segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

O PAÍS TEM PATRIOTAS

Mãezinha! Espero que te encontres bem.
Eu ainda não estou muito refeito, daquela cabazada, que o Manel levou nas presidenciais. Bem dizias tu, que era melhor eu não me meter nesta aventura. Agora, o Aníbal vai ficar chateado comigo e estou convencido que, antes do verão, me vai mandar às urtigas. E como eu detesto urtigas…fazem-me uma comichão, que nem sabes.
Mas, o Mário, nunca perdoou, ao Manel, este ter concorrido contra ele. E digo-te mais…se não fossem os votos do Bloco, então, é que eu não sei como é que seria.
Mas também não posso andar em cima de tudo…até parece que não existe mais ninguém no governo. O quê? Já ouviste dizer isto a alguém, mas foi há muitos anos? Lá vens tu outra vez com essas semelhanças…ou mãezinha, eu sou um social-democrata. Não te ponhas a comparar. O Adolfo também era socialista? Ou mãezinha, mas esse era nacional-socialista que é bastante diferente. Ainda que digam que tenho tiques de “narcisista” é como o outro, agora de ditador é que não, embora quem mande, naquela coisa, seja eu. Isso é verdade, mãezinha. É por essas e por outras, que nós, em Abril, vamos fazer um congresso. Que é para a malta, democraticamente, reconfirmar a minha pessoa como líder. Se vai aparecer alguém a contestar a minha liderança? Mãezinha? Nem se atrevem. Quem é que quer pegar nisto agora? Sim…diz-me lá?
Não te preocupes, mãezinha. Se houver eleições, não é seguro que o Coelho ganhe as mesmas. Ah, o Bloco de Esquerda não vai votar em nós? Claro que não, mãezinha. Isso foi só para o Manel. Agora, quando se trate de garantir lugares na Assembleia é cada um por si. Já estavas a ver uma aliança? Nem penses nisso! Amigos, amigos, negócios à parte.
O quê? Aquela lei do Orçamento de Estado que reduz os vencimentos dos funcionários públicos é arbitrária? Mãezinha: verifica-se, com efeito, que a redução dos vencimentos, tal como se encontra delineada e prevista no artigo 19, nº 9, e do artigo 21 da Lei do Orçamento do Estado, viola o princípio da igualdade, numa tripla acepção: (a) Viola a igualdade na repartição dos encargos públicos; (b) Introduz uma discriminação infundada entre trabalhadores públicos e privados com remunerações mensais superiores a mil e quinhentos euros; (c) Contraria a igualdade formal perante a lei do mesmo nível de garantia da remuneração de todos os trabalhadores e do grau de intervenção dispositiva das entidades empregadoras.
Trata-se, nestes termos, de uma solução legislativa discriminatória e até atentatória da pura igualdade formal; é arbitrária.
Mas quem é que se vai ralar com isso, mãezinha? Toda a gente sabe que quem manda, sou eu. Qual Tribunal Constitucional, qual carapuça. Nem penses nisso. Essa malta sabe que estão lá, porque fomos nós a pô-los lá. É preferível garantir o que estão a ganhar, do que ficarem sem o lugar. O país precisa de patriotas. E eles são-no, sem dúvida!
Fica descansada que isto vai correr tudo bem! Logo que possa, volto a dar notícias. Agora, tenho de ir vender, mais um bocado da nossa, dívida pública.

“Dulce et decorum est pro patria mori.” Doce e honroso é morrer pela pátria. — (Horácio)

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A sorte que cada um tem na vida…

Todos nós, por vezes, pensamos porque não havemos de ter melhor sorte. A sorte por um lado acontece, por outro, somos nós que a construímos. Andamos uma vida inteira à procura de melhor sorte.
Sou da opinião que nos temos de contentar com a sorte que temos, procurando, obter a melhor sorte do que pode estar à nossa mão.
Começa a nossa sorte, logo quando nascemos, em função da família que temos. Uns nascem filhos de pais ricos e têm a sorte, outros têm de trabalhar uma vida inteira à procura de melhor sorte. Mas, pode-se olhar por outro prisma…não nascemos numa família de pais ricos, mas nascemos numa família com afectos. Já temos sorte. Porque há quem nasça, que nem sequer conhece a família. Quantos nem sabem quem é o pai ou a mãe. Logo, nem são ricos em termos materiais, nem em afectos.
Depois vamos crescendo, vamos fazendo amigos e alguns de nós, tem a sorte de fazer amigos que nos acompanham por toda a vida. Mas há, os que não têm essa sorte. Ou, porque não foram capazes de fazer amigos ou, por qualquer eventualidade, perdem os amigos.
Quando se chega a adulto, voltam novas oportunidades de se fazerem amigos. Uns são amigos, outros não. A vida adulta é um pouco mais complexa do que a vida em criança. O modo de fazermos amigos, os locais onde temos os amigos e, porque é que fazemos “amigos”.
Entretanto, surge a oportunidade de se criar a própria família. Uns têm a sorte de criar família, outros não. Hoje, existem novas oportunidades de fazer amigos…as redes sociais. Mas, o cerne da questão é que o interesse em fazer amigos, subjaz, sempre, o mesmo. Por isso costumamos dizer que há amigos e amigos. Melhor, queremos dizer que há amigos no sentido lato, porque na realidade podem-se contar pelos dedos de uma mão, os nossos amigos.
No decorrer deste tempo vão-se tendo experiências, mais traumatizantes ou não, conforme o tipo de “amigos," que vamos encontrando. Uns por isto, outros por aquilo. Uma coisa é certa…é que quando “parte” um amigo, não haverá quem deixe de dizer, sempre, “era um bom tipo”. Por vezes, até nos emocionamos, porque, por vezes, a morte mete-nos medo. Quantas das vezes, não é este o momento em que se reflecte a nossa própria vida. Ou não é?
E assim, os anos vão passando, vamos fazendo novos amigos, vamos tendo desilusões, porque acreditamos sempre que este amigo é mesmo amigo. Parece uma redundância, mas não pode ser dito de outro modo. Este tema surgiu, porque, ontem pela noite, ao consultar a “Pordata”, a melhor base de dados que conheço em Portugal, deparei-me com o seguinte: em Portugal, viviam sozinhos, em 2009, 43.891 homens e 288.878 mulheres.
Bom este número a frio, faz pensar no seguinte: se as pessoas vivem sozinhas, ao menos têm amigos? Porque na realidade, não me parece, atendendo à idade de muitos deles, que estejam embrenhados, nas redes sociais. Por detrás de cada um destes números, está uma história de vida. De família ou famílias, de amigos que se perderam, de amigos que se foram fazendo ao longo da vida, mas o certo é que as pessoas vivem sozinhas. Creio que alguém terá dito que “nasce-se sozinho e morre-se sozinho”. Faltou dizer que se vive sozinho! Sinceramente, já não me lembro o quanto sozinho estava quando nasci. Mas não sei, o quanto sozinho estarei quando partir. Mas, felizmente, tenho amigos. Alguns estão na rede social. Mas não foi aí que fiz os meus amigos, que prezo e tento estimar. Da minha parte, direi que nasci sozinho, morrerei, eventualmente sozinho, mas vivi lado a lado e bem acompanhado, por todos os meus amigos. Portanto, tratem-me bem que eu vou fazendo o mesmo por vocês. Se mais não bastasse, sou um homem de sorte, porque tenho o vosso afecto. Assim seja, com todos aqueles que vivem sozinhos e se encontram na estatística que mencionei e que me impressionou e que me motivou a escrever sobre este tema. A sorte que cada um tem na vida…é não viver sozinho e ter amigos.
"Amicus verus, rara avis". [DAPR 61] Amigo verdadeiro é ave rara.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Resultados Eleições Presidenciais 2011, em Portugal

Decorreu mais um acto eleitoral, num período demasiado conturbado do país. Uma economia de rastos e uma situação financeira deplorável, aliado a uma descrença total, na classe política que só tem, ela própria, originado essa mesma descrença, com os escândalos repetidos, de norte a sul do país, na que podemos chamar de “auto governação” (meter ao bolso).
Aníbal Cavaco Silva ganha as eleições, com 52,94% dos votos expressos, quando a abstenção se cifrou em 53,57%. Independentemente de mais um fracasso clamoroso do governo, com a implementação do cartão de cidadão, que neste ponto de vista é um completo fracasso, diria eu, aliás, como tudo o que tem feito até agora, a realidade é que não abona em nada a democracia, alguém ser eleito, num panorama de mais de cinquenta por cento de abstenções.
Os votos brancos foram mais um candidato…se olhar para a votação que obteve José Manuel Coelho…4,5%, quando, os mesmos se cifraram em 4,26%.
Continuam os políticos, em geral, a dizer que está tudo bem no mundo da política…o regime recomenda-se. Não me parece que assim seja, independentemente destes resultados. O regime político já está doente de morte, vai para alguns anos e isso observa-se no descalabro económico e financeiro em que se encontra o país, antes de o verificarmos nas eleições.
Além do mais, esta campanha eleitoral caracterizou-se, por uma mão cheia de nada. Nunca tantos candidatos falaram tão pouco. Um vazio completo que veio agravar a desmobilização que mais de cinquenta por cento do eleitorado manifestou.
Para terminar esta desgraça, assistimos, como sempre, no discurso final, à vitória de todos os candidatos, menos de Manuel Alegre, que assumiu claramente a derrota. Honra lhe seja feita. Foi bastante pior, a sua performance, do que nas últimas eleições, em que concorreu desvinculado do PS. O que me diz que uma boa quantidade de socialistas, foram votar Fernando Nobre. Parece-me que o “homem” forte do partido se fez sentir. Como se diz, a vingança serve-se fria.
Hoje, amanhã e depois, tudo vai continuar na mesma. Já se começa a perfilar a alternância do poder. E os portugueses de eleição em eleição, lá vão sendo esmagados, cada vez mais, mergulhados numa crise sem precedentes. Porque quem diz que já estivemos assim, e que demos a volta por cima, esquece-se de dizer, na sua vontade de “animar a malta”, que já nem anéis temos nos dedos.
Antes de se mudar o regime moribundo, há que mudar, rapidamente, de actores da cena política. E isso, não me parece que nenhum partido o queira fazer. Porque nessa altura, pensam eles, que teriam de governar o país, em vez de se governarem a eles próprios.
“Gratis paenitet esse probum.” [Ovídio, Ex Ponto 2.3.14] Dá arrependimento ser honesto sem proveito.

sábado, 15 de janeiro de 2011

A FÁBULA DO LEÃO E DO COELHO

Era uma vez um coelho que tinha domesticado um leão.
O coelho varria o capim e o leão protegia o coelho, do assalto, dos depredadores. Caçava ali e acolá, na expectativa de comer, os despojos da vítima. Foi engordando à custa das presas, levantadas pelo coelho, conforme este ia comendo o capim. É óbvio que o coelho andava gordo e anafado e mal conseguia correr. Até que passou a andar escondido debaixo do capim. O leão, ao ver o coelho tão gordo e anafado, pensou que podia também engordar. E disse para ele: “tenho de conseguir ficar tão gordo que não precise mais de caçar na vida”.
E começou a querer caçar sozinho. Na primeira tentativa, teve azar. Houve uma águia de olhar aguçado, que se adiantou ao leão e deu-lhe uma derrota de arrasar. Ainda por cima, o adversário distraiu o leão, ao colocar no campo, uma fêmea com prestígio, inteligente e simpática que atraiu a multidão, que se ofereceu de livre vontade, pois sabia que não estavam a ser enganados. Derrota que o leão nunca conseguiu “digerir”, pois estava habituado a caçar na sombra do coelho e nunca pensou que tivesse tão pouca habilidade, para caçar sozinho.
Caçar como “independente”.
Passou a ser um leão rezingão, mal-humorado, pois teve sempre mau perder. Dos beijinhos e abraços, passou a rosnar, como se todos tivessem medo de um leão esfomeado e zangado. Ele de facto não estava magro, pois à custa do coelho, também tinha engordado. Mas faltava-lhe, o título e o prestígio de rei da selva, para ter a fama que a gordura não lhe dava.
E assim, o leão, organizou um grupo de pontapé na bola, contratando “Maradonas”, não se sabe bem como, e anda, o tempo todo, a olhar o seu reflexo na água, como aconteceu ao “Narciso”. Esperemos, é que não morra afogado.
“Angustus animus est, quem terrena delectant.” [Sêneca, Ad Helviam 9.2] É uma mente estreita aquela a quem as coisas terrenas dão prazer.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

MÃEZINHA! ISTO VAI DE “MAO PARA PIAO”!

Mãezinha espero que te encontres bem.
Tê filho tem andado a fazer um esforço, tremendo, para que esta coisa não destrambelhe ainda mais.
Fica descansada que até Maio é que vamos ter de trabalhar para pagar as contas ao Estado. Depois de Maio já pudemos gastar, outra vez, à vilanagem.
Porquê até Maio? Mãezinha é simples. O Estado, que somos todos nós, mais os que vão pagar, esta conta calada, temos de desembolsar mais de 34 mil milhões de euros este ano, o que dará mais ao menos, cerca de 3.240 euros por freguês. Não, mãezinha! Os que ganham menos pagam menos e os que ganham mais, pagam mais. Portanto, nós estamos safos, mais a rapaziada que tem aqueles rendimentos de trabalho ou não, que não são declarados. Também se houver alguma coisa mais para se receber, a rapaziada continua a contar com os “offshore`s” para receber essa massa e o Teixeira não consegue saber nada.
Por exemplo, a electricidade, a malta ou está a utilizar a lareira ou iluminar-se com “velas”. A malta já só liga a televisão, para ver os “Prós e Contras” e isso é à segunda-feira. Portanto, quando vêm a conta da electricidade, acabam por dizer que é poucochinho pois só vêem o custo da “Taxa de Exploração”-0,14€, a “Contribuição Audiovisual”-3,50€ e a “Taxa do IVA” que é de 2,81€, para uma factura de 52,02€. Ou seja, a malta, ao fim e ao cabo, tirando os lucros da EDP (esses não contam), o pessoal nestes impostos, só alarga os cordões à bolsa, em 12,66% do total da factura. Mãezinha, não digam que é caro, porque não é. Eu sei, mãezinha, que o futuro Presidente da República, quando foi Primeiro-Ministro, tinha retirado a “Taxa do Audiovisual”. Mas os tempos são outros. Mas os condomínios, da luz da escada e dos elevadores, também pagam? Claro, mãezinha. Ou pagam todos ou não há moralidade!
Afinal, os impostos que os portugueses pagam, também não são assim tantos, mãezinha. Temos o IRS, que há em todo o lado. É ou não? Temos o IRC, para as malandras das empresas que produzem alguma coisa, neste país. Ah, os bancos? Mãezinha… esses, temos que os tratar com miminhos! Lembras-te? Eles são amigos do alheio, como nós, afinal! Depois temos o IVA. Ora bem…consumidor, pagador…e não vai ficar por aqui. Quando “eles vierem” (aliás já chegaram, não digas nada), ainda vai subir mais um pouquito. Ah, o imposto de selo? Oh, mãezinha…esse imposto é só sobre a despesa e sobre o património, ou seja, todos os actos, contratos ou documentos (até transmissão gratuita de bens). Vais comprar mais algum apartamento? Não vais, pois não? Então não sei porque perguntas. Esse é que não pôde deixar de pagar…o IMI. Quem tem casa, paga uma pequena renda todos os anos, para ter a casa naquele sítio. Tem que ser, mãezinha. Estão a ocupar espaço, a poluir, os esgotos…sim os esgotos, mas isso é outra coisa. Agora, não me disperses, porque às duas por três estou a meter os pés pelas mãos. Só se fosses comprar mais um apartamento, é que tinhas de pagar o IMT. Como andas de transportes públicos, não pagas o ISP. E se quiseres andar de popó, compras um, a pilhas. Não há ainda a pilhas, só baterias? Então é isso, a bateria. São mais económicos e não poluem. Olha, vê tu, se não tivessemos acabado com a maioria da indústria, como era agora com aquela coisa do Quioto? Estávamos tramados. Essa foi mais uma das vitórias do PS e minha, que ninguém compreende. E quer tu quer eu, já não fumamos, portanto, não temos de pagar o IT, imposto sobre o tabaco. Como só bebemos chá, não pagamos, também, o IABA, imposto sobre o álcool. Já o ISV e o IUC, imposto por quem compra carro e mais o imposto de circulação, como tu não tens carro e eu ando no carro de todos os portugueses, não temos de pagar. Eu sei, mãezinha, que há outros que têm de pagar…mas é justo. Compra, paga. Não compra, não paga. Andem nos transportes públicos que são bons e baratos. Já não são, mãezinha? Então? Ah, é que tirando as empresas do Estado que dão sempre prejuízo, as privadas também pagam impostos, estes que eu venho a falar? Não sabia, mãezinha! As outras taxas pequeninas, que mal se sentem, e que vêm agora, como a menstruação, todos os meses, são a água, a taxa de recolha de lixo, a taxa de disponibilidade de água. Eu ainda estou a ver os tipos da EDP, um dia, a criarem a taxa da disponibilidade do vento, por causa da energia eólica. A seguir, vem a rapaziada dos painéis solares, cobrar a taxa de disponibilidade do sol. Só que depois nos dias encobertos, continua-se a pagar. É como nas auto -estradas. Mesmo quando estão em obras, meses e meses a fio, continuamos a pagar, como se estivéssemos a “gozar”, da disponibilidade das mesmas.
Mãezinha, podíamos estar para aqui, a falar e a falar sobre esta coisa dos impostos e etc., mas não tenho mais tempo disponível. Tenho de ir telefonar ao meu amigo “Hugo Chaves”, por causa daquele negócio dos chineses. Sim, porque ou os países da América Latina, investem aqui um pouco mais, ou os Chineses compram isto tudo. E depois é que vai ser o delas a pagar impostos. Olha, mãezinha…isto vai de “Mao para Piao”.
Beijinhos deste tê filho, que estava repleto de saudades, destas conversas, animadoras.
“Memoria minuitur, nisi eam exerceas.” [Cícero, De Senectute 7] A memória diminui, se não a exercitas.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

E ASSIM VAI, ESTE PAÍS!

Quem pensar em ter filhos em 2011, esqueça. Só a partir de 2012. É que cada bebé que nasça em 2011, só estará livre dos encargos das PPP, daqui a 72 anos.
Este é a caixa alta de uma notícia de um jornal. Para nos dizer, um pouco mais à frente, que as despesas com as parcerias público -privadas (PPP), ascendem a 48 mil milhões de euros.
Ora, coloca-se uma questão pertinente…se para equilibrar as contas públicas, o governo tem de reduzir os salários, porque não reduz com os seus fornecedores, a dívida?
E se começasse pelos encargos das PPP, que só alguns sabem como foram negociadas, de 48 mil milhões, dez por cento, o equivalente à descida dos salários, o governo podia aferrolhar, qualquer coisa, como quase 5 mil milhões de euros. Nada mau, pois já contrabalançava o dinheiro que a rapaziada meteu no BPN. Ou não?
Mas, não. Os negócios ruinosos que os diversos governos têm vindo a fazer são intocáveis. Será por alguma razão? É que me parece que a “alteração das circunstâncias” deve permitir que o governo venha a renegociar os diversos contratos que tem vindo a fazer. Ou será que as alterações das circunstâncias só se colocam perante a “massa” anónima de portugueses que vão sendo espoliados dos seus rendimentos de trabalho? Algum economista já conseguiu medir o impacto que estas medidas do governo vão ter na produtividade da Nação? Penso bem que não, porque a lógica tem sido sempre a de olhar para as contas públicas numa óptica financeira e não numa óptica económica. Satisfez-se as necessidades das empresas e dos bancos e o “Zé” que se amanhe. Só que tenho dúvidas, perante a pressão financeira que tem sido exercida sobre Portugal, se os próprios bancos não vão sofrer com a situação, reduzindo substancialmente o valor das suas acções, bem como a dificuldade de obtenção de empréstimos nas praças estrangeiras que irão condicionar a sua própria actividade – a possibilidade de continuarem a vender dinheiro. A relação entre os juros externos e os internos colocarão todas as operações inviáveis.
Logo, continuará a sobrar para a rapaziada que quer comprar casa e não obtém empréstimo ou tem alguma outra necessidade urgente e não consegue capitalizar-se junto da banca.
Resta-nos a intervenção do FMI e de um modo ainda mais doloroso, pois não ficaremos pelos dez por cento de redução no salário, mas uma redução que chegará aos 20%, nalguns casos. Mas, continuará a ser sobre a população que trabalha directa ou indirectamente com a administração pública. Haverá sempre excepções, eu sei. Haverá algumas particularidades, na administração pública que poderão beneficiar, sempre, de aumentos significativos de vencimentos e com efeitos retroactivos.
E assim vai, este país! Não se trata já de governantes…trata-se de alterar, urgentemente o regime político! E não o sistema…pois este, também, faliu!
“Mobile mutatur semper cum principe vulgus.” [Claudiano, De Quarto Consulatu 302] A multidão inconstante muda sempre com o governante.

sábado, 8 de janeiro de 2011

As expectativas e a vida

Todos nós gostamos de criar muitas expectativas. Expectativas sobre alguém, sobre algo, sobre o nosso futuro, sobre o futuro dos nossos filhos,etc.
Sou suficientemente humilde, para admitir que, também, falho, por vezes, nas expectativas que coloco. Embora, cada vez menos, pois a idade vai-nos dando a experiência necessária, para que não criemos expectativas demasiado elevadas ou utópicas. Quando tal acontece e as expectativas saem goradas, logo a seguir, vem a fustração.
Não seria um pouco mais fácil, em vez de criarmos expectativas, deixarmos as coisas correrem, indo medindo a performance das coisas? É que ao criarem-se expectativas elevadas, temos o impulso, incontrolável, de comandar as operações, de modo que nada falhe, em relação às expectativas criadas, e passamos a ter medo do inseguro, e damo-nos a procurar planear os acontecimentos. Se algo acontece diferente, logo, pensamos que está tudo a ir por água abaixo e começa o nosso sofrimento.
É importante e mais saudável, termos a consciência que o controlo dos acontecimentos, está sujeito às mais diversas vicissitudes, umas endógenas, outras exógenas, e que não temos possibilidade de as controlar, assumindo responsabilidades, para as quais não temos capacidade e muitas das vezes, não temos competência para as mesmas. Acredito que seria mais saudável e menos doloroso, se nos consciencializássemos destes factos.
Já no amor, quando vamos à procura de expectaticas, de algo que sempre gostámos de idealizar no outro, existe dificuldade de se analisar o outro, como ele mesmo é. Acredito que grande parte das pessoas não gostam do verdadeiro, do real, do simples… no fundo… não é fácil escrever isto, mas o misterioso, o irreal, o que planeamos é o que queremos. Não aceitamos o que é, não aceitamos quem somos ou o que as pessoas são, mas sim o queremos que fosse, o que queremos que sejamos e o que queremos que as pessoas sejam.
E o pior é que quando isto se ressalta no amor, aí, depois, geralmente questiona-se: Mas fulano e fulana não era assim, mudou de repente… era assim com toda certeza, mas não se reparou.
Hoje em dia temos uma cultura que favorece muito a questão da paixão, do sexo, e muito pouco do que se deveria dizer do que é o amor. Em linhas gerais e relembrando um post antigo, considero que o que reflecte melhor esta dicotomia, é a visão grega de amor e paixão. Paixão é quando se busca o preenchimento no outro e amor, quando se busca complementaridade.
Quando estamos apaixonados queremos que o outro supra as nossas faltas, sejam de qualidades ou defeitos, ou porque, nos apaixonamos, fisicamente, etc.
Porém o amor é algo que se complementa. Nós já somos o bastante, mas o outro quer ser mais do que isso. Nós damos 50% e a outra pessoa 50% e assim, procura-se a existência de uma relação equilibrada.
Só que agora vem a grande questão: Se as nossas questões não são com o que somos, não são com coisas reais, mas projectadas, como poderemos ter uma relação realmente estável? Isto, eu acredito que é uma pergunta difícil de responder.
Pessoalmente acredito que é uma questão pessoal. Porque, afinal, devemos trabalhar, internamente, para estarmos amadurecidos, não só para um relacionamento estável , mas também, para a própria vida. Significa que quando nos descobrimos como pessoa, quando estamos bem, com o que somos, é que começamos a ver o que de facto é a vida. Quando os olhos se nos abrem a essa grande maravilha, que é a felicidade, o amor, a amizade, a família, estes, são um só. Tudo está em sintonia, sincronia, não existe mistério, mas sim um despertar da consciência.
“Amantes libenter credunt quod optant.” Os homens enamorados acreditam de bom grado naquilo que desejam.

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

TENHAMOS ESPERANÇA

Todos nós temos os nossos problemas, que algumas das vezes, estão agarrados aos problemas colocados pelos outros.
Não bastando isso, se formos dar uma vista de olhos pelos jornais, deparamo-nos com um cenário, completamente deprimente.
Hoje, um dos jornais trazia na sua primeira página, em caixa alta, o seguinte título: “GUERRA DE SALÁRIOS ENTOPE TRIBUNAIS”. Não deixava de ter a sua piada se os tribunais não estivessem já entupidos. Também o Governo sabe disto. Uma das razões, porque se está nas tintas para o facto. Está o Governo, como estão a maioria das pessoas que gostam de andar fora do corredor da justiça. Porque sabem que os tribunais estão entupidos. Depois, ainda nos perguntamos, porque razão não há investimento estrangeiro, em Portugal.
Mas, há algum investidor que venha investir num país, onde os casos que tenham de ser dirimidos em tribunal levem anos e anos? Não me parece. Com esta noticia quer dizer o jornal que a “Função Pública Contesta Cortes”. A função pública e não só, porque ao atingir, todo o universo empresarial do estado, a contestação se faz ouvir. Só não haverá “cortes”, nas empresas em que o Estado é detentor de “Golden Shares”, porque não são enquadráveis como empresas do Estado. Ah, mas se for uma empresa do universo das autarquias, já faz. Embora, sejam lucrativas ou não. Como se nestas se pagassem os mesmos ordenados ou comparado, com o que se paga na Galp ou na Telecom.
Mas deixemos isso, e vamos fazer este pequeno raciocino…imaginemos um casal em que ele seja quadro de uma empresa em que ganha cerca de 3.000 euros/mês. Ela, como médica, já com mais de trinta anos de serviço, ganha 4.000 euros. Estamos a falar, na actualidade de um rendimento ilíquido de cerca de 7.000/mês. Com os cortes, este rendimento sofrerá uma redução de cerca de 650 euros. Ou seja, quase 10% do actual rendimento ilíquido. Ah, mas não é só o efeito da redução salarial, estamos depois a falar da redução da contribuição para uma futura reforma. São estas constantes alterações das “circunstâncias” que este Governo nos tem habituado, vai para 7 anos que tem conduzido o país ao estado em que está. Porque não tenhamos dúvidas, que além do impacto financeiro, estas medidas trarão impacto na produtividade. Não se podem exigir de ninguém que não fique desmotivado, com todas estas situações.
Mas, poderíamos ficar aqui por esta notícia. Mas não! Logo, a seguir, temos a segunda página a dizer…”CORTES PARAM JUSTIÇA”. Bom! Como se a justiça já andasse bem, verificamos que a inconstitucionalidade e nalguns casos previstos na lei, a ilegalidade, vai contribuir para travar o andamento dos tribunais. Não sei se vingança ou retaliação por tudo isto, o jornal logo adianta que “SUPERJUIZ NÃO VAI DESTRUIR ESCUTAS DE SÓCRATES”. Para apimentar esta, segue outra com o título:
“CORRUPÇÃO TORNOU PAÍS MAIS POBRE”.
Eu, que estou aqui do outro lado, e sou um ignorante… sou levado a concluir que é por causa das escutas, nos casos de corrupção que os salários vão ser reduzidos. Será?
Mas, continuando a percorrer o jornal, logo nos deparamos com outra caixa alta que diz: “CRIME ORGANIZADO ESTÁ A CRESCER”. Ora, esta é fácil…se os salários vão reduzir, se o desemprego tem vindo a aumentar, é normal que o crime esteja a crescer. Mas, o crime organizado, como se a corrupção não fosse um crime onde lideram as organizações. E normalmente estão associadas ao financiamento dos partidos políticos. Ainda me recordo dos últimos casos mencionados na comunicação social e tenho presente a nova lei do financiamento dos partidos. Estes sim são parte integrante da desgraça em que está o país.
É que nem os “bifes” escapam. Não é que assaltaram a “Portugália”? É o que diz a notícia. “Gang Sequestra para Assaltar Portugália”. Quer dizer, que não bastavam os “gangs" a assaltar Portugal ainda temos um gang a assaltar a “Portugália”? Já nem a carne de vaca se safa, no meio desta pocilga.
Ah, mas parece que não há crise…segundo dizem alguns. Que é desmentido pela caixa alta, que diz “CARÊNCIA SOCIAL ENCHE URGÊNCIAS”. Ou seja, quem não pode utilizar os gangs como forma de sobrevivência, neste caso os idosos, pela falta de dinheiro para comprar medicamentos, tentam refugiar-se nas farmácias dos hospitais ou minimizar a sua dor, indo ao Hospital.
Foi este o país que se tem vindo a destruir, nos últimos anos de governação, onde o “narcisismo” e o clientelismo têm sido a pedra de toque.
Bom…não leiam os jornais, porque se já têm problemas na vida, ficam completamente deprimidos. Tenham coragem, porque este país já esteve na merda várias vezes e conseguiu reerguer-se. Tenhamos esperança!
“Multos in summa pericula misit venturi timor ipse mali.” [Lucano, Bellum Civile 7.104] O próprio medo de males futuros colocou muitos homens em grandes perigos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

É PÁ…SOU O MELHOR DA MINHA RUA

A demagogia é uma das consequências da democracia.
Principalmente, quando são ignorantes, as pessoas que estão à frente das instituições. Porque a ignorância é atrevida.
Imaginemos que uma instituição tem mais ou menos 2.000 sócios. Existe um acto eleitoral, com uma só lista (até parece a União Nacional) e votam pouco mais de 60 sócios. Ora, isto dá uma percentagem de cerca de 3% dos sócios votantes. Como é que alguém pode, arvorar para si, que o referido acto eleitoral é algo de expressivo?
Se é feita a propaganda de que a instituição, possui toda esta catrefada de sócios e estes não votam é porque não acreditam nas pessoas que constituem a lista única. Ou, então, tal como na União Nacional, encaram o acto eleitoral, como um
“plebiscito”.
Salvo melhor opinião, estes números retratam um completo desinteresse dos sócios pela instituição, o que, a alguém que fosse sério, preocuparia de certeza.
Instituições que vivem com dinheiro do erário público deveriam ser vigiadas. Até que ponto é que instituições que são dirigidas por uma direcção eleita por 3% ou 4% dos sócios podem ser transparentes?
O facto de não se ter prejuízos, não significa que os dinheiros públicos sejam utilizados de modo adequado, com eficácia e de modo eficiente. E que todos os negócios sejam transparentes.
Muitas das vezes, nestas instituições, personalizadas, se as entidades que atribuem subsídios quiserem verificar as decisões das direcções, nem actas de reuniões existem.
Logo, concerteza, existirão “contratos”, que são do completo desconhecimento dos restantes directores e dos sócios, em geral. E quem sabe, se algumas decisões, não ultrapassam as competências de uma direcção e não teriam que ser propostas e votadas em Assembleia de Sócios? Logo, ilegais!
Se fosse presidente de uma instituição, em que só 3% ou 4% dos sócios é que votavam, nunca assumiria o cargo, pois, de modo nenhum me sentiria à vontade, para “comandar” uma instituição, em que os próprios sócios, de uma forma expressiva, me não tivessem elegido.
Nunca encararia o assumir de um lugar, numa direcção, por mero “narcisismo”. Se o fizesse, pediria ajuda a um amigo, para que este me recomendasse um psiquiatra.
E depois de curado, procuraria pôr de lado a “mania das grandezas” e ir junto dos sócios e envolvê-los, na vida da instituição. Porque não basta, ter-se boas instalações, pagas com dinheiros públicos, para que se possa dizer que se é o melhor do mundo.
Melhor dizendo, da freguesia.
Tal como se dizia…”é pá, sou o melhor da minha rua”, porque não há lá mais ninguém!

“Malis mala succedunt”. [Erasmo, Adagia 3.9.97] ■Males a males sucedem.

sábado, 1 de janeiro de 2011

AO MEU QUERIDO PAI




Quantas vezes penso em ti
No mesmo silêncio com que partiste.
Ainda vivem em mim,
As últimas palavras que te ouvi.
Como se estivesses a agradecer-me,
O que tentava fazer por ti.

Meu Pai, querido!
Não tive tempo de te dizer
O que tentei para ti
Recebi eu, tanta vez, em silêncio…
O amor que tinhas por mim.

Aqueles livros que lias,
Depois do jantar.
Ao teu colo…
Como eu fui feliz…

Nunca, nada me pediste.
A não ser que fosse feliz.
Acredita,meu Pai,
Que o tento ser,por ti!

Mais um Ano Novo se vai iniciar.
E, como não podia deixar de ser,
É com muita saudade.
De mais um aniversário, que tu,
Neste primeiro dia de Janeiro, farias.

Não te esqueço!
Porque a tua recordação,
Embora me encha de saudade,
Dá-me ânimo, para viver a felicidade.
Aquela que sempre quiseste para mim!


"Pater, in manus tuas commendo spiritum meum." [Vulgata, Lucas 23.46] Pai, nas tuas mãos encomendo o meu espírito.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

leiria balada do encantamento.wmv



Porque é a terra que me viu nascer e porque a interpretação desta "balada" é fantástica, aqui deixo estas belas imagens. Espero que gostem...

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

QUEM NÃO SE SENTIU, JÁ, CANSADO?

Quantas vezes nos sentimos cansados, achando que ninguém nos compreende e que a vida é injusta? Talvez já tenhamos tentado mudar as coisas e, as pessoas ao seu redor, sem êxito, e de tanta luta, o cansaço se apossa, trazendo desalento, sentimento de solidão e incompreensão... Então, se nos sentimos mal, fechamo-nos em mágoas, tristezas, e ao nosso encontro, vem o desanimo, acabando-se, também, por evitar os outros e até mesmo, a nossa própria pessoa, para não termos que olhar para dentro, para nos questionarmos e vermos o que, “sabemos”, que tem que ser visto ou revisto. E neste esforço contínuo de fuga, sentimo-nos, enfim, como quem tenta caminhar ou correr numa esteira, chegando, apenas, à exaustão e a nenhum outro caminho...
É preciso dizermos a nós mesmo: "Basta! Não quero e nem vou me permitir viver assim! Não vou ficar a tentar dar voltas e voltas nesta “esteira” estúpida, numa teimosia e inflexibilidade, que não me levam a lugar algum!" Deve-se observar a natureza e ver que um rio, flui, desviando-se dos obstáculos, mudando o seu curso mas, seguindo, o seu caminho, porque tem um objectivo maior: o grande mar! O grande mar da nossa vida está à nossa espera, mas se ficarmos “encalhados” em algum obstáculo, ao invés de contorná-lo, nunca chegaremos a qualquer lugar! Assola-nos o medo de seguir pelo desconhecido, e teimamos em fincar os pés nas raízes do medo, na insegurança, escondidos, atrás de uma pseudo “segurança”, escondendo-nos atrás das dificuldades, dando-nos falsos motivos para não enfrentar o caminho. Além do mais, tornamo-nos críticos com os outros, por causa de uma certa inveja, quem sabe, dissimulada! Ninguém é superior ou inferior a ninguém, apenas não somos iguais. Há uma desigualdade, entre nós, que nos une, pois precisamos uns dos outros, na troca de experiências para que possamos aprender a arte da vida, para que possamos ver um novo horizonte de existência, por um ângulo, até então, ainda não apreciado! Encontrar, um novo ponto de partida, para a nossa vida!

A vida está aqui para ser vivida, na sua plenitude e não, para que sejamos, apenas espectadores que nos vamos lamentando da nossa falta de inércia! Ela se concentra no “agora”, onde realmente estamos. Temos que aprender a deixar o passado no seu lugar, para vivermos a nossa vida, no “presente” e, dela, retirar o maior prazer, porque, esta é a nosso vida, neste lugar!
A vida é cheia de oportunidades; ela se reconstrói de dentro para fora; portanto, temos que tentar cultivar a alegria. Na vida nos cansamos, não enquanto caminhamos, mas justamente quando estagnamos... Cansados somos como galhos secos que nada produzem, mas quando cultivamos a alegria de viver, ficamos como árvores verdejantes que bem adubadas, darão frutos, com certeza.
Temos que pôr de lado, a ideia de viver, no limite da sobrevivência.
Flua como ar, o rio, a natureza! Flua com o sorriso! Flua neste espaço de vida! Observe a vida planando como uma ave gigante, numa visão aérea, num sentimento de coragem e liberdade, mas conserve o seu ninho, pois, precisa dele. Todos temos os nossos momentos, mas não se atormente por muito tempo, como um chato e rezinga, numa amargura que contamina sorrisos e dá obstáculos! Mais do que isso…afasta os que nos possam querer bem. Faça uma terapia de autoconhecimento e sinta admiração pelo que é, pela sua história! Apaixone-se por si e volte de novo à vida. Foi gerado e nasceu para isso, e não apenas para sobreviver! Liberte-se da sobrevivência e permita-se viver! A alegria é uma consequência natural, quando nos permitimos a tê-la. A procuramos! Não deixe nada para “amanhã”, porque, o amanhã, ninguém sabe se existirá. O momento é agora! Seja responsável pela sua vida. É necessário e insubstituível nela, portanto, receba a sua vida e viva-a da melhor maneira possível, respeitando sempre três regras básicas: RESPEITO A SI MESMO, RESPEITO AO OUTRO e RESPONSABILIDADE!
Já agora, com um sorriso!

“Cur veteranus dux, fortissimus bello, compressis manibus sedeas?”[Tito Lívio, Ab Urbe Condita 7.13.7] Porque tu, que és um comandante experiente, tão valente na luta, permaneces de braços cruzados?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

REFLEXÃO DEPOIS DO NATAL

Depois do Natal vem um momento de reflexão. Para este momento de reflexão, escolhi, o porquê de escrever, para um blogue.
Poderia escrever, eventualmente, para um diário, mas esse seria demasiado exclusivo e pessoal. Algumas das preocupações que vão assolando o meu espírito, acabariam por ficar numa folha de papel.
Eu sei que é modesto o número de leitores do meu blogue, pois só 8800 visitas foram efectuadas, em 2010. Ou seja, há uma modesta média de 25 visitas diárias.
Mas, não é isso que me importa…o número dos que o visitam, para ler o que escrevo é que vão ditando a razão de ser do mesmo. Aliado a tudo isso, denota-se a qualidade dos meus leitores, que se dão ao luxo de perderem, alguns minutos do seu dia, para procurar ler o que escrevo. A estes, um abraço, com votos de que no próximo ano, a vida lhes sorria, se possível, mais do que em 2010.
Normalmente, o blogue é carreado por assuntos de política, porque esta não está, de modo nenhum, separada de nós, por mais indiferentes que possamos ser. Esta tem o condão de gerir a nossa vida e condicionar grande parte da nossa felicidade. Principalmente, quando a crise assola o nosso país, as angústias e inseguranças, aumentam.
Mas, também, existem algumas preocupações, da minha parte, em relatar algumas das injustiças pessoais, dos amigos que vivem ao meu redor, que não são mais, do que muitos dos sofrimentos calados, que pululam por aí. Infelizmente, para gozarmos de felicidade, parece que temos que conhecer a infelicidade, pois, de outro modo não reconheceríamos a mesma. Não estou completamente convencido deste postulado.
Continua a ser um teorema, no meu ponto de vista, pois carece de demonstração.
Em 2011, a minha preocupação, continuará a ser sobre a política deste país e, em particular, vou aqui, continuar a desvendar, a correspondência entre a “mãe” e o “mê querido filho”. Até, porque estes, se vão manter em cena, pois as alternativas, ainda não surgiram, nem ninguém as quer assumir.
Se estivéssemos a falar de uma sociedade comercial, diríamos que estariam disponíveis, os administradores da massa falida. Mas para estes, gerir a massa falida é uma profissão, remunerada. No caso da política, não é particularmente agradável, andar a gerir os restos daquilo que os outros andaram a fornicar, durante estes anos e diga-se de passagem que é muito mal paga. Eu sei. Eu sei…que sempre é mais do que o salário mínimo e mais do que ganha a nova geração de licenciados, de Bolonha ou não.
Mas, que é muito ingrato, é.
De um ou outro modo, todos vão criticando o “José Narciso”. Mas o que mais me surpreende são os senhores magistrados. Dizem que "Sócrates tem um trauma com a justiça”. Mas direi eu…quem não tem? Processos que levam anos e anos a verem a luz do dia. E isto, já não é do tempo do Sócrates. Providências cautelares, no Tribunal de Comércio de Lisboa que levam mais de oito meses a ter uma resposta. Tribunais de Família que levam meses para notificar os interessados, num processo de divórcio. Partilhas de bens que levam mais de dez anos a serem resolvidas. Senhores Magistrados qual é a economia de um país que aguenta tal desaforo? Ah, mas depois a questão está sobre os possíveis cortes salariais que o Governo vai fazer. Para os Senhores Magistrados não. Devem ser cidadãos de outra classe qualquer e talvez, não sejam portugueses.
É bom, que se vá sentindo que há limites para tudo, até numa classe de Magistrados que ao reivindicarem o direito a fazer greve, se colocam ao lado da plebe. Se fizessem greve porque viam os seus concidadãos de mãos e pés atados, com problemas na justiça para resolver, penso que isso é que dez milhões de portugueses agradeciam e, agradecia a economia deste país. Os atrasos dos tribunais representam mais de 7% do PIB, caso não saibam.
Diria, aliás, que se é completamente estúpido quando se investe em Portugal, seja em que negócio for. Havendo sempre litígios por resolver, como é que uma empresa pode esperar que uma providência cautelar leve mais de oito meses a ser apreciada pelo Tribunal?
Senhores Magistrados, se acham a situação injusta, comecem por pugnar uma justiça atempada. Se tiverem que fazer greve, façam-na mas atendendo às necessidades do país e não de uma classe que, administrativamente, tem subido na hierarquia, sem se responsabilizar por nada.
Se é assim que se perspectiva o ano de 2011, cá estarei, para modestamente, gritar o que me vai na alma.

“In controversiis, quas in iudiciis moveri contigerit, aequalitatem litigatoribus volumus servari.” [Codex Iustiniani 12.19.12.4] Nas demandas que forem movidas em juízo, queremos que seja observada igualdade entre as partes.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

FILANTROPIA VERSUS CARIDADE

Para se poder entender a diferença entre caridade e filantropia, haverá que explicar cada uma delas, para se tirar conclusões. Porque um amigo já me tinha dado este desafio, e porque estamos a atravessar uma época em que somos mais sensíveis, quer à caridade quer à filantropia, tomo a liberdade, de antes do Natal, deixar este pequeno texto, que espero elucidativo.
A palavra Filantropia vem do grego (amor) e (homem), e significa "amor à humanidade". O seu antónimo é a misantropia (Misantropia é a aversão ao ser humano e à natureza humana no geral. Também engloba uma posição de desconfiança e tendência para antipatizar com outras pessoas. Um misantropo é alguém que odeia a humanidade de uma forma generalizada. A palavra vem do grego misanthropía, a junção dos termos (ódio) e (homem, ser humano). O termo também é aplicável a todos aqueles que se tornam solitários por causa dos sentimentos acima mencionados (de destacar o elevado grau de desconfiança que detém pelas outras pessoas em geral). (Quantos há por aí?)
Os donativos a organizações humanitárias, pessoas, comunidades, ou o trabalho para ajudar os demais, directa ou através de organizações não governamentais, sem fins lucrativos, assim como o trabalho voluntário, para apoiar instituições que têm o propósito específico de ajudar os seres vivos e melhorar as suas vidas, são considerados actos filantrópicos.
História
O termo foi criado por Flávio Cláudio Juliano (331/332 - 26 de Junho de 363), que foi imperador romano desde 361 até à sua morte.
Uma das tarefas de Juliano como imperador, foi a de restaurar o paganismo como religião dos romanos, e neste intento, imitou a igreja cristã. Assim, criou o termo "filantropia" para concorrer com o termo cristão caridade, que era uma das virtudes da nova religião e que nunca tinha sido parte do paganismo em Roma ou Atenas.
Visão comum de filantropia
A filantropia pode ser vista limitadamente como a acção de doar dinheiro ou outros bens a favor de instituições ou pessoas que desenvolvam actividades de mérito social. É encarada por muitos, como uma forma de ajudar e guiar o desenvolvimento e a mudança social, sem recorrer à intervenção estatal, muitas vezes contribuindo por essa via para contrariar ou corrigir as más políticas públicas em matéria social, cultural ou de desenvolvimento científico. Os indivíduos que adoptam esta prática, naturalmente indivíduos que dispõem dos necessários meios económicos, são em geral denominados por filantropos ou filantropistas. A filantropia é uma das principais fontes de financiamento para as causas humanitárias, culturais e religiosas. Em alguns países a filantropia assume papel relevante no apoio à investigação científica e no financiamento das universidades e instituições académicas.
Uma falsa filantropia pode ser chamada pela gíria “pilantropia”.
Já a “Caridade” é uma das virtudes teólogas e uma das sete virtudes. Tem o mesmo significado que o Ágape. (Ágape (vem do grego, transitando para o latim, como "agape"), é uma das diversas palavras gregas para o amor. A palavra foi usada de maneira diferente por uma variedade de fontes contemporâneas e antigas, incluindo os autores da Bíblia. Muitos pensaram que esta palavra representava o amor divino, incondicional, com auto-sacrifício activo, pela vontade e pelo pensamento. Os filósofos gregos nos tempos de Platão e outros autores antigos, usaram o termo para denotar o amor a um esposo ou a uma família, ou a afeição para uma actividade particular, em contraste com “philia”, uma afeição que poderia ser encontrada entre irmãos ou a afeição assexuada, e eros, uma afeição de natureza sexual.)
É um sentimento que pode ter dois sentidos, o sentimento para si mesmo, e ao próximo.
O Cristianismo afirma que a caridade é o "amar ao próximo como a si mesmo". E afirma que se uma pessoa não se amar, adulterando e mentindo a si mesma sobre as coisas que a rodeia, defendendo, somente, o seu ponto de vista, sem pensar no ponto de vista divino, pode estar "amando" o seu próximo, mas da sua maneira, pois quanto mais buscar o esclarecimento divino sobre como amar-se a si mesmo, maior poderá ser o amor desta pessoa pelo seu próximo.
E afirma que nos dias actuais muitos estão buscando em Cristo, mas à sua "maneira", não procurando em arrependerem-se das suas acções, pois, em si mesmos, não acham culpa alguma, pois defendem os seus próprios pontos de vista. Esquecem-se que o salário do pecado é a morte, e quem não se ama (caridade) peca, pois, quem exerce a caridade, não peca, pois acaba amando a Deus, mais do que a si, mesmo, ouvindo assim a sua voz e colocando em prática a verdade que recebe. Dizendo, que quem ama a Cristo, confirma também o Senhorio de Cristo sobre si mesmo, abandonando tudo por Ele, pois um Servo abandona tudo pelo seu Senhor, vivendo somente para ele.
Aliás, Jesus Cristo ordenou: "Amar a Deus sobre todas as coisas", isto para os cristãos constitui a parte fundamental da caridade.
Quem tem o amor, prova, não somente com palavras mas, sim, com acções. Abrindo mão dos costumes dos gentios por amar a Deus sobre todas as coisas, seguindo a sua voz e os seus mandamentos.
Resumindo e usando as palavras do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, "a caridade é a virtude teóloga pela qual amamos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos por amor de Deus. Jesus faz dela o mandamento novo, a plenitude da lei. A caridade é «o vínculo da perfeição» (Col 3,14) e o fundamento das outras virtudes, que ela anima, inspira e ordena: sem ela «não sou nada» e «nada me aproveita» (1 Cor 13,1-3)".
São Paulo disse que, de todas as virtudes, "o maior destas é o amor" (ou caridade). O Amor é também visto como uma "dádiva de si mesmo" e "o oposto de usar". A caridade é motivada pelo sentimento de compaixão, de amor ao próximo ou a uma causa. Pode partir de uma individualidade isolada ou de um grupo mais numeroso.

A Filantropia, por sua vez, é uma espécie de beneficência ("amor a humanidade") que é planeada socialmente e que guarda algum interesse anterior. As organizações filantrópicas, normalmente, financiam causas humanitárias e apóiam os estudos científicos, mas sempre esperando alcançar algo em troca disso.
Para se fazer caridade não é indispensável que se tenha recursos financeiros. Para ser filantrópico é. A caridade sem dinheiro, por exemplo, pode ser aquela que praticamos, no dia a dia, nas pequeninas coisas... Ouvir um idoso com paciência, auxiliar na educação de uma criança com dificuldades na escola, doar um pouco do tempo livre para visitar alguém que esteja enfermo, ser voluntário, levantar o ânimo de alguém que está triste, etc. No final das contas, ser caridoso, sem utilizar dinheiro, é escolher a prática do bem como um modo de vida... Por outro lado, ser filantropo, na maioria das vezes, é estar vinculado à algum projecto de desenvolvimento e mudança social, tentando, muitas vezes, preencher uma lacuna deixada pelo Estado. Por isso, é muito comum observarmos empresas privadas que se qualificam como filantrópicas. Na verdade, uma observação mais cuidadosa de tal filantropia, nos fará perceber que elas nada mais fazem do que defenderem, antes de tudo, os seus próprios interesses. É claro que uma empresa de celulose, por exemplo, que ofereça uma certa quantidade de cadernos, "gratuitamente", para algumas escolas públicas, em troca do recebimento de papéis já utilizados (recicláveis), está promovendo, sim, um bem para a comunidade em questão. As crianças terão cadernos! Todavia, é necessário observar que, muito antes da simples motivação de ajudar as pessoas, outros interesses, muito mais motivadores, aos olhos mercantis do empresário, instigam essa "boa acção". No caso citado, a empresa pretende, antes de mais nada, ser reconhecida socialmente como aquela que é "aliada" às causas humanitárias e, ao mesmo tempo, ecologicamente correcta.

Ora, naturalmente, esse comportamento, chamará a atenção dos consumidores que passarão a privilegiá-la quando necessitar adquirir algum produto do seu género.Nesse caso, a filantropia é utilizada como estratégia de marketing... A filantropia faz alarde. Dá com uma mão e aponta, para o que faz, com os cinco dedos da outra para que todos vejam e a reconheçam como a "boazinha". A caridade, ao seu turno, é desprentenciosa, é gratuita, não guarda interesses escusos.

Por isso, é tão difícil encontramos pessoas que realmente praticam CARIDADE, com todo a carga semântica e pragmática que essa palavra carrega em si.

Mas, salvo melhor opinião, a caridade é algo que se extingue no momento da sua prática, enquanto a filantropia, pode e deve ter continuidade. Mas, sou a favor desta, quando ela tem como pressuposto, a dignidade humana. E para isso, é preciso muito mais que oferecer cadernos para uma escola, recebendo em troca papel reciclável.

Só para exemplificar, transcrevo este pequeno texto, escrito sobre a pessoa, do meu avô paterno: “Tomás Pereira Roldão enquanto Presidente da Comissão Paroquial Republicana local, exerceu grande influência junto do governo para que fosse instalada na Marinha Grande a sua escola industrial, que só viria a abrir as portas em 1920, com uma aula de desenho. A sua acção a favor do ensino já se tinha manifestado em Dezembro de 1909, com a criação do “Núcleo da Marinha Grande” da Liga Nacional de Instrução. Organizou movimentos de apoio às crianças pobres, de modo a serem criadas as condições indispensáveis para que fizessem um regular percurso escolar”.
Quanto à caridade, era quando se pediam vagões de cereais, concrectamente, milho, para fazer pão, para matar a fome à população.

No estado em que o país se encontra é fundamental praticar caridade, para acorrer às necessidades imediatas, mas é necessária muita filantropia, mas tendo como pano de fundo a dignidade humana. De outro modo, a filantropia, não é mais que a caridade pagã de Juliano.


Miser vel ignavissimo cuique ludibrio est.” [Epígrafe de Fábula de Fedro 1.20 / Rezende 3547] O infeliz é motivo de riso até para qualquer covarde. ■Ao caído todos se lhe atrevem. ■Leão moribundo, cachorro lhe mija. ●Audet vel lepus exanimo insultare leoni. ●Mortuo leoni etiam lepores insultant.

Celine Dion - So This Is Christmas (Eng. Subs)


Para todos os meus amigos e leitores, deixo-vos aqui esta música, com votos de um Feliz Natal e próspero Ano Novo, assim eles nos permitam. Obrigado pela vossa inestimável companhia, ao longo deste ano.
Bem-hajam!

Luís Roldão

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O REGIME POLÍTICO

“Significa isto que não devemos contemplar apenas o melhor regime mas também aquele que é simplesmente possível, e ainda aquele que é de mais fácil aplicação e mais comum a todas as cidades. A verdade é que grande parte dos autores procura apenas a forma mais excelente e que requer abundância de recursos; outros propõem uma forma comum para todas as cidades, menosprezando os regimes já estabelecidos, e exaltando, por exemplo, a constituição espartana ou outra qualquer. O que verdadeiramente interessa, pelo contrário, é introduzir uma ordenação política cujas disposições persuadam facilmente os cidadãos e facilmente sejam adoptadas; pois não é, de modo algum, menos trabalhoso o acto de reformar um regime do que o acto de o instituir desde o início, da mesma forma que não é menos trabalhoso o acto de aprender melhor do que o acto de aprender desde o início. É por isso que, além de outros aspectos referidos, o político deve ser capaz de auxiliar os regimes já estabelecidos, como já tivemos oportunidade de referir.”
” [Aristóteles, Política, 1288 b 34 – 1289 a 7]
Vamos ver se é possível importar estas ideias, a Portugal e ao povo português!
Disse Aristóteles que o mais importante é a existência de um regime político (uma ordenação política). O pressuposto não dito é o seguinte: a existência de um regime político é preferível à sua inexistência. Dito de outro modo, a política é uma inevitabilidade para a espécie humana. Estamos feitos!
Se se estiver atento descobrem-se, relativamente aos regimes políticos, quatro qualificações a considerar: 1. o preferível; 2. o possível; 3. o de mais fácil aplicação; 4. o mais comum. Estas qualificações não têm de ser lidas como excluindo-se umas às outras, embora existam tensões interessantes entre elas.
Aristóteles opõe ao «melhor regime» o «regime possível». Este é aquele que cada condição espácio-temporal e de cultura cívica permite organizar. A política não depende da verdade, mas de uma adequação pragmática às condições de possibilidade. Esta meditação aristotélica é um poderoso adversário da doutrina do neo-conservadorismo evangélico norte-americano: a ideia de que a democracia é o melhor regime e que é exportável, independentemente das condições. Este tipo de pensamento transforma o regime democrático -liberal também numa espécie de utopia. Aqui, poderemos articular a ideia de regime possível com a ideia de regime de mais fácil aplicação. Aristóteles afasta a ideia de que se deve impor o regime mais comum. Subjacente a isto está que o regime mais comum (aquele que existe em maior número de comunidades políticas) pode não ser aplicável a uma dada comunidade concreta. Uma ideia interessante é aquela que termina o texto de Aristóteles: «o político deve ser capaz de auxiliar os regimes já estabelecidos». A questão não seria então de fazer as comunidades políticas abandonar a sua tradição, mas respeitar as tradições políticas existentes, melhorando-as, mas no respeito pela sua multiplicidade
Apesar da sua abordagem aparentemente conservadora (melhorar o regime existente, escolher o possível em vez do excelente), Aristóteles deixa em aberto a questão. Como se faz isso? Faz-se, ao não eliminar a consideração do «melhor regime». A prudência manda respeitar a multiplicidade de tradições políticas, a facilidade de persuasão dos cidadãos e o que é possível. Mas não fica fora do debate «científico» a questão do melhor regime. A ideia do «melhor regime» constitui-se não como um programa a levar à prática (por exemplo, foi o que o leninismo tentou fazer com o marxismo, ou Bush no Iraque), mas num ideal regulador da acção política.
E ao fim de 36 anos do regime político que temos em Portugal, podemos chegar à conclusão que o mesmo se esgotou, completamente.
Portugal, dentro do regime democrático, necessita de reformar a sua Constituição e avançar para o que é inevitável – O Presidencialismo.
Um Presidente eleito que escolha o seu Governo, sem qualquer correlação com a maioria existente no Parlamento.
“Piscis minutos magnus comest.” [Varrão, Nonius 2] O peixe grande come os miúdos.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

ENQUADRAMENTO DAS MASSAS

Mãezinha!
Espero que estejas já de volta das rabanadas. Estou danadinho, de me sentar, descansado, a comer uma rabanada e deixar por momentos de pensar na vida. Já viste, mãezinha, como é ingrato este povo?
Temos procurado ser justos com os que mais sofrem de injustiça. No nosso país, graças a mim e ao Partido, não existem classes privilegiadas, nem classes diminuídas. O povo somos nós todos, mas a igualdade não se opõe e a justiça exige que onde há maiores necessidades aí seja maior a solicitude. Não se é justo quando não se é humano. Diz-me, mãezinha: “do que seria de todos nós, se não tivéssemos protegido os desvalidos dos bancos, que tanto se têm esforçado, para comprarmos as nossas casinhas”?
A esta hora, já não havia “offshore”. Te garanto! Tinham ido atrás dos bancos.
Agora, só porque vamos aumentar um pouquinho o IVA, aumentamos os combustíveis, a electricidade, os transportes públicos e reduzimos o apoio, a essa malta, parece que já todos vão votar no Silva, mesmo pondo a mão, em cima da fotografia.
Mãezinha, nem tudo está mal. Temos feitos progressos, na formação de elites, que eduquem e dirijam o país. Põe os olhos na juventude socialista, mãezinha. Sem uma elite forte, como a que foi a da minha geração, seria ainda mais grave a crise nacional. Daqui para a frente, só as gerações em desenvolvimento, se devidamente aproveitadas, nos fornecerão os dirigentes, indispensáveis à nossa completa renovação. Começamos por recrutá-los, à saída da universidade. Pomo-los candidatos a uma Câmara e se porventura não ganharem, vão para uma Secretaria de Estado.
É muito mais proveitoso, a criação destas elites, do que a criação das novas oportunidades. Dá menos nas vistas! Deste modo, ninguém embirra com a rapaziada.
Mãezinha! Ao fim e ao cabo, os grandes problemas nacionais têm de ser resolvidos, não pelo povo, mas pelas elites do partido, enquadrando as massas. (Percebeste, esta?)
Estou feliz, mãezinha. Porque finalmente e é o que importa, é que encontrámos o verdadeiro caminho, segundo o qual o povo pode viver tranquilamente a sua vida e o país cumprir a sua missão histórica, isto é, que se realize o essencial na vida e se seja fiel ao que é permanente na História do Socialismo Democrático.
Como o povo tem memória curta, incube-nos avivar até ao cansaço a recordação dos tempos em que o país foi sacrificado nas mãos de um tirano, que tirou o país da “banca rota”, dando-nos, durante anos e anos um Orçamento de Estado com “superávit”. Mas, para quê, mãezinha? Não estamos melhor assim?
Não desistas, mãezinha de fazer as minhas rabanadas(enquadrando as massas), porque no Natal, é só paz e fraternidade e temos que aproveitar estas épocas para dar um toque de lamechas.

Cumprimentos aos primos e aos tios, e um Natal cheio de rabanadas.


“Magnus es in verbis, in factis nullus haberis.” [Binder, Thesaurus 1748] És grande nas palavras; nas ações, tu não vales nada.

QUANDO ALGUÉM PARTE

Quando alguém parte, porque deixa uma instituição, não se faz uma referência, “aos que partem”. Dá a sensação que estamos a falar dos que partem, para o reino dos céus. Francamente…falta de mau gosto, roçando o cabresto da besta.
Na realidade, as pessoas partem, mas antes, de partir, deixaram as suas impressões digitais, em tudo o que fizeram. Deixaram amigos e inimigos! Deixaram obra feita!
Esses, os amigos, dão uma palavra de conforto e dizem, o que é de esperar, num amigo…obrigado. E deveria ser de esperar, da própria instituição. Mas, como esta é representada por pessoas e as mesmas são casca grossa, o resultado é zero. Os inimigos, para seu próprio conforto, porque, a “vida” continua, dizem, que partem.
Partem para ficar longe das bestas, dos carroceiros que pululam por esta sociedade, pensando que são alguém na vida. Partem, porque se fartaram de “vilanagem”. Faz-me lembrar aquela frase do “Simpsons”…” pode ter-se muito dinheiro, mas um dinossáurio, ele não pode comprar”.
Na realidade, quando se vive a esgueirar a vida, como se de uma gincana se tratasse, procurando levar o ovo, na colher de sopa, mantendo um equilíbrio precário e porque, não se “trepa” na vida, de qualquer jeito…é preciso ter jeito, já que a cabeça é oca. É oca por falta de princípios e de educação, é oca por mau carácter, é oca porque o sistema parassimpático e o simpático, estão permanentemente em rota de colisão. Por último, a educação não se “compra”, também, porque esta vem do berço.
E para os que pensam que são caçadores treinados, devem perceber que, na caça ao coelho, estes andam aos “zigs zags”. Quando se pensa que se está atirar para o zig, o coelho salta e vai para o zag. E o caçador falha o tiro!
A decadência do país, começa pelas pessoas que se encontram à frente das instituições…se estas não vivessem à sombra dos outros, não passariam de “pastores”, a roçar o cabresto da besta, que são eles próprios.

“Memoria iusti cum laudibus, et nomen impiorum putrescet”. [Vulgata, Provérbios 10.7] A memória do justo será acompanhada de louvores, e o nome dos ímpios apodrecerá.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

AMIGOS QUE SE PERPETUAM

Não é fácil gerir sentimentos. Diversas interpretações se colocam, por vezes, diante das mesmas situações. Tudo depende dos interlocutores.
As formas de sentir são sempre diferentes. Cada um de nós sente de modo diferente.
A importância de determinados acontecimentos na vida, de alguém, tem o valor que essa mesma pessoa lhes atribui.
Não são forçosamente valorados da mesma forma pelos outros. Mas, existe sempre uma necessidade, em cada um de nós, de avaliar os nossos, comparando com os outros.
Nunca somos suficientemente felizes, mas comparando com os outros, somos os mais infelizes, quando somos confrontados com alguma vicissitude da vida.
Por exemplo, a doença. Sim, porque a valoração que damos ao nosso problema é sempre maior do que os outros, principalmente, quando não temos os outros perto de nós, de modo a que possamos inteirarmo-nos, do seu sofrimento e das suas angústias.
E, porque se trata da nossa própria vida.
Que sentido faz a vida, se nós não participamos nela? Quando muito, antes de se partir, preocupam-nos as pessoas que amamos.
Eventualmente, uma manifestação de egocentrismo, no seu ponto mais alto. Não deixa de ter alguma legitimidade para se actuar deste modo. Ao fim e ao cabo, trata-se da nossa própria vida. E, como diz o ditado, se tiver que ser, "antes ele que eu"!
Mas, quando numa sala de estar de um hospital oncológico, nos cruzamos com alguém, com quarenta e poucos anos, mãe de um filho com onze anos de idade, em que o azar bateu, primeiro no cólon dos intestinos e depois, viajou até ao fígado, subindo aos pulmões e se procura, em todas as alternativas, a vida, não conseguimos ser insensíveis.
Porque, o combate pela vida, primeiro nos hospitais de Lisboa, depois em França e por último em Espanha, não nos deixa, de modo nenhum insensíveis.
Uma experiência, em que se tenta todas as hipóteses, para conservar o que de mais rico temos em nós, a vida. E esta experiência é de imediato, partilhada, de um modo desinteressado e até entusiasmante, como quem pretende dizer: “ partilha a minha experiência, porque vale a pena, para tentares salvar a tua vida”. “Vê o que eu tenho conseguido”! “Com tudo isto, e até agora, resisti.” “Portanto, se eu consegui estas “vitórias”, também podes conseguir.”
No íntimo, tenta-se “acompanhar” o outro. É bom sinal…porque significa que se está a acompanhar.
Este dar, está relacionado com a vida. Procurar que o outro tenha, também vida. Porque se resultar com ele, então, também resulta comigo. Logo, porque não havemos de partilhar a vida e os sucessos que possamos ter, para manter a vida?
A pessoa humana é de facto espectacular…porque partilha a vida, quando lhe vê escapar a vida. Mas, por natureza, quando temos a ideia de que somos donos da vida, temos dificuldade em partilhar, algo na vida. Nessa altura, escondemos os segredos da nossa vida. Não vá o outro, ter mais sorte, do que eu, na vida!
Na realidade, quando aquilo que procuramos é só, manter-nos vivos, vale tudo, inclusive, partilhar os nossos sucessos de sobreviver, perante a “pandemia” do século.
Ficam para trás, os interesses materiais e aqueles, que à partida, orientaram a vida, pensando que eram donos da mesma.
A conversa entre duas pessoas ou mais, que se encontram, na sala de espera de um hospital oncológico, não passa pelos sucessos comuns da sua vida, nem tão pouco, os sucessos e êxitos dos filhos, mais pródigos ou não, que cada um de nós pode ter, e que, de certo modo, espelham a maravilha que somos ou a nossa continuidade, ilustrando toda uma vaidade, que fica muito aquém, do que é a preocupação, de quem só quer salvar a vida e partilha os seus conhecimentos e experiências, procurando dar vida. Porque a vida dos outros, neste caso, pode espelhar a sua própria vida.
Mas, numa sala de espera, nem só as pessoas “apanhadas” pela doença, fazem parte da assistência. Estão presentes, também, quem acompanha os doentes, procurando manter um determinado ambiente, de um modo altruísta e autodidacta. Sim, autodidacta, porque, se é o próprio paciente que tem de aprender a “viver” com a doença, quem o acompanha tem, a todo o momento que aprender, por si próprio, a ultrapassar os momentos de declínio, nas diversas fases da doença.
Muitas vezes, uma notícia de que a situação está estável, representa um sucesso, que não deixa indiferente ninguém e que é, sempre, um sinal de esperança e de vitória Do mesmo modo, quando a notícia é menos favorável, a força anímica tem que ser encontrada de imediato.
Também aqui, se encontra um “elo” de solidariedade, que só é entendível, por quem vive e acompanha um paciente, que dia após dia, vai espectando, para que o “euromilhões”, não saia nos próximos exames médicos.
Vale a pena combater, aquele conjunto de células que entendem falar outra língua, de modo que ninguém as entenda, para baralhar a vida. Assim, como vale a pena, acabar por conhecer, quem também fale a”língua” de quem está doente e que, sem preconceitos, sem vaidades, acaba, ao transmitir as suas experiências, por dar alento ao companheiro(a) de infortúnio.
E quem tiver a sorte, de ter por perto, quem acompanha, e que vive as alegrias, das boas notícias, mas consegue encontrar, também, de imediato, a força anímica necessária, a minimizar as más noticias, acaba por ter sorte, no azar. Talvez, tenha dentro do azar, a sorte, de ter uma das maiores sortes da vida…o de na realidade, com toda a certeza, encontrar amigos, que se perpetuam, para além da vida.
Porque não é possível viver uma vida com estas ligações, sem que as mesmas, não se perpetuem para sempre.


“Malorum in una virtute posita sanatio est.” [Cícero, Tusculanae Disputationes 4.15] A cura de todos os males está exclusivamente na virtude.


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A DECADÊNCIA DE PORTUGAL – DUZENTOS ANOS DEPOIS

Nos últimos duzentos anos, Portugal, tem sido o palco dos caracteres corrompidos, numa prática de vida de conveniência.
Parece que tudo começou a destrambelhar, desde a primeira “Carta Constitucional”.
Foram anos de lutas e debates, em que o país se foi afundando. Até que a ideia começou a germinar, que seria a República a solução dos males, até então vividos. Assim não foi, porque o país continuou em completa pobreza, ainda, por cima, com a entrada, na fatídica primeira guerra mundial.
Golpe de Estado! Estado Novo. O país começou a desenvolver-se, devagar, em função das suas posses. Ensino primário com a construção de escolas, novos hospitais, como foram o de Santa Maria, em Lisboa e o S. João, no Porto e por aí fora.
Mas, o sistema de governo não era democrático. A democracia sim, essa é que entregaria ao povo a liberdade e o progresso. Não nos podemos esquecer, do desenvolvimento industrial, embora condicionado, que o país beneficiou, nesta época. Um dos exemplos foi o complexo industrial do Barreiro, a CUF e nos anos sessenta a indústria dos países da EFTA.
Porque, hoje, voltei a reler um pequeno texto, de Eça de Queirós, que continua a ter a mesma força, que teve, quando o escreveu, tomo a liberdade de o transcrever, porque, acho, que, tem o mesmo vigor de outrora, em relação a um país que depois de beneficiar de milhões e milhões de euros, continua em decadência acelerada.

“A DECADÊNCIA DE PORTUGAL”

“O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos e os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido, nem instituição que não seja escarnecida. (veja-se o Governo, o Parlamento, os Tribunais, etc.). Ninguém se respeita. Não existe nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Já se não crê na honestidade dos homens públicos. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. OS serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao caso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Todo o viver espiritual, intelectual, parado. O tédio invadiu as almas. A mocidade arrasta-se, envelhecida, das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce…O comércio definha, a indústria enfraquece. O salário diminui. A renda diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.”

Uma Campanha Alegre – Eça de Queirós

“Per multum “cras, cras”, omnis consumitur aetas.” [Binder, Thesaurus 2534] Com muito amanhã, amanhã, perde-se o tempo todo.