quinta-feira, 5 de agosto de 2010

OS ILUMINADOS DO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

A educação, neste país, vai de mal a pior.
Ao longo destes trinta anos de democracia, aparecem, uns iluminados, com soluções de inovação que não lembra ao diabo.
Agora, levantou-se a polémica de não haver repetições de ano. Isto é, não existirem chumbos na escola. Se isto já estava pelas ruas da amargura, imaginem, o que não será num país em que as pessoas já não são motivadas para trabalhar, dizer a uma criança:
“É pá, se não estudares, não faz mal, porque é sempre a aviar”. Ou, “Não há chumbos para ninguém”.
Já não basta o que andaram a fazer com as novas oportunidades! Ainda me recordo dos famosos programas de formação profissional, financiados pela U.E. em que os grandes beneficiados foram a malta que dava “aulinhas” de Word. Gastaram-se fortunas, nesta brincadeira.
Eu estive a pensar nesta reforma e nas outras todas, que os iluminados do Ministério da Educação têm realizado e venho aqui propor, o seguinte:

De tudo o que tenho ouvido, a grande dificuldade dos nossos meninos, nos dias de hoje, está na matemática e no português.
Então, sugeria que fossem alterados os programas destas duas disciplinas:
A matemática, deixa de ser matemática e é substituída por duas disciplinas de nível diferente.
A primeira, seria “Introdução às funções operativas das máquinas de calcular”.
Depois do aluno estar familiarizado com o domínio da máquina de calcular, passaria a ter outra disciplina que seria: “ Introdução às funções operativas em folha de cálculo”.
Desde que o aluno realizasse esta aprendizagem no Magalhães, então passaria, para uma outra disciplina que já seria: “ Métodos avançados de contas de multiplicar e dividir numa folha de Excel”.
Só concluídas estas três disciplinas, com aproveitamento, é que o aluno se poderia candidatar, ao Instituto Superior Técnico.
A área da geometria seria substituída por desenho em “Autocad”.
Quanto ao português, iria resumir-se às diferentes fases de aprendizagem, que passariam a ser, as seguintes:
“Introdução à técnica de aprendizagem do português falado por Headphones”.
Depois de ultrapassado este nível, juntar-se-ia, à aprendizagem do português, a escrita:
“Introdução à técnica de envios de mensagens por SMS”.
“Introdução da técnica de escrita em "word", com nova tecnologia de ditado oral”.
O exame final seria feito com o aluno, a escrever um texto sem nexo, falando directamente para o computador. O programa de escrita teria de admitir, como exemplo, as seguintes expressões e abreviaturas: “ oje tá bué de calor”. “k é k aconteceu?”. “Este magano é bué fixe”. “Os cotas já nã xateiam com os estudos”.
Na universidade os conhecimentos obtidos, teriam que incorporar quadras para músicas de “rap”, num estilo moderno:

O meu truta minha visita atraco ai hó,
vo desce ali na gaiola ali, boa visita pro se ai.
Po Luciana onze e quinze, se entro agora,
o que ta acontecendo ai fora meu amor?
O Valtinho, até que fim consegui entra aqui dentro,
mó sofrimento, tem um monte de funcionario novo ai,
até espelho tão pondo na gente, isso é mol humilhação,
eu não aguento mais essa vida não,
ou você muda quando se sai daqui
ou então eu vo para.
Calma, calma.


Apreciem esta qualidade poética que nem Alegre, conseguiria exprimir, yeah.

Não ponham esta malta a trabalhar, não, e eu quero saber como é que os pais responsáveis, podem exigir, dos seus filhos, trabalho, e que país é que vamos ter na próxima geração.


“Exempla praesentia futuri periculi nos admonent.” [Rezende 1779] Os exemplos actuais nos advertem do perigo futuro.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

EM FAVOR DA PÁTRIA É JUSTO QUE TUDO SEJA PERMITIDO

Mê rico filho!
Recebi a tua cartinha que me deixou muito contente. Eu já te tinha dito, vai para muito tempo, que isto tudo não ia dar em nada. Tu pareces que nem sabes como é que funciona o Ministério Público e as investigações.
O que achei engraçado, tal como tu, foi terem arranjado aquela da extorsão tentada. Coitados dos homens, agora é que vão gramar esta! E devem ter arranjado alguma coisita sobre “fraude fiscal” ou não? É que eles são especialistas em encontrar fraudes fiscais. Aliás, nem sei porque é que as finanças não vão buscar esta malta para lá.
O que o fisco não detecta, eles detectam. E depois é uma carga de trabalhos. Porque a seguir à fraude fiscal, vem sempre o “branqueamento de capitais”. É por dedução. Se o tipo fugiu ao fisco, e não pagou os impostos, que nós achávamos que devia ter pago, e se depositou a massa num lado qualquer, mesmo que seja num banco estrangeiro, então está a branquear. Como, se depositar dinheiro num banco estrangeiro, fosse crime.
Eu estava convencida que esta coisa tinha mais a ver com o tráfico de droga, venda de armas, etc. Ah, não há tráfico de droga? E em Portugal ninguém vende armas? Se calhar não. O pessoal quando anda mais eufórico, deve ser do Red Bull. Aquele que nos dá asas!
O que sei é que o Pedro e o Smith já têm “tinha” para se coçarem! Mas vê lá tu bem, mê filho, …então fazem um despacho e escarrapacham as perguntas que não tiveram tempo de te fazer? Afinal, pensava eu que tu é que eras uma pessoa ocupada, mas esta rapaziada, numa mão cheia de anos, não tem tempo para falar contigo? Em última estância, sempre poderiam fazer-te as perguntas, quando vais fazer o teu “jogging”. Punham-se a correr ao teu lado e conforme fossem correndo, faziam-te as perguntas. Ah, eles são muito lentos? És capaz de ter razão. Se levaram mais de seis anos para fazer a investigação, se calhar tu punhas-te a correr e eles ficavam logo para trás. E se calhar, ainda ficavam sem o fôlego que tiveram para escrever aquele despacho. Isto está mesmo a irritar a rapaziada toda. Se calhar, além da mudança estrutural que o MP necessita, também precisa de recrutar malta nova que tenha pedala para isto.
Mê filho, continua a fazer “jogging” que assim esta malta não te apanha nas corridas!

PS: Vai dando notícias. É sempre bom saber coisas de ti e do País. Beijinhos.


“Certum est omnia licere pro patria.” [Quantiliano, Declamatio 369] Em favor da pátria é justo que tudo seja permitido.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

FREEPORT

Mãezinha, finalmente acabou esta injustiça que me andaram a fazer. Incrível, como é que numa democracia, como esta, uma pessoa possa ser enxovalhada, estando o seu nome na praça pública, prejudicando, inclusive, o nome da nossa família?
Eu nunca tinha visto uma coisa semelhante. Na maioria dos casos, o Ministério Público, até consegue deduzir acusações, inventando situações e fazendo deduções, para conseguir acusar os arguidos que são figuras públicas. Mas comigo foi diferente.
Eu que nunca me escondi atrás da posição que tenho, estive sempre à espera que eles me chamassem para responder às questões que me quisessem colocar. Mas, nada!
Eu, ao fim e ao cabo, quase nada tive a ver com aquele assunto. Limitei-me a assinar o que era justo, na altura. Se já tinha sido indeferido a construção de um cemitério, para a zona, com o argumento que a densidade populacional (dos mortos, claro), o aumento do tráfego que os cortejos fúnebres poderiam trazer, alterando o meio ambiente, o que é que tinha a ver com isso? Não me parece que possamos comparar, com a vida sadia que os saldos do Freeport, podem aportar. Neste caso, estamos a falar de vida, e a espécie humana, precisa de ser protegida, também. Ou não?
Tinham 27 perguntas para me fazer? Porque não fizeram? Eu até lá ia, pessoalmente, responder.
Agora, virem com o argumento, que o Procurador emitiu um despacho no dia 4 de Junho, dando como tempo limite para a conclusão do inquérito, o dia 25 de Julho e que por essa razão não tiveram tempo? Vá lá vai! Ninguém acredita, nem eu! Ao fim e ao cabo, estão a lavar as mãos e continuam a deixar suspeições no ar, embora não tenha sido constituído arguido e de ter ficado ilibado desta cena.
Isto é muito giro. Os outros é que ficaram acusados de extorsão na forma tentada. Sacaninhas, andaram a congeminar estas coisas todas, para sacar, à empresa, dinheiro, dizendo que era para pagar luvas. Mas não sacaram! Tentaram! Então, onde é que foram parar os quase dois milhões de euros?
Olha, mãezinha. Se o Ministério Público não sabe, como é que nós havemos de saber?
O importante, mãezinha, é que fui ilibado e já não podem andar mais por aí a dizer isto e aquilo sobre mim.
Eu que estava a pensar propor, na revisão Constitucional, a alteração sobre as competências e o estatuto do Ministério Público, já não vou propor coisa nenhuma. Os tipos são mesmo bons. Conseguiram ver que eu não tive nada a ver com aquela história, ao fim de seis anos.

PS: Mãezinha, já podemos ir de férias, descansados. Beijinhos.


“Ut diversitas linguarum sic opinionum separat hominem ab homine, et peregrinum efficit in patria.” [Bernardes, Nova Floresta 2.37] Assim como a diversidade das línguas, também a diversidade das opiniões separa um homem do outro, e o torna estrangeiro em sua pátria.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

A ESCRAVATURA MODERNA

Estamos em pleno século XXI, mas este tema não deixa de ser premente. A escravidão era uma prática social em que um ser humano tinha direitos de propriedade sobre outro designado por escravo, ao qual era imposta tal condição por meio de força.
Nos dias de hoje, a escravatura continua, sob outros modos, a ser uma prática, de algumas mentes actuais, mas que procedem como se estivessem na idade média. Os direitos de propriedade são subtilmente exercidos, não se exercendo a força (eventualmente, a utilização de alguns tabefes), mas pela coacção moral.
Exige-se trabalho, dão-se condições de habitabilidade com fraca dignidade e pagam-se salários, ridículos, exigindo-se trabalho por troca de um prato de sopa e de umas roupas usadas. É como se as pessoas fossem uma mercadoria, só que felizmente, já não transaccionáveis. À época da escravatura, os preços variavam conforme as condições físicas, habilidades profissionais, sexo, a idade, a procedência e o destino.
Hoje, explora-se, nalguns casos, o facto de as pessoas não terem família, estarem desenraizados do seu meio, não terem alternativas de exigirem das autoridades, os seus direitos e, eventualmente, e neste caso, muito mais gravoso, o facto de as pessoas terem alguma fraqueza do foro mental. Neste caso é abominável, como existem pessoas tão execráveis, que conseguem explorar o trabalho e a dignidade humana, em seu próprio proveito.
Sim, porque, estas pessoas, têm a consciência que se contratarem estes serviços a uma empresa, pagarão três a quatro vezes mais, e não beneficiarão da disponibilidade e servilismo da mesma, para levar as compras a casa ou lavar os carros, ao fim de semana. Que tristeza!
Isto acontece, porque acreditam que o “escravo” não possa exercer qualquer direito de objecção pessoal ou legal, embora não seja a regra, como já não o era no tempo da sociedade esclavagista. A alguns, resta-lhes abandonar o país, que tão mal os acolheu, e voltar ao seu país de origem.
A exploração do trabalho escravo torna possível a produção de excedentes e uma acumulação de riquezas, contribuindo assim para o desenvolvimento económico e cultural que a humanidade conheceu em dados espaços e momentos: construíram-se diques e canais de irrigação, exploraram-se minas, abriram-se estradas, construíram-se pontes e fortificações, desenvolveram-se as artes e as letras. Nos dias de hoje, a “escravatura” já não tem esta dimensão, mas, tem os proveitos pessoais que se tiram, permitindo, a mentecaptos, exercer uma autoridade que não lhes é reconhecida na sociedade em geral, pela sua imbecilidade carregada de uma esquizofrenia paranóica.

“Ex multis paupertatibus divitiae fiunt.” [Sêneca, Epistulae Morales 87.38] De muitas pobrezas faz-se uma riqueza.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

DESERTO

Deserto, em geografia, é uma região que recebe pouca precipitação pluviométrica.
Ora, que eu me tenha apercebido, não tem chovido, nem aqui, nem no resto do país. E segundo as últimas previsões, o calor vai continuar. Significa que o pessoal de Oeiras, vai para a zona marítima e está-se marimbando, para as zonas desérticas do concelho, onde só chove quando tem de chover.
Como consequência, os desertos têm a reputação de serem capazes de sustentar pouca vida. Deste modo, como é que se pode esperar que haja muita animação no deserto? Comparando-se com regiões mais húmidas, isto pode ser verdade, porém, examinando-se mais detalhadamente, os desertos frequentemente abrigam uma riqueza de vida que normalmente permanece escondida (especialmente durante o dia) para conservar humidade. Aproximadamente 20% da superfície continental da Terra são desérticos.
As paisagens desérticas têm alguns elementos em comum. O solo do deserto é principalmente composto de areia, e dunas podem estar presentes. Paisagens de solo rochoso são típicas, e reflectem o reduzido desenvolvimento do solo e a escassez de vegetação. As terras baixas podem ser planícies cobertas com sal. Os processos de erosão eólica (isto é, provocados pelo vento) são importantes factores na formação de paisagens desérticas. E há zonas do concelho, onde o vento é uma característica, constante, principalmente no verão, o que faz com que a areia se entranhe em todos os lados, obrigando a lavagens mais repetitivas das partes podengas e não só, porque as mentes perversas também têm que desenrolar os cabelos todos os dias, para que possam pensar.
Os desertos algumas vezes contêm depósitos minerais valiosos, que foram formados no ambiente áridos ou que foram expostos pela erosão. E não tenho dúvidas que pelos desertos cá do burgo, existem minerais muito valiosos. Aliás, são esses a riqueza dos desertos. Mas, onde há desertos há camelos e o que não falta são bostas de camelo. É preciso ter cuidado onde se pisa. Por serem locais secos, os desertos são locais ideais para a preservação de artefactos humanos e fósseis. Principalmente, “brutosários” e “ignorantosários”! Sua vegetação é constituída por gramíneas e pequenos arbustos, é rala e espaçada, ocupando apenas lugares em que a pouca água existente pode se acumular (fendas do solo ou debaixo das rochas).
A fauna predominante no deserto é composta por animais roedores (ratos -cangurus), por répteis (serpentes e lagartos), e por insectos. E que chatos são os insectos. Picam, voam em nosso redor e normalmente poisam na merda. Abaixo os insectos. Os animais e plantas têm marcantes adaptações à falta de água. Muitos animais saem das tocas somente à noite, e se formos por alguns lugares, que conhecemos, conseguimos dar com eles.
É pela noite, que eles congeminam as suas acções.

“Diabolus unde prohibetur mittit nuntium suum.” [Bebel, Adagia Germanica] O diabo, quando está impedido, manda seu mensageiro.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

NEM COM JUSTA CAUSA É DESPEDIDO

Mê rico filho!
Chegou o carteiro, das noves para as dez. Fui a correr à janela, em bicos dos pés. E pus-me a gritar…há carta para mim? Responde-me o carteiro: tem uma carta do Zé, sê filho!
Vi na tua cartinha, que nunca mais te esqueceste, que a mãezinha usava o sabão macaco e o Halibut para te esfregar as “nalguinhas”, quando estavas assadinho. E que ricas nalguinhas que tu tinhas, mê filho.
Tenho estado a acompanhar as entrevistas e discussões sobre a Constituição da República. Então, aqueles malandrecos, não querem ficar cinco anos no governo?
Mas mais, querem preparar-se para despedir o pessoal, com aquela de acabarem com a “Justa Causa”. Não sei bem para que é que eles querem aquilo, se tu, com “justa causa”, mandaste para o desemprego milhares de portugueses. Por outro lado, olha para ti, que com justa causa nunca mais és despedido. Dizem que já são mais de seiscentos mil. Mas havia tanta gente a trabalhar? Como é que é possível? Então, com tanta gente, agora, sem trabalhar, como é que as receitas dos impostos, continuam a subir? Milagre? Não me parece, seu maroto.
Afinal, é bem verdade o que andam a dizer que tu só tens aumentado os impostos à malta. Ah, e mais! Que neste primeiro semestre, aumentaste mais a despesas. Esse foi sempre o teu problema. Sempre gastaste mais do que ganhavas. Não tens mesmo jeito, meu “nalguinhas” da mamã.
Mas o Pedro não está para brincadeiras. Entalou o Silva e deu-te uma oportunidade, diabólica, de agarrares naquele mote do neo-liberalismo e dizer que querem destruir as conquistas de Abril.
Que é uma proposta de uma constituição retródoga e que querem é que o país nunca mais seja socialista e mais injusto. Bom, se ficar cada vez mais pobre, não faz diferença. Aí temos sempre a desculpa da crise internacional e pomos a malta toda a pedir. Corta-se nos exames de diagnóstico nos hospitais, aumentamos a idade da reforma, baixamos as reformas, baixamos os salários e a culpada é esta maldita crise.
Vá lá, vá lá, que eles não mexeram nos tribunais. Mantêm o Constitucional, os advogados do Estado continuam a ser magistrados e a fazer as borradas que querem e ninguém lhes pede contas. E se alguém o fizer, está a ir contra os tribunais e a tentar desvirtuar o estado de direito. Mê filho! Não estás farto destas balelas? É que até a mim me cansam.
Já não falo do ensino…esse então, devem querer acabar com aquele facilitismo que se tem criado, de passar a rapaziada sem exames e depois, ainda metê-los na universidade com vinte e três anos, mesmo que sejam analfabetos. E três anos depois, licenciados em qualquer coisa. Olha, mê filho. Eu que pensava que os bacharelatos já tinham acabado, mas não. Agora, parece que as escolas profissionais já querem dar bacharelatos. Então já viste, um empregado de balcão de um Hotel, bacharelado? Isto sim é que era categoria. Olhe Sr. Bacharel, era um café e um copo de água! A porra toda, é que depois a gorjas aumentavam. Não podíamos dar a mesma gorja que damos hoje, a um bacharel. Ou não é? Mas destas coisas de inventar cursos e diplomas administrativos é a tua especialidade, mê filho.
Hoje a cartinha já vai longa e eu ainda tenho que fazer umas compras no LidL, pois, não tenho nada em casa. Porque vou ao LidL? É fácil, mê sacaninha…é que com a reforma que tenho, mais o Halibut que me obrigas a comprar, o dinheiro não chega para tudo.

“Beati sunt ii qui sorte sua contenti sunt.” Felizes os que estão contentes com a própria sorte.

terça-feira, 20 de julho de 2010

SABÃO MACACO E HALIBUT

Mãezinha, como viste, mantive-me de pé. Tal foi a tareia que eles apanharam que desistiram da compra. Melhores dias virão, mas não podem dizer que não sou patriota.
Era o que faltava!
E agora, como essa história da Constituição? Então, vê lá tu, que querem acabar com o caminho para o Socialismo?
E então o que é que fazíamos depois aos pobres? Deixava de haver cheques poupança para contemplar as crianças nascidas, entretanto? O quê? Os cheques ainda não começaram a ser pagos? Mas quem é que te disse isso? O Teixeira ainda não me disse nada. Ah, já sei…andam para aí a dizer que é mais umas das promessas que não cumpri? Não é verdade, mãezinha. O que o Teixeira deve ter feito, foi adiar a entrada do pagamento dos cheques.
Mãezinha, tu sabes bem que para ganhar eleições vale tudo, até tirar olhos. Ou não é? Achas que eu estava no poleiro se não fosse a conversa que tenho para esta malta? Eles gostam de ser lorpas. Vais ver que, depois de tudo isto, ainda vai haver para aí quarenta por cento de tipos a votar em nós.
Agora, mudar a Constituição e dar mais poderes ao Presidente da República? Era o que faltava. Só quando eu for o candidato. À partida, o Silva deve ganhar as eleições e eu, depois, não estou para ele estar sempre a dar-me conselhos como é que devo fazer as coisas. Ah, ele é economista? Oh, mãezinha, e eu sou engenheiro. Ora essa?
Quando chegar a minha altura de ser candidato, então podem mudar o regime político, para Presidencialista. Até lá, convém que isto esteja nesta bagunça, que sejam os partidos a mandar nesta coisa e assim ninguém é responsável por nada. Tu não vês que ao fim de seis anos, eu ainda ponho as culpas em cima daqueles dois. Sim. O Durão e o Santana, pois então!
Com o Pedro vai ser diferente? Não, mãezinha! Ele vai formar governo, mas depois eu na Assembleia digo que a culpa é deles. É sempre assim!
E com isto, o país vai-se afundando? Mãezinha vê se entendes estas coisas. Enquanto não for o FMI a mandar fazer as coisas, ficando eles como responsáveis, ninguém vai admitir tomar medidas que ponham o rabo do povo assado. Até lá, mãezinha, lavar o rabo com sabão macaco e muito Halibut.

Beijinhos, deste tê filho!

PS: Logo, que possas, manda-me uma cartinha que eu gosto, muito, de saber como estás e de saber a tua opinião sobre esta esquizofrenia política.



« Transiit messis, finita est aestas, et nos salvati non sumus. » [Vulgata, Jeremias 8.20] O tempo da ceifa é passado, o estio findou-se, e nós não fomos salvos.

domingo, 18 de julho de 2010

MUDAR PORTUGAL

A grande questão que se coloca é se alguém conseguirá mudar Portugal, ou se a frase correcta, não seria: Mudar de Portugal.
É isto que têm feito milhares e milhares de portugueses, que não encontram futuro em Portugal, e que não acreditam em Mudar Portugal.
Na passada quinta-feira, ouvi uma intervenção de um respeitável político da nossa praça, que a determinada altura mencionou o problema da bipolarização da política portuguesa. Isto é, ora se vota no PS, ora se vota no PSD.
Infelizmente, tive de me ausentar, antes das perguntas a formular pelo público, mas gostaria, depois de formular a pergunta pertinente que tinha em mente, de ironizar e perguntar como é que se poderia tratar esta “bipolaridade”. É que, depois de decorridos trinta e seis anos, com esta “bipolaridade”, a politica deste pais já é uma esquizofrenia.

A Esquizofrenia politica tem-se demonstrado como uma doença angustiante e incapacitante do normal funcionamento do país. A esquizofrenia politica é na realidade uma doença da atitude mental dos nossos políticos, que afecta de forma grave a sua forma de pensar e o seu comportamento em geral. Se falamos do PS, associa-se ainda os sintomas de prodigalidade, pois têm tendência a gastar mais do que tem o país. Por isso estamos completamente tesos.
As pessoas com esquizofrenia sofrem, de entre diversos sintomas, de alucinações (observar as coisas de forma diferente), delírios (crenças de natureza bizarra ou paranóide que não são verdadeiras), alterações do pensamento ou medo. Tanto se diz que o país está a crescer, como o país na realidade se afunda a olhos vistos. Tanto se elogia o crescimento do PIB em 1%, como se diz que este não serve para acompanhar o crescimento da despesa do Estado. E isto já se verifica, vai para dez anos. Nos últimos cinco anos a esquizofrenia politica deste governo está numa fase muito aguda.
Os delírios, visões e as alucinações constituem os sintomas psicóticos ou positivos que são os transmitidos por quem está no governo. E nesse capítulo o nosso Zé está de parabéns. Este país, na boca dele, nunca esteve melhor. Os "sintomas negativos" também surgem ao fim de algum tempo: o povo fica ausente, mostra muito pouca iniciativa e tem uma vida emocional embotada. Mesmo que isto seja uma grande confusão, continua a votar nesta rapaziada.
Uma importante característica reside no facto de que um povo com esquizofrenia não tem qualquer ideia de que está a sofrer da doença. Perde o contacto com a realidade.
Aos que se encontram, ainda com sanidade mental e não estão reféns da sua situação de vida (idade, por exemplo), o melhor que têm a fazer é Mudar de Portugal e tentar viver num país que não seja depressivo e esquizofrénico.
“Maximam illecebram esse peccandi, impunitatis spem.” [Cícero, Pro Milone 16.2] O maior estímulo para cometer faltas é a esperança de impunidade.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

OS LEÕES DA ESTRELA

Eu pensava que só havia leões em África. Mas afinal, parece que existem leões em todo o lado. Leões no futebol e leões na “parvónia”. Sim, leões na parvónia, atendendo que, em Portugal, não temos savana. Mas, temos, por exemplo, o mato que cresce por todo o lado e que são focos de incêndio, em muitas freguesias deste país. E não é preciso ir para longe, basta ter um olhar atento, ao redor de Lisboa e concelhos limítrofes.
Já lá vai o tempo em que só havia o Leão da Estrela. Agora, encontram-se leões em diversos pontos do país. Leões com juba e leões sem juba. Os mais agressivos são os leões com falta de juba, pois encontram-se no ponto intermédio dos leões com juba e sem juba.
São os mais perigosos, porque estão permanentemente a rosnar e a querer dar entender que são maus.
Coitados dos leões que tem falta de juba. São frustrados, por terem falta de juba. Passam a vida a tentarem esticar a juba, como se a juba fosse crescer. Passam as patas mal cheirosas permanentemente pelos escassos pêlos da juba que resta.
Até com as fêmeas, são de mau trato! Qualquer coisa e estão logo de punho em riste, pois nem dentes têm para morder.
Mas, porque é que eu estou a falar nos leões? Por causa dos leões da Estrela. Sim, os que vão habitando as nossas casas para o lado da Estrela, mais propriamente em S. Bento. Vai para quantos meses que eles andam a discutir se comem ou não comem os utilizadores das Scuts? Proposta para aqui, proposta para acolá e por último, nova proposta de um “leão” que diz: e se fossemos só à caça a partir de 1 de Janeiro?
Até lá, vamos caçando por outros lados!
E lá vamos nós, andando de protocolo em protocolo, melhor dizendo, de contrato em contrato. E isto dos contratos, tem muito que se lhe diga.
Logo, à partida, são unilaterais ou bilaterais, podendo ser plurilaterais. Mas para fazer um contrato é preciso ter legitimidade para isso. E não me parece que o contrato, já outorgado pelo eleitorado, mantenha a mesma legitimidade que tinha. Por outro lado, e o Pedro ainda não entendeu, que existe a “alteração das circunstâncias” que permite renegociar as condições do contrato.
Se não podem cumprir o contrato, em vez de estarem em incumprimento, invoquem o “rebus sic stantibus” (alteração das circunstâncias), e vamos lá renegociar esta coisa.
Podemos ainda pensar no erro, na transmissão da declaração. Quando porém, a inexactidão for devida a dolo do intermediário, a declaração é sempre anulável. Salvo melhor opinião, a política seguida até agora, desde as últimas eleições, é possível de ser anulável, por erro na transmissão da declaração e o erro foi cometido pelos portugueses, quando votaram no Zé.

“Lege bibunt undam, comedunt sine lege placentam” [Schottus, Adagia 585] Medem a água que bebem, mas não medem o bolo que comem.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

NÃO TE DEITES! MORRE DE PÉ, MÊ FILHO!

Mê rico filho. Acabei de receber a tua cartinha. O carteiro chegou das nove para as dez…e eu, ansiosa, fui, logo, abri-la.
Ainda bem que as coisas estão a correr benzinho, embora não goste nada do que me disseste sobre os teus camaradas que te estão a tentar pôr na rua. Nem com o Manel, a concorrer à presidência da república, eles ficaram contentes? Olha! Ingratidão, é o que é. Quando menos esperamos saem estas surpresas. Mas, também, não é nada que tu não saibas porque já fizeste o mesmo a alguns camaradas teus. Olha, como diz o povo, e eu sei que gostas do povo, “cá se fazem cá se pagam”.
Agora, não gostei, uma vez mais, foi daquele optimismo que tu colocaste naquele jornal inglês, em que dizes que vais reduzir o défice para 2% até 2014. Ó mê querido filho! Tu queres fornicar mais o “povo” que tu tanto amas? Pronto, já sei que me vais dizer que quando a gente ama é que se deve fornicar. Dá mais prazer!
Mas, não achas que é optimismo a mais? É que tu, vai para cinco anos, andas sempre com esse optimismo. Explica lá como é que isso vai ser possível?
Ah, mê maroto. Eu já sabia que era isso que tu ias dizer. Vai para mais de uma ano, que noutra cartinha trocada entre nós, se abordava essa situação. Então, significa que o IVA vai aumentar mais? Ok, correcto. Ah, e os ordenados vão baixar cerca de 15%? E as deduções fiscais vão ser reduzidas?
Nunca me enganaste, mê filho. Nada como a tua mãezinha para entender um filho da mãe.
Quer dizer que andaste a prometer e a prometer, a esta malta, que com o PS era que era uma maravilha, que ias criar cento e cinquenta mil novos empregos e quantos é que ajudas-te a destruir? Ah, não contas com esses? Está bem!
Há um raio de um pensamento que não me sai da cabeça! Como é que irás fazer para aguentar a segurança social e o pagamento das reformas? É que, com o desemprego a aumentar, o número de reformados a subir, como é que arranjas dinheiro para isso? Ah, também vais aumentar os descontos para a segurança social? Bom, está bem. Se não fores por aí, terás que aumentar ainda mais o IVA. Pois é, não há consignação de receitas no orçamento. Então, mê filho, crias outro imposto. Bom, se for assim, e enquanto não houver eleições, vais aguentar-te à bronca.
Mas olha! Não me parece que te safes. Tenta negociar um lugar para a Comissão dos Refugiados e dá de “frosques”, enquanto é tempo. Já sabes que a tua mãezinha está sempre contigo, mesmo, que na maioria das vezes me desiludas.
Afinal, mãe é mãe!
Dá mais notícias, logo que possas. Gosto muito de ler as tuas cartas e saber notícias tuas e do país.

PS: Não te deixes quebrar, agora, com as negociações da PT. Um patriota é patriota até ao fim. Não te deites! Morre de pé, mê filho!

“Mallem mori quam mutare”. [Divisa] Prefiro morrer a mudar.

sábado, 10 de julho de 2010

GOLDEN SHARE E O CAMELO

Alô, mãezinha! Eu sei que já estava com saudades de uma cartinha minha relatando algumas peripécias, deste sê filho.
Mas tenho andado aqui nestas negociatas com o Pedro, por causa dos impostos e das Scuts. E não tem sido nada fácil. Ainda por cima, desonrou-me em Espanha quando fez esta viagem para falar com o PP. Não, não é o Paulo Portas, é o partido mais ao menos igualzinho ao PSD. Para melhor, claro.
Isto de não ter maioria no parlamento é uma grande chatice. Nunca mais volto a mandar nisto se não tiver maioria. Porque é que estou a negociar com o Pedro? Oh mãezinha, o Paulo não quis. Mandou-me dar uma volta ao bilhar grande. Diz ele que é mais fácil, mandar palpites na televisão, porque depois o Pedro se quiser formar governo vai precisar dele. Portanto, prefere não se chamuscar com esta situação. Sim, mãezinha, eu sei que estamos com as calças na mão. E claro, como isto está para mudar, ando aqui na azáfama nas conversas de partido, mas estou a ficar com dificuldade de convencer os meus camaradas. Penso que eles se estão a preparar para pôr outro tipo a mandar no partido. Um tipo mais Seguro.
O quê, mãezinha? Mostrámos a “golden share” e os espanhóis ficaram chateados? Estavam a pensar o quê? Eles já não se lembravam de Aljubarrota, mas aqui com o Zé não se brinca. O quê mãezinha, se eu sei o significado de “golden share”? Então diz lá!
Mê filho, a “golden share” é uma coisa muito antiga. Há mais de dez mil anos que foi encontrado numa prancha de argila escrito que “golden share” era igual a um camelo que tinha abusado sexualmente de uma ovelha.
Oh mãezinha! Eu não sou nenhum camelo, nem abusei sexualmente de ninguém. Limitei-me a fornicar os accionistas da PT. Eram 74% dos accionistas? Quero lá saber. Portugal está em primeiro lugar. Eram portugueses? Oh mãezinha, se são portugueses, não são patriotas, senão, não quereriam vender a PT. É ou não é?
É por causa dessas e de outras que tive de me armar em padeira. Dei-lhes uma “padeirada” que eles até andaram à roda. Agora, já querem negociar. Está a ver? Ganha Portugal e os patriotas da treta. Mãezinha, eles estavam a precisar de saber quem manda aqui. Andavam a faltar ao respeito ao Zé, sê filho.
Mãezinha, isto é uma democracia e o capital tem de se habituar à ideia que podem fazer os negócios que quiserem, mas quem decide sou eu. Oh, mãezinha! Sabes lá o que é ter o poder de mandar em tanto dinheiro? Nem te passa pela cabeça.

“Gratis donato non spectes ora caballo.” [Samuel Singer, Thesaurus Proverbiorum Medii Aevi 113] Se o cavalo te foi dado de graça, não lhe examines a boca.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

UM CASO NA VIDA DE UM ADVOGADO

O homem sentou-se à minha frente. Mais velho que eu, com idade para ser meu pai. Éramos amigos, para mais de vinte anos. Nunca o tinha visto assim!
De semblante carregado, com alguma dificuldade de se ajeitar na cadeira, que se encontrava do outro lado da minha secretária. Por fim, respirou fundo e disse-me: sabes Luís tenho que te dizer uma coisa…lembras-te da minha filha? Sim, respondi. Embora já não a veja há muitos anos mas, lembro-me de uma menina que tinha uma sensibilidade muito particular para a música e da qual tive o privilegio de ouvir tocar, a um piano de cauda, uma bela interpretação de Mozart, seguida de outra de Vivaldi. Já lá vão uns anos. Foi um serão muito interessante, disse eu. Pena que não tenhamos repetido tais experiências. Logo de seguida, disse: já deve estar uma mulher.
Foi quando ele, se voltou a acomodar na cadeira, como se esta fosse desconfortável e me disse: Luís ela não é minha filha, foi adoptada. Eu nunca disse isto a ninguém e espero que fique por aqui. Ao que eu retorqui que estava perante um amigo, mas que em primeiro lugar estava a falar com um advogado e, portanto, tudo o que se passa-se ali, era confidencial.
Sentia-se envergonhado, porque não era o pai biológico da filha, que ele adorava e para a qual pretendeu dar uma educação, como qualquer pai faria, proporcionando-lhe, o melhor que lhe podia dar.
De imediato, retorqui: houve lá…se é adoptada é tua filha. Deixa-te desses constrangimentos. Ama-la, deste-lhe afecto, tu e a tua mulher, como muitos pais biológicos, por vezes não fazem. Sempre foi o teu orgulho, porque estás agora com essa posição? Digo-te mais, isso para mim pouco me interessa, porque na realidade é tua filha, ponto final.
Perante a minha reacção, sentiu-se melhor, mais confortável e já se tinha relaxado para me contar, porque vinha solicitar os meus serviços.
- Sabes, ela saiu de casa aos dezasseis anos, para casar. Eu e a minha mulher fomos contra esta decisão, pois tínhamos a ideia que a mesma iria travar o desenvolvimento da vida dela e que um dia mais cedo ou mais tarde, seria infeliz.
A minha filha deixou-nos de falar, até que, agora, com trinta anos, apareceu-me à porta de casa, porque se quer divorciar. Que está farta da vida e da prisão em que tem vivido. Eu abri-lhe a porta, mas também lhe abri o coração. Agora, estou aqui para saber se poderias tratar do divórcio da minha filha.
- Ao qual eu respondi, que sim. A tua filha que venha falar comigo, para que possamos analisar a situação.
- Luís, disse ele, vê tu bem que estivemos privados do convívio da minha filha, durante estes anos, por causa de uma teimosia e insistência da parte dela em querer casar. Eu já sabia que ele não era a pessoa, com carácter e formação para ela e, que a família dele, iria procurar isolá-la do nosso contacto. E foi o que aconteceu. Mas eu recebia-a, como se nada fosse e olha que ao fim destes dias, nem sequer falámos sobre o assunto.
A minha opinião foi que não valeria a pena estar a falar, muito menos se ela não tomasse a iniciativa. Mas quando falassem, não abordassem a situação numa atitude recriminatória. O mal estava feito. Os anos perdidos já não se recuperavam e o que havia a fazer era viver o futuro e aproveitá-lo para o viverem sem ressentimentos. Afinal, pais são pais. Acabam sempre por perdoar.
E assim foi!
Eu não conhecia o marido, da filha do meu amigo, mas posteriormente, vim a conhece-lo e pensei, com os meus botões: na realidade, como é que uma miúda com uma sensibilidade tão refinada fugiu de casa dos pais, para casar com uma pessoa que é o oposto dela? Na verdade, cada panela deve ter a sua tampa. E estes não se ajustavam. Mas, o que é evidente para os mais velhos, com experiência da vida, não o é para os mais novos.
Acabei por dizer ao meu amigo:
- Deves aproveitar ao máximo estes dias felizes do amor incondicional e livre dos braços de ferro associados à conquista da sua independência que adivinho tumultuosa (por acaso foi menos tumultuosa, porque tudo se resolveu por bem).
Quero acreditar que saberás, como os teus pais, encontrar sempre um espaço para o perdão depois de reconhecidas as culpas, as tuas limitações, as decisões erradas e tudo quanto armadilha o bom desempenho que, por princípio, qualquer pai anseia.
Resta-te amar a tua filha e lidar com as suas revoltas e amarguras no futuro em que te confrontarás com o papel de intérprete da sua desilusão pelos aspectos defraudados. Afinal és pai da tua filha! E ela como filha, pode, de modo errado, ter decidiu erradamente a sua vida, mas agora, está de volta!

“Aufert vim praesentibus malis qui futura prospexit.” [Sêneca, Ad Marciam 9.4] Quem olha para o futuro, suaviza os males presentes.


quarta-feira, 30 de junho de 2010

RELATÓRIO DO MÊS DE JUNHO DE 2010

Chegámos ao final de Junho de 2010. Altura de se realizarem relatórios e fazer a análise do ponto de situação.
Em primeiro lugar, Junho foi um mês pouco produtivo, pois os feriados, assim, não o permitiram. Embora não haja dinheiro para a 3.ª via sobre o Tejo, há dinheiro para fazer pontes de lazer.
Logo, por desgraça, o tempo não ajudou, a carteira de alguns portugueses está vazia, e nem a indústria hoteleira se conseguiu aproveitar para sair da crise.
Depois, o mês de Junho é o mês dos santos populares. Começa com o Santo António em Lisboa, com os seus casamentos heterossexuais apadrinhados na Igreja (ao menos, valha-nos Jesus Cristo), para acabar com o S. João, no Porto.
É bom, porque além de incrementar a venda de sardinha assada, em que nalgumas feiras já se paga vinte euros por refeição, põe o pessoal a cantarolar, com as marchas populares. São as farturas, o pão com chouriço, o algodão doce e as pipocas e é ver o pessoal contente. Valha-nos os santos populares.
Mas, também tivemos a selecção nacional, a jogar para o mais difícil: o empate a zero, zero, na maioria dos jogos do mundial de futebol. Mas estava-se a ver…vocês não acreditaram na selecção e criticaram, quando Portugal, no jogo de preparação, com Cabo Verde, tinha feito uma óptima exibição que era capaz de jogar e empatar a zero/zero, com o Brasil ou com a Costa do Marfim.
Além disso, neste mundial, Portugal não teve o Cristiano Ronaldo. Foi preciso ter coragem para não o pôr a jogar. Vai para dois anos que não o vejo jogar na selecção.
Mas, não foi só o futebol e os santos populares, com pontes e pontes de feriados, que houve em Portugal. O Governo, num altíssimo entendimento com o líder do PSD, conseguiu aumentar os impostos e fez mais umas merdas para tramar a malta.
Vocês parecem que não perceberam…é a crise internacional! Nós aumentamos a divida externa todos os dias, por causa da crise. Esta crise que já se arrasta desde que Portugal existe. Ah, agora vai ser uma chatice. Pois vai. Não há dinheiro do Brasil, não há dinheiro das colónias, a União Europeia está seca, com o dinheiro que teve de dar aos Bancos e agora, somos mesmo nós a pagar.
Claro que vai ser diferente. Primeiro são os impostos a aumentar. Depois são as regalias a baixar, os subsídios a desaparecerem e…os ordenados a baixar. Até lá, e depois desta “Tourada à Espanhola”, vamos discutindo os SCUT (devem ser os mísseis da Coreia do Norte), com isenções aqui e acolá. Gaita, só eu é que não tenho isenções. Pago os impostos e pago as auto-estradas, mesmo que vá de Linda-a-Velha a Oeiras. Eu sei que tenho a marginal, porreiro pá. Mas se toda a malta dá em ir na marginal? Como é? Lá estou eu marafado com isto tudo. Pagas e não bufas!
Ah, quanto ao aumento da divida durante o mês de Junho? É melhor não falarmos disso, porque então é que não conseguimos digerir as sardinhas assadas e lá se ia o mau bronzeado que apanhámos este mês.
Venha Julho, que é mês de férias! É do que nós precisamos, é de férias!


“Perditis rebus omnibus tamen ipsa virtus se sustentare posse videatur” [Cícero, Ad Familiares 6.1.4] No meio da ruína total, só a virtude parece capaz de se sustentar.

sábado, 19 de junho de 2010

A ECONOMIA SEMPRE A CRESCER

Mãezinha, recebi a tua cartinha em que dizias que querias ir às compras. Também eu, mas não tenho tido tempo. Isto está tudo, uma grande trapalhada.
Agora não faço outra coisa se não andar armado em “caixeiro-viajante” a tentar vender produtos que todos têm e ainda por cima a preços mais caros.
É verdade! Embora tenhamos ordenados de miséria, a nossa produtividade é muito baixa, como sabes. Também ela começa logo aqui no governo, para acabar na assembleia. Então, vê lá tu, que até o Bloco tem uma assessora com 79 anos de idade. Como é que é possível produzir assim?
Estás a ver, se tivesses vindo trabalhar comigo, ninguém reparava nisso.
Ai mãezinha! O que vale é que não vou estar muito mais tempo por aqui. Quem se vai tramar é o vice-primeiro-ministro que vai ter que segurar a queda do crescimento da economia. Sim, porque isto vai ter um crescimento negativo de 2 ou 3 por cento ao ano. Imagina bem o que vai ser. O desemprego a aumentar e os subsídios a baixar. Vai ser lindo, vai.
Não digas nada a ninguém! Mas nessa altura, vamos, mesmo, ter de reduzir os ordenados. A malta até vai guinchar!
Mas valeu a pena ser político. Em primeiro lugar, consegui ser engenheiro. Depois consegui enganar esta malta toda com a continuação daquela lengalenga, da solidariedade e subsídios para toda a malta. Foi lindo. O quê? Não se fez nada na reestruturação da economia? Não é verdade! A economia está sempre a crescer, mãezinha. Agora, se cresce para negativo, na universidade não demos os números negativos. Pensava que isso não existia. Fiz sempre as contas com números positivos. A culpa foi do ensino. Agora não está melhor? Mãezinha, não diga isso. Os miúdos agora se chumbarem até aos quinze anos e estiverem no oitavo ano, passam para o décimo. Desculpe lá, mas no meu tempo não havia nada destas dificuldades.
E sabe bem que me esforcei. Pelo facto de ser filho de pais divorciados, a mãezinha nunca me ouviu dizer que estava traumatizado e que precisava de acompanhamento psicológico. Não é verdade? E agora? O governo farta-se de gastar dinheiro com estas modernices. Nem no azar que tive nos amores eu me queixei.
Agora é que não aguento mais. Quando me vir livre disto, vou ao psiquiatra e mando a conta aos portugueses. E o maluco sou eu?
Olhe, mãezinha! A malta é uma cambada de ingratos, é o que é. Sacrifiquei eu a minha vida e depois ainda andam a fazer anedotas e piadas sobre mim. Isso é que eu não aguento mais. É uma cabala!
Um dia, ainda hão-de fazer um filme, para televisão, sobre a minha ousadia. Ah, se não fizerem o filme? Fica descansada que hei-de arranjar maneira de acabar com a televisão. Só fica a do Estado, porque esta deve mais de 800 milhões de euros e se fecha, fica uma data de malta a arder.

“Dedit tempus locumque casus.” [Sêneca, Hippolytus 425] A sorte te deu tempo e lugar.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

QUANDO ALÉM DA MENTIRA, SOMOS CEGOS

Diz-se que a mentira tem pernas curtas porque sabemos que ela não costuma ir muito longe. Cedo ou tarde, ela vacila, tropeça e acaba sendo alcançada pela verdade. Isso acontece por, pelo menos, dois motivos: primeiro, porque quando mentimos fazemos mais esforço do que quando dizemos a verdade, em função do dilema moral envolvido na questão, ainda que inconsciente. Segundo, porque quando precisa ser repetida, a mentira perde força, sendo contaminada por fragmentos da verdade ou por outra mentira, pois sua base não é a realidade, e sim a ficção.
Mentir significa “inventar” uma verdade que não existe, e não “relatar” a verdade como ela é. A mentira começa com a pessoa, a verdade é anterior a ela. Quando mentimos criamos uma realidade que não se baseia em nenhum outro facto, a não ser a nossa própria criatividade, o que não é suficiente para sustentar o que foi dito, caso o assunto não se esgote rapidamente. O candidato a um emprego que mente sobre sua experiência e qualificações será desmascarado pela inconsistência do currículo ou pela incapacidade de atender às expectativas que criou.
O filho que invoca a doença de um pai ou de uma mãe, para escamotear um outro problema e que na maioria das vezes, não é um problema. É uma mentira onde se procura encontrar nos outros, a piedade. E mente-se porque sabemos que não é um problema e que o nosso comportamento não é o adequado e que ninguém poderá desculpar esse mesmo comportamento. E por aí fora. Factos que demonstram o insustentável peso da mentira podem ser colhidos em quantidade na história de vida de quase todas as pessoas – de adolescentes a presidentes da república.
Mas, afinal, por que mentimos, se todos sabemos que existe a possibilidade de sermos desmascarados mais cedo ou mais tarde? Que força é essa que nos impele a não sermos sempre fiéis aos factos? Há mentiras justificadas ou não? A verdade, doa a quem doer, sempre é a melhor opção?
Uma coisa é verdade, a percepção que temos dos factos, e a mentira grande ou pequena, danosa ou inconsequente, piedosa ou maldosa, sempre será uma mentira e, como tal, poderá ferir alguém.
E grave, grave, é quando utilizamos a mentira, com quem na realidade nos ama e nos quer bem, na procura de satisfazer algo que é unicamente o nosso querer, num egoísmo desenfreado, numa atitude egocêntrica, na procura de “felicidades” e “prazeres”, ou que não existem ou que são sempre muito efémeros, e que sabemos, interiormente que são uma falácia. Nestas condições, além da mentira, somos cegos. Direi mais, somos sádicos, porque sabemos que estamos a ferir, a magoar, a dilacerar, aqueles que, ao fim e ao cabo, são os únicos que nos protegem e nos querem bem.
Sim, porque cego, cego, é aquele que não quer ver!

"Certum voto pete finem." [Horácio, Epistulae 1.2.56] Põe um limite certo a teu desejo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais justiça na sociedade injusta

Toda idéia de justiça pressupõe não apenas uma distinção de mérito e demérito, mas também as diferenças de escala dentro de um e do outro. Homenagens, cargos, prémios escolares, hierarquias burocráticas, civis e militares reflectem a escala do mérito, o Código Penal e os vários mecanismos de exclusão social, a dos deméritos. É inútil falar em “meritocracia”, pois todas as hierarquias sociais são meritocráticas, divergindo apenas no critério de aferição dos méritos. Mesmo essa divergência é mínima. Nenhuma sociedade é tão fortemente apegada a prestígios de família que negue toda possibilidade de merecimento individual autónomo, nem é tão desapegada deles que não reconheça diferença entre ser filho de um herói nacional ou de um assassino estuprador.
Suponham uma rígida sociedade de castas e uma democracia igualitária. Qual das duas é mais justa? A sociedade de castas alega que é justa porque busca refletir na sua estrutura a ordem hierárquica dos valores, premiando em primeiro lugar os homens espirituais e santos, depois os valentes e combativos, depois os esforçados e industriosos e por fim os meramente obedientes e cordatos. Quem chamaria isso de injustiça? O igualitarismo democrático baseia-se na idéia igualmente justa de que ninguém pode prever de antemão os méritos de ninguém, sendo portanto melhor assegurar a igualdade de oportunidades para todos em vez de encaixilhá-los por nascimento em lugares estanques da hierarquia. A sociedade de castas falha porque não é garantido que os filhos de santos sejam santos, de modo que aos poucos a hierarquia social se torna apenas um símbolo remoto em vez de expressão directa da hierarquia de valores. De símbolo remoto pode mesmo passar a caricatura invertida. A democracia, por sua vez, na medida em que nivela os indivíduos nivela também suas opiniões e, portanto, os valores que elas expressam. O resultado é o achatar de todos os valores, que favorece a ascensão dos maus, egoistas e prepotentes pela simples razão de que já não há critérios para considerá-los piores do que os mansos e generosos. Daí a observação de que a democracia não é o oposto da ditadura – é a causa da ditadura.
Pela mesma razão, todo aquele que promete eliminar as exclusões sociais começa por excluir os que não acreditam nele, e aquele que promete uma hierarquia aristocrática perfeita começa por invertê-la quando, ao reivindicar o poder necessário para construí-la, se coloca a si próprio no topo da escala e se torna a medida dela em vez de ser medido por ela.
Na alma do indivíduo bem formado é sempre possível conciliar o senso da hierarquia de valores com o sentimento da igualdade profunda entre os membros da espécie humana. O próprio amor aos valores mais elevados infundirá nele necessariamente um pouco de humildade igualitária, da qual Jesus deu exemplo constante. O indivíduo tem sempre a flexibilidade psíquica para buscar o equilíbrio dinâmico entre valores opostos. Mas nenhuma sociedade pode ser ao mesmo tempo uma sociedade de castas e uma democracia igualitária, nem muito menos ter a elasticidade necessária para passar de uma coisa à outra conforme as exigências morais de cada situação. Os valores morais existem somente na alma do indivíduo concreto. As diferentes estruturas sociais podem apenas macaqueá-los de longe, sempre sacrificando uns em proveito de outros, isto é, institucionalizando uma quota inevitável de erro e de injustiça. Os seres humanos podem ser justos ou injustos – as sociedades só podem sê-lo de maneira simbólica e convencional, eminentemente precária e relativa.
Essas distinções são elementares, e nenhum indivíduo incapaz de percebê-las intuitivamente à primeira vista está qualificado para julgar a sociedade ou muito menos propor sua substituição por outra “mais justa”. Infelizmente, essa incapacidade é precisamente a qualificação requerida hoje em dia de todos os doutrinários de partido, parlamentares, líderes de movimentos sociais etc., porque, cada um deles só consegue subir na vida na medida em que personifique a “sociedade mais justa” em nome da qual legitima suas propostas. Ou seja: são sempre os homens injustos que se incumbem de promover a “justiça social”, julgando e condenando aquilo que nem mesmo compreendem. Se em vez de buscar uma “sociedade mais justa” começássemos por derrubar de seus pedestais os homens injustos, um a um, a sociedade em si não se tornaria mais justa, mas haveria mais justiça na sociedade injusta – e isto é o máximo a que seres humanos razoáveis e justos podem aspirar.
Ius naturale est id quod iustum est ex ipsa natura rei. [Jur] É direito natural aquilo que é justo pela própria natureza da coisa.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mê FILHO, PRECISO DE IR ÀS COMPRAS


Mê rico filho!
Noutro dia fui a banco, para ver se me emprestavam um dinheirito, pois queria fazer uma compras, porque não dá jeito nenhum está a tirá-lo do offshore.
Tenho de estar a mandar mails para as Caimão e primeiro que cá chegasse era uma chatice.
Mas não é que o gerente, do Banco onde eu fui, muito simpático, me disse: minha senhora, lamentamos mas não temos dinheiro para emprestar.
E eu disse-lhe: mas o meu filho tem dito que isto está uma maravilha e que até no primeiro trimestre a economia estava a crescer, como é que o senhor me diz uma coisa destas?
- Mas quem é o filho da Senhora? Não me diga que é o primeiro-ministro? É sim senhor, respondi eu! E, então, a Senhora que é mãe dele ainda acredita no que ele diz?
Irritei-me com aquilo e disse-lhe: Olhe lá meu senhor, acredito eu a mais trinta e tal por cento de portugueses que votaram em mê filho. E não estão nada arrependidos, porque segundo as sondagens esses trinta e tal por cento vão continuar a votar nele.
Se o senhor não tem dinheiro, porque está aflito, tudo bem. Mas não me venha dizer que a culpa é dele.
Nem deles nem daquela rapaziada que anda a mamar atrás dele. Sim, porque mê filho sempre foi muito protector dos seus amigos. Até vai apoiar o Pateta Alegre como candidato à Presidência da república e vai ter o apoio do Bloco de Esquerda. Na segunda volta, ainda vai ter apoio do PCP.
E vai ver, que ainda vamos ter um Presidente e um Governo Socialista. É só ele prometer mais cento e cinquenta mil novos empregos e esta rapaziada acredita nele.
Então, diga-me lá: quando é que o senhor espera voltar a ter mais mercadoria para vender? É que sem mercadoria, vai ter de fechar o negócio.
Olhe, se isto está assim, quem não tira o meu lá do Caimão, sou eu! E mais, vou dizer aos meus vizinhos para porem a massa lá fora. Chiça….ficar sem o mê dinheirinho é que não. Mê filho está farto de trabalhar para ficar com os bolsos rotos.
E não vai ser com a reforma que ele se vai safar…muito menos agora!
Já foi um sacrifício pagar os apartamentos ao offshore!
Olha mê filho, vê lá se me empresta algum. É que preciso mesmo de ir ás compras. Sinto-me de tal modo tão deprimida, com esta merda toda no país, que preciso de ir espairecer ao El Corte Inglês.
Fico à espera. Não te esqueças do pedido da mamã. Beijinhos!

« Miserum istuc verbum et pessimum est ‘habuisse’ et nihil habere. » [Plauto, Rudens 1243] É triste e muito ruim essa expressão ‘ter tido’ e não ter nada. ●

sábado, 5 de junho de 2010

Olha o presente, recorda o passado, olha o futuro.

A observação continuada de comportamentos que procuro entender e ter compreensão, mas que me deixam numa posição de não saber bem o que fazer ou que mais dizer, fizeram com que escrevesse este post. Os problemas dos outros são sempre mais fáceis de serem entendidos e as recomendações afloram com rapidez. Mas quando amamos alguém, o aparente sofrimento por ansiedades despropositadas, que não deviam existir, porque na realidade, a vida é sempre feita de incertezas. Só existe razão para a ansiedade quando existem problemas reais que se podem traduzir por factos. Um problema sério de saúde, por exemplo. Toda a ansiedade que não é demonstrável por factos, passa a ter características de doença e é, já, no foro psiquiátrico que ela terá de ser amenizada. Quando uma pessoa anda permanentemente nervosa, aflita, enfim, um pouco “fora do normal”, acaba por colocar toda a gente nervosa, também, e com isso acaba por ter atitudes irritantes, ou passa a vida a fazer coisas para chamar a atenção dos outros.
E foi quando eu disse para mim que deveria ter paciência e entender a situação dela. Entender que ela não passa por um bom momento e que é difícil para ela lidar com tudo isso. Que por causa da sua ansiedade já patológica, ela não consegue colocar a cabeça no lugar, não consegue ver a maneira que está agindo e nada do que ela faz é por mal, mas simplesmente por não conseguir distinguir uma coisa da outra.
E foi justamente aí que me deu o estalo. Quantas vezes julgamos as atitudes de outras pessoas sem realmente saber o que se esconde por trás? Quando alguém passa apressado no trânsito, ou alguém que passou correndo para o autocarro, levando as restantes pessoas de arrasto? Será que essas pessoas realmente são assim ou poderiam estar com algum problema e agiram sem pensar?
É fácil exemplificar isso. Basta pegar um exemplo bem pessoal. Naquele dia em que tudo dá errado, em que o melhor teria sido não sair da cama, quando o mundo parece conspirar contra nós, será que não agimos de forma rude – ou no mínimo um pouco – com as outras pessoas? Ou quando estamos cheios de coisas para fazer, precisando fazer vinte coisas ao mesmo tempo, com pessoas chamando, de tudo quanto é lado, e aparece um engraçadinho e faz uma pergunta idiota – ainda que séria – não a mandamos passear?
Há que se ter um pouco de paciência antes de julgar qualquer acção de uma outra pessoa, principalmente se for uma atitude que essa pessoa não tomaria normalmente. Ao invés de ficarmos com o orgulho ferido, achando, que a tal pessoa não pode nos tratar assim e começar a choramingar ou reclamar, poderíamos tentar entender os motivos que levaram essa pessoa a fazer isso. Nem sempre pode existir um bom motivo, mas podemos tentar descobrir primeiro antes de fazer qualquer julgamento.
Compreender e entender uma pessoa pode fazer toda a diferença em qualquer tipo de relação, principalmente se ela for amorosa ou familiar. Conseguindo entender o que motiva tais atitudes das pessoas nos dá uma outra visão da situação e podemos analisar claramente tudo o que se passa. E assim, podemos evitar mágoas, tristezas e algumas discussões.
Claro que existe uma grande diferença entre falar e fazer. Eu sei bem que não é nada fácil, mas há que se tentar. E com a prática, começa a tornar-se tão automático que, quando vemos, já conseguimos ter mais paciência e menos aborrecimentos.
Todas as pessoas podem sentir ansiedade, principalmente com a vida atribulada actual. A ansiedade acaba tornando-se constante na vida de muitas pessoas. Dependendo do grau ou da frequência, pode se tornar patológica e acarretar muitos problemas posteriores, como o transtorno da ansiedade. Portanto, nem sempre é patológica.
Quantas vezes não observamos as unhas roídas, sendo esta uma característica de ansiedade? Até se consegue arranjar doenças de pele, se não for nas próprias unhas, para não falar de outros sintomas.
Ter ansiedade, ou sofrer desse mal, faz com que a pessoa perca uma boa parte da sua auto-estima, ou seja, ela deixa de fazer certas coisas porque se julga ser incapaz de realizá-las. Dessa forma, o termo ansiedade está de certa forma ligado à palavra medo, sendo assim, a pessoa passa a ter medo de errar quando da realização de diferentes tarefas, sem mesmo chegar a tentar.
A ansiedade em níveis muito altos, ou quando apresentada com a timidez ou depressão, impede que a pessoa desenvolva seu potencial intelectual. O neófito é bloqueado e isso interfere não só na sua educação tradicional, mas na inteligência social. O indivíduo fica sem saber como se portar em ocasiões sociais ou no trabalho, o que pode levar a estagnação na carreira.
Não é fácil, entender-se esta problemática, mas também, sem a própria ajuda de quem vive a ansiedade, alguém poderá ajudar. E os que estão próximos, aqueles que nos amam de verdade, sentem-se impotentes para “ajudar” que determinadas atitudes e comportamentos não sejam tomados, pela pessoa que não tomaria esses comportamentos, normalmente.
A vida são lembranças, a vida é o presente e o futuro logo se verá! Mas o futuro também se constrói, tendo sempre em consideração que a vida é sempre repleta de vicissitudes. E estas são resolvidas ou procuram-se resolver, no momento em que aparecem, e não antes de surgirem, para não vivermos em ansiedade.

“Aspice, respice, prospice.” [Inscrição em relógio solar] Olha o presente, recorda o passado, olha o futuro.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

PORTUGAL CONTINUA A MUDAR

A educação em Portugal tem evoluído de uma forma impressionante. Estamos a ficar com uma taxa de analfabetos licenciados, formidável.
A educação tem sido uma “paixão” assolapada. O que faz a paixão…
A paixão começou com as novas “oportunidades”. Com três meses de conversa e larachas, pode-se ter o 12.º ano.
Ontem, caíram-me ao chão, quando vi a notícia, de que um “jovem” com quinze anos de idade, no 8.º ano do secundário, transitava para o 10.º. Isto deve ser, em princípio, para não traumatizar a criança e depois assegurar-lhe um futuro de ignorância.
Já tinha lido que haveria um, qualquer, politécnico que formava licenciados em campos de “golf”. Isto deve ser uma brincadeira de mau gosto, ter jardineiros licenciados.
A grande reforma do ensino universitário, com Bolonha, veio proporcionar “mestrados”, com três anos de licenciatura e mais dois anos de treta.
Pergunto eu, na minha santa ignorância, se os licenciados em direito, por exemplo, que depois da sua licenciatura, ou na ordem dos advogados ou no CEJ, tinham no mínimo de fazer mais dois anos de formação, depois de cinco anos de licenciatura, se não devem ter direito ao “doutoramento”? Ainda por cima, esta gente tinha de tirar o 12.º ano, sem facilidades.
Estando eu ligado ao mundo empresarial, mas também ao ensino universitário, tenho sido confrontado com situações, em que já não sei como os manter no sítio.
Um funcionário, com o 9.º ano de escolaridade, faz uma informação deste teor: “Venho por este meio informar (…), de umas situações (…) precisa de novas marcas soes no chão novas sinalizações pintadas no chão…(…)essas baias iram nus parques já nus fez falta…Pesso a sua compressão são coisas que fazem falta nus parques…”
No futuro, as admissões de funcionários nas empresas, têm, forçosamente, de incluir uma prova de selecção que inclua:
- Ditado, redacção e interpretação de um texto. Prova de aritmética, procurando saber se sabem fazer uma prova dos nove, sem máquina de calcular.
Tem andado este país a fazer formação em informática, a pessoas que deveriam saber alguma coisa de inglês, quando nem na língua materna se conseguem exprimir. A não ser que as expressões utilizadas no extracto do texto, que junto, esteja de acordo com o novo acordo ortográfico.
Com esta fobia de criar pseudo -licenciados em qualquer coisa, passamos a ter novas profissões, tais como:
- Empregado de balcão de uma loja de fotocópias – “ Técnico superior de fotocópias”. No Brasil, será “Técnico superior de Xerox”.
- Manicura – “Técnica superior de unhas e peles – com mestrado de pintura de unhas e aplicação de acetona.”
- Barman – “Técnico superior de manipulação de bebidas alcoólicas e refrigerantes”. “Pós graduação em manipulação e produção de caipirinha”.
- Empregada doméstica – “Técnica superior de arrumos e limpezas”.
- Vigilante – “Técnico superior de vigilância, com mestrado em vigilância nocturna, sem lanterna”.

Tenham dó! Com esta rebaldaria, colocaram o país no charco! Não acredito que tudo isto, não tenha repercussões no país, nos próximos cem anos!
Meu querido Portugal, que tens sido governado por bandalhos!


“Vitiorum omnium procreatrix desidia.” A preguiça é a mãe de todos os vícios.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

PORTUGAL ESTÁ A MUDAR

Finalmente, Portugal está a mudar. Já se sente essa mudança. A vida corre sobre rodas. O futuro sorri para os portugueses, como uma criança sorri, quando faz algo de novo que os pais admiram.
E a época, é de facto de mudança…mais impostos, menos poder de compra, mais desemprego, a crescer a um ritmo galopante. Mês após mês. Vão lá com estas cantigas para as famílias que estão desempregadas, que ao abrirem o frigorifico, dentro dele, nada resta, para comerem no dia de hoje. Muito menos para o dia de amanhã, porque Portugal está a mudar.
Sim, está mudar para um futuro de mais miséria, mais desemprego, mais insegurança.
Mais insegurança nas ruas, onde já a polícia, bate a torto e direito, deixando os intervenientes caídos na rua e nem uma ambulância de cuidados médicos chama.
Onde com as “novas oportunidades” se consegue com um curriculum profissional e três meses de treta, fazer o décimo segundo ano.
Está o país a mudar, para a insegurança, de quem andou uma vida inteira a descontar para que tivesse uma velhice sem dependências. Dependências que os próprios Governos gostam, pois sempre lhes permite em épocas eleitorais, criarem um subsídio de miséria para os idosos.
O país está a mudar, para os milhares de jovens que, mal ou bem, realizam os seus estudos e cujas expectativas é continuarem a viver debaixo da alçada dos pais, porque não encontram emprego. Ai não? Jovem, aproveita e vai fazer “uma nova oportunidade”. Sim! Se tiveres a oportunidade vai-te embora deste país que está a mudar, mas que não tem futuro.
É um país, em que em quinze anos de governos socialistas conseguiram pô-lo numa situação de insolvente.
Onde os empresários, utilizando a corrupção e transferindo a responsabilidade da mesma para os políticos, foram-se governando nesta economia decadente de obras públicas não reprodutivas.
Onde a aposta foi sempre a mão -de -obra barata, como factor competitivo. Onde o trabalhador passa o tempo a contar os feriados do ano, para fazer “pontes” e cada vez produzir menos.
É um país a mudar!
Já estou cansado de ver tanta mudança! Mas, para haver mudanças de governo, teremos de esperar que os hóspedes que se encontram à mesa da degustação saiam para entrarem os outros. Porque, assim é o desejo do actual patrão da hospedaria.
Com tanta mudança, fica tudo na mesma! Como diziam na minha terra: “mudam as moscas, mas a merda é a mesma”.
E quem se lixa é o mexilhão!
Dizem-lhe que tem o poder do voto! Não se iludam…não há poder no voto. Porque não há poder em quem vota, de os pôr na rua, no momento adequado.
Parecem lapas!

"Malis mala succedunt." [Erasmo, Adagia 3.9.97] ■Males a males sucedem. ■Uma desgraça nunca vem só. ■