quarta-feira, 30 de junho de 2010

RELATÓRIO DO MÊS DE JUNHO DE 2010

Chegámos ao final de Junho de 2010. Altura de se realizarem relatórios e fazer a análise do ponto de situação.
Em primeiro lugar, Junho foi um mês pouco produtivo, pois os feriados, assim, não o permitiram. Embora não haja dinheiro para a 3.ª via sobre o Tejo, há dinheiro para fazer pontes de lazer.
Logo, por desgraça, o tempo não ajudou, a carteira de alguns portugueses está vazia, e nem a indústria hoteleira se conseguiu aproveitar para sair da crise.
Depois, o mês de Junho é o mês dos santos populares. Começa com o Santo António em Lisboa, com os seus casamentos heterossexuais apadrinhados na Igreja (ao menos, valha-nos Jesus Cristo), para acabar com o S. João, no Porto.
É bom, porque além de incrementar a venda de sardinha assada, em que nalgumas feiras já se paga vinte euros por refeição, põe o pessoal a cantarolar, com as marchas populares. São as farturas, o pão com chouriço, o algodão doce e as pipocas e é ver o pessoal contente. Valha-nos os santos populares.
Mas, também tivemos a selecção nacional, a jogar para o mais difícil: o empate a zero, zero, na maioria dos jogos do mundial de futebol. Mas estava-se a ver…vocês não acreditaram na selecção e criticaram, quando Portugal, no jogo de preparação, com Cabo Verde, tinha feito uma óptima exibição que era capaz de jogar e empatar a zero/zero, com o Brasil ou com a Costa do Marfim.
Além disso, neste mundial, Portugal não teve o Cristiano Ronaldo. Foi preciso ter coragem para não o pôr a jogar. Vai para dois anos que não o vejo jogar na selecção.
Mas, não foi só o futebol e os santos populares, com pontes e pontes de feriados, que houve em Portugal. O Governo, num altíssimo entendimento com o líder do PSD, conseguiu aumentar os impostos e fez mais umas merdas para tramar a malta.
Vocês parecem que não perceberam…é a crise internacional! Nós aumentamos a divida externa todos os dias, por causa da crise. Esta crise que já se arrasta desde que Portugal existe. Ah, agora vai ser uma chatice. Pois vai. Não há dinheiro do Brasil, não há dinheiro das colónias, a União Europeia está seca, com o dinheiro que teve de dar aos Bancos e agora, somos mesmo nós a pagar.
Claro que vai ser diferente. Primeiro são os impostos a aumentar. Depois são as regalias a baixar, os subsídios a desaparecerem e…os ordenados a baixar. Até lá, e depois desta “Tourada à Espanhola”, vamos discutindo os SCUT (devem ser os mísseis da Coreia do Norte), com isenções aqui e acolá. Gaita, só eu é que não tenho isenções. Pago os impostos e pago as auto-estradas, mesmo que vá de Linda-a-Velha a Oeiras. Eu sei que tenho a marginal, porreiro pá. Mas se toda a malta dá em ir na marginal? Como é? Lá estou eu marafado com isto tudo. Pagas e não bufas!
Ah, quanto ao aumento da divida durante o mês de Junho? É melhor não falarmos disso, porque então é que não conseguimos digerir as sardinhas assadas e lá se ia o mau bronzeado que apanhámos este mês.
Venha Julho, que é mês de férias! É do que nós precisamos, é de férias!


“Perditis rebus omnibus tamen ipsa virtus se sustentare posse videatur” [Cícero, Ad Familiares 6.1.4] No meio da ruína total, só a virtude parece capaz de se sustentar.

sábado, 19 de junho de 2010

A ECONOMIA SEMPRE A CRESCER

Mãezinha, recebi a tua cartinha em que dizias que querias ir às compras. Também eu, mas não tenho tido tempo. Isto está tudo, uma grande trapalhada.
Agora não faço outra coisa se não andar armado em “caixeiro-viajante” a tentar vender produtos que todos têm e ainda por cima a preços mais caros.
É verdade! Embora tenhamos ordenados de miséria, a nossa produtividade é muito baixa, como sabes. Também ela começa logo aqui no governo, para acabar na assembleia. Então, vê lá tu, que até o Bloco tem uma assessora com 79 anos de idade. Como é que é possível produzir assim?
Estás a ver, se tivesses vindo trabalhar comigo, ninguém reparava nisso.
Ai mãezinha! O que vale é que não vou estar muito mais tempo por aqui. Quem se vai tramar é o vice-primeiro-ministro que vai ter que segurar a queda do crescimento da economia. Sim, porque isto vai ter um crescimento negativo de 2 ou 3 por cento ao ano. Imagina bem o que vai ser. O desemprego a aumentar e os subsídios a baixar. Vai ser lindo, vai.
Não digas nada a ninguém! Mas nessa altura, vamos, mesmo, ter de reduzir os ordenados. A malta até vai guinchar!
Mas valeu a pena ser político. Em primeiro lugar, consegui ser engenheiro. Depois consegui enganar esta malta toda com a continuação daquela lengalenga, da solidariedade e subsídios para toda a malta. Foi lindo. O quê? Não se fez nada na reestruturação da economia? Não é verdade! A economia está sempre a crescer, mãezinha. Agora, se cresce para negativo, na universidade não demos os números negativos. Pensava que isso não existia. Fiz sempre as contas com números positivos. A culpa foi do ensino. Agora não está melhor? Mãezinha, não diga isso. Os miúdos agora se chumbarem até aos quinze anos e estiverem no oitavo ano, passam para o décimo. Desculpe lá, mas no meu tempo não havia nada destas dificuldades.
E sabe bem que me esforcei. Pelo facto de ser filho de pais divorciados, a mãezinha nunca me ouviu dizer que estava traumatizado e que precisava de acompanhamento psicológico. Não é verdade? E agora? O governo farta-se de gastar dinheiro com estas modernices. Nem no azar que tive nos amores eu me queixei.
Agora é que não aguento mais. Quando me vir livre disto, vou ao psiquiatra e mando a conta aos portugueses. E o maluco sou eu?
Olhe, mãezinha! A malta é uma cambada de ingratos, é o que é. Sacrifiquei eu a minha vida e depois ainda andam a fazer anedotas e piadas sobre mim. Isso é que eu não aguento mais. É uma cabala!
Um dia, ainda hão-de fazer um filme, para televisão, sobre a minha ousadia. Ah, se não fizerem o filme? Fica descansada que hei-de arranjar maneira de acabar com a televisão. Só fica a do Estado, porque esta deve mais de 800 milhões de euros e se fecha, fica uma data de malta a arder.

“Dedit tempus locumque casus.” [Sêneca, Hippolytus 425] A sorte te deu tempo e lugar.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

QUANDO ALÉM DA MENTIRA, SOMOS CEGOS

Diz-se que a mentira tem pernas curtas porque sabemos que ela não costuma ir muito longe. Cedo ou tarde, ela vacila, tropeça e acaba sendo alcançada pela verdade. Isso acontece por, pelo menos, dois motivos: primeiro, porque quando mentimos fazemos mais esforço do que quando dizemos a verdade, em função do dilema moral envolvido na questão, ainda que inconsciente. Segundo, porque quando precisa ser repetida, a mentira perde força, sendo contaminada por fragmentos da verdade ou por outra mentira, pois sua base não é a realidade, e sim a ficção.
Mentir significa “inventar” uma verdade que não existe, e não “relatar” a verdade como ela é. A mentira começa com a pessoa, a verdade é anterior a ela. Quando mentimos criamos uma realidade que não se baseia em nenhum outro facto, a não ser a nossa própria criatividade, o que não é suficiente para sustentar o que foi dito, caso o assunto não se esgote rapidamente. O candidato a um emprego que mente sobre sua experiência e qualificações será desmascarado pela inconsistência do currículo ou pela incapacidade de atender às expectativas que criou.
O filho que invoca a doença de um pai ou de uma mãe, para escamotear um outro problema e que na maioria das vezes, não é um problema. É uma mentira onde se procura encontrar nos outros, a piedade. E mente-se porque sabemos que não é um problema e que o nosso comportamento não é o adequado e que ninguém poderá desculpar esse mesmo comportamento. E por aí fora. Factos que demonstram o insustentável peso da mentira podem ser colhidos em quantidade na história de vida de quase todas as pessoas – de adolescentes a presidentes da república.
Mas, afinal, por que mentimos, se todos sabemos que existe a possibilidade de sermos desmascarados mais cedo ou mais tarde? Que força é essa que nos impele a não sermos sempre fiéis aos factos? Há mentiras justificadas ou não? A verdade, doa a quem doer, sempre é a melhor opção?
Uma coisa é verdade, a percepção que temos dos factos, e a mentira grande ou pequena, danosa ou inconsequente, piedosa ou maldosa, sempre será uma mentira e, como tal, poderá ferir alguém.
E grave, grave, é quando utilizamos a mentira, com quem na realidade nos ama e nos quer bem, na procura de satisfazer algo que é unicamente o nosso querer, num egoísmo desenfreado, numa atitude egocêntrica, na procura de “felicidades” e “prazeres”, ou que não existem ou que são sempre muito efémeros, e que sabemos, interiormente que são uma falácia. Nestas condições, além da mentira, somos cegos. Direi mais, somos sádicos, porque sabemos que estamos a ferir, a magoar, a dilacerar, aqueles que, ao fim e ao cabo, são os únicos que nos protegem e nos querem bem.
Sim, porque cego, cego, é aquele que não quer ver!

"Certum voto pete finem." [Horácio, Epistulae 1.2.56] Põe um limite certo a teu desejo.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais justiça na sociedade injusta

Toda idéia de justiça pressupõe não apenas uma distinção de mérito e demérito, mas também as diferenças de escala dentro de um e do outro. Homenagens, cargos, prémios escolares, hierarquias burocráticas, civis e militares reflectem a escala do mérito, o Código Penal e os vários mecanismos de exclusão social, a dos deméritos. É inútil falar em “meritocracia”, pois todas as hierarquias sociais são meritocráticas, divergindo apenas no critério de aferição dos méritos. Mesmo essa divergência é mínima. Nenhuma sociedade é tão fortemente apegada a prestígios de família que negue toda possibilidade de merecimento individual autónomo, nem é tão desapegada deles que não reconheça diferença entre ser filho de um herói nacional ou de um assassino estuprador.
Suponham uma rígida sociedade de castas e uma democracia igualitária. Qual das duas é mais justa? A sociedade de castas alega que é justa porque busca refletir na sua estrutura a ordem hierárquica dos valores, premiando em primeiro lugar os homens espirituais e santos, depois os valentes e combativos, depois os esforçados e industriosos e por fim os meramente obedientes e cordatos. Quem chamaria isso de injustiça? O igualitarismo democrático baseia-se na idéia igualmente justa de que ninguém pode prever de antemão os méritos de ninguém, sendo portanto melhor assegurar a igualdade de oportunidades para todos em vez de encaixilhá-los por nascimento em lugares estanques da hierarquia. A sociedade de castas falha porque não é garantido que os filhos de santos sejam santos, de modo que aos poucos a hierarquia social se torna apenas um símbolo remoto em vez de expressão directa da hierarquia de valores. De símbolo remoto pode mesmo passar a caricatura invertida. A democracia, por sua vez, na medida em que nivela os indivíduos nivela também suas opiniões e, portanto, os valores que elas expressam. O resultado é o achatar de todos os valores, que favorece a ascensão dos maus, egoistas e prepotentes pela simples razão de que já não há critérios para considerá-los piores do que os mansos e generosos. Daí a observação de que a democracia não é o oposto da ditadura – é a causa da ditadura.
Pela mesma razão, todo aquele que promete eliminar as exclusões sociais começa por excluir os que não acreditam nele, e aquele que promete uma hierarquia aristocrática perfeita começa por invertê-la quando, ao reivindicar o poder necessário para construí-la, se coloca a si próprio no topo da escala e se torna a medida dela em vez de ser medido por ela.
Na alma do indivíduo bem formado é sempre possível conciliar o senso da hierarquia de valores com o sentimento da igualdade profunda entre os membros da espécie humana. O próprio amor aos valores mais elevados infundirá nele necessariamente um pouco de humildade igualitária, da qual Jesus deu exemplo constante. O indivíduo tem sempre a flexibilidade psíquica para buscar o equilíbrio dinâmico entre valores opostos. Mas nenhuma sociedade pode ser ao mesmo tempo uma sociedade de castas e uma democracia igualitária, nem muito menos ter a elasticidade necessária para passar de uma coisa à outra conforme as exigências morais de cada situação. Os valores morais existem somente na alma do indivíduo concreto. As diferentes estruturas sociais podem apenas macaqueá-los de longe, sempre sacrificando uns em proveito de outros, isto é, institucionalizando uma quota inevitável de erro e de injustiça. Os seres humanos podem ser justos ou injustos – as sociedades só podem sê-lo de maneira simbólica e convencional, eminentemente precária e relativa.
Essas distinções são elementares, e nenhum indivíduo incapaz de percebê-las intuitivamente à primeira vista está qualificado para julgar a sociedade ou muito menos propor sua substituição por outra “mais justa”. Infelizmente, essa incapacidade é precisamente a qualificação requerida hoje em dia de todos os doutrinários de partido, parlamentares, líderes de movimentos sociais etc., porque, cada um deles só consegue subir na vida na medida em que personifique a “sociedade mais justa” em nome da qual legitima suas propostas. Ou seja: são sempre os homens injustos que se incumbem de promover a “justiça social”, julgando e condenando aquilo que nem mesmo compreendem. Se em vez de buscar uma “sociedade mais justa” começássemos por derrubar de seus pedestais os homens injustos, um a um, a sociedade em si não se tornaria mais justa, mas haveria mais justiça na sociedade injusta – e isto é o máximo a que seres humanos razoáveis e justos podem aspirar.
Ius naturale est id quod iustum est ex ipsa natura rei. [Jur] É direito natural aquilo que é justo pela própria natureza da coisa.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Mê FILHO, PRECISO DE IR ÀS COMPRAS


Mê rico filho!
Noutro dia fui a banco, para ver se me emprestavam um dinheirito, pois queria fazer uma compras, porque não dá jeito nenhum está a tirá-lo do offshore.
Tenho de estar a mandar mails para as Caimão e primeiro que cá chegasse era uma chatice.
Mas não é que o gerente, do Banco onde eu fui, muito simpático, me disse: minha senhora, lamentamos mas não temos dinheiro para emprestar.
E eu disse-lhe: mas o meu filho tem dito que isto está uma maravilha e que até no primeiro trimestre a economia estava a crescer, como é que o senhor me diz uma coisa destas?
- Mas quem é o filho da Senhora? Não me diga que é o primeiro-ministro? É sim senhor, respondi eu! E, então, a Senhora que é mãe dele ainda acredita no que ele diz?
Irritei-me com aquilo e disse-lhe: Olhe lá meu senhor, acredito eu a mais trinta e tal por cento de portugueses que votaram em mê filho. E não estão nada arrependidos, porque segundo as sondagens esses trinta e tal por cento vão continuar a votar nele.
Se o senhor não tem dinheiro, porque está aflito, tudo bem. Mas não me venha dizer que a culpa é dele.
Nem deles nem daquela rapaziada que anda a mamar atrás dele. Sim, porque mê filho sempre foi muito protector dos seus amigos. Até vai apoiar o Pateta Alegre como candidato à Presidência da república e vai ter o apoio do Bloco de Esquerda. Na segunda volta, ainda vai ter apoio do PCP.
E vai ver, que ainda vamos ter um Presidente e um Governo Socialista. É só ele prometer mais cento e cinquenta mil novos empregos e esta rapaziada acredita nele.
Então, diga-me lá: quando é que o senhor espera voltar a ter mais mercadoria para vender? É que sem mercadoria, vai ter de fechar o negócio.
Olhe, se isto está assim, quem não tira o meu lá do Caimão, sou eu! E mais, vou dizer aos meus vizinhos para porem a massa lá fora. Chiça….ficar sem o mê dinheirinho é que não. Mê filho está farto de trabalhar para ficar com os bolsos rotos.
E não vai ser com a reforma que ele se vai safar…muito menos agora!
Já foi um sacrifício pagar os apartamentos ao offshore!
Olha mê filho, vê lá se me empresta algum. É que preciso mesmo de ir ás compras. Sinto-me de tal modo tão deprimida, com esta merda toda no país, que preciso de ir espairecer ao El Corte Inglês.
Fico à espera. Não te esqueças do pedido da mamã. Beijinhos!

« Miserum istuc verbum et pessimum est ‘habuisse’ et nihil habere. » [Plauto, Rudens 1243] É triste e muito ruim essa expressão ‘ter tido’ e não ter nada. ●

sábado, 5 de junho de 2010

Olha o presente, recorda o passado, olha o futuro.

A observação continuada de comportamentos que procuro entender e ter compreensão, mas que me deixam numa posição de não saber bem o que fazer ou que mais dizer, fizeram com que escrevesse este post. Os problemas dos outros são sempre mais fáceis de serem entendidos e as recomendações afloram com rapidez. Mas quando amamos alguém, o aparente sofrimento por ansiedades despropositadas, que não deviam existir, porque na realidade, a vida é sempre feita de incertezas. Só existe razão para a ansiedade quando existem problemas reais que se podem traduzir por factos. Um problema sério de saúde, por exemplo. Toda a ansiedade que não é demonstrável por factos, passa a ter características de doença e é, já, no foro psiquiátrico que ela terá de ser amenizada. Quando uma pessoa anda permanentemente nervosa, aflita, enfim, um pouco “fora do normal”, acaba por colocar toda a gente nervosa, também, e com isso acaba por ter atitudes irritantes, ou passa a vida a fazer coisas para chamar a atenção dos outros.
E foi quando eu disse para mim que deveria ter paciência e entender a situação dela. Entender que ela não passa por um bom momento e que é difícil para ela lidar com tudo isso. Que por causa da sua ansiedade já patológica, ela não consegue colocar a cabeça no lugar, não consegue ver a maneira que está agindo e nada do que ela faz é por mal, mas simplesmente por não conseguir distinguir uma coisa da outra.
E foi justamente aí que me deu o estalo. Quantas vezes julgamos as atitudes de outras pessoas sem realmente saber o que se esconde por trás? Quando alguém passa apressado no trânsito, ou alguém que passou correndo para o autocarro, levando as restantes pessoas de arrasto? Será que essas pessoas realmente são assim ou poderiam estar com algum problema e agiram sem pensar?
É fácil exemplificar isso. Basta pegar um exemplo bem pessoal. Naquele dia em que tudo dá errado, em que o melhor teria sido não sair da cama, quando o mundo parece conspirar contra nós, será que não agimos de forma rude – ou no mínimo um pouco – com as outras pessoas? Ou quando estamos cheios de coisas para fazer, precisando fazer vinte coisas ao mesmo tempo, com pessoas chamando, de tudo quanto é lado, e aparece um engraçadinho e faz uma pergunta idiota – ainda que séria – não a mandamos passear?
Há que se ter um pouco de paciência antes de julgar qualquer acção de uma outra pessoa, principalmente se for uma atitude que essa pessoa não tomaria normalmente. Ao invés de ficarmos com o orgulho ferido, achando, que a tal pessoa não pode nos tratar assim e começar a choramingar ou reclamar, poderíamos tentar entender os motivos que levaram essa pessoa a fazer isso. Nem sempre pode existir um bom motivo, mas podemos tentar descobrir primeiro antes de fazer qualquer julgamento.
Compreender e entender uma pessoa pode fazer toda a diferença em qualquer tipo de relação, principalmente se ela for amorosa ou familiar. Conseguindo entender o que motiva tais atitudes das pessoas nos dá uma outra visão da situação e podemos analisar claramente tudo o que se passa. E assim, podemos evitar mágoas, tristezas e algumas discussões.
Claro que existe uma grande diferença entre falar e fazer. Eu sei bem que não é nada fácil, mas há que se tentar. E com a prática, começa a tornar-se tão automático que, quando vemos, já conseguimos ter mais paciência e menos aborrecimentos.
Todas as pessoas podem sentir ansiedade, principalmente com a vida atribulada actual. A ansiedade acaba tornando-se constante na vida de muitas pessoas. Dependendo do grau ou da frequência, pode se tornar patológica e acarretar muitos problemas posteriores, como o transtorno da ansiedade. Portanto, nem sempre é patológica.
Quantas vezes não observamos as unhas roídas, sendo esta uma característica de ansiedade? Até se consegue arranjar doenças de pele, se não for nas próprias unhas, para não falar de outros sintomas.
Ter ansiedade, ou sofrer desse mal, faz com que a pessoa perca uma boa parte da sua auto-estima, ou seja, ela deixa de fazer certas coisas porque se julga ser incapaz de realizá-las. Dessa forma, o termo ansiedade está de certa forma ligado à palavra medo, sendo assim, a pessoa passa a ter medo de errar quando da realização de diferentes tarefas, sem mesmo chegar a tentar.
A ansiedade em níveis muito altos, ou quando apresentada com a timidez ou depressão, impede que a pessoa desenvolva seu potencial intelectual. O neófito é bloqueado e isso interfere não só na sua educação tradicional, mas na inteligência social. O indivíduo fica sem saber como se portar em ocasiões sociais ou no trabalho, o que pode levar a estagnação na carreira.
Não é fácil, entender-se esta problemática, mas também, sem a própria ajuda de quem vive a ansiedade, alguém poderá ajudar. E os que estão próximos, aqueles que nos amam de verdade, sentem-se impotentes para “ajudar” que determinadas atitudes e comportamentos não sejam tomados, pela pessoa que não tomaria esses comportamentos, normalmente.
A vida são lembranças, a vida é o presente e o futuro logo se verá! Mas o futuro também se constrói, tendo sempre em consideração que a vida é sempre repleta de vicissitudes. E estas são resolvidas ou procuram-se resolver, no momento em que aparecem, e não antes de surgirem, para não vivermos em ansiedade.

“Aspice, respice, prospice.” [Inscrição em relógio solar] Olha o presente, recorda o passado, olha o futuro.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

PORTUGAL CONTINUA A MUDAR

A educação em Portugal tem evoluído de uma forma impressionante. Estamos a ficar com uma taxa de analfabetos licenciados, formidável.
A educação tem sido uma “paixão” assolapada. O que faz a paixão…
A paixão começou com as novas “oportunidades”. Com três meses de conversa e larachas, pode-se ter o 12.º ano.
Ontem, caíram-me ao chão, quando vi a notícia, de que um “jovem” com quinze anos de idade, no 8.º ano do secundário, transitava para o 10.º. Isto deve ser, em princípio, para não traumatizar a criança e depois assegurar-lhe um futuro de ignorância.
Já tinha lido que haveria um, qualquer, politécnico que formava licenciados em campos de “golf”. Isto deve ser uma brincadeira de mau gosto, ter jardineiros licenciados.
A grande reforma do ensino universitário, com Bolonha, veio proporcionar “mestrados”, com três anos de licenciatura e mais dois anos de treta.
Pergunto eu, na minha santa ignorância, se os licenciados em direito, por exemplo, que depois da sua licenciatura, ou na ordem dos advogados ou no CEJ, tinham no mínimo de fazer mais dois anos de formação, depois de cinco anos de licenciatura, se não devem ter direito ao “doutoramento”? Ainda por cima, esta gente tinha de tirar o 12.º ano, sem facilidades.
Estando eu ligado ao mundo empresarial, mas também ao ensino universitário, tenho sido confrontado com situações, em que já não sei como os manter no sítio.
Um funcionário, com o 9.º ano de escolaridade, faz uma informação deste teor: “Venho por este meio informar (…), de umas situações (…) precisa de novas marcas soes no chão novas sinalizações pintadas no chão…(…)essas baias iram nus parques já nus fez falta…Pesso a sua compressão são coisas que fazem falta nus parques…”
No futuro, as admissões de funcionários nas empresas, têm, forçosamente, de incluir uma prova de selecção que inclua:
- Ditado, redacção e interpretação de um texto. Prova de aritmética, procurando saber se sabem fazer uma prova dos nove, sem máquina de calcular.
Tem andado este país a fazer formação em informática, a pessoas que deveriam saber alguma coisa de inglês, quando nem na língua materna se conseguem exprimir. A não ser que as expressões utilizadas no extracto do texto, que junto, esteja de acordo com o novo acordo ortográfico.
Com esta fobia de criar pseudo -licenciados em qualquer coisa, passamos a ter novas profissões, tais como:
- Empregado de balcão de uma loja de fotocópias – “ Técnico superior de fotocópias”. No Brasil, será “Técnico superior de Xerox”.
- Manicura – “Técnica superior de unhas e peles – com mestrado de pintura de unhas e aplicação de acetona.”
- Barman – “Técnico superior de manipulação de bebidas alcoólicas e refrigerantes”. “Pós graduação em manipulação e produção de caipirinha”.
- Empregada doméstica – “Técnica superior de arrumos e limpezas”.
- Vigilante – “Técnico superior de vigilância, com mestrado em vigilância nocturna, sem lanterna”.

Tenham dó! Com esta rebaldaria, colocaram o país no charco! Não acredito que tudo isto, não tenha repercussões no país, nos próximos cem anos!
Meu querido Portugal, que tens sido governado por bandalhos!


“Vitiorum omnium procreatrix desidia.” A preguiça é a mãe de todos os vícios.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

PORTUGAL ESTÁ A MUDAR

Finalmente, Portugal está a mudar. Já se sente essa mudança. A vida corre sobre rodas. O futuro sorri para os portugueses, como uma criança sorri, quando faz algo de novo que os pais admiram.
E a época, é de facto de mudança…mais impostos, menos poder de compra, mais desemprego, a crescer a um ritmo galopante. Mês após mês. Vão lá com estas cantigas para as famílias que estão desempregadas, que ao abrirem o frigorifico, dentro dele, nada resta, para comerem no dia de hoje. Muito menos para o dia de amanhã, porque Portugal está a mudar.
Sim, está mudar para um futuro de mais miséria, mais desemprego, mais insegurança.
Mais insegurança nas ruas, onde já a polícia, bate a torto e direito, deixando os intervenientes caídos na rua e nem uma ambulância de cuidados médicos chama.
Onde com as “novas oportunidades” se consegue com um curriculum profissional e três meses de treta, fazer o décimo segundo ano.
Está o país a mudar, para a insegurança, de quem andou uma vida inteira a descontar para que tivesse uma velhice sem dependências. Dependências que os próprios Governos gostam, pois sempre lhes permite em épocas eleitorais, criarem um subsídio de miséria para os idosos.
O país está a mudar, para os milhares de jovens que, mal ou bem, realizam os seus estudos e cujas expectativas é continuarem a viver debaixo da alçada dos pais, porque não encontram emprego. Ai não? Jovem, aproveita e vai fazer “uma nova oportunidade”. Sim! Se tiveres a oportunidade vai-te embora deste país que está a mudar, mas que não tem futuro.
É um país, em que em quinze anos de governos socialistas conseguiram pô-lo numa situação de insolvente.
Onde os empresários, utilizando a corrupção e transferindo a responsabilidade da mesma para os políticos, foram-se governando nesta economia decadente de obras públicas não reprodutivas.
Onde a aposta foi sempre a mão -de -obra barata, como factor competitivo. Onde o trabalhador passa o tempo a contar os feriados do ano, para fazer “pontes” e cada vez produzir menos.
É um país a mudar!
Já estou cansado de ver tanta mudança! Mas, para haver mudanças de governo, teremos de esperar que os hóspedes que se encontram à mesa da degustação saiam para entrarem os outros. Porque, assim é o desejo do actual patrão da hospedaria.
Com tanta mudança, fica tudo na mesma! Como diziam na minha terra: “mudam as moscas, mas a merda é a mesma”.
E quem se lixa é o mexilhão!
Dizem-lhe que tem o poder do voto! Não se iludam…não há poder no voto. Porque não há poder em quem vota, de os pôr na rua, no momento adequado.
Parecem lapas!

"Malis mala succedunt." [Erasmo, Adagia 3.9.97] ■Males a males sucedem. ■Uma desgraça nunca vem só. ■

segunda-feira, 31 de maio de 2010

TRIÂNGULO ONDE REINA A PAZ, O AMOR E O SILÊNCIO

Ao som de “Vangelis”, encontrei o “arrife”, aquele que nos leva de sul para norte. Sim! Porque, quando perdemos o norte, se encontrarmos o “arrife”, encontraremos o norte.
E foi o que me aconteceu. Fui direito ao norte!
Tinha como fundo o mar, com as suas ondas tocadas pelo vento, que se fazia sentir.
Que beleza de azul, onde o verde se misturava, mostrando variadas tonalidades de uma beleza deslumbrante.
A força interior criada pela beleza que nos rodeia, sentindo a música que adoramos e nos transporta, a maioria das vezes pelo universo do imaginário. A felicidade que se procura, os sonhos que se querem realizar, os desejos que são difíceis de concretizar, mas que acabam por nos dar alento para continuar, procurando a luz, do conhecimento e do amor, em detrimento das trevas, no triângulo da vida. Triângulo que simboliza o número três, que é universalmente um número fundamental, que exprime uma ordem intelectual e espiritual, em Deus, no Cosmos e no Homem.
Deus acompanha-me sempre, porque sinto o seu amor, por mim, por tudo e todos os que me rodeiam. O cosmos consegue chegar através da música, como algo que nos transporta para além da vida, mantendo-nos vivos, noutra dimensão que não a terrena.
O homem, esse está permanentemente a aperfeiçoar-se, quando consegue reconhecer que não é um poço de virtudes. Quando se consegue reconhecer que não é saudável o “narcisismo doentio”, o egoísmo e o egocentrismo de que muitos de nós somos portadores.
Quando estes defeitos se fazem sentir é como uma pedra que necessita de muito trabalho, até ser quase perfeita.
E quando estes defeitos não se conseguem, de modo racional, admitir, eventualmente, estamos, infelizmente, perante situações de foro psiquiátrico.
Hoje, consegui viver por algumas horas, a felicidade de encontrar esta harmonia entre Deus, o cosmos e o homem.
Juntar o presente e o passado, como se o passado estivesse presente e o futuro estivesse ali.
Que grandiosidade!
Que beleza…a natureza é assim mesmo. É linda quando se descobre e se consegue sentir, de modo a interiorizar-se. E não falo só da beleza do mar, das plantas e árvores, das cores, do cheiro da maresia…falo da beleza humana, completando, assim, o triângulo. Os três pontos ficaram unidos!
Irão viver em mim, o tempo que me resta nesta dimensão!
Até lá, vou lutar para acreditar que posso e tenho direito a viver dentro deste triângulo maravilhoso, em que reina a paz, o amor e o silêncio!

“Deos ridere credo, cum felix vocat.” [Publílio Siro] Creio que os deuses sorriem, quando um homem feliz os invoca.

sábado, 22 de maio de 2010

MATEM-ME AS SAUDADES!

Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular, "saudade", só conhecida em galego -português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.
A palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar".
Diz a lenda que foi cunhada na época dos Descobrimentos e, no Brasil colónia, esteve muito presente para definir a solidão dos portugueses numa terra estranha, longe de entes queridos. Define, pois, a melancolia causada pela lembrança; a mágoa que se sente pela ausência ou desaparecimento de pessoas, coisas, estados ou acções. Provém do latim "solitáte", solidão.
Uma visão mais específica aponta que o termo saudade advém de “solitude” e “”saudar,” onde quem sofre é o que fica à esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia. A génese do vocábulo está directamente ligada à tradição marítima lusitana.
O termo saudade acabou por gerar derivados como a qualidade "saudosismo" e seu adjectivo "saudosista", apegado às ideias, usos, costumes passados, ou até mesmo aos princípios de um regime decaído, e o termo adjectivo de forte carga semântica emocional "saudoso", que é aquele que produz saudades, podendo ser utilizado para entes falecidos ou até mesmo substantivos abstractos como em "os saudosos tempos da mocidade", ou ainda, não referente ao produtor, mas aquele que as sente, que dá mostras de saudades.

Em botânica, "saudade" é o nome vulgar de várias plantas da família das Dipsacáceas e das Compostas, como as saudades -brancas, que aparecem nos campos e nas vinhas do Sul de Portugal, e é também conhecida por suspiros – brancos – do -monte, as saudades -perpétuas, cultivadas no Sul de Portugal e as saudades -roxas (plantas da família das Dipsacáceas, que aparecem nos terrenos secos e pedregosos, também conhecidas por suspiros -roxos).

E eu tenho saudades dos que partiram, e pelos quais o meu amor perdura, e perdurará, como se acreditasse que um dia regressarão. Mas, quando caio em mim, a única certeza, é de que um dia estarei, junto deles. Serei eu a fazer a viajem ao encontro dos que amei nesta vida.
Tenho saudades, do que vivi e que me deu felicidade.

Mas no momento, a minha mágoa é sobre o país em que vivo, que faz de mim um saudosista, pois, vejo perder os usos e costumes e, princípios nos quais sempre me revi.
Princípios de ética na vida do dia a dia, da ética nas relações pessoais, da ética na família, da ética na economia, da ética no direito, da ética na politica.
Sou um saudosista do país em que acreditei, em quanto jovem.
Se me quiserem “matar a saudade” dêem-me o país em que acreditei. Um país mais fraterno, com mais igualdade e que nem a liberdade fosse cortada com assaltos encapotados aos órgãos de comunicação social e nas mentiras reiteradas, e que já possuem convicção de obrigatoriedade, de quem nos tem governado, nestes 36 anos de orgia gastronómica, onde se vão revezando à mesa, os hóspedes do poder.
Ao menos vou sentindo saudades, mas saudades, neste caso, do que nunca tive e do que desejei para os meus.
E, sentir saudades, é sentir tristeza de deixar menos do que encontrei quando nasci.
Um país que aprendi a amar e que hoje, não vislumbro futuro!
Matem-me as saudades!

« Sola virtus homines honestat; haec est perennis unda nobilitatis, honoris, gloriae. » [Luigi Angeli, Memorie Storiche 127] Só a virtude dignifica os homens; ela é um perene mar de nobreza, de honra, de glória.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

O PAÍS ESTÁ FALIDO!

Mê rico filho!
Depois da tua cartinha, que li como muito gosto, tenho andado a ver as notícias naquele aparelho novo, que compraste, o LCD (Deus me perdoe, mas até parece o nome de uma droga), e estou a chegar à conclusão que puseste o país numa “merda”. Sim! Não me venhas, a mim, repreender, porque sou tua mãe. E já estou a ficar um pouco farta disto. Só oiço dizer mal de ti. Bolas, mê filho!
Agora, já dizem que não há dinheiro para pagar os salários da função pública. Bom, daqui a bocado, começam a dizer que não há dinheiro para pagar as reformas. Isso é que não. Isso significa que já me estás a entrar no bolso. E eu, com a idade que tenho, não estou para estar a depender das tuas esmolas.
Estou a achar, que isto, finalmente, está a bater no fundo. Olha! Ouvi dizer que há um Secretário de Estado das Finanças que adoeceu e que o outro, com o calor, não consegue ir ao Ministério? Isto de facto está a aquecer. Ai está, está!
Porque é que não aplicas já as outras medidas que o alfaiate Pedro tirou? Porque é que não dizes, à malta, que os Bancos estão na “banca rota” e que o Estado não vai pagar salários aos funcionários públicos? (pode ser a partir de Julho, não pode?).
Ai, mê filho Zé. Afinal, aqueles tipos que andavam por aí a chatear, tinham razão. É pá! O que é que tu, a final, andaste a fazer na Universidade? Ah, não havia a cadeira de Economia Política, nem a de Fiscal? Em substituição puseram o inglês técnico? Estou a perceber. Mas tu, também, falas tão mal inglês? Continuo a dizer…mê filho, o que é que tu andaste a fazer na Universidade? Afinal, és engenheiro de quê?
Ah, isso nada tem a ver com o ser primeiro-ministro? Por um lado é verdade, mê filho. Mas a ignorância e o atrevimento, pagam-se caros! Olha…e o resultado está à vista! O país está completamente falido. Nem no final da monarquia a situação era tão grave.
Estás a arruinar o país e a nossa vida! Isso é que eu sei!
Então, depois de tudo isto, ainda contínuas a falar que vais fazer o TGV e que daqui a seis meses vais arrancar com o projecto da 3.ª travessia sobre o Tejo?
Mas tu endoidaste ou quê, mê filho?
Parece-me que já nem sabes para que lado é que fica o Norte. Se não sabes, pergunta a quem sabe. Tá?
Ou então, vem-te embora. Aqui em casa sempre tens uma sopinha, para comer. E eu, dou-te “miminhos”, como dava quando tu eras um “puto” traquinas!

“Fabula impleta est.” [Binder, Thesaurus 1058] A história está completa. ■A festa acabou!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

O QUE É SER PATRIÓTICO ?

Ser patriótico é votar durante 15 anos no Partido Socialista. Ser patriótico é aguentar com um primeiro-ministro que ficou com a alcunha do “Picareta Falante”, porque só dizia baboseiras e deixou o país num pântano.
Ser patriótico é passar a rasteira ao “enfant terrible”, que de terrível não tem nada e foi e é uma falácia politica.
Para depois se votar, e dar a maioria ao Partido Socialista, encabeçado por um pseudo - engenheiro que aumentou o tempo de reforma, andou uma legislatura a negociar a avaliação dos professores que depois veio a custar já na legislatura seguinte, mais 450 milhões de euros. Foi o aniquilar de urgências de modo discutível, por esse país fora.
Foi fazer aumentar as filas de espera para se ser operado num hospital em Portugal. Foi a possibilidade de as mães portuguesas terem os seus filhos em Espanha. Foi o dar continuidade ao rendimento mínimo que permite que milhares de pessoas vivam à sombra deste dinheiro.
Foram os grandes projectos de TGV, 3.º travessia sobre o Tejo e o novo aeroporto que na margem sul, “jamais”.
Foi ouvir o senhor primeiro-ministro a dizer-nos constantemente na televisão que a economia em Portugal crescia como se andasse a tomar Viagra. E depois de tudo isto e da divida pública continuar a crescer, esta sem viagra, serem os portugueses todos fornicados, com o aumento de impostos que sabemos que não ficam por aqui.
Como uma boa fornicação, este aumento de impostos são os preliminares de um orgasmo fiscal que estes socialistas estão a preparar. E Pedro Passos Coelho não passa de um “voyeur” que se vai entesando com a ideia de ser primeiro-ministro, mas que de momento se limita a ser também patriótico.
E patrióticos têm de ser todos os portugueses que não votaram no Sócrates e serem solidários em todo este regabofe pornográfico, de pagar todos estes orgasmos fiscais que se avizinham. Mesmo os que votaram no Sócrates vão ter de se contentar com uma mera masturbação, porque se limitaram a irem mamando uns lugares por aqui e por ali, enquanto outros amigos e camaradas, andaram com a sua alta categoria, preenchida de méritos e larga experiência, a desempenhar cargos de grandes administradores, nas empresas que o Governo agora se propõe vender mais algum capital, para permitir distribuir o bolo inteiro de 3 ou 4 milhões a administradores de monopólios.
Há os que são patrióticos e são fornicados à grande e à francesa, por esta República, e os que são patrióticos para beneficiar da mesma.
A partir de Julho, vamos ver as padarias a vender menos pão, os supermercados a vender menos coca –cola.
E eles ralados com isso, pois, antes da fornicação, bebem um bom Whisky e não deixam de ser patrióticos, pois este, até paga mais impostos!


“Malitiis non est indulgendum. [DAPR 770]” Não se devem desculpar as más intenções.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

BEBA COCA –COLA E SEJA SOLIDÁRIO


Mãezinha, nem sabes como ando contrariado. Então não é, que os tipos lá da Europa me impuseram aumentar os impostos quando a nossa economia estava a crescer, a crescer, a olhos vistos? Estamos na Banca Rota? Isso são mentiras da oposição, mãezinha. Eles agora vão ver como é. Andavam a beber coca -cola e a pagar só cinco por cento, a partir de Julho passam a beber e a pagar seis por cento. Vão lá beber coca -cola a cinco por cento para onde eles quiserem. Mas o pão e o leite também aumentam? Claro, mãezinha. O pessoal andava a comer muito pão e isso engorda. Só podem comer um pão por dia, como recomendam os nutricionistas. Disto sei eu, mãezinha. Ando ou não na forma? E a coca -cola, bebem só quando ficarem embuchados, para poderem arrotar. Agora a beber coca -cola todos os dias? Isso só faz mal. Mas não posso tirar a coca -cola da lista dos produtos que pagam só cinco por cento, senão, ainda tinha aí, mais um telefonema do Obama a dizer que eu estava a boicotar o desenvolvimento económico das empresas americanas.
Por outro lado, até a coca –cola pode aproveitar e fazer uma campanha publicitária, mais ao menos assim: “Beba coca –cola e seja solidário com o seu país”.E depois aparece a bandeira nacional. Até parece que já estou a ver o Republicano e Laico do Alegre a beber coca –cola na sua campanha eleitoral.
Esta foi muito bem metida, não foi, mãezinha? Não me saí bem? Fiz do pessoal idiota? Mas é o que eles são, senão, não tinham votado em nós desde 1995 até agora. Olha, mãezinha! Os mansos são eles.
E não viste o Pedrito a pedir desculpa? Foi engraçadíssimo. Parecia que tinha cometido algum pecado. Por caso, foi tudo coincidência…sim, o 13 de Maio. Dia de “Nossa Senhora de Fátima”, estava cá o Papa e ainda por cima era o dia da “libertação dos impostos”. Pois, era! Agora, este ano a malta não se livra de mais uns ajustes lá para Outubro e uma redução no décimo terceiro mês.
Primeiro deixamos o pessoal ir de férias! São mansos, mas não tanto. Se lhe tiramos as “pontes”, os feriados e as férias, esta malta começa logo a dizer: “Além dos impostos ainda nos querem pôr a trabalhar?” E fazem greve! E eu não vou nisso. Mãezinha temos a consciência tranquila. Isto vai por etapas.
Bom, vou-me reunir com o Pedro mas estabelecer a próxima estratégia. Não pomos as coisas à discussão na Assembleia da Republica? Oh mãezinha, era uma perda de tempo. Às duas por três, ainda tinha mais uma comissão de inquérito e isto tem de ser resolvido rapidamente. Quando chegar às eleições, o Pedrito não pode abrir a boca, porque se atravessou no caminho. Mais nada!
Beijinhos deste teu filho espertalhão e habilidoso. Está bem, eu entrego um beijinho ao Pedrito de Portugal, o “Salvador da Pátria”e digo-lhe que está perdoado.


“Te prodet facies, turpiter cum facies.” [Binder, Thesaurus 3292]. Teu rosto te denuncia, quando ages vergonhosamente.

PERDOA-ME

Foi encantador, ouvir o Pedro a pedir desculpa. Parecia que estava naquele programa do saudoso Henrique Mendes, “Perdoa-me”.
Só lhe faltou o ramo de flores para que, nós portugueses, o tivéssemos perdoado.
Sim, porque por mim, sem as flores não o posso perdoar.
Francamente. O meu amigo Pedro foi o gozo geral do país.
Então, esses tipos que orgulhosamente sós, andaram a fazer o que lhes deu na real gana, deram, tiraram, fizeram e agora, que a Europa diz que tem de ser assim, vem o Pedrinho dizer, desculpem?
Mas o Pedrinho estava a pedir desculpa de quê? Da perda da independência e soberania, que davam a prerrogativa do Governo, de fazer as “cagadas” que bem lhe apetecia?
Ah, não era por causa disso. É que alguém disse ao menino, que para ganhar as próximas eleições, apoiando aquilo que disse que não fazia, tinha de vir pedir desculpa, como se não fosse o responsável por nada?
O menino só é responsável por dar ouvidos ao Avô cantigas. Sim, aquele que fala com a boca cheia de bolo-rei. Qual sentido de Estado qual carapuça. Isso é uma treta.
Depois de tudo isso, ainda vamos ver o Sócrates a apoiar o seu amigo “Pateta Alegre”, para candidato, a Chefe Supremo das Forças Armadas, de alguém que deu de “frosques” para a Argélia e que denunciava as posições das tropas portuguesas no terreno, através da rádio.
Tudo porque somos uma Republica laica, em que existem dois dias e meio para Lisboa e Porto, de tolerância de ponto para os “mansos” deste povo irem a Fátima, dados pelo Governo socialista. O tal que é laico e republicano.
Ao ponto a que isto chegou! Já o tinha escrito e volto a dizer que isto é o princípio da procissão. Se o aumento dos impostos neste momento representam cerca de dois meses de empréstimo da República, como é que vão resolver os outros dez meses?
Nessa altura, com essa postura, o menino vai pedir desculpas de joelhos, como se estivesse a rezar, àqueles, a quem enviou para a cruz, seu “Judas”.
Se queres ser perdoado, espera que Deus te perdoe, porque por mim, não tenho essa competência.


“Pone gulae metas, ut sit tibi longior aetas.” [Flos Medicinae Scholae Salerni] Põe limites à tua garganta, para que a vida te seja mais longa.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

APOIA O MANEL




Mê querido filho!
Já tinha saudades das tuas cartas. Como eu gosto de te ouvir. Quando não me escreves, tenho de me limitar a ouvir-te na RTP. É que eles, por lá, repetem todos os acontecimentos onde tu vais.
Esses totós, que te tem andado a infernizar a vida, ainda não perceberam que tudo isto é uma mão cheia de nada.
Mê rico filho! O que esses malandros da oposição te tem andado a fazer? Comissões de inquérito para aqui e para ali, como se tu tivesses feito alguma coisa.
Olha o que eles têm é inveja de não serem tão trabalhadores como tu e um homem que sabe escolher aqueles que o rodeiam.
É tudo boa gente. Tens olho para escolher.
Não podem ver uma pessoa a subir na vida, devido ao seu mérito, que começam logo a cobiçar. Este país sempre foi assim. Mas, fazes muito bem.
Não te deixes ir abaixo, principalmente nesta altura. Vê se dás apoio ao Manel. Ele tem estado à espera de uma palavrinha tua.
Sim, eu sei, mê rico filho, que o Manel há-de ter sempre aquele jeito de esquerda, a roçar o Bloco, mas no fundo é um bom burguês. Gosta de boa mesa e de bons vinhos. Embora tenha fugido à tropa, não deixa de ser um caçador exímio. E como tu sabes, nas caçadas, além de se falar muita coisa, também se fazem umas boas petiscadas.
Vai em frente, mê filho. O Cavaco? Deixa lá o homem. Ele não se vai mexer até às eleições. E depois? Depois, sempre podes fazer com ele, caso ganhe, uma cooperação estratégica. Não é do que ele gosta? O Manel é diferente? Não é nada. O Manel é igual. Então não ouviste o discurso dele, quando anunciou a sua candidatura, que não seria um Presidente interventivo, mas que não ficava quieto. Então isto não é a mesma coisa ou eu já não percebo nada do que se diz?
Mê filho, isto é sempre a mesma coisa! Enquanto esta República se aguentar é de aproveitar. Depois logo se vê. Se isto ainda durar, entretanto, tiras o mestrado de Bolonha. Já fechou a Independente? Parece que em Lisboa há outros sítios onde eles vendem essas coisas. Só precisas de lá ir três ou quatro vezes. Não consegues? Compras outras sapatilhas, ora essa! E como gostas de correr, aproveitas e treinas.
Quando e se puderes, volta a escrever mais uma cartinha que eu gosto muito de saber noticias tuas.
Beijinhos!

PS - Já tinha metido a carta no correio mas, só agora me lembrei que, os primos mandam beijinhos para ti.
Ah, e deixa de, à noite, andares a ler o Eça de Queiroz, porque ainda sonhas que ele anda a escrever sobre ti.


“Multos fortuna liberat poena, metu neminem.” [Sêneca, Epistulae Morales 97.16] A sorte livra a muitos da punição, mas a ninguém do medo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O amor é uma das vias de obter prazer

O prazer está conotado frequentemente com o pecado. No caso concreto do amor, o prazer é associado ao amor sexual, frequentemente visto como pecaminoso, associado a excessos, à irresponsabilidade. E no entanto o prazer existe em todas as formas de amor, e regula toda a nossa existência e os nossos comportamentos…

Os nossos amores podem implicar por vezes sacrifícios, generosidade, compaixão, caridade, doação, mas até no fundo desses amores e desses actos não deixa de haver prazer. Na base do amor a namorados, cônjuges, pais, filhos há também sentimentos de alegria, apaziguamento, harmonia, ou seja, em suma, sentimentos de prazer.
Quando amamos Deus, não deixamos de retirar prazer, satisfação, desse amor. Quando amamos certas ideias, certas formas de poder, ou certas expressões artísticas, fazemo-lo porque temos prazer nisso. O amor é indissociável do prazer. Não se pode amar duradouramente e intensamente sem retirar prazer daquilo que amamos.

É inelutável e inalienável. As nossas vidas estão balizadas por princípios e regras de prazer e dor. Somos animais cujos comportamentos e mentes estão enquadrados nesses termos. Procuramos o prazer (por via do amor, ou por outras vias), e fugimos à dor. Procuramos o prazer da comida, o prazer da poesia, o prazer da música, o prazer do poder, do domínio. Fugimos à dor imediata, à dor causada pelo espectro da morte, à dor associada aos nossos medos.

Nesta perspectiva, o amor é apenas uma das vias de obter prazer, alegria – a via porventura mais importante, sem a qual, a vida perde sentido.
E eu tenho sentido esse amor, logo, tenho sentido prazer, mas sempre atenuado pela dor que não se vê, quiçá, associada aos medos que de tempos em tempos invade a minha vida. E então penso: quem não tem medo? Só os ignorantes e os inconscientes.
Todos, ao longo da vida dizemos, a vida é minha! Uns anos mais tarde já dizemos, a vida é nossa. Para mais tarde, começarmos a pensar que a “vida é deles”.
É contra estes medos, que se transformam em dor, que todos os dias se vai lutando, de modo a que se possa tirar prazer da vida, amando os outros, amando a Deus, a poesia, a música e tudo o mais que nos dá prazer.
Tornar a vida uma utilidade, procurando o princípio da maior felicidade, fazendo desta uma moralidade, promovendo a felicidade. E esta pressupõe a ausência de dor, mas coloca-nos na posição de obter prazer.
Esta é a minha luta diária! Tirar da vida o maior prazer.
Um obrigado à minha filha! Um obrigado, generalizado, a todos os meus amigos e àqueles que, em particular, a mim se têm dedicado.

“Amans, sicut fax, agitando ardescit magis.” O homem enamorado, é como a tocha, quando se agita, mais se inflama.

3 de Maio de 2010

SE NÃO DÁ NO ESPETO VAI PARA A SERTÃ



Minha querida Mãezinha!
Que saudades! Ao tempo que não lhe escrevia umas palavrinhas e desabafava consigo. Só a mãezinha é que me entende.
MAS tenho andado aqui de um lado para o outro com estas confusões todas. Ele é a comissão de inquérito na Assembleia da República que eu estou sempre com medo, quando é que um “caramelo” daqueles, abre demasiado a boca. Nunca se sabe, mãezinha!
Esta malta, às vezes, para sacudir o capote, molha os outros. É óbvio, mãezinha que eu não tenho nada a ver com aquela coisa. Preocupado, como eu ando, em “salvar” o país ainda me metia nessas coisas?
Então não é que andam para aí a querer comparar Portugal com a Grécia, como se nós falássemos grego? Não tem comparação possível, tanto que mesmo apertadinhos, nós vamos fazer o TGV. A Grécia vai fazer o TGV? Não vai! Portanto, significa que nós ainda podemos ir buscar dinheirinho lá fora e pagá-lo em 30 anos. Ou não podemos? Eu sei que não foi assim que comprámos as casinhas. Mas aí, o negócio era outro e tínhamos de aproveitar a ocasião. E a ocasião…cria a oportunidade. É tudo uma questão de oportunidade.
Então vê lá, se não é assim: se eu não fosse o “salvador” da pátria o Cavaco não me tinha já demitido? Ele precisa de mim? Por um lado é verdade, sem mim ele não consegue ganhar as próximas eleições. Mas não é por isso, mãezinha. Ele aposta é nas minhas capacidades, pois quem já reduziu uma vez o défice, reduz outra vez. É fácil…é só subir impostos e pôr a malta a falar fininho! Aumenta-se o IVA e, se alguém comentar, eu digo que o IVA já tinha sido 21%, se voltar a ser, não faz mal nenhum. Ameaçamos a malta com a redução das reformas e o buraco na segurança social. Se vierem com tretas, digo logo que quem queria privatizar o sistema de saúde eram os da oposição.
Vou contra o Pedro? O Pedro já quebrou. Eu não te tinha dito que o Cavaco já lhe tinha puxado as orelhas? Lá está! Sem tirar nem pôr. A ver se eles não falam todos no superior interesse da Nação. Ah, minha querida mãezinha, já tinha saudades desta palavra Nação. Está na moda outra vez.
Isto da Grécia até é bom. Eu vou só tirar o décimo terceiro mês, os Gregos foi o décimo e o subsídio de férias, os portugueses ainda ficam a ganhar.
O futuro, mãezinha? Logo se vê. Se ninguém se preocupou com o futuro de Portugal nestes últimos trinta anos, porque é que hei-de ser eu? Explica-me!
Depois de mim, mãezinha, só pode ser o caos! Acredita no que te digo. As sondagens estão a pôr o Pedro por cima de mim? Isso é sol de pouca dura. O povo sabe quem pode tirar o país desta situação. E quem é, mãezinha? Só quem pôs o país nesta situação.
Ao fim e ao cabo mãezinha, isto funciona como os teus cozinhados. Se não dá no espeto, vai para a sertã.
É tudo uma questão de marketing!
Beijinhos!

“Mitior columba.” [Erasmo, Adagia 3.6.48] É mais manso do que uma pomba.

domingo, 25 de abril de 2010

Se o 25 de Abril fosse hoje

Se o 25 de Abril fosse em 2010, teríamos eventualmente as televisões a dar notícias, a fazer as reportagens, que não houve em 1974. As empresas de comunicações móveis fartavam-se de facturar.
E parece que já estou a imaginar, algumas situações:
- Golpe de estado depõe o governo socialista! O povo, numa aliança com o M.F.A., já arrecadou os cravos todos existentes no mercado, para pôr nos canos das espingardas. Deste modo será o primeiro contributo, para devolver ao povo o que é do povo. Os cravos não podem ser uma flor de meia dúzia de eleitos. Temos que acabar com a luta de classes. Os que têm classe e dos que nunca tiveram classe. Chaimites a caminho de S. Bento.
Diz-se que o poder para não cair na rua, está a ser negociado, entre Sócrates e um Sargento miliciano.
Entretanto, o movimento independente da Madeira, vai declarar de modo unilateral, a sua independência.
O Algarve já reclamou a sua autodeterminação. Dizem os algarvios que estão fartos de ser invadidos pelos moiros. Chega de exploração do Algarve pelos colonialistas do norte de Portugal, principalmente quando são invadidos no verão, por estes. Só se ouve no Algarve o sotaque dos tripeiros.
Sócrates, em princípio, será levado para os Açores, onde o Júlio César lhe garante segurança.
Será eleita nova Assembleia da 4.ª República que irá elaborar uma nova Constituição, no espírito do MFA.
Tudo passará a ser tendencialmente gratuito. A quem estiver desempregado, será assegurado um subsídio para gastar nas discotecas. Além do rendimento mínimo será assegurado um subsídio para se investir no Casal Ventoso.
O ensino deixará de ter 12 anos de escolaridade. Será implementadas as novas oportunidades em todas as escolas e os professores serão substituídos por formadores, oriundos das novas oportunidades.
As novas oportunidades, dando continuação ao espírito de Bolonha, serão implementadas, nas universidades, permitindo, deste modo, que os novos licenciados possam realizar provas escritas, orais e por telemóvel., terminando os seus estudos no máximo de um ano. Mas só se quiserem e depois de negociado os termos com os formadores. Só não serão permitidas realizar provas por fax.
O novo governo decretará o fim da crise e todos teremos direito ao décimo quinto mês. A idade de se votar, passará para os 14 anos de idade, de modo que aumente a participação dos portugueses nas eleições futuras e deste modo a democracia passe a ser verdadeiramente representativa. Caso se verifique necessidade, a idade pode baixar de modo que a democracia se reveja na participação massiva de todos os níveis etários.
Viva o mês de Abril.
Até ao próximo regime político!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O PAÍS HIPOTECADO

Como era de esperar, as últimas contas do FMI, hoje reveladas, não batem certo com as previsões do Governo Português. Aliás, nunca bateram certo, ao longo destes 5 anos. Portanto, também não é de admirar.
O Governo, inscreveu no PEC uma previsão de 0,7% e o FMI vem, agora dizer que revê em baixa esta previsão, para 0,3%. Ou seja, estagnação. Uma vez mais, Portugal vai divergir da zona Euro, pois esta aponta para um crescimento de 1%. Por sua vez, o FMI vem, ainda dizer, que para o próximo ano o crescimento da economia não deverá ultrapassar 0,7%, menos do que está previsto pelo Governo.
Este Governo só acertou uma vez…foi quando “arranjou aqueles números de défice”, no tempo de Santana Lopes. Engraçado, mas quem paga esta brincadeira são os portugueses.
E se não vejamos. Para este ano o desemprego vai agravar-se ainda mais do que estava previsto pelo Governo, cuja previsão, apontava para 9,8% e que o FMI vem dizer que o mesmo será de 11%. Ou seja, superior à taxa média da União Europeia. Claro que se for o Governo a comparar, faz a comparação com Espanha e diz que nós estamos melhores. Eles que digam isso a quem está desempregado, sem objectivos imediatos e com contas para pagar.
E as medidas que são enunciadas no PEC não passam de medidas financeiras. Não há planos para a economia. O que vai fazer este país, para sair deste buraco onde nos meteram?
A concretizar-se esta previsão, a taxa de desemprego será a quinta mais elevada da zona euro, sendo apenas superada pela Espanha, Grécia, Eslováquia e Irlanda. E vamos ver até onde é que isto vai parar.
Depois das reduções em sede de IRS, este Governo, ainda este ano, com estas previsões, vai ter mesmo de aumentar as taxas nominais, pelo menos do IVA. Não há nada a fazer.
Portanto, quando se fala agora tanto na mudança da Constituição, fazendo pontualmente algumas alterações, aqui e acolá, tem de haver a coragem de repensar a mesma no seu todo, começando pelo regime político. Não vai ser mais possível, Portugal sobreviver com este sistema parlamentar, de partidos viciados numa alternância de poder que não conduz a nada. É necessário que passemos a ter um sistema presidencial. Votar num Presidente da República que forme um governo, independentemente dos partidos e dos seus lobbies, ao qual possamos pedir responsabilidades. No actual sistema parlamentar, não há responsáveis. O governo, governa sempre bem e a oposição é sempre um obstáculo, e a culpa morre solteira.
Chega! É preciso dizer basta a este modelo parlamentar, em que o Presidente da República só tem o direito de veto. O resto são recomendações, umas emitidas em privado, outras utilizando os “media” e nada se altera.
E o futuro do país, cada vez mais hipotecado.

“Pecuniae belli civilis sunt nervi.” [Tácito, Historiae 2.84, adaptado] O dinheiro é o nervo da guerra civil.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

INCAPAZES E CAPAZES DE TUDO


Mãezinha
Esta malta anda completamente virada ao contrário. Agora, em vez de sermos nós a apoiarmos os jogadores, querem forçosamente dizer que são os jogadores a apoiar a malta.
Ainda por cima, a apoiarem-me a mim. Como se eu fosse alguma vedeta circense ou qualquer coisa assim parecida.
O povo quando vota em nós, vota pelas nossas ideias, pelos nossos ideais de um país mais pobre…perdão mais justo.
Onde as diferenças se vão cavando, mas de forma suave. Cada orçamento que fazemos, a nossa preocupação é o povo. É verdade mãezinha! Não te estejas a rir. Estamos sempre a fazer contas, para arranjar maneira de pedirmos ao povo, que pague mais impostos.
Nós fazemos planos, de estabilidade, de crescimento…aliás, desde que estamos no governo, a economia é sempre a crescer. Eu sei mãezinha que é a crescer para baixo, mas quem tem a culpa, são esses liberais, que andam por aí, que querem uma economia de especulação, em que as empresas privadas é que são boas e etc.
Nós vamos vender empresas do Estado? Não, mãezinha. Vamos disponibilizar o capital das mesmas à iniciativa privada que não é a mesma coisa. Pronto, mãezinha! Nós estamos completamente tesos. Nem dinheiro para cantar um cego, nós temos. Portanto, não há outro caminho.
O quê? O que fazemos depois de vender o resto das empresas que restam? Olha, mãezinha, só nos resta que haja outra revolução que venha outro “capitão” ou “general”, nacionalizar estas coisas todas e depois, nós voltamos a privatizar. Assim dá para vivermos mais uns anos no forrobodó.
A democracia até prova em contrário é o melhor regime que se conhece para a difusão do “forrobodó”, como política cultural.
Dá-se cabo do ensino, gasta-se à fartazana em nome da solidariedade social, consegue-se ter a malta em casa, em vez de trabalhar, porque o subsídio é maior do que o salário. O quê, mãezinha? Os jovens? Ah, esses a malta vai entretendo com pós graduações, mestrados, formações, novas oportunidades e os “papás” ainda vão pagando para isso tudo. Não te preocupes. Não tens já o futuro dos teus netos assegurado? Os outros que se desenrasquem! Isto é que é a social-democracia… iniciativa para desenrascar.
Mãezinha, somos os únicos que temos os incapazes no governo e os outros que vão para as empresas e outras instituições, são aqueles que são capazes de tudo.
Quem joga assim, mãezinha, não precisa de profissionais de futebol!

« Post annum famulus mores perdiscet eriles ». [Collins 23] ■Ao cabo de um ano, tem o criado as manhas do dono.