Mê rico filho. Acabei de receber a tua cartinha. O carteiro chegou das nove para as dez…e eu, ansiosa, fui, logo, abri-la.Ainda bem que as coisas estão a correr benzinho, embora não goste nada do que me disseste sobre os teus camaradas que te estão a tentar pôr na rua. Nem com o Manel, a concorrer à presidência da república, eles ficaram contentes? Olha! Ingratidão, é o que é. Quando menos esperamos saem estas surpresas. Mas, também, não é nada que tu não saibas porque já fizeste o mesmo a alguns camaradas teus. Olha, como diz o povo, e eu sei que gostas do povo, “cá se fazem cá se pagam”.
Agora, não gostei, uma vez mais, foi daquele optimismo que tu colocaste naquele jornal inglês, em que dizes que vais reduzir o défice para 2% até 2014. Ó mê querido filho! Tu queres fornicar mais o “povo” que tu tanto amas? Pronto, já sei que me vais dizer que quando a gente ama é que se deve fornicar. Dá mais prazer!
Mas, não achas que é optimismo a mais? É que tu, vai para cinco anos, andas sempre com esse optimismo. Explica lá como é que isso vai ser possível?
Ah, mê maroto. Eu já sabia que era isso que tu ias dizer. Vai para mais de uma ano, que noutra cartinha trocada entre nós, se abordava essa situação. Então, significa que o IVA vai aumentar mais? Ok, correcto. Ah, e os ordenados vão baixar cerca de 15%? E as deduções fiscais vão ser reduzidas?
Nunca me enganaste, mê filho. Nada como a tua mãezinha para entender um filho da mãe.
Quer dizer que andaste a prometer e a prometer, a esta malta, que com o PS era que era uma maravilha, que ias criar cento e cinquenta mil novos empregos e quantos é que ajudas-te a destruir? Ah, não contas com esses? Está bem!
Há um raio de um pensamento que não me sai da cabeça! Como é que irás fazer para aguentar a segurança social e o pagamento das reformas? É que, com o desemprego a aumentar, o número de reformados a subir, como é que arranjas dinheiro para isso? Ah, também vais aumentar os descontos para a segurança social? Bom, está bem. Se não fores por aí, terás que aumentar ainda mais o IVA. Pois é, não há consignação de receitas no orçamento. Então, mê filho, crias outro imposto. Bom, se for assim, e enquanto não houver eleições, vais aguentar-te à bronca.
Mas olha! Não me parece que te safes. Tenta negociar um lugar para a Comissão dos Refugiados e dá de “frosques”, enquanto é tempo. Já sabes que a tua mãezinha está sempre contigo, mesmo, que na maioria das vezes me desiludas.
Afinal, mãe é mãe!
Dá mais notícias, logo que possas. Gosto muito de ler as tuas cartas e saber notícias tuas e do país.
PS: Não te deixes quebrar, agora, com as negociações da PT. Um patriota é patriota até ao fim. Não te deites! Morre de pé, mê filho!
“Mallem mori quam mutare”. [Divisa] Prefiro morrer a mudar.




Diz-se que a mentira tem pernas curtas porque sabemos que ela não costuma ir muito longe. Cedo ou tarde, ela vacila, tropeça e acaba sendo alcançada pela verdade. Isso acontece por, pelo menos, dois motivos: primeiro, porque quando mentimos fazemos mais esforço do que quando dizemos a verdade, em função do dilema moral envolvido na questão, ainda que inconsciente. Segundo, porque quando precisa ser repetida, a mentira perde força, sendo contaminada por fragmentos da verdade ou por outra mentira, pois sua base não é a realidade, e sim a ficção.









