quarta-feira, 24 de novembro de 2010

GOVERNO ADERIU À GREVE

Notícia de última hora: “ O Governo aderiu à greve”. Na realidade era um sossego, que o Governo ficasse quieto. Poupava no papel higiénico, que se gasta nos ministérios, com tanta borrada que é feita. Economizava energia. Menos ventoinhas a funcionarem para produzir electricidade que fica mais cara que a produzida por outros meios, pois é subsidiada, embora seja mais uma das panaceias dos idiotas que pululam por aí. Nunca mais se falou ou discutiu as centrais nucleares, porque já temos uma junto à fronteira. Só que não é nossa. Só será nossa se alguma coisa correr mal…
Entretanto, e na senda da última greve geral, temos os mesmos senhores a fazer greve…transportes públicos, professores e enfermeiros e outros.
Os transportes públicos só beneficiam os ricos…a malta que ganha bem e que não tem dinheiro para ir de automóvel.
Este meio sempre foi precioso para condicionar, todos os trabalhadores que não têm outro remédio, senão utilizar os transportes públicos. E são uns milhares largos, basta ver o número de pobres que tem Portugal e que trabalham. Sim! Não são os que vão vivendo dos expedientes dos subsídios, baixas fraudulentas por doença ou que não aceitam um trabalho porque não compensa, em face do valor do subsídio de desemprego, versus o que paga o patronato e ainda os que conseguem aldrabar as juntas médicas e vão para a reforma, etc.
Os professores estão com péssimas condições. Porque é que eu não fui, antes, para professor primário? Com a idade que tenho, estava na reforma, com mais de 2.600 euros por mês. Assim, só tenho direito à reforma, quando tiver mais de 65 anos de idade e a mesma, será cada vez menor. Pois, pudera! Tenho de continuar eu, e tantos outros, a trabalhar para esta treta. E tudo isto, foi conseguido, com o 9.º ano de escolaridade e mais dois anos de didáctica A e B.
E andei eu, a vida inteira, a estudar! Para passar recibos verdes, como advogado, são 7 anos, depois de 12 anos. E se for para dar umas “aulitas”, numa universidade, a recibo verde, ainda temos mais 3 anos, no mínimo e para quem consegue acabar a tese final, neste prazo. Sim, porque as universidades do Estado estão cheias dos primos, cunhados, amigos e outros quejandos tais.
Quanto aos enfermeiros, estão mal, sim senhor. Até já tem uma “Ordem” e tudo, e começam a trabalhar nos Hospitais do Estado a ganhar menos que os professores primários.
Por mais “ordens” que criem, não conseguem pôr este país na “Ordem”.
Em alternativa, poderia ter tirado um curso de três anos de ginástica, na tropa, e hoje, estava na reserva a mamar do bem-bom. Direito a almoçar por preços módicos nas cantinas, a beneficiar dos hospitais militares e sei lá que mais.
Senhores sindicalistas! O Governo está-se nas tintas, para greves! Quantas paralisações já tivemos este ano? Recordo-me dos dias de paralisação, quando da visita do Papa. O último, foi a tolerância de ponto, no dia 19 de Novembro, de 2010. Falta contabilizar, as pontes que vão sendo feitas durante o ano. Mais um dia de paralisação? Qual é o problema?
O problema está no pessoal, que vai continuando a votar nesta farsa, de uma democracia representativa e, que vai alternando esta maralha no poder. Se querem “ajudar” o país, senhores ministros, façam greve! O povo agradece!

“Graviora manent.” [Virgílio, Eneida 6.84] O pior está por vir.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

PORTUGAL NÃO PRECISA DE AJUDA

Minha rica, mãezinha. Que saudades que tinha. Esta coisa da NATO deixou-me completamente extenuado. A correr de um lado para o outro. Mas viste que não se falou de outra coisa, senão de Portugal e a sua capacidade de vender “capacetes anti -míssil”.
Parece que até em Oeiras se fez um novo bolo com o nome de Obama. Fantástico. Um dia destes tenho de pedir ao Marco que me leve até essa pastelaria, pois não posso deixar de “comer” um Obama.
O quê? O António Costa fez aquela cena de não dar tolerância de ponto em Lisboa? Oh, mãezinha…essa foi mais uma cena daquele mariola. Também se está a perfilar para a corrida, como se eu fosse desistir da mesma. Vão ter que me aguentar.
Portugal não precisa de ajuda, graças a mim e ao meu governo. Foram estes seis anos de governação que fizeram com que o país não necessitasse de ajuda. Contrariamente à Irlanda. E não sou eu que o digo, é o actual e futuro Presidente de todos os portugueses.
Sim, mãezinha, o Pateta não tem hipóteses. De outro modo eu não andava tão sossegado com o Aníbal. Ora essa!
Mas, quem é que se anda a colocar em posição para comprar divida pública portuguesa é Timor, depois de Angola e dos Chineses? Oh, mãezinha! Eles compram porque querem. Porque sabem que isto é um bom investimento. Acreditas que de outro modo as coisas eram assim? Não, mãezinha! Eles compram dívida portuguesa, porque têm a certeza que nós não precisamos de ajuda e que vamos pagar esta coisa, continuando a contrair mais empréstimos. Oh, mãezinha…isto é como o cartão de crédito. Quando acaba o limite de crédito num cartão, nós começamos a utilizar o outro cartão. Ah, os juros? Não te preocupes. Isso é para ir pagando, também. Como? Oh, mãezinha, com mais impostos, é claro. Como é que estavas a pensar que era? A vender Magalhães, não? Não me faças rir.
Fizemos aquela treta da demagogia de cortar 5% nos gestores públicos. Agora, vai toda a malta levar com a redução no ordenado. E o resto das medidas? Mãezinha, nem te vou, nesta cartinha de família, explicar a marmelada que vai dar. Mas não pode ser de outra maneira. É assim, que Portugal não precisa de ajuda.
Quando formos ao fundo é sem ajuda! A ajuda é precisa é depois. Depois, do país estar no fundo. Vai para mais de seis anos que desgoverno esta trampa e ainda não entendem nada do que eu digo?
Beijinhos mãezinha. Vou ver se como um “Obama.”

PS: Não te preocupes com os “doces” que eu como. A correr desta maneira, dou cabo dos açúcares todos. Nem no dia 24 eles me põem azedo.

"Crebro ignoscendo facies de stulto improbum." [Publílio Siro] Perdoando sempre, de um tolo farás um mau-caráter.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

UMA NOITE NUM HOTEL

A corista entrou na sala. Com o seu ar sobranceiro, martelando os tacões dos sapatos no chão, como a dizer…”aqui estou eu”. O “gigolô” com o ar de covarde, entrou de soslaio, como a dizer…”não sou de cá”. “O que me interessa são contas”!
A sala continua a sua actividade, como nada se tivesse passado, menos os que directamente estavam incomodados com a presença da corista.
Mas isto não é nenhum “pub”, nem tão pouco o “mercado do Bolhão”? Sem ofensa por tão dignas pessoas que levam a sua vida a trabalhar de modo honesto, mas em que a educação recebida e o ambiente à sua volta gerado, provoca manifestação de emoções, a que não estamos, normalmente habituados.
Havia um ex-cliente que era alvo da corista. Os amigos, incomodados de imediato, entraram num frenesim. Temos que o proteger desta “peixeirada”.
E ainda a sessão continuava, quando o ex-cliente e os amigos, preparam a saída, apressada.
Dirigiram-se a um elevador que tardava em chegar. E depois de entrados, tardava em descer. Neste percalço de tempo, a corista, mantendo a sua atitude, de quem está habituada a andar na vida, entrou de rompante e procurou agredir o ex-cliente, como se este se tivesse “pirado” sem pagar a última noite.
Entre tentativas e ameaças, mostrou-se uma mulher determinada, acabando por dizer…”tenho uma arma… dou-te um tiro na cabeça”.
Quer dizer, que nem deu opção de escolha. Tinha que ser na cabeça. Alguma fixação se calhar, pela cabeça do ex-cliente.
É bem feito. Eu próprio, dou conselhos, que a malta não se deve meter com mulheres deste “calibre”. Vejam lá, se o ex-cliente alguma vez engravidasse a corista? Deus me perdoe, mas seria um filho da p…? Tal como o “gigolô”?
Já depois de dominada, a corista, também conhecida pela “two faces”, entrou num choro, que quebra o coração dos homens menos prevenidos.
Ora, uma corista, já com uma idade respeitável, deveria ter junto algum dinheiro para as adversidades da vida, entre elas o de poder comprar umas calças ou uma saia, para não se apresentar, com o fato de trabalho. Sim, porque um casaquinho curto de pele de coelho, não dá estatuto a ninguém. Faz é realçar o estatuto da “profissão”.
Esta é mais uma peripécia, vivida num Hotel. Quantas haverá? Maiores, melhores? Mais requintadas?
Afinal, um Hotel deve ser um local para descanso, realização de eventos ou para uma noite de amor. Não de zaragata!

“Mulier in aedibus atra tempestas viro.” [Grynaeus 252] Mulher de rixas em casa é tempestade para o homem

sábado, 13 de novembro de 2010

A VIDA “PASSA” POR NÓS



Começamos por não ter a noção de quem somos. Quando olhamos, ao nosso redor, a primeira vez, vimos a imagem de quem se encontra perto de nós. Aprendemos a ser protegidos e vamos, a partir daí, procurar a vida inteira, a protecção.
De acordo com o nosso crescimento, aprendemos, também a dormir. Encontramos posições diversas, de acordo com a postura que temos na vida. Mais descontraídos ou mais retraídos, conforme se vai sentindo a protecção, que se tem na vida e o nosso modo de estar, na mesma. São adaptações que funcionam, como escape, do que foi o dia. Quem não se adapta, por si só, tem de encontrar outros meios de se procurar proteger. Há quem não consiga dormir, e encontra, no apoio dos fármacos, a ajuda necessária. Há quem durma profundamente, como se a mente se refugiasse nesse sono profundo, recarregando baterias que se esgotam ao longo do dia.
E de adaptação, em adaptação, procura-se ao longo da vida, as realizações, aquelas que nos parecem ser a nossa satisfação. Também há, quem, depois de um sono profundo, normalmente, com ajuda dos fármacos, não tenha a força de vontade necessária, para as suas realizações. É como o deixar correr a pena, de tal modo que a vida vai passando, mas, que nos importa, se a vida, nestes casos não faz grande sentido. Ou se calhar faz sentido, deste jeito.
De qualquer dos modos, a vida vai correndo. Vai passando por nós. Poder-se-ia dizer, de outro modo, mais bonito e filosófico, que nós, é que temos de passar pela vida. Outra forma de refúgio, perante as agressões da vida. É como se estivéssemos a adequar o nosso modo de dormir, em função da vida.
Passamos, deste modo, a vida, a proteger-nos. Mas, quando já não conseguimos proteger-nos, ficamos inteiramente à disposição dos diversos agressores.
Em Portugal, a família já é um lugar perigoso. Mas, os que se encontram fragilizados e que pensaram, toda a sua vida, que a sua protecção, continuaria, quando chegassem ao fim da vida ou, numa eventualidade, de uma vicissitude, daquelas manhosas, tal como a sentiram, quando a vida passou por eles, encontram, mais do que o abandono, a agressão física.
As estatísticas e as queixas não dizem tudo. A vergonha impõe-se e é mais forte do que o sofrimento.
Os fragilizados da vida, são hoje, vítimas de violência física, psicológica, sexual e económica. Quantos não “vivem”, a sua vida, “sequestrados”?
Quantas pensões não se encontram confiscadas, por aqueles que se dizem protectores?
“ Dantes na minha casa, no Natal, eram mais de vinte pessoas. Agora sou só eu”.
Estou a citar a declaração de alguém que, com 84 anos, foi barbaramente espancado pelo único filho, que “tem”. E porque estamos, hipocritamente, em mais uma época de Natal, talvez valha a pena pensar, que todos nós, que aprendemos a ser protegidos, podemos, um dia, não ter protecção.
Talvez a possamos encontrar, num qualquer supermercado, num stand de automóveis ou numa imobiliária. Quem sabe, se este é o caminho.
Mas, se a falta de protecção vai até à agressão física, a exploração económica é uma das queixas mais frequentes que chegam à linha telefónica do Provedor do Idoso. (http://www.provedor-jus.pt/idoso.htm)
Nos relatos apresentados, desde a neta que só visitava o avô no dia em que ele recebia a pensão – para ficar com ela –a uma idosa que foi posta na rua pela família por acharem que ficava muito dispendiosa.
Isto não é ficção. É a realidade de um país, de fortes inspirações cristãs e católicas, onde a miséria e a pobreza, parece que continua a ser o caminho, para a porta dos céus. Onde se continua a falar de caridade (conceito cristão) ou se fala de filantropia, conceito romano( 316 D.C.), contrapondo-se, ao do conceito de caridade, criado pela religião.
Às vezes, ponho-me a pensar se isto tem alguma coisa a ver com o crescimento do P.I.B. Ou se, eventualmente, é o TGV que nos levará à anarquia social, numa parceria público – privada.
Pública, porque o Estado começa a demitir-se e a empurrar as suas responsabilidades, que assumiu, no dia em que nos começou a “sacar” impostos, para uma dita “sociedade civil”, (que ainda não entendi bem o que é).
Privada, porque quem teve a oportunidade de “amealhar” durante a vida, “com protecção”, pode ir para o supermercado dos idosos ou dos fragilizados, e comprar o seu espaço de vida com dignidade e bem -estar, como se fosse a uma agência imobiliária.
Na realidade, a sociedade, já está a valorizar a pessoa, não pelo que esta aportou de experiência, conhecimento, trabalho e de protecção, aos outros, unicamente, como mais um produto de consumo. Estamos, todos nós, a viver o “stand da vida.” Neste caso, a sociedade está a proporcionar o “subsidio para abate”.
Nos próximos 40 anos, um terço da sociedade portuguesa será representada por uma população idosa.
Que se cuidem, os que tem trinta anos de idade, no momento em que escrevo este “post”.
A vida “passa” por nós!


“Sana me, Domine, et sanabor; salvum me fac, et salvus ero.” [Vulgata, Jeremias 17.14] Cura-me, Senhor, e eu serei curado; salva-me, e serei salvo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

VEM AÍ O FMI

Mãezinha.
Recebi a tua cartinha que acabei de ler. Sabes que estamos aqui numa de braço de ferro.
Nós fizemos as borradas e o PSD dá-se ao luxo de querer saber onde é que andámos a gastar o dinheiro, para que a divida tenha crescido exponencialmente de 2009 para 2010. Era o que faltava. Os culpados são eles.
Então, agora querem saber que despesa é que vamos diminuir para alcançar o défice de 4,6%? Já viste isto, mãezinha? Passa pela cabeça de alguém? Temos é que diminuir o défice e mais nada. E é isso é que eles não querem. Bem, quererem, querem. Mas querem reduzir a despesa. Não pode ser.
E depois, vêm com aquela cantiga de qual vai ser o futuro. O futuro? Estes gajos não compreendem que o que nós precisamos é de ter um orçamento? O futuro, depois, se vê. Os tempos de hoje, não estão feitos para andarmos a pensar no futuro. É por causa dessas coisas que nós não sabemos o futuro. Se fosse para isso, em vez do Teixeira, tinha mas é um tipo a deitar os búzios e adivinhar o futuro.
Ao longo dos anos que temos vivido assim…sem futuro. Fazemos um orçamento, se a coisa der para o torto, alteramos o orçamento, e no final do ano, depois de todos os desvios apurados, e mais aqueles que vamos encobrindo, com a desorçamentação, fazemos um novo orçamento.
Isto é uma embirração do PSD. Logo agora, que tanto precisávamos de dinheiro emprestado. Se aqueles sacanas não se abstêm, vai ser uma chatice.
Se dá para fazer outro orçamento? Dar, dá, mãezinha. Só que eu quero este orçamento. Mais orçamento, menos orçamento, não vai adiantar nada. Quando chegarmos ao final do ano, se tivermos que acertar as contas, outra vez, aumentamos os impostos, reduzimos os benefícios e pronto.
A energia eléctrica pode continuar a subir. Os transportes a mesma coisa. Os benefícios nos medicamentos podem ser reduzidos. E, já agora, pode-se aumentar as listas de espera para as cirurgias e fechar as escolas, todas, que tenham menos de 30 alunos, já que 21 não chega.
O rendimento mínimo? Oh, mãezinha, com essa malta é que eu não me meto. Se não começava tudo, para aí, à navalhada. Cortar nos benefícios dos militares? Nem penses, mãezinha. Foi por causa duma merda dessas que o Marcelo Caetano se tramou.
Mas, fica descansada que, eu vou nomear para o próximo ano, uma comissão para estudar o futuro. Vamos contratar os melhores videntes, cá da praça, e eles que resolvam esta coisa, já que não temos economistas competentes, nem engenheiros, a sério, que levem a construção deste país para o futuro, de um modo equilibrado, eficiente e económico.
PS: Como vem aí o FMI, vê lá se ainda temos aquele espaço de escritório para arrendar.

Beijinhos!

«Multos expertus sum qui vellent fallere; qui autem falli, neminem.« [S.Agostinho, Confessiones 10.23] Conheci muitos que queriam enganar; que quisesse ser enganado, nenhum.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

ESTE ORÇAMENTO DÁ SEGURANÇA

Mê rico filho.
Já não me sentia tão segura como agora. Depois destas tuas palavras, parece que voltei a ganhar ânimo na vida. Se tivesse algum dinheiro, voltava a investir.
Ah! Mas, o que mais gostei foi de ver aquele negócio que tu fizeste com o Hugo Chávez. É pá, porreiro. O gajo chegou aqui, e em frente da televisão, disse logo à malta que comprava mais quatro ou cinco barcos. Agora já não são computadores Magalhães. Voltámos, finalmente, aos tempos gloriosos de vender barcos e ainda por cima para o teu fraterno amigo Hugo.
E o fato dele, giríssimo. Já pensaste em começar a largar os fatos “Armani” e começar a vestir como ele? Aquilo é que é “socialismo”. Tens que pensar numa dessas.
Sempre oportuno, mê filho. Consegues dar uma imagem que não há “pai” para ti. Agora, essa de termos um orçamento que dá segurança é que não me convenceu muito.
Então, vê lá. O leite com chocolate vai passar a pagar 23% de IVA. Este por esse motivo deixa de ir para as escolas, por causa do corte orçamental. Bem, sempre tens como substituto o vinho Camilo Alves que ao manter o valor do IVA, pode ser uma boa alternativa para os miúdos.
Já no meu tempo, havia “sopas de cavalo cansado”. Porque não reeditar esse velho princípio? Começares a dar “sopas de cavalo cansado” às crianças e cumpres o orçamento da educação?
Eu sei que não estás muito preocupado com isto. Primeiro, foi aquela medida demagógica dos 5% de redução nos vencimentos dos gestores públicos que ganham que se fartam. Só que te esqueceste que existem gestores públicos que têm um ordenado menor que um Director Municipal ou do que um Magistrado do Ministério Público ou de que um Tenente-Coronel na reserva.
Olhaste para os teus amigos da Telecom e, lá vai disto.
Vai ser giro é quando tocar aos 10%. Pois, porque para os administradores da Galp, onde está aquele entendido dos petróleos, que foi Presidente da Câmara do Porto, e que agora só ganha perto de quatrocentos mil euros por ano? Sim, esse! É que vai ser.
Portanto, prepara-te, para as greves. Conseguiste unir os do topo com a malta que está mais em baixo.
Eu sei que o Pedro vai ter que se abster. Sim. Eu sei! Eles quando foram falar com ele disseram-lhe logo: “Ò Pedro, não te esqueças que ainda tens uma carreira para fazer e vais precisar de emprego num dos Bancos”. Pronto, a recomendação está feita e o Pedro, abstém-se.
Mas mãezinha, isto não fica por aqui? Quer dizer que lá para Junho vai haver mais alterações?
Ainda me hás-de explicar, então, que merda de segurança dá este orçamento.

“Optimum condimentum fames.” [Erasmo, Adagia 2.7.69] ■A fome é o melhor tempero. ■

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

A MINHA MÃE PODIA TER SIDO MINISTRA DAS FINANÇAS


Perante a crise económica e financeira que Portugal está a viver, em que se vai até buscar o fundo de pensões da PT para amenizar o défice, recordei a minha querida mãe.
Se fosse viva, teria hoje cem anos de idade. Que saudades que tenho dela e hoje, vou ter que lhe fazer justiça.
Um dia, já lá vão muitos anos, dizia-me ela: “ Filho, eu também era capaz de ser Ministra das Finanças” (sic).
Eu sorri, e na minha ingenuidade, disse: “ Mas, mãe… não tens conhecimentos para ser Ministra das Finanças”. Ao que ela me retorquiu: “estás enganado, meu filho. Era mesmo capaz”. E a conversa ficou por ali, pois, fiquei na dúvida se ela estava a brincar comigo ou se estava a falar a sério.
Bom! Passados estes anos, chego à conclusão que a minha mãe falava a sério. E vou-vos dizer porquê.
Éramos uma família de quatro filhos, mais a minha mãe e o meu pai. Só o meu pai é que trabalhava fora de casa e, portanto, o único que poderia trazer proventos para sustentar estes matulões. Todos eles a comer, vestir, calçar e a estudar.
Ela estava cingida ao ordenado que o meu pai trazia para casa. Não tinha a prerrogativa de “decretar,” ao meu pai, e dizer: “dá cá mais dinheiro”.
Isso teria como resultado, o meu pai chegar à empresa, e dizer: “preciso de aumentar as minhas receitas para fazer face às despesas lá em casa”. “Aqueles matulões, agora, querem mais automóveis, querem abrir mais umas delegações dos bailes de garagem, na casa dos vizinhos. Portanto, meus senhores, toca de aumentar as receitas cá do João. E, ainda no mês passado, tive de fazer uma festa de aniversário de um dos meus filhos, gastei uma pipa de massa e o ordenado não chega”.
Na realidade, isto não era possível. Nem a minha mãe podia impor ao meu pai, mais dinheiro, nem o meu pai, podia dizer ao patrão, por decreto, “dê cá mais dinheiro”.
A minha mãe tinha de governar a casa, com o dinheiro que o meu pai, todos os meses, trazia para casa. Se não havia dinheiro para festas, não se faziam as festas. Se não havia dinheiro para as rambóias dos matulões, que remédio, ficassem em casa, a ouvir as rádio novelas do “OMO”, lava mais branco.
Hoje, quando vejo o PEC 1, o PEC 2, o PEC 3, não sabendo onde acabam os PECS, e quantas vezes mais, vai o Governo aumentar as receitas, porque não acaba com a rambóia dos matulões que tem no Governo e delegações associadas, nas festas, nos automóveis, nas empresas inviáveis, que proliferam no universo do Estado, as inúmeras entidades reguladoras que não regulam coisa nenhuma, tenho que fazer-te justiça mãe: “Podias ser Ministra das Finanças, sim senhora”. Pois conseguiste, educar quatro filhos e nunca faltou pão à mesa, com o magro ordenado que o pai, todos os meses do seu trabalho, trazia para casa. E quando partiram, não deixaram dívidas aos filhos. O que já não se pode dizer deste governo que quando partir deixa o país na miséria, depois de nos pôr a passar fome.

« Ius non patitur ut idem bis solvatur. » [Jur / Black 1046] A lei não admite que a mesma coisa seja paga duas vezes.

sábado, 9 de outubro de 2010

ADAPTAÇÃO DOS VERSOS DA “TROVA DO VENTO QUE PASSA”



Para meditar! Ao ponto a que está a chegar o nosso país. Quem disser o contrário ou é louco ou anda a snifar!Com ironia fiz esta adaptação destes versos lindos. Mas com a consciência da fome que anda escondida e envergonhada por este país, a caminho do socialismo.



Pergunto ao vento que passa
para onde vai o meu país”
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
o vento nada me diz.

La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la, [Refrão]
La-ra-lai-lai-lai-la, la-ra-lai-lai-lai-la. [Bis]

Pergunto aos rios que levam
tanta merda à tona das águas”
e os rios não me sossegam
“levam merda deixam mágoas.”


“Levam merda deixam mágoas”
ai rios do meu país
“minha pátria à tona das águas”
para onde vais? Ninguém diz.

[Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
“que já não acredito no meu país.”

Pergunto à gente que passa
“por que vai de olhos no chão.”
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

“Vi secar os verdes ramos”
“tortos e para o chão voltados”.
“E a quem gosta do Sócrates
vi sempre o rabo curvado.”

E o vento não me diz nada
“nem o Sócrates diz nada de novo”.
“Vejo minha pátria desgraçada
nos braços de um polvo.”

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

“Vi submarinos a partir
(minha pátria debaixo de água)
vi minha pátria murchar
(folhas secas, secas mágoas).”

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vejo-te crucificada
“nos braços negros da fome.”

E o vento não me diz nada
“só o Sócrates persiste.”
“Vi minha pátria parada”
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
“se notícias vou ouvindo”
nas mãos vazias do povo
“vi minha pátria a murchar.”

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
“aqueles pra quem eu rescrevo.”

“Já não há uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que destrói
canções no vento que passa.”


Na noite mais triste
em tempo de servidão
“já não há quem resista
já não há quem diga não.”



PATETA ALEGRE
POETA

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

OS CONSELHEIROS DO PEDRO

Mê rico filho!
Não há dúvidas de que este país é de reconciliação e os políticos são todos altruístas e só pensam na nação. Para que não apanhemos nenhum ralhete da Comissão Europeia, não faltam os “conselheiros” que dizem que o Pedro deve apoiar o Orçamento. Até já dizem que ele há-de voltar à televisão ao programa “perdoa-me”. Estás cá com uma sorte…
Podes continuar a fazer asneiras, a dizer asneiras, que estás safo. Afinal, sempre tens no Barroso um amigo. Tu também sempre tiveste facilidade em arranjar amigos destes. São iguaizinhos a ti, mê filho.
Este ano, estás safo. O próximo é que as coisas se vão complicar um pouco mais, com o aumento do IVA para 25%. E mais uma redução nos salários. Esta malta vai começar a não entender nada disto. Nem os teus “camaradas”.
Afinal, segundo li, as deduções no IRS são também para valer. É assim mesmo, mê filho. Estes malandros da classe média andavam a abusar nas idas ao médico. Dá cá aquela palha, pimba uma consulta. Até ao dentista já iam mais vezes. Aliás, já se vê menos portugueses desdentados. Por falar nisso, vou aproveitar para fazer uma placa nova antes do fim do ano. Não vá esta começar a baloiçar demais com o pão duro que vamos comer para o ano e partir-se. E sinceramente, não sou muito apologista de açordas. Isso é mais para os alentejanos. Uma Beirã como eu, gosta é de dar umas trincas numa boa broa de milho, com côdea e tudo. Não é mê filho? Ah, já não comes disso? Agora são só “brioches”? Com essa dos “brioches” é que tu me entalas. Vê lá se isso não sai nos jornais. Não vão eles aportuguesar o termo e depois é mais um escândalo na imprensa.
No meu tempo não havia destas modernices. Onde é que se falava em “brioches”? Nem pensar…
Mê filho! Com esta conversa até já se me abriu o apetite. Vou dar uma dentadinha no “cacete” que acabei de comprar na padaria, bem quentinho. Ponho-lhe um pedaço de manteiga e até me lambo toda.
Beijinhos e não te esqueças de pôr o euromilhões. Com a sorte com que andas pode ser que ainda te saia o primeiro prémio.
Dá noticias.


"Miserum istuc verbum et pessimum est ‘habuisse’ et nihil habere." [Plauto, Rudens 1243] É triste e muito ruim essa expressão ‘ter tido’ e não ter nada.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

DAQUI NÃO SAIO, DAQUI NINGUÉM ME TIRA

Mãezinha, isto é uma pouca-vergonha.
Então, não é que o Paulinho disse no Parlamento para eu me ir embora? E eu respondi que quem tira e põe, é o povo. Não é mãezinha?
Daqui não saio, daqui ninguém me tira. Era o que faltava. Eles bem podem “chumbar” o orçamento! A mim não me faz diferença, porque o Professor já disse, para o PSD se abster. Ele sabe o que diz…pode ficar com uma redução no salário lá da Faculdade, mas dou-lhe a contrapartida de uns pareceres. Não é mãezinha? Temos que ser assim na política. Uns para os outros!
Também, os únicos que estão preocupados, com a redução dos salários, são os funcionários públicos. Mas, a malta que tem rendimentos de apartamentos ou contas nos “offshores”, não se ralam com isto, mãezinha. De qualquer das maneiras, a rapaziada dá sempre um jeito nos rendimentos. Ou não é? Cunha aqui, cunha acolá e sempre pinga algum. Para mim é que é complicado, que vivo só com o ordenado de primeiro-ministro e ainda tenho prestações dos apartamentos para pagar.
Por outro lado, se saio do Governo, lá se vão os lugares todos, para os jovens do PSD, e o que é que eu faço, à malta do PS? Não sabes, mãezinha?
É uma grande embrulhada. Além do mais, os lugares nas ONGS estão todos preenchidos e eu tenho de esperar que o Barroso regresse ou que o outro fuja da Comissão para os Refugiados.
Vou para ao pé de ti? Fazer o quê, mãezinha? Tricô? Não sei fazer mais nada!
Ah! Volto a fazer projectos de arquitectura? Mas, quem é que me quer, depois de ter visto a merda das obras que eu fiz? A única obra que poderia deixar para as novas gerações, era o TGV. Nem isso me deixaram fazer.
Telefono ao Hugo Chavez? Para quê, mãezinha? O gajo também está aflito. Aquilo não está a correr nada bem. Vender mais computadores, lá para aquela oficina que montava os “Magalhães”? Mãezinha! Com essa dos Magalhães, fiquei farto da informática.
Em alternativa vou é para Angola, vender “cimento” à colher!
Mas não te preocupes. O Manel ainda vai ganhar isto e ele não demite os “camaradas”. O PSD vai ganhar as eleições? Não te preocupes, mãezinha. De qualquer das maneiras, o povo gosta tanto de mim que voltam a pôr-me no Governo.
Eles sabem que mudar as moscas de nada serve, porque a merda é a mesma.

“Malis mala succedunt.” [Erasmo, Adagia 3.9.97] ■Males a males sucedem. ■Uma desgraça nunca vem só.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A IMPLANTAÇÃO DA REPÚBLICA PORTUGUESA

A Implantação da República Portuguesa foi o resultado de um golpe de estado organizado pelo Partido Republicano Português que, no dia 5 de outubro de 1910, destituiu a monarquia constitucional e implantou um regime republicano em Portugal.
A subjugação do país aos interesses coloniais britânicos da família real, o poder da igreja, a instabilidade política e social, o sistema de alternância de dois partidos no poder (os progressistas e os regeneradores), a ditadura de João Franco a aparente incapacidade de acompanhar a evolução dos tempos e se adaptar à modernidade — tudo contribuiu para um inexorável processo de erosão da monarquia portuguesa do qual os defensores da república, particularmente o Partido Republicano, souberam tirar o melhor proveito. Por contraponto, a república apresentava-se como a única capaz de devolver ao país o prestígio perdido e colocar Portugal na senda do progresso.
Após a relutância do exército em combater os cerca de dois mil soldados e marinheiros revoltosos entre 3 e 4 de outubro de 1910, a República foi proclamada às 9 horas da manhã do dia seguinte da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa. Após a revolução, um governo provisório chefiado por Teófilo Braga dirigiu os destinos do país até à aprovação da Constituição de 1911 que deu início à Primeira República. Entre outras mudanças, com a implantação da república, foram substituídos os símbolos nacionais: o hino nacional e a bandeira.
Estamos a comemorar os cem anos da República e a questão que se coloca é se o país, não estaria, no mesmo estádio de desenvolvimento, se não houvesse república.
Os ideias da República, segundo Eça de Queiróz, eram que o pensamento e a ciência são republicanos, porque o génio criador vive de liberdade e só a República pode ser verdadeiramente livre [...]. O trabalho e a indústria são republicanos, porque a actividade criadora quer segurança e estabilidade e só a República [...] é estável e segura [...]. A República é, no Estado, liberdade [...]; na indústria, produção; no trabalho, segurança; na nação, força e independência. Para todos, riqueza; para todos, igualdade; para todos, luz."
Durante anos foi a confusão do período, hoje designado, como da primeira república. Havia liberdade? Havia segurança e estabilidade? O país era independente? Havia riqueza para todos, igualdade?
Percorremos 48 anos de isolamento político, num período que alguns não consideram republicano. Mas, depois do 25 de Abril de 1974, segundo os mesmos, estamos no período da segunda República.
Que pensaria Eça de Queiroz? Que somos um país em que existe uma actividade criadora, onde existe segurança e estabilidade? Somos independentes? Qual o conceito de independência?
Uma coisa, eu tenho a certeza! É que não há riqueza para todos, só para alguns e igualdade, muito menos, embora se tenham criado as “novas oportunidades”.
Sou bem levado a crer que o problema do desenvolvimento de um país e de um povo, não está na República, como se calhar não está na monarquia. Está no próprio povo!
Mas já que estamos numa República que faz cem anos, viva a República e melhor sorte para este povo que tem de mudar o seu comportamento perante as necessidades nacionais, se almeja um dia ter segurança, estabilidade, ser independente, se valer a pena, e que haja riqueza, pelo menos para os que trabalham e as mesmas oportunidades para se ter igualdade.

“Res inter alios acta aliis nocere non potest.” O negócio feito entre uns, não pode prejudicar a outros.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

QUEM ESPERA,DESESPERA!

Depois de tantas revisões Constitucionais, a Lei Fundamental do país, continua a apontar, no seu “preâmbulo”, que “ (…) o primado do Estado de Direito democrático e de abrir caminho para uma sociedade socialista, no respeito da vontade do povo (…)”.
Ainda será esta a vontade do Povo, representado na Assembleia da República, pelos deputados, democraticamente eleitos, mas inseridos nos partidos políticos, os únicos que possuem o monopólio de representar o povo?

É, no mínimo, curioso que decorridos tantos anos, depois da Revolução de Abril, ainda, temos de nos limitar, aos partidos políticos.
A Constituição até chega ao pormenor de ter normas programáticas, sobre a organização dos partidos, afirmando a determinada altura, o seguinte:
-“Os partidos políticos devem reger-se pelos princípios de transparência, da organização e da gestão democráticas e da participação de todos os seus membros”.
Mas, afinal o que é isto de transparência? O que é ”opaco” nunca pode ser transparente!
Não contestando a viabilidade política de alguns candidatos, indicados pelos partidos políticos e eu digo indicados, porque não existe nenhuma transparência na sua escolha e muito menos, esta é democrática. Deixemo-nos de hipocrisias.
Já lá vão uns anos que se fala de círculos uninominais, mas por obra e graça do espírito santo, e na senda da transparência e democraticidade, a Constituição contínua a entregar a política aos partidos políticos.
Porque não, a possibilidade de se constituírem grupos de cidadãos para se candidatarem à Assembleia da República? Por que carga de água é que esta possibilidade só se coloca nas eleições autárquicas?
A realidade é que os grupos de cidadãos que já se organizaram, em diversos concelhos, ganharam eleições, governaram e governam, com eficácia, transparência e em democracia.
É que na realidade, são a vontade do povo, embora mau grado a vontade dos partidos que assim não fosse, pois é mais um “concorrente” no mercado!
E por que é que são ganhadores os grupos de cidadãos? Porque estes grupos são liderados, por quem tem capacidade de liderança, muitas das vezes provas dadas, contrariamente aos “eleitos” pelos partidos políticos que não correspondem à vontade dos cidadãos.

Se a Constituição da República fosse revista, não seria bom, que assistimos, para a Assembleia da República, do mesmo fenómeno, que já é, felizmente, um dado adquirido nas eleições autárquicas?

É que, meus senhores, os partidos dispõem do poder, são governo, mas a relação concreta entre os seus actos de governo e os seus programas partidários, está muito longe da realidade. De tal modo, que o preâmbulo da Constituição nos “manda para o socialismo”. Bem podiam dizer que não nos gramam!
A fórmula partidária faliu. Está a chegar ao fim.
Basta observar, as tendências de grupos, de “clubes”, formados dentro dos partidos. Eles são seminários, conferências, numa tentativa de encontrar o que não existe, porque é utópico!

Os partidos em si, podiam e deviam ser um instrumento de soluções para o país, mas o “partidarismo” dá cabo dos partidos.

« Spes quae differtur affligit animam. » [Vulgata, Provérbios 13.12] A esperança que retarda aflige a alma. ■Quem espera, desespera.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

MUDADOS OS FACTOS, MUDA-SE O DIREITO.

Mê rico filho!
Gostei da tua última cartinha. Felizmente que não ficaste zangado com a tua mãezinha.
Mas, há coisas, que tenho vindo a ouvir, que não gosto nada.
Uma delas é que isto está cada vez pior. A divida pública não pára de crescer. O desemprego, aspas, aspas. E afinal, parece que o PIB, não cresce como devia de crescer. Que vais mesmo, ter de aumentar outra vez os impostos.
Mê filho! Onde é que a gente vai parar? Ah, não sabes? Então, quem é que há-de de saber? Diz-me lá?
É que os juros pagos pelos Estado pela dívida pública emitida hoje através IGCP subiram 17, 7 por cento a dez anos e 29,7 por cento a quatro anos, com a procura a exceder largamente a oferta.
É neste estado que vais deixar o Estado? Foi para isto que eu andei a esforçar-me toda a vida? Olha, mê filho…parece que só se perderam as que caíram no chão!
E depois, ainda, foste apoiar, o Manel, para Presidente da República? Então, não é que aquele tonto, ainda agora, disse que era contra a entrada do Fundo Monetário Internacional em Portugal, na sequência dos resultados sobre a execução orçamental? Então, se tu não percebes nada disto, e não consegues travar a despesa pública, quem é que vai pôr o país nos eixos? Não vejo outra hipótese, mê filho.
Mas olha que o Pedro, também deve andar a sonhar alto, pois, agora, veio dizer que os sociais-democratas estão abertos ao diálogo com o executivo. Os cortes na despesa pública são essenciais. Nas empresas municipais, por exemplo. Nas empresas municipais? Este tipo, também não se enxerga. Até parece que andaram os dois na mesma escola. Eu sei, mê filho que quando ele acabou o curso já estava a caminho dos cinquenta. Mas é isso mesmo, mê filho. Vocês, andaram o tempo todo nas “jotas” e depois os estudos ficaram para trás. Hoje é mais fácil? É verdade. Graças ao teu espírito aventureiro, criaste as “novas oportunidades”, e hoje, o que não faltam, são “novas oportunidades.” Até já temos atletas que entraram para medicina sem ter o 12.º ano.
Vai ser uma revolução socialista, sem dúvida! Nem dos “camaradas” se esperaria outra coisa, mê filho. A melhoria dos rácios, do analfabetismo encoberto, da “República laica e socialista”, a caminho do desastre.
Entretanto, continuas a distrair a malta. Agora, vai entrar na ordem do dia, o facto do Parlamento discutir em Outubro, os projectos de lei do PS, BE e CDS-PP sobre o chamado “testamento vital”.
E, o outro testamento? Aquele que eu gostaria de poder fazer, antes de morrer? Mãezinha, aí manda o Estado. Quem decide a quem podes deixar o teu património, é o Estado.
Pois é, mê filho. Mas já pensaste que isso está ultrapassado em face das novas realidades sociais? Quando na sociedade actual, a taxa de divórcio é de 52%? Significa que as famílias se estão a desorganizar e que as coisas não são as mesmas que eram vai para cinquenta anos.
Então, repara:
Um casal, homem e mulher casaram. Têm dois filhos. Passados, dez anos, divorciam-se. Os filhos ficam, como é “tradicional” debaixo da alçada da mãezinha. O pai, se pagar, dá uma pensão de alimentos. A senhora volta a casar. Quem vai ajudar a sustentar os filhos do primeiro casamento? É o padrasto! Logo, aqui começam as desigualdades.
Este novo casal constrói e adquire novo património, em que o padrasto, por exemplo, contribuiu com a totalidade do dinheiro. Entretanto, este morre!
Quem é que vai herdar? A mulher e os filhos, que existam, do primeiro e segundo casamento! Correcto. Só que quando a mulher morrer, os filhos desta, herdam muito mais, que os outros filhos do primeiro casamento, ou não? Onde é que está a justiça? E, se a senhora, entretanto, já tivesse filhos de outro casamento? Estes, sendo só enteados, pelo mesmo raciocínio, vão herdar, à morte da mãe, aquilo que o padrasto contribuiu, em detrimento dos seus filhos biológicos. Isto, mal comparado, é andar a sustentar filhos alheios. Faz-me lembrar o outro: “ Casaste com a minha mãe, tens que me aguentar”.
Isto tudo, porque o Estado, continua a encarar a realidade social das famílias, como no tempo de Júlio César!
Já para não falar, das centenas de idosos que são vitimas de violência e maus tratos dos filhos, mas que pela exigência da lei, vão depois herdar dos pais, que mal trataram em vida.
Isto é imoral!
Mê filho. Desculpa, mas com a minha idade, tenho andado a pensar na morte e tenho-me questionado, se tu mereces herdar alguma coisa!
Beijinhos desta tua mãe desiludida, pela porcaria que tens andado a fazer.
Vê-se se cresces, uma vez por todas.

“Mutatis factis, ius mutatur”. [Jur] Mudados os factos, muda-se o direito.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CONSEGUIMOS!


Mãezinha. Espero que esteja tudo bem contigo. Depois de almoço, estive a fumar um cigarrito e pus-me a pensar…O quê? Já devia ter deixado de fumar? Também tu, mãezinha? É só depois das refeições. Não te preocupes.
Mas veio-me à memória, enquanto dava umas “passas”, daquele grande discurso que fiz em 2005. Lembras-te, mãezinha?
Dizia eu…” Conseguimos. Conseguimos. A partir de hoje há, em Portugal, uma nova maioria e uma nova esperança”. Pois é, mê filho…que esperança! Deste, foi cabo desta porcaria toda! Já não há ponta por onde se pegue. Ainda me lembro, mê filho que disseste que “esta maioria não é apenas uma maioria de protesto é uma maioria para construir um projecto novo.” Mas que raio de projecto tinhas tu? É que eu lembro-me de dizeres, “que a maioria alcançada era uma alternativa, de uma ambição e de uma vontade de mudança em Portugal”. Nisso tu conseguiste, mê filho. Deste cabo do resto da Educação. Não deste? Até fechaste a Independente, onde se formavam grandes engenheiros. Ou estás esquecido? Na economia e nas finanças, levaste esta porcaria do país, à banca rota. Os juros continuam a subir e como diz o Pedro, estamos a aproximar-nos da Grécia. O que significa que nos vamos ver “gregos”. Ou não?
Mas foi lindo o discurso, principalmente, quando disseste para os dez milhões de portugueses que “O meu desejo é colocar esta vitória ao serviço dos portugueses, ao serviço de todos os portugueses. Em democracia há vencidos e vencedores mas não há excluídos. O P.S. não governará contra ninguém. Mas governará por todos e para todos como é o seu dever.” Não foi bem assim que tu fizeste. Tramaste a malta nas reformas, mas por outro lado, andaste a dar dinheiro à banca, a rodos, para eles depois emprestarem ao pessoal a juros cada vez mais elevados. Ou não foi?
Mê filho! Tu, às vezes, pareces que esqueces as coisas. Senão for a tua mãezinha a lembrar-te, pões esse ar de político e assobias para o lado.
Agora, quando tu disseste no teu discurso que “o meu desejo é que esta vitória sirva para restaurar a confiança. A confiança na nossa economia, a confiança nas nossas instituições, a confiança nos portugueses, a confiança no futuro de Portugal. Já é tempo de vencermos o pessimismo a descrença e a desilusão. Os novos tempos são tempos de esperança.”
Aqui, é que borraste a escrita, toda. Então, não me digas que a malta está com mais confiança? Com confiança na economia, com confiança nas instituições e com confiança no futuro de Portugal?
Deixa-te disso. Nunca mais voltes a prometer, aquilo que sabes que não podes, nem sabes cumprir. Quem é que acredita na economia? O desemprego está à vista, ou não? Quem é que acredita nas instituições? Os Tribunais estão à vista.Ou a justiça está bem? Não me digas que estás como o Ministro? E o ensino?
Mê filho, depois deste discurso, em que começaste por “Conseguimos”, faz, agora, uma pausa e diz, “ Desistimos”. Isto não tem futuro, porque tem um povo mandrião e aldrabão, useiro e vezeiro em aldrabices, desde o fugir ao IRS, passando pela falsificação de diplomas, até à moedinha no parque de estacionamento. É um povo que não sabe viver, senão, de “golpadas”. E enquanto, assim for, qualquer político serve, até tu, mê filho!
PS: Mê filho, não fiques zangado comigo, mas até eu, estou um pouco cansada disto. Mas, como mãe é mãe, continuo a gostar muito de ti, mesmo que só faças asneiras e digas calinadas.
Não, mãezinha. Não fico zangado, porque sei que tu, mais os portugueses, gostam todos muito de mim. Talvez tenhas razão, só que não posso dar o braço a torcer, não vá algum jornalista apanhar esta carta e depois, pimba. É um regabofe nos jornais.
Já estou a ver, em caixa alta: “ O ZÉ NÃO É O QUE É”.
Mãezinha, esta carta já vai longa, e eu tenho, ainda, umas coisitas para fazer, antes do fim-de-semana. Recebe beijinhos deste tê filho que nunca desiste…

“Post amara dulcia.” [Divisa] Depois do amargo, o doce. ■Depois do purgatório, a redenção.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

AMOR VERSUS CHULICE

Dentre todos os conceitos originalmente puros, que a humanidade foi invocando, através dos tempos, talvez nenhum outro tenha sido mais vilipendiado, mais achincalhado do que o expresso na palavra amor.
Pode falar-se do amor ao próximo. É hoje um amor complacente, falso, que com palavras doces, não é mais que, na maioria das vezes, uma anestesia, onde, temporariamente, a dor daquele que errou, o impede de reconhecer a causa do seu sofrimento, o que, infalivelmente, força a repetição futura desse mesmo sofrimento. Um amor que proporciona, um alívio momentâneo, mas que tem o preço da infelicidade perene; que magnanimamente distribui esmolas aos desvalidos, mas não sem antes lhes subtrair o tesouro da dignidade.
Essa nefasta concepção de falso amor disseminou-se como uma pandemia incurável, acabando por imiscuir-se em todos os campos da vida humana. E começa, logo, por ser praticado pelos governos, numa tentativa desenfreada de angariação de votos.
Se nos debruçarmos sobre muitíssimos casamentos ou uniões, estes exibem como esteio, para uma vida em comum, apenas a atracção física e/ou interesses financeiros, na procura de uma vida relaxada, sem a necessidade da dignificação, pelo trabalho e chama-se, então, essas contingências, unilaterais, de “amor”. E com isso os casais, ou melhor dito os parceiros de hoje, apenas ainda se esmeram em procurar a desresponsabilização perante as necessidades de partilhar, as vicissitudes da vida, como se fosse possível tal coisa em relação ao amor verdadeiro. Um amor verdadeiro, puro, não está sujeito a oscilações aleatórias de performances corpóreas ou fundamentado, na exploração financeira do parceiro que trabalha e sustenta a boa vida do outro, explorando, simultaneamente, os seus sentimentos. Ele é uma ligação espiritual de irradiações, totalmente independente de meras exterioridades físicas ou monetárias; por isso mesmo, também não envelhece com os anos, não se torna mais fraco ou menos interessante e nem mesmo se pode extinguir.
Mas, acreditando na evolução que tem caracterizado a nossa sociedade, chamem-lhe doenças mentais ou qualquer outra coisa, uma boa franja da população vai é procurando, no ócio e nos prazeres da vida, a exploração dos incautos que se lhes atravessam pela frente.
A este posicionamento de vida, em que se pode viver décadas, na exploração encapotada dos outros, mas em que a aparência do modo de vida, até, aparentemente, se enquadra nos cânones da sociedade, não é “amor”. É chulice !

“Amicus socius mensae non permanebit in die necessitatis.” O amigo companheiro de mesa não permanecerá no dia da necessidade. ■Amigo de mesa não é de firmeza. ■O pão comido, e a companhia desfeita.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Sócrates: "Portugal precisa de quem puxe pelo país"

Mê filho, tu andas, a exceder-te.
Vieste dizer que a economia portuguesa está melhor que o Vietnam. O que é de facto um feito extraordinário. Só tu, é que te lembravas de dizer uma “bacorada” desse tamanho. Mas, eu já te conheço. Tens uma lábia que nunca mais acaba.
Agora, ainda tens o descaramento de dizer que precisas que a malta puxe pelo país. Ainda mais? Então, temos sido, pior que, uns burros da carga, fartos de levar esta rapaziada às costas e, agora, ainda queres que a malta puxe?
Eu por mim, não carrego mais nada, nem estou na disposição de puxar, coisa nenhuma. Era o que faltava!
Ah! São as exportações? Mas, então o Magalhães não se está a vender? Então, que é feito daquelas empresas bestiais onde tu tens andado a fazer uns discursos? Então, tu vais visitar, a correr, os tipos, e eles, depois, não exportam? Andam é a fazer pouco de ti, mê filho.
Não te canses. Isto também, está quase a chegar ao fim. Deixa vir as eleições do Aníbal e depois já tens o Passos "de" Coelho a governar esta “coisada”. Não andes agora, aflito, à última da hora, a limpar a porcaria que andaste este tempo todo a fazer.
Afinal, onde é que tu ganhavas dinheiro? Não foi como primeiro-ministro. Portanto, já tens a vida “compostinha”, não vale a pena andares a arreliar-te. Aquelas transferências todas, feitas pelo tê tio, tê primo e por mim, embora sejam só 383 milhões, já remedeia. Ou não? Pelo menos, é o que disse aquele tipo da direita reaccionária, arguido com o Mário Machado.

Sempre é verdade que o Tribunal de Loures vai enviar para a Procuradoria-geral da República certidão com declarações de um dos arguidos no julgamento de Mário Machado, dirigente da Frente Nacional, sobre alegados documentos de fluxos financeiros que envolvem os teus familiares?
É que o arguido Rui Dias, amigo do Mário Machado, um dos oito, que estão a ser julgados, em Loures, pelos crimes de associação criminosa, extorsão, sequestro e outros, disse em tribunal que «tem na sua posse documentos que referem o desvio de 383 milhões de euros», envolvendo «o tio, o primo eu própria» e tu, mê filho.
Olha, mê filho. Eu não me lembro nada disso, mas se ele diz, é capaz de ser verdade, ou não?

É que o juiz do colectivo, da 1.ª Vara Mista do Tribunal de Loures sustentou a extracção da certidão pela «denúncia de factos graves». Olha, estou-me nas tintas. Seja o que for. Até lá, recebe muitos beijinhos da tua mãezinha, que já tinha saudades de ter enviar uma cartinha.

PS. Pelo sim pelo não, depois de fechar a carta é que me lembrei que não tinha enviado os dez euros para meteres aí, o euro- milhões. Sabe-se lá, mê filho... Pode ser preciso, um bocadinho de sorte.

“Monoculus inter caecos rex.” [Bebel 226] Entre cegos o zarolho é rei.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

COMO SE REZA O "PAI NOSSO"

Nos dias que correm, em que a confusão instalada na área da educação, por estes sucessivos governos, deu como resultado, algumas inovações linguistas, que dentro em breve, serão alvo de algum acordo ortográfico e que a própria Igreja, terá de adaptar, na celebração dos seus cultos.
Um dos exemplos está evidente. Nalgumas áreas de Lisboa, já se reza o “PAI NOSSO”, numa linguagem adaptada à nova realidade sociológica, imprimida e apadrinhada, por estes actos de experimentação, do novo ensino.

Hey brother que tás no alto
Não sejas cota não sejas ralha
Aceita no teu reino a maralha.
Tás a ouvir, Man? Yo !
Dá-nos os morfes do dia a dia
Desculpa lá qualquer coisinha
Qu'a gente perdoa-lhes também .
Livra-nos do mal, livra-nos da bófia .
Tu tens o power .
Tu tens a glory .
Agora, Man ,
Para sempre Man :
Fica cool !
Tasse bem ..
Yo
“Tasse bem…tasse! " Mais uns anitos e vamos ver onde é que isto vai parar.
Que o “Pai” nos proteja!

“Et gaudium vestrum impleatur.” [Vulgata, João 15.11] Que o vosso gozo seja completo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

A HISTÓRIA DA VIDA DE UM AMIGO

Lembrei-me da história de um amigo que foi vivendo um casamento de muitos anos, em que a senhora tinha um filho de outro casamento.
Educou o filho dela, como se seu filho se tratasse, e embora, também, tivesse um filho, mas que vivia com os avós maternos, acabou por maioria de razão, em dar mais ao filho da mulher do que ao seu próprio filho.
O seu próprio filho, não foi acarinhado, pela madrasta como se esperava, pelo menos como retribuição da dedicação dada, pelo seu marido, ao seu filho.
Decorridos vinte anos, a senhora ficou portadora de uma doença psiquiátrica, que no convívio fugaz das pessoas estranhas à casa, não se revela, e que é uma depressão recorrente psicótica.
É um transtorno que se caracteriza pela ocorrência repetida de episódios depressivos, sendo o episódio actual grave, com sintomas psicóticos, mas com antecedentes de mania.
Depressão endógena com sintomas psicóticos.
Em suma, Psicose maníaco-depressiva, forma depressiva, com sintomas psicóticos. Mas, o que é a psicose?
Esta é um estado anormal do funcionamento psíquico. Mesmo não sabendo exactamente como são as patologias psiquiátricas, podemos imaginar algo semelhante ao compará-las com determinadas experiências pessoais. A tristeza e a alegria assemelham-se à depressão e a mania, a dificuldade de recordar ou de aprender estão relacionada à demência, o medo e a ansiedade perante situações corriqueiras têm relações com os transtornos fóbicos e de ansiedade. Da mesma forma outros transtornos psiquiátricos podem ser imaginados a partir de experiências pessoais. No caso da psicose não há comparações, nem mesmo um sonho por mais irreal que seja, não é semelhante à psicose.
A essência da psicose, está, por exemplo, quando alguém nos conta uma história realista, dependendo da confiança que temos nessa pessoa acreditaremos na história. Na medida em que constatamos indícios de que a história é falsa começamos a pensar que o nosso amigo se enganou ou que no fundo não era tão confiável, assim. Nesse evento o que se passou? Primeiro, um facto é admitido como verdadeiro, depois novos conhecimentos ligados ao primeiro são adquiridos, por fim a confrontação dos factos permite a verificação de uma discordância. Essa forma de proceder, provavelmente, é exercida diariamente por todos nós. A forma de conduzir ideias, confrontando-as com os factos, é uma maneira de estabelecer o contacto com a realidade. O que aconteceria se essa função mental não pudesse mais ser executada? Estaríamos diante de um estado psicótico! Pois bem, o aspecto central da psicose é a perda do contacto com a realidade, dependendo da intensidade da psicose. Num dado momento a perda será de maior ou menor intensidade. Os psicóticos quando não estão em crise, zelam pelo seu bem -estar, alimentam-se, evitam ferir-se, têm interesse sexual, estabelecem contacto com pessoas reais. Isto tudo é indício da existência de um relacionamento com o mundo real. A psicose, propriamente dita, começa a partir do ponto em que o paciente se relaciona com objectos e coisas que não existem no nosso mundo. Modifica os seus planos, as suas ideias, as suas convicções, o seu comportamento, por causa de ideias absurdas, incompreensíveis, ao mesmo tempo em que a realidade clara e patente, significa pouco ou nada para o paciente. Um psicótico pode, sem motivo aparente, cismar que o vizinho de baixo está a fazer macumba para ele morrer, mesmo sabendo que no apartamento de baixo não mora ninguém. A cisma, nesse caso, pertence ao mundo psicótico e a informação aceite de que ninguém mora lá é o contacto com o mundo real. Explicação de como isso acontece é irrelevante, o facto é que o vizinho está a fazer macumba e pronto. O psicótico vive num mundo onde a realidade é outra, inatingível por nós ou mesmo por outros psicóticos, mas vive simultaneamente neste mundo real.

Podem imaginar, o que é viver com alguém, deste modo.
O filho, também um demente, depois do meu amigo ter sofrido de um cancro, começou a receber mensagens, sem qualquer explicação, de citações, do Dalai Lama, tais como: “O que mais surpreende é o homem, pois perde a saúde para juntar dinheiro, depois perde o dinheiro para recuperar a saúde. Vive pensando ansiosamente no futuro, de tal forma que acaba por não viver nem o presente, nem o futuro. Vive como se nunca fosse morrer e morre como se nunca tivesse vivido.”
Ora, o meu amigo, tinha perdido a saúde, e tinha levado uma vida de trabalho e de poupança, exactamente, com receio do futuro. As coisas imprevistas que nos podem suceder e uma delas, é a falta de saúde. Receber esta mensagem, via telemóvel, depois de um acontecimento desta natureza e que ainda estava presente, na altura, é no mínimo, um acto de terrorismo mental, pior que a coacção moral.
Numa tentativa continuada de viver, já com mais de trinta anos, à pala do padrasto, posteriormente, ainda lhe disse: “ Casaste com a minha mãe, tens que me aguentar”.
Este meu amigo vive esta realidade, há mais de quatro anos, da sua vida.
Ainda não se tinham passado dois anos sobre o primeiro infortúnio da doença, volta a ter outro cancro, noutro órgão.
Foi operado, e ao fim de cinco dias da operação, estando em casa, a mulher pergunta-lhe: “ Olha, onde é que tens o dinheiro?”. “Se tivesse acontecido alguma coisa?” (eu e o meu filho ficávamos tesos! Sublinhado meu).
Bom! Este meu amigo, não lhe bastava as doenças de que tinha sido acometido, ainda sofreu todos estes ataques, pelo enteado e pela mulher, focados nas possíveis poupanças que este tivesse feito, ao longo da sua vida.
Este “post”, pelas suas razões, já vai longo, e toda a história deste meu amigo, poderia dar um livro repleto de acontecimentos, que não são mais que uma vida vivida, infelizmente, pelos motivos invocados, uma infelicidade.
Mas deixo aqui, um desafio a todos os que se dão ao trabalho, de ler os meus postes…se tiver reacções positivas a este post, um dia que tenha mais sossego, escrevo um livro sobre a história da vida deste meu amigo, que pode ser um bom guia, para todos aqueles que o leiam, principalmente, os mais novos.
Já é difícil, viver a vida a dois, sem ter os filhos dos outros sob a nossa responsabilidade. Mas, depois de uma vida de trabalho, ser brindado deste modo, é um alerta, a todos e todas que queiram assumir esta responsabilidade…casar com alguém que tem um filho que criou desde pequeno e que leva a mãe ao estado mental descrito, por esta ter a consciência, de que ele é um mentecapto e demente, e tornando a vida, dos respectivos cônjuges, num completo inferno, ao cimo da terra.
Tenho grande admiração, por este meu amigo. Espero que ele não me leve a mal de escrever um pequeno trecho desta história, mas como não identifiquei ninguém, ele continua salvaguardado.
Meu amigo! Vê se encontras o modo de te libertar e viver a vida que ainda tens pela frente.
Mereces muito mais!


“Malis mala succedunt.” [Erasmo, Adagia 3.9.97] ■Males a males sucedem. ■Uma desgraça nunca vem só.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O SILÊNCIO DOS INOCENTES

Ensurdecedor é o silêncio prolongado.
O aldrabão, o mesquinho, o vigarista, esse, nunca se cala. Silêncio não é com ele, a não ser que o interpelemos, para nos explicar o que é que esteve a dizer. Mas, quando fala, fala e vai vendendo a banha da cobra, aquela que é boa para aplicar no calo, desaparece o dedo e fica o calo. É assim que muitos de nós ficamos, ao lidar com este tipo de gente. Aldrabados e vigarizados.
Não quer dizer que o silêncio também não seja uma maneira de nada dizer, para enganar freguês. Só que neste caso, do silêncio, quem se engana é quem faz a interpretação do que significa o silêncio do outro.
Quando ouvimos alguns políticos a palrar, já sabemos que nos estão a aldrabar. Parece que na maioria dos casos, até gostamos de ser aldrabados, porque é uma forma de sonhar com aquilo que não temos, nem poderemos ter. Estava-me a lembrar daquela aldrabice da criação de cento e cinquenta mil novos empregos. Ou da outra que não subiremos os impostos.
Portanto, do mesmo modo que o silêncio prolongado pode ser ensurdecedor, é igualmente, ensurdecedor, o palrar constante que os nossos políticos nos habituaram.
Durante este mês de Agosto, em que o país, quase que pára, faz-se um silêncio ensurdecedor, por vezes, entrecortado, por algumas algarviadas. Esta das algarviadas, fez-me lembrar aquelas que se dizem no Pontal. Mas não só. Outros grupos, também já adquiriram o hábito, para cortar o silêncio do “summer time”, e largar pela boca fora, umas algarviadas.
E assim se passa o verão, com as chamadas “reentres”, em que são dadas umas notícias soltas, como aquela dos mais faltosos na Assembleia da República, são os deputados do PSD. Recordei-me daquele “slogan”, “ a terra, a quem a trabalha”, para dizer, “Assembleia da República, a quem a trabalha”.
A crise há-de resolver-se. Não há nada, que bata no fundo que depois não suba, outra vez. Aliás, as notícias dadas pelo senhor primeiro-ministro contrariam, logo, aquilo que a oposição possa dizer. Esta malta, da oposição, são uns chatos. Têm que estar sempre a dizer mal.
Estamos quase, nas eleições presidenciais. Outra vez um barulho ensurdecedor, para que tudo fique na mesma. “É uma união de facto”, embora contrariado.
Mas tem sido assim e vai continuar assim. Pela estabilidade do país, vamos promulgando tudo, embora contrariados.


“Serpentem foves, et is te.” [Grynaeus 492] Tu acalentas a serpente, e ela a ti.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

A RAINHA DE INGLATERRA

A Rainha de Inglaterra é actual monarca do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, bem como Rainha de Antígua e Barbuda, Austrália, Bahamas, Barbados, Belize, Canadá, Granada, Jamaica, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadilhas, Ilhas Salomão e Tavalu.
Ora, nós em Portugal também temos uma Rainha de Inglaterra…o Procurador-geral da República. Só que esta Rainha não consegue estender os seus domínios até aos barbados sindicalistas. Por outro lado, estes é que lhe fazem a barba.
Se estivesse no lugar dele, com estas trapalhadas todas, tirava umas férias na Jamaica ou nas Bahamas. Afinal é território onde a Rainha é monarca. Mas, como não temos no nosso reino tão lindas paragens edílicas de férias, arrancava para a Amareleja que é um lugar sossegado e onde não existe mais nenhum agente do Ministério Público.
O Procurador não concordou com o projecto de despacho dos Procuradores, este poderia ter avocado o processo para si próprio, antes do despacho dar entrada. Só que esta decisão teria um forte custo político. Se o tivesse feito, teria dificuldade em negar a intenção de proteger o primeiro -ministro.
Afinal, sempre tem mais poderes que a Rainha de Inglaterra. Mas foi preferível, negar a ausência de poderes, para numa fase de proposta, impor a necessidade de mais poderes. Ora, se a estrutura é a que se conhece, poderia eventualmente, solicitar, em alternativa, menos poderes. Talvez cortasse alguma sobranceria à instituição a que se chama hoje, e mal, magistratura.
Porque se são uma magistratura, não entendo porque motivos têm um sindicato. Claro, que depois acontecem estas coisas…os funcionários, queixam-se ao sindicato dos chefes e pimba. Em primeiro lugar, o chefe não esteve presente na tomada de posse da nova direcção de sindicalistas. Também não desconta para o sindicato. Pior ainda. Começaram a dizer que a “Rainha” estava a converter a Procuradoria num quartel. Essa coisa de mandar mais que os sindicatos é errado. Nem a Rainha de Inglaterra faz uma coisa dessas. E não há cerimónia onde ela não esteja presente, mesmo que não goste nada. Uma Rainha que é rainha vai a todas, sempre com um sorriso nos lábios. É tal e qual, como diz uma procuradora do DIAP de Lisboa que afirma que os sindicalistas “têm uma atitude de rejeição à partida face à hierarquia”.
Portanto, proponho, que se mais nada houver a fazer, para remediar este caos, que o sindicato faça uma Assembleia e demita o Procurador. Podem, até, organizar gritos de protesto como: “Sindicato sim, procurador não”. “A luta continua, procurador para a rua”. “Viva a democracia, hierarquias não”. Ou então, como se trata de uma Rainha, podem ainda ter mais um grito de protesto, mais do contento da esquerda do caviar, daquela que é republicana e laica, que seria algo assim: “Viva a República, Monarquias não”.
“Res dare pro rebus, pro verbis verba dare solemus.” [Salvatore De Renzi, Collectio Salernitana 5.103] Costumamos dar coisas em troca de coisas, palavras em troca de palavras