sexta-feira, 14 de maio de 2010

BEBA COCA –COLA E SEJA SOLIDÁRIO


Mãezinha, nem sabes como ando contrariado. Então não é, que os tipos lá da Europa me impuseram aumentar os impostos quando a nossa economia estava a crescer, a crescer, a olhos vistos? Estamos na Banca Rota? Isso são mentiras da oposição, mãezinha. Eles agora vão ver como é. Andavam a beber coca -cola e a pagar só cinco por cento, a partir de Julho passam a beber e a pagar seis por cento. Vão lá beber coca -cola a cinco por cento para onde eles quiserem. Mas o pão e o leite também aumentam? Claro, mãezinha. O pessoal andava a comer muito pão e isso engorda. Só podem comer um pão por dia, como recomendam os nutricionistas. Disto sei eu, mãezinha. Ando ou não na forma? E a coca -cola, bebem só quando ficarem embuchados, para poderem arrotar. Agora a beber coca -cola todos os dias? Isso só faz mal. Mas não posso tirar a coca -cola da lista dos produtos que pagam só cinco por cento, senão, ainda tinha aí, mais um telefonema do Obama a dizer que eu estava a boicotar o desenvolvimento económico das empresas americanas.
Por outro lado, até a coca –cola pode aproveitar e fazer uma campanha publicitária, mais ao menos assim: “Beba coca –cola e seja solidário com o seu país”.E depois aparece a bandeira nacional. Até parece que já estou a ver o Republicano e Laico do Alegre a beber coca –cola na sua campanha eleitoral.
Esta foi muito bem metida, não foi, mãezinha? Não me saí bem? Fiz do pessoal idiota? Mas é o que eles são, senão, não tinham votado em nós desde 1995 até agora. Olha, mãezinha! Os mansos são eles.
E não viste o Pedrito a pedir desculpa? Foi engraçadíssimo. Parecia que tinha cometido algum pecado. Por caso, foi tudo coincidência…sim, o 13 de Maio. Dia de “Nossa Senhora de Fátima”, estava cá o Papa e ainda por cima era o dia da “libertação dos impostos”. Pois, era! Agora, este ano a malta não se livra de mais uns ajustes lá para Outubro e uma redução no décimo terceiro mês.
Primeiro deixamos o pessoal ir de férias! São mansos, mas não tanto. Se lhe tiramos as “pontes”, os feriados e as férias, esta malta começa logo a dizer: “Além dos impostos ainda nos querem pôr a trabalhar?” E fazem greve! E eu não vou nisso. Mãezinha temos a consciência tranquila. Isto vai por etapas.
Bom, vou-me reunir com o Pedro mas estabelecer a próxima estratégia. Não pomos as coisas à discussão na Assembleia da Republica? Oh mãezinha, era uma perda de tempo. Às duas por três, ainda tinha mais uma comissão de inquérito e isto tem de ser resolvido rapidamente. Quando chegar às eleições, o Pedrito não pode abrir a boca, porque se atravessou no caminho. Mais nada!
Beijinhos deste teu filho espertalhão e habilidoso. Está bem, eu entrego um beijinho ao Pedrito de Portugal, o “Salvador da Pátria”e digo-lhe que está perdoado.


“Te prodet facies, turpiter cum facies.” [Binder, Thesaurus 3292]. Teu rosto te denuncia, quando ages vergonhosamente.

PERDOA-ME

Foi encantador, ouvir o Pedro a pedir desculpa. Parecia que estava naquele programa do saudoso Henrique Mendes, “Perdoa-me”.
Só lhe faltou o ramo de flores para que, nós portugueses, o tivéssemos perdoado.
Sim, porque por mim, sem as flores não o posso perdoar.
Francamente. O meu amigo Pedro foi o gozo geral do país.
Então, esses tipos que orgulhosamente sós, andaram a fazer o que lhes deu na real gana, deram, tiraram, fizeram e agora, que a Europa diz que tem de ser assim, vem o Pedrinho dizer, desculpem?
Mas o Pedrinho estava a pedir desculpa de quê? Da perda da independência e soberania, que davam a prerrogativa do Governo, de fazer as “cagadas” que bem lhe apetecia?
Ah, não era por causa disso. É que alguém disse ao menino, que para ganhar as próximas eleições, apoiando aquilo que disse que não fazia, tinha de vir pedir desculpa, como se não fosse o responsável por nada?
O menino só é responsável por dar ouvidos ao Avô cantigas. Sim, aquele que fala com a boca cheia de bolo-rei. Qual sentido de Estado qual carapuça. Isso é uma treta.
Depois de tudo isso, ainda vamos ver o Sócrates a apoiar o seu amigo “Pateta Alegre”, para candidato, a Chefe Supremo das Forças Armadas, de alguém que deu de “frosques” para a Argélia e que denunciava as posições das tropas portuguesas no terreno, através da rádio.
Tudo porque somos uma Republica laica, em que existem dois dias e meio para Lisboa e Porto, de tolerância de ponto para os “mansos” deste povo irem a Fátima, dados pelo Governo socialista. O tal que é laico e republicano.
Ao ponto a que isto chegou! Já o tinha escrito e volto a dizer que isto é o princípio da procissão. Se o aumento dos impostos neste momento representam cerca de dois meses de empréstimo da República, como é que vão resolver os outros dez meses?
Nessa altura, com essa postura, o menino vai pedir desculpas de joelhos, como se estivesse a rezar, àqueles, a quem enviou para a cruz, seu “Judas”.
Se queres ser perdoado, espera que Deus te perdoe, porque por mim, não tenho essa competência.


“Pone gulae metas, ut sit tibi longior aetas.” [Flos Medicinae Scholae Salerni] Põe limites à tua garganta, para que a vida te seja mais longa.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

APOIA O MANEL




Mê querido filho!
Já tinha saudades das tuas cartas. Como eu gosto de te ouvir. Quando não me escreves, tenho de me limitar a ouvir-te na RTP. É que eles, por lá, repetem todos os acontecimentos onde tu vais.
Esses totós, que te tem andado a infernizar a vida, ainda não perceberam que tudo isto é uma mão cheia de nada.
Mê rico filho! O que esses malandros da oposição te tem andado a fazer? Comissões de inquérito para aqui e para ali, como se tu tivesses feito alguma coisa.
Olha o que eles têm é inveja de não serem tão trabalhadores como tu e um homem que sabe escolher aqueles que o rodeiam.
É tudo boa gente. Tens olho para escolher.
Não podem ver uma pessoa a subir na vida, devido ao seu mérito, que começam logo a cobiçar. Este país sempre foi assim. Mas, fazes muito bem.
Não te deixes ir abaixo, principalmente nesta altura. Vê se dás apoio ao Manel. Ele tem estado à espera de uma palavrinha tua.
Sim, eu sei, mê rico filho, que o Manel há-de ter sempre aquele jeito de esquerda, a roçar o Bloco, mas no fundo é um bom burguês. Gosta de boa mesa e de bons vinhos. Embora tenha fugido à tropa, não deixa de ser um caçador exímio. E como tu sabes, nas caçadas, além de se falar muita coisa, também se fazem umas boas petiscadas.
Vai em frente, mê filho. O Cavaco? Deixa lá o homem. Ele não se vai mexer até às eleições. E depois? Depois, sempre podes fazer com ele, caso ganhe, uma cooperação estratégica. Não é do que ele gosta? O Manel é diferente? Não é nada. O Manel é igual. Então não ouviste o discurso dele, quando anunciou a sua candidatura, que não seria um Presidente interventivo, mas que não ficava quieto. Então isto não é a mesma coisa ou eu já não percebo nada do que se diz?
Mê filho, isto é sempre a mesma coisa! Enquanto esta República se aguentar é de aproveitar. Depois logo se vê. Se isto ainda durar, entretanto, tiras o mestrado de Bolonha. Já fechou a Independente? Parece que em Lisboa há outros sítios onde eles vendem essas coisas. Só precisas de lá ir três ou quatro vezes. Não consegues? Compras outras sapatilhas, ora essa! E como gostas de correr, aproveitas e treinas.
Quando e se puderes, volta a escrever mais uma cartinha que eu gosto muito de saber noticias tuas.
Beijinhos!

PS - Já tinha metido a carta no correio mas, só agora me lembrei que, os primos mandam beijinhos para ti.
Ah, e deixa de, à noite, andares a ler o Eça de Queiroz, porque ainda sonhas que ele anda a escrever sobre ti.


“Multos fortuna liberat poena, metu neminem.” [Sêneca, Epistulae Morales 97.16] A sorte livra a muitos da punição, mas a ninguém do medo.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O amor é uma das vias de obter prazer

O prazer está conotado frequentemente com o pecado. No caso concreto do amor, o prazer é associado ao amor sexual, frequentemente visto como pecaminoso, associado a excessos, à irresponsabilidade. E no entanto o prazer existe em todas as formas de amor, e regula toda a nossa existência e os nossos comportamentos…

Os nossos amores podem implicar por vezes sacrifícios, generosidade, compaixão, caridade, doação, mas até no fundo desses amores e desses actos não deixa de haver prazer. Na base do amor a namorados, cônjuges, pais, filhos há também sentimentos de alegria, apaziguamento, harmonia, ou seja, em suma, sentimentos de prazer.
Quando amamos Deus, não deixamos de retirar prazer, satisfação, desse amor. Quando amamos certas ideias, certas formas de poder, ou certas expressões artísticas, fazemo-lo porque temos prazer nisso. O amor é indissociável do prazer. Não se pode amar duradouramente e intensamente sem retirar prazer daquilo que amamos.

É inelutável e inalienável. As nossas vidas estão balizadas por princípios e regras de prazer e dor. Somos animais cujos comportamentos e mentes estão enquadrados nesses termos. Procuramos o prazer (por via do amor, ou por outras vias), e fugimos à dor. Procuramos o prazer da comida, o prazer da poesia, o prazer da música, o prazer do poder, do domínio. Fugimos à dor imediata, à dor causada pelo espectro da morte, à dor associada aos nossos medos.

Nesta perspectiva, o amor é apenas uma das vias de obter prazer, alegria – a via porventura mais importante, sem a qual, a vida perde sentido.
E eu tenho sentido esse amor, logo, tenho sentido prazer, mas sempre atenuado pela dor que não se vê, quiçá, associada aos medos que de tempos em tempos invade a minha vida. E então penso: quem não tem medo? Só os ignorantes e os inconscientes.
Todos, ao longo da vida dizemos, a vida é minha! Uns anos mais tarde já dizemos, a vida é nossa. Para mais tarde, começarmos a pensar que a “vida é deles”.
É contra estes medos, que se transformam em dor, que todos os dias se vai lutando, de modo a que se possa tirar prazer da vida, amando os outros, amando a Deus, a poesia, a música e tudo o mais que nos dá prazer.
Tornar a vida uma utilidade, procurando o princípio da maior felicidade, fazendo desta uma moralidade, promovendo a felicidade. E esta pressupõe a ausência de dor, mas coloca-nos na posição de obter prazer.
Esta é a minha luta diária! Tirar da vida o maior prazer.
Um obrigado à minha filha! Um obrigado, generalizado, a todos os meus amigos e àqueles que, em particular, a mim se têm dedicado.

“Amans, sicut fax, agitando ardescit magis.” O homem enamorado, é como a tocha, quando se agita, mais se inflama.

3 de Maio de 2010

SE NÃO DÁ NO ESPETO VAI PARA A SERTÃ



Minha querida Mãezinha!
Que saudades! Ao tempo que não lhe escrevia umas palavrinhas e desabafava consigo. Só a mãezinha é que me entende.
MAS tenho andado aqui de um lado para o outro com estas confusões todas. Ele é a comissão de inquérito na Assembleia da República que eu estou sempre com medo, quando é que um “caramelo” daqueles, abre demasiado a boca. Nunca se sabe, mãezinha!
Esta malta, às vezes, para sacudir o capote, molha os outros. É óbvio, mãezinha que eu não tenho nada a ver com aquela coisa. Preocupado, como eu ando, em “salvar” o país ainda me metia nessas coisas?
Então não é que andam para aí a querer comparar Portugal com a Grécia, como se nós falássemos grego? Não tem comparação possível, tanto que mesmo apertadinhos, nós vamos fazer o TGV. A Grécia vai fazer o TGV? Não vai! Portanto, significa que nós ainda podemos ir buscar dinheirinho lá fora e pagá-lo em 30 anos. Ou não podemos? Eu sei que não foi assim que comprámos as casinhas. Mas aí, o negócio era outro e tínhamos de aproveitar a ocasião. E a ocasião…cria a oportunidade. É tudo uma questão de oportunidade.
Então vê lá, se não é assim: se eu não fosse o “salvador” da pátria o Cavaco não me tinha já demitido? Ele precisa de mim? Por um lado é verdade, sem mim ele não consegue ganhar as próximas eleições. Mas não é por isso, mãezinha. Ele aposta é nas minhas capacidades, pois quem já reduziu uma vez o défice, reduz outra vez. É fácil…é só subir impostos e pôr a malta a falar fininho! Aumenta-se o IVA e, se alguém comentar, eu digo que o IVA já tinha sido 21%, se voltar a ser, não faz mal nenhum. Ameaçamos a malta com a redução das reformas e o buraco na segurança social. Se vierem com tretas, digo logo que quem queria privatizar o sistema de saúde eram os da oposição.
Vou contra o Pedro? O Pedro já quebrou. Eu não te tinha dito que o Cavaco já lhe tinha puxado as orelhas? Lá está! Sem tirar nem pôr. A ver se eles não falam todos no superior interesse da Nação. Ah, minha querida mãezinha, já tinha saudades desta palavra Nação. Está na moda outra vez.
Isto da Grécia até é bom. Eu vou só tirar o décimo terceiro mês, os Gregos foi o décimo e o subsídio de férias, os portugueses ainda ficam a ganhar.
O futuro, mãezinha? Logo se vê. Se ninguém se preocupou com o futuro de Portugal nestes últimos trinta anos, porque é que hei-de ser eu? Explica-me!
Depois de mim, mãezinha, só pode ser o caos! Acredita no que te digo. As sondagens estão a pôr o Pedro por cima de mim? Isso é sol de pouca dura. O povo sabe quem pode tirar o país desta situação. E quem é, mãezinha? Só quem pôs o país nesta situação.
Ao fim e ao cabo mãezinha, isto funciona como os teus cozinhados. Se não dá no espeto, vai para a sertã.
É tudo uma questão de marketing!
Beijinhos!

“Mitior columba.” [Erasmo, Adagia 3.6.48] É mais manso do que uma pomba.

domingo, 25 de abril de 2010

Se o 25 de Abril fosse hoje

Se o 25 de Abril fosse em 2010, teríamos eventualmente as televisões a dar notícias, a fazer as reportagens, que não houve em 1974. As empresas de comunicações móveis fartavam-se de facturar.
E parece que já estou a imaginar, algumas situações:
- Golpe de estado depõe o governo socialista! O povo, numa aliança com o M.F.A., já arrecadou os cravos todos existentes no mercado, para pôr nos canos das espingardas. Deste modo será o primeiro contributo, para devolver ao povo o que é do povo. Os cravos não podem ser uma flor de meia dúzia de eleitos. Temos que acabar com a luta de classes. Os que têm classe e dos que nunca tiveram classe. Chaimites a caminho de S. Bento.
Diz-se que o poder para não cair na rua, está a ser negociado, entre Sócrates e um Sargento miliciano.
Entretanto, o movimento independente da Madeira, vai declarar de modo unilateral, a sua independência.
O Algarve já reclamou a sua autodeterminação. Dizem os algarvios que estão fartos de ser invadidos pelos moiros. Chega de exploração do Algarve pelos colonialistas do norte de Portugal, principalmente quando são invadidos no verão, por estes. Só se ouve no Algarve o sotaque dos tripeiros.
Sócrates, em princípio, será levado para os Açores, onde o Júlio César lhe garante segurança.
Será eleita nova Assembleia da 4.ª República que irá elaborar uma nova Constituição, no espírito do MFA.
Tudo passará a ser tendencialmente gratuito. A quem estiver desempregado, será assegurado um subsídio para gastar nas discotecas. Além do rendimento mínimo será assegurado um subsídio para se investir no Casal Ventoso.
O ensino deixará de ter 12 anos de escolaridade. Será implementadas as novas oportunidades em todas as escolas e os professores serão substituídos por formadores, oriundos das novas oportunidades.
As novas oportunidades, dando continuação ao espírito de Bolonha, serão implementadas, nas universidades, permitindo, deste modo, que os novos licenciados possam realizar provas escritas, orais e por telemóvel., terminando os seus estudos no máximo de um ano. Mas só se quiserem e depois de negociado os termos com os formadores. Só não serão permitidas realizar provas por fax.
O novo governo decretará o fim da crise e todos teremos direito ao décimo quinto mês. A idade de se votar, passará para os 14 anos de idade, de modo que aumente a participação dos portugueses nas eleições futuras e deste modo a democracia passe a ser verdadeiramente representativa. Caso se verifique necessidade, a idade pode baixar de modo que a democracia se reveja na participação massiva de todos os níveis etários.
Viva o mês de Abril.
Até ao próximo regime político!

quarta-feira, 21 de abril de 2010

O PAÍS HIPOTECADO

Como era de esperar, as últimas contas do FMI, hoje reveladas, não batem certo com as previsões do Governo Português. Aliás, nunca bateram certo, ao longo destes 5 anos. Portanto, também não é de admirar.
O Governo, inscreveu no PEC uma previsão de 0,7% e o FMI vem, agora dizer que revê em baixa esta previsão, para 0,3%. Ou seja, estagnação. Uma vez mais, Portugal vai divergir da zona Euro, pois esta aponta para um crescimento de 1%. Por sua vez, o FMI vem, ainda dizer, que para o próximo ano o crescimento da economia não deverá ultrapassar 0,7%, menos do que está previsto pelo Governo.
Este Governo só acertou uma vez…foi quando “arranjou aqueles números de défice”, no tempo de Santana Lopes. Engraçado, mas quem paga esta brincadeira são os portugueses.
E se não vejamos. Para este ano o desemprego vai agravar-se ainda mais do que estava previsto pelo Governo, cuja previsão, apontava para 9,8% e que o FMI vem dizer que o mesmo será de 11%. Ou seja, superior à taxa média da União Europeia. Claro que se for o Governo a comparar, faz a comparação com Espanha e diz que nós estamos melhores. Eles que digam isso a quem está desempregado, sem objectivos imediatos e com contas para pagar.
E as medidas que são enunciadas no PEC não passam de medidas financeiras. Não há planos para a economia. O que vai fazer este país, para sair deste buraco onde nos meteram?
A concretizar-se esta previsão, a taxa de desemprego será a quinta mais elevada da zona euro, sendo apenas superada pela Espanha, Grécia, Eslováquia e Irlanda. E vamos ver até onde é que isto vai parar.
Depois das reduções em sede de IRS, este Governo, ainda este ano, com estas previsões, vai ter mesmo de aumentar as taxas nominais, pelo menos do IVA. Não há nada a fazer.
Portanto, quando se fala agora tanto na mudança da Constituição, fazendo pontualmente algumas alterações, aqui e acolá, tem de haver a coragem de repensar a mesma no seu todo, começando pelo regime político. Não vai ser mais possível, Portugal sobreviver com este sistema parlamentar, de partidos viciados numa alternância de poder que não conduz a nada. É necessário que passemos a ter um sistema presidencial. Votar num Presidente da República que forme um governo, independentemente dos partidos e dos seus lobbies, ao qual possamos pedir responsabilidades. No actual sistema parlamentar, não há responsáveis. O governo, governa sempre bem e a oposição é sempre um obstáculo, e a culpa morre solteira.
Chega! É preciso dizer basta a este modelo parlamentar, em que o Presidente da República só tem o direito de veto. O resto são recomendações, umas emitidas em privado, outras utilizando os “media” e nada se altera.
E o futuro do país, cada vez mais hipotecado.

“Pecuniae belli civilis sunt nervi.” [Tácito, Historiae 2.84, adaptado] O dinheiro é o nervo da guerra civil.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

INCAPAZES E CAPAZES DE TUDO


Mãezinha
Esta malta anda completamente virada ao contrário. Agora, em vez de sermos nós a apoiarmos os jogadores, querem forçosamente dizer que são os jogadores a apoiar a malta.
Ainda por cima, a apoiarem-me a mim. Como se eu fosse alguma vedeta circense ou qualquer coisa assim parecida.
O povo quando vota em nós, vota pelas nossas ideias, pelos nossos ideais de um país mais pobre…perdão mais justo.
Onde as diferenças se vão cavando, mas de forma suave. Cada orçamento que fazemos, a nossa preocupação é o povo. É verdade mãezinha! Não te estejas a rir. Estamos sempre a fazer contas, para arranjar maneira de pedirmos ao povo, que pague mais impostos.
Nós fazemos planos, de estabilidade, de crescimento…aliás, desde que estamos no governo, a economia é sempre a crescer. Eu sei mãezinha que é a crescer para baixo, mas quem tem a culpa, são esses liberais, que andam por aí, que querem uma economia de especulação, em que as empresas privadas é que são boas e etc.
Nós vamos vender empresas do Estado? Não, mãezinha. Vamos disponibilizar o capital das mesmas à iniciativa privada que não é a mesma coisa. Pronto, mãezinha! Nós estamos completamente tesos. Nem dinheiro para cantar um cego, nós temos. Portanto, não há outro caminho.
O quê? O que fazemos depois de vender o resto das empresas que restam? Olha, mãezinha, só nos resta que haja outra revolução que venha outro “capitão” ou “general”, nacionalizar estas coisas todas e depois, nós voltamos a privatizar. Assim dá para vivermos mais uns anos no forrobodó.
A democracia até prova em contrário é o melhor regime que se conhece para a difusão do “forrobodó”, como política cultural.
Dá-se cabo do ensino, gasta-se à fartazana em nome da solidariedade social, consegue-se ter a malta em casa, em vez de trabalhar, porque o subsídio é maior do que o salário. O quê, mãezinha? Os jovens? Ah, esses a malta vai entretendo com pós graduações, mestrados, formações, novas oportunidades e os “papás” ainda vão pagando para isso tudo. Não te preocupes. Não tens já o futuro dos teus netos assegurado? Os outros que se desenrasquem! Isto é que é a social-democracia… iniciativa para desenrascar.
Mãezinha, somos os únicos que temos os incapazes no governo e os outros que vão para as empresas e outras instituições, são aqueles que são capazes de tudo.
Quem joga assim, mãezinha, não precisa de profissionais de futebol!

« Post annum famulus mores perdiscet eriles ». [Collins 23] ■Ao cabo de um ano, tem o criado as manhas do dono.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

UMA MARIA VAI COM AS OUTRAS


Mãezinha
Espero que te encontres bem. Eu cá vou andando, nesta azáfama.
Só que esta malta não me deixa em paz. Agora veio mais aquela notícia no público que diz que eu, quando era “debotado” na Assembleia da República” e tinha dedicação exclusiva, andei a fazer projectos. Ainda por cima chamam projectos aqueles riscos horrorosos. Nunca tive jeito para o desenho, mas como era tradição na família, haver arquitectos, eu também pensei um dia ser arquitecto. Mas não! Logo fui para engenheiro. E que engenheiro, mãezinha!
Tenho feito obras e obras, em prole deste país e como sempre, este povo mal agradecido não reconhece o meu esforço.
Diz lá mãezinha! Quem é que reduziu o défice para 2,62? E depois o aumentou para 9,4? Fui eu, mãezinha. Só um engenheiro é que conseguiria edificar um monumento desta natureza.
Quem é que fez crescer uma data de andares, a divida pública? Fui eu, mãezinha. Ainda me recordo que em 2004, a execução orçamental era 49% do PIB. Agora é mais de 75%.
É sempre a crescer!
Já andavam todos a afiar o lápis, quando foi das eleições do Pedro. Não, mãezinha. Não é esse. É o Pedro Passos Coelho. O outro já foi à vida. O Sampaio arrumou o tipo. Perdeu-se na ambição de ser primeiro -ministro. Isto não é para todos.
O outro Pedro, nem 5% do que eu já fiz, fez e foi posto na rua, por indecente e má figura. É preciso ter muita ginástica de corpo.
Diga-se de passagem que os meus amigos, também não são, como aqueles tipos no PSD que se comem uns aos outros. A malta é mais solidária. Eles alguma vez punham jovens promissores, na Telecom? Nem pensar. Mas eu pus!
Tirando aqueles tipos que foram para o BPN, depois de serem ministros, alguém conseguiu pôr um empregado bancário como administrador da Caixa Geral de Depósitos? Fui eu capaz.
É isto que eu chamo de ginástica!
Conheces alguém que tirasse o curso de engenheiro, sendo Secretário de Estado? Não. Só tê filho!
Mas, estávamos a falar do Pedro. Sim o Coelho. Andou a dizer mal do PEC. Mas quem pensa ele que é? Ainda agora chegou e já quer ocupar o meu lugar? É o que faltava.
O Aníbal disse-lhe logo: “ É preciso estabilidade”. Pronto, o jovem Pedro ficou logo caladinho. Haja respeitinho aqui pelos velhotes.
O que é que vai acontecer? Eu digo-te, mãezinha.
O Aníbal, agora, não mexe no Governo. Está na esperança que eu diga ao “meu pessoal” para votar nele. Mas eu não sei, não. Tenho o Alegre à perna. Se eu não apoiar o Alegre, vem logo aquele da esquerda, que tem sempre uma cara de mal disposto, dizer que nós somos de direita. E não é verdade, mãezinha. As medidas que nós temos tomado, nem o CDS era capaz de tomar. E somos de esquerda? Somos, nalgumas coisas, somos. As chamadas fracturantes! Percebes, mãezinha?
Olha, se não percebes eu também não posso estar aqui com mais explicações. Pede ao meu “primo” que te explique. Não…mãezinha! Não telefones ao Vara, porque ele, agora, muda de telemóvel, todas as semanas. Percebes? Também não? Bolas, mãezinha! Estás a ficar velha. Arrebita e não sejas como são todos os portugueses…”uma Maria vai com as outras.”

Tenho de acabar esta cartinha que já se está a fazer tarde, e ainda, tenho de falar com o Teixeira.
Beijinhos para ti e um xi -coração ao primo.

E ASSIM VAI O PAÍS

Pedro Passos Coelho foi o eleito pelos militantes do PSD para presidir aos destinos do PSD, nos próximos 2 anos.
Todos os opositores, incluindo Cavaco Silva, deram os parabéns.
Só que este último além dos parabéns, não deixou de condicionar, logo à partida, Passos Coelho, dizendo que a estabilidade do País era o mais importante. Leia-se P.E.C (Plano de Estabilidade e Crescimento).
Como se o país estivesse estável, só porque tem um P.E.C.!
Mas que P.E.C.
Um plano que reduz uma vez mais o bem-estar dos portugueses, obrigando estes a pagar duas vezes o que já pagam. Isto é, pagam impostos para a saúde e educação e depois, ainda vêm as deduções reduzidas em sede de IRS.
A isto, chama-se aumentar os impostos de forma camuflada. Estes governos são os únicos gatunos que, a coberto da lei, conseguem assaltar o cidadão comum.
Cavaco Silva está é preocupado com a sua reeleição. Porque na eventualidade de Passos Coelho não apoiar o P.E.C., dar-se-ia, eventualmente a queda do Governo. E, Cavaco Silva, necessita do apoio do PS para se reeleger.
Por outro lado e numa perspectiva de futuro, é de facto recomendável, que Passos Coelho deixe cair o Governo por si mesmo.
Já a minha saudosa mãezinha dizia: “ Filho na cama que fizeres, nela te hás-de de deitar”.
Estou inteiramente de acordo que o PS se deite na cama que fez, durante estes 15 anos que está no poder. Principalmente, enquanto o Zé -povinho não abrir a pestana.
É óbvio que as medidas utilizadas, ainda hão-de ser mais duras. Não se pode andar anos a fio, a tirar dinheiro do saco e pensar que este não tem fundo. Chegámos ao fundo do saco.
E neste plano, onde é que está o crescimento? O que é que é apontado, como medidas, para que a economia possa crescer, aumentar as nossas exportações, criar riqueza e reduzir o flagelo do desemprego? Nada! Rigorosamente nada!
Ao longo destes 35 anos de democracia andou-se a destruir o nosso tecido produtivo. Importamos 85% do que comemos. Estamos reduzidos, em termos industriais, na produção de bens transaccionáveis. Como é que é possível reduzir as importações e aumentar as exportações?
Que papel é que o Estado deve ter na economia e qual a sua intervenção nas empresas?
Parece que todos têm medo da verdade!
Dão-se grandes notícias de caixa alta, dizendo que com os investimentos em 9 barragens, o país reduzirá, em 200 milhões, a sua dependência em petróleo, quando, este valor, não passa de amendoins. A importação de petróleo é superior a oito mil milhões de euros, por ano. Dá vontade de rir! E os “media”, embarcam nestas coisas. Já chega.
Depois paga-se a um Presidente do Conselho de Administração, remunerações, superiores a 3 milhões de euros por ano. Andam a gozar com o pagode. Aliás, não têm feito outra coisa.
Recordando, novamente a minha mãe, dizia esta, que só tinha a instrução primária: “Até eu podia ser Ministra das Finanças ou Presidente do Conselho de Administração de um monopólio”. “É, que quando me falta o dinheiro, tenho de reduzir nas despesas, pois o teu Pai não consegue impor ao patrão, mais salário”.
Agora o Estado e a EDP conseguem impor mais receitas, sempre que é necessário. Eu diria mais…todo o português da classe média, conseguia ser Ministro das Finanças ou Presidente da EDP, pois já estão habituados a ultrapassar o limite do cartão de crédito, que não havia no tempo da minha mãe.

E assim vai o País. Votos de sucesso para Passos Coelho, embora este já esteja com as mãos atadas.


« Miserum istuc verbum et pessimum est ‘habuisse’ et nihil habere. » [Plauto, Rudens 1243] É triste e muito ruim essa expressão ‘ter tido’ e não ter nada.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Vale sempre a pena reler o que mudou...




"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro

NESTE DIA DO PAI

Hoje, dia do Pai, recebi as flores mais lindas que alguém me poderia dar…a minha filha!
Obrigado pelas flores, pelo amor e carinho que me dedicas!
Mas, não é possível, neste dia, não reforçarmos a memória e lembrarmo-nos que um dia também tivemos um Pai.
E eu tenho muitas, muitas saudades do meu Pai, e porque li este poema, muito bonito, de Rama Lyon, não posso deixar de o partilhar, com todos aqueles, que hoje, dia do Pai, reforçam a memória de um Pai que já partiu. À sua memória, aqui deixo este poema, Pai…

NESTE DIA DO PAI
(19-3-2010)

Vou sofrendo a minha dor
Por alguém que já partiu,
E a saudade desse amor
Para sempre me feriu.

Mas um grito de coragem
Do meu peito hoje me sai
Pra deixar justa homenagem
Àquele que foi meu pai.

Não esqueço a bondade
Com que sempre me criou,
Nesse berço de amizade,
Tantas vezes me embalou.

Foi num mês de Fevereiro
Que a minha alma vazia
Nesse adeus derradeiro
O viu descer à terra fria.

Tanta mágoa me deixou
Nessa hora da partida
Que minha alma ficou
Desgostosa toda a vida

Se eu tivesse portador
Com certeza mandaria
Um abraço cheio de amor
A lembrar-lhe este seu dia.

Que a paz seja seu brilho
Aí no Céu onde o pai está,
Que na terra este seu filho
Nunca mais o esquecerá.

RAMA LYON

quinta-feira, 18 de março de 2010

A LEI DA ROLHA NO PSD

O PPD/PSD fez aprovar, no último fim-de-semana, no seu Congresso, uma norma estatutária que não permite, aos seus militantes, criticar o líder ou a actuação dos órgãos do seu partido, 60 dias antes de eleições.
Ao que se chegou! Se o Governo se lembrasse de pôr cá fora uma norma destas, dizendo que qualquer cidadão não poderia dizer mal do Governo ou do seu líder, 60 dias antes de eleições, que diriam os democratas deste país?
Antes de mais, esta norma é categoricamente inconstitucional.
A Constituição da Republica Portuguesa diz claramente que “todos têm direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações”.
Mais adiante, diz “O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura”.
É óbvio, que todos os estatutos preservam o seu direito, de não se ser contra a organização, mas impedir que os seus membros discordem das orientações de um líder ou do órgão que promove acções políticas é que me parece a “lei da rolha”.
Salvo melhor opinião, os congressistas que aprovaram a introdução de uma norma que proíbe a crítica, ao líder, 60 dias antes de um acto eleitoral, no meio da confusão, nem souberam o que aprovaram. Assisti à confusão que foi a discussão destas alterações estatutárias e além de ter ficar surpreendido com alguém que teve a leviandade de propor uma norma desta natureza, fiquei espantado e admirado com o modo pouco organizado que a mesa teve na condução dos trabalhos e em particular na interpretação da norma estatutária que permite a aprovação ou rejeição de alterações aos estatutos.
Este Congresso teve dois objectivos, bem claros.
O primeiro veio do seu proponente que apresentou uma série de propostas de introdução e alteração de normas estatutárias, que não foram nem mais nem menos do que uma vingança de alguém que não esquece a sua tentativa frustrada de ser primeiro-ministro, sem condições politicas para tal.
O segundo objectivo foi o de realizar uma série de comícios, dos candidatos a líder.
O que ganharam em termos de televisão, falando para os promitentes votantes, perderam em espectáculo para a opinião pública em geral.
Não me parece que assim se vá a algum lado e o país merece mais do que isto.
De tanto escrever estou a ficar com a boca seca, mas como sou bebo leite de soja, vou beber um copo de água e deixo o vinho para a hora de almoço.

“Pipere abundans etiam oleribus illud admiscet.” [DAPR 22] Quem tem muita pimenta, mistura-a até nas verduras.

quarta-feira, 10 de março de 2010

POR UM PORTUGAL A “SÉRIO”


Mê filho continuas a ser aquele mentiroso compulsivo.
Sempre acabaste por pôr o PEC cá fora. Também não tinhas outro remédio, não é?
Para não subires as taxas dos impostos, baixaste as deduções em sede de IRS e depois vens dizer para a malta que não subiste os impostos?
Mê rico filho, já te tinham apanhado noutras mentiras, como aquela da TVI, aquela do curso, mas dizeres à malta, que vai pagar mais IRS, que não é subir impostos é que não.
Porque é que não me pediste conselhos? Bom, se não os tomaste quando eras pequenino, agora nem pensar. Mas ao Teixeira é que não lhe fica nada bem, porque ao fim e ao cabo, ele é que é o “contabilista”.
É pelo menos o que dizem. Ainda ontem, o Morais Sarmento sempre que falou do PEC referia-se ao Teixeira como o contabilista. Olha que não sou eu!
Agora, aquela dos “ricos”, não é bem ricos, aqueles que ganham mais de 150 mil patadas por ano, pagarem 45% é obra. É claro que eu percebo, mê filho. Tinhas que pôr alguma coisinha para moralizar o pessoal, principalmente os da esquerda do caviar. Eu sei!
Ah, e as mais valias mobiliárias? Agora é que vai ser…se tu já foste à bolsa do pessoal para reduzir o défice, eles estavam à espera de quê?
Eu sei, mê filho, que cinco anos de tanga, mais 4 anos de tanga, são 9 anos de tanga. Quando chegar ao final, não sei se o pessoal ainda tem tanga. Ainda, por cima, a andar neste pântano.
Ah! Mas o PEC só tem a parte financeira? E então em termos económicos o que é que vais fazer? Não sabes? Bem me parecia e o “contabilista” também não ajuda nada, não é? Tu ainda tens um Ministro da Economia? Onde é que o tipo anda? Já sei…foi ver como é que o Hugo Chavez está a fazer, para levantar a economia da Venezuela.
Ele que tenha cuidado, porque aquilo por ali agora são só tremores de terra. Não lhe vá acontecer alguma coisa, e depois tu, é que ficas com as mãos atadas.
Mê filho! Não te deixes filmar na televisão de perfil, porque se nota, logo, o nariz a crescer. Também não sei a onde é que tu foste buscar isso.
Agora diz-me cá, em segredo que ninguém nos ouve: “ Não vais aumentar o IVA?”.
Ah, vais mas não é já. Está bem!
Então, não vais baixar a despesa do Estado? Ai não? A gastar, continua tudo na mesma, não é? Só eu é que passei a minha vida a cortar nas despesas.
Mas como é que tu vais conseguir, continuar a “fornicar” três milhões e meio de portugueses sem os tipos reagirem?
Não sei, não! Não contes muito com isso. Ainda, por cima, vais pagar parte da divida com mais umas privatizações e os “camaradas” não vão gostar nada disso. Só não privatizes a CGD, porque ainda vamos precisar dela mais vezes. Ouviste?

Obrigado pelas tuas cartinhas e deixa de mentir. Tá?
Beijocas, daquela que nunca te esquece. ( Nem ela nem os 3,5 milhões de portugueses que tens andado a enganar).
Por um Portugal a “Sério”!

« Miserum istuc verbum et pessimum est ‘habuisse’ et nihil habere. » [Plauto, Rudens 1243] É triste e muito ruim essa expressão ‘ter tido’ e não ter nada.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O PEC NÃO É A “SÉRIO”


Mãezinha, não te tenho escrito porque ando aqui numa azáfama, tramada.
Ainda agora fui receber um banho de multidão daquela rapaziada lá em Moçambique.
Nem percebi bem, porque é que me receberam assim. Porque na realidade, Portugal não tem feito nada por aqueles nossos irmãos.
Não temos lá escolas, nem Universidades, muito menos desenvolvimento tecnológico. Eu ainda disse ao Pinho para pôr lá umas ventoinhas, daquelas grandes, mas ele disse-me que em Moçambique não havia vento e portanto não dava.
Por outro lado, estou a aproveitar, aquela luta que se está a travar no PSD, para descansar um pouco. Um diz que vai apresentar uma moção de censura…é este que tem de ganhar! Temos que influenciar a malta do PSD a votar neste. Porque assim é a maneira mais fácil de cozinhar o PEC. Não, mãezinha. Não é o pagamento especial por conta. É o plano daquilo que vamos tirar aos contribuintes e dar de contrapartida em mais impostos, para pagarmos estes quinze anos de “pântano”.
É verdade, mãezinha. Desde que o Guterres foi para lá, até agora, já lá vão 15 anos. Mas a culpa não é nossa…foi do Santana. Coitado do homem, mãezinha. Só lá esteve 6 meses e ficou com as culpas todas. Há mesmo gente que não tem jeito nenhum para a política.
Eles estão a pensar que vou apresentar um PEC daqueles a “sério”. Esta do a “sério”, nunca mais me esquece. Mas não vai ser assim. Vou apresentar uma treta, eles depois deitam o Governo a baixo e quando o “povo que me ama” verificar que os maus são eles, o meu partido volta, novamente, mais 15 anos para o poder.
É assim a vida! Temos que ajudar os jovens a subir na vida e rápido! Neste intervalo de tempo, os jovens podem ir para as Fundações, Associações e outras coisas que a gente tem construído, para desorçamentar e pronto.
Mãezinha, desculpa da carta ser pequenina, mas o correio sai daqui a pouco e depois já não tenho oportunidade de te escrever daqui, porque só há correio de 15 em 15 dias. Foi graças a esta cartinha que me apercebi que podíamos fazer uma parceria com os correios de Portugal e de Moçambique. Já quanto às ventoinhas, o Pinho tem razão. Aqui só faz vento no Inverno e como chove muito, as ventoinhas molham-se todas. Não dá!
Como se diz lá pelos nossos lados,
Bem Hajam! E até ao meu regresso.

“Vacare culpa magnum est solacium”. [Cícero, Ad Familiares 7.3] Estar isento de culpa é um grande consolo

quinta-feira, 4 de março de 2010

AFINAL, SOMOS UM PAÍS RICO

Quando ligo a televisão e oiço os noticiários e as mesas redondas, fico esclarecido que afinal não se passa nada na política, em Portugal a não ser, as comissões disto e daquilo, por causa disto e mais aquilo.
Quer o PS quer o PSD só têm feito coisas boas, para melhorar o bem-estar dos portugueses.
Em 1977 não esteve cá o FMI, em 1983, também não se passou nada e se durante estes últimos anos, nada se passou, é porque o dinheirito da União Europeia, deu para toda a gente “mamar à grande e à francesa”.
Elas foram, as grandes obras que eram necessárias, para ligar o país de norte a sul. Elas foram, as escolas e hospitais, cujos parques imobiliários se encontravam completamente desfasado das necessidades nacionais.
Mas, agora, a coisa pia mais fino.
Acabadas de fugir, para o leste ou para os países asiáticos, as empresas que investiram em Portugal, depois da adesão à EFTA, o país já não produz o suficiente para a despesa que criou.
E tal como em 1977 e em 1983, é novamente o Zé -povinho que vai pagar a crise. Quer cá, quer na Grécia, a treta é a mesma.
E pode pagar, porque somos um país de ricos. Ai não? Então vamos ver se somos ou não.
Se pagamos um litro de gasolina pelo triplo do preço praticado nos Estados Unidos, quando pagamos tarifas de electricidade e de telemóvel 80% mais caras do que os americanos, não somos ricos?
Quando um carro que se adquire nos Estados Unidos por pouco mais de 8.000 euros, custa em Portugal, mais de 20.000, somos ricos ou não?
Em New York, o Governo, tendo em conta a situação financeira difícil, cobra 2% de IVA, mais 4% de imposto Federal. Nós como somos ricos, pagamos 20% de IVA e cuidado…porque vai aumentar.
Talvez isto possa mudar! Um dia destes, veio um General, falar à televisão e disse que tudo isto estava podre. Que em Portugal temos um problema de regime.
Finalmente, oiço alguém corroborar as minhas palavras de que a situação política em Portugal, não é um problema de líderes, nem de partidos, mas de regime. Ou seja: haverá que ter a coragem de se fazer uma nova constituição da república.
É engraçado que a história diz-nos que a primeira república começou com uma revolta dos “Sargentos”. Em 1974, a revolução iniciou-se com a revolta dos “Capitães”.
Não há dúvida que estamos em sentido ascendente…talvez a próxima seja uma revolução de “Generais”.

“Res loquentur nobis tacentibus.” [Sêneca, De Beneficiis 2.11.6] Os factos falarão, mesmo que fiquemos calados.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PARA PIOR JÁ BASTA ASSIM

Eu já não sei se temos que “mudar”, se temos que fazer uma “ruptura” ou se vamos estar na continuidade.
Mudar? Mas mudar para onde? Se não temos para onde fugir?
Ah, já sei! Deve ser mudar de “líder”. Para quê? Se o problema não é dos líderes. Muito menos de putativos líderes que ora defendem o liberalismo ou são conservadores ou são qualquer coisa que eu não sei o que são.
Nem o que são nem ao que vão!
Mas entrar em “ruptura”? Entrar em ruptura com o quê? Para quê? Qual é a solução a seguir à ruptura? Consertar? Remediar? Faz-se de novo?
Bom, se depois da ruptura, se vai fazer algo de novo, o que é?
Estar na continuidade, não me parece que seja, também, a solução. Mudanças de caras, de projectos inócuos que resultam no mesmo em que temos vivido, nestes últimos trinta e cinco anos.
O regime esgotou-se, esta é realidade. E, não vejo nenhum líder de partido a assumir este facto. Muito menos putativos líderes de partidos.
Qualquer mudança significa alterar o “status quo” da vida de quem faz política e de quem vive da política.
Continua-se sem se dizer a verdade, porque a verdade não ganha eleições. Mas gostaria de ver, qualquer um dos candidatos, a líder do PSD, a dizer-nos como é que o país vai ultrapassar o problema económico. Que alternativas é que existem para que acha crescimento económico e se possa criar riqueza para melhorar o bem -estar dos portugueses.
Como é que se vão criar seiscentos mil novos postos de trabalho e em quantos anos? Como é que se vai reduzir, até 2013, o défice das contas públicas e diminuir a divida pública? Em resumo, que futuro para Portugal?
Ninguém aponta soluções!
Alguém consegue dizer-me que é neste quadro constitucional que o país consegue ser governável?
Porquê apoiar este ou aquele candidato? Ao fim e ao cabo não é tudo mais do mesmo?
Uns mais arruaceiros, outros com ares mais respeitáveis, mas cujos discursos não deixam antever nada de novo. Ao fim e ao cabo é tudo na continuidade.
“Muda-se de líder”, “faz-se ruptura”, com o quê, não sei, e depois, “continua” tudo como se tem passado.
Para pior já basta assim!

“Pax introëuntibus, salus exeuntibus!” Paz aos que entram, saudações aos que saem!

VAMOS PÔR O PAÍS EM ESCUTA


Mãezinha, ando mesmo triste. Isto, são “cabalas” atrás de “cabalas”. Estes “putos” da “jota”, põem-se com conversas ao telefone e depois dão estas broncas.
Ainda por cima, põem-se a dizer que não sei o quê o “chefe” e mais isto e mais aquilo e quem se trama? Sou eu, mãezinha. Como toda a gente sabe que eu sou “o quero, posso e mando”, vêem logo que o “chefe” sou eu.
Ao ponto a que isto chegou! Eu não posso admitir, mas isto é o fim do regime. Até parece aquela repetição do “partido progressista” da primeira república.
Mas não é, mãezinha. É muito pior!
Eu agora já não posso voltar atrás, mas se voltasse a ser primeiro –ministro outra vez, nunca mais punha os “putos” da jota a tomar conta disto.
É que esta malta não olha a meios para atingir os fins. Vão a todas.
É claro que ninguém acredita que o jota que estava na PT tenha entrado por mérito próprio e que ao fim de pouco tempo e com 32 anos, tenha ido para administrador executivo da PT. Até me sinto “encornado” com isto tudo.
Depois, aquele jota que eu pus como Secretário de Estado e que andou em Oeiras a dizer que aquilo era a “sério”. Mas a sério como? Então o tipo com um palavreado daqueles, andou por Oeiras a dizer que era “Oeiras a sério”? Claro que agora toda a gente se ri…porque a sério, a sério, já ninguém toma os “jotas” de Oeiras.
Como é que eu fui acreditar que os “jotas” eram a nova geração que iriam tomar conta disto? Não há dúvida que a juventude ainda tem muito que aprender.
Sim, porque eles não são como o tê filho que começou a trabalhar arduamente em projectos de arquitectura e que, depois a pulso, e de ténis calçados, andou a correr da secretaria de estado para a universidade, para se licenciar em engenharia civil e ser mesmo “engenheiro”.
Mas isto é uma “cabala” completa! E logo por azar, parece que é de propósito, sempre que rebenta um escândalo nos “malditos” jornais, os meus amigos estão lá todos. Olha! Até contra os meus amigos isto é uma cabala! Eu sei, mãezinha, são uns putos, mas também não é tanto assim.
Eu agora tenho de dar razão ao Alberto João…”Isto é preciso rasgar a Constituição e fazer uma nova”. Assim não dá! Só que não posso dizer isto no partido. Partiam-me todo!
No tempo do António, a malta queixava-se das escutas telefónicas…agora, até já há quem peça que se façam escutas aos “magistrados”.
Mãezinha…eu penso que os telefones deviam estar todos sob escuta! Assim acabavam-se as fugas ao segredo de justiça e ninguém sabia, nem o que o da PT disse, nem o que o Armando disse, nem o que o Marcos disse. Bem esse do Marcos, bem podia mandar mensagens por “morse”, porque já pouca gente sabe ouvir o código morse e escusavam de ouvir as atoardas que ele disse.
Principalmente, as atoardas que andou a dizer durante a campanha eleitoral para as Autárquicas em Oeiras e tinha passado despercebido. Assim não!
Já ninguém acredita, em Oeiras, nos Marcos e companhia.

PS: Mãezinha, desculpa, mas só depois de ter fechado a carta é que me lembrei que não me tinha despedido. Um beijinho e não te preocupes, porque eles andam a fazer ilegalidades com as escutas e não é nada verdade o que os jornais dizem. E os “putos” não são tão maus como dizem.

“Omnia enim vitia in aperto leviora sunt, et tunc perniciosissima, cum simulata sanitate subsidunt.” [Sêneca, Epistulae Morales 56] Todos os vícios são mais leves quando são visíveis: eles são muito perniciosos quando se escondem sob um ar de pureza.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Quem pensa o gajo que é?


Mãezinha, isto está a sair do controlo.
Mal começámos, tivemos que negociar com os professores e, vê lá tu que, foram mais 450 milhões para o galheiro.
Esta malta não percebe que tesos como estamos, damos com uma mão e tiramos com a outra. Lá vamos ter que subir os impostos, a partir de 2011.
Agora e depois de termos dado estes 450 milhões aos professores ainda tivemos que pactuar com mais 50 milhões para a Madeira. Esta é que me irritou. Porque quanto mais dinheiro dermos ao Alberto João mais difícil vai ser ganhar eleições na Madeira. É que aquele tipo gasta o dinheiro todo a melhorar as condições de vida aos madeirenses.
Mas pronto! O que lá vai, lá vai.
Agora esta da face oculta está-me a dar água pelas barbas. Como é que estes tipos souberam que o “chefe” era eu? Eu bem lhes disse para não me identificarem como o “chefe”. É lógico…chefe só há um, eu e mais nenhum! E eles, logo, descobriam!
E mesmo depois de terem mandado “queimar” as escutas elas continuam disponíveis lá em Aveiro.”Mas quem é que aquele gajo pensa que é”?
Mas isto não fica por aqui…a vingança serve-se fria! Ó mãezinha, não largam a “braguilha” do tê filho.
Andaram com aquela da Covilhã, do projecto da compostagem. Como não conseguiram nada, começaram a falar dos meus projectos de arquitectura. Só má-língua. Eu sei que tu gostas, mãezinha! É o que me vale.
Como não era suficiente, foram à procura da minha licenciatura e logo foram encontrar o Morais da compostagem, como meu professor em quatro cadeiras. Parece que foi mesmo de propósito. Ainda por cima, o Morais meteu-se com a brasileira e pô-la lá na Justiça e deu o que deu de falatório.
O que vale é que já ninguém fala nisto. Mas, depois, vieram com o Freeport e como não deu em nada, nem vai dar, mãezinha, tiveram que vir com esta.
Ó mãezinha, isto é que é um azar…parece de propósito. Onde andam os meus amigos, eu fico entalado. Bolas, isto já é coincidência a mais.
Eu sei! Sempre me avisaste para eu ter cuidado com as companhias. Mas eu não posso virar as costas àqueles que me proporcionaram chegar até aqui, não é?
Agora eu nunca pensei que fosse verdade, que….”O Sol nasce todos os dias”. Garantiram-me que naquele dia, o Sol ficava encoberto. Afinal, o Sol apareceu e cheio de força…de manhã e de tarde!
Olha mãezinha! Se não me querem que o digam ao povo português e apresentem-me uma “moção de desconfiança”. Porque a “confiança” está a ser agendada para a “rua” por SMS e completamente espontânea. Nem se sabe quem é o autor da convocação da manifestação.
É nestas alturas difíceis em que o povo, de modo espontâneo, desce à rua que eu fico convencido que tenho feito um bom trabalho, colocando Portugal e a República nas ruas da amargura.
Mãezinha não se preocupe. Está tudo controlado. Se aparecer alguma coisa mais, eles “queimam” aquilo tudo. Eh,eh! É o que se chama uma mão cheia de nada!
Beijinhos do tê filho!

“Malitiis non est indulgendum.” [DAPR 770] Não se devem desculpar as más intenções

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

VIVA A REPÚBLICA


Mê querido filho.
Recebi a tua cartinha que muita alegria me deu.
Vi-te na televisão a fazer aquele discurso sobre o 31 de Janeiro de 1891 e não gostei muito. Falaste como se a República estivesse à tua espera para conseguir os seus objectivos. Olha que não foi…Podias era ter aproveitado para falar do “Magalhães”, pois um dos objectivos da “república” era a educação para todos.
Depois distribuías os “Magalhães” àqueles meninos que estavam a cantar a “portuguesa”. E que bonitos que eles estavam! Até me fez recordar aquelas visitas organizadas pelo Américo Tomás, às escolas, no tempo do Estado Novo.
Não aproveitaste a oportunidade de falar do tê grande projecto das “novas oportunidades”, em que em três meses toda a gente faz o 12.º ano.
Mê filho! Em cem anos nunca ninguém se lembrou destas tuas ideias e tu desperdiçaste a oportunidade? Nem parece teu!
Sim, porque se não fosses tu e esta “república”, não estava com dois milhões de pobres, mais de seiscentos mil portugueses no desemprego, com um défice de 9,3%, com uma divida pública de mais de 85% do P.I.B. Mê filho, tens sido um dos grandes obreiros desta “república”. Não te esqueças. Estes números são bem esclarecedores do bom trabalho desenvolvido.
O que mais gostei foi do tê “camarada” Alegre a colar-se com uma pinta ao evento, com um almocinho no Porto. Carago! Isto é que é genialidade. Já estou a ver que estás é empenhado nas presidenciais! Também é o que te resta, mê filho, depois de teres empenhado o país.
Viva a República laica, onde todos os portugueses têm novas “oportunidades” e onde se caminha para uma maior desigualdade.
Para a próxima, mê filho, não dês tanto nas vistas!
Beijinhos da tua mãezinha!

“Res, non verba.” ■Actos, não palavras. ■Falar, falar não enche barriga