sexta-feira, 19 de março de 2010

Vale sempre a pena reler o que mudou...




"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora,
aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom,
e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.
Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro. Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.
A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.
Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."

Guerra Junqueiro

NESTE DIA DO PAI

Hoje, dia do Pai, recebi as flores mais lindas que alguém me poderia dar…a minha filha!
Obrigado pelas flores, pelo amor e carinho que me dedicas!
Mas, não é possível, neste dia, não reforçarmos a memória e lembrarmo-nos que um dia também tivemos um Pai.
E eu tenho muitas, muitas saudades do meu Pai, e porque li este poema, muito bonito, de Rama Lyon, não posso deixar de o partilhar, com todos aqueles, que hoje, dia do Pai, reforçam a memória de um Pai que já partiu. À sua memória, aqui deixo este poema, Pai…

NESTE DIA DO PAI
(19-3-2010)

Vou sofrendo a minha dor
Por alguém que já partiu,
E a saudade desse amor
Para sempre me feriu.

Mas um grito de coragem
Do meu peito hoje me sai
Pra deixar justa homenagem
Àquele que foi meu pai.

Não esqueço a bondade
Com que sempre me criou,
Nesse berço de amizade,
Tantas vezes me embalou.

Foi num mês de Fevereiro
Que a minha alma vazia
Nesse adeus derradeiro
O viu descer à terra fria.

Tanta mágoa me deixou
Nessa hora da partida
Que minha alma ficou
Desgostosa toda a vida

Se eu tivesse portador
Com certeza mandaria
Um abraço cheio de amor
A lembrar-lhe este seu dia.

Que a paz seja seu brilho
Aí no Céu onde o pai está,
Que na terra este seu filho
Nunca mais o esquecerá.

RAMA LYON

quinta-feira, 18 de março de 2010

A LEI DA ROLHA NO PSD

O PPD/PSD fez aprovar, no último fim-de-semana, no seu Congresso, uma norma estatutária que não permite, aos seus militantes, criticar o líder ou a actuação dos órgãos do seu partido, 60 dias antes de eleições.
Ao que se chegou! Se o Governo se lembrasse de pôr cá fora uma norma destas, dizendo que qualquer cidadão não poderia dizer mal do Governo ou do seu líder, 60 dias antes de eleições, que diriam os democratas deste país?
Antes de mais, esta norma é categoricamente inconstitucional.
A Constituição da Republica Portuguesa diz claramente que “todos têm direito de exprimir e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados, sem impedimentos nem discriminações”.
Mais adiante, diz “O exercício destes direitos não pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura”.
É óbvio, que todos os estatutos preservam o seu direito, de não se ser contra a organização, mas impedir que os seus membros discordem das orientações de um líder ou do órgão que promove acções políticas é que me parece a “lei da rolha”.
Salvo melhor opinião, os congressistas que aprovaram a introdução de uma norma que proíbe a crítica, ao líder, 60 dias antes de um acto eleitoral, no meio da confusão, nem souberam o que aprovaram. Assisti à confusão que foi a discussão destas alterações estatutárias e além de ter ficar surpreendido com alguém que teve a leviandade de propor uma norma desta natureza, fiquei espantado e admirado com o modo pouco organizado que a mesa teve na condução dos trabalhos e em particular na interpretação da norma estatutária que permite a aprovação ou rejeição de alterações aos estatutos.
Este Congresso teve dois objectivos, bem claros.
O primeiro veio do seu proponente que apresentou uma série de propostas de introdução e alteração de normas estatutárias, que não foram nem mais nem menos do que uma vingança de alguém que não esquece a sua tentativa frustrada de ser primeiro-ministro, sem condições politicas para tal.
O segundo objectivo foi o de realizar uma série de comícios, dos candidatos a líder.
O que ganharam em termos de televisão, falando para os promitentes votantes, perderam em espectáculo para a opinião pública em geral.
Não me parece que assim se vá a algum lado e o país merece mais do que isto.
De tanto escrever estou a ficar com a boca seca, mas como sou bebo leite de soja, vou beber um copo de água e deixo o vinho para a hora de almoço.

“Pipere abundans etiam oleribus illud admiscet.” [DAPR 22] Quem tem muita pimenta, mistura-a até nas verduras.

quarta-feira, 10 de março de 2010

POR UM PORTUGAL A “SÉRIO”


Mê filho continuas a ser aquele mentiroso compulsivo.
Sempre acabaste por pôr o PEC cá fora. Também não tinhas outro remédio, não é?
Para não subires as taxas dos impostos, baixaste as deduções em sede de IRS e depois vens dizer para a malta que não subiste os impostos?
Mê rico filho, já te tinham apanhado noutras mentiras, como aquela da TVI, aquela do curso, mas dizeres à malta, que vai pagar mais IRS, que não é subir impostos é que não.
Porque é que não me pediste conselhos? Bom, se não os tomaste quando eras pequenino, agora nem pensar. Mas ao Teixeira é que não lhe fica nada bem, porque ao fim e ao cabo, ele é que é o “contabilista”.
É pelo menos o que dizem. Ainda ontem, o Morais Sarmento sempre que falou do PEC referia-se ao Teixeira como o contabilista. Olha que não sou eu!
Agora, aquela dos “ricos”, não é bem ricos, aqueles que ganham mais de 150 mil patadas por ano, pagarem 45% é obra. É claro que eu percebo, mê filho. Tinhas que pôr alguma coisinha para moralizar o pessoal, principalmente os da esquerda do caviar. Eu sei!
Ah, e as mais valias mobiliárias? Agora é que vai ser…se tu já foste à bolsa do pessoal para reduzir o défice, eles estavam à espera de quê?
Eu sei, mê filho, que cinco anos de tanga, mais 4 anos de tanga, são 9 anos de tanga. Quando chegar ao final, não sei se o pessoal ainda tem tanga. Ainda, por cima, a andar neste pântano.
Ah! Mas o PEC só tem a parte financeira? E então em termos económicos o que é que vais fazer? Não sabes? Bem me parecia e o “contabilista” também não ajuda nada, não é? Tu ainda tens um Ministro da Economia? Onde é que o tipo anda? Já sei…foi ver como é que o Hugo Chavez está a fazer, para levantar a economia da Venezuela.
Ele que tenha cuidado, porque aquilo por ali agora são só tremores de terra. Não lhe vá acontecer alguma coisa, e depois tu, é que ficas com as mãos atadas.
Mê filho! Não te deixes filmar na televisão de perfil, porque se nota, logo, o nariz a crescer. Também não sei a onde é que tu foste buscar isso.
Agora diz-me cá, em segredo que ninguém nos ouve: “ Não vais aumentar o IVA?”.
Ah, vais mas não é já. Está bem!
Então, não vais baixar a despesa do Estado? Ai não? A gastar, continua tudo na mesma, não é? Só eu é que passei a minha vida a cortar nas despesas.
Mas como é que tu vais conseguir, continuar a “fornicar” três milhões e meio de portugueses sem os tipos reagirem?
Não sei, não! Não contes muito com isso. Ainda, por cima, vais pagar parte da divida com mais umas privatizações e os “camaradas” não vão gostar nada disso. Só não privatizes a CGD, porque ainda vamos precisar dela mais vezes. Ouviste?

Obrigado pelas tuas cartinhas e deixa de mentir. Tá?
Beijocas, daquela que nunca te esquece. ( Nem ela nem os 3,5 milhões de portugueses que tens andado a enganar).
Por um Portugal a “Sério”!

« Miserum istuc verbum et pessimum est ‘habuisse’ et nihil habere. » [Plauto, Rudens 1243] É triste e muito ruim essa expressão ‘ter tido’ e não ter nada.

sexta-feira, 5 de março de 2010

O PEC NÃO É A “SÉRIO”


Mãezinha, não te tenho escrito porque ando aqui numa azáfama, tramada.
Ainda agora fui receber um banho de multidão daquela rapaziada lá em Moçambique.
Nem percebi bem, porque é que me receberam assim. Porque na realidade, Portugal não tem feito nada por aqueles nossos irmãos.
Não temos lá escolas, nem Universidades, muito menos desenvolvimento tecnológico. Eu ainda disse ao Pinho para pôr lá umas ventoinhas, daquelas grandes, mas ele disse-me que em Moçambique não havia vento e portanto não dava.
Por outro lado, estou a aproveitar, aquela luta que se está a travar no PSD, para descansar um pouco. Um diz que vai apresentar uma moção de censura…é este que tem de ganhar! Temos que influenciar a malta do PSD a votar neste. Porque assim é a maneira mais fácil de cozinhar o PEC. Não, mãezinha. Não é o pagamento especial por conta. É o plano daquilo que vamos tirar aos contribuintes e dar de contrapartida em mais impostos, para pagarmos estes quinze anos de “pântano”.
É verdade, mãezinha. Desde que o Guterres foi para lá, até agora, já lá vão 15 anos. Mas a culpa não é nossa…foi do Santana. Coitado do homem, mãezinha. Só lá esteve 6 meses e ficou com as culpas todas. Há mesmo gente que não tem jeito nenhum para a política.
Eles estão a pensar que vou apresentar um PEC daqueles a “sério”. Esta do a “sério”, nunca mais me esquece. Mas não vai ser assim. Vou apresentar uma treta, eles depois deitam o Governo a baixo e quando o “povo que me ama” verificar que os maus são eles, o meu partido volta, novamente, mais 15 anos para o poder.
É assim a vida! Temos que ajudar os jovens a subir na vida e rápido! Neste intervalo de tempo, os jovens podem ir para as Fundações, Associações e outras coisas que a gente tem construído, para desorçamentar e pronto.
Mãezinha, desculpa da carta ser pequenina, mas o correio sai daqui a pouco e depois já não tenho oportunidade de te escrever daqui, porque só há correio de 15 em 15 dias. Foi graças a esta cartinha que me apercebi que podíamos fazer uma parceria com os correios de Portugal e de Moçambique. Já quanto às ventoinhas, o Pinho tem razão. Aqui só faz vento no Inverno e como chove muito, as ventoinhas molham-se todas. Não dá!
Como se diz lá pelos nossos lados,
Bem Hajam! E até ao meu regresso.

“Vacare culpa magnum est solacium”. [Cícero, Ad Familiares 7.3] Estar isento de culpa é um grande consolo

quinta-feira, 4 de março de 2010

AFINAL, SOMOS UM PAÍS RICO

Quando ligo a televisão e oiço os noticiários e as mesas redondas, fico esclarecido que afinal não se passa nada na política, em Portugal a não ser, as comissões disto e daquilo, por causa disto e mais aquilo.
Quer o PS quer o PSD só têm feito coisas boas, para melhorar o bem-estar dos portugueses.
Em 1977 não esteve cá o FMI, em 1983, também não se passou nada e se durante estes últimos anos, nada se passou, é porque o dinheirito da União Europeia, deu para toda a gente “mamar à grande e à francesa”.
Elas foram, as grandes obras que eram necessárias, para ligar o país de norte a sul. Elas foram, as escolas e hospitais, cujos parques imobiliários se encontravam completamente desfasado das necessidades nacionais.
Mas, agora, a coisa pia mais fino.
Acabadas de fugir, para o leste ou para os países asiáticos, as empresas que investiram em Portugal, depois da adesão à EFTA, o país já não produz o suficiente para a despesa que criou.
E tal como em 1977 e em 1983, é novamente o Zé -povinho que vai pagar a crise. Quer cá, quer na Grécia, a treta é a mesma.
E pode pagar, porque somos um país de ricos. Ai não? Então vamos ver se somos ou não.
Se pagamos um litro de gasolina pelo triplo do preço praticado nos Estados Unidos, quando pagamos tarifas de electricidade e de telemóvel 80% mais caras do que os americanos, não somos ricos?
Quando um carro que se adquire nos Estados Unidos por pouco mais de 8.000 euros, custa em Portugal, mais de 20.000, somos ricos ou não?
Em New York, o Governo, tendo em conta a situação financeira difícil, cobra 2% de IVA, mais 4% de imposto Federal. Nós como somos ricos, pagamos 20% de IVA e cuidado…porque vai aumentar.
Talvez isto possa mudar! Um dia destes, veio um General, falar à televisão e disse que tudo isto estava podre. Que em Portugal temos um problema de regime.
Finalmente, oiço alguém corroborar as minhas palavras de que a situação política em Portugal, não é um problema de líderes, nem de partidos, mas de regime. Ou seja: haverá que ter a coragem de se fazer uma nova constituição da república.
É engraçado que a história diz-nos que a primeira república começou com uma revolta dos “Sargentos”. Em 1974, a revolução iniciou-se com a revolta dos “Capitães”.
Não há dúvida que estamos em sentido ascendente…talvez a próxima seja uma revolução de “Generais”.

“Res loquentur nobis tacentibus.” [Sêneca, De Beneficiis 2.11.6] Os factos falarão, mesmo que fiquemos calados.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

PARA PIOR JÁ BASTA ASSIM

Eu já não sei se temos que “mudar”, se temos que fazer uma “ruptura” ou se vamos estar na continuidade.
Mudar? Mas mudar para onde? Se não temos para onde fugir?
Ah, já sei! Deve ser mudar de “líder”. Para quê? Se o problema não é dos líderes. Muito menos de putativos líderes que ora defendem o liberalismo ou são conservadores ou são qualquer coisa que eu não sei o que são.
Nem o que são nem ao que vão!
Mas entrar em “ruptura”? Entrar em ruptura com o quê? Para quê? Qual é a solução a seguir à ruptura? Consertar? Remediar? Faz-se de novo?
Bom, se depois da ruptura, se vai fazer algo de novo, o que é?
Estar na continuidade, não me parece que seja, também, a solução. Mudanças de caras, de projectos inócuos que resultam no mesmo em que temos vivido, nestes últimos trinta e cinco anos.
O regime esgotou-se, esta é realidade. E, não vejo nenhum líder de partido a assumir este facto. Muito menos putativos líderes de partidos.
Qualquer mudança significa alterar o “status quo” da vida de quem faz política e de quem vive da política.
Continua-se sem se dizer a verdade, porque a verdade não ganha eleições. Mas gostaria de ver, qualquer um dos candidatos, a líder do PSD, a dizer-nos como é que o país vai ultrapassar o problema económico. Que alternativas é que existem para que acha crescimento económico e se possa criar riqueza para melhorar o bem -estar dos portugueses.
Como é que se vão criar seiscentos mil novos postos de trabalho e em quantos anos? Como é que se vai reduzir, até 2013, o défice das contas públicas e diminuir a divida pública? Em resumo, que futuro para Portugal?
Ninguém aponta soluções!
Alguém consegue dizer-me que é neste quadro constitucional que o país consegue ser governável?
Porquê apoiar este ou aquele candidato? Ao fim e ao cabo não é tudo mais do mesmo?
Uns mais arruaceiros, outros com ares mais respeitáveis, mas cujos discursos não deixam antever nada de novo. Ao fim e ao cabo é tudo na continuidade.
“Muda-se de líder”, “faz-se ruptura”, com o quê, não sei, e depois, “continua” tudo como se tem passado.
Para pior já basta assim!

“Pax introëuntibus, salus exeuntibus!” Paz aos que entram, saudações aos que saem!

VAMOS PÔR O PAÍS EM ESCUTA


Mãezinha, ando mesmo triste. Isto, são “cabalas” atrás de “cabalas”. Estes “putos” da “jota”, põem-se com conversas ao telefone e depois dão estas broncas.
Ainda por cima, põem-se a dizer que não sei o quê o “chefe” e mais isto e mais aquilo e quem se trama? Sou eu, mãezinha. Como toda a gente sabe que eu sou “o quero, posso e mando”, vêem logo que o “chefe” sou eu.
Ao ponto a que isto chegou! Eu não posso admitir, mas isto é o fim do regime. Até parece aquela repetição do “partido progressista” da primeira república.
Mas não é, mãezinha. É muito pior!
Eu agora já não posso voltar atrás, mas se voltasse a ser primeiro –ministro outra vez, nunca mais punha os “putos” da jota a tomar conta disto.
É que esta malta não olha a meios para atingir os fins. Vão a todas.
É claro que ninguém acredita que o jota que estava na PT tenha entrado por mérito próprio e que ao fim de pouco tempo e com 32 anos, tenha ido para administrador executivo da PT. Até me sinto “encornado” com isto tudo.
Depois, aquele jota que eu pus como Secretário de Estado e que andou em Oeiras a dizer que aquilo era a “sério”. Mas a sério como? Então o tipo com um palavreado daqueles, andou por Oeiras a dizer que era “Oeiras a sério”? Claro que agora toda a gente se ri…porque a sério, a sério, já ninguém toma os “jotas” de Oeiras.
Como é que eu fui acreditar que os “jotas” eram a nova geração que iriam tomar conta disto? Não há dúvida que a juventude ainda tem muito que aprender.
Sim, porque eles não são como o tê filho que começou a trabalhar arduamente em projectos de arquitectura e que, depois a pulso, e de ténis calçados, andou a correr da secretaria de estado para a universidade, para se licenciar em engenharia civil e ser mesmo “engenheiro”.
Mas isto é uma “cabala” completa! E logo por azar, parece que é de propósito, sempre que rebenta um escândalo nos “malditos” jornais, os meus amigos estão lá todos. Olha! Até contra os meus amigos isto é uma cabala! Eu sei, mãezinha, são uns putos, mas também não é tanto assim.
Eu agora tenho de dar razão ao Alberto João…”Isto é preciso rasgar a Constituição e fazer uma nova”. Assim não dá! Só que não posso dizer isto no partido. Partiam-me todo!
No tempo do António, a malta queixava-se das escutas telefónicas…agora, até já há quem peça que se façam escutas aos “magistrados”.
Mãezinha…eu penso que os telefones deviam estar todos sob escuta! Assim acabavam-se as fugas ao segredo de justiça e ninguém sabia, nem o que o da PT disse, nem o que o Armando disse, nem o que o Marcos disse. Bem esse do Marcos, bem podia mandar mensagens por “morse”, porque já pouca gente sabe ouvir o código morse e escusavam de ouvir as atoardas que ele disse.
Principalmente, as atoardas que andou a dizer durante a campanha eleitoral para as Autárquicas em Oeiras e tinha passado despercebido. Assim não!
Já ninguém acredita, em Oeiras, nos Marcos e companhia.

PS: Mãezinha, desculpa, mas só depois de ter fechado a carta é que me lembrei que não me tinha despedido. Um beijinho e não te preocupes, porque eles andam a fazer ilegalidades com as escutas e não é nada verdade o que os jornais dizem. E os “putos” não são tão maus como dizem.

“Omnia enim vitia in aperto leviora sunt, et tunc perniciosissima, cum simulata sanitate subsidunt.” [Sêneca, Epistulae Morales 56] Todos os vícios são mais leves quando são visíveis: eles são muito perniciosos quando se escondem sob um ar de pureza.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Quem pensa o gajo que é?


Mãezinha, isto está a sair do controlo.
Mal começámos, tivemos que negociar com os professores e, vê lá tu que, foram mais 450 milhões para o galheiro.
Esta malta não percebe que tesos como estamos, damos com uma mão e tiramos com a outra. Lá vamos ter que subir os impostos, a partir de 2011.
Agora e depois de termos dado estes 450 milhões aos professores ainda tivemos que pactuar com mais 50 milhões para a Madeira. Esta é que me irritou. Porque quanto mais dinheiro dermos ao Alberto João mais difícil vai ser ganhar eleições na Madeira. É que aquele tipo gasta o dinheiro todo a melhorar as condições de vida aos madeirenses.
Mas pronto! O que lá vai, lá vai.
Agora esta da face oculta está-me a dar água pelas barbas. Como é que estes tipos souberam que o “chefe” era eu? Eu bem lhes disse para não me identificarem como o “chefe”. É lógico…chefe só há um, eu e mais nenhum! E eles, logo, descobriam!
E mesmo depois de terem mandado “queimar” as escutas elas continuam disponíveis lá em Aveiro.”Mas quem é que aquele gajo pensa que é”?
Mas isto não fica por aqui…a vingança serve-se fria! Ó mãezinha, não largam a “braguilha” do tê filho.
Andaram com aquela da Covilhã, do projecto da compostagem. Como não conseguiram nada, começaram a falar dos meus projectos de arquitectura. Só má-língua. Eu sei que tu gostas, mãezinha! É o que me vale.
Como não era suficiente, foram à procura da minha licenciatura e logo foram encontrar o Morais da compostagem, como meu professor em quatro cadeiras. Parece que foi mesmo de propósito. Ainda por cima, o Morais meteu-se com a brasileira e pô-la lá na Justiça e deu o que deu de falatório.
O que vale é que já ninguém fala nisto. Mas, depois, vieram com o Freeport e como não deu em nada, nem vai dar, mãezinha, tiveram que vir com esta.
Ó mãezinha, isto é que é um azar…parece de propósito. Onde andam os meus amigos, eu fico entalado. Bolas, isto já é coincidência a mais.
Eu sei! Sempre me avisaste para eu ter cuidado com as companhias. Mas eu não posso virar as costas àqueles que me proporcionaram chegar até aqui, não é?
Agora eu nunca pensei que fosse verdade, que….”O Sol nasce todos os dias”. Garantiram-me que naquele dia, o Sol ficava encoberto. Afinal, o Sol apareceu e cheio de força…de manhã e de tarde!
Olha mãezinha! Se não me querem que o digam ao povo português e apresentem-me uma “moção de desconfiança”. Porque a “confiança” está a ser agendada para a “rua” por SMS e completamente espontânea. Nem se sabe quem é o autor da convocação da manifestação.
É nestas alturas difíceis em que o povo, de modo espontâneo, desce à rua que eu fico convencido que tenho feito um bom trabalho, colocando Portugal e a República nas ruas da amargura.
Mãezinha não se preocupe. Está tudo controlado. Se aparecer alguma coisa mais, eles “queimam” aquilo tudo. Eh,eh! É o que se chama uma mão cheia de nada!
Beijinhos do tê filho!

“Malitiis non est indulgendum.” [DAPR 770] Não se devem desculpar as más intenções

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

VIVA A REPÚBLICA


Mê querido filho.
Recebi a tua cartinha que muita alegria me deu.
Vi-te na televisão a fazer aquele discurso sobre o 31 de Janeiro de 1891 e não gostei muito. Falaste como se a República estivesse à tua espera para conseguir os seus objectivos. Olha que não foi…Podias era ter aproveitado para falar do “Magalhães”, pois um dos objectivos da “república” era a educação para todos.
Depois distribuías os “Magalhães” àqueles meninos que estavam a cantar a “portuguesa”. E que bonitos que eles estavam! Até me fez recordar aquelas visitas organizadas pelo Américo Tomás, às escolas, no tempo do Estado Novo.
Não aproveitaste a oportunidade de falar do tê grande projecto das “novas oportunidades”, em que em três meses toda a gente faz o 12.º ano.
Mê filho! Em cem anos nunca ninguém se lembrou destas tuas ideias e tu desperdiçaste a oportunidade? Nem parece teu!
Sim, porque se não fosses tu e esta “república”, não estava com dois milhões de pobres, mais de seiscentos mil portugueses no desemprego, com um défice de 9,3%, com uma divida pública de mais de 85% do P.I.B. Mê filho, tens sido um dos grandes obreiros desta “república”. Não te esqueças. Estes números são bem esclarecedores do bom trabalho desenvolvido.
O que mais gostei foi do tê “camarada” Alegre a colar-se com uma pinta ao evento, com um almocinho no Porto. Carago! Isto é que é genialidade. Já estou a ver que estás é empenhado nas presidenciais! Também é o que te resta, mê filho, depois de teres empenhado o país.
Viva a República laica, onde todos os portugueses têm novas “oportunidades” e onde se caminha para uma maior desigualdade.
Para a próxima, mê filho, não dês tanto nas vistas!
Beijinhos da tua mãezinha!

“Res, non verba.” ■Actos, não palavras. ■Falar, falar não enche barriga

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O ORÇAMENTO DE ESTADO CONTRATUALIZADO



Mãezinha, como estou contente. Consegui levar aqueles tipos à certa. Mesmo com um défice de 9,3% e uma divida que ultrapassa os 85%, já depois daqueles dinheiros que recebi por causa das barragens e que deu muito jeito. Agora se as barragens vão ser feitas ou não, é outro problema. Logo se vê. Se houver azar sempre posso invocar “alteração das circunstâncias supervenientes”. (Esta foi um amigo meu jurista que me ensinou)
Claro que o pessoal dos sindicatos, não gostou nada da ideia de aumentos zero, mas eles ainda não se aperceberam que para o ano vai ser ainda pior. Este ano só vamos reduzir o défice público em 1%, mas até 2013 temos de baixar esta coisa 6 pontos percentuais.
Aí é que vai doer…aumento dos impostos, principalmente o IVA.
O que eu ainda tenho pena é dos desempregados, coitados. Mas tenho de manter aquela coisa de entra um, saem dois. Ah, os que se querem reformar? Ó mãezinha, o orçamento de estado não aguenta com tanta malta a pedir reforma. Se eu não pusesse aquela dos 6% ao ano, eles continuavam a reformar-se e não temos pilim para transferir para a Caixa geral de Aposentações. Exigimos aos privados que paguem 23,75% para a segurança social, mas o Estado não aguenta, mãezinha.
Olha! Foi bom! Não se pode pedir mais, depois de termos levado com aquela ripada no número de deputados na Assembleia. Ó mãezinha, esta malta quer tudo. Estão habituados a esta dicotomia que nós Socialistas temos. Por um lado somos sociais-democratas e queremos a iniciativa privada, por outro gostamos de dar dinheiro à malta na acção social. E, pronto. Esta malta está habituada a viver de subsídios e não se faz à vida.
Também é por causa disso que vamos ganhando as eleições. E nós sabemos bem disso.
Mãezinha, como os meus parceiros, da chamada direita, viabilizam esta coisa, o povinho não pode dizer que fomos só nós. Se os outros lá estivessem era a mesma coisa. Por aí estou safo!
E quer eles queiram quer não, vamos ter TGV e auto-estradas à pazada. Agora é que vai ser. Depois de estar em dois governos e não fazer mais estradas que o Cavaco é que não pode ser. Também quero ficar na história, como o primeiro, ainda por cima, engenheiro, que mais estradas vai construir. O Guilherme é que me anda a aborrecer com os indeferimentos que está a dar nos concursos. E eu que pensava que ele era da corda.
É que agora, acabaram-se aqueles golpes de teatro bem encenado dos “Magalhães” e etc. Agora é mesmo obra a sério.
Vê o caso das escolas que as autarquias andam a fazer! Eles fazem e eu fico com o mérito! Que achas? Esta faz parte do teatro, mas ninguém liga. O povinho sabe lá se é o Estado se são as autarquias?
Mas o Guilherme não me está a sair da cabeça. Não é que agora, também quer um plano anti-corrupção para o Ministério Público? Francamente! E quem é que vai fiscalizar o Tribunal de Contas? Por um lado gosto…policia a fiscalizar a policia. Já parece aqueles filmes americanos em que há policias a fiscalizar policias. Eh pá, porreiro! Depois não podem vir dizer que não é por falta de fiscalização que o País não anda.
E se houver uma bronca qualquer, nomeamos logo uma “Comissão de Inquérito” na Assembleia e pronto. Nunca mais me digam que não há transparência e que esta pouca vergonha, do financiamento dos partidos é que é a culpada disto. Os partidos estão completamente fora deste baralho. Então não somos nós que estamos na Assembleia a representar o povo?

Mãezinha, com esta te deixo. Beijinhos repenicados do tê filho.

“Contractus ex turpi causa, vel contra bonos mores, nullus est.”[Jur] Contrato originário de causa desonrosa, ou contra os bons costumes, é nulo. VIDE: ●”Pacta quae turpem clausulam continent non sunt observanda.”

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A APOSENTAÇÃO E O ORÇAMENTO DE ESTADO


Mê querido filho. Recebi a tua cartinha que me deu muita alegria.
Noutro dia fui com as minhas amigas comer uma torradinha e beber um chazinho e a conversa foi sobre a nova lei que tu andas a tramar, em que a aposentação passa, no mínimo, para os setenta anos de idade e cujas regras, segundo os comentários, começam pela adequação do organismo de cada candidato ao limite de idade para aposentação.
Logo de seguida, estabelecida a idade mínima de aposentação para cada indivíduo, vais impor uma série de regras, aliás, com as quais eu concordo.
A primeira passa, segundo dizem as minhas amigas, pela transformação das escadas existentes em todos os prédios de escritório, em rampas, dotadas de corrimão não escorregadio. Não vá alguém estatelar-se no chão. Dá para os funcionários e para os utentes, porque nem tu acreditas que é com 200 euros que esta malta vai passar a fornicar sem camisinha e fazer filhotes.
As casas de banho dos escritórios têm que ser todas dotadas de apoio e acesso a cadeiras de rodas, de modo que ninguém seja impedido de trabalhar, por falta de meios. Uma das medidas a inserir na “Higiene e Saúde no Trabalho”.
Deve estar previsto a substituição de todos os sistemas de comunicação, em particular o telefone, de modo que estes possam amplificar os sons e imagens, pela resultante perda de vista e de audição, por consequência do aumento de idade.
A informática das empresas deve providenciar a instalação de impressoras que possam imprimir em formato A3.
Em simultâneo, as empresas e instituições do Estado, devem proporcionar a aquisição de lentes de aumento para concomitantemente com as impressoras em A3, facilitarem a leitura dos documentos a todos os seus funcionários.
Atendendo que os monitores são uma ferramenta essencial no trabalho, do dia a dia, os serviços devem ser dotados de monitores de 32 polegadas, de modo a facilitar a sua leitura.
O código de trabalho deverá ser revisto de modo a instituir um novo regime de faltas justificadas ao serviço, tais como:
- Esquecimento do local de trabalho;
- Esquecimento de como se faz o trabalho;
-No caso da existência de falta de ar, o trabalhador pode justificar a sua falta;
- Existindo incontinência urinária, o trabalhador, enquanto não se reparar a situação, tem as suas ausências ao trabalho, justificadas;
- A dor nas costas é também contemplada, podendo o trabalhador pedir para faltar e ir ao massagista, no caso do serviço não ter um disponível, a tempo e inteiro, e desde que o mesmo também não sofra de dores nas costas;
- Todo o trabalhador que se ausente para ir ao funeral de um colega, tem a sua falta justificada, desde que este último estivesse ao serviço e ainda não estivesse reformado;
Os bengaleiros nas entradas dos serviços, devem ter um local para as bengalas que pode ser cedidas a título gratuito, caso sejam devolvidas no dia seguinte. No caso de esquecimento, é relevada a coima;
Para os trabalhadores que tomem ansiolíticos ou comprimidos para dormir, deve estar um despertador em cada secretária que obviará o problema do trabalhador se atrasar a voltar para casa.

As empresas fornecedoras de elevadores, devem providenciar, o aumento do 'time-out' para o encerramento das portas dos elevadores, tendo em vista a agilidade de locomoção dos funcionários ainda existentes.
Atendendo à idade avançada dos trabalhadores, os serviços devem providenciar, novos equipamentos, onde o trabalhador possa guardar fraldas e remédios.
As funcionárias mais novas ficam proibidas de vestir trajes que possam, por qualquer razão, provocar acidentes vasculares cerebrais ou outros aos seus colegas mais velhos. Estão, portanto, proibidos os uso de decotes que pronunciem e relevem os peitos, bem como o uso de mini-sais ou blusas que mostrem o umbigo.
Por último, deverá ser obrigatório incluir nos papéis para a reforma, a certidão de óbito.
Mê filho! Além de aumentares o bem-estar da grande maioria dos portugueses, mantendo-os no activo, deves estar a pensar em poupar dinheiro nos hospitais de retaguarda e nos lares para idosos. Eu já te conheço. Não dás ponta sem nó. E com duas cajadadas,. matas dois coelhos de uma só vez e deixas de ouvir a oposição e as empresas de”rating” dizer que não reduzes a despesa corrente primária do Estado.
Continua assim que vais bem, mê rico filho!
Beijinhos desta tua mãezinha que te quer muito. (nem imaginas quanto)

Tres sunt mortis nuntii: casus, infirmitas, senectus. Casus nuntiat mortem latentem; infirmitas apparentem; senectus praesentem.” [Hugo de São Vítor / Bernardes, Nova Floresta 1.309] Três são os mensageiros da morte: a desgraça, a doença e a velhice. A desgraça anuncia a morte que está escondida; a doença, a morte que está aparecendo; a velhice, a morte que está presente.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O DIÁLOGO “DEMOCRÁTICO”






Mãezinha!
Desculpa ter estado todo este tempo sem te escrever mas, como tu sabes, isto agora é reuniões, que nunca mais acaba.
Dizem que a democracia é diálogo e pronto. Como temos que dar um ar mais democrático, tenho passado o tempo a falar com esta rapaziada. Por outro lado, se isto correr mal, eu sempre posso pôr a culpa nos outros. Também não tenho feito outra coisa.
É preciso é a malta estar no poder. O país logo se vê.
Mas, mãezinha! Até me arrepio com esta do diálogo, porque foi assim que o António “Picareta Falante” deixou o Governo e baldou-se para a “Comissão dos Refugiados”, não sem antes ter deixado o país num “Pântano”.
Ò mãezinha, foi mesmo um pântano. Tê filho é que é muito habilidoso, aliás, já o era desde os tempos de estudante, e dei a volta por cima, e pus a culpa no Pedro. Sim, o Pedro que recebeu, agora, passados cinco anos, aquela fita que eu hei-de levar daqui a pouco tempo, se esta do diálogo não funcionar.
Ele foi o défice, a dívida externa, o desequilíbrio da balança comercial, e eu, espertalhão, como tinha aprendido naquela aula de “análise de risco”, sim aquela em que tive equivalência, disse com os meus botões: “Ò Zé, o melhor que tu tens a fazer é encomendar ao Constâncio, um número porreiro e depois dizes que aquilo foi conseguido tudo, em um ano e meio que eles estiveram no Governo.” E foi porreiro, pá! Conseguimos!
Ainda agora, já lá vão cinco anos a governar e quando me chateiam com a situação, mesmo bera em que está o país, eu desatino. Já sabes como eu sou e ponho, logo, a culpa no Santana.
Não sei porquê, eles lá sabem, parece que engolem em seco e não me dão a resposta que eu daria se estivesse no lugar deles: “Vá p`ra escola”. Ou então, “Se o diálogo é para continuar assim, mande-nos a resposta por fax.”
Mas eles lá têm qualquer coisa atravessada e eu penso que, como não queriam lá o Pedro, até não dizem nada. Só pode ser, mãezinha! Os tipos não são estúpidos!
Com esta do diálogo, agora pus os tipos do PSD a comer aqui na mão. Como eu fazia com os pombos, lembras-te? Foi por causa dos pombos que eu não fiz logo a licenciatura e ainda bem, porque aprendi a voar com eles e ganhei espírito de orientação. Tal como os pombos bem treinados, sou um corredor de fundo.
Mas, mãezinha! Isto está mesmo muito mal. Não mãezinha, não quero que fiques nervosa!
Agora que aconteceu esta desgraça no Haiti e tudo aquilo ficou destruído, em última estância, agarro no meu canudo e vou trabalhar como “engenheiro civil”, porque a Ordem dos Engenheiros lá, não manda nada e eu safo-me.
Olha que eu sempre acatei as tuas recomendações e lembro-me bem, quando tu me dizias: “Estuda meu filho que, um dia, podes precisar de ser engenheiro”.
Mãezinha, esta carta já está a ficar longa. Tenho de ir, pois hoje, tenho mais uma maratona.
Beijinhos deste tê filho que nunca te esquece.

« Exeat aula qui vult esse pius. » Deixe a corte quem quer permanecer honesto.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PREVISÕES DA "BI -DENTE" PARA 2010

Depois de ter consultado a “Bi –Dente”, esta deu-me algumas dicas do que se pode passar neste ano de 2010.
A SIC em comunhão de interesses com o PSD, não fosse o Balsemão o Presidente da SIC e o sócio número da organização politica, vão organizar um programa para tentar encontrar o líder ideal para o PSD. O nome do programa será “Ídolos PSD”. Os que já foram ídolos ou que de qualquer modo já concorreram, não podem ser candidatos, incluindo o Passos Coelho.
O evento “Red Bull Race” que se realizava no Porto e passará a realizar-se em Lisboa/Oeiras, pode acabar em desastre com o embate de um avião na torre de contentores da Liscont, no Porto de Lisboa.
Atendendo à decadência em que a Igreja está, em termos de fiéis que abandonam, ou não ingressam na Igreja, o Papa na próxima visita a Lisboa, vai substituir as hóstias por pastéis de nata. Pensa o Vaticano que com esta promoção dos pastéis de nata, poderá aumentar significativamente o número de fiéis.
Atendendo ao bom desempenho de Armando Vara, junto do BCP e a sua argúcia para os negócios bancários, irá substituir Vítor Constâncio, junto do Banco de Portugal. Acredita-se, assim, que as previsões económicas poderão vir a ser mais correctas, no futuro.
Vítor Constâncio, atendendo à forma heróica com que se defrontou nos escândalos bancários em Portugal, é a pessoa indicada para liderar o Banco Mundial e assegurar a mesma liderança nos escândalos que vierem a acontecer a nível mundial.
Medina Carreira será constituído arguido, por festejar a falência de Portugal e a entrada do país, no FMI.
Portugal é campeão do mundo de futebol com golos de Liedson e Deco.
D. Duarte é preso por se juntar às comemorações dos cem anos da República.
Depois da conquista do mundial de futebol, por Portugal, o Governo, aproveitando a euforia vivida, aumenta o IVA para 40%. O povo embriagado, só depois de repor a garrafeira é que se apercebe do aumento do IVA.
A celebração do primeiro casamento homossexual, faz com que deixe de haver inundações e desaparece o arco-íris.
O Benfica e Luís Filipe Vieira, são condecorados por Lula da Silva pelo seu apoio à emigração de brasileiros.
Em Agosto, Portugal será invadido por uma onda de calor. Este facto fará notícia por várias semanas, em todos os telejornais.
Obama recebe o prémio Nobel da literatura depois de anunciar a intenção de escrever um livro.
José Sócrates consegue sensibilizar o Bloco de Esquerda para o problema de descriminação política das minorias de governação, e passa a ter maioria no parlamento com apoio do Bloco.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PORTUGAL NA SENDA DO PROGRESSO

Hoje, está a ser discutida a grande proposta estruturante, do crescimento das famílias em Portugal.
Com os novos casamentos que se irão realizar, vamos assistir, finalmente, ao crescimento da população.
A economia vai beneficiar com o aumento do mercado de arrendamento e aquisição de novas habitações.
O Algarve vai passar a ter mais famílias de férias no próximo verão. Mas, o que vai ser importante, vai ser a posição de Portugal no ranking internacional, dos países que dão cobertura a esta situação.
Espero que o Ministro da Economia aproveite para fomentar no estrangeiro, o casamento em Portugal de gays, de modo que o turismo possa incrementar, com os casamentos gays que se venham a celebrar em Portugal, tipo casamentos à moda de “Las Vegas”. Que seja criada uma linha de crédito, para a construção de hotéis vocacionados a receber só casais gays. Isto é, reservada a demissão, a casais heterossexuais.
Que no orçamento de Estado, o Governo, estabeleça um subsídio para as comemorações, com discursos de Estado, na Assembleia da República, quando da comemoração do dia, do “Orgulho Gay”. Sinceramente, não percebo onde é que está o orgulho, mas eles lá sabem.
Que para as famílias Gays, seja criado um subsídio de maternidade, diferente dos casais heterossexuais, porque o tempo de gravidez é mais longo e o parto mais difícil.
Que seja, desde já, alterada a lei, no que à relação paternal diz respeito, de modo a que se possa identificar com objectividade quem é o pai e a mãe, de modo que nos primeiros divórcios, se possa atribuir o cuidado da criança, por princípio e prática reiterada dos tribunais, à mãe. Nada de confusões.
Para o futuro, os programas escolares não devem indicar a diferença dos machos e fêmeas, pelo sexo. Deve ser dada a orientação aos meninos que o género sexual, nada tem a ver com ter pénis ou não. Tanto pode ser-se fêmea com pénis, como macho sem pénis. Se uma criança perguntar se é macho ou fêmea, encontre outra explicação que a criança entenda, desde que não seja mencionado a anatomia do individuo.
Muito há a fazer no desenvolvimento desta sociedade, a caminho do progresso de esquerda.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

OPINIÃO SOBRE OPINIÃO

José Leite Pereira, num artigo de opinião, aborda a questão dos 90 mil cidadãos que assinaram uma petição pedindo um referendo sobre o casamento gay, comentando de seguida o seguinte: “ O número parece grandioso. Para apresentar uma candidatura a presidente da Republica, a lei só exige 15 mil assinaturas, pelo que, vistas as coisas assim, um número tão grande quase deveria obrigar a convocar de imediato o dito referendo.”
Logo a seguir, diz: “ Mas tudo é relativo. 90 mil cidadãos representam, afinal, menos de 1 por cento do total da população portuguesa. Três partidos apresentaram-se a eleições defendendo os casamento gays e obtiveram, em conjunto, mais de metade dos votos dos portugueses. Vistas as coisas assim, 90 mil já não é um número tão grande”.
Meu caro José Leite Pereira, salvo melhor opinião, a sua opinião, como calcula, é sempre passível de contraditório, sendo, além do mais, uma opinião pouco elaborada.
Porquê pouco elaborada, perguntará?
E então o total dos partidos que não se pronunciaram sobre a temática do casamento gay, somado com o número de cidadãos que se abstiveram, não será um número maior?
Mas não vamos por ai, pois sou da opinião que este tipo de linguagem aritmética, em que estamos a comparar o que não é comparável, não nos leva a lado nenhum.
Aquilo que me importa recordar é que Portugal é uma democracia representativa. Ou seja, os senhores deputados representam o povo português, na Assembleia da República. Se 90 mil cidadãos não são nada, tendo em conta que a Assembleia tem 230 deputados e que os deputados do PSD, mais do CDS, além dos deputados do PS que serão obrigados a votar, por disciplina de voto, são mais de metade do total de deputados, significa que 90 mil cidadãos já passam a ter importância. Ou não será?
Por outro lado, quantos gays é que assinaram uma petição a pedir um casamento gay? Fizeram petição? Penso que não seria fácil encontrar 15 mil cidadãos que assinassem uma petição a favor do casamento gay.
Se, por outro lado, o referendo não interessa nada, porque não dá em nada, acabe-se com ele, nesta revisão constitucional, acabe-se com o Governo a ser constituído a partir da Assembleia da República, acabe-se com o MP como ele existe hoje, em termos de organização e competências, etc. Em resumo, façam uma nova democracia, porque, sinceramente, estou farto desta.

“Homo naturae oboediens, homini nocere non potest.” [Cícero, De Officiis 3.25] O homem que obedece à natureza não pode fazer mal a outro homem.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mãezinha estou de regresso

Depois destas pequenas férias de Natal e fim de ano, já comecei a trabalhar. Fiz este pequeno intervalo para te escrever esta cartinha, porque a única coisa que me chateou durante este tempo foi a mensagem de fim de ano do Presidente da República.
Deves ter ouvido e sei que também não gostastes. Como é que eu poderia gostar de uma coisa daquelas? O homem não perde uma para me dar para baixo.
Já em 2008, na mensagem de fim de ano, o Presidente disse que 2009 ia ser um ano difícil. Lembras-te? Tinha eu acabado de dizer, mais o Teixeira que isto estava a recuperar. Tinha criado 150.000 novos empregos, etc.
Sabes, aquelas tretas do costume. E veio este tipo, estragar tudo com o discurso da treta, a dizer que estávamos mal. Agora, pior a emenda que o soneto, veio dizer que a situação estava explosiva. Até parece que sou algum “Talibã”. Chiça. Só me falta esta.
Eu não ando por ai a pôr bombas, nem estou a pedir ao povo que se suicide.
Veio logo dizer, aquilo, que a oposição quase não fala, que o desemprego subiu em flecha e que de jovens aumentou em cerca de 20%.
E não se ficou por aqui. Tinha que a seguir dizer que a dívida do Estado tem vindo a crescer. Ora bolas. Alguma coisa tem de crescer. Ou não é?
Se cresce é porque cresce, se diminui é porque diminui, já não percebo nada disto. Sou preso por ter cão e por não ter.
Depois veio com aquela que o paizinho já dizia…lembras-te? Se o desequilíbrio das nossas contas externas continuar ao ritmo dos últimos anos, o nosso futuro, o futuro dos nossos filhos, ficará seriamente hipotecado. Quer dizer, agora já não são os filhos mas os netos. É exactamente a mesma conversa. Até parece o avô cantigas. O ritmo é sempre o mesmo.
E pronto, lá veio aquela do “Talibã”: “ Com este aumento da divida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva”. Ó mãezinha, então isto não é o mesmo que dizer que eu ando a pôr “minas” por essas estradas fora?
E a conversa das estradas continuou, já não bastava aquela história do Tribunal de Contas, chumbar os projectos que eu tinha, para dizer, que não podemos continuar a ser ultrapassados, em termos de nível de desenvolvimento, por outros países da União Europeia. Mãezinha, este homem não sabe que há limites de velocidade? Se estamos a ser ultrapassados é porque os outros vão em excesso de velocidade. Não concordas?
Que já vamos na 19.ª posição! Alguém tem que ir atrás. Porque é que havíamos de ser nós a ir à frente? Nós andamos com energias renováveis. Não andamos a poluir, muito menos com aqueles carros que são produzidos nos países de Leste, com motores a dois tempos.
Claro que o tipo não é parvo e mandou logo uma indirecta: “Não é tempo de inventarmos desculpas para deixarmos de fazer o que deve ser feito”. Eu sei, mãezinha, eu sei! Ele estava a referir aquela dos dois orçamentos e que assim eu não tinha condições de governar. Ele sabe muito. É para me encostar à parede.
O problema é que nós lá no partido, sabemos que se convocarmos eleições antecipados, esta porcaria fica na mesma. Ou seja, vou de ter de governar com a oposição. Mãezinha, eu estava mal habituado e ainda não me mentalizei. Também já sabes como eu sou. Além de “narciso” sou casmurro.
Eu bem disse À malta, lá do grupo parlamentar que não era boa ideia ir para a televisão dizer que o Presidente tinha de intervir, etc. O tipo não foi nessa e disse, na mensagem que “tem ouvido muitos apelos para que o Presidente da República intervenha activamente na política”. Ah, pois queria! Era a maneira de me safar! Mas o espertinho não foi nessa.
Olha, não sei como é que vou endireitar esta coisa.
Mãezinha, não vou desabafar mais contigo, para não te preocupar, mas que isto está explosivo, está.

Beijinhos deste tê filho “Talibã”.


PS: Mãezinha esta, do “talibã” , fez-me lembrar o mê amigo Hugo Chavez. Não é?


“Testudo volat.” [Claudiano, In Eutropium 352] A tartaruga está voando. ■Como mentes, meu irmão!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

TANTO FAZ SER A PRIMEIRA, SER A SEGUNDA OU A TERCEIRA REPÚBLICA QUE A MERDA É A MESMA

“Estávamos na 1.ª República e assistia-se a uma desordem financeira. Um aumento colossal e crónico do défice, a que se juntava uma máquina do Estado ineficiente, gastadora e perdulária – desde os serviços centrais até às colónias, passando pelas autarquias”.
Não me parece que estejamos na 1.ª República, mas segundo uns na 2.ª República, segundo outros, na 3.ª República.
Tanto faz, desde que nos consigamos situar no tempo. E “mutatis mutantis”, o tempo mudou, mas os problemas são os mesmos.
Continuamos a viver uma desordem financeira, com um aumento colossal e crónico do défice, em que felizmente, em mais de 90% é só responsável o Estado central.
Estado central, gastador e perdulário. Que teima nos grandes investimentos do Estado, como se a solução do país passasse por aí.
Somos hoje, um país cuja máquina produtiva de bens transaccionáveis se encontra destruída. Desde a agricultura, às pescas, porque durante uns anos houve uma classe de políticos que diziam a toda a hora, que o futuro do país passava pelos serviços, em boa parte o turismo e pelos rebanhos de ovelhas no Alentejo.
O resultado está à vista.
Como se não bastasse, temos assistido à gestão do poder por dois partidos que, ora são governo ou oposição, mas enquanto governo, os seus actos de gestão, não têm relação nem com os programas de governo, nem com os programas partidários, muito menos com as exigências do país.
Podemos tirar como conclusão, que ao fim de trinta e cinco anos de alternativa partidária, na governação do país, estes fracassaram e que apregoar como solução do problema nacional em que nos encontramos, que o mesmo passa pelos partidos, não oferece o mínimo de garantia. E penso que chega de experiências.
Os partidos, formaram-se à volta de pessoas, de interesses mesquinhos e de certos apetites e têm, hoje, como única finalidade, servir esses interesses e apetites.
Ora, é essa mentalidade partidária que tem de acabar, se queremos entrar num período de renovação.
Acabem com essas ideias peregrinas de procurar encontrar ideologias, em congressos e fóruns, dos quais não sai absolutamente nada, a não ser a passagem de modelos, de egocentrismos, dos portadores dos referidos interesses e apetites, que são antagónicos com a necessidade de encontrar o caminho que o país perdeu.
Os partidos corrompem, desvirtuam o poder e deformam a visão dos problemas. E o que fica em causa é a utilização dos valores do país para o bem comum. Que o digam os milhares de portugueses que vivem no limiar da pobreza e os mais de seiscentos mil desempregados que o país tem, e que não se resolvem com ladainhas de estágios e outras soluções de marketing.
Tanto faz ser a primeira, ser a segunda ou a terceira república que a “merda” é a mesma.

“Riparum usus publicus est iure gentium, sicut ipsius fluminis.” [Digesta 1.8.5] De acordo com o direito das gentes, o uso das margens do rio é público, da mesma maneira que o do próprio rio.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

HOJE SOMOS MUITOS, AMANHÃ SEREMOS MILHÕES

Creio que este era o “slogan” que em tempos orientava o PSD. Tempos que já lá vão, ainda era Presidente do PSD o Dr. Francisco Sá Carneiro.
Fazendo jus ao “slogan”então em voga, os militantes do PSD nunca o esqueceram. E hoje, decorridos 30 anos, ainda lhes está na mente o referido “slogan”.
Basta ver a notícia dada, pelo CM, cujo título é: “PSD esquema das secções para conquistar mais influência”.
E a notícia vai dando exemplos dos múltiplos pseudo - militantes que coabitam na mesma morada. Desde do Bairro da Boavista, passando pela secção A, aliás famosa desde sempre, onde em três moradas residem 21 militantes.
Há muito que se vem denunciando esta situação, que os diversos líderes não pretendem esclarecer mas, não deixam de apregoar a ética e a transparência.
Quem não consegue ser transparente na sua própria casa, não tem autoridade moral para exigir ética a ninguém, a não ser que, o facto de se ter militantes a residir, às carradas, na mesma morada, seja ético, mesmo que eles venham de bairros de outros zonas ou distritos.
Também há muito se fala de que estes militantes beneficiam, além das quotas pagas, de outros benefícios para votarem, quando se torna necessário. Seja nas secções, seja nas distritais e agora nas nacionais.
Segundo consta, o PSD não está sozinho nesta embrulhada. Há mais partidos na mesma situação.
Ninguém controla nada, o próprio Estado que é governado pelos próprios partidos, nada está interessado em fazer.
Por isso, assistimos aos mandatos infindáveis dos notáveis que vão povoando os partidos e que têm levado o país à bancarrota.
A democracia está podre! Estamos a viver em demagogia!
Como está na moda, a corrupção, começa nos partidos! Não haverá códigos de ética que lhes possam valer.
Não precisamos de mais partidos, precisamos de uma nova democracia, se for possível!
São os meus sinceros votos, para 2010!

“Deus testis est.” [Vulgata, 1Tessalonicenses 2.5] Deus é testemunha.

domingo, 27 de dezembro de 2009

UMA MÃE PERDOA SEMPRE

Mê rico filho!
Vi-te na televisão, a dar os cumprimentos de Natal, ao Sr. Presidente. Mas achei estranho não teres falado da colaboração institucional que era teu apanágio, nos últimos cinco Natais.
Eu compreendo! Escusas de dizer. Eu sei que tens que criar algum mal-estar, para depois apoiares o Senhor às eleições, pois não vais ter alternativa dentro do partido. O Alegre não te larga e sinceramente, não te estou a ver a trabalhar com ele.
Então é que era o fim da macacada.
Já nesta altura, sabe Deus o que tu não tens de aguentar, com essa malta.
O teu caminho para o socialismo, nem ao Hugo Chavez passava pela cabeça.
Desorçamentar, com a criação de empresas do Estado foi uma ideia genial. Socialismo sem contar para o défice orçamental.
Agora, o Guilherme, é que anda a tramar-te a vida, com as negas às parcerias pública - privadas. Não há direito. Aquelas barragens que eram essenciais para aumentar em 3% a produção eléctrica nacional e que iriam criar emprego a rodos, é o que o Cavaco chamaria forças de “bloqueio”.
Mas ele já não é do teu partido? Olha! Só te digo é que com amigos assim, não precisas de ter inimigos.
Então, eles não ouvem as tuas intervenções? Não sabem que o futuro do país está no investimento megalómano do Estado?
Às vezes ponho-me a pensar para que é que andei a criar um filho. És um incompreendido. É o que é!
Não te preocupes com os robalos, pois passei a consoada, como tu disseste, com um prato de bacalhau, bem regado com aquele azeite lá da herdade do teu amigo. Uma maravilha.
Depois, os meus olhinhos até brilharam, com as fatias doiradas.
Agora, mandares-me jogar os joguinhos do Magalhães é que não. Às vezes, esqueceste que sou tua mãe, não é mê filho?
Uma mãe perdoa sempre, mesmo quando os filhos são como tu! Agora, o país é que já não sei.
Agora resta-me, desejar-te Boas Festas e não desanimes. Não vale a pena dramatizares dessa maneira.

“Pars maxima fere hominum habent hunc morem: quod sibi volunt, dum id impetrant, sunt boni; sed id ubi penes iam sese habent, ex bonis pessimi et fraudulentissimi fiunt.” [Plauto, Captivi 165] A maior parte dos homens tem esta característica: enquanto tentam obter o que querem, são virtuosos; mas quando já o têm para si, de bons se tornam