quinta-feira, 10 de março de 2011

Mãezinha! Estou de rastos.

Mãezinha! Estou de rastos.
Eu já adivinhava que o Cavaco, neste segundo mandato, ia ser duro. Já não tem mais mandatos para cumprir.
Ouviste o discurso que ele fez? Francamente…Tenho andado, eu e o meu governo, de um lado para o outro, a fazer leis e mais leis, para aumentar a receita e diminuir os proveitos dos portugueses e ele veio com aquele discurso. Nós não temos estado a prosseguir políticas baseadas no instinto ou no mero voluntarismo. Mãezinha, tudo, o que fazemos, é bem pensado. Se deu neste resultado? Mãezinha, a culpa é de lá de fora. Ao longo destes anos temos feito imensos investimentos em cafés, cabeleireiros e spas. Ah, mas isso não resolve o problema? Mãezinha, aquilo que aprendi na universidade foi de que o país tinha que investir nos serviços e fazer ovelhas no Alentejo. Dar uns subsídios para a malta não trabalhar e que vivíamos todos contentes. Agora, depois deste esforço todo, vem o Cavaco dizer que é necessário focarmo-nos nos sectores de bens e serviços transaccionáveis. Até parece que ele não esteve, aqui, no meu lugar, durante dez anos. Abandonaram esta merda toda. Destruíram a agricultura (vê mãezinha o que importamos de cereais), deram cabo das pescas, deixaram as empresas que produziam bens transaccionáveis fugir para a Lapónia, para Letónia e tantos outros, e agora quem se trama sou eu. Não é justo, mãezinha. Eu só tenho feito o que me ensinaram a fazer: “gastar”. Essa do poupar foi para o paizinho e para a mãezinha. No meu tempo já não era assim.
Achas que ainda vou a tempo de inverter esta política? Não me parece, mãezinha. Já ouvi hoje na rua que se tivesse vergonha, na cara, já tinha ido a Belém apresentar a minha demissão. Eu vou, é o caraças. Nunca mais volto a apanhar um lugar destes na minha vida. Chiça! E depois os meus colegas de partido? Como era, mãezinha? Iam engrossar os mais de 600 mil desempregados que já existem? Tudo isto é fruto da crise internacional. Esta malta não percebe nada de nada. Mas, o Cavaco, por acaso, é engenheiro? Não é! Então, de obras sei eu. E a obra que eu tenho andado a construir vai ficar na história portuguesa. Nem nos finais do século XIX, quando o país foi à bancarrota, a situação era tão má. Porque, hoje, Portugal não tem para onde se virar. Resta-nos emigrar e aos que ficarem, continuarem a sofrer neste país, confiado a esta geração “rasca” que nos tem governado.
Mãezinha, não te quero preocupar mais. Mas a situação só se irá aguentar até Maio. Depois, lá vamos nós para eleições. Até lá, iremos conversar, pois tenho imensa necessidade de desabafar contigo. É que já ninguém me ouve, mãezinha. Nem os jovens a quem eu dei tudo, desde as novas oportunidades, ao acesso à universidade, a partir dos 23 anos de idade.
Beijinhos deste tê filho muito desconsolado.
“Vixi, et quem dederat cursum fortuna peregi.” [Virgílio, Eneida 4.653] Vivi e completei o caminho que a sorte me destinara.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O PRAGMATISMO

O pragmatismo aborda o conceito de que o sentido de tudo está na utilidade - ou efeito prático - que qualquer acto, objecto ou proposição possa ser capaz de gerar. Uma pessoa pragmática vive pela lógica de que as ideias e actos de qualquer pessoa somente são verdadeiros se servem à solução imediata de seus problemas. Nesse caso, define-se como verdade o conjunto de todas suas consequências práticas relativas a determinado contexto. Por exemplo: Uma religião é somente boa quando a sua consequência seja indivíduos mais generosos, pacíficos e felizes. O que torna verdade que ela é boa são as suas consequências. E a filosofia deve estudar o que a faz gerar essas consequências e como usá-las para tornar a sociedade um lugar melhor.
A verdade relativa, tomada por base no que se está vivendo ou necessitando no momento, resume o que seja pragmatismo, que vem originalmente contra o pluralismo que se constitui da adopção dos princípios absolutos, sendo este um conceito no qual a verdade tende a seguir os moldes mais justos, onde neste caso, se tenta chegar a um consenso do que seria certo ou errado em determinadas situações onde há diferenças de pensamentos e atitudes em relação a solucionar-se um mesmo assunto; já que a verdade é individual e o que possa ser de interesse a alguém, pode passar a ser destrutivo ou prejudicial a outrem, que por ventura venha a ser atingido por aquela decisão unilateral tomada por um pragmático.
O pragmatismo refuta a perspectiva de que o intelecto e os conceitos humanos podem, só por si, representar adequadamente a realidade. Dessa forma, opõe-se tanto às correntes formalistas como às correntes racionalistas da filosofia. Antes, defende que as teorias e o conhecimento só adquirem significado através da luta de organismos inteligentes, com o seu meio. Não defende, no entanto, que seja verdade meramente aquilo que é prático ou útil ou o que nos ajude a sobreviver a curto prazo. Os pragmáticos argumentam que se deve considerar como verdadeiro aquilo que mais contribui para o bem -estar da humanidade em geral, tomando como referência o mais longo prazo possível.

"Praecipua pars felicitatis sit, ut quod sis, esse velis." [Erasmo, Moriae Encomium 22] A parte mais importante da felicidade é desejar ser como se é.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Prejuízos da RTP em 14 milhões de euros

Empresa não dá prémios a gestores, mas vai distribuir por trabalhadores

A RTP atingiu um resultado líquido negativo de 13,8 milhões de euros em 2009. As contas da estação pública continuam a ser afectadas pelo endividamento, que excede os 800 milhões de euros.
Já em termos operacionais, os lucros chegaram aos 13 milhões de euros.
«O resultado líquido não tem significado para a RTP enquanto os capitais próprios forem negativos», explicou o presidente da empresa, Guilherme Costa. Pergunto eu, na minha ignorância, até quando, é possível, uma empresa, ter os seus capitais próprios negativos?Penso, salvo melhor opinião, que estamos a falar da desconsideração da personalidade jurídica. Mas, a lei não é igual para todos. Estamos a falar de empresas públicas com determinada projecção. Os custos da empresa também subiram para 295 milhões. A justificar esta subida está um maior investimento na grelha e o programa de rescisões que a RTP abriu em 2009.
Será o investimento no futebol? Ou no "preço certo"? Tenham dó…é para isto que ando a descontar, do meu salário? É que já estou um bocado aborrecido com isto. Para 2010, o orçamento apresentado pela RTP estabeleceu uma meta mais modesta: lucros operacionais de 9 milhões de euros, num ano que «continuará» a apresentar «dificuldades». Os objectivos da estação pública vão no sentido de «conter os custos de estrutura». Guilherme Costa frisou, no entanto, que «não é reduzir custos, é conter». Resta saber, visto que estão quase a aparecer os resultados de 2010, se depois de os custos terem aumentado 295 milhões, se é para conter. Conter antes do aumento dos 295 milhões ou com estes incluídos? E quem paga esta treta? Não é o Zé. É a maralha que pôs o Zé no poder mais aos seus amigos.
Gestores não recebem prémio, mas trabalhadores sim

Conforme está previsto pelo Governo, este ano a RTP não dá aumentos nem prémios aos gestores, mas os trabalhadores podem contar com uma remuneração extra. Quanto à hipótese de uma futura privatização da empresa, a administração escusou-se a comentar decisões políticas. Estão no seu direito. Mas também poderiam dizer que como administração não estão contentes de gerir uma casa falida. A não ser que sejam administradores de “massa falida”. Isso, já outra coisa. Mas nesse caso, por favor, não dêem prémios aos trabalhadores, porque eu estou à rasca de massas.
Não obstante estes números, aqui apresentados, pagos por todos os contribuintes, verificamos, hoje, no CM, que os vencimentos de alguns “funcionários”, medem meças aos salários de muitos gestores públicos. Salários que entre o base e os subsídios, rondam os 14 mil euros mês. Será que vale a pena assumir-se responsabilidades civis e criminais, como político ou como gestor de algumas empresas públicas? É que depois a demagogia, tenta meter tudo dentro do mesmo saco, porque, até dá jeito. No final, ainda se fala em dar prémios aos trabalhadores. Já os trabalhadores de outras empresas públicas, cujos resultados são positivos e que nada devem, porque se bastam a si próprios, com as suas receitas, ficam a ver navios.
Até quando é que estas e outras empresas vão continuar a custar tanto dinheiro ao erário público? É óbvio que esta pergunta não tem resposta, nesta alternância de poder instituída, por uma pseudo democracia representativa, em que os que militam nos partidos, na sua maioria, vivem à custa deste sistema. Disse!
« Omnis enim lex est praeceptum, sed non omne praeceptum est lex. » Toda a lei é uma ordem, mas nem toda a ordem é lei.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

QUE INTELIGENTES QUE NÓS SOMOS!

Entrámos para a CEE todos eufóricos, e ala de gastar dinheiro, à fartazana. Eles foram, auto-estradas, caminhos, pontes, escolas provisórias, etc. O dinheiro entrava nos bancos, saia para as empresas de construção civil, voltava aos bancos que foram aplicando o mesmo a seu belo prazer.
Entretanto, o dinheiro deixou de ser o mesmo. As coisas começaram a apertar. Entretanto, já bem dentro da Europa, houve um conjunto de “iluminados” que descobriram a pólvora para fazer crescer a sua economia…fundamentalmente os franceses e os alemães. Para quê? Na expectativa de que vendiam tecnologia de ponta aos chineses. Claro que foram vendendo, enquanto estes não começaram a copiar e a replicar, ao mais baixo preço. Vendiam-se umas centrais nucleares, uns automóveis, umas máquinas de precisão e importávamos flores de plástico.
Mas não. A situação, hoje, não é essa. Compra-se tudo a metade do preço, quando não é menos. Navios e navios de produtos chineses chegam à Europa que não necessitava de taxas aduaneiras. A utopia para alguns de um mercado livre. Isso é que é bestial.
Só vos chamo a atenção para um produto, aliás, de grande venda durante o inverno. Botas de senhora. Se alguma senhora comprar umas botas de cano alto, fabricadas em Portugal, terá de pagar pelas mesmas mais de 200 euros. E se forem Italianas, talvez 400 euros não cheguem.
Em contrapartida, os chineses colocam à venda, botas por menos de 20 euros. Com 20 euros, podem-se comprar 13 pares de botas. Um par de botas por mês novo e ainda fica um par para o subsidio de natal.
Graças a quem? Aos iluminados que falavam do mercado livre. Uma Europa aberta. Bom está tão aberta, que no caso de Portugal, a contrapartida disto tudo, e dos milhões de euros que entraram, foi o acabar da agricultura e das pescas e, por outro lado, deixar sair de Portugal, todas as indústrias transformadoras que davam milhares e milhares de empregos, a um povo, que de 35% de analfabetos, decorridos 36 anos de democracia, continua a registar um novo analfabetismo, a iliteracia. Será que esta gente, que perdeu os seus empregos, vai trabalhar para as novas tecnologias? Vão servir cafés? Tenham dó!
Tudo isto, porque se abriu as portas ao livre comércio, como se fosse possível, na Europa, competirmos com factores de produção tão desiguais. Competir com países que não têm a protecção social que têm os europeus. Que não têm uma regulação de um código de trabalho como têm os europeus.
Todos nós só vamos ter consciência desta situação, quando as prestações sociais, concretamente as reformas, baixarem mais de 50% daquilo que ainda são hoje. O total das prestações sociais, em 2009, foi de 29.577.376.800,00 de euros.
Ou seja…a uma taxa aduaneira média de 15%, só se conseguiria cobrir, cerca de metade do total das prestações sociais. Diga-se de passagem que não era muito, porque as botas das senhoras só passariam a custar mais 3 euros, aproximadamente. Quem dá 20 euros, também dá 23. Talvez deste modo, a carga fiscal, hoje, existente, pudesse baixar com algum significado.
Mas, depois de os chineses andarem a comprar divida pública nos países europeus e na América, continuando a ter um crescimento anual do P.I.B., ao ritmo de 11% ao ano, quem é que lhes vai dizer que têm de começar a vender produtos e a pagar taxa? E depois os alemães, iriam gostar? Deixavam de vender carros VW aos milhões, podendo dar, aos seus funcionários aumentos salariais de 4,2%, quando em Portugal se reduzem os vencimentos. Que raio de Europa é esta? E continuamos a assistir ao crescimento do P.I.B. alemão, em valores de 3,6%,o que significa que continuam a criar emprego. E nós? Mandamos os portugueses para o desemprego.
Os alemães pagam uma pensão média aos seus reformados de cerca de 3.500 euros/mês. Na segurança social portuguesa, qual é o valor? E se for no Estado, isto é CGA? Na segurança social é de pouco mais de 350 euros/mês e na CGA é de cerca de 1.400 euros.
E andamos todos contentes, quando o Zé faz a publicidade que a economia portuguesa cresceu 1,4%.
Não há dúvida… só um povo, como o português, é capaz de aturar estas coisas. Bonacheirões e indulgentes uns para com os outros, de tal forma, que somos incapazes de nos disciplinarmos e de exigirmos ordem neste caos, em que mergulhou Portugal.
E assim vamos continuar…até um dia!
“Mites possident terram.” [Pereira 98] Os mansos possuem a terra. ■Bezerrinha mansa todas as vacas mama.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

FELISBERTA TRABALHOU E CONSEGUIU

A Felisberta era uma rapariga franzina, já com 32 anos de idade, que trabalhava, como moça de recados, numa grande empresa produtora de produtos de consumo. Concretamente, produtos de limpeza. Tirava fotocópias, fazia uns recados e distribuía cafés, no escritório.
Ninguém acreditava nela. E de facto, bastava o nome de Felisberta, para afastar os mais crédulos sobre as capacidades da mesma.
A empresa era uma multinacional de grande prestígio. Os produtos que comercializavam eram, de facto, de qualidade. A maioria dos seus utilizadores preferia os mesmos, aos produtos brancos, normalmente existentes nos supermercados.
A empresa utilizava as mais avançadas técnicas de marketing e vendas. Foi exactamente, num dos cursos de formação que a empresa realizava, cujo título era “The Best”, que Felisberta se mostrou interessada em frequentar. Chegou a falar com o formador, para que a deixasse realizar o curso, não se importando, inclusive, de pagar a frequência do mesmo. Ela estava determinada, a demonstrar a todos os outros, que tinha qualidades e que era capaz de fazer o mesmo ou melhor. Isto é, que seria capaz de vir a ser uma das grandes vendedoras da empresa.
Não a levaram a sério. Só tinha o 12.º ano e por outro lado, nunca tinha feito algo mais do que ser a “paquete” da empresa. Isso a deixou frustrada. Mas não desistiu. Insistiu em fazer o curso, até porque o mesmo era em horário pós-laboral, o que nada prejudicava o seu trabalho normal na empresa.
Acabaram por aceder que Felisberta frequentasse o curso. Ficou radiante pela oportunidade. Por outro lado, estava interessada no programa do curso. Tinha ouvido dizer que era muito motivante, porque iria aprender a contrariar as objecções que tanta utilidade tinha nas vendas como na vida do dia – a - dia.
Iniciou o curso, sentindo algumas dificuldades, mas o próprio formador a incentivou a continuar. Estava de facto admirado com a determinação que Felisberta tinha colocado para realizar o curso. E realizou com êxito. Outras formações se sucederam. A partir daquela primeira experiência era normal verem a Felisberta interessada em ler manuais e livros que abordavam o assunto.
Até que um dia foi convidada, sem compromisso por parte da empresa, a experimentar as vendas. Foi um sucesso. Logo, no primeiro ano, foi a segunda melhor vendedora da empresa. No ano seguinte, já com a confiança de ser capaz, foi lançado um novo produto, este vocacionado para a limpeza de soalhos, em que Felisberta conseguiu demonstrar o que era uma vendedora de excelência, arrebatando o primeiro lugar, tendo ganho uma viagem grátis à Madeira, de uma semana, instalada num dos melhores hotéis, com tudo pago.
Foi uma alegria. Um “Product Manager” da empresa, um jovem licenciado em gestão de empresas, era o seu namorado. Aproveitaram os dois, essa semana de sonho que Felisberta tinha conseguido, com mérito. Tinha sido a melhor vendedora daquele produto, logo no primeiro ano do seu lançamento.
De tal modo foi o sucesso, de Felisberta, que a sua ascensão na empresa, nunca mais parou. Foi convidada a ser formadora. Passou a deslocar-se, inclusive, ao estrangeiro, aos países onde a empresa tinha actividade, dando formação técnica, mas também, relatando a sua própria experiência de sucesso.
Hoje, Felisberta é uma mulher realizada. Consegue compatibilizar a sua vida profissional, com a sua vida pessoal.
Face à necessidade de um novo director técnico para a área de formação de vendas e marketing, Felisberta, foi convidada pela administração, a ser a próxima directora, chefiando um departamento com mais de 14 pessoas.
Diz Felisberta:
“ Estou a ser bem paga e, acima de tudo, a maior recompensa é a enorme satisfação que sinto com a minha carreira e os meus projectos pessoais”. Este esforço deu-me outro sabor à vida. Sou feliz!”

« Fallax gratia, et vana est pulchritudo. » [Vulgata, Provérbios 31.30] A graça é enganadora, e a formosura é vã.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

OS PARVOS SOMOS NÓS

Vai-se falando que os jovens, de agora, coitados, se fartam de queimar os neurónios, com passagens de ano sem exames e com faltas, indiscriminadas, às aulas. Vão andando pelas universidades e politécnicos fazendo cursos da treta, mas que são suportados por todos nós, paizinhos e mãezinhas, com os nossos impostos ou as prestações da universidade privada. A denominada geração dos parvos
Mas, os parvos somos nós que vamos pagando com os nossos impostos, estes cursinhos, e que ainda os escravizamos, tendo-os em casa. Pagamos a comidinha, a cama, a roupa lavada, o popó, a gasolina, o seguro do popó, as saídas à noite e as férias, bem merecidas, depois de todo este esforço, feito por eles.
Com tudo isto, vão-se queixando dos privilégios conquistados pelos mais velhos, aqueles que pagam tudo isto. Aqueles que recebem, ao fim de 40 anos de uma vida de trabalho, pensões de miséria e ao que parece,de acordo com as últimas e escandalosas noticias, morrem sozinhos…sem parvos à volta.
« Amor et melle et felle est fecundissimus. » [Plauto, Cistellaria 66] O amor é muito fecundo tanto de mel como de fel.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

ÉTICA; MODO DE SER, CARÁCTER, COMPORTAMENTO

Ética significa modo de ser, carácter, comportamento. A filosofia procura estudar e indicar o melhor modo de viver no quotidiano e na sociedade. Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.
Na filosofia clássica, a ética não se resumia ao estudo da moral (entendida como "costume"), mas a todo o campo do conhecimento que não era abrangido na física, metafísica, estética, na lógica e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os campos que actualmente são denominados antropologia, psicologia, sociologia, economia, pedagogia, educação física, dietética e até mesmo política, em suma, campos directa ou indirectamente ligados a maneiras de viver.
Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objecto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que actualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas", e procura explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando julgada do ponto de vista do Bem e do Mal.
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa frequência a lei tenha como base princípios éticos. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.
Hoje em dia, a maioria das profissões têm o seu próprio código de ética profissional, que é um conjunto de normas de cumprimento obrigatório, derivadas da ética, e que por ser um código escrito e frequentemente incorporados à lei pública não deveria chamar –se de "código de ética" e sim "Legislação da Profissão". Nesses casos, os princípios éticos passam a ter força de lei; note-se que, mesmo nos casos em que esses códigos não estão incorporados à lei, o seu estudo tem alta probabilidade de exercer influência, por exemplo, em julgamentos nos quais se discutam factos relativos à conduta profissional. Ademais, o seu não cumprimento pode resultar em sanções executadas pela sociedade profissional, como censura pública e suspensão temporária ou definitiva do direito de exercer a profissão, situações, essas, algumas vezes revertidas pela justiça comum, principalmente quando os "códigos de ética" de certas profissões apresentam viés que contraria a lei ordinária. Mas de nada vale, sancionar aqueles que se arvoram de possuírem habilitações académicas e profissionais que não existem…logo, não se encontram abrangidos pelos “códigos de ética” profissionais, mas, sim, pelo código penal. Quando prestam falsas declarações e exerçam funções para a qual não possuem título, oficialmente obtido, para o exercício dessas mesmas funções.
O homem vive em sociedade, convive com outros homens e, portanto, cabe-lhe pensar e responder à seguinte pergunta: “Como devo agir perante os outros?”. Trata-se de uma pergunta fácil de ser formulada, mas difícil de ser respondida. Ora, esta é a questão central da Ética. Mas, há condutas que são de todo reprováveis, como alguém usurpar funções, intitulando-se possuidor de habilitações profissionais e académicas que não possui. Aliás, o Código Penal português prevê, como crime, a usurpação de funções. Portanto, mesmo na política, onde quase tudo tem sido permitido, é bom que se escolham as pessoas pela sua ética e moral. Eventualmente, alguém que se intitule, engenheiro informático, falando de novas tecnologias, talvez esteja, eventualmente, mais habilitado, a falar de acessórios para obtenção de orgasmos ou de afrodisíacos, do que abordar as novas tecnologias. As mesmas podem-se enquadrar em novas tecnologias, mas com aplicações bem diversas.

“Magis adducto pomum decerpere ramo, quam decaelata sumere lance, iuvat”. [Ovídio, Ex Ponto 3.5.19] É mais agradável colher o fruto do ramo puxado que tirá-lo de um prato cinzelado.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

SÓ SE PODE FILOSOFAR DE BARRIGA CHEIA

Ao meditar, sobre a economia versus educação, parti deste princípio:
“Só se pode filosofar de barriga cheia”.
Para se alocarem recursos para a educação é fundamental que exista crescimento económico. Não se pode estar a falar de educação e de transferir meios, para esta, se a economia não os gerar. Há quem, de modo bem-intencionado, enfatize a influência positiva - a meu ver, bastante discutível - da educação sobre o crescimento económico. Poder-se-á perguntar, que apoio, a educação pode dar, para que se retome o desenvolvimento? A esta questão, direi que devemos perguntar ao contrário: "Qual é o papel que o crescimento económico pode dar no apoio à educação?"
Para que se possa realizar um projecto educacional, são necessários meios, logo, é necessário que a economia cresça e tenha desenvolvimento, de modo a criar riqueza. A economia é um meio, para se alcançar um fim, entre estes, a educação. Para que se possa filosofar ou seja, dedicar mais tempo da nossa vida, na procura de cultura, de conhecimento, criando interacção humana, de ter prazer estético e transcendência, é fundamental, que a economia prospere.
A valorização dos espaços educacionais tornou-se imprescindível para a própria sobrevivência da nossa espécie, o que nos remete a questões mais fundamentais. Não exagerando, ao longo da história, ficou demonstrado que somos uma espécie tão frágil, que nem voamos, que não somos especialmente ágeis e velozes, que não conseguimos viver em buracos, que não temos a capacidade de ver no escuro, que não somos tão fortes como pensamos. Temos necessidade de nos protegermos dos variados perigos, como seja o frio, o calor, os predadores, a necessidade de encontrar alimentos, etc. Para o fazermos, desenvolvemos a nossa racionalidade técnica. Qualquer ser humano que seja colocado na frente de um urso ou de um leão, fica impotente, diante dos mesmos e, de imediato, conclui, que não valemos nada. Se nos munirmos da técnica adequada, já os conseguimos derrotar sem grande dificuldade. Só há uma espécie que nos ameaça…nós próprios. Os humanos!
Hoje, desenvolvida a técnica, nos mais variados domínios, temos de aperfeiçoar outros valores, como sejam o diálogo, a educação, lato sensu, os acordos, os contratos, a amizade, a fraternidade, a solidariedade, a liberdade e o conhecimento. Aqui, entra o que é insubstituível… a educação e os educadores. As interacções humanas!
A educação é um direito subjectivo que deve ser promovido, não para adequar as pessoas às necessidades de um mercado, mas para alargar os horizontes de cada um.
Mas, porque somos frágeis, necessitamos de ter condições para nos protegermos e sentirmo-nos confortáveis. Mas, de igual modo, porque se entende que a educação é um direito subjectivo que tem e deve ser promovido, para alargar os horizontes de cada um de nós, é que no concelho de Oeiras, se tem apoiado, e desenvolvido, o apoio escolar, nas suas mais variadas vertentes, culminando, no momento, com a construção de mais e melhores escolas. Mas, não descurando as dificuldades económicas que o país atravessa, o concelho, continua a reforçar a sua aposta, no crescimento económico, realizando parcerias, várias, mantendo a captação de novos investidores, nas mais variadas áreas, mas, fundamentalmente, nas áreas das novas tecnologias, de modo que a economia, do concelho, possa continuar a ter um papel fundamental, de ser o meio para um fim, a educação.
“Si non est panis scold nemo enim recta” - Quando não há pão, todos ralham, ninguém tem razão

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

CARTA DO LUÍS, AGRICULTOR, AO AMIGO ZÉ

Mê querido Zé, quanto tempo!
Eu sou o Luís, tê colega de ginásio nocturno, que chegava atrasado, porque o transporte escolar da aldeia sempre tava atrasado, tás lembrado? O Luís do sapato sujo? Tinha professor e colega que nunca entenderam que eu tinha de andar a pé mais de uns quilómetros, aqui na serra, para apanhar o autocarro por isso o sapato sujava.
Se não lembraste ainda eu te ajudo. Lembras do Luís Cochilo... eh, eh, eh, era eu. Quando eu descia do autocarro de volta pra casa, já era onze e meia da noite, e com a caminhada até em casa, quando eu ia dormir já era mais de meia-noite
De madrugada mê pai precisava de ajuda pra tirar leite das vacas. Por isso eu só vivia com sono. Do Luís Cochilo, tás lembrado Zé?
Pois é. Estou pensando em mudar para viver ai na cidade que nem tu. Não que seja ruim, a aldeia aqui, até que é bom. Muito verde, passarinho, ar puro... Só que acho que estou estragando muito a tua vida e a de tês amigos ai da cidade.
Tou vendo toda a gente a falar que nós da agricultura familiar estamos destruindo o meio ambiente.
Vê só. A fazenda do pai, que agora é minha (não te contei, ele morreu e tive que parar de estudar) fica só a uma hora de distância da cidade. Todos os aldeões daqui já têm luz em casa, mas eu continuo sem ter, porque não se pode entalar os postes por dentro, por causa de uma tal licença especial que criaram.
Minha água é de um poço que mê avô cavou há muitos anos, uma maravilha, mas um home do governo veio aqui e falou que tenho que fazer uma outorga da água e pagar uma taxa de uso, mais uma taxa de disponibilidade, porque a água vai se acabar. Se ele falou deve ser verdade, não é Zé?
Pra ajudar com as vacas de leite (o pai se foi ...) contratei o Jaquim, filho de um vizinho muito pobre aqui do lado. Contrato assinado, salário mínimo, tudo direitinho como o guarda-livres mandou. Ele morava aqui comnós num quarto dos fundos de casa. Comia ca gente, que nem da família. Mas vieram umas pessoas aqui, do sindicato e do Ministério do Trabalho, elas falaram que se o Jaquim fosse tirar leite das vacas às 5 horas tinha que receber hora extra nocturna, e que não podia trabalhar nem sábado nem domingo, mas as vacas daqui não sabem os dias da semana ai não param de fazer leite. Ou os bichos aí da cidade sabem se guiar pelo calendário?
Essas pessoas ainda foram ver o quarto do Jaquim, e disseram que o beliche tava 2 cm menor do que devia. Mê Deus! Eu não sei como encumpridar uma cama, só comprando outra, não achas, Zé? O candeeiro eles disseram que não podia acender no quarto, que tem que ser luz eléctrica, que eu tenho que ter um gerador pra ter luz boa no quarto do Jaquim.
Disseram ainda que a comida que a gente fazia e comia juntos tinha que fazer parte do salário dele. Bom Zé, tive que pedir ao Jaquim pra voltar pra casa, desempregado, mas muito bem protegido pelos sindicatos, pelo fiscais e pelas leis. Mas eu acho que não deu muito certo. A semana passada me disseram que ele foi preso na cidade porque gamou um chocolate pro bolso no supermercado. Foi pra esquadra, bateram nele e não apareceu nem sindicato nem fiscal do trabalho para acudi-lo.
Depois que o Jaquim saiu, eu e Maria (lembraste dela? Casei) tiramos o leite às 5 e meia, ai eu levo o leite no tractor até a beira da estrada onde o carro da cooperativa vem todos os dias, isso se não chover. Se chover, perco o leite e dou aos porcos, ou melhor, eu dava, hoje eu deito fora.
Os porcos já se foram, pois veio outro homem e disse que a distância do chiqueiro para o riacho não podia ser só 20 metros. Disse que eu tinha que derrubar tudo e só fazer chiqueiro depois dos 30 metros de distância do rio, e ainda tinha que fazer umas coisas pra proteger o rio, um tal de digestor. Achei que ele tava certo e disse que ia fazer, mas só que eu sozinho ia demorar uns trinta dia pra fazer, mesmo assim ele ainda me multou, e pra poder pagar eu tive que vender os porcos, as madeiras e as telhas do chiqueiro, fiquei só com as vacas. O procurador disse que desta vez, por esse crime, ele não ai mandar- me prender,. Ô Zé, ai quando vocês sujam o rio também pagam multa grande?
Agora pela água do mê poço eu até posso pagar, mas tô preocupado com a água do rio. Aqui agora o rio todo deve ser como o rio da capital, todo protegido, com mata dos dois lados. As vacas agora não podem chegar no rio pra não sujar, nem fazer erosão. Tudo vai ficar limpinho como os rios ai da cidade. A pocilga já acabou as vacas não podem chegar perto. Só que alguma coisa tá errada, quando vou na capital nem vejo mata, nem rio limpo. Só vejo água fedida e lixo boiando pra todo lado, mais uns contentores por aquelas estradas fora.
Mas não é o povo da cidade que suja o rio, Zé? Quem será? Aqui nos campos agora quem sujar tem multa grande, e dá até prisão. Cortar árvore então, Nossa Senhora!. Tinha uma árvore grande ao lado de casa que murchou e tava morrendo, então resolvi derrubá-la para aproveitar a madeira antes dela cair por cima da casa.
Fui no serviço do ministério daqui pedir autorização, como não tinha ninguém, fui no Serviço da capital, preenchi uns papéis e voltei para esperar o fiscal vim fazer um laudo, para ver se depois podia autorizar. Passaram 8 meses e ninguém apareceu pra fazer o tal laudo ai eu vi que a arvore ia cair em cima da casa e derrubei. Pronto! No outro dia chegou o fiscal e me multou. Já recebi uma intimação do Procurador porque virei criminoso reincidente. Primeiro foi os porcos, e agora foi a madeira. Acho que desta vez vou ficar preso.
Tô preocupado Zé, pois no rádio deu que a nova lei vai dá multa de 500 a 20 mi euros por hectare e por dia. Calculei que se eu for multado eu perco a fazenda numa semana. Então é melhor vender, e ir morar onde toda a gente cuida da ecologia.. Vou para a cidade, ai tem luz, carro, comida, rio limpo. Olha, não quero fazer nada errado, só falei dessas coisas porque tenho certeza que a lei é pra todos.
Eu vou morar ai com vocês, Zé. Mas fica tranquilo, vou usar o dinheiro da venda da fazenda primeiro pra comprar esse tal de arca electrica. Aqui na aldeia eu tenho que ir buscarr tudo na fazenda. Primeiro a gente planta, cultiva, limpa e só depois colhe pra levar pra casa. Ai é bom é só abrir a arca que tem tudo. Nem dá trabalho, nem planta, nem semeia, nem cuida de galinha, nem porco, nem vaca é só abri a arca que a comida tá lá, prontinha, fresquinha, sem precisar de nós, os criminosos aqui do campo.
Até mais Zé.

PS: Ah, desculpa Zé, não pude mandar a carta em papel reciclado pois não existe por aqui, mas aguarda até eu vender a fazenda.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

O PODER NO FEMININO

Eventualmente, para quem não tiver bom sentido autocrítico, estas linhas, que vamos escrever, não serão muito apreciadas, especialmente, pelo sexo feminino.
É costumeiro dizer-se que,” por de trás de um grande homem, está uma grande mulher”. Nos últimos anos, e porque este modo de nos exprimirmos, ficou ultrapassado, diz-se que,
“ao lado de um grande homem está uma grande mulher”.
Eu diria mais, que actualmente, também, atrás, ao lado, como quiserem, de uma grande mulher, está um grande homem.
Isto é verdade, para o bom e para o mau…porque nem sempre, as mulheres estão atrás ou ao lado de um “grande” homem, por boas razões.
Podemos encontrar “Suha Arafat”, ao lado de Yasser Arafat. Aqui como se trata de um país árabe, por tradição, pode-se afirmar que é atrás de Arafat. Outro “grande” homem é Zine el Abidine ben Ali, que tem atrás de si, outra grande mulher
“Leila Trabelsi”.
Já nas Filipinas, Ferdinand Marcos, tinha atrás de si, a não menos controversa, “Imelda Marcos”. Indo até África, começando pelo Ruanda, de triste memória, atrás de Juvenal Hayarimana, encontramos, outra “grande” mulher “Agathe Habiarimana”. Descendo um pouco, indo ao Zimbabwe, encontramos a senhora “Grace Mugabe”, mulher de Robert Mugabe.
E quem não se recorda ou no mínimo ouviu histórias sobre o Chile? Ao lado de Augusto Pinochet, tínhamos a sua mulher,
“Lucía Hiriart”.
Várias foram as primeiras damas, de um presidente ou de um ditador, que queriam mandar ou se perderam em luxos, enquanto o “seu” povo, se arrasta ou arrastava, pelos caminhos da miséria. Ao longo dos anos, estas adquiriram o poder de fazer e desfazer governos, erguer exércitos ou guardarem as chaves dos tesouros. Que “anjos”, ou as tais “muletas” que acompanharam os seus maridos, na sombra, ocupando ao fim e ao cabo, um papel importante algumas das vezes tenebroso, na sombra dos mesmos. Um dos exemplos trata-se de “Simone Gbagbo”, mulher de Laurent Gbagbo, presidente da Costa do Marfim. Esta é das pessoas que mais tem incentivado Laurent, a resistir às pressões da comunidade internacional para deixar o poder. É suspeita de violação dos direitos humanos durante a guerra civil e de ter ligações ao esquadrão da morte.
Em resumo, diria que há homens e homens, e mulheres e mulheres. Do mesmo modo que as mesmas devem estar ao lado dos homens, também devem prescindir dos privilégios antigos.
Cada vez mais, temos de falar de pessoas, deixando de as distinguir, quer pelo seu género quer por qualquer outro motivo. Há bons e maus caracteres. E, esses são qualidades ou defeitos de homens e mulheres.
Ao fim e ao cabo somos todos iguais! Às vezes é uma questão de poder!
“Mulierem barbatam eminus esse salutandam.” Mulher barbada de longe deve ser saudada.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O PAÍS TEM PATRIOTAS

Mãezinha! Espero que te encontres bem.
Eu ainda não estou muito refeito, daquela cabazada, que o Manel levou nas presidenciais. Bem dizias tu, que era melhor eu não me meter nesta aventura. Agora, o Aníbal vai ficar chateado comigo e estou convencido que, antes do verão, me vai mandar às urtigas. E como eu detesto urtigas…fazem-me uma comichão, que nem sabes.
Mas, o Mário, nunca perdoou, ao Manel, este ter concorrido contra ele. E digo-te mais…se não fossem os votos do Bloco, então, é que eu não sei como é que seria.
Mas também não posso andar em cima de tudo…até parece que não existe mais ninguém no governo. O quê? Já ouviste dizer isto a alguém, mas foi há muitos anos? Lá vens tu outra vez com essas semelhanças…ou mãezinha, eu sou um social-democrata. Não te ponhas a comparar. O Adolfo também era socialista? Ou mãezinha, mas esse era nacional-socialista que é bastante diferente. Ainda que digam que tenho tiques de “narcisista” é como o outro, agora de ditador é que não, embora quem mande, naquela coisa, seja eu. Isso é verdade, mãezinha. É por essas e por outras, que nós, em Abril, vamos fazer um congresso. Que é para a malta, democraticamente, reconfirmar a minha pessoa como líder. Se vai aparecer alguém a contestar a minha liderança? Mãezinha? Nem se atrevem. Quem é que quer pegar nisto agora? Sim…diz-me lá?
Não te preocupes, mãezinha. Se houver eleições, não é seguro que o Coelho ganhe as mesmas. Ah, o Bloco de Esquerda não vai votar em nós? Claro que não, mãezinha. Isso foi só para o Manel. Agora, quando se trate de garantir lugares na Assembleia é cada um por si. Já estavas a ver uma aliança? Nem penses nisso! Amigos, amigos, negócios à parte.
O quê? Aquela lei do Orçamento de Estado que reduz os vencimentos dos funcionários públicos é arbitrária? Mãezinha: verifica-se, com efeito, que a redução dos vencimentos, tal como se encontra delineada e prevista no artigo 19, nº 9, e do artigo 21 da Lei do Orçamento do Estado, viola o princípio da igualdade, numa tripla acepção: (a) Viola a igualdade na repartição dos encargos públicos; (b) Introduz uma discriminação infundada entre trabalhadores públicos e privados com remunerações mensais superiores a mil e quinhentos euros; (c) Contraria a igualdade formal perante a lei do mesmo nível de garantia da remuneração de todos os trabalhadores e do grau de intervenção dispositiva das entidades empregadoras.
Trata-se, nestes termos, de uma solução legislativa discriminatória e até atentatória da pura igualdade formal; é arbitrária.
Mas quem é que se vai ralar com isso, mãezinha? Toda a gente sabe que quem manda, sou eu. Qual Tribunal Constitucional, qual carapuça. Nem penses nisso. Essa malta sabe que estão lá, porque fomos nós a pô-los lá. É preferível garantir o que estão a ganhar, do que ficarem sem o lugar. O país precisa de patriotas. E eles são-no, sem dúvida!
Fica descansada que isto vai correr tudo bem! Logo que possa, volto a dar notícias. Agora, tenho de ir vender, mais um bocado da nossa, dívida pública.

“Dulce et decorum est pro patria mori.” Doce e honroso é morrer pela pátria. — (Horácio)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A sorte que cada um tem na vida…

Todos nós, por vezes, pensamos porque não havemos de ter melhor sorte. A sorte por um lado acontece, por outro, somos nós que a construímos. Andamos uma vida inteira à procura de melhor sorte.
Sou da opinião que nos temos de contentar com a sorte que temos, procurando, obter a melhor sorte do que pode estar à nossa mão.
Começa a nossa sorte, logo quando nascemos, em função da família que temos. Uns nascem filhos de pais ricos e têm a sorte, outros têm de trabalhar uma vida inteira à procura de melhor sorte. Mas, pode-se olhar por outro prisma…não nascemos numa família de pais ricos, mas nascemos numa família com afectos. Já temos sorte. Porque há quem nasça, que nem sequer conhece a família. Quantos nem sabem quem é o pai ou a mãe. Logo, nem são ricos em termos materiais, nem em afectos.
Depois vamos crescendo, vamos fazendo amigos e alguns de nós, tem a sorte de fazer amigos que nos acompanham por toda a vida. Mas há, os que não têm essa sorte. Ou, porque não foram capazes de fazer amigos ou, por qualquer eventualidade, perdem os amigos.
Quando se chega a adulto, voltam novas oportunidades de se fazerem amigos. Uns são amigos, outros não. A vida adulta é um pouco mais complexa do que a vida em criança. O modo de fazermos amigos, os locais onde temos os amigos e, porque é que fazemos “amigos”.
Entretanto, surge a oportunidade de se criar a própria família. Uns têm a sorte de criar família, outros não. Hoje, existem novas oportunidades de fazer amigos…as redes sociais. Mas, o cerne da questão é que o interesse em fazer amigos, subjaz, sempre, o mesmo. Por isso costumamos dizer que há amigos e amigos. Melhor, queremos dizer que há amigos no sentido lato, porque na realidade podem-se contar pelos dedos de uma mão, os nossos amigos.
No decorrer deste tempo vão-se tendo experiências, mais traumatizantes ou não, conforme o tipo de “amigos," que vamos encontrando. Uns por isto, outros por aquilo. Uma coisa é certa…é que quando “parte” um amigo, não haverá quem deixe de dizer, sempre, “era um bom tipo”. Por vezes, até nos emocionamos, porque, por vezes, a morte mete-nos medo. Quantas das vezes, não é este o momento em que se reflecte a nossa própria vida. Ou não é?
E assim, os anos vão passando, vamos fazendo novos amigos, vamos tendo desilusões, porque acreditamos sempre que este amigo é mesmo amigo. Parece uma redundância, mas não pode ser dito de outro modo. Este tema surgiu, porque, ontem pela noite, ao consultar a “Pordata”, a melhor base de dados que conheço em Portugal, deparei-me com o seguinte: em Portugal, viviam sozinhos, em 2009, 43.891 homens e 288.878 mulheres.
Bom este número a frio, faz pensar no seguinte: se as pessoas vivem sozinhas, ao menos têm amigos? Porque na realidade, não me parece, atendendo à idade de muitos deles, que estejam embrenhados, nas redes sociais. Por detrás de cada um destes números, está uma história de vida. De família ou famílias, de amigos que se perderam, de amigos que se foram fazendo ao longo da vida, mas o certo é que as pessoas vivem sozinhas. Creio que alguém terá dito que “nasce-se sozinho e morre-se sozinho”. Faltou dizer que se vive sozinho! Sinceramente, já não me lembro o quanto sozinho estava quando nasci. Mas não sei, o quanto sozinho estarei quando partir. Mas, felizmente, tenho amigos. Alguns estão na rede social. Mas não foi aí que fiz os meus amigos, que prezo e tento estimar. Da minha parte, direi que nasci sozinho, morrerei, eventualmente sozinho, mas vivi lado a lado e bem acompanhado, por todos os meus amigos. Portanto, tratem-me bem que eu vou fazendo o mesmo por vocês. Se mais não bastasse, sou um homem de sorte, porque tenho o vosso afecto. Assim seja, com todos aqueles que vivem sozinhos e se encontram na estatística que mencionei e que me impressionou e que me motivou a escrever sobre este tema. A sorte que cada um tem na vida…é não viver sozinho e ter amigos.
"Amicus verus, rara avis". [DAPR 61] Amigo verdadeiro é ave rara.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Resultados Eleições Presidenciais 2011, em Portugal

Decorreu mais um acto eleitoral, num período demasiado conturbado do país. Uma economia de rastos e uma situação financeira deplorável, aliado a uma descrença total, na classe política que só tem, ela própria, originado essa mesma descrença, com os escândalos repetidos, de norte a sul do país, na que podemos chamar de “auto governação” (meter ao bolso).
Aníbal Cavaco Silva ganha as eleições, com 52,94% dos votos expressos, quando a abstenção se cifrou em 53,57%. Independentemente de mais um fracasso clamoroso do governo, com a implementação do cartão de cidadão, que neste ponto de vista é um completo fracasso, diria eu, aliás, como tudo o que tem feito até agora, a realidade é que não abona em nada a democracia, alguém ser eleito, num panorama de mais de cinquenta por cento de abstenções.
Os votos brancos foram mais um candidato…se olhar para a votação que obteve José Manuel Coelho…4,5%, quando, os mesmos se cifraram em 4,26%.
Continuam os políticos, em geral, a dizer que está tudo bem no mundo da política…o regime recomenda-se. Não me parece que assim seja, independentemente destes resultados. O regime político já está doente de morte, vai para alguns anos e isso observa-se no descalabro económico e financeiro em que se encontra o país, antes de o verificarmos nas eleições.
Além do mais, esta campanha eleitoral caracterizou-se, por uma mão cheia de nada. Nunca tantos candidatos falaram tão pouco. Um vazio completo que veio agravar a desmobilização que mais de cinquenta por cento do eleitorado manifestou.
Para terminar esta desgraça, assistimos, como sempre, no discurso final, à vitória de todos os candidatos, menos de Manuel Alegre, que assumiu claramente a derrota. Honra lhe seja feita. Foi bastante pior, a sua performance, do que nas últimas eleições, em que concorreu desvinculado do PS. O que me diz que uma boa quantidade de socialistas, foram votar Fernando Nobre. Parece-me que o “homem” forte do partido se fez sentir. Como se diz, a vingança serve-se fria.
Hoje, amanhã e depois, tudo vai continuar na mesma. Já se começa a perfilar a alternância do poder. E os portugueses de eleição em eleição, lá vão sendo esmagados, cada vez mais, mergulhados numa crise sem precedentes. Porque quem diz que já estivemos assim, e que demos a volta por cima, esquece-se de dizer, na sua vontade de “animar a malta”, que já nem anéis temos nos dedos.
Antes de se mudar o regime moribundo, há que mudar, rapidamente, de actores da cena política. E isso, não me parece que nenhum partido o queira fazer. Porque nessa altura, pensam eles, que teriam de governar o país, em vez de se governarem a eles próprios.
“Gratis paenitet esse probum.” [Ovídio, Ex Ponto 2.3.14] Dá arrependimento ser honesto sem proveito.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A FÁBULA DO LEÃO E DO COELHO

Era uma vez um coelho que tinha domesticado um leão.
O coelho varria o capim e o leão protegia o coelho, do assalto, dos depredadores. Caçava ali e acolá, na expectativa de comer, os despojos da vítima. Foi engordando à custa das presas, levantadas pelo coelho, conforme este ia comendo o capim. É óbvio que o coelho andava gordo e anafado e mal conseguia correr. Até que passou a andar escondido debaixo do capim. O leão, ao ver o coelho tão gordo e anafado, pensou que podia também engordar. E disse para ele: “tenho de conseguir ficar tão gordo que não precise mais de caçar na vida”.
E começou a querer caçar sozinho. Na primeira tentativa, teve azar. Houve uma águia de olhar aguçado, que se adiantou ao leão e deu-lhe uma derrota de arrasar. Ainda por cima, o adversário distraiu o leão, ao colocar no campo, uma fêmea com prestígio, inteligente e simpática que atraiu a multidão, que se ofereceu de livre vontade, pois sabia que não estavam a ser enganados. Derrota que o leão nunca conseguiu “digerir”, pois estava habituado a caçar na sombra do coelho e nunca pensou que tivesse tão pouca habilidade, para caçar sozinho.
Caçar como “independente”.
Passou a ser um leão rezingão, mal-humorado, pois teve sempre mau perder. Dos beijinhos e abraços, passou a rosnar, como se todos tivessem medo de um leão esfomeado e zangado. Ele de facto não estava magro, pois à custa do coelho, também tinha engordado. Mas faltava-lhe, o título e o prestígio de rei da selva, para ter a fama que a gordura não lhe dava.
E assim, o leão, organizou um grupo de pontapé na bola, contratando “Maradonas”, não se sabe bem como, e anda, o tempo todo, a olhar o seu reflexo na água, como aconteceu ao “Narciso”. Esperemos, é que não morra afogado.
“Angustus animus est, quem terrena delectant.” [Sêneca, Ad Helviam 9.2] É uma mente estreita aquela a quem as coisas terrenas dão prazer.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

MÃEZINHA! ISTO VAI DE “MAO PARA PIAO”!

Mãezinha espero que te encontres bem.
Tê filho tem andado a fazer um esforço, tremendo, para que esta coisa não destrambelhe ainda mais.
Fica descansada que até Maio é que vamos ter de trabalhar para pagar as contas ao Estado. Depois de Maio já pudemos gastar, outra vez, à vilanagem.
Porquê até Maio? Mãezinha é simples. O Estado, que somos todos nós, mais os que vão pagar, esta conta calada, temos de desembolsar mais de 34 mil milhões de euros este ano, o que dará mais ao menos, cerca de 3.240 euros por freguês. Não, mãezinha! Os que ganham menos pagam menos e os que ganham mais, pagam mais. Portanto, nós estamos safos, mais a rapaziada que tem aqueles rendimentos de trabalho ou não, que não são declarados. Também se houver alguma coisa mais para se receber, a rapaziada continua a contar com os “offshore`s” para receber essa massa e o Teixeira não consegue saber nada.
Por exemplo, a electricidade, a malta ou está a utilizar a lareira ou iluminar-se com “velas”. A malta já só liga a televisão, para ver os “Prós e Contras” e isso é à segunda-feira. Portanto, quando vêm a conta da electricidade, acabam por dizer que é poucochinho pois só vêem o custo da “Taxa de Exploração”-0,14€, a “Contribuição Audiovisual”-3,50€ e a “Taxa do IVA” que é de 2,81€, para uma factura de 52,02€. Ou seja, a malta, ao fim e ao cabo, tirando os lucros da EDP (esses não contam), o pessoal nestes impostos, só alarga os cordões à bolsa, em 12,66% do total da factura. Mãezinha, não digam que é caro, porque não é. Eu sei, mãezinha, que o futuro Presidente da República, quando foi Primeiro-Ministro, tinha retirado a “Taxa do Audiovisual”. Mas os tempos são outros. Mas os condomínios, da luz da escada e dos elevadores, também pagam? Claro, mãezinha. Ou pagam todos ou não há moralidade!
Afinal, os impostos que os portugueses pagam, também não são assim tantos, mãezinha. Temos o IRS, que há em todo o lado. É ou não? Temos o IRC, para as malandras das empresas que produzem alguma coisa, neste país. Ah, os bancos? Mãezinha… esses, temos que os tratar com miminhos! Lembras-te? Eles são amigos do alheio, como nós, afinal! Depois temos o IVA. Ora bem…consumidor, pagador…e não vai ficar por aqui. Quando “eles vierem” (aliás já chegaram, não digas nada), ainda vai subir mais um pouquito. Ah, o imposto de selo? Oh, mãezinha…esse imposto é só sobre a despesa e sobre o património, ou seja, todos os actos, contratos ou documentos (até transmissão gratuita de bens). Vais comprar mais algum apartamento? Não vais, pois não? Então não sei porque perguntas. Esse é que não pôde deixar de pagar…o IMI. Quem tem casa, paga uma pequena renda todos os anos, para ter a casa naquele sítio. Tem que ser, mãezinha. Estão a ocupar espaço, a poluir, os esgotos…sim os esgotos, mas isso é outra coisa. Agora, não me disperses, porque às duas por três estou a meter os pés pelas mãos. Só se fosses comprar mais um apartamento, é que tinhas de pagar o IMT. Como andas de transportes públicos, não pagas o ISP. E se quiseres andar de popó, compras um, a pilhas. Não há ainda a pilhas, só baterias? Então é isso, a bateria. São mais económicos e não poluem. Olha, vê tu, se não tivessemos acabado com a maioria da indústria, como era agora com aquela coisa do Quioto? Estávamos tramados. Essa foi mais uma das vitórias do PS e minha, que ninguém compreende. E quer tu quer eu, já não fumamos, portanto, não temos de pagar o IT, imposto sobre o tabaco. Como só bebemos chá, não pagamos, também, o IABA, imposto sobre o álcool. Já o ISV e o IUC, imposto por quem compra carro e mais o imposto de circulação, como tu não tens carro e eu ando no carro de todos os portugueses, não temos de pagar. Eu sei, mãezinha, que há outros que têm de pagar…mas é justo. Compra, paga. Não compra, não paga. Andem nos transportes públicos que são bons e baratos. Já não são, mãezinha? Então? Ah, é que tirando as empresas do Estado que dão sempre prejuízo, as privadas também pagam impostos, estes que eu venho a falar? Não sabia, mãezinha! As outras taxas pequeninas, que mal se sentem, e que vêm agora, como a menstruação, todos os meses, são a água, a taxa de recolha de lixo, a taxa de disponibilidade de água. Eu ainda estou a ver os tipos da EDP, um dia, a criarem a taxa da disponibilidade do vento, por causa da energia eólica. A seguir, vem a rapaziada dos painéis solares, cobrar a taxa de disponibilidade do sol. Só que depois nos dias encobertos, continua-se a pagar. É como nas auto -estradas. Mesmo quando estão em obras, meses e meses a fio, continuamos a pagar, como se estivéssemos a “gozar”, da disponibilidade das mesmas.
Mãezinha, podíamos estar para aqui, a falar e a falar sobre esta coisa dos impostos e etc., mas não tenho mais tempo disponível. Tenho de ir telefonar ao meu amigo “Hugo Chaves”, por causa daquele negócio dos chineses. Sim, porque ou os países da América Latina, investem aqui um pouco mais, ou os Chineses compram isto tudo. E depois é que vai ser o delas a pagar impostos. Olha, mãezinha…isto vai de “Mao para Piao”.
Beijinhos deste tê filho, que estava repleto de saudades, destas conversas, animadoras.
“Memoria minuitur, nisi eam exerceas.” [Cícero, De Senectute 7] A memória diminui, se não a exercitas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

E ASSIM VAI, ESTE PAÍS!

Quem pensar em ter filhos em 2011, esqueça. Só a partir de 2012. É que cada bebé que nasça em 2011, só estará livre dos encargos das PPP, daqui a 72 anos.
Este é a caixa alta de uma notícia de um jornal. Para nos dizer, um pouco mais à frente, que as despesas com as parcerias público -privadas (PPP), ascendem a 48 mil milhões de euros.
Ora, coloca-se uma questão pertinente…se para equilibrar as contas públicas, o governo tem de reduzir os salários, porque não reduz com os seus fornecedores, a dívida?
E se começasse pelos encargos das PPP, que só alguns sabem como foram negociadas, de 48 mil milhões, dez por cento, o equivalente à descida dos salários, o governo podia aferrolhar, qualquer coisa, como quase 5 mil milhões de euros. Nada mau, pois já contrabalançava o dinheiro que a rapaziada meteu no BPN. Ou não?
Mas, não. Os negócios ruinosos que os diversos governos têm vindo a fazer são intocáveis. Será por alguma razão? É que me parece que a “alteração das circunstâncias” deve permitir que o governo venha a renegociar os diversos contratos que tem vindo a fazer. Ou será que as alterações das circunstâncias só se colocam perante a “massa” anónima de portugueses que vão sendo espoliados dos seus rendimentos de trabalho? Algum economista já conseguiu medir o impacto que estas medidas do governo vão ter na produtividade da Nação? Penso bem que não, porque a lógica tem sido sempre a de olhar para as contas públicas numa óptica financeira e não numa óptica económica. Satisfez-se as necessidades das empresas e dos bancos e o “Zé” que se amanhe. Só que tenho dúvidas, perante a pressão financeira que tem sido exercida sobre Portugal, se os próprios bancos não vão sofrer com a situação, reduzindo substancialmente o valor das suas acções, bem como a dificuldade de obtenção de empréstimos nas praças estrangeiras que irão condicionar a sua própria actividade – a possibilidade de continuarem a vender dinheiro. A relação entre os juros externos e os internos colocarão todas as operações inviáveis.
Logo, continuará a sobrar para a rapaziada que quer comprar casa e não obtém empréstimo ou tem alguma outra necessidade urgente e não consegue capitalizar-se junto da banca.
Resta-nos a intervenção do FMI e de um modo ainda mais doloroso, pois não ficaremos pelos dez por cento de redução no salário, mas uma redução que chegará aos 20%, nalguns casos. Mas, continuará a ser sobre a população que trabalha directa ou indirectamente com a administração pública. Haverá sempre excepções, eu sei. Haverá algumas particularidades, na administração pública que poderão beneficiar, sempre, de aumentos significativos de vencimentos e com efeitos retroactivos.
E assim vai, este país! Não se trata já de governantes…trata-se de alterar, urgentemente o regime político! E não o sistema…pois este, também, faliu!
“Mobile mutatur semper cum principe vulgus.” [Claudiano, De Quarto Consulatu 302] A multidão inconstante muda sempre com o governante.

sábado, 8 de janeiro de 2011

As expectativas e a vida

Todos nós gostamos de criar muitas expectativas. Expectativas sobre alguém, sobre algo, sobre o nosso futuro, sobre o futuro dos nossos filhos,etc.
Sou suficientemente humilde, para admitir que, também, falho, por vezes, nas expectativas que coloco. Embora, cada vez menos, pois a idade vai-nos dando a experiência necessária, para que não criemos expectativas demasiado elevadas ou utópicas. Quando tal acontece e as expectativas saem goradas, logo a seguir, vem a fustração.
Não seria um pouco mais fácil, em vez de criarmos expectativas, deixarmos as coisas correrem, indo medindo a performance das coisas? É que ao criarem-se expectativas elevadas, temos o impulso, incontrolável, de comandar as operações, de modo que nada falhe, em relação às expectativas criadas, e passamos a ter medo do inseguro, e damo-nos a procurar planear os acontecimentos. Se algo acontece diferente, logo, pensamos que está tudo a ir por água abaixo e começa o nosso sofrimento.
É importante e mais saudável, termos a consciência que o controlo dos acontecimentos, está sujeito às mais diversas vicissitudes, umas endógenas, outras exógenas, e que não temos possibilidade de as controlar, assumindo responsabilidades, para as quais não temos capacidade e muitas das vezes, não temos competência para as mesmas. Acredito que seria mais saudável e menos doloroso, se nos consciencializássemos destes factos.
Já no amor, quando vamos à procura de expectaticas, de algo que sempre gostámos de idealizar no outro, existe dificuldade de se analisar o outro, como ele mesmo é. Acredito que grande parte das pessoas não gostam do verdadeiro, do real, do simples… no fundo… não é fácil escrever isto, mas o misterioso, o irreal, o que planeamos é o que queremos. Não aceitamos o que é, não aceitamos quem somos ou o que as pessoas são, mas sim o queremos que fosse, o que queremos que sejamos e o que queremos que as pessoas sejam.
E o pior é que quando isto se ressalta no amor, aí, depois, geralmente questiona-se: Mas fulano e fulana não era assim, mudou de repente… era assim com toda certeza, mas não se reparou.
Hoje em dia temos uma cultura que favorece muito a questão da paixão, do sexo, e muito pouco do que se deveria dizer do que é o amor. Em linhas gerais e relembrando um post antigo, considero que o que reflecte melhor esta dicotomia, é a visão grega de amor e paixão. Paixão é quando se busca o preenchimento no outro e amor, quando se busca complementaridade.
Quando estamos apaixonados queremos que o outro supra as nossas faltas, sejam de qualidades ou defeitos, ou porque, nos apaixonamos, fisicamente, etc.
Porém o amor é algo que se complementa. Nós já somos o bastante, mas o outro quer ser mais do que isso. Nós damos 50% e a outra pessoa 50% e assim, procura-se a existência de uma relação equilibrada.
Só que agora vem a grande questão: Se as nossas questões não são com o que somos, não são com coisas reais, mas projectadas, como poderemos ter uma relação realmente estável? Isto, eu acredito que é uma pergunta difícil de responder.
Pessoalmente acredito que é uma questão pessoal. Porque, afinal, devemos trabalhar, internamente, para estarmos amadurecidos, não só para um relacionamento estável , mas também, para a própria vida. Significa que quando nos descobrimos como pessoa, quando estamos bem, com o que somos, é que começamos a ver o que de facto é a vida. Quando os olhos se nos abrem a essa grande maravilha, que é a felicidade, o amor, a amizade, a família, estes, são um só. Tudo está em sintonia, sincronia, não existe mistério, mas sim um despertar da consciência.
“Amantes libenter credunt quod optant.” Os homens enamorados acreditam de bom grado naquilo que desejam.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

TENHAMOS ESPERANÇA

Todos nós temos os nossos problemas, que algumas das vezes, estão agarrados aos problemas colocados pelos outros.
Não bastando isso, se formos dar uma vista de olhos pelos jornais, deparamo-nos com um cenário, completamente deprimente.
Hoje, um dos jornais trazia na sua primeira página, em caixa alta, o seguinte título: “GUERRA DE SALÁRIOS ENTOPE TRIBUNAIS”. Não deixava de ter a sua piada se os tribunais não estivessem já entupidos. Também o Governo sabe disto. Uma das razões, porque se está nas tintas para o facto. Está o Governo, como estão a maioria das pessoas que gostam de andar fora do corredor da justiça. Porque sabem que os tribunais estão entupidos. Depois, ainda nos perguntamos, porque razão não há investimento estrangeiro, em Portugal.
Mas, há algum investidor que venha investir num país, onde os casos que tenham de ser dirimidos em tribunal levem anos e anos? Não me parece. Com esta noticia quer dizer o jornal que a “Função Pública Contesta Cortes”. A função pública e não só, porque ao atingir, todo o universo empresarial do estado, a contestação se faz ouvir. Só não haverá “cortes”, nas empresas em que o Estado é detentor de “Golden Shares”, porque não são enquadráveis como empresas do Estado. Ah, mas se for uma empresa do universo das autarquias, já faz. Embora, sejam lucrativas ou não. Como se nestas se pagassem os mesmos ordenados ou comparado, com o que se paga na Galp ou na Telecom.
Mas deixemos isso, e vamos fazer este pequeno raciocino…imaginemos um casal em que ele seja quadro de uma empresa em que ganha cerca de 3.000 euros/mês. Ela, como médica, já com mais de trinta anos de serviço, ganha 4.000 euros. Estamos a falar, na actualidade de um rendimento ilíquido de cerca de 7.000/mês. Com os cortes, este rendimento sofrerá uma redução de cerca de 650 euros. Ou seja, quase 10% do actual rendimento ilíquido. Ah, mas não é só o efeito da redução salarial, estamos depois a falar da redução da contribuição para uma futura reforma. São estas constantes alterações das “circunstâncias” que este Governo nos tem habituado, vai para 7 anos que tem conduzido o país ao estado em que está. Porque não tenhamos dúvidas, que além do impacto financeiro, estas medidas trarão impacto na produtividade. Não se podem exigir de ninguém que não fique desmotivado, com todas estas situações.
Mas, poderíamos ficar aqui por esta notícia. Mas não! Logo, a seguir, temos a segunda página a dizer…”CORTES PARAM JUSTIÇA”. Bom! Como se a justiça já andasse bem, verificamos que a inconstitucionalidade e nalguns casos previstos na lei, a ilegalidade, vai contribuir para travar o andamento dos tribunais. Não sei se vingança ou retaliação por tudo isto, o jornal logo adianta que “SUPERJUIZ NÃO VAI DESTRUIR ESCUTAS DE SÓCRATES”. Para apimentar esta, segue outra com o título:
“CORRUPÇÃO TORNOU PAÍS MAIS POBRE”.
Eu, que estou aqui do outro lado, e sou um ignorante… sou levado a concluir que é por causa das escutas, nos casos de corrupção que os salários vão ser reduzidos. Será?
Mas, continuando a percorrer o jornal, logo nos deparamos com outra caixa alta que diz: “CRIME ORGANIZADO ESTÁ A CRESCER”. Ora, esta é fácil…se os salários vão reduzir, se o desemprego tem vindo a aumentar, é normal que o crime esteja a crescer. Mas, o crime organizado, como se a corrupção não fosse um crime onde lideram as organizações. E normalmente estão associadas ao financiamento dos partidos políticos. Ainda me recordo dos últimos casos mencionados na comunicação social e tenho presente a nova lei do financiamento dos partidos. Estes sim são parte integrante da desgraça em que está o país.
É que nem os “bifes” escapam. Não é que assaltaram a “Portugália”? É o que diz a notícia. “Gang Sequestra para Assaltar Portugália”. Quer dizer, que não bastavam os “gangs" a assaltar Portugal ainda temos um gang a assaltar a “Portugália”? Já nem a carne de vaca se safa, no meio desta pocilga.
Ah, mas parece que não há crise…segundo dizem alguns. Que é desmentido pela caixa alta, que diz “CARÊNCIA SOCIAL ENCHE URGÊNCIAS”. Ou seja, quem não pode utilizar os gangs como forma de sobrevivência, neste caso os idosos, pela falta de dinheiro para comprar medicamentos, tentam refugiar-se nas farmácias dos hospitais ou minimizar a sua dor, indo ao Hospital.
Foi este o país que se tem vindo a destruir, nos últimos anos de governação, onde o “narcisismo” e o clientelismo têm sido a pedra de toque.
Bom…não leiam os jornais, porque se já têm problemas na vida, ficam completamente deprimidos. Tenham coragem, porque este país já esteve na merda várias vezes e conseguiu reerguer-se. Tenhamos esperança!
“Multos in summa pericula misit venturi timor ipse mali.” [Lucano, Bellum Civile 7.104] O próprio medo de males futuros colocou muitos homens em grandes perigos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

É PÁ…SOU O MELHOR DA MINHA RUA

A demagogia é uma das consequências da democracia.
Principalmente, quando são ignorantes, as pessoas que estão à frente das instituições. Porque a ignorância é atrevida.
Imaginemos que uma instituição tem mais ou menos 2.000 sócios. Existe um acto eleitoral, com uma só lista (até parece a União Nacional) e votam pouco mais de 60 sócios. Ora, isto dá uma percentagem de cerca de 3% dos sócios votantes. Como é que alguém pode, arvorar para si, que o referido acto eleitoral é algo de expressivo?
Se é feita a propaganda de que a instituição, possui toda esta catrefada de sócios e estes não votam é porque não acreditam nas pessoas que constituem a lista única. Ou, então, tal como na União Nacional, encaram o acto eleitoral, como um
“plebiscito”.
Salvo melhor opinião, estes números retratam um completo desinteresse dos sócios pela instituição, o que, a alguém que fosse sério, preocuparia de certeza.
Instituições que vivem com dinheiro do erário público deveriam ser vigiadas. Até que ponto é que instituições que são dirigidas por uma direcção eleita por 3% ou 4% dos sócios podem ser transparentes?
O facto de não se ter prejuízos, não significa que os dinheiros públicos sejam utilizados de modo adequado, com eficácia e de modo eficiente. E que todos os negócios sejam transparentes.
Muitas das vezes, nestas instituições, personalizadas, se as entidades que atribuem subsídios quiserem verificar as decisões das direcções, nem actas de reuniões existem.
Logo, concerteza, existirão “contratos”, que são do completo desconhecimento dos restantes directores e dos sócios, em geral. E quem sabe, se algumas decisões, não ultrapassam as competências de uma direcção e não teriam que ser propostas e votadas em Assembleia de Sócios? Logo, ilegais!
Se fosse presidente de uma instituição, em que só 3% ou 4% dos sócios é que votavam, nunca assumiria o cargo, pois, de modo nenhum me sentiria à vontade, para “comandar” uma instituição, em que os próprios sócios, de uma forma expressiva, me não tivessem elegido.
Nunca encararia o assumir de um lugar, numa direcção, por mero “narcisismo”. Se o fizesse, pediria ajuda a um amigo, para que este me recomendasse um psiquiatra.
E depois de curado, procuraria pôr de lado a “mania das grandezas” e ir junto dos sócios e envolvê-los, na vida da instituição. Porque não basta, ter-se boas instalações, pagas com dinheiros públicos, para que se possa dizer que se é o melhor do mundo.
Melhor dizendo, da freguesia.
Tal como se dizia…”é pá, sou o melhor da minha rua”, porque não há lá mais ninguém!

“Malis mala succedunt”. [Erasmo, Adagia 3.9.97] ■Males a males sucedem.

sábado, 1 de janeiro de 2011

AO MEU QUERIDO PAI




Quantas vezes penso em ti
No mesmo silêncio com que partiste.
Ainda vivem em mim,
As últimas palavras que te ouvi.
Como se estivesses a agradecer-me,
O que tentava fazer por ti.

Meu Pai, querido!
Não tive tempo de te dizer
O que tentei para ti
Recebi eu, tanta vez, em silêncio…
O amor que tinhas por mim.

Aqueles livros que lias,
Depois do jantar.
Ao teu colo…
Como eu fui feliz…

Nunca, nada me pediste.
A não ser que fosse feliz.
Acredita,meu Pai,
Que o tento ser,por ti!

Mais um Ano Novo se vai iniciar.
E, como não podia deixar de ser,
É com muita saudade.
De mais um aniversário, que tu,
Neste primeiro dia de Janeiro, farias.

Não te esqueço!
Porque a tua recordação,
Embora me encha de saudade,
Dá-me ânimo, para viver a felicidade.
Aquela que sempre quiseste para mim!


"Pater, in manus tuas commendo spiritum meum." [Vulgata, Lucas 23.46] Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito.