milhões de dinheiro intangível continua a ter credibilidade. Nessa altura, por mais uns tempos, tudo voltará ao normal, até que se venham a desenvolver outros problemas que não tardam por ai.

"Moderata laudamus, excessus vituperamus." [Grynaeus 513] Louvamos o que é moderado; o excesso, criticamos.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

O MANUAL DE CIÊNCIA POLÍTICA

O actual governo tem seguido à risca o manual de instruções que vem circulando, nos meios políticos.
Em primeiro lugar, há que fazer amigos nas grandes empresas, dos vários sectores -chave. Trazê-las para o núcleo da governação. A política deve estar virada para os grandes negócios e para a alta finança. Creio que temos vários exemplos, muito recentes, em Portugal. Desde a CGD a emprestar dinheiro para se comprarem acções de outros bancos, como foi o caso do BCP, ou a transferência da administração da mesma, para o BCP.
Deve-se defender que a política e os negócios são inseparáveis. A política deve estar perto dos negócios, tal como estes, perto da política. Deste modo, deve-se ir falando da necessidade da iniciativa privada, da redução de impostos para as empresas e a desregulação dos sectores. Os cidadãos devem ter o direito de serem eles mesmo, para que possam enriquecer e consumir sem restrições. Na desregulação, se o leque legislativo estiver muito apertado, por imposições de organismos internacionais, sempre há a possibilidade de colocar, nas instituições reguladoras, na sua gestão, amigos que possam ser passivos e por vezes até fazer alguns jeitos. Se eles se portarem bem, e depois de se tornarem inconvenientes, promovem-se, e colocam-se, os mesmos, nessas mesmas organizações internacionais, em lugares de topo.
Para que o círculo se vá fechando, deve-se procurar a maneira de infiltrar nos sindicatos e associações profissionais, que tentem pensar pela sua própria cabeça, alguns correligionários.
Já quanto aos tribunais e à polícia de investigação, se os mesmos começarem a investigar situações que possam ameaçar o governo, devidamente eleito, há que começar a acusar juízes, magistrados, de conduta desonrosa e de ingerência na actividade de um governo, legitimamente eleito. Era o que faltava. Então, sirvam-se de todos os meios, ao alcance, para pôr em conflito, se possível, as diversas hierarquias de tribunais.
E a luta deixa de estar do lado do governo e passa para a magistratura que vai ficando cada vez mais refém dos políticos. Isso é bom, para dar estabilidade governativa. Haverá que não esquecer da necessidade de se exercerem pressões sobre todos os focos extraparlamentares de oposição. OS críticos do governo devem ser postos de joelhos, de preferência em silêncio. Especial atenção às instituições que monitorizem o poder. Se existirem O.N.G.S. que estejam a causar embaraços, haverá que realizar interrogatórios ameaçadores e questionar, de preferência, as suas fontes de financiamento e mesmo a constituição das suas administrações. Desde logo, insinuam-se dúvidas sobre o seu estatuto e o carácter desinteressado. O mais importante é desenvolver uma cultura permanente de suspeita sobre estas. Não se deixa sem punição as diferenças de opinião.
Se existirem elementos intelectuais que vão desacreditando os factos de governação, procura-se ter peritos alternativos, que venham contrariar e que tentem provar o contrário, principalmente, nos programas das mesas redondas, nas televisões.
Não se pode ficar quieto. Dê-se início a processos criminais, contra quem anda a fazer denuncias e alertas, ou então, há que empata-los, o mais que se puder, em batalhas de tribunal, prolongadas e de preferência, que os levem à ruína.
É fundamental manter um controlo executivo sobre o que seja comunicação de tipo político. Chegando-se ao governo, há que reunir, logo, uma equipa de especialistas em relações públicas que sejam obstinados e mestres na arte do dar a volta às coisas. Mas, a todas as coisas que se possam virar contra os políticos. Desde uma universidade inconveniente até ao cigarrito que se fuma dentro de um avião.
A imagem que se tem de ser construída por esses mestres é a de um primeiro-ministro trabalhador, um homem dedicado, um homem que se fez a si mesmo, um líder no qual as pessoas consigam encontrar, sempre, alguma coisa com que se possam identificar e mais, alguma coisa que gostassem de ser.
Já no que diz respeito, à comunicação social, esta deve ser conhecedora dos planos do governo, em troca de uma cobertura privilegiada, mas favorável.
Os “boys” de alta confiança devem ser esclarecidos, que devem informar o governo, em particular, o gabinete do primeiro-ministro, do contacto com qualquer jornalista. Deve-se pôr travões à fuga de informação. Cuidado com os “boys” já reformados…são mais atreitos a libertar a língua. Se existirem jornalistas inconvenientes, daqueles que se recusam a dilatar as suas fontes, há que colocar processos crimes contra os mesmos, e se tal não chegar, pode-se, sempre, tentar a compra, por outros grupos de interesses, desses meios de comunicação social.
Mesmo que seja em tempos de crise, há que fazer orelhas moucas a todo o pedido de informação, que seja dirigido ao governo. Cuidado com o que se diz. E há sempre como alternativa, por exemplo, se um valor de défice estiver diferente, dizer-se que mudaram as regras contabilísticas e mais isto e mais aquilo, e portanto, é uma mera questão técnica.
Ao fim e ao cabo, há que dizer aos eleitores que se no final do mandato, o governo não tiver cumprido as suas promessas, como é devido, então não merece ser reeleito. Mas há que fazer planos, sempre, para vitórias consecutivas, mudando a noção de que a governação é algo de curto prazo. Há que transmitir a ideia de que há várias eleições a serem ganhas, para que se mudem as regras de jogo e para que a atmosfera de vida pública se vá alterando. Há que tirar da manga, todas as cartas e truques políticos que se podem conhecer, para fazer o que ninguém conseguiu fazer: vencer três mandatos, quatro mandatos e por aí fora.
Assim, se consegue governar…o país? A democracia? Essa caminha, a passos largos, para o abismo. Até lá…vão estando atentos, ao manual de instruções.

“Lacrimis ianua surda tuis”. [Marcial, Epigrammata 10.14.8] A porta está surda às tuas lágrimas.

domingo, 1 de maio de 2011

Até sempre, Mãe!

Todos nós temos ou tivemos Mãe. A maioria de nós sabe ou soube o que era ter Mãe. Sim, porque para alguns, e infelizmente não são tão poucos como isso, nunca beneficiaram, do facto, de ter uma Mãe, mesmo quando elas existem, fisicamente.
Mas, mesmo para aqueles que já não têm Mãe, sentem-na dentro de si. Nas saudades que deixaram, nas suas recordações, mas mais do que isso, no muito que somos hoje. Mulheres e homens do presente.
Eu recordo a minha, com saudade. Os afectos, os castigos, mas mais do que tudo, a preocupação, permanente, que ela tinha em que eu estivesse bem. Abdicou, privou-se de muito, para me proporcionar, o que no entendimento dela, seria o melhor para mim. Naquelas alturas, nem tudo é entendido por nós. Só mais tarde, como em tudo na vida, começamos a ter a percepção da realidade da vida. Por isso, tal como há alguns anos atrás, hoje de modo diferente, quando nos fazem mal, dizemos…” vou dizer à minha Mãe”. Mas quando sabemos que estamos a fazer traquinices, também dizemos…”não digas nada à minha Mãe”. Por um lado temos a noção de que temos sempre alguém para nos proteger, por outro lado, também, sabemos que temos sempre alguém, para nos repreender, quando somos traquinas.
Ainda hoje, sinto que estou a ser vigiado nas minhas traquinices. Mas, quando, eventualmente, não me porto bem, sofro directamente as consequências. E nesse aspecto, a minha Mãe, educou-me a ter o sentido de responsabilidade, dos meus actos, desde pequenino. Talvez, hoje, seja um pouco diferente…porque, alguns de nós, não entendemos, o que de salutar tinha este modo, de “protecção”. É que aprendemos, mais cedo a ser mulheres e homens responsáveis. A defendermo-nos das adversidades da vida. E isso é bom para a nossa vida. Acaba por dar-nos auto-defesas, fundamentais.
Portanto, muito cedo, aprendi que não me poderia abrigar nas costas da minha Mãe, e que tinha de enfrentar, por mim, as adversidades da vida. Quando algo de mau me acontece, mesmo que ela fisicamente estivesse aqui, eu não” iria dizer à minha Mãe”. Aquilo que eu não disse, à minha Mãe, as vezes que deveria ter dito, é que…” amo-te, Mãe” e não me esqueço, nunca, de ti. Porque me ensinaste e procuras-te, toda a vida, que eu fosse um homem bom.
E pela tua combatividade e amor, vou continuar, também, a procurar ser, não um homem bom, mas um homem melhor.
Até sempre, Mãe!

quinta-feira, 21 de abril de 2011

COMO POUPAR MILHÕES


Pensando bem, não vejo razão para termos forças armadas. Nos dias de hoje, não se vislumbra tal necessidade. De qualquer dos modos, caso fosse necessário, sempre podíamos contratar, como avençados, os americanos.

De igual modo, não vejo necessidade de polícia. Já temos as empresas de segurança. Mas, se eventualmente, deixássemos de ser um país sem criminalidade, pedíamos apoio à “Guardia Civil”. Quem vai de Madrid a Cárceres, também vai de Badajoz a Lisboa.

Também não vejo necessidade de escolas, nem de universidades. Hoje em dia, com o “Magalhães”, os alunos podiam, perfeitamente, aprender via “e-learning”. Quanto aos restantes 90%, que constituem os iletrados em Portugal, faziam nas empresas ou no IEFP, as novas “oportunidades”.

As Farmácias, também podiam fechar. Os doentes passavam a encomendar os medicamentos via internet e pagavam com o cartão de crédito.

Já quanto aos hospitais, só se mantinham abertos, para os doentes que não se pudessem deslocar. Os restantes iriam a Badajoz, a Vigo ou a qualquer outro hospital, junto à fronteira.

Os comboios deixavam de funcionar com maquinistas. Passavam a ser comboios automáticos, orientados e conduzidos por sistemas informáticos.

Os aviões voavam, unicamente, com pilotos automáticos. Os controladores aéreos seriam substituídos, por sistemas gravados, em Call-Centers, na Índia.

O governo era substituído, em outsourcing, pelo FMI. Logo, não era necessário nem a Assembleia da República, nem os organismos reguladores, nem fiscalizadores. A malta aceitava as ordens do FMI e pronto.

Ninguém me diga que eu nunca apresentei soluções. A partir de hoje, é injusto.

Ah, mas para que isto seja aprovado, vamos fazer uma petição, que terá de ser apresentada na Assembleia da República, visionada pelo Governo e promulgada a decisão pelo Presidente da República e depois referendado pelo Primeiro-Ministro. Só vejo dificuldade, nesta última. Os outros penso, que iriam concordar.

E assim poupávamos uns largos milhões.

Tenham uma Páscoa Feliz, se possível.

Necessitamos, com urgência, de outro regime político!

Em 2 de Abril, de 1976, passou a vigorar uma nova constituição, da república portuguesa. Delega nos partidos políticos, a representação do povo. Por isso, se diz que, temos uma “Democracia Representativa”. À custa deste pressuposto, temos andado, nestes 35 anos, de eleição em eleição, a ser representados por grupos de mafiosos que levaram Portugal ao desastre em que este se encontra. O poder foi-se alternando entre Socialistas e Populares, mais tarde, designados de sociais-democratas, como se isso fosse alguma coisa melhor.
Já os Socialistas arredaram, no tempo de Mário Soares, o socialismo, que foi metido na gaveta e também quiseram ser sociais-democratas. Ora bem…se são os dois sociais-democratas é o suficiente para eu acreditar que a social-democracia ou está enviusada por estes partidos ou então, não serve para nada. A realidade é que qualquer dos partidos conseguiu, ter no seu seio, uma corja de filhos da puta que andaram a vilipendiar o país. Criaram-se Bancos, sem qualquer controlo da entidade fiscalizadora, como o BPN ou o BPP e permitiu-se, no meio de tudo isto que os bancos andassem a emprestar dinheiro que não tinham, sacando à malta juros e comissões agiotas, por tudo e por nada, sustentando salários obscenos, com regalias de “Califas” e, depois de tudo isto, continuam. Tentam passar desapercebidos, no meio da chuva.
Todos andámos a comprar automóveis, casas, a pagar férias no Brasil, em Cuba e noutros lados, televisões, computadores, a remodelar as mobílias de casa e a trocar de telemóvel, todos os anos. O Estado, com as suas obras megalómanas de auto-estradas e outras tais, ajudou a que a dívida, dos bancos e famílias, ultrapassa-se, os actuais 200% do PIB. Ainda me recordo, entre outras obras megalómanas, no tempo de Cavaco Silva, a construção do Centro Cultural de Belém, que dos iniciais 10 milhões de contos, acabou por custar, ao erário público, 40 milhões de contos. E aqui é que está o problema do país. A pouca vergonha que aproveitou a alguns milhares de mafiosos. Agora, novamente, são os portugueses chamados, a pagar com os rendimentos do seu trabalho esta pouca vergonha. Sim…porque os bancos vão ser os únicos beneficiários desta brincadeira. Afinal é bom ser-se accionista de um banco. Quando há lucros, e se distribuem dividendos, são os accionista a “mamar”, quando a banca está rota, são os portugueses a pagar. A todo este desenrolar de acontecimentos, um dos espectadores atentos da desgraça foi o Banco de Portugal e a sua “supervisão”. Bastava encontrar-se o modo de financiamento do capital social e depois era a vilanagem completa. Por outro lado, temos, mais não sei quantas instituições, que vão realizando auditorias e cujas conclusões são postas na gaveta, porque não existem sanções aos políticos. Tem-se encontrado como resposta que os políticos são “julgados” nas urnas. É pena que o mesmo não possa ser adaptado aos gestores das empresas. Terá havido, quem, ao longo dos anos, fosse lendo os relatórios sobre a “Conta Geral do Estado”, do Tribunal de Contas? Não me parece.
Mas, no meio de toda esta vilanagem, tem-se permitido, que um duvidoso, “licenciado em engenharia civil”, venha a ser primeiro-ministro, numa postura de completo narcisismo, ao longo de mais de seis anos. A alternativa que se apresenta, e uma vez mais, é a alternância, pelo outro partido que se diz, também, social-democrata, cujo líder, apresenta uma postura de “cobrador” da Carris. Apresenta propostas, aos portugueses, de mais cortes, aqui e ali, como se andássemos todos nos autocarros, ao longo destes anos, sem pagar nada, até agora.
Portugal está melhor do que em 25 de Abril de 1974? Mal fosse que não estivesse melhor. Bastou a mera evolução do mundo, para que Portugal fosse apanhando alguma coisa, aqui e ali. E uma das coisas que apanhou foi o “desenvolvimento” da banca e da sua capacidade criadora de negócios, muitos deles, completamente agiotas, para que os portugueses tivessem um conforto e um bem - estar, para o qual, nunca produziram a riqueza necessária, porque nunca tiveram um sistema político que fosse capaz de liderar um desenvolvimento económico e social, sustentado. Aldrabou-se o ensino, de tal modo, que o chefe máximo do governo apresenta exames, feitos, por fax. Como diz a publicidade do licor Beirão, “garante-se o diploma de engenheiro a todos os portugueses." Iludiu-se o desenvolvimento, dando a entender que todos poderiam ser proprietários de imóveis. Que todos teriam direito a férias no Brasil, em Cuba, na Jamaica ou em qualquer lado exótico (pode ser na Madeira) ou noutro qualquer país tropical, e que cada cidadão, tinha direito a automóvel, mesmo que fosse para ir para a escola, enquanto estudante. Houve na realidade algo de mérito…O Serviço Nacional de Saúde. Que por várias razões, obscuras, alguns tentam destruir. E começou, muito paulatinamente, logo a seguir ao 25 de Abril, quando se cortou a possibilidade a muitos médicos, que andaram anos a fazer, o P1, P2, P3, P4 e acabaram em clínicos gerais… de irem para uma especialidade. Foi a protecção descarada do “lobby” instalado. E que continuou com os números clausus. Resultado… Hoje, Portugal não tem médicos suficientes, muito menos especialistas em número, capazes de acudir às necessidades do país. E, continua-se a não querer olhar para Inglaterra e perceber como funciona o sistema de saúde deles. Os médicos são pagos por objectivos. Dedicação exclusiva. Mas, não têm falta dos mesmos. Poupa-se muito dinheiro, porque se realiza uma medicina, mais focada na prevenção. Aqui, apostou-se no “apoio” aos laboratórios farmacêuticos. Conclusão…hoje, estamos “à rasca”, porque não temos médicos suficientes e a despesa, com medicamentos, não pára de aumentar. Solução inteligente e rápida…genéricos. É uma parte da solução, mas falta, uma vez mais, aquilo que o sistema político, vigente, não consegue proporcionar.
Mas, na realidade, parece que nada disto está mal no país. Estamos a pedir dinheiro emprestado, temos o FMI a “trabalhar” e a malta “à rasca”, pára o país, quinta, sexta, sábado, domingo e segunda, fora os que meteram férias, antes dos feriados ou que meteram férias, depois dos feriados.
Nestas próximas eleições, depois de nunca ter estado ausente de nenhuma votação, vou aliar-me, aos indecisos. Só volto a votar, quando houver um novo regime político. Até lá, deixo a minha vida aos cuidados do FMI.
Necessitamos, com urgência, de outro regime político!

“Tacens non fatetur, sed nec negare videtur.” [Jur] Quem cala não confessa, mas também não se entende que esteja negando.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

UM JOVEM À RASCA

Um jovem à rasca, encontrou-se com um amigo, do pai, e cumprimentaram-se. Boa tarde, Zé. Como está Senhor Doutor? E inicia-se um diálogo, interessante. Pergunta o Dr.:

-Então, Zé, sempre foste à manifestação da geração à rasca?

- Sim, claro.

- Então e quais foram os teus motivos, conta lá.

-O mesmo que os dos meus amigos. Acabei o curso e não arranjo emprego. Pergunta o Dr… E tens respondido a anúncios?

- Na realidade, não. Isto é muito complicado. Porque de verão não dá jeito nenhum. Um tipo tem as praias e as esplanadas, cheias de miúdas. No inverno está um tempo do caraças, chove e faz frio, não apetece nada andar por aí nas entrevistas. Além do mais, depois destas idas à praia, às discotecas, às esplanadas e quando calha, a um cinemazinho, ainda me sobra dinheiro da mesadazinha que os meus pais me dão.

- Mas devias responder a anúncios. Não achas? Porque é que não respondes?

- Tem razão. Mas mudando de assunto. A manifestação até correu benzinho. Não houve incidentes, o que é sempre bom. Mas houve chatices.

-Então, Zé, conta lá.

- Eh pá…quando cheguei ao viaduto Duarte Pacheco, apanhei uma fila de todo o tamanho.

- Se calhar isso era gente que ia para as Amoreiras ou até para o Largo do Rato. Sabes que aquilo tem andado movimentado por lá.

- Nada disso, Dr. Jovens à rasca como eu. Ao fim e ao cabo, gente de todas as idades, mas todos à rasca como eu.

- Hum…E então, onde é que estacionaste o carro. No Parque Eduardo VII?

- Oh Dr. O meu amigo não está bom da cabeça. Então, com um Audi TT cabriolet, eu alguma vez iria estacionar numa zona manhosa como aquela? Tentei estacionar no Parque do Marquês, mas estava cheio.

- Cheio de…?

- De carros de jovens à rasca como eu, claro. Acabei por ir estacionar no parque do El Corte Inglês. No caso de sair cedo da manifestação, ainda fazia umas comprinhas na loja “Gourmet.”

- É claro que foste de “Metro”, depois?

- Oh Doutor, eu gosto de ser pontual e como já se estava a fazer-se tarde, apanhei um táxi, embora estivesse, um pouco, à espera de apanhar um livre, pois havia muitos jovens, como eu, à rasca, também, à espera de Táxi. Quando cheguei à manifestação, acabei por ser entrevistado por um canal de televisão.

- E o que é que disseste?

-Que era licenciado e estava desempregado e que já estava a ficar chateado de andar a pagar as reformas dos outros.

- Mas, se nunca trabalhaste, nunca descontastes para a Segurança Social, como é que andas a pagar as reformas dos outros?

- Pois…pois. É capaz de ter razão.

- Ouve lá. Tu és licenciado em quê? Em Estudos dos Astros, não?

- Oh Doutor, parece que é bruxo. - Não! Foi só um “feeling”. E então, gritaste muito, está claro?

- Não consegui. Estive o tempo todo a receber chamadas e a mandar mensagens para s garinas e para um amigo meu que estava do outro lado da manifestação. Além do mais, para dar o ponto de situação, ainda mandei mensagens para o Facebook e para o Twitter, pelo IPhone e pelo Blackberry.

- Eh pá…mas isso não é demais para quem está à rasca? É que só os aparelhos custam uma pipa de massa.

- Oh Doutor… Não seja cota. Estas são as armas modernas de luta.

-Então saís-te cedo da manifestação e ainda conseguiste ir fazer as comprinhas ao Gourmet?

-Uma merda, Doutor. Naquela luta, junta-se a alegria e fomos directos ao Chiado e acabámos no Bairro Alto. Felizmente uma amiga minha já tinha feito marcação de uma mesa. Se não estávamos tramados.

- Mas espera lá, oh Zé…as tascas no Bairro Alto já fazem marcações de mesas?

- Oh Doutor…chama tasca ao Pap`Açorda?

- Ah, ao menos comeram bem?

- Sim, comemos bem. E não pode ser de outra maneira. A luta é cansativa e é preciso repor energias. Agora aquele tinto, “Carbenet Sauvignon” é que escorregava que era uma maravilha.

- Espera lá, Zé. Não me digas que depois foste conduzir já com um grão na asa? - Não Doutor, tenha calma. Nunca ouviu dizer que a “luta continua”? Fomos até ao Lux. Fomos de Táxi. Quatro em cada táxi, porque é preciso poupar o guito. Porque senão, lá se vai a praia, as esplanadas as idas ao cinema, etc. Logo, adeus miúdas!

- Mas o Lux com a crise que está deve estar um pouco às moscas, não?

- Não senhora. Qual quê? Muita malta à rasca.

- Quando acabaram de curtir a noite, foste directo a casa?

-Oh Doutor…Isso são perguntas que se façam? Tomei, mas é, um Táxi para um Hotel de quatro estrelas, pois não há dinheiro para os de cinco estrelas, nem tão pouco para os de luxo.

- Estou a ver que és um jovem consciente. Como tinhas bebido…

- Nada disso…eu tinha conhecido na manifestação uma camarada de luta e bem…o Doutor sabe como é…

- Não me digas que ainda foram fazer um plenário?

- Oh Doutor, não está a ver bem as coisas. O pior foi de manhã, em que chegámos à conclusão que ela era “bloquista” e eu voto no Portas. Saiu porta fora. Deve ter ido tomar o pequeno almoço à “Versailles.”

-Ah, então, tomaste o pequeno almoço no Hotel, correcto?

- Claro. Mas pedi o “room - service”, porque estava com uma ressaca dos diabos e não me aguentava das pernas.

- Depois pagaste e…

- A crédito. Nada de más interpretações. Paguei a crédito com o cartão “gold do Barclays”.

-Depois foste directo a casa?

- Sim. Aquela hora já não há trânsito na A5. Já não havia muita malta à rasca.

-Onde é que vocês moram, agora? Em Caxias? Na Parede?

- Francamente, Doutor. Moro na Quinta da Marinha, numa casita que os meus pais se vêem à rasca para pagar. Para a próxima levo-os comigo!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

GOSTAMOS DE GENTE MEDIOCRE…

A percepção de incapacidade do PSD para se assumir como alternativa credível não assenta apenas nas opções dos eleitores. Revela-se, igualmente, na continua quebra de popularidade de Pedro Passos Coelho e no facto de poucos acreditarem que o partido teria um melhor desempenho do que o PS, se fosse investido em funções governamentais. Existe a consciência de que tanto faz PS ou PSD, no governo. Quem na realidade vai pôr o país na ordem é o FMI. A apatia do povo português é de tal ordem que nem perante a situação vigente, se mexe para alterar seja o que for. A confusão de neo-liberais, liberais, sociais e outras coisas mais, dentro do PSD, acaba por entronizar no poder, o político mais medíocre dos últimos 200 anos, no poder…José Sócrates!

A CULPA É DO PEC IV

Boa noite, mãezinha! Viste-me na televisão? Que tal? Estava melhor assim ou assim? O importante era a notícia de que o FMI vinha para Portugal fazer aquilo que já devia ter feito em 2009? Oh mãezinha…também tu? Já não me bastava terem chumbado o PEC IV, coisa que eu nunca percebi, pois já tinham votado o terceiro, o segundo e o PEC I. Foi mesmo por causa disso? Oh, mãezinha… quem aprova três, também, aprova quatro ou cinco. Aliás é o que vai acontecer agora. A malta que ganhava menos de 1.500 euros por mês estava-se a rir, mas agora, também vão levar na corneta. Ah, o IVA? Claro, mãezinha que vai aumentar nesta fase pelo menos para 25%. Quanto às reformas dos pensionistas, esses também vão levar na corneta, claro. Mas o mais engraçado é que não vai haver décimo terceiro mês, para ninguém. Nem para os que trabalham na privada. Vão ter que comprar divida pública. Pois, então. Já são accionistas do BPN, agora, têm de ser accionistas à força do Estado. Na verdade, não gostei nada que me tivessem apanhado à procura da melhor posição, em frente das câmaras de televisão, para falar ao país, pelo qual, eu me sacrifiquei, até ao fim, para evitar o FMI. Agora, é que vão dizer que eu sou mesmo narcisista. Mas, o importante, é que a culpa foi o de terem reprovado o PEC IV. Se não, nada disto tinha acontecido. Eu sei, mãezinha. Aquelas gajas do Partido adoram a minha pose, e foi por isso, que ganhei, outra vez, o partido. Esta coisa da paridade é mesmo porreira, pá. Pronto, pronto. Já sei que não gostas de me ouvir a falar assim. Mas foi um hábito que apanhei lá na universidade. Quando eu lá aparecia, a malta dizia…vieste às aulas? Porreiro, pá. E prontos, ficou. Olha…não digas, a ninguém. Mas ninguém vai, é explicar aos portugueses que nem daqui a trinta anos, o país se endireita. Também já não estamos cá. Até lá, estamos safos. Não é porreiro, mãezinha? Beijinhos. Dentro em breve voltarei a escrever-te. “Vacuae manus temeraria petitio est.” [John of Salisbury, Policraticus 5.10] É audacioso o pedido feito de mãos vazias.

sábado, 2 de abril de 2011

A CULPA, AFINAL, NÃO É DO SÓCRATES

Mãezinha.

Cá estou eu, novamente. Disto é que eu gosto. Até pareço, um daqueles vendedores da banha da cobra. Aqueles que gritam com aquele pregão de “Olhem a banha da cobra! É boa para os calos. Aplica-se no calo, desaparece o dedo e fica o calo”. Lembras-te? Ainda, agora, falei da maldade do PSD ter chumbado o PEC IV. O quê, mãezinha? Eles já tinham dado guarida ao PEC I, PEC II, PEC III e que agora, ou aprovavam e ficavam na minha mão ou chumbavam e ficavam na mesma entalados? É verdade mãezinha. A isto, chama-se política. Sempre fui um habilidoso, ou não fui mãezinha? Até na escola era habilidoso… O quê, mãezinha? Mesmo com os três PECS que o PSD apoiou eu levei o país para um défice de 8,6%? Isso não é bem assim. A culpa é dos contabilistas. Mudaram as regras de contabilização das contas. Então, o défice das empresas como a REFER, A CP, o BPN, o BPP, têm alguma coisa a ver com o orçamento? Mãezinha, não é justo. Eu até falei sobre isto, com o Teixeira, e ele, também, ficou muito chateado. Diz que lhe vai estragar o prestígio que tinha. Eu disse-lhe que isto não era a mesma coisa que dar umas aulitas na universidade. Na prática é mais complicado. Tudo bem, mãezinha. Ele ficou animado. Só ficou de beicinho foi por o ter abandonado na Assembleia. Mas, eu expliquei-lhe que lhe estava a dar importância e que a líderança desta coisa das finanças é dele. O mesmo que dizer que a culpa é dele e não minha. As coisas boas são minhas, as más ou são dos ministros ou são da oposição. Oh, mãezinha! Eu não consegui enganar a malta uma data de anos a dizer que tínhamos chegado a um défice de 6,8% por causa da oposição? Claro que depois fui que reduzi para 2,6%, mas já não fui eu que levei isto para os mais de dez por cento de défice, culminando o ano de 2010 com os 8,6%. Vais ver, mãezinha. Com a minha lábia, a estupidez dos PSD`S, mais a ignorância deste povinho, que ainda vamos empatar esta merda. E depois, mãezinha? Não te preocupes, porque quem colocou o país nesta situação foi o PSD. Se eles não tivessem chumbado o PEC IV, não tínhamos os juros que temos, nem precisávamos, tão cedo do PEC V. Ah, quanto ao PEC VI? Esse já ficava para 2012. Mãezinha, vou precisar muito do teu apoio, até 5 de Junho. Escreve-me mais cartinhas, pois não vou ter possibilidade de ir dormir a casa e vou passar a dormir no sofá, no partido. Qualquer das maneiras, esta brincadeira vai ser a escaldar. Sobre o país e a crise? Não, mãezinha. Não vou ter tempo de falar sobre isso, se quiser ganhar as eleições. Beijinhos, deste tê filho.


PS.- Fica descansada que depois de ganhar as eleições eu chamo o FMI. Depois digo que a culpa foi do PSD que não era necessário. Está bem. Eu não vou cortar muito as reformas. Aumento primeiro o IVA, para 25%.


“Memoria minuitur, nisi eam exerceas.” [Cícero, De Senectute 7] A memória diminui, se não a exercitas.

O País está Falido?



Estamos a chegar à conclusão que o país está falido. Não foi nada que eu já não tivesse dito e escrito, em 2008. Ainda não existia, a tão famosa, crise internacional. Ao longo destes anos fomos ouvindo dizer que o défice agora baixou, depois subiu, e fez-se regabofe, inclusive no parlamento, quando o Senhor Sócrates era um distinto parlamentar. Estão lembrados do caos que era o défice de 6,8%, tinha deixado o governo, o PSD, na altura encomendado a um Senhor, também distinto, que hoje é Vice-presidente do tal Banco que nos está a emprestar a massa para podermos pagar salários? Recordo-me, quando se chegou ao final de 2009, dizia, então, o agora distinto, Primeiro-Ministro que o défice era de 9,3% mas porque “ele” o tinha controlado e feito subir, para ajudar a economia. É um artista, sem dúvida. Ele e os marinheiros de água doce que estão no governo. Hoje, decorridos 3 PECS, afinal, o défice é de 8,6%. Por muito menos do que isto, o Senhor Deputado e seus capangas faziam o alarido que nem os caçadores nas batidas às raposas fazem. Ou seja…a razão, agora apresentada é que os tipos mudaram os critérios. Dá vontade de rir. Então, não foi este mesmo governo, que em relação às autarquias locais, escreveu e disse, que o endividamento das empresas, do universo dos municípios, contava para o endividamento das Câmaras? Quer dizer que os outros levam com a ripa e o governo continuava a “meter” o nosso dinheiro nas empresas públicas que, ao longo de décadas, só dão prejuízo? Poderiam não dar lucro, mas no mínimo o que se exige é que não dêem prejuízo, de modo reiterado, e já com a convicção de obrigatoriedade. E não são gestores que ganham 3.000 euros por mês. Como disse, ainda um dia destes, um notável Secretário de Estado, já reformado, 6.500 euros por mês é razoável. Que dirão as estas asneiradas, os gestores das Entidades Empresarias Municipais, os Presidentes e Vereadores da Câmaras Municipais que, na maioria dos casos, ganham menos que um Director de Departamento de uma Câmara Municipal? O país está falido? De certeza absoluta que não fui eu, nem os restantes dez milhões de portugueses, que pusemos o país na falência. Foram os iminentes políticos, muitos deles quase engenheiros e outros, distintos professores de Economia e Finanças que não conseguiram, durante trinta anos, fazer o que qualquer guarda-livros conseguiria fazer…que a despesa não fosse superior à receita. Nunca ao longo destas décadas se ouviu falar em Superavit. Todos os anos se falou de défice. E alguém com a quarta classe antiga, sabe que somando défices todos os anos, chega-se a um momento que é preciso pagar o dinheiro emprestado. É claro que como não existe plano nenhum para organizar o país para aumentar os seus rendimentos, vai-se chupando o único rendimento ainda disponível que é o de quem trabalha. Empresários e trabalhadores. E se estes não pagarem, por qualquer vicissitude, vão para uma lista negra. Aquela em que está o Estado Português… a lista dos relapsos e maus pagadores, porque tem-se andado a viver à custa do dinheiro dos outros. Declare-se, de uma vez por todas, a insolvência do Estado Português e que alguém tome conta disto…só peço, que se for possível, que seja de uma vez por todas. É que estou farto, também, de emprestar dinheiro a estes incompetentes que não sabem mais que um guarda-livros.

"Magis adducto pomum decerpere ramo, quam decaelata sumere lance, iuvat." [Ovídio, Ex Ponto 3.5.19] É mais agradável colher o fruto do ramo puxado que tirá-lo de um prato cinzelado.