quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O ORÇAMENTO DE ESTADO CONTRATUALIZADO



Mãezinha, como estou contente. Consegui levar aqueles tipos à certa. Mesmo com um défice de 9,3% e uma divida que ultrapassa os 85%, já depois daqueles dinheiros que recebi por causa das barragens e que deu muito jeito. Agora se as barragens vão ser feitas ou não, é outro problema. Logo se vê. Se houver azar sempre posso invocar “alteração das circunstâncias supervenientes”. (Esta foi um amigo meu jurista que me ensinou)
Claro que o pessoal dos sindicatos, não gostou nada da ideia de aumentos zero, mas eles ainda não se aperceberam que para o ano vai ser ainda pior. Este ano só vamos reduzir o défice público em 1%, mas até 2013 temos de baixar esta coisa 6 pontos percentuais.
Aí é que vai doer…aumento dos impostos, principalmente o IVA.
O que eu ainda tenho pena é dos desempregados, coitados. Mas tenho de manter aquela coisa de entra um, saem dois. Ah, os que se querem reformar? Ó mãezinha, o orçamento de estado não aguenta com tanta malta a pedir reforma. Se eu não pusesse aquela dos 6% ao ano, eles continuavam a reformar-se e não temos pilim para transferir para a Caixa geral de Aposentações. Exigimos aos privados que paguem 23,75% para a segurança social, mas o Estado não aguenta, mãezinha.
Olha! Foi bom! Não se pode pedir mais, depois de termos levado com aquela ripada no número de deputados na Assembleia. Ó mãezinha, esta malta quer tudo. Estão habituados a esta dicotomia que nós Socialistas temos. Por um lado somos sociais-democratas e queremos a iniciativa privada, por outro gostamos de dar dinheiro à malta na acção social. E, pronto. Esta malta está habituada a viver de subsídios e não se faz à vida.
Também é por causa disso que vamos ganhando as eleições. E nós sabemos bem disso.
Mãezinha, como os meus parceiros, da chamada direita, viabilizam esta coisa, o povinho não pode dizer que fomos só nós. Se os outros lá estivessem era a mesma coisa. Por aí estou safo!
E quer eles queiram quer não, vamos ter TGV e auto-estradas à pazada. Agora é que vai ser. Depois de estar em dois governos e não fazer mais estradas que o Cavaco é que não pode ser. Também quero ficar na história, como o primeiro, ainda por cima, engenheiro, que mais estradas vai construir. O Guilherme é que me anda a aborrecer com os indeferimentos que está a dar nos concursos. E eu que pensava que ele era da corda.
É que agora, acabaram-se aqueles golpes de teatro bem encenado dos “Magalhães” e etc. Agora é mesmo obra a sério.
Vê o caso das escolas que as autarquias andam a fazer! Eles fazem e eu fico com o mérito! Que achas? Esta faz parte do teatro, mas ninguém liga. O povinho sabe lá se é o Estado se são as autarquias?
Mas o Guilherme não me está a sair da cabeça. Não é que agora, também quer um plano anti-corrupção para o Ministério Público? Francamente! E quem é que vai fiscalizar o Tribunal de Contas? Por um lado gosto…policia a fiscalizar a policia. Já parece aqueles filmes americanos em que há policias a fiscalizar policias. Eh pá, porreiro! Depois não podem vir dizer que não é por falta de fiscalização que o País não anda.
E se houver uma bronca qualquer, nomeamos logo uma “Comissão de Inquérito” na Assembleia e pronto. Nunca mais me digam que não há transparência e que esta pouca vergonha, do financiamento dos partidos é que é a culpada disto. Os partidos estão completamente fora deste baralho. Então não somos nós que estamos na Assembleia a representar o povo?

Mãezinha, com esta te deixo. Beijinhos repenicados do tê filho.

“Contractus ex turpi causa, vel contra bonos mores, nullus est.”[Jur] Contrato originário de causa desonrosa, ou contra os bons costumes, é nulo. VIDE: ●”Pacta quae turpem clausulam continent non sunt observanda.”

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A APOSENTAÇÃO E O ORÇAMENTO DE ESTADO


Mê querido filho. Recebi a tua cartinha que me deu muita alegria.
Noutro dia fui com as minhas amigas comer uma torradinha e beber um chazinho e a conversa foi sobre a nova lei que tu andas a tramar, em que a aposentação passa, no mínimo, para os setenta anos de idade e cujas regras, segundo os comentários, começam pela adequação do organismo de cada candidato ao limite de idade para aposentação.
Logo de seguida, estabelecida a idade mínima de aposentação para cada indivíduo, vais impor uma série de regras, aliás, com as quais eu concordo.
A primeira passa, segundo dizem as minhas amigas, pela transformação das escadas existentes em todos os prédios de escritório, em rampas, dotadas de corrimão não escorregadio. Não vá alguém estatelar-se no chão. Dá para os funcionários e para os utentes, porque nem tu acreditas que é com 200 euros que esta malta vai passar a fornicar sem camisinha e fazer filhotes.
As casas de banho dos escritórios têm que ser todas dotadas de apoio e acesso a cadeiras de rodas, de modo que ninguém seja impedido de trabalhar, por falta de meios. Uma das medidas a inserir na “Higiene e Saúde no Trabalho”.
Deve estar previsto a substituição de todos os sistemas de comunicação, em particular o telefone, de modo que estes possam amplificar os sons e imagens, pela resultante perda de vista e de audição, por consequência do aumento de idade.
A informática das empresas deve providenciar a instalação de impressoras que possam imprimir em formato A3.
Em simultâneo, as empresas e instituições do Estado, devem proporcionar a aquisição de lentes de aumento para concomitantemente com as impressoras em A3, facilitarem a leitura dos documentos a todos os seus funcionários.
Atendendo que os monitores são uma ferramenta essencial no trabalho, do dia a dia, os serviços devem ser dotados de monitores de 32 polegadas, de modo a facilitar a sua leitura.
O código de trabalho deverá ser revisto de modo a instituir um novo regime de faltas justificadas ao serviço, tais como:
- Esquecimento do local de trabalho;
- Esquecimento de como se faz o trabalho;
-No caso da existência de falta de ar, o trabalhador pode justificar a sua falta;
- Existindo incontinência urinária, o trabalhador, enquanto não se reparar a situação, tem as suas ausências ao trabalho, justificadas;
- A dor nas costas é também contemplada, podendo o trabalhador pedir para faltar e ir ao massagista, no caso do serviço não ter um disponível, a tempo e inteiro, e desde que o mesmo também não sofra de dores nas costas;
- Todo o trabalhador que se ausente para ir ao funeral de um colega, tem a sua falta justificada, desde que este último estivesse ao serviço e ainda não estivesse reformado;
Os bengaleiros nas entradas dos serviços, devem ter um local para as bengalas que pode ser cedidas a título gratuito, caso sejam devolvidas no dia seguinte. No caso de esquecimento, é relevada a coima;
Para os trabalhadores que tomem ansiolíticos ou comprimidos para dormir, deve estar um despertador em cada secretária que obviará o problema do trabalhador se atrasar a voltar para casa.

As empresas fornecedoras de elevadores, devem providenciar, o aumento do 'time-out' para o encerramento das portas dos elevadores, tendo em vista a agilidade de locomoção dos funcionários ainda existentes.
Atendendo à idade avançada dos trabalhadores, os serviços devem providenciar, novos equipamentos, onde o trabalhador possa guardar fraldas e remédios.
As funcionárias mais novas ficam proibidas de vestir trajes que possam, por qualquer razão, provocar acidentes vasculares cerebrais ou outros aos seus colegas mais velhos. Estão, portanto, proibidos os uso de decotes que pronunciem e relevem os peitos, bem como o uso de mini-sais ou blusas que mostrem o umbigo.
Por último, deverá ser obrigatório incluir nos papéis para a reforma, a certidão de óbito.
Mê filho! Além de aumentares o bem-estar da grande maioria dos portugueses, mantendo-os no activo, deves estar a pensar em poupar dinheiro nos hospitais de retaguarda e nos lares para idosos. Eu já te conheço. Não dás ponta sem nó. E com duas cajadadas,. matas dois coelhos de uma só vez e deixas de ouvir a oposição e as empresas de”rating” dizer que não reduzes a despesa corrente primária do Estado.
Continua assim que vais bem, mê rico filho!
Beijinhos desta tua mãezinha que te quer muito. (nem imaginas quanto)

Tres sunt mortis nuntii: casus, infirmitas, senectus. Casus nuntiat mortem latentem; infirmitas apparentem; senectus praesentem.” [Hugo de São Vítor / Bernardes, Nova Floresta 1.309] Três são os mensageiros da morte: a desgraça, a doença e a velhice. A desgraça anuncia a morte que está escondida; a doença, a morte que está aparecendo; a velhice, a morte que está presente.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

O DIÁLOGO “DEMOCRÁTICO”






Mãezinha!
Desculpa ter estado todo este tempo sem te escrever mas, como tu sabes, isto agora é reuniões, que nunca mais acaba.
Dizem que a democracia é diálogo e pronto. Como temos que dar um ar mais democrático, tenho passado o tempo a falar com esta rapaziada. Por outro lado, se isto correr mal, eu sempre posso pôr a culpa nos outros. Também não tenho feito outra coisa.
É preciso é a malta estar no poder. O país logo se vê.
Mas, mãezinha! Até me arrepio com esta do diálogo, porque foi assim que o António “Picareta Falante” deixou o Governo e baldou-se para a “Comissão dos Refugiados”, não sem antes ter deixado o país num “Pântano”.
Ò mãezinha, foi mesmo um pântano. Tê filho é que é muito habilidoso, aliás, já o era desde os tempos de estudante, e dei a volta por cima, e pus a culpa no Pedro. Sim, o Pedro que recebeu, agora, passados cinco anos, aquela fita que eu hei-de levar daqui a pouco tempo, se esta do diálogo não funcionar.
Ele foi o défice, a dívida externa, o desequilíbrio da balança comercial, e eu, espertalhão, como tinha aprendido naquela aula de “análise de risco”, sim aquela em que tive equivalência, disse com os meus botões: “Ò Zé, o melhor que tu tens a fazer é encomendar ao Constâncio, um número porreiro e depois dizes que aquilo foi conseguido tudo, em um ano e meio que eles estiveram no Governo.” E foi porreiro, pá! Conseguimos!
Ainda agora, já lá vão cinco anos a governar e quando me chateiam com a situação, mesmo bera em que está o país, eu desatino. Já sabes como eu sou e ponho, logo, a culpa no Santana.
Não sei porquê, eles lá sabem, parece que engolem em seco e não me dão a resposta que eu daria se estivesse no lugar deles: “Vá p`ra escola”. Ou então, “Se o diálogo é para continuar assim, mande-nos a resposta por fax.”
Mas eles lá têm qualquer coisa atravessada e eu penso que, como não queriam lá o Pedro, até não dizem nada. Só pode ser, mãezinha! Os tipos não são estúpidos!
Com esta do diálogo, agora pus os tipos do PSD a comer aqui na mão. Como eu fazia com os pombos, lembras-te? Foi por causa dos pombos que eu não fiz logo a licenciatura e ainda bem, porque aprendi a voar com eles e ganhei espírito de orientação. Tal como os pombos bem treinados, sou um corredor de fundo.
Mas, mãezinha! Isto está mesmo muito mal. Não mãezinha, não quero que fiques nervosa!
Agora que aconteceu esta desgraça no Haiti e tudo aquilo ficou destruído, em última estância, agarro no meu canudo e vou trabalhar como “engenheiro civil”, porque a Ordem dos Engenheiros lá, não manda nada e eu safo-me.
Olha que eu sempre acatei as tuas recomendações e lembro-me bem, quando tu me dizias: “Estuda meu filho que, um dia, podes precisar de ser engenheiro”.
Mãezinha, esta carta já está a ficar longa. Tenho de ir, pois hoje, tenho mais uma maratona.
Beijinhos deste tê filho que nunca te esquece.

« Exeat aula qui vult esse pius. » Deixe a corte quem quer permanecer honesto.



quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PREVISÕES DA "BI -DENTE" PARA 2010

Depois de ter consultado a “Bi –Dente”, esta deu-me algumas dicas do que se pode passar neste ano de 2010.
A SIC em comunhão de interesses com o PSD, não fosse o Balsemão o Presidente da SIC e o sócio número da organização politica, vão organizar um programa para tentar encontrar o líder ideal para o PSD. O nome do programa será “Ídolos PSD”. Os que já foram ídolos ou que de qualquer modo já concorreram, não podem ser candidatos, incluindo o Passos Coelho.
O evento “Red Bull Race” que se realizava no Porto e passará a realizar-se em Lisboa/Oeiras, pode acabar em desastre com o embate de um avião na torre de contentores da Liscont, no Porto de Lisboa.
Atendendo à decadência em que a Igreja está, em termos de fiéis que abandonam, ou não ingressam na Igreja, o Papa na próxima visita a Lisboa, vai substituir as hóstias por pastéis de nata. Pensa o Vaticano que com esta promoção dos pastéis de nata, poderá aumentar significativamente o número de fiéis.
Atendendo ao bom desempenho de Armando Vara, junto do BCP e a sua argúcia para os negócios bancários, irá substituir Vítor Constâncio, junto do Banco de Portugal. Acredita-se, assim, que as previsões económicas poderão vir a ser mais correctas, no futuro.
Vítor Constâncio, atendendo à forma heróica com que se defrontou nos escândalos bancários em Portugal, é a pessoa indicada para liderar o Banco Mundial e assegurar a mesma liderança nos escândalos que vierem a acontecer a nível mundial.
Medina Carreira será constituído arguido, por festejar a falência de Portugal e a entrada do país, no FMI.
Portugal é campeão do mundo de futebol com golos de Liedson e Deco.
D. Duarte é preso por se juntar às comemorações dos cem anos da República.
Depois da conquista do mundial de futebol, por Portugal, o Governo, aproveitando a euforia vivida, aumenta o IVA para 40%. O povo embriagado, só depois de repor a garrafeira é que se apercebe do aumento do IVA.
A celebração do primeiro casamento homossexual, faz com que deixe de haver inundações e desaparece o arco-íris.
O Benfica e Luís Filipe Vieira, são condecorados por Lula da Silva pelo seu apoio à emigração de brasileiros.
Em Agosto, Portugal será invadido por uma onda de calor. Este facto fará notícia por várias semanas, em todos os telejornais.
Obama recebe o prémio Nobel da literatura depois de anunciar a intenção de escrever um livro.
José Sócrates consegue sensibilizar o Bloco de Esquerda para o problema de descriminação política das minorias de governação, e passa a ter maioria no parlamento com apoio do Bloco.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

PORTUGAL NA SENDA DO PROGRESSO

Hoje, está a ser discutida a grande proposta estruturante, do crescimento das famílias em Portugal.
Com os novos casamentos que se irão realizar, vamos assistir, finalmente, ao crescimento da população.
A economia vai beneficiar com o aumento do mercado de arrendamento e aquisição de novas habitações.
O Algarve vai passar a ter mais famílias de férias no próximo verão. Mas, o que vai ser importante, vai ser a posição de Portugal no ranking internacional, dos países que dão cobertura a esta situação.
Espero que o Ministro da Economia aproveite para fomentar no estrangeiro, o casamento em Portugal de gays, de modo que o turismo possa incrementar, com os casamentos gays que se venham a celebrar em Portugal, tipo casamentos à moda de “Las Vegas”. Que seja criada uma linha de crédito, para a construção de hotéis vocacionados a receber só casais gays. Isto é, reservada a demissão, a casais heterossexuais.
Que no orçamento de Estado, o Governo, estabeleça um subsídio para as comemorações, com discursos de Estado, na Assembleia da República, quando da comemoração do dia, do “Orgulho Gay”. Sinceramente, não percebo onde é que está o orgulho, mas eles lá sabem.
Que para as famílias Gays, seja criado um subsídio de maternidade, diferente dos casais heterossexuais, porque o tempo de gravidez é mais longo e o parto mais difícil.
Que seja, desde já, alterada a lei, no que à relação paternal diz respeito, de modo a que se possa identificar com objectividade quem é o pai e a mãe, de modo que nos primeiros divórcios, se possa atribuir o cuidado da criança, por princípio e prática reiterada dos tribunais, à mãe. Nada de confusões.
Para o futuro, os programas escolares não devem indicar a diferença dos machos e fêmeas, pelo sexo. Deve ser dada a orientação aos meninos que o género sexual, nada tem a ver com ter pénis ou não. Tanto pode ser-se fêmea com pénis, como macho sem pénis. Se uma criança perguntar se é macho ou fêmea, encontre outra explicação que a criança entenda, desde que não seja mencionado a anatomia do individuo.
Muito há a fazer no desenvolvimento desta sociedade, a caminho do progresso de esquerda.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

OPINIÃO SOBRE OPINIÃO

José Leite Pereira, num artigo de opinião, aborda a questão dos 90 mil cidadãos que assinaram uma petição pedindo um referendo sobre o casamento gay, comentando de seguida o seguinte: “ O número parece grandioso. Para apresentar uma candidatura a presidente da Republica, a lei só exige 15 mil assinaturas, pelo que, vistas as coisas assim, um número tão grande quase deveria obrigar a convocar de imediato o dito referendo.”
Logo a seguir, diz: “ Mas tudo é relativo. 90 mil cidadãos representam, afinal, menos de 1 por cento do total da população portuguesa. Três partidos apresentaram-se a eleições defendendo os casamento gays e obtiveram, em conjunto, mais de metade dos votos dos portugueses. Vistas as coisas assim, 90 mil já não é um número tão grande”.
Meu caro José Leite Pereira, salvo melhor opinião, a sua opinião, como calcula, é sempre passível de contraditório, sendo, além do mais, uma opinião pouco elaborada.
Porquê pouco elaborada, perguntará?
E então o total dos partidos que não se pronunciaram sobre a temática do casamento gay, somado com o número de cidadãos que se abstiveram, não será um número maior?
Mas não vamos por ai, pois sou da opinião que este tipo de linguagem aritmética, em que estamos a comparar o que não é comparável, não nos leva a lado nenhum.
Aquilo que me importa recordar é que Portugal é uma democracia representativa. Ou seja, os senhores deputados representam o povo português, na Assembleia da República. Se 90 mil cidadãos não são nada, tendo em conta que a Assembleia tem 230 deputados e que os deputados do PSD, mais do CDS, além dos deputados do PS que serão obrigados a votar, por disciplina de voto, são mais de metade do total de deputados, significa que 90 mil cidadãos já passam a ter importância. Ou não será?
Por outro lado, quantos gays é que assinaram uma petição a pedir um casamento gay? Fizeram petição? Penso que não seria fácil encontrar 15 mil cidadãos que assinassem uma petição a favor do casamento gay.
Se, por outro lado, o referendo não interessa nada, porque não dá em nada, acabe-se com ele, nesta revisão constitucional, acabe-se com o Governo a ser constituído a partir da Assembleia da República, acabe-se com o MP como ele existe hoje, em termos de organização e competências, etc. Em resumo, façam uma nova democracia, porque, sinceramente, estou farto desta.

“Homo naturae oboediens, homini nocere non potest.” [Cícero, De Officiis 3.25] O homem que obedece à natureza não pode fazer mal a outro homem.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Mãezinha estou de regresso

Depois destas pequenas férias de Natal e fim de ano, já comecei a trabalhar. Fiz este pequeno intervalo para te escrever esta cartinha, porque a única coisa que me chateou durante este tempo foi a mensagem de fim de ano do Presidente da República.
Deves ter ouvido e sei que também não gostastes. Como é que eu poderia gostar de uma coisa daquelas? O homem não perde uma para me dar para baixo.
Já em 2008, na mensagem de fim de ano, o Presidente disse que 2009 ia ser um ano difícil. Lembras-te? Tinha eu acabado de dizer, mais o Teixeira que isto estava a recuperar. Tinha criado 150.000 novos empregos, etc.
Sabes, aquelas tretas do costume. E veio este tipo, estragar tudo com o discurso da treta, a dizer que estávamos mal. Agora, pior a emenda que o soneto, veio dizer que a situação estava explosiva. Até parece que sou algum “Talibã”. Chiça. Só me falta esta.
Eu não ando por ai a pôr bombas, nem estou a pedir ao povo que se suicide.
Veio logo dizer, aquilo, que a oposição quase não fala, que o desemprego subiu em flecha e que de jovens aumentou em cerca de 20%.
E não se ficou por aqui. Tinha que a seguir dizer que a dívida do Estado tem vindo a crescer. Ora bolas. Alguma coisa tem de crescer. Ou não é?
Se cresce é porque cresce, se diminui é porque diminui, já não percebo nada disto. Sou preso por ter cão e por não ter.
Depois veio com aquela que o paizinho já dizia…lembras-te? Se o desequilíbrio das nossas contas externas continuar ao ritmo dos últimos anos, o nosso futuro, o futuro dos nossos filhos, ficará seriamente hipotecado. Quer dizer, agora já não são os filhos mas os netos. É exactamente a mesma conversa. Até parece o avô cantigas. O ritmo é sempre o mesmo.
E pronto, lá veio aquela do “Talibã”: “ Com este aumento da divida externa e do desemprego, a que se junta o desequilíbrio das contas públicas, podemos caminhar para uma situação explosiva”. Ó mãezinha, então isto não é o mesmo que dizer que eu ando a pôr “minas” por essas estradas fora?
E a conversa das estradas continuou, já não bastava aquela história do Tribunal de Contas, chumbar os projectos que eu tinha, para dizer, que não podemos continuar a ser ultrapassados, em termos de nível de desenvolvimento, por outros países da União Europeia. Mãezinha, este homem não sabe que há limites de velocidade? Se estamos a ser ultrapassados é porque os outros vão em excesso de velocidade. Não concordas?
Que já vamos na 19.ª posição! Alguém tem que ir atrás. Porque é que havíamos de ser nós a ir à frente? Nós andamos com energias renováveis. Não andamos a poluir, muito menos com aqueles carros que são produzidos nos países de Leste, com motores a dois tempos.
Claro que o tipo não é parvo e mandou logo uma indirecta: “Não é tempo de inventarmos desculpas para deixarmos de fazer o que deve ser feito”. Eu sei, mãezinha, eu sei! Ele estava a referir aquela dos dois orçamentos e que assim eu não tinha condições de governar. Ele sabe muito. É para me encostar à parede.
O problema é que nós lá no partido, sabemos que se convocarmos eleições antecipados, esta porcaria fica na mesma. Ou seja, vou de ter de governar com a oposição. Mãezinha, eu estava mal habituado e ainda não me mentalizei. Também já sabes como eu sou. Além de “narciso” sou casmurro.
Eu bem disse À malta, lá do grupo parlamentar que não era boa ideia ir para a televisão dizer que o Presidente tinha de intervir, etc. O tipo não foi nessa e disse, na mensagem que “tem ouvido muitos apelos para que o Presidente da República intervenha activamente na política”. Ah, pois queria! Era a maneira de me safar! Mas o espertinho não foi nessa.
Olha, não sei como é que vou endireitar esta coisa.
Mãezinha, não vou desabafar mais contigo, para não te preocupar, mas que isto está explosivo, está.

Beijinhos deste tê filho “Talibã”.


PS: Mãezinha esta, do “talibã” , fez-me lembrar o mê amigo Hugo Chavez. Não é?


“Testudo volat.” [Claudiano, In Eutropium 352] A tartaruga está voando. ■Como mentes, meu irmão!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

TANTO FAZ SER A PRIMEIRA, SER A SEGUNDA OU A TERCEIRA REPÚBLICA QUE A MERDA É A MESMA

“Estávamos na 1.ª República e assistia-se a uma desordem financeira. Um aumento colossal e crónico do défice, a que se juntava uma máquina do Estado ineficiente, gastadora e perdulária – desde os serviços centrais até às colónias, passando pelas autarquias”.
Não me parece que estejamos na 1.ª República, mas segundo uns na 2.ª República, segundo outros, na 3.ª República.
Tanto faz, desde que nos consigamos situar no tempo. E “mutatis mutantis”, o tempo mudou, mas os problemas são os mesmos.
Continuamos a viver uma desordem financeira, com um aumento colossal e crónico do défice, em que felizmente, em mais de 90% é só responsável o Estado central.
Estado central, gastador e perdulário. Que teima nos grandes investimentos do Estado, como se a solução do país passasse por aí.
Somos hoje, um país cuja máquina produtiva de bens transaccionáveis se encontra destruída. Desde a agricultura, às pescas, porque durante uns anos houve uma classe de políticos que diziam a toda a hora, que o futuro do país passava pelos serviços, em boa parte o turismo e pelos rebanhos de ovelhas no Alentejo.
O resultado está à vista.
Como se não bastasse, temos assistido à gestão do poder por dois partidos que, ora são governo ou oposição, mas enquanto governo, os seus actos de gestão, não têm relação nem com os programas de governo, nem com os programas partidários, muito menos com as exigências do país.
Podemos tirar como conclusão, que ao fim de trinta e cinco anos de alternativa partidária, na governação do país, estes fracassaram e que apregoar como solução do problema nacional em que nos encontramos, que o mesmo passa pelos partidos, não oferece o mínimo de garantia. E penso que chega de experiências.
Os partidos, formaram-se à volta de pessoas, de interesses mesquinhos e de certos apetites e têm, hoje, como única finalidade, servir esses interesses e apetites.
Ora, é essa mentalidade partidária que tem de acabar, se queremos entrar num período de renovação.
Acabem com essas ideias peregrinas de procurar encontrar ideologias, em congressos e fóruns, dos quais não sai absolutamente nada, a não ser a passagem de modelos, de egocentrismos, dos portadores dos referidos interesses e apetites, que são antagónicos com a necessidade de encontrar o caminho que o país perdeu.
Os partidos corrompem, desvirtuam o poder e deformam a visão dos problemas. E o que fica em causa é a utilização dos valores do país para o bem comum. Que o digam os milhares de portugueses que vivem no limiar da pobreza e os mais de seiscentos mil desempregados que o país tem, e que não se resolvem com ladainhas de estágios e outras soluções de marketing.
Tanto faz ser a primeira, ser a segunda ou a terceira república que a “merda” é a mesma.

“Riparum usus publicus est iure gentium, sicut ipsius fluminis.” [Digesta 1.8.5] De acordo com o direito das gentes, o uso das margens do rio é público, da mesma maneira que o do próprio rio.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

HOJE SOMOS MUITOS, AMANHÃ SEREMOS MILHÕES

Creio que este era o “slogan” que em tempos orientava o PSD. Tempos que já lá vão, ainda era Presidente do PSD o Dr. Francisco Sá Carneiro.
Fazendo jus ao “slogan”então em voga, os militantes do PSD nunca o esqueceram. E hoje, decorridos 30 anos, ainda lhes está na mente o referido “slogan”.
Basta ver a notícia dada, pelo CM, cujo título é: “PSD esquema das secções para conquistar mais influência”.
E a notícia vai dando exemplos dos múltiplos pseudo - militantes que coabitam na mesma morada. Desde do Bairro da Boavista, passando pela secção A, aliás famosa desde sempre, onde em três moradas residem 21 militantes.
Há muito que se vem denunciando esta situação, que os diversos líderes não pretendem esclarecer mas, não deixam de apregoar a ética e a transparência.
Quem não consegue ser transparente na sua própria casa, não tem autoridade moral para exigir ética a ninguém, a não ser que, o facto de se ter militantes a residir, às carradas, na mesma morada, seja ético, mesmo que eles venham de bairros de outros zonas ou distritos.
Também há muito se fala de que estes militantes beneficiam, além das quotas pagas, de outros benefícios para votarem, quando se torna necessário. Seja nas secções, seja nas distritais e agora nas nacionais.
Segundo consta, o PSD não está sozinho nesta embrulhada. Há mais partidos na mesma situação.
Ninguém controla nada, o próprio Estado que é governado pelos próprios partidos, nada está interessado em fazer.
Por isso, assistimos aos mandatos infindáveis dos notáveis que vão povoando os partidos e que têm levado o país à bancarrota.
A democracia está podre! Estamos a viver em demagogia!
Como está na moda, a corrupção, começa nos partidos! Não haverá códigos de ética que lhes possam valer.
Não precisamos de mais partidos, precisamos de uma nova democracia, se for possível!
São os meus sinceros votos, para 2010!

“Deus testis est.” [Vulgata, 1Tessalonicenses 2.5] Deus é testemunha.

domingo, 27 de dezembro de 2009

UMA MÃE PERDOA SEMPRE

Mê rico filho!
Vi-te na televisão, a dar os cumprimentos de Natal, ao Sr. Presidente. Mas achei estranho não teres falado da colaboração institucional que era teu apanágio, nos últimos cinco Natais.
Eu compreendo! Escusas de dizer. Eu sei que tens que criar algum mal-estar, para depois apoiares o Senhor às eleições, pois não vais ter alternativa dentro do partido. O Alegre não te larga e sinceramente, não te estou a ver a trabalhar com ele.
Então é que era o fim da macacada.
Já nesta altura, sabe Deus o que tu não tens de aguentar, com essa malta.
O teu caminho para o socialismo, nem ao Hugo Chavez passava pela cabeça.
Desorçamentar, com a criação de empresas do Estado foi uma ideia genial. Socialismo sem contar para o défice orçamental.
Agora, o Guilherme, é que anda a tramar-te a vida, com as negas às parcerias pública - privadas. Não há direito. Aquelas barragens que eram essenciais para aumentar em 3% a produção eléctrica nacional e que iriam criar emprego a rodos, é o que o Cavaco chamaria forças de “bloqueio”.
Mas ele já não é do teu partido? Olha! Só te digo é que com amigos assim, não precisas de ter inimigos.
Então, eles não ouvem as tuas intervenções? Não sabem que o futuro do país está no investimento megalómano do Estado?
Às vezes ponho-me a pensar para que é que andei a criar um filho. És um incompreendido. É o que é!
Não te preocupes com os robalos, pois passei a consoada, como tu disseste, com um prato de bacalhau, bem regado com aquele azeite lá da herdade do teu amigo. Uma maravilha.
Depois, os meus olhinhos até brilharam, com as fatias doiradas.
Agora, mandares-me jogar os joguinhos do Magalhães é que não. Às vezes, esqueceste que sou tua mãe, não é mê filho?
Uma mãe perdoa sempre, mesmo quando os filhos são como tu! Agora, o país é que já não sei.
Agora resta-me, desejar-te Boas Festas e não desanimes. Não vale a pena dramatizares dessa maneira.

“Pars maxima fere hominum habent hunc morem: quod sibi volunt, dum id impetrant, sunt boni; sed id ubi penes iam sese habent, ex bonis pessimi et fraudulentissimi fiunt.” [Plauto, Captivi 165] A maior parte dos homens tem esta característica: enquanto tentam obter o que querem, são virtuosos; mas quando já o têm para si, de bons se tornam

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

MÃEZINHA, NÃO HÁ ROBALOS PARA A CEIA DE NATAL




Mãezinha ainda bem, que vêm aí as férias de Natal.
Vou tirar umas férias e descansar desta barulheira infernal dos homossexuais, orçamentos e outras coisas mais.
Mas não há nada, que chegue àqueles velhos tempos de escola. Isso, é que eram férias. Lembras-te, mãezinha? Se eu já não pegava no livro durante as aulas, muito menos o fazia durante as férias. Mas em compensação tive uns professores muito porreiros, pá, que me facilitaram imenso a vida e quando eu não podia ir aos exames, mandava-os por fax. Bons tempos. Agora é um bocadinho diferente, porque tenho este “dossier” do orçamento que me está a dar água pela barba. Como é que eu vou dizer à malta da função pública que este ano não há aumentos de salário?
E digo-te mais, mãezinha…se não deito o Governo a baixo, para haver eleições antecipadas, como é que eu vou dizer à malta que para 2011 vamos ter de aumentar os impostos, baixar salários, deixar de pagar o décimo terceiro mês? Não me dizes, mãezinha? Ninguém vai ter paciência para aturar a oposição.
Já sei que me vais dizer, para me desculpar, que foi a crise internacional e que já estamos a recuperar. E que temos que resolver este problema do défice. Isso, eu sei! Mas achas que eles vão acreditar?
Por outro lado, mãezinha, que solução é que eu vou apresentar para reduzir a divida externa? Com essa é que estamos tramados.
O quê? Com a exportação de computadores Magalhães para a Venezuela? Oh, mãezinha, o Hugo nem a última encomenda quis. É como te digo, estamos tramados. Tenho que pensar noutra coisa qualquer, para entreter o pessoal. E ainda por cima, se vou reavivar essa do Magalhães, tenho mais uma comissão de inquérito em cima. Já basta esta, do Magalhães que foi pago pela Acção Social Escolar. Não é por nada, mas ainda são 180 milhões. Sim, porque com esta dos gays, já não me safo, porque fica resolvida, agora. E para entreter um pouco mais o pessoal e chateá-los mais um bocadinho com esta “maricagem”, vou dar indicações ao pessoal para eles votarem a proposta do Bloco de Esquerda e fica já a adopção resolvida. Nem é tarde, nem é cedo.
Até lá, hei-de pensar em qualquer coisa.
Mãezinha! Um Bom Natal e um ano novo cheio de “propriedades”.


PS: Mãezinha, já depois de ter fechado a carta é que me lembrei de te dizer que este ano não há robalos para a ceia. Come bacalhau, com azeite tecnológico, subsidiado pela PAC. Aproveita o Magalhães que te arranjei para te entreteres com uns jogos. Não tivesses dado cabo da “playstation”.
" Nescit dulcedinem epularum, qui famem non est expertus. "[Titelmano / Bernardes, Nova Floresta 5.180] Não percebe o sabor da comida quem não sentiu fome.

domingo, 20 de dezembro de 2009

UM PAÍS DE SUCESSO

Ainda há quem se admire, que os empresários aproveitem a época, para fechar as suas empresas. Se fosse empresário, ponderava, seriamente, a faculdade de encerrar o meu negócio.
Estamos num país, em que ser empresário é ser-se malandro! Como malandro, há que lhe dar cabo do canastro, porque assim não pode ser!
Impostos e mais impostos! Só se fala de obrigações sociais, ninguém fala em gastar menos. Em deixar de engordar o Estado!
Se alguém é empresário, tem a obrigação de pagar os ordenados a quem para si trabalha! Justo! Justíssimo!
Mas depois, tem de pagar, as contribuições para a Segurança Social e se não pagar, o “vigarista”, o “criminoso”, vai ter um processo-crime em cima. Além do mais, responde com o seu próprio património. Mas, não fica por aqui, ainda vai ver o seu nome e da empresa numa lista de indigentes, publicada pelo Estado.
Tem de realizar as retenções do IRS e entregar ao Estado, que assim se serve da sua estrutura administrativa, à borla, e entregar esse dinheiro ao mesmo Estado. E, como é, à força, um intermediário, além de não ganhar nada com isso, se faltar ao compromisso ou se houver atraso, é penalizado.
Criminalizado, penalizado, enfim… ser empresário é arriscar o que é seu, em detrimento dos outros e ainda ficar, permanentemente à disposição da arrogância do Estado, a todo o momento, sendo visto como o único responsável do não funcionamento da economia.
E se as empresas dão lucro, está tramado, porque tem de pagar impostos, pela riqueza que está a gerar, e não vá o tipo fugir, até lá, paga o pagamento especial por conta, quer tenha lucros quer não!
E como se as coisas não chegassem, o Estado incompetente, visa gerar mais receitas com o novo código tributário. Sim, porque no meio de tudo isto, não são só os empresários que levam com a ripa…os trabalhadores também. E os reformados também, e os pré-reformados!
Ainda há pouco tempo, ouvimos falar da necessidade de alterar o esquema da segurança social, no que ao cálculo das reformas dizia respeito, para prevenir a sua sustentabilidade, para as gerações futuras. Bom, parece que afinal não chega, porque uns atrevidos investiram o dinheiro, que é nosso, em fundos de alto risco! E ninguém os prende. Ninguém os criminaliza, ninguém põe o nome destes malandros numa base de dados, em que toda a gente fique a conhecê-los.
Administrar o dinheiro dos outros, desta forma, e não ser responsabilizado é fácil, quando se tem a prerrogativa de colocar quer em cima dos empresários quer dos trabalhadores uma maior carga fiscal.
E esta porcaria de país, assiste, impávido e sereno, a esta devassa!

Por outro lado, andamos no corrupio da alta finança, a ver os roubos e vigarizes no BPN, no BPP, apoio à banca, generalizado, e quem paga esta treta toda? Os portugueses, aqueles que têm a mania que são espertos, nas suas atitudes diárias do salve – se quem puder, como se assim chegasse a algum lado.
Enquanto este povinho anda a tentar fugir, de pagar umas migalhas, andaram alguns a pedir dinheiro num Banco, para comprar acções noutro Banco e como a pandilha é grande, saltamos da administração de um lado para o outro e vamos controlar a situação no outro lado, porque isto, descambou.
E que garantias foram dadas? Nenhumas, e ninguém lhes cai em cima, porque são investidores/especuladores e não têm nenhuma fábrica de cuecas ou meias, no Minho. Porque se tivessem, estavam tramados! Tinham o nome na base de dados e só lhes restava comprar um bilhete de avião para Madrid e depois em Madrid, outro bilhete para o Brasil, para não deixar rasto, àquela justiça tributária, a mesma que investe o dinheiro da segurança social em fundos de alto risco.
E tudo isto se vai passando, enquanto nos vão distraindo com as pressões no Ministério Público, mais o caso Freeport, mais este caso e mais aquele e o país a afundar-se!
Parece, até, que o país não está endividado, e que a própria Caixa Geral de Depósitos, não está debaixo de olho das empresas de “ranking”, pois esta, até à data, tem sido um poço sem fundo para suportar toda esta pandilha, que tem aberto buracos financeiros em todo o lado. Portugueses, vamos ter de aumentar o capital social da Caixa Geral de Depósitos, outra vez! Aguentem-se à bronca!
Ah, mas se o meu amigo, for um modesto contribuinte que se tenha atrasado no pagamento dos seus impostos, está tramado, pois vai ter de pagar coimas ao Estado e ainda vai ver o seu nome na base de dados.
Resta perguntar: quem quer ser empresário neste país? A única profissão que não tem riscos é a de banqueiro e de especulador. Todas as outras, empresário ou trabalhador, estão condenadas a serem perseguidas, criminalizadas e a verem o seu nome vilipendiado, numa qualquer base de dados de um Estado, pródigo e especulador, também!

“In controversiis, quas in iudiciis moveri contigerit, aequalitatem litigatoribus volumus servari.” [Codex Iustiniani 12.19.12.4] Nas demandas que forem movidas em juízo, queremos que seja observada igualdade entre as partes.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

CASAMENTO GAY



Pela primeira vez, o Partido Socialista vai cumprir uma promessa eleitoral. Vai ser aprovada, amanhã, a proposta de lei que permitirá o casamento de pessoas do mesmo sexo.
Esta lei, não vai permitir a adopção. O que me parece violar o direito constitucional, se a lei que vai ser proposta for, de facto, o “casamento”.
Não vai tardar muito, eventualmente na próxima legislatura, quando o Partido Socialista se achar mandatado, uma vez mais, que se irá aprovar uma proposta de lei, para adopção de crianças, por casais do mesmo sexo.
Há uma história, interessante que ocorreu em 2006, pouco tempo depois de ter sido aprovado a lei, em Espanha, para os casamentos de pessoas do mesmo sexo, em que uma das senhoras, tendo realizado uma fecundação “in vitro”, casada com outra senhora, a segunda, (não sei se marida, se mulher) requereu, ao tribunal de Algeciras que se pronunciasse pelo direito, de esta consorte ser igualmente mãe da criança gerada “in vitro”. E como a lei continha uma lacuna e, existindo o princípio, de que os tribunais não se podem recusar a julgar qualquer causa por falta de lei, foi criada a norma que o legislador teria feito e a criança ficou com duas mães.
Bom, se há casamento, também há divórcio. Sabendo nós que a tendência generalizada, em caso de divórcio, os tribunais, optam por entregar a criança à mãe, pergunto-me como se irá o tribunal pronunciar, para se decidir entre as duas mães? Que critérios?
Ainda bem que o país não tem problemas graves para resolver! E este era premente, pois se for igual a Espanha, em que, em 2008, os casamentos homossexuais se ficaram por pouco mais de 1.300, quando os casamentos heterossexuais foram mais de 240.000, poderemos ver a proporção e chegaremos em Portugal, a cerca de 300 casamentos homossexuais.
“Mater semper certa est; pater is est quem nuptiae demonstrant.” [Digesta 2.4.5, adaptado] A mãe é sempre certa; o pai é aquele que o casamento indica

FAZEDORES DE OPINIÃO

Há necessidade de se irem encontrando bodes expiatórios, pelos múltiplos levantamentos de suspeições, de que o Ministério Público é useiro e vezeiro.
Depois de ter lido o artigo de opinião, de Rafael Barbosa, “Autarcas Suspeitos”, não posso deixar de perguntar, o que jaz sob artigos desta natureza?
Ao longo destes anos, fomos assistindo ao mediatismo do MP, no caso da “compostagem” na Covilhã, no caso “Portucale”, no caso “Operação Furacão”, no caso dos “Submarinos”, no caso “BPN”, no caso “BPP”, no caso "FreePort," no caso "Independente" e por último, no caso “Face Oculta”.
Decorridos mais de dez anos, sobre o primeiro caso, o que se sabe? Vai a julgamento. Quanto aos outros casos? Nada se sabe. Comissões de inquérito da Assembleia da República que acabam por reforçar o mediatismo do Ministério Público, sobrepondo-se nalguns casos, e depois de muita tinta nos jornais e muita conversa de televisão. Mesas redondas, mesas quadradas. Enfim. Um nunca mais acabar de opiniões, em que a maioria delas são opiniões de quem nada sabe, mas acha-se no direito de opinar. E esta opinião de Rafael Barbosa, não é mais, do que um opinar, de quem podia meter a opinião no saco. Francamente não percebo, como é que com gente de tanta categoria a dar opiniões, este país ainda está na fossa?
Diz o autor do artigo de opinião que: “Tal como no caso de limitação de mandatos, é provável que a proposta seja aprovada. Porque ninguém quer correr o risco de voltar a conviver com Isaltinos e Fátimas”.
Na senda desta opinião, direi eu, ninguém deve querer correr o risco de voltar a conviver com Administradores de Bancos, Ministros, Secretários de Estado, Empregados Bancários, Sucateiros e fazedores de opinião, já agora.
Embora tente, respeitar a opinião, acho que é um pouco de “pedantismo” e “sobressairia”, quando se afirma que os eleitores, “devem ser afastados de cair na tentação de eleger condenados com obra feita.”
Porque é que não devem ser afastados de votar, já agora, em quem permanentemente anda envolvido em suspeições, de casos que vão levar sete ou oito anos em suspeição e de cujos resultados se espera, sempre, uma mão cheia de nada?
Só se tenta “triturar” na justiça, quem não está debaixo de um chapéu partidário. Não concorda Senhor Rafael Barbosa?
E só lhe digo que até se conseguem acórdãos em que alguém viola um acto administrativo que não existia e que só veio a existir 7 meses depois, para se conseguir encontrar um crime de corrupção. E, ainda, se consegue classificar um crime instantâneo, num crime continuado, contrariando todos os princípios de direito e que ao longo de décadas, a doutrina tem afirmado nos seus manuais de direito penal, pelos mais reputados professores catedráticos de direito criminal, de modo a que o hipotético crime, não prescrevesse.
Tenha calma e se houver justiça, emita a sua opinião, depois de transitar em julgado e com toda a certeza, terá de digerir esta sua opinião.
Eu sei que é pedir demais, mas devia haver uma lei que nos aliviasse de “fazedores de opinião” que chegam a apelidar os eleitores de burros e idiotas. Essa não!

“Os qui non claudit, quae non vult, saepius audit. » [Gaal 1295]. Quem não fecha a boca, geralmente ouve o que não quer.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Mãezinha andam a brincar com o orçamento



Eles têm andado a brincar com esta coisa do orçamento, mas vão-se sair mal. Então, não é que querem ter dois orçamentos? Isto nem está previsto na lei. Estou farto de explicar que quem ganhou as eleições fui eu, mas eles insistem em querer impor outro orçamento.
Diálogo, mãezinha? Mais diálogo do que aquele que eu tive? Então, logo no início, eu disse-lhes: “vamos fazer aqui um acordo qualquer e vocês apoiam tudo aquilo que eu quero”. Oh, mãezinha, melhor acordo do que este eles nunca teriam. Não percebem!
E eu até não fui esquisito. Tanto fazia acordos à direita como à esquerda. O que era importante é que algum deles assinasse por baixo.
Mas levam para baixo. Já comecei com as minhas intervenções democráticas. Uma delas foi em Beja. Que é para os do PC saberem como é. Um dia destes vou até ao Cavaquistão e largo as mesmas prosas. E depois até Maio, vamos ver se isto vai ao não vai a eleições novamente. Lá para Belém, nem o Presidente, nem o menino Jesus…mas esse, ainda desculpo, pois agora anda lá entretido com o Benfica. E olha que é cada “olhada” que não te digo nada. Mas, o António até já foi à televisão, dizer que o Presidente tinha de ser interventivo, que tinha de apoiar o PS, mas o maroto, nada.
E sabes que ele para ser reeleito, precisa do meu apoio. O homem vai ter que se decidir.
Não, não te preocupes! O Alegre é que eu não apoio, se não ficava na mão daquela malta…
Não fazia mal nenhum, o Presidente dizer que isto estava tudo nas “lonas” e que era necessário o apoio ao Governo e então, nessa altura, já tínhamos a cobertura para aumentar os impostos e mais umas coisitas que temos de fazer.
Se não, depois vai ser pior…temos de fazer como a Irlanda. Sim, vamos ter que reduzir para aí em 20% os salários da função pública, deixar de pagar 13.º e 14.º mês, aumentar as taxas moderadoras, aumentar os descontos para a Segurança Social, e por aí fora.
Eu bem tento…estavam a pensar que me condicionavam com aquelas coisas do Vara e do resto do pessoal que está ligado ao PS, mas já conseguimos deixar a ideia que tudo isto, não tem nada a ver com o partido. O quê? No caso do BPN? Isso é diferente, mãezinha, aí é mesmo o PSD. Não há que confundir as coisas.
Ah, e o Magalhães? Oh mãezinha, nunca mais largam o tema. Bolas! Agora é por causa dos cento e oitenta milhões da Acção Social Escolar que foram para comprar os computadores. Então, estavam a pensar que tudo aquilo era de borla?
Mãezinha, não há pachorra!
Saudades! Depois de Copenhaga, eu telefono e vamos comer um robalo escalado. Combinado?
Beijinhos!

PS- Não o Vara não vai. Eu até já não falo com ele, vai para uns dois meses.

“Amo libertatem loquendi”. [Cícero, Ad Familiares 9.22] Amo a liberdade de falar.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

MÊ FILHO, O TRATADO DE LISBOA JÁ NINGUÉM TE TIRA



Mê rico filho!
Cá recebi a tua cartinha.
Nem sei porque é que continuas nesse trabalho. Do que tenho visto e ouvido, penso que em vez de insistires para ficares, obrigando a oposição a deitar-te abaixo, larga mas é isso, e vai para ao pé do tê amigo. Sim! Aquele que era conhecido como o picareta falante. Não é ele que está lá na Comissão para os refugiados? Ora bem. Lá é que tu estavas bem.
Passavas a ter uma vida mais descansada, até podias engordar um bocadinho, porque ao fim e ao cabo, também não estamos assim tão mal. Com o pezinho de meia que tu arduamente juntaste, já podíamos levar uma vida mais descansada. E eu aproveitava para estar mais tempo com os netinhos.
Deixa-os andar nessa luta do “Face Oculta” e os tês amigos que se desenrasquem que já têm idade para isso.
Como essa malta da oposição, não tem alternativas, em face da tua capacidade inventiva, agarram-se a essa, da “Oculta” e agora não descolam. Sabes bem que é verdade!
Dentro do partido é o avô alegre, já pronto para afiar a faca. Isso ainda vai dar chatice. Sim, porque o manequim dos anos sessenta, não vai ficar parado. Está a começar a hora da brincadeira. Pezinho de fora, pezinho dentro e lá começam eles nas brigas. Bom! Por um lado é bom para ti, mas com essa coisa do orçamento, eles não te vão largar a perna.
A única coisa em que eles te dão razão é sobre o défice. Isso, pouco importa. Oito por cento, dez por cento, tanto faz. Desde que vá havendo subsídios para aguentar esta malta. Criar riqueza? Nem penses nisso, mê filho. Se durante estes 35 anos ninguém se preocupou com isso, não és tu, agora, que te vais matar a fazer uma coisa dessas. Vai entretendo o pessoal que é a conjuntura internacional e que já estamos em recuperação, mesmo que o desemprego continue a subir até 2012. Quem vier atrás que feche a porta. Porque a ti, mê filho, o “Tratado de Lisboa” já ninguém te tira. É obvio que isso não vai trazer mais felicidade para a rapaziada, mas coloca o teu nome nos anais da história europeia. Além do mais, é o teu curriculum que está em jogo. Ou não é?
Vai com cuidado, mê filho. Não te espalhes agora! Eu sei que é mais difícil, porque tens de falar com essa maltosa da Assembleia. Mas tem que ser!
Beijinhos de saudades.

PS: Já troquei de telemóvel. Depois telefono-te para te dar o número. Não é muito seguro por carta. Vá lá o diabo tecê-las.

“Multum sunt verbis dissona facta bonis.” [Rezende 3691] Os feitos são muito discordantes das boas palavras.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

NÃO TRAUMATIZEM OS ALUNOS






Muito se tem dito sobre a educação e os traumas psicológicos que são infligidos aos alunos mais incompreendidos. Estes são verdadeiramente maltratados.
O sistema de ensino actual, não tem preparado os professores, para lidar com as situações do dia-a-dia e que muitas das vezes, traumatizam os alunos para o resto das suas vidas.
Temos algumas situações em que o professor não está habilitado a gerir e que deve ser tido em conta na avaliação dos mesmos. Desde o aluno que chega atrasado à aula, ao aluno que pede para ir lá fora, ainda mal acabou de entrar na sala de aula, quando o aluno não presta atenção ao que o professor está a dizer, quando o aluno está permanentemente a virar-se para trás, quando o aluno pede para ir “mijar”quando o aluno pede para ir comer, quando este boceja, quando o aluno dorme na aula, quando o aluno fala em “crioulo”, etc.
Todas estas e outras situações, o professor tem, como obrigação, de saber lidar com elas.
Se o aluno fala em crioulo, de duas uma. Ou ele sabe que você sabe crioulo e quer que você saiba o que ele quer dizer, ou ele sabe que você não sabe crioulo e não quer que você saiba o que ele está a dizer. Mas não se deixe intimidar, diga que sim e faça de conta que não percebeu nada, mesmo que tenha percebido. Logo que possível, tente-se informar se já abriu o curso de formação de crioulo. O saber não ocupa lugar e em breve, vai fazer-lhe falta, já que o crioulo vai passar a ser a primeira língua oficial na escola.
Se o aluno lhe pede para “mijar”, pergunte-lhe, com simpatia, se o que ele quer de facto é “urinar”. Se este reagir com espanto e lhe perguntar: “ir fazer o quê”?, explique-lhe com paciência que urinar é sinónimo de fazer xi-xi. Caso continue sem perceber, deve ilustrar a situação no quadro, ou exemplificar, com todos os pormenores, ao vivo e a cores.
O aluno quer ir comer. Antes de autorizar, recomende-lhe que não deve comer à pressa porque faz mal. Ele que não se preocupe, porque a aula pode esperar. Recomende que ele mastigue no mínimo trinta e cinco vezes, a fim de que o bolo alimentar fique devidamente preparado para ser recebido pelo seu delicado estômago.
Nas situações mais agressivas, como o de o aluno o mandar para o “c…alho”, reaja com calma e pense que algum motivo, ele há-de ter para se insurgir dessa forma. Diga-lhe com serenidade que ele deve utilizar o termo “pénis” em vez de “c….alho”. Dito desta maneira, as coisas tornam-se muito mais simpáticas e deixam de ter carga ofensiva, porque se evitou o palavrão, gratuito e fácil.
Na eventualidade de o aluno encostar o seu peito ao seu, o essencial é manter a calma, porque normalmente, estes alunos são brincalhões e serenos. Sorria e se for preciso, peça desculpa e prometa que o motivo que levou a encostar os peitos, mesmo que o desconheça, jamais se repetirá.
Temos que aprender a não traumatizar os meninos. Se algum dos alunos libertar um gás, deve procurar desobstruir as fossas nasais, de modo que o efeito seja o desejado por quem o solta. Não desiluda os seus alunos. Se o gás for libertado com som audível, devemos rir e acompanhar o resto da turma na sua risada.
Já o professor está proibido de gasear. A liberdade tem limites.
Procure perceber os motivos que levam os meninos a ter estes procedimentos e não os traumatizem.

“In summum perducta incrementi non habent locum ». [Sêneca, De Constantia 5.4] Tudo o que atingiu o ponto mais alto não tem espaço para crescimento.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

MÃEZINHA, O CSI ANDA POR AÍ



Acuso a recepção da tua cartinha, que me deu algum ânimo.
Como já deves ter reparado, o CSI anda por aí a fazer das suas. Com aqueles aparelhos todos científicos, escutam daqui, escutam de acolá e depois é esta jagunçada que tu vês.
Ultimamente não te tenho visitado, embora eu viva na direita e tu na esquerda, porta com porta. Tenho andado preocupado com a situação e como não quero dar muito nas vistas, mando aqueles entroncados, largar umas bujardas na televisão. Então o outro, nem parece o Ministro da Defesa…parece mais o Ministro da Guerra, embora não use farda.
Aquela malta que andou por ali, pela esquerda revolucionária, cresceram e tornaram-se adultos, mas nunca perderam aquele jeito entroncado de falarem grosso. Lembras-te mãezinha? Os tempos do “grande educador da classe operária”? Dos carregadores de mobílias da reitoria da universidade lá para a sede do partido? Fazem, todos, parte dessa pandilha! É giro, porque ao fim de 35 anos, não perderam o jeito. E ainda bem que não foram todos para o PSD e ficaram alguns por aqui.
Vê tu bem, que mesmo trocando de telemóveis, apanharam os tipos nas escutas. Porquê? Por causa do sucateiro que não perde a mania de guardar coisas que já não prestam. É mesmo sucateiro.
Mas, como já te disse, eu penso que a montanha vai parir um rato. Porque normalmente estas coisas levam 7 a 8 anos a decidirem-se e até lá, não dá em nada. O quê? O Estado de direito democrático? Ou mãezinha que importa isso agora, se o país está prestes a cair no abismo?
Repara bem! Estamos com um desemprego inferior ao da Espanha e esta malta queixa-se. Temos um défice mais baixo que alguns países da Europa e a malta queixa-se. As receitas caíram perto de vinte por cento e vamos ter de aumentar os impostos e a malta não vê que têm de ser patrióticos e ajudar o Partido.
Ainda agora, vieram aqueles tipos a pedir que a malta que já descontou 40 anos fosse para a reforma, independentemente da idade. Esta malta é doida! Trabalhem! Ainda não viram que a reforma é uma coisa que vai acabar. São mesmo uns tolos. Nós só vamos ter que aguentar esta coisa, até que os tipos que já estão na reforma comecem a patinar. Para os outros, está quieto ao mau. Trabalhem malandros!
Não há trabalho, mãezinha? Não digas isso. Eu tenho criado muitos postos de trabalho. Vê os jornais. Ele é pessoal para as padarias e panificadoras, ele é carpinteiros de limpos, ele é ajudantes de cozinha. E não há empregos? Então esta malta, só porque são licenciados já não querem descascar batatas? Ou mãezinha, não podem ser todos primeiros-ministros.
Mãezinha, vou acabar esta cartinha, antes que alguém me veja. Se baterem à porta, pode ser o CSI, manda-os ter com o Vieira.

“A caula ad aulam.” Do curral para a corte. ■Ontem vaqueiro, hoje cavaleiro.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

MÊ QUERIDO, DESABAFA À VONTADE




Não te importes de desabafar comigo. Sempre estive pronta para ti ouvir.
Deixa a rapaziada andar entretida com essas coisas do “Oculto”, porque enquanto andarem entretidos, não pensam no descalabro orçamental.
Ainda me lembro do tê amigo do Banco de Portugal, quando tu foste para primeiro, a primeira vez, que veio dar aquela notícia fantástica do défice de 6,32%. Lembras-te?
Foi uma óptima jogada. Agora com 8,4%, ninguém fala no assunto.
Mê filho, tu és um génio.
A malta ainda nem pensou no que tu vais ter de fazer…aumentar os impostos. Se com 6% de défice aumentaste o IVA 2%, aumentaste o IRS, diminuíste as contrapartidas na segurança social, nem quero imaginar, meu maroto o que tu vais fazer.
Aqueles tipos do PSD têm muito que aprender contigo, mê filho. Vê é se consegues aprovar aquela lei do financiamento dos partidos com donativos em numerário, de pelo menos um milhão de euros. Escusavas de andar nas negociatas de financiamento nos bancos. Ninguém tem de saber de onde vem o pilim.
Mê rico filho, vou-me é fartar de rir, quando daqui a 3 ou 4 anos não houver dinheiro para salários na função pública, nem para as reformas. Nem quero imaginar a cara dessa malta.
Mas volto-te a dizer que não te preocupes. Quando isso acontecer, sabes que tens a desculpa da crise internacional. Não saias dessa! Mantém-te firme e hirto.
Até lá, a mãezinha está contigo!

PS- desculpa a carta ser pequenina mas tenho umas coisas para fazer e já estou atrasada.

“Miserum est aliena vivere quadra.” [Rezende 3545] É triste viver do pão alheio. ■Negra é a ceia em casa alheia.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Mãezinha, já chega de compostagem



Esta malta, ainda não aprendeu que não é por andar a dizer mal dos outros que aumentamos a nossa auto -estima, muito menos a do partido.
Continuam a escrever nos blogues a dizer mal deste e daquele, e depois, admiram-se que alguém venha dar respostas menos interessantes e muitas das vezes com a “Face Oculta”.
Já não bastava aquela coisa da compostagem, lá para a Covilhã, e do tipo que está envolvido, ser o mesmo que foi meu professor em quatro cadeiras, e de terem visto que um dos meus exames tinha sido feito por fax, e que terminei o curso a um domingo, para esta malta se calar. Estou farto de dizer lá no partido que se deixem destas coisas. Mas esta malta continua a dizer mal dos adversários. Já chega de “compostagem”. Era bom é que limpassem as mãos à parede, porque na realidade ela está tão negra que nem se notava nada. Não é, mãezinha?
Mas não. Põem-se a falar de Gomorra e de Oeiras, querendo comparar Gomorra a Oeiras.
Ainda por cima são redutores, porque a mitologia ensinou-nos que o problema não é de uma cidade, mas do país. Não concordas, mãezinha? Aliás, basta ver estas coisas da Portucale, dos submarinos, do Freeport, da Universidade Independente (minha querida universidade. Tive tanta pena que fechasse, mas assim foi melhor, acabou-se o andarem a bisbilhotar lá nos papéis), da Operação Furacão, da Casa Pia (coitado do Pedroso que foi envolvido naquela coisa) e agora a Face Oculta.
O Marcos perdeu, mas está bem na vida. Eu não deixei que o “meu menino” ficasse mal. Porque é que continuam a acicatar o pessoal lá por Oeiras?
Já não bastava ter saído a noticia da remodelação da mobília e dos cortinados do gabinete do Marquitos, das piadas que fazem agora com o meu amigo Vara, dizendo coisas como: “novo desporto, assalto à vara”, “ O vara na vara criminal”. E outras tantas, mãezinha! É um regabofe, o que esta malta da oposição anda a fazer!
E agora para rematar, o Teixeira anda a dizer que não é rectificativo que é substituição, ou suplementar, o novo orçamento. Para quê estas coisas? Ao fim e ao cabo vamos ter que dizer que o défice é superior a 8% e que com o novo Código Contributivo a malta vai sacar mais umas receitas. Isto é que é! Se já se sabia antes das eleições, já, mas não era oportuno, não achas?
Acabem lá com isso! Se não é um lavar de roupa suja que nem as “lavadeiras de Porto Salvo” conseguem lavar. E já me basta, agora, o orçamento. Deixem-me em paz. Não é mãezinha?
Mãezinha! Tinha que ter este desabafo contigo. És a única pessoa que me entende, mas, por agora, não te vou preocupar mais.

Beijinhos do tê filho.

“Multos reges, si ratio te rexerit.” [Sêneca, Epistulae Morales 37.4] Governarás a muitos, se a razão te governar.