quinta-feira, 21 de abril de 2011

COMO POUPAR MILHÕES


Pensando bem, não vejo razão para termos forças armadas. Nos dias de hoje, não se vislumbra tal necessidade. De qualquer dos modos, caso fosse necessário, sempre podíamos contratar, como avençados, os americanos.

De igual modo, não vejo necessidade de polícia. Já temos as empresas de segurança. Mas, se eventualmente, deixássemos de ser um país sem criminalidade, pedíamos apoio à “Guardia Civil”. Quem vai de Madrid a Cárceres, também vai de Badajoz a Lisboa.

Também não vejo necessidade de escolas, nem de universidades. Hoje em dia, com o “Magalhães”, os alunos podiam, perfeitamente, aprender via “e-learning”. Quanto aos restantes 90%, que constituem os iletrados em Portugal, faziam nas empresas ou no IEFP, as novas “oportunidades”.

As Farmácias, também podiam fechar. Os doentes passavam a encomendar os medicamentos via internet e pagavam com o cartão de crédito.

Já quanto aos hospitais, só se mantinham abertos, para os doentes que não se pudessem deslocar. Os restantes iriam a Badajoz, a Vigo ou a qualquer outro hospital, junto à fronteira.

Os comboios deixavam de funcionar com maquinistas. Passavam a ser comboios automáticos, orientados e conduzidos por sistemas informáticos.

Os aviões voavam, unicamente, com pilotos automáticos. Os controladores aéreos seriam substituídos, por sistemas gravados, em Call-Centers, na Índia.

O governo era substituído, em outsourcing, pelo FMI. Logo, não era necessário nem a Assembleia da República, nem os organismos reguladores, nem fiscalizadores. A malta aceitava as ordens do FMI e pronto.

Ninguém me diga que eu nunca apresentei soluções. A partir de hoje, é injusto.

Ah, mas para que isto seja aprovado, vamos fazer uma petição, que terá de ser apresentada na Assembleia da República, visionada pelo Governo e promulgada a decisão pelo Presidente da República e depois referendado pelo Primeiro-Ministro. Só vejo dificuldade, nesta última. Os outros penso, que iriam concordar.

E assim poupávamos uns largos milhões.

Tenham uma Páscoa Feliz, se possível.

Necessitamos, com urgência, de outro regime político!

Em 2 de Abril, de 1976, passou a vigorar uma nova constituição, da república portuguesa. Delega nos partidos políticos, a representação do povo. Por isso, se diz que, temos uma “Democracia Representativa”. À custa deste pressuposto, temos andado, nestes 35 anos, de eleição em eleição, a ser representados por grupos de mafiosos que levaram Portugal ao desastre em que este se encontra. O poder foi-se alternando entre Socialistas e Populares, mais tarde, designados de sociais-democratas, como se isso fosse alguma coisa melhor.
Já os Socialistas arredaram, no tempo de Mário Soares, o socialismo, que foi metido na gaveta e também quiseram ser sociais-democratas. Ora bem…se são os dois sociais-democratas é o suficiente para eu acreditar que a social-democracia ou está enviusada por estes partidos ou então, não serve para nada. A realidade é que qualquer dos partidos conseguiu, ter no seu seio, uma corja de filhos da puta que andaram a vilipendiar o país. Criaram-se Bancos, sem qualquer controlo da entidade fiscalizadora, como o BPN ou o BPP e permitiu-se, no meio de tudo isto que os bancos andassem a emprestar dinheiro que não tinham, sacando à malta juros e comissões agiotas, por tudo e por nada, sustentando salários obscenos, com regalias de “Califas” e, depois de tudo isto, continuam. Tentam passar desapercebidos, no meio da chuva.
Todos andámos a comprar automóveis, casas, a pagar férias no Brasil, em Cuba e noutros lados, televisões, computadores, a remodelar as mobílias de casa e a trocar de telemóvel, todos os anos. O Estado, com as suas obras megalómanas de auto-estradas e outras tais, ajudou a que a dívida, dos bancos e famílias, ultrapassa-se, os actuais 200% do PIB. Ainda me recordo, entre outras obras megalómanas, no tempo de Cavaco Silva, a construção do Centro Cultural de Belém, que dos iniciais 10 milhões de contos, acabou por custar, ao erário público, 40 milhões de contos. E aqui é que está o problema do país. A pouca vergonha que aproveitou a alguns milhares de mafiosos. Agora, novamente, são os portugueses chamados, a pagar com os rendimentos do seu trabalho esta pouca vergonha. Sim…porque os bancos vão ser os únicos beneficiários desta brincadeira. Afinal é bom ser-se accionista de um banco. Quando há lucros, e se distribuem dividendos, são os accionista a “mamar”, quando a banca está rota, são os portugueses a pagar. A todo este desenrolar de acontecimentos, um dos espectadores atentos da desgraça foi o Banco de Portugal e a sua “supervisão”. Bastava encontrar-se o modo de financiamento do capital social e depois era a vilanagem completa. Por outro lado, temos, mais não sei quantas instituições, que vão realizando auditorias e cujas conclusões são postas na gaveta, porque não existem sanções aos políticos. Tem-se encontrado como resposta que os políticos são “julgados” nas urnas. É pena que o mesmo não possa ser adaptado aos gestores das empresas. Terá havido, quem, ao longo dos anos, fosse lendo os relatórios sobre a “Conta Geral do Estado”, do Tribunal de Contas? Não me parece.
Mas, no meio de toda esta vilanagem, tem-se permitido, que um duvidoso, “licenciado em engenharia civil”, venha a ser primeiro-ministro, numa postura de completo narcisismo, ao longo de mais de seis anos. A alternativa que se apresenta, e uma vez mais, é a alternância, pelo outro partido que se diz, também, social-democrata, cujo líder, apresenta uma postura de “cobrador” da Carris. Apresenta propostas, aos portugueses, de mais cortes, aqui e ali, como se andássemos todos nos autocarros, ao longo destes anos, sem pagar nada, até agora.
Portugal está melhor do que em 25 de Abril de 1974? Mal fosse que não estivesse melhor. Bastou a mera evolução do mundo, para que Portugal fosse apanhando alguma coisa, aqui e ali. E uma das coisas que apanhou foi o “desenvolvimento” da banca e da sua capacidade criadora de negócios, muitos deles, completamente agiotas, para que os portugueses tivessem um conforto e um bem - estar, para o qual, nunca produziram a riqueza necessária, porque nunca tiveram um sistema político que fosse capaz de liderar um desenvolvimento económico e social, sustentado. Aldrabou-se o ensino, de tal modo, que o chefe máximo do governo apresenta exames, feitos, por fax. Como diz a publicidade do licor Beirão, “garante-se o diploma de engenheiro a todos os portugueses." Iludiu-se o desenvolvimento, dando a entender que todos poderiam ser proprietários de imóveis. Que todos teriam direito a férias no Brasil, em Cuba, na Jamaica ou em qualquer lado exótico (pode ser na Madeira) ou noutro qualquer país tropical, e que cada cidadão, tinha direito a automóvel, mesmo que fosse para ir para a escola, enquanto estudante. Houve na realidade algo de mérito…O Serviço Nacional de Saúde. Que por várias razões, obscuras, alguns tentam destruir. E começou, muito paulatinamente, logo a seguir ao 25 de Abril, quando se cortou a possibilidade a muitos médicos, que andaram anos a fazer, o P1, P2, P3, P4 e acabaram em clínicos gerais… de irem para uma especialidade. Foi a protecção descarada do “lobby” instalado. E que continuou com os números clausus. Resultado… Hoje, Portugal não tem médicos suficientes, muito menos especialistas em número, capazes de acudir às necessidades do país. E, continua-se a não querer olhar para Inglaterra e perceber como funciona o sistema de saúde deles. Os médicos são pagos por objectivos. Dedicação exclusiva. Mas, não têm falta dos mesmos. Poupa-se muito dinheiro, porque se realiza uma medicina, mais focada na prevenção. Aqui, apostou-se no “apoio” aos laboratórios farmacêuticos. Conclusão…hoje, estamos “à rasca”, porque não temos médicos suficientes e a despesa, com medicamentos, não pára de aumentar. Solução inteligente e rápida…genéricos. É uma parte da solução, mas falta, uma vez mais, aquilo que o sistema político, vigente, não consegue proporcionar.
Mas, na realidade, parece que nada disto está mal no país. Estamos a pedir dinheiro emprestado, temos o FMI a “trabalhar” e a malta “à rasca”, pára o país, quinta, sexta, sábado, domingo e segunda, fora os que meteram férias, antes dos feriados ou que meteram férias, depois dos feriados.
Nestas próximas eleições, depois de nunca ter estado ausente de nenhuma votação, vou aliar-me, aos indecisos. Só volto a votar, quando houver um novo regime político. Até lá, deixo a minha vida aos cuidados do FMI.
Necessitamos, com urgência, de outro regime político!

“Tacens non fatetur, sed nec negare videtur.” [Jur] Quem cala não confessa, mas também não se entende que esteja negando.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

UM JOVEM À RASCA

Um jovem à rasca, encontrou-se com um amigo, do pai, e cumprimentaram-se. Boa tarde, Zé. Como está Senhor Doutor? E inicia-se um diálogo, interessante. Pergunta o Dr.:

-Então, Zé, sempre foste à manifestação da geração à rasca?

- Sim, claro.

- Então e quais foram os teus motivos, conta lá.

-O mesmo que os dos meus amigos. Acabei o curso e não arranjo emprego. Pergunta o Dr… E tens respondido a anúncios?

- Na realidade, não. Isto é muito complicado. Porque de verão não dá jeito nenhum. Um tipo tem as praias e as esplanadas, cheias de miúdas. No inverno está um tempo do caraças, chove e faz frio, não apetece nada andar por aí nas entrevistas. Além do mais, depois destas idas à praia, às discotecas, às esplanadas e quando calha, a um cinemazinho, ainda me sobra dinheiro da mesadazinha que os meus pais me dão.

- Mas devias responder a anúncios. Não achas? Porque é que não respondes?

- Tem razão. Mas mudando de assunto. A manifestação até correu benzinho. Não houve incidentes, o que é sempre bom. Mas houve chatices.

-Então, Zé, conta lá.

- Eh pá…quando cheguei ao viaduto Duarte Pacheco, apanhei uma fila de todo o tamanho.

- Se calhar isso era gente que ia para as Amoreiras ou até para o Largo do Rato. Sabes que aquilo tem andado movimentado por lá.

- Nada disso, Dr. Jovens à rasca como eu. Ao fim e ao cabo, gente de todas as idades, mas todos à rasca como eu.

- Hum…E então, onde é que estacionaste o carro. No Parque Eduardo VII?

- Oh Dr. O meu amigo não está bom da cabeça. Então, com um Audi TT cabriolet, eu alguma vez iria estacionar numa zona manhosa como aquela? Tentei estacionar no Parque do Marquês, mas estava cheio.

- Cheio de…?

- De carros de jovens à rasca como eu, claro. Acabei por ir estacionar no parque do El Corte Inglês. No caso de sair cedo da manifestação, ainda fazia umas comprinhas na loja “Gourmet.”

- É claro que foste de “Metro”, depois?

- Oh Doutor, eu gosto de ser pontual e como já se estava a fazer-se tarde, apanhei um táxi, embora estivesse, um pouco, à espera de apanhar um livre, pois havia muitos jovens, como eu, à rasca, também, à espera de Táxi. Quando cheguei à manifestação, acabei por ser entrevistado por um canal de televisão.

- E o que é que disseste?

-Que era licenciado e estava desempregado e que já estava a ficar chateado de andar a pagar as reformas dos outros.

- Mas, se nunca trabalhaste, nunca descontastes para a Segurança Social, como é que andas a pagar as reformas dos outros?

- Pois…pois. É capaz de ter razão.

- Ouve lá. Tu és licenciado em quê? Em Estudos dos Astros, não?

- Oh Doutor, parece que é bruxo. - Não! Foi só um “feeling”. E então, gritaste muito, está claro?

- Não consegui. Estive o tempo todo a receber chamadas e a mandar mensagens para s garinas e para um amigo meu que estava do outro lado da manifestação. Além do mais, para dar o ponto de situação, ainda mandei mensagens para o Facebook e para o Twitter, pelo IPhone e pelo Blackberry.

- Eh pá…mas isso não é demais para quem está à rasca? É que só os aparelhos custam uma pipa de massa.

- Oh Doutor… Não seja cota. Estas são as armas modernas de luta.

-Então saís-te cedo da manifestação e ainda conseguiste ir fazer as comprinhas ao Gourmet?

-Uma merda, Doutor. Naquela luta, junta-se a alegria e fomos directos ao Chiado e acabámos no Bairro Alto. Felizmente uma amiga minha já tinha feito marcação de uma mesa. Se não estávamos tramados.

- Mas espera lá, oh Zé…as tascas no Bairro Alto já fazem marcações de mesas?

- Oh Doutor…chama tasca ao Pap`Açorda?

- Ah, ao menos comeram bem?

- Sim, comemos bem. E não pode ser de outra maneira. A luta é cansativa e é preciso repor energias. Agora aquele tinto, “Carbenet Sauvignon” é que escorregava que era uma maravilha.

- Espera lá, Zé. Não me digas que depois foste conduzir já com um grão na asa? - Não Doutor, tenha calma. Nunca ouviu dizer que a “luta continua”? Fomos até ao Lux. Fomos de Táxi. Quatro em cada táxi, porque é preciso poupar o guito. Porque senão, lá se vai a praia, as esplanadas as idas ao cinema, etc. Logo, adeus miúdas!

- Mas o Lux com a crise que está deve estar um pouco às moscas, não?

- Não senhora. Qual quê? Muita malta à rasca.

- Quando acabaram de curtir a noite, foste directo a casa?

-Oh Doutor…Isso são perguntas que se façam? Tomei, mas é, um Táxi para um Hotel de quatro estrelas, pois não há dinheiro para os de cinco estrelas, nem tão pouco para os de luxo.

- Estou a ver que és um jovem consciente. Como tinhas bebido…

- Nada disso…eu tinha conhecido na manifestação uma camarada de luta e bem…o Doutor sabe como é…

- Não me digas que ainda foram fazer um plenário?

- Oh Doutor, não está a ver bem as coisas. O pior foi de manhã, em que chegámos à conclusão que ela era “bloquista” e eu voto no Portas. Saiu porta fora. Deve ter ido tomar o pequeno almoço à “Versailles.”

-Ah, então, tomaste o pequeno almoço no Hotel, correcto?

- Claro. Mas pedi o “room - service”, porque estava com uma ressaca dos diabos e não me aguentava das pernas.

- Depois pagaste e…

- A crédito. Nada de más interpretações. Paguei a crédito com o cartão “gold do Barclays”.

-Depois foste directo a casa?

- Sim. Aquela hora já não há trânsito na A5. Já não havia muita malta à rasca.

-Onde é que vocês moram, agora? Em Caxias? Na Parede?

- Francamente, Doutor. Moro na Quinta da Marinha, numa casita que os meus pais se vêem à rasca para pagar. Para a próxima levo-os comigo!

quinta-feira, 7 de abril de 2011

GOSTAMOS DE GENTE MEDIOCRE…

A percepção de incapacidade do PSD para se assumir como alternativa credível não assenta apenas nas opções dos eleitores. Revela-se, igualmente, na continua quebra de popularidade de Pedro Passos Coelho e no facto de poucos acreditarem que o partido teria um melhor desempenho do que o PS, se fosse investido em funções governamentais. Existe a consciência de que tanto faz PS ou PSD, no governo. Quem na realidade vai pôr o país na ordem é o FMI. A apatia do povo português é de tal ordem que nem perante a situação vigente, se mexe para alterar seja o que for. A confusão de neo-liberais, liberais, sociais e outras coisas mais, dentro do PSD, acaba por entronizar no poder, o político mais medíocre dos últimos 200 anos, no poder…José Sócrates!

A CULPA É DO PEC IV

Boa noite, mãezinha! Viste-me na televisão? Que tal? Estava melhor assim ou assim? O importante era a notícia de que o FMI vinha para Portugal fazer aquilo que já devia ter feito em 2009? Oh mãezinha…também tu? Já não me bastava terem chumbado o PEC IV, coisa que eu nunca percebi, pois já tinham votado o terceiro, o segundo e o PEC I. Foi mesmo por causa disso? Oh, mãezinha… quem aprova três, também, aprova quatro ou cinco. Aliás é o que vai acontecer agora. A malta que ganhava menos de 1.500 euros por mês estava-se a rir, mas agora, também vão levar na corneta. Ah, o IVA? Claro, mãezinha que vai aumentar nesta fase pelo menos para 25%. Quanto às reformas dos pensionistas, esses também vão levar na corneta, claro. Mas o mais engraçado é que não vai haver décimo terceiro mês, para ninguém. Nem para os que trabalham na privada. Vão ter que comprar divida pública. Pois, então. Já são accionistas do BPN, agora, têm de ser accionistas à força do Estado. Na verdade, não gostei nada que me tivessem apanhado à procura da melhor posição, em frente das câmaras de televisão, para falar ao país, pelo qual, eu me sacrifiquei, até ao fim, para evitar o FMI. Agora, é que vão dizer que eu sou mesmo narcisista. Mas, o importante, é que a culpa foi o de terem reprovado o PEC IV. Se não, nada disto tinha acontecido. Eu sei, mãezinha. Aquelas gajas do Partido adoram a minha pose, e foi por isso, que ganhei, outra vez, o partido. Esta coisa da paridade é mesmo porreira, pá. Pronto, pronto. Já sei que não gostas de me ouvir a falar assim. Mas foi um hábito que apanhei lá na universidade. Quando eu lá aparecia, a malta dizia…vieste às aulas? Porreiro, pá. E prontos, ficou. Olha…não digas, a ninguém. Mas ninguém vai, é explicar aos portugueses que nem daqui a trinta anos, o país se endireita. Também já não estamos cá. Até lá, estamos safos. Não é porreiro, mãezinha? Beijinhos. Dentro em breve voltarei a escrever-te. “Vacuae manus temeraria petitio est.” [John of Salisbury, Policraticus 5.10] É audacioso o pedido feito de mãos vazias.

sábado, 2 de abril de 2011

A CULPA, AFINAL, NÃO É DO SÓCRATES

Mãezinha.

Cá estou eu, novamente. Disto é que eu gosto. Até pareço, um daqueles vendedores da banha da cobra. Aqueles que gritam com aquele pregão de “Olhem a banha da cobra! É boa para os calos. Aplica-se no calo, desaparece o dedo e fica o calo”. Lembras-te? Ainda, agora, falei da maldade do PSD ter chumbado o PEC IV. O quê, mãezinha? Eles já tinham dado guarida ao PEC I, PEC II, PEC III e que agora, ou aprovavam e ficavam na minha mão ou chumbavam e ficavam na mesma entalados? É verdade mãezinha. A isto, chama-se política. Sempre fui um habilidoso, ou não fui mãezinha? Até na escola era habilidoso… O quê, mãezinha? Mesmo com os três PECS que o PSD apoiou eu levei o país para um défice de 8,6%? Isso não é bem assim. A culpa é dos contabilistas. Mudaram as regras de contabilização das contas. Então, o défice das empresas como a REFER, A CP, o BPN, o BPP, têm alguma coisa a ver com o orçamento? Mãezinha, não é justo. Eu até falei sobre isto, com o Teixeira, e ele, também, ficou muito chateado. Diz que lhe vai estragar o prestígio que tinha. Eu disse-lhe que isto não era a mesma coisa que dar umas aulitas na universidade. Na prática é mais complicado. Tudo bem, mãezinha. Ele ficou animado. Só ficou de beicinho foi por o ter abandonado na Assembleia. Mas, eu expliquei-lhe que lhe estava a dar importância e que a líderança desta coisa das finanças é dele. O mesmo que dizer que a culpa é dele e não minha. As coisas boas são minhas, as más ou são dos ministros ou são da oposição. Oh, mãezinha! Eu não consegui enganar a malta uma data de anos a dizer que tínhamos chegado a um défice de 6,8% por causa da oposição? Claro que depois fui que reduzi para 2,6%, mas já não fui eu que levei isto para os mais de dez por cento de défice, culminando o ano de 2010 com os 8,6%. Vais ver, mãezinha. Com a minha lábia, a estupidez dos PSD`S, mais a ignorância deste povinho, que ainda vamos empatar esta merda. E depois, mãezinha? Não te preocupes, porque quem colocou o país nesta situação foi o PSD. Se eles não tivessem chumbado o PEC IV, não tínhamos os juros que temos, nem precisávamos, tão cedo do PEC V. Ah, quanto ao PEC VI? Esse já ficava para 2012. Mãezinha, vou precisar muito do teu apoio, até 5 de Junho. Escreve-me mais cartinhas, pois não vou ter possibilidade de ir dormir a casa e vou passar a dormir no sofá, no partido. Qualquer das maneiras, esta brincadeira vai ser a escaldar. Sobre o país e a crise? Não, mãezinha. Não vou ter tempo de falar sobre isso, se quiser ganhar as eleições. Beijinhos, deste tê filho.


PS.- Fica descansada que depois de ganhar as eleições eu chamo o FMI. Depois digo que a culpa foi do PSD que não era necessário. Está bem. Eu não vou cortar muito as reformas. Aumento primeiro o IVA, para 25%.


“Memoria minuitur, nisi eam exerceas.” [Cícero, De Senectute 7] A memória diminui, se não a exercitas.

O País está Falido?



Estamos a chegar à conclusão que o país está falido. Não foi nada que eu já não tivesse dito e escrito, em 2008. Ainda não existia, a tão famosa, crise internacional. Ao longo destes anos fomos ouvindo dizer que o défice agora baixou, depois subiu, e fez-se regabofe, inclusive no parlamento, quando o Senhor Sócrates era um distinto parlamentar. Estão lembrados do caos que era o défice de 6,8%, tinha deixado o governo, o PSD, na altura encomendado a um Senhor, também distinto, que hoje é Vice-presidente do tal Banco que nos está a emprestar a massa para podermos pagar salários? Recordo-me, quando se chegou ao final de 2009, dizia, então, o agora distinto, Primeiro-Ministro que o défice era de 9,3% mas porque “ele” o tinha controlado e feito subir, para ajudar a economia. É um artista, sem dúvida. Ele e os marinheiros de água doce que estão no governo. Hoje, decorridos 3 PECS, afinal, o défice é de 8,6%. Por muito menos do que isto, o Senhor Deputado e seus capangas faziam o alarido que nem os caçadores nas batidas às raposas fazem. Ou seja…a razão, agora apresentada é que os tipos mudaram os critérios. Dá vontade de rir. Então, não foi este mesmo governo, que em relação às autarquias locais, escreveu e disse, que o endividamento das empresas, do universo dos municípios, contava para o endividamento das Câmaras? Quer dizer que os outros levam com a ripa e o governo continuava a “meter” o nosso dinheiro nas empresas públicas que, ao longo de décadas, só dão prejuízo? Poderiam não dar lucro, mas no mínimo o que se exige é que não dêem prejuízo, de modo reiterado, e já com a convicção de obrigatoriedade. E não são gestores que ganham 3.000 euros por mês. Como disse, ainda um dia destes, um notável Secretário de Estado, já reformado, 6.500 euros por mês é razoável. Que dirão as estas asneiradas, os gestores das Entidades Empresarias Municipais, os Presidentes e Vereadores da Câmaras Municipais que, na maioria dos casos, ganham menos que um Director de Departamento de uma Câmara Municipal? O país está falido? De certeza absoluta que não fui eu, nem os restantes dez milhões de portugueses, que pusemos o país na falência. Foram os iminentes políticos, muitos deles quase engenheiros e outros, distintos professores de Economia e Finanças que não conseguiram, durante trinta anos, fazer o que qualquer guarda-livros conseguiria fazer…que a despesa não fosse superior à receita. Nunca ao longo destas décadas se ouviu falar em Superavit. Todos os anos se falou de défice. E alguém com a quarta classe antiga, sabe que somando défices todos os anos, chega-se a um momento que é preciso pagar o dinheiro emprestado. É claro que como não existe plano nenhum para organizar o país para aumentar os seus rendimentos, vai-se chupando o único rendimento ainda disponível que é o de quem trabalha. Empresários e trabalhadores. E se estes não pagarem, por qualquer vicissitude, vão para uma lista negra. Aquela em que está o Estado Português… a lista dos relapsos e maus pagadores, porque tem-se andado a viver à custa do dinheiro dos outros. Declare-se, de uma vez por todas, a insolvência do Estado Português e que alguém tome conta disto…só peço, que se for possível, que seja de uma vez por todas. É que estou farto, também, de emprestar dinheiro a estes incompetentes que não sabem mais que um guarda-livros.

"Magis adducto pomum decerpere ramo, quam decaelata sumere lance, iuvat." [Ovídio, Ex Ponto 3.5.19] É mais agradável colher o fruto do ramo puxado que tirá-lo de um prato cinzelado.

segunda-feira, 28 de março de 2011

MAIS UM TIRO NO PÉ

Mê querido filho!

Que bem que me tem sabido as tuas cartinhas. Não resisti em escrever-te. Não há dúvida que, ao pé destes tipos, és um artista. Puseste a casca de banana e ele escorregaram. Agora, cada vez que abrem a boca, só dizem asneiras. Bem dizias tu que ias ganhar, novamente, as eleições. Até eu, que não percebo nada de política, a minha especialidade é croché, fiquei com a cara à banda. Não bastava aquela de aumentar o IVA e o Pedrito…não, não é o Pedrito de Portugal, este é só do PSD e não sei por quanto tempo, vem com esta, de privatizar a Caixa Geral de Depósitos. Mas quem serão os inteligentes que andam atrás do Pedrito? Olha, para ti é “Farinha Amparo”. Arrancaste com 32% nas intenções de voto, mas com estas argoladas de palmatória, vais ganhar, novamente, as eleições. Não há dúvida…os tipos são mesmo idiotas. Sim, na realidade são os mesmos, vai para mais de vinte anos, por isso tu os conheces tão bem. Eu não te tinha dito que aquelas conversas do quase economista, eram piores que as tuas, que és um quase engenheiro? Mê filho! Depois de ganhares as eleições, e desde já te dou um beijinho de parabéns por teres ganho, novamente o partido… (não há dúvida que é mesmo um partido socialista e de um homem só, grande democracia) …vais poder aumentar o IVA e com legitimidade reforçada, pelo apoio do PSD, além de martelares as reformas dos pensionistas. Não é que eu goste muito da ideia, mas tu hás-de compensar, depois, a tua mãezinha. Não é, mê filho? Essa do Pedrito querer o FMI para eles poderem ter argumento de liberalizar a economia, foi de mestre! Quem é que se lembrou dessa? Quando a generalidade dos bancos necessitam de reforçar os seus capitais próprios para não ficarem “à rasca”, o Pedrito veio com aquela da privatização da CGD. Não podias ter melhor chance…agora, basta estares atento ao continuar das alarvejadisses do PSD e ganhas esta brincadeira, mesmo depois de teres fornicado a rapaziada á canzana. Mê rico filho. Estou muito contente, por isto ter começado assim. “ A vitória é certa”. Beijinhos da tua mãezinha e logo que possas, escreve. Até lá, não te enerves…isso não fica bem na televisão.

“Uva conspecta livorem ducit ab uva.” [Juvenal, Satirae 2.81] Uma uva apodrece pelo contato com outra uva. ■Uma ovelha tinhosa faz todo o rebanho tinhoso. ■Uma maçã podre apodrece um cento.

quinta-feira, 24 de março de 2011

NÃO SE DEVEM DESCULPAR AS MÁS INTENÇÕES.

Mãezinha!
Finalmente, vou-me ver livre desta embrulhada. Caíram que nem uns patinhos. Foi só lançar o isco e pronto. A ânsia de quererem estar no poleiro deu o resultado que eu esperava. Agora, acho-me no direito de fazer de vítima e tudo aquilo, que vierem a fazer, eu posso criticar com autoridade. Só que não se vão livrar de mim. Porque lá no partido, ninguém se atreve a disputar o lugar comigo. O quê, mãezinha? O buraco ainda é maior? Claro que é. Mas eu não podia estar a dizer isso. Agora, quando eles chegarem, ao governo, que descubram. É por isso que ninguém acredita em nós. Falamos, falamos, mas trabalhar está quieto ao mau. Sim, mãezinha. O défice anda por volta dos 11%. Essa dos 9,3% é só uma aproximação. Quando o Pedro vir as contas, até se vai arrepiar. É que além dos 2% mais de IVA, vai ter que mexer nas reformas na mesma. É que mais 2% é muito dinheiro.
Ah, e os juros vão subir? Claro, mãezinha. As prestações das casas e tudo. O pessoal quando se aperceber que vai pagar mais 30 a 40 por cento, na prestação da casa, até se arrepiam, todos. Mas, nessa altura, já nós fomos a eleições, e ganhámos, outra vez. Este povo é assim mesmo. Eles não percebem nada da psicologia do contribuinte -pagante.
Se a vida vai piorar? Com certeza, mãezinha. Por isso é que te digo que ainda volto lá. É que o povinho não vai perceber e depois diz: “ são todos iguais”. E quem fornicou o país, e arranjou esta confusão toda, fui eu mais o Teixeira.
Portanto, lá para o fim de Maio, vamos ter eleições. Então isto vai mudar? Não, mãezinha. Nada vai mudar.
A riqueza que o País conseguir produzir nos próximos anos será canalizada em grande parte para o pagamento dos juros e amortizações das dívidas que eu e os tipos que estiveram antes de mim, em S. Bento, andámos a produzir. É que, quase 60% dos reembolsos de dívida pública, emitida através de obrigações do Tesouro, que serão regularizadas a curto e médio prazo já vêm do tempo do “picareta falante” (leia-se António Guterres, o que fugiu para a Comissão dos Refugiados).
Mas eles não se podem ficar a rir…porque em Junho de 2012 vence um dos maiores reembolsos de sempre que Portugal terá de cumprir de um empréstimo contraído pelo “Grande Timoneiro da Europa”, José Barroso, também conhecido pela alcunha do “Chicharro”. Perdão, Cherne, em 2002. Logo depois de ter saído do governo o nosso amigo Guterres.
Em contrapartida as dívidas que eu contrai são pequeninas. Em Abril temos para pagar 4,5 mil milhões de euros relativos a uma emissão de dívida pública feita em 2005. Em Junho, temos mais 5 mil milhões, já herdados do Guterres.
Portanto, se tiverem que pôr as culpas, ponham no Guterres e no Durão Barroso. Eu sou aquele que menos culpas tenho, no cartório.
Vai haver subida da inflação? Claro, mãezinha. Em vez dos 2,2% passaremos para uns 2,7% a 3%. Mas depois, quando eu voltar, volta a baixar. Como? Vou criar a possibilidade de destruir mais 150 mil empregos. O pessoal não consome, baixa a inflação. Nem era preciso ter andado na universidade para saber isto.
Bom, mãezinha. Tê filho vai ter que ir fazer a mala, pois tenho de ir a Bruxelas.
Beijinhos e até ao meu regresso, em breve!

“Malitiis non est indulgendum.” [DAPR 770] Não se devem desculpar as más intenções. ■Perdoar ao mau é animá-lo a ser.

segunda-feira, 14 de março de 2011

A GERAÇÃO FORNICADA

Mãezinha!
Espero que esta cartinha te vá encontrar bem. Eu cá vou andando a digerir o último discurso do nosso amigo.
Se eles pensam que me vou demitir, estão muito enganados. Estou de pedra e cal e daqui, ninguém me tira. Um milhão de gajos que querem que eu saia? São mesmo parvinhos. Há um que me podia tirar daqui e não tira. Agora imagina um milhão de tipos, que a única coisa que sabem, é fugir aos impostos, a querer que eu saia. O quê? A juventude “à rasca”? Mas o que é que a geração “nem, nem”, pode fazer? Se a geração “fornicada” nada faz? Quem é a geração fornicada? Mãezinha! São aqueles que andam a pagar as contas da geração à rasca e que eu tenho andado a fornicar a ida para a reforma, deles. É fácil de ver.
Ele não tem coragem, porque também sabe que o Pedro e a rapaziada dele andam a apanhar papéis. Vai fazendo umas reuniões aqui e ali, ouvindo os pseudo- entendidos na matéria e depois, publica um livrinho, que é para dizer que anda activo. Esta do activo já me fez lembrar aquela do tipo que tinha problemas de trânsito intestinal e comprava iogurtes activos para pôr a tripa a funcionar. É claro que depois de beber paletes e paletes daquilo, não havia “trânsito” nenhum. A “merda” continuava na tripa. E é o que acontece aqui. O nosso amigo fala “grosso”, mas depois retira-se de cena, porque sabe que durante os dez anos, que esteve no meu lugar, também só fez merda. Se calhar estava a pensar que era eu, agora, que ia limpar o que ele fez? Era o que me faltava. Há-de vir o FMI, eu vou ficar por aqui, porque ninguém quer agarrar este barco, a naufragar, e depois continuo. Deixa passar a tormenta, porque a seguir vem sempre a bonança.
O país vai levar mais de trinta anos para se endireitar? Oh, mãezinha…não te preocupes. Já não estamos cá. Até lá, vamos vivendo benzinho. Ou não é? Vais receber menos de reforma, agora? Em vez de 3 mil euros, vai receber um bocadinho menos? Oh, mãezinha…ter-te arranjado a reforma é uma coisa, agora, não consigo que não leves, também, com o desconto que vão levar os reformados ricos de Portugal que têm mais de 1.500 euros de reforma. Olha que ainda são 180 mil. O outro milhão e não sei quantos mil? Esses já estão “à rasca”, mãezinha. Os outros vamos fornicando-os, suavemente. De reforma em reforma, mais uns tempitos e ficam todos doridos. Estavam a pensar que a “democracia” não tinha custos? Ah pois tem. A liberdade paga-se!
Mas isto, também, não é uma democracia, mãezinha. É uma oligarquia. Meia dúzia de aristocratas, com dinheiro, utiliza os nossos partidos, para “rendibilizar” os investimentos, melhor.
Vê lá tu, que agora, já não temos “condicionalismo” industrial. Em vez de regularmos a abertura de indústrias, fechamo-las!
Já se pode dizer tudo. Já não há lápis azul. Agora, despedimos os tipos e compramos os canais de televisão. Estávamos fechados à Europa? Só tínhamos os países da EFTA, connosco? Agora são 27 e todos amigos. Agora, estamos tão abertos à Europa que são eles que mandam em nós.
Havia pouca gente no ensino superior? É verdade, mãezinha. Agora, damos as novas oportunidades, a entrada nas universidades, com 23 anos, independentemente das habilitações e depois, ficam por conta da geração fornicada, a fazer mestrados e merdas assim.
Ah, O Presidente não sabia nada destas últimas negociações que impuseram estas novas medidas de austeridade? Nem tinha nada que saber. Eu já sabia o discurso que ele ia fazer. Se tenho escutas a trabalhar para mim? Nem penses nisso, mãezinha. Mera intuição. Aliás, tudo o que faço não tem rigor técnico. Não é como o inglês técnico que aprendi na universidade. Tudo o que faço é com a grande intuição e “feeling” com o qual nasci e que a ti, tanto devo, mãezinha.
Beijinhos deste tê filho que tem muitas saudades tuas. Ultimamente não nos temos cruzado nas escadas.

PS- Não te esqueças de ir às compras, ao supermercado e à farmácia, porque estes gajos, dos “camiões”, quando param, param mesmo.

“Malitia, versuta et fallax nocendi ratio.” [Cícero, De Natura Deorum 3.75] A maldade é um método astuto e pérfido de enganar.

quinta-feira, 10 de março de 2011

Mãezinha! Estou de rastos.

Mãezinha! Estou de rastos.
Eu já adivinhava que o Cavaco, neste segundo mandato, ia ser duro. Já não tem mais mandatos para cumprir.
Ouviste o discurso que ele fez? Francamente…Tenho andado, eu e o meu governo, de um lado para o outro, a fazer leis e mais leis, para aumentar a receita e diminuir os proveitos dos portugueses e ele veio com aquele discurso. Nós não temos estado a prosseguir políticas baseadas no instinto ou no mero voluntarismo. Mãezinha, tudo, o que fazemos, é bem pensado. Se deu neste resultado? Mãezinha, a culpa é de lá de fora. Ao longo destes anos temos feito imensos investimentos em cafés, cabeleireiros e spas. Ah, mas isso não resolve o problema? Mãezinha, aquilo que aprendi na universidade foi de que o país tinha que investir nos serviços e fazer ovelhas no Alentejo. Dar uns subsídios para a malta não trabalhar e que vivíamos todos contentes. Agora, depois deste esforço todo, vem o Cavaco dizer que é necessário focarmo-nos nos sectores de bens e serviços transaccionáveis. Até parece que ele não esteve, aqui, no meu lugar, durante dez anos. Abandonaram esta merda toda. Destruíram a agricultura (vê mãezinha o que importamos de cereais), deram cabo das pescas, deixaram as empresas que produziam bens transaccionáveis fugir para a Lapónia, para Letónia e tantos outros, e agora quem se trama sou eu. Não é justo, mãezinha. Eu só tenho feito o que me ensinaram a fazer: “gastar”. Essa do poupar foi para o paizinho e para a mãezinha. No meu tempo já não era assim.
Achas que ainda vou a tempo de inverter esta política? Não me parece, mãezinha. Já ouvi hoje na rua que se tivesse vergonha, na cara, já tinha ido a Belém apresentar a minha demissão. Eu vou, é o caraças. Nunca mais volto a apanhar um lugar destes na minha vida. Chiça! E depois os meus colegas de partido? Como era, mãezinha? Iam engrossar os mais de 600 mil desempregados que já existem? Tudo isto é fruto da crise internacional. Esta malta não percebe nada de nada. Mas, o Cavaco, por acaso, é engenheiro? Não é! Então, de obras sei eu. E a obra que eu tenho andado a construir vai ficar na história portuguesa. Nem nos finais do século XIX, quando o país foi à bancarrota, a situação era tão má. Porque, hoje, Portugal não tem para onde se virar. Resta-nos emigrar e aos que ficarem, continuarem a sofrer neste país, confiado a esta geração “rasca” que nos tem governado.
Mãezinha, não te quero preocupar mais. Mas a situação só se irá aguentar até Maio. Depois, lá vamos nós para eleições. Até lá, iremos conversar, pois tenho imensa necessidade de desabafar contigo. É que já ninguém me ouve, mãezinha. Nem os jovens a quem eu dei tudo, desde as novas oportunidades, ao acesso à universidade, a partir dos 23 anos de idade.
Beijinhos deste tê filho muito desconsolado.
“Vixi, et quem dederat cursum fortuna peregi.” [Virgílio, Eneida 4.653] Vivi e completei o caminho que a sorte me destinara.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O PRAGMATISMO

O pragmatismo aborda o conceito de que o sentido de tudo está na utilidade - ou efeito prático - que qualquer acto, objecto ou proposição possa ser capaz de gerar. Uma pessoa pragmática vive pela lógica de que as ideias e actos de qualquer pessoa somente são verdadeiros se servem à solução imediata de seus problemas. Nesse caso, define-se como verdade o conjunto de todas suas consequências práticas relativas a determinado contexto. Por exemplo: Uma religião é somente boa quando a sua consequência seja indivíduos mais generosos, pacíficos e felizes. O que torna verdade que ela é boa são as suas consequências. E a filosofia deve estudar o que a faz gerar essas consequências e como usá-las para tornar a sociedade um lugar melhor.
A verdade relativa, tomada por base no que se está vivendo ou necessitando no momento, resume o que seja pragmatismo, que vem originalmente contra o pluralismo que se constitui da adopção dos princípios absolutos, sendo este um conceito no qual a verdade tende a seguir os moldes mais justos, onde neste caso, se tenta chegar a um consenso do que seria certo ou errado em determinadas situações onde há diferenças de pensamentos e atitudes em relação a solucionar-se um mesmo assunto; já que a verdade é individual e o que possa ser de interesse a alguém, pode passar a ser destrutivo ou prejudicial a outrem, que por ventura venha a ser atingido por aquela decisão unilateral tomada por um pragmático.
O pragmatismo refuta a perspectiva de que o intelecto e os conceitos humanos podem, só por si, representar adequadamente a realidade. Dessa forma, opõe-se tanto às correntes formalistas como às correntes racionalistas da filosofia. Antes, defende que as teorias e o conhecimento só adquirem significado através da luta de organismos inteligentes, com o seu meio. Não defende, no entanto, que seja verdade meramente aquilo que é prático ou útil ou o que nos ajude a sobreviver a curto prazo. Os pragmáticos argumentam que se deve considerar como verdadeiro aquilo que mais contribui para o bem -estar da humanidade em geral, tomando como referência o mais longo prazo possível.

"Praecipua pars felicitatis sit, ut quod sis, esse velis." [Erasmo, Moriae Encomium 22] A parte mais importante da felicidade é desejar ser como se é.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Prejuízos da RTP em 14 milhões de euros

Empresa não dá prémios a gestores, mas vai distribuir por trabalhadores

A RTP atingiu um resultado líquido negativo de 13,8 milhões de euros em 2009. As contas da estação pública continuam a ser afectadas pelo endividamento, que excede os 800 milhões de euros.
Já em termos operacionais, os lucros chegaram aos 13 milhões de euros.
«O resultado líquido não tem significado para a RTP enquanto os capitais próprios forem negativos», explicou o presidente da empresa, Guilherme Costa. Pergunto eu, na minha ignorância, até quando, é possível, uma empresa, ter os seus capitais próprios negativos?Penso, salvo melhor opinião, que estamos a falar da desconsideração da personalidade jurídica. Mas, a lei não é igual para todos. Estamos a falar de empresas públicas com determinada projecção. Os custos da empresa também subiram para 295 milhões. A justificar esta subida está um maior investimento na grelha e o programa de rescisões que a RTP abriu em 2009.
Será o investimento no futebol? Ou no "preço certo"? Tenham dó…é para isto que ando a descontar, do meu salário? É que já estou um bocado aborrecido com isto. Para 2010, o orçamento apresentado pela RTP estabeleceu uma meta mais modesta: lucros operacionais de 9 milhões de euros, num ano que «continuará» a apresentar «dificuldades». Os objectivos da estação pública vão no sentido de «conter os custos de estrutura». Guilherme Costa frisou, no entanto, que «não é reduzir custos, é conter». Resta saber, visto que estão quase a aparecer os resultados de 2010, se depois de os custos terem aumentado 295 milhões, se é para conter. Conter antes do aumento dos 295 milhões ou com estes incluídos? E quem paga esta treta? Não é o Zé. É a maralha que pôs o Zé no poder mais aos seus amigos.
Gestores não recebem prémio, mas trabalhadores sim

Conforme está previsto pelo Governo, este ano a RTP não dá aumentos nem prémios aos gestores, mas os trabalhadores podem contar com uma remuneração extra. Quanto à hipótese de uma futura privatização da empresa, a administração escusou-se a comentar decisões políticas. Estão no seu direito. Mas também poderiam dizer que como administração não estão contentes de gerir uma casa falida. A não ser que sejam administradores de “massa falida”. Isso, já outra coisa. Mas nesse caso, por favor, não dêem prémios aos trabalhadores, porque eu estou à rasca de massas.
Não obstante estes números, aqui apresentados, pagos por todos os contribuintes, verificamos, hoje, no CM, que os vencimentos de alguns “funcionários”, medem meças aos salários de muitos gestores públicos. Salários que entre o base e os subsídios, rondam os 14 mil euros mês. Será que vale a pena assumir-se responsabilidades civis e criminais, como político ou como gestor de algumas empresas públicas? É que depois a demagogia, tenta meter tudo dentro do mesmo saco, porque, até dá jeito. No final, ainda se fala em dar prémios aos trabalhadores. Já os trabalhadores de outras empresas públicas, cujos resultados são positivos e que nada devem, porque se bastam a si próprios, com as suas receitas, ficam a ver navios.
Até quando é que estas e outras empresas vão continuar a custar tanto dinheiro ao erário público? É óbvio que esta pergunta não tem resposta, nesta alternância de poder instituída, por uma pseudo democracia representativa, em que os que militam nos partidos, na sua maioria, vivem à custa deste sistema. Disse!
« Omnis enim lex est praeceptum, sed non omne praeceptum est lex. » Toda a lei é uma ordem, mas nem toda a ordem é lei.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

QUE INTELIGENTES QUE NÓS SOMOS!

Entrámos para a CEE todos eufóricos, e ala de gastar dinheiro, à fartazana. Eles foram, auto-estradas, caminhos, pontes, escolas provisórias, etc. O dinheiro entrava nos bancos, saia para as empresas de construção civil, voltava aos bancos que foram aplicando o mesmo a seu belo prazer.
Entretanto, o dinheiro deixou de ser o mesmo. As coisas começaram a apertar. Entretanto, já bem dentro da Europa, houve um conjunto de “iluminados” que descobriram a pólvora para fazer crescer a sua economia…fundamentalmente os franceses e os alemães. Para quê? Na expectativa de que vendiam tecnologia de ponta aos chineses. Claro que foram vendendo, enquanto estes não começaram a copiar e a replicar, ao mais baixo preço. Vendiam-se umas centrais nucleares, uns automóveis, umas máquinas de precisão e importávamos flores de plástico.
Mas não. A situação, hoje, não é essa. Compra-se tudo a metade do preço, quando não é menos. Navios e navios de produtos chineses chegam à Europa que não necessitava de taxas aduaneiras. A utopia para alguns de um mercado livre. Isso é que é bestial.
Só vos chamo a atenção para um produto, aliás, de grande venda durante o inverno. Botas de senhora. Se alguma senhora comprar umas botas de cano alto, fabricadas em Portugal, terá de pagar pelas mesmas mais de 200 euros. E se forem Italianas, talvez 400 euros não cheguem.
Em contrapartida, os chineses colocam à venda, botas por menos de 20 euros. Com 20 euros, podem-se comprar 13 pares de botas. Um par de botas por mês novo e ainda fica um par para o subsidio de natal.
Graças a quem? Aos iluminados que falavam do mercado livre. Uma Europa aberta. Bom está tão aberta, que no caso de Portugal, a contrapartida disto tudo, e dos milhões de euros que entraram, foi o acabar da agricultura e das pescas e, por outro lado, deixar sair de Portugal, todas as indústrias transformadoras que davam milhares e milhares de empregos, a um povo, que de 35% de analfabetos, decorridos 36 anos de democracia, continua a registar um novo analfabetismo, a iliteracia. Será que esta gente, que perdeu os seus empregos, vai trabalhar para as novas tecnologias? Vão servir cafés? Tenham dó!
Tudo isto, porque se abriu as portas ao livre comércio, como se fosse possível, na Europa, competirmos com factores de produção tão desiguais. Competir com países que não têm a protecção social que têm os europeus. Que não têm uma regulação de um código de trabalho como têm os europeus.
Todos nós só vamos ter consciência desta situação, quando as prestações sociais, concretamente as reformas, baixarem mais de 50% daquilo que ainda são hoje. O total das prestações sociais, em 2009, foi de 29.577.376.800,00 de euros.
Ou seja…a uma taxa aduaneira média de 15%, só se conseguiria cobrir, cerca de metade do total das prestações sociais. Diga-se de passagem que não era muito, porque as botas das senhoras só passariam a custar mais 3 euros, aproximadamente. Quem dá 20 euros, também dá 23. Talvez deste modo, a carga fiscal, hoje, existente, pudesse baixar com algum significado.
Mas, depois de os chineses andarem a comprar divida pública nos países europeus e na América, continuando a ter um crescimento anual do P.I.B., ao ritmo de 11% ao ano, quem é que lhes vai dizer que têm de começar a vender produtos e a pagar taxa? E depois os alemães, iriam gostar? Deixavam de vender carros VW aos milhões, podendo dar, aos seus funcionários aumentos salariais de 4,2%, quando em Portugal se reduzem os vencimentos. Que raio de Europa é esta? E continuamos a assistir ao crescimento do P.I.B. alemão, em valores de 3,6%,o que significa que continuam a criar emprego. E nós? Mandamos os portugueses para o desemprego.
Os alemães pagam uma pensão média aos seus reformados de cerca de 3.500 euros/mês. Na segurança social portuguesa, qual é o valor? E se for no Estado, isto é CGA? Na segurança social é de pouco mais de 350 euros/mês e na CGA é de cerca de 1.400 euros.
E andamos todos contentes, quando o Zé faz a publicidade que a economia portuguesa cresceu 1,4%.
Não há dúvida… só um povo, como o português, é capaz de aturar estas coisas. Bonacheirões e indulgentes uns para com os outros, de tal forma, que somos incapazes de nos disciplinarmos e de exigirmos ordem neste caos, em que mergulhou Portugal.
E assim vamos continuar…até um dia!
“Mites possident terram.” [Pereira 98] Os mansos possuem a terra. ■Bezerrinha mansa todas as vacas mama.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

FELISBERTA TRABALHOU E CONSEGUIU

A Felisberta era uma rapariga franzina, já com 32 anos de idade, que trabalhava, como moça de recados, numa grande empresa produtora de produtos de consumo. Concretamente, produtos de limpeza. Tirava fotocópias, fazia uns recados e distribuía cafés, no escritório.
Ninguém acreditava nela. E de facto, bastava o nome de Felisberta, para afastar os mais crédulos sobre as capacidades da mesma.
A empresa era uma multinacional de grande prestígio. Os produtos que comercializavam eram, de facto, de qualidade. A maioria dos seus utilizadores preferia os mesmos, aos produtos brancos, normalmente existentes nos supermercados.
A empresa utilizava as mais avançadas técnicas de marketing e vendas. Foi exactamente, num dos cursos de formação que a empresa realizava, cujo título era “The Best”, que Felisberta se mostrou interessada em frequentar. Chegou a falar com o formador, para que a deixasse realizar o curso, não se importando, inclusive, de pagar a frequência do mesmo. Ela estava determinada, a demonstrar a todos os outros, que tinha qualidades e que era capaz de fazer o mesmo ou melhor. Isto é, que seria capaz de vir a ser uma das grandes vendedoras da empresa.
Não a levaram a sério. Só tinha o 12.º ano e por outro lado, nunca tinha feito algo mais do que ser a “paquete” da empresa. Isso a deixou frustrada. Mas não desistiu. Insistiu em fazer o curso, até porque o mesmo era em horário pós-laboral, o que nada prejudicava o seu trabalho normal na empresa.
Acabaram por aceder que Felisberta frequentasse o curso. Ficou radiante pela oportunidade. Por outro lado, estava interessada no programa do curso. Tinha ouvido dizer que era muito motivante, porque iria aprender a contrariar as objecções que tanta utilidade tinha nas vendas como na vida do dia – a - dia.
Iniciou o curso, sentindo algumas dificuldades, mas o próprio formador a incentivou a continuar. Estava de facto admirado com a determinação que Felisberta tinha colocado para realizar o curso. E realizou com êxito. Outras formações se sucederam. A partir daquela primeira experiência era normal verem a Felisberta interessada em ler manuais e livros que abordavam o assunto.
Até que um dia foi convidada, sem compromisso por parte da empresa, a experimentar as vendas. Foi um sucesso. Logo, no primeiro ano, foi a segunda melhor vendedora da empresa. No ano seguinte, já com a confiança de ser capaz, foi lançado um novo produto, este vocacionado para a limpeza de soalhos, em que Felisberta conseguiu demonstrar o que era uma vendedora de excelência, arrebatando o primeiro lugar, tendo ganho uma viagem grátis à Madeira, de uma semana, instalada num dos melhores hotéis, com tudo pago.
Foi uma alegria. Um “Product Manager” da empresa, um jovem licenciado em gestão de empresas, era o seu namorado. Aproveitaram os dois, essa semana de sonho que Felisberta tinha conseguido, com mérito. Tinha sido a melhor vendedora daquele produto, logo no primeiro ano do seu lançamento.
De tal modo foi o sucesso, de Felisberta, que a sua ascensão na empresa, nunca mais parou. Foi convidada a ser formadora. Passou a deslocar-se, inclusive, ao estrangeiro, aos países onde a empresa tinha actividade, dando formação técnica, mas também, relatando a sua própria experiência de sucesso.
Hoje, Felisberta é uma mulher realizada. Consegue compatibilizar a sua vida profissional, com a sua vida pessoal.
Face à necessidade de um novo director técnico para a área de formação de vendas e marketing, Felisberta, foi convidada pela administração, a ser a próxima directora, chefiando um departamento com mais de 14 pessoas.
Diz Felisberta:
“ Estou a ser bem paga e, acima de tudo, a maior recompensa é a enorme satisfação que sinto com a minha carreira e os meus projectos pessoais”. Este esforço deu-me outro sabor à vida. Sou feliz!”

« Fallax gratia, et vana est pulchritudo. » [Vulgata, Provérbios 31.30] A graça é enganadora, e a formosura é vã.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

OS PARVOS SOMOS NÓS

Vai-se falando que os jovens, de agora, coitados, se fartam de queimar os neurónios, com passagens de ano sem exames e com faltas, indiscriminadas, às aulas. Vão andando pelas universidades e politécnicos fazendo cursos da treta, mas que são suportados por todos nós, paizinhos e mãezinhas, com os nossos impostos ou as prestações da universidade privada. A denominada geração dos parvos
Mas, os parvos somos nós que vamos pagando com os nossos impostos, estes cursinhos, e que ainda os escravizamos, tendo-os em casa. Pagamos a comidinha, a cama, a roupa lavada, o popó, a gasolina, o seguro do popó, as saídas à noite e as férias, bem merecidas, depois de todo este esforço, feito por eles.
Com tudo isto, vão-se queixando dos privilégios conquistados pelos mais velhos, aqueles que pagam tudo isto. Aqueles que recebem, ao fim de 40 anos de uma vida de trabalho, pensões de miséria e ao que parece,de acordo com as últimas e escandalosas noticias, morrem sozinhos…sem parvos à volta.
« Amor et melle et felle est fecundissimus. » [Plauto, Cistellaria 66] O amor é muito fecundo tanto de mel como de fel.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ÉTICA; MODO DE SER, CARÁCTER, COMPORTAMENTO

Ética significa modo de ser, carácter, comportamento. A filosofia procura estudar e indicar o melhor modo de viver no quotidiano e na sociedade. Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.
Na filosofia clássica, a ética não se resumia ao estudo da moral (entendida como "costume"), mas a todo o campo do conhecimento que não era abrangido na física, metafísica, estética, na lógica e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os campos que actualmente são denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, educação física, dietética e até mesmo política, em suma, campos directa ou indirectamente ligados a maneiras de viver.
Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objecto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que actualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas", e procura explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando julgada do ponto de vista do Bem e do Mal.
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.
Hoje em dia, a maioria das profissões têm o seu próprio código de ética profissional, que é um conjunto de normas de cumprimento obrigatório, derivadas da ética, e que por ser um código escrito e frequentemente incorporados à lei pública não deveria chamar –se de "código de ética" e sim "Legislação da Profissão". Nesses casos, os princípios éticos passam a ter força de lei; note-se que, mesmo nos casos em que esses códigos não estão incorporados à lei, o seu estudo tem alta probabilidade de exercer influência, por exemplo, em julgamentos nos quais se discutam factos relativos à conduta profissional. Ademais, o seu não cumprimento pode resultar em sanções executadas pela sociedade profissional, como censura pública e suspensão temporária ou definitiva do direito de exercer a profissão, situações, essas, algumas vezes revertidas pela justiça comum, principalmente quando os "códigos de ética" de certas profissões apresentam viés que contraria a lei ordinária. Mas de nada vale, sancionar aqueles que se arvoram de possuírem habilitações académicas e profissionais que não existem…logo, não se encontram abrangidos pelos “códigos de ética” profissionais, mas, sim, pelo código penal. Quando prestam falsas declarações e exerçam funções para a qual não possuem título, oficialmente obtido, para o exercício dessas mesmas funções.
O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Ética. Mas, há condutas que são de todo reprováveis, como alguém usurpar funções, intitulando-se possuidor de habilitações profissionais e académicas que não possui. Aliás, o Código Penal português prevê, como crime, a usurpação de funções. Portanto, mesmo na política, onde quase tudo tem sido permitido, é bom que se escolham as pessoas pela sua ética e moral. Eventualmente, alguém que se intitule, engenheiro informático, falando de novas tecnologias, talvez esteja, eventualmente, mais habilitado, a falar de acessórios para obtenção de orgasmos ou de afrodisíacos, do que abordar as novas tecnologias. As mesmas podem-se enquadrar em novas tecnologias, mas com aplicações bem diversas.

“Magis adducto pomum decerpere ramo, quam decaelata sumere lance, iuvat”. [Ovídio, Ex Ponto 3.5.19] É mais agradável colher o fruto do ramo puxado que tirá-lo de um prato cinzelado.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SÓ SE PODE FILOSOFAR DE BARRIGA CHEIA

Ao meditar, sobre a economia versus educação, parti deste princípio:
“Só se pode filosofar de barriga cheia”.
Para se alocarem recursos para a educação é fundamental que exista crescimento económico. Não se pode estar a falar de educação e de transferir meios, para esta, se a economia não os gerar. Há quem, de modo bem-intencionado, enfatize a influência positiva - a meu ver, bastante discutível - da educação sobre o crescimento económico. Poder-se-á perguntar, que apoio, a educação pode dar, para que se retome o desenvolvimento? A esta questão, direi que devemos perguntar ao contrário: "Qual é o papel que o crescimento económico pode dar no apoio à educação?"
Para que se possa realizar um projecto educacional, são necessários meios, logo, é necessário que a economia cresça e tenha desenvolvimento, de modo a criar riqueza. A economia é um meio, para se alcançar um fim, entre estes, a educação. Para que se possa filosofar ou seja, dedicar mais tempo da nossa vida, na procura de cultura, de conhecimento, criando interacção humana, de ter prazer estético e transcendência, é fundamental, que a economia prospere.
A valorização dos espaços educacionais tornou-se imprescindível para a própria sobrevivência da nossa espécie, o que nos remete a questões mais fundamentais. Não exagerando, ao longo da história, ficou demonstrado que somos uma espécie tão frágil, que nem voamos, que não somos especialmente ágeis e velozes, que não conseguimos viver em buracos, que não temos a capacidade de ver no escuro, que não somos tão fortes como pensamos. Temos necessidade de nos protegermos dos variados perigos, como seja o frio, o calor, os predadores, a necessidade de encontrar alimentos, etc. Para o fazermos, desenvolvemos a nossa racionalidade técnica. Qualquer ser humano que seja colocado na frente de um urso ou de um leão, fica impotente, diante dos mesmos e, de imediato, conclui, que não valemos nada. Se nos munirmos da técnica adequada, já os conseguimos derrotar sem grande dificuldade. Só há uma espécie que nos ameaça…nós próprios. Os humanos!
Hoje, desenvolvida a técnica, nos mais variados domínios, temos de aperfeiçoar outros valores, como sejam o diálogo, a educação, lato sensu, os acordos, os contratos, a amizade, a fraternidade, a solidariedade, a liberdade e o conhecimento. Aqui, entra o que é insubstituível… a educação e os educadores. As interacções humanas!
A educação é um direito subjectivo que deve ser promovido, não para adequar as pessoas às necessidades de um mercado, mas para alargar os horizontes de cada um.
Mas, porque somos frágeis, necessitamos de ter condições para nos protegermos e sentirmo-nos confortáveis. Mas, de igual modo, porque se entende que a educação é um direito subjectivo que tem e deve ser promovido, para alargar os horizontes de cada um de nós, é que no concelho de Oeiras, se tem apoiado, e desenvolvido, o apoio escolar, nas suas mais variadas vertentes, culminando, no momento, com a construção de mais e melhores escolas. Mas, não descurando as dificuldades económicas que o país atravessa, o concelho, continua a reforçar a sua aposta, no crescimento económico, realizando parcerias, várias, mantendo a captação de novos investidores, nas mais variadas áreas, mas, fundamentalmente, nas áreas das novas tecnologias, de modo que a economia, do concelho, possa continuar a ter um papel fundamental, de ser o meio para um fim, a educação.
“Si non est panis scold nemo enim recta” - Quando não há pão, todos ralham, ninguém tem razão

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CARTA DO LUÍS, AGRICULTOR, AO AMIGO ZÉ

Mê querido Zé, quanto tempo!
Eu sou o Luís, tê colega de ginásio nocturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar da aldeia sempre tava atrasado, tás lembrado? O Luís do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de uns quilómetros, aqui na serra, para apanhar o autocarro por isso o sapato sujava.
Se não lembraste ainda eu te ajudo. Lembras do Luís Cochilo... eh, eh, eh, era eu. Quando eu descia do autocarro de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormir já era mais de meia-noite
De madrugada mê pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Luís Cochilo, tás lembrado Zé?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem tu. Não que seja ruim, a aldeia aqui, até que é bom. Muito verde, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de tês amigos ai da cidade.
Tou vendo toda a gente a falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Vê só. A fazenda do pai, que agora é minha (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os aldeões daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter, porque não se pode entalar os postes por dentro, por causa de uma tal licença especial que criaram.
Minha água é de um poço que mê avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um home do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, mais uma taxa de disponibilidade, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, não é Zé?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi ...) contratei o Jaquim, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Contrato assinado, salário mínimo, tudo direitinho como o guarda-livres mandou. Ele morava aqui comnós num quarto dos fundos de casa. Comia ca gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e do Ministério do Trabalho, elas falaram que se o Jaquim fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra nocturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ou os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto do Jaquim, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Mê Deus! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra, não achas, Zé? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz eléctrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Jaquim.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Zé, tive que pedir ao Jaquim pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. A semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque gamou um chocolate pro bolso no supermercado. Foi pra esquadra, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Jaquim saiu, eu e Maria (lembraste dela? Casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite no tractor até a beira da estrada onde o carro da cooperativa vem todos os dias, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu deito fora.
Os porcos já se foram, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos, as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O procurador disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar- me prender,. Ô Zé, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande?
Agora pela água do mê poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado, mais uns contentores por aquelas estradas fora.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, Zé? Quem será? Aqui nos campos agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no serviço do ministério daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Serviço da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que a arvore ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Procurador porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi a madeira. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Zé, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mi euros por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco a fazenda numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde toda a gente cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Zé. Mas fica tranquilo, vou usar o dinheiro da venda da fazenda primeiro pra comprar esse tal de arca electrica. Aqui na aldeia eu tenho que ir buscarr tudo na fazenda. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom é só abrir a arca que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem semeia, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a arca que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisar de nós, os criminosos aqui do campo.
Até mais Zé.

PS: Ah, desculpa Zé, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarda até eu vender a fazenda.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O PODER NO FEMININO

Eventualmente, para quem não tiver bom sentido autocrítico, estas linhas, que vamos escrever, não serão muito apreciadas, especialmente, pelo sexo feminino.
É costumeiro dizer-se que,” por de trás de um grande homem, está uma grande mulher”. Nos últimos anos, e porque este modo de nos exprimirmos, ficou ultrapassado, diz-se que,
“ao lado de um grande homem está uma grande mulher”.
Eu diria mais, que actualmente, também, atrás, ao lado, como quiserem, de uma grande mulher, está um grande homem.
Isto é verdade, para o bom e para o mau…porque nem sempre, as mulheres estão atrás ou ao lado de um “grande” homem, por boas razões.
Podemos encontrar “Suha Arafat”, ao lado de Yasser Arafat. Aqui como se trata de um país árabe, por tradição, pode-se afirmar que é atrás de Arafat. Outro “grande” homem é Zine el Abidine ben Ali, que tem atrás de si, outra grande mulher
“Leila Trabelsi”.
Já nas Filipinas, Ferdinand Marcos, tinha atrás de si, a não menos controversa, “Imelda Marcos”. Indo até África, começando pelo Ruanda, de triste memória, atrás de Juvenal Hayarimana, encontramos, outra “grande” mulher “Agathe Habiarimana”. Descendo um pouco, indo ao Zimbabwe, encontramos a senhora “Grace Mugabe”, mulher de Robert Mugabe.
E quem não se recorda ou no mínimo ouviu histórias sobre o Chile? Ao lado de Augusto Pinochet, tínhamos a sua mulher,
“Lucía Hiriart”.
Várias foram as primeiras damas, de um presidente ou de um ditador, que queriam mandar ou se perderam em luxos, enquanto o “seu” povo, se arrasta ou arrastava, pelos caminhos da miséria. Ao longo dos anos, estas adquiriram o poder de fazer e desfazer governos, erguer exércitos ou guardarem as chaves dos tesouros. Que “anjos”, ou as tais “muletas” que acompanharam os seus maridos, na sombra, ocupando ao fim e ao cabo, um papel importante algumas das vezes tenebroso, na sombra dos mesmos. Um dos exemplos trata-se de “Simone Gbagbo”, mulher de Laurent Gbagbo, presidente da Costa do Marfim. Esta é das pessoas que mais tem incentivado Laurent, a resistir às pressões da comunidade internacional para deixar o poder. É suspeita de violação dos direitos humanos durante a guerra civil e de ter ligações ao esquadrão da morte.
Em resumo, diria que há homens e homens, e mulheres e mulheres. Do mesmo modo que as mesmas devem estar ao lado dos homens, também devem prescindir dos privilégios antigos.
Cada vez mais, temos de falar de pessoas, deixando de as distinguir, quer pelo seu género quer por qualquer outro motivo. Há bons e maus caracteres. E, esses são qualidades ou defeitos de homens e mulheres.
Ao fim e ao cabo somos todos iguais! Às vezes é uma questão de poder!
“Mulierem barbatam eminus esse salutandam.” Mulher barbada de longe deve ser saudada.